Notas iniciais
Esse é o capítulo mais confuso que vocês vão ler - até agora. Eu tive que jogar bastante informações por ali pra mexer essa história pra frente, e espero que vocês gostem do que vocês vão ler. Prestem uma atenção especial no jeito que a carta do Derek é escrita - e principalmente no tamanho dela, ele está sentindo alguma coisa, mas como eu não queria colocar um drabble sobre ele ali, vocês tem que adivinhar o que está passando na cabeça dele. Eu consigo imaginar. =D

26 de julho de 2011

Derek

Hey!

Eu adoraria ir ver os fogos em São Francisco. Quem sabe a gente pode combinar isso um dia? Quando meu pai deixar eu dirigir o Jipe pra longe de Beacon Hills, e quando você estiver aí de volta, quem sabe a gente pode combinar de se ver, não é? Afinal, a gente tem conversado por mais de meio ano, e a gente é praticamente do mesmo lugar, então acho que seria legal, não é?

Não sei se eu estou fazendo sentido com tudo isso, mas eu só fiquei excitado em ter alguém pra me mostrar a cidade — tem vários lugares que eu quero visitar por lá. Sem falar que eu quero entrar em Berkeley — que é lá do ladinho né — mas meu pai ainda está dividido entre me incentivar a ir morar em uma cidade maior e entrar em uma boa faculdade, ou me fazer ficar por aqui por medo que eu vá longe demais.

Mas eu já disse pra ele, que se ele pensar um pouco, Beacon Hills não é nada longe de Berkeley, muito pelo contrário, em um bom dia a gente chega por lá em uma hora e meia — sem falar que com o paraíso dos gays aqui em Guerneville, que é aqui do ladinho, as rodovias tem um trânsito mais movimentado.

Sim, meu pai está preocupado comigo andando em alguma estrada vazia e não em uma cheia. Acredite se quiser.

Não sei se te contei antes, mas pela primeira vez, meu pai vai me deixar sair com meus amigos. O que parece estranho pois eu acabei de falar que ele não gosta de me deixar sair, mas agora eu disse que ele vai deixar. É que eu só lembrei agora. Todos nós fomos juntos pedir pra ele, e levamos os pais da galera que vai ir junto.

Ele disse que sim,pois o lugar é perto — afinal a praia que nós vamos, a Goat Rock Beach, fica a mais ou menos 30 milhas daqui. Mas, incrivelmente, eu só fui à praia uma vez — é que minhã mãe não era muito fã de praias, e a gente foi só uma vez todos juntos. E depois que ela se foi…

Por isso eu meio que sinto que vai ser importante pra mim. E a carta estava toda animada e agora voltou ao sentimentalismo — eu não sei o porquê de eu sempre falar de sentimentos por aqui. Acho que é como eu disse, ninguém me impede de escrever nada e eu acabo me abrindo, como sempre.

Enfim, a praia é bem bonita e nós vamos ficar na casa de uma das nossas amigas — uma casa ao lado do Russian River, em Jenner. Nós vamos ficar lá por uma semana inteira.

Por isso mesmo eu não sei se a próxima carta não vai ser um pouco mais atrasada, pois nós vamos sair daqui em menos de duas semanas, e provavelmente a sua carta vai chegar naqueles dias. Se você ainda não desistiu de mandar as cartas pra mim, é claro.

Mas acho que não. Não é?

Enfim, acho que é isso? A carta foi mais curtinha hoje, não? É que eu tô escrevendo ela de noite, depois de uma maratona de WOW com Scott, depois que ele voltou de um encontro com Allison — ah, sim, nós iremos em quatro pra praia, Allison e Scott, eu e Lydia.

Bom trabalho!

Do seu companheiro de cartas,

Stiles

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3 de agosto de 2011

Stiles

Boa semana na praia pra você e seus amigos. Espero que vocês se divirtam por aí — e não pude deixar de notar, mas vocês vão ir como dois casais? Espero que se divirtam mesmo. E pelo que parece você vai com uma garota, hein? Boa sorte com ela também.

Eu já fui pra Jenner, aliás, nós ainda temos uma pequena casinha lá, ainda da época que nós íamos em família passar alguns finais de semana num lugar calmo. Mas assim como você, depois que eles se foram a gente acabou por não ir mais. Se você passar por lá e quiser olhar, é uma casa azul na Shoreline Highway. Uma das casas azuis. Eu não me lembro o número, mas acho que devem ter só algumas por lá. Uma delas é a nossa.

Eu vou demorar para retornar a São Francisco, mas talvez até que você esteja na faculdade, eu já esteja por lá, então eu posso, sim, sair por aí te mostrando alguma coisa sobre a área da baía.

Boa viagem e até a próxima carta.

E sim, vão haver mais cartas. Pelo menos se depender de mim.

Derek

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“Stiles, por que nós estamos caminhando aqui, nesse frio?” Lydia se abraçava para manter o corpo quente. Stiles caminhava calmamente, e ela do lado dele.

“Tu preferia estar lá dentro da cabana segurando vela pros outros dois?” Ele levantou uma sobrancelha na direção dela. Lydia torceu o nariz.

“Okay.”

“Era o que eu pensava.” Ele continuou caminhando.

“Mas isso ainda não explica o porquê de nós estarmos aqui, caminhando, no vento frio, que incrivelmente não deveria estar por aqui nessa época do ano.” Lydia tremeu mais uma vez. Stiles olhou pra ela, se achegou mais perto, colocando o seu braço em volta dos ombros dela. Ela olhou pra ele e sorriu.

“Eu tô procurando uma casa.” Ele continuou andando e olhando para os lados, sem epxlicar muito para ela sobre o que estava passando na cabeça dele. “E eu acho que achei.”

Eles pararam de caminhar bem em frente a uma pequena casa azul. Em frente à casa havia uma pequena plaquinha com o nome da família.

“Hale?” Lydia perguntou. “O que que você tem a ver com eles?”

“Nada.” Ele falou rapidamente. “É só a casa de um… amigo.” Ele disse meio incerto, mas Lydia aceitou a resposta, mesmo que não desse muita atenção ao assunto.

Stiles olhava a pequena casa à sua frente, e na mente dele a primeira coisa que apareceu foi a mãe dele regando as flores do jardim que enfeitava o caminho até a porta e o pai dele arrumando o barco para pescar, no outro lado da casa. Ele imaginava a própria família ali naquela casa.

A mente dele tentava procurar por uma forma de imaginar os Hales naquela casa, que pertencia a eles, mas os seus pensamentos não conseguiam prover qualquer imagem daquela família. Ele não conhecia nenhum deles, não sabia como eram seus rostos, como eram suas vozes, como se comportavam como uma família ou o que eles fariam.

Ele queria pensar em uma família ali, mas a única coisa que vinha à cabeça dele era a família que ele tinha.

Ele fechou os olhos e respirou fundo. Lydia, ao lado dele, abraçou ele de lado, colocando uma mão na cintura dele.

“Eu imaginei a minha irmã, ontem, quando nós fomos andar na areia.” Ele se virou pra ela. Nós lábios dela, um sorriso. “Nós costumávamos correr sozinhas por toda a praia. E eu sinto falta de fazer isso com ela. Muitos dizem que isso passa, que é mais fácil viver depois que eles se vão ou coisa parecida. Mas todos eles estão enganados.” Ela beijou o ombro dele e depois recostou a cabeça ali.

Ele apenas acenou com a cabeça, olhos ainda fechados.

Quando ele os abriu, um lobo negro, sentado perto da porta da casa azul, olhava para ele.