Cartas para Derek

34 Eu te amo, Stiles


Notas iniciais
Continuando a batalha pra bater a meta!! =D

Derek voava. Não nas asas de um avião ou de um pássaro, mas nas asas da própria mente, impulsionado pelo seu corpo. Pelo prazer.

Por Stiles.

Ele viu o garoto pedir que ele se deixasse levar, que ele se perdesse em si mesmo. Stiles pediu pra ele sentir. Derek obedeceu.

Quando ele começou a voltar à terra, voltar ao Kosovo, seu quarto e sua cadeira, sozinho, ele voltou seus olhos para o garoto, outra vez, e ouviu ele chamando.

“Derek?” Stiles sussurrou, e Derek viu que ele estava começando a se perder também.

“Sim, Stiles?” Derek perguntou, abrindo os olhos e se aproximando da tela.

“Eu vou…” Ele não conseguiu completar.

“Goza pra mim, Stiles.” Derek pediu, do mesmo jeito que o garoto pediu pra ele, e Stiles gozou.

“Eu te amo, Derek.” A voz sussurrante de Stiles disse, olhos fechados com força, suor escorrendo pelo lado do rosto, bochechas vermelhas. A voz de Stiles quase passou despercebida, principalmente porque ele estava nu, se tocando na frente de Derek, que a mente dele quase nem ouviu o que o garoto dizia.

Quase, pois ele não conseguiria deixar aquela frase passar, nunca. Três palavras que se distinguiam do nome dele — mas que significavam um mundo de coisas diferentes além do que é sempre atribuído a elas.

Eu te amo, Derek.

Elas poderiam significar liberdade. O sentimento de voar livremente com a força do vento dos nossos próprios prazeres, nos empurrar de um abismo alto, sem fundo para se chegar. Sem perigos e com todos os perigos. Sentir a linha tênue entre vida e morte se atravessar pelo nosso corpo, nos repartir em pedaços e juntar de novo.

Poderia ser o fim de um começo, o começo de um fim.

O fim.

Ou um novo começo.

Eu te amo, Derek.

Essas palavras poderiam ser o calor do momento se expressando despercebido através das palavras, o ato de se sentir completo e transbordar por todos os poros se materializando de uma forma abstrata — se isso é possível. Essa frase correndo livre pelo ar depois que o próprio prazer fez ela se expulsar do corpo.

Eu te amo, Derek.

Ou elas poderiam ser a verdade. Não que, de qualquer uma das formas, elas não poderia ser verdade. Cada palavra existe como verdade em seu momento, de uma forma ou de outra, mas dessa vez elas poderiam significar a verdade para todos os momentos e não só um.

Dessa vez, ao invés de essa declaração vir do calor do momento, vir de uma vontade interna de se libertar e expressar o sentimento do prazer, ela poderia vir de um sentimento que existiu antes do momento e que vai continuar existindo depois.

Não se trata apenas de dizer que se ama, deixar o momento acontecer e nunca mais se falar nisso. Dessa vez, se trata de dizer que se ama, se amou antes e vai continuar se amando. O sentimento nunca teve um momento de aparecer antes, e o desprendimento que as ações causaram deu uma brecha para que ele aparecesse.

Ele sempre esteve ali, sempre esteve à espreita, à espera do momento perfeito.

O sexo só fez o momento perfeito aparecer.

Eu te amo, Derek.

E, Derek? Ele ama Stiles? Ele sente o mesmo que o garoto sente por ele? Existe um sentimento dentro dele? Existia antes do prazer, existe agora e vai continuar existindo depois?

Sim.

“Eu…” A voz de Stiles soou de novo, nervosa. “Desculpa, eu… eu não queria dizer aquilo, foi só…” Stiles não completou a frase.

“Eu também…” Derek falou rapidamente.

Stiles ficou em silêncio, boca entreaberta em meio às palavras. Derek viu a incerteza na cara dele.

“Eu também te…” Derek começou, parou e respirou. “Eu também te amo, Stiles.” Quando ele falou, o coração bateu mais forte, por aqueles segundos. Indeciso mas, ao mesmo tempo, falando a verdade.

“Sério?” Stiles perguntou, voz afinando na última letra. Medo estampado no rosto. Stiles parecia estar com medo de tudo, não só das palavras que escaparam da boca dele, mas de tudo, de ter se libertado e se mostrado para Derek, de ter deixado ele ver mais de Stiles. E claro, de dizer que sentia uma ligação com Derek, mais forte, mais profunda, além de tudo que eles tinham conversado até o momento.

Derek assentiu com a cabeça, mudo. Lábios apertados e olhos colados ao rosto de Stiles. O garoto ainda não tinha olhado pra ele.

“Eu achei…” Stiles sacudiu a cabeça e olhou para Derek. “Eu achei que tivesse estragado tudo, eu achei…” Ele suspirou.

“Não, Stiles.” Derek interviu. “Eu sinto isso. Eu sinto o mesmo, sabe? Eu só… às vezes eu esqueço que eu posso usar as palavras.”

“Eu…” Stiles começou. “Eu não achei que ia falar. Provavelmente não ia. Mas sabe, no momento a gente tava…” Ele gesticulou, indeciso e envergonhado, com as mãos para ele e Derek, ainda nus e longe um do outro. “Eu não sabia o que ia acontecer.” Ele abaixou a cabeça.

“Talvez foi pro bem, que isso aconteceu.” Derek respondeu. Stiles olhou de volta para ele. “Eu não sei se eu teria dito isso, assim logo. Não que eu não sinta, sabe? Eu acho que eu...te amo há um bom tempo, só nunca tive a coragem de dizer. Eu te amo, Stiles. Sim.”

“Eu também te amo, Derek.” Stiles suspirou. “Por que é assim difícil de falar? A gente sente isso, e eu sinto que a gente sente isso mesmo, sabe, um pelo outro, eu vejo a reciprocidade. Mas ainda assim é estranho a gente falar. Tipo, eu sei que eu te amo, mas no momento em que as palavras saem da minha boca elas saem indecisas, com medo. E eu sinto isso.”

“Eu sei.” Derek disse. “Eu sinto do mesmo jeito. Elas saem indecisas, saem sem saber exatamente como. Mas eu sinto. Eu te amo. Te amo. Acho que só dizendo a gente vai se acostumar com elas.”

“Eu acho…” Stiles falou, coçando a sobrancelha.

“E eu espero que a gente tenha bastante tempo pra continuar se acostumando com elas.” Derek sorriu.

“É.” Stiles sorriu também. “Eu te amo, Derek.”