Cartas para Derek

18 Amor. Ou coisa parecida.


Notas iniciais
Último cap antes do Natal - bom, já é amanhã, né? Espero que vocês gostem e tudo mais! Feliz Natal e até logo!! =D

“Pai?” Stiles perguntou para o Xerife enquanto eles estavam jantando. “Como que tu soube quando tu ficou apaixonado pela mãe?”

“Como?” O Xerife perguntou, terminando de mastigar a comida.

“Como que tu soube que ela era o amor da tua vida? Ou que ela ia ser a escolhida? Sei lá, como que tu percebeu que tu gostava dela. Ou como que tu percebeu que gostava da Melissa, não sei, como que a gente percebe quando gosta de alguém?” Stiles terminou a frase um pouco frustrado consigo mesmo por não conseguir sequer se expressar direito. Ainda mais ele que sempre tinha um jeito com as palavras.

O pai dele olhou pra ele calmamente, pensativo.

“Bom, eu realmente não posso te dizer com certeza que tenha um sinal especial que vai piscar e dizer que você escolheu a pessoa certa. De algum modo, você, simplesmente, sabe.” O Xerife disse.

“Mas e… como que aconteceu contigo?” Stiles perguntou.

“Bom, eu e a sua mãe, nós fomos sortudos. Na época em que nós nos conhecemos, as nossas famílias ainda eram um pouco antiquadas quanto aos casamentos e tudo mais, por isso, nós fomos apresentados, um ao outro, para uma possível união. Nós não nos conhecíamos antes daquele jantar entre todos nós, minha família e a dela, e no começo, nenhum de nós tinha algum sentimento pelo outro.”

“E como vocês… hum, quando vocês começaram a se gostar?” Stiles perguntou.

“Acho que foi no momento em que eu roubei o primeiro beijo.” O Xerife sorriu e Stiles sorriu também. “Nós estávamos em outro daqueles jantares com nossos pais, e por um momento eles nós deixaram na varanda da casa dos pais dela para conversar. Era fim de tarde, o sol ainda brilhando no céu e tudo mais, pássaros cantando e todas as coisas românticas que tu possa imaginar estavam acontecendo também. Nenhum de nós sabia exatamente o que falar, pois ambos tínhamos ideia do porquê de nós estarmos ali juntos. Nossos pais queriam que nós ficássemos juntos. Então eu olhei pra Claudia, ela olhou pra mim, e eu a beijei.”

“E ela?”

“Ela me bateu com a bolsa dela. E me deu um tapa na cara.” O Xerife disse, sorrindo.

“Wow. Mamãe durona na queda, hein?.” Stiles sorriu.

“Sim, sim. Ela me xingou dizendo que homem nenhum iria beijar ela sem pedir permissão. E logo depois ela me bateu outra vez, antes de se jogar em cima de mim e me beijar de novo.” O Xerife limpou a garganta. “Claro que nós paramos, com sorte, antes de algum adulto ver a gente se agarrando. Mas depois daquele dia, eu sabia.”

A história era divertida de ouvir, mas não ajudava Stiles. Nenhum pouco.

“Legal, pai.” Ele disse calmamente, antes de voltar a comer.

“Sim, sim. É uma história legal. Mas eu creio que tu não perguntou isso pra mim só pra saber da história, não é?” O Xerife perguntou. Stiles sabia que o pai dele iria ver que a pergunta não era tão inocente assim, sem que tivesse outra intenção por trás. E Stiles conseguia ouvir as engrenagens na cabeça do pai dele funcionando.

“Não exatamente?” A pergunta foi mais para si mesmo do que para o pai dele, pois nem Stiles sabia o que estava sentindo.

“Não exatamente em que sentido?”

“No sentido de eu não ter ideia se eu gosto dessa pessoa ou não…” Stiles disse, fechando os olhos.

“Quem é o garoto?”

“É… Eu não sei pai. Eu só…” Stiles não completou a frase, mas suspirou.

“Bom, se você não me der alguma coisa pra trabalhar, eu não tenho como te ajudar.”

“Eu sei, é que… É que eu não conheço ele direito, e ele não me conhece direito e…” Antes mesmo que ele pudesse completar a frase, o Xerife interviu.

“E esse “ele” seria o soldado que tu tava mandando cartas?” O Xerife perguntou, calmamente.

Stiles respirou fundo, sem olhar diretamente para ele, e assentiu uma vez.

“E qual seria o problema?” O pai dele perguntou.

“Deixa ver… o fato de ele não saber quem eu sou, de ele nunca ter me visto, de ele, talvez, nem ser gay — e provavelmente não é — de ele estar do outro lado do mundo e de eu não ter conseguido me comunicar com ele pelos últimos cinco meses até agora. E ele não sai da minha cabeça.” Stiles bufou. “Nem eu sei como ele é, pai.”

O Xerife deixou as palavras assentarem antes de concordar, com um aceno de cabeça.

“Difícil, huh?” Ele perguntou.

“Eu não faço nem ideia do que eu tô fazendo, pai… Eu tô obcecado com alguém que eu sequer conheço direito. E mesmo assim a minha cabeça não…”

“Não consegue esquecer, não consegue deixar passar, deixar pra trás. Não consegue ficar um dia sem pensar na pessoa, sem lembrar de alguma coisa que ela fez e de alguma forma, sem a gente perceber, ela entra no teu coração e acha um lugarzinho só pra ela.” O Xerife disse, sorrindo.

“Uhum.” Stiles só conseguiu concordar.

“Eu acho que isso poderia ser chamado de amor. Ou coisa parecida.”

“Eu sei.” Stiles disse, baixinho.

“Filho.” O pai de Stiles chamou a atenção dele e pegou na mão que ele deixou repousando sobre a mesa. “Não é ruim a gente gostar de alguém. É uma daquelas coisas que a gente nunca tem certeza de quando vai acontecer e, quando acontece, a gente nunca esperava que fosse daquele jeito. Simplesmente acontece.” Ele apertou a mão de Stiles, não deixando ele soltar.

“Só que… Pai…” Stiles olhou para os olhos do velho homem à sua frente. “Eu nem sei onde ele tá agora… Eu nem sei se ele gosta de mim. Céus, eu sou basicamente uma criança ainda, pai…” Stiles reclamou e sacudiu a cabeça.

“Stiles, você tem quase dezoito anos. Na sua idade eu já estava praticamente planejando meu casamento. E eu nunca senti que era a hora errada, que era cedo demais ou coisa parecida. Eu sabia que era aquilo que eu queria. E eu fui atrás.”

“Mas como que eu vou achar ele? Como que eu vou dizer pra um soldado que eu nunca vi antes que ele provavelmente pode ser o possível amor da minha vida? E, meu Deus, eu nem tenho dezoito anos e já tô pensando no amor da minha vida…” Stiles franziu a testa.

“Filho. Stiles, olha pra mim.” O Xerife disse e esperou até que Stiles estivesse olhando para os olhos dele. “ Não há nada de ruim em gostar de alguém, em sentir alguma coisa por alguém. Mesmo que vocês nunca tenham se visto. Uma vez as pessoas encomendavam os maridos ou mulheres do outro lado do país. E muitas vezes dava certo e ele viviam felizes.”

“Pai, a gente não vive mais naquela época…” Stiles disse.

“Mas não quer dizer que tudo tenha mudado tão abruptamente. Nós somos pessoas como as pessoas que estava aqui há cem anos atrás. Talvez os pensamentos sejam diferentes, os ideais e noções do mundo também, mas o amor é o mesmo desde que nós nos conhecemos por humanos. Se a gente sente alguma coisa é porque ele está ali. Dentro da gente, só esperando pra encontrar a pessoa certa pra gente dividir ele.”

O Xerife sorriu e Stiles tentou imitar o gesto.

Ele gostava de Derek. Sim. Ele só não sabia o que ia fazer para conseguir encontrar ele de novo. Achar um jeito de falar com ele, de dizer o que sentia. De dizer que ele estava gostando dele, que tinha um sentimento ali. E torcer para Derek sentir o mesmo, ou pelo menos não querer bater em Stiles.

Mas como ele iria encontrar ele? Como ele iria achar um jeito de entrar em contato com Derek?

Ele tinha a resposta na cabeça dele, mas ele tinha medo falar. Medo de pensar. Stiles era aventureiro o bastante para ir procurar alguém que ele nunca tinha visto? Ele teria coragem de ir pra longe da vida que ele tinha e procurar pela pessoa que fazia o coração dele bater mais forte?

Sim.