Notas iniciais
YAY!! =D

Excertos de um diário…

23 de março de 2012

Hoje eu consegui andar alguns metros. Com muletas. Para os doutores, aquilo foi uma coisa maravilhosa. Pra mim? Nem tanto.

Não que eu seja mal agradecido ou coisa assim, ou que eu não esteja feliz em começar a me recuperar direito. Por que sim, eu quero me recuperar completamente, quero tentar voltar a ser um humano como antes — um soldado como antes -, mesmo que isso seja um pouco demais pra pedir.

Mas não existe problema em ser esperançoso, não é?

Não existe uma lista de coisas enumeradas que nós podemos pedir, um número máximo de desejos. Não existe nada disso, mas mesmo assim, a gente continua pedindo. E pedindo.

E quem disse que existe alguém que realiza nossos pedidos?

Existe?

Pois eu gostaria de pedir pra voltar a lutar.

Derek

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2 de abril de 2012

Paris é linda. Da minha janela, pelo menos. Eu escuto carros na rua, pessoas conversando, pássaros cantando. Eu escuto médicos nos corredores, pacientes caminhando, aparelhos fazendo seus barulhos.

E eu, aqui.

Não é uma prisão, mas às vezes parece.

Laura vive dizendo pra mim que eu deveria aproveitar toda essa emoção de estar na Cidade Luz, e visitar algum lugar bonito, aproveitar a primavera que vai se instalando aqui, e os parques se enchem de flores, e as pessoas enchem as ruas.

Mas eu não tenho vontade de solicitar alguém que possa me levar pela cidade.

Eu já me sinto inválido o bastante aqui dentro, esperando pela minha recuperação. Se eu sair daqui e precisar de alguém pra me acompanhar por cada passo, eu não sei se vou conseguir sequer olhar na cara de alguém.

Eu sempre fui forte. Um soldado.

Mas agora…

Derek

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10 de abril de 2012

Laura me ligou hoje. Brigou comigo.

Eu não gosto quando isso acontece.

Ela me disse que eu estou me comportando como uma criança. Eu pensei em responder a ela que crianças não veem a morte nos olhos, não veem o fim perto delas como eu vi, mas eu não pude colocar imagens como essas na cabeça da minha irmã. A vida dela já foi ruim o bastante.

E eu aqui…

Eu não sei a forma como devo me comportar.

Eu tenho que olhar pra frente e pro futuro com esperanças, mesmo que eu esteja assim? Eu preciso pensar que vou me salvar, mas mesmo assim não vou poder ser o mesmo homem que e fui antes?

Eu não consigo aceitar.

Eu não tenho uma escolha para fazer, não posso escolher o tipo de mudança, não posso escolher se eu quero ou não mudar, tudo veio em cima de mim, tudo se decidiu sem eu ter a chance de exercer a minha vontade. Sem eu ter a chance de fazer nada.

Agora, as escolhas todas ficaram pra longe de mim — eu perdi a chance de fazer muitas delas.

Derek

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30 de abril de 2012

Hoje é aniversário dele.

Derek

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12 de maio de 2012

Os médicos decidiram tirar o gesso e as talas e tudo mais que ainda tava na minha perna. Mesmo que tenham se passado cinco meses desde o acidente, eu tive que colocar elas de novo pois um dos ossos havia cicatrizado errado, e os médicos não conseguiram detectar antes, e ele teve que ser quebrado de novo.

Graças a Deus a experiência não foi dolorosa quanto o acidente. Mas a ideia não é tão prazerosa nem em pensamento.

Eu sinto falta de muitas coisas da minha vida, mas, provavelmente, a que mais eu sinto falta é o trabalho. O suor, a luta. Alguma coisa para fazer no meu dia, algum lugar para defender, lutar, fazer o bem.

Fazer alguma coisa.

Derek

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15 de maio de 2012

Hoje eu sonhei uma coisa estranha. Não ruim — não foi um pesadelo -, mas uma coisa diferente do que eu sempre sonhei até hoje.

Eu sonhei… não sei nem se tenho coragem de escrever isso, mas eu sinto que preciso contar para alguém, mesmo que seja para mim mesmo.

Eu sonhei com um homem.

Um garoto, na verdade.

Eu… não sei quem era, e tenho certeza que nem saberia, pois eu não pude ver o rosto dele. Mas eu sabia que era um garoto — e só de escrever isso eu me sinto, vagamente, não sei a palavra, pois existe uma para descrever isso, mas ela é um tanto pesada para escrever.

Eu me sinto estranho.

Não ruim, no entanto.

Eu, na verdade, não sei nem como me sentir sobre isso. O sonho foi diferente, mas nada tão diferente assim.

O garoto pegava na minha mão, e eu não consigo me lembrar de como o toque sentiu — tanto porque era um sonho, e eu simplesmente não sei se é possível a gente lembrar de como sentiria em um deles.

Depois que ele pegou na minha mão, ele correu o braço dele pela extensão do meu, devagar. Uma das imagens que eu lembro é a dos meus pelos, lentamente, se eriçando. Eu sentindo — e não sentindo — o que ele fazia.

E depois a mão dele passeou pela minha cara — com barba, uma coisa que eu não deixo crescer.

E foi diferente. Mas nada além disso aconteceu.

Mesmo assim, foi uma coisa que eu nunca… que eu nunca imaginei, nunca pensei. E eu não me senti errado, não me senti nada além do normal.

Eu me senti...

Eu não sei.

E não saber o que se sente, na maioria das vezes, é mais assustador do que saber.

Mas dessa vez, eu não tenho medo.

Derek

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24 de maio de 2012

Hoje eu fiz meu primeiro passeio por Paris.

Eu gostei.

Erica, uma enfermeira que estava de folga e decidiu me acompanhar, nem precisou me ajudar muito. Claro que eu batalhei por mim mesmo, e confesso que sinto algumas dores nas pernas e nas costas por ter feito o esforço.

Mas valeu à pena.

Ela me contou sobre a vida dela, eu falei sobre a minha. Ela me mostrou o anel de noivado que ela carrega no dedo, e eu sorri. Mas eu não tinha nada pra mostrar nem a dizer.

Não tenho nenhuma pessoa a quem voltar no dia dos namorados, nenhuma pessoa com quem eu quero dividir uma casa e ter filhos no futuro — se eu sobreviver ao presente.

Não tenho nada.

Ela sorriu e me disse que minha hora vai chegar.

Uma imagem inesperada apareceu na minha cabeça, quando ela disse aquilo.

A mesma imagem que não sai da minha cabeça desde que ela apareceu em meus sonhos.

Derek

Notas finais
PESSOAL, EU QUERO A AJUDA DE VOCÊS!! Eu estou planejando um história pra 2014, e a minha ideia é postar ela em inglês - no ao3 - e em portugas - no Nyah! - mas eu preciso de um beta pra versão em INGLÊS - eu escrevo em inglês, mas preciso de alguém pra catar errinhos, né!! Se vocês conhecem alguém que pode ajudar, que esteja disposto, não exitem em mandar uma mensagem e me avisar! Ah, e essa fic vai ser super especial - só pra dar um gostinho do que vem por aí: eu estou compondo músicas originais pra história... =D Obrigado!!