Cartas para Derek

13 A carta que não foi enviada


Notas iniciais
BAM. Novo cap. Desculpem o amonte de "aquilos" nesse capítulo. Eu juro que tentei tirar eles, mas os dois personagens estavam muito nervosos na hora da narração e eles não conseguiam pensar em sinônimos. Tsc, tsc.

Quando Derek foi checar seus e-mails, alguns dias depois da última carta que ele havia enviado a Stiles — a carta em que ele, indiretamente, confessou alguns dos sentimentos que ele tinha — tem — pelo garoto, ele recebeu uma mensagem dos seus superiores.

Derek,

A sua carta foi submetida à avaliação informacional, e mais tarde, censurada.

Cartas censuradas são destruídas.

A frase censurada será enviada por anexo.

Uma nova carta poderá ser escrita, que será submetida à avaliações também.

Sinceramente,

Sgt. Johnson.

Anexo:

“O povo, no começo, não gostava muito da atenção das tropas — alguns ainda não gostam. Mas com o tempo nós conseguimos nos mostrar pra todos e eles aceitaram que nós estamos aqui para ajudar eles — mesmo que muitas vezes as forças políticas por trás de nós não pensem assim.”

A primeira coisa que apareceu na cabeça de Derek — e na ponta da língua dele — foram algumas palavras nada polidas para se dizer. Mas a situação, de certa forma, havia pedido umas delas.

Ele nem havia percebido o que ele tinha escrito na carta. Ele não havia percebido mesmo. A pequena frase contendo a opinião dele desfavorecendo os governo do país, que iria, com certeza, ser censurada de qualquer forma, passou completamente despercebida por ele.

Mas o pior veio quando ele viu o que ele tinha escrito naquela carta, além das opiniões censuradas. Ou isso seria uma boa coisa? A declaração amorosa, um tanto involuntária, mas que Derek não se deu o trabalho de tirar da carta, foi pro lixo assim como o resto das letras escritas por ele.

Tudo o que tinha por trás daquela frase, todos os sentimentos que impulsionaram Derek naquele momento para escrever aquilo para Stiles, foram jogados no lixo junto.

Bom, não foram exatamente jogados no lixo, mas será que agora ele seria capaz de mandar uma carta com aquilo tudo escrito outra vez? Será que ele conseguiria escrever aquilo de novo, ou escrever a mesma emoção de outra forma.

Derek conseguiria dizer que gostava de Stiles?

Ele afirmou para si mesmo, uma vez. Ou melhor, várias vezes. Ele disse as palavras pra si mesmo, várias e várias vezes. Ele confessou para a própria alma que ele sentia algo mais por aquele garoto que ele nem conhecia o rosto.

E agora pensando um pouco mais, como era possível ele gostar de alguém que ele nem conhecia? Alguém que poderia ter uma cara que não agradasse a Derek? Alguém que o iria decepcionar quando visse, que deixaria Derek sem jeito e culpado por ter mentido dizendo que gostava, quando, na primeira vez em que ele visse o garoto, ele não sentiria a mesma coisa?

Mas e era possível a aparência de uma pessoa mudar todos os sentimentos que haviam entre eles?

Derek não sabia.

E ele não sabia se gostava mesmo do garoto, ou se iria se decepcionar quando visse ele.

Ele não sabia se iria gostar do garoto e se decepcionar com ele.

Ele não sabia se não iria apenas machucar ele.

Ou machucar a si mesmo.

E num momento como aquele, a carta que não foi enviada, era como uma benção e uma maldição. Ele não sabia qual era a pior opção, mas de um jeito ou de outro, ambas teriam a chance de machucar Stiles, de machucar Derek ou de machucar os dois.

Ele não sabia.

E, ás vezes, ele nem queria saber.

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Fazia um mês desde que Stiles enviou a carta, já havia passado mais da metade do mês de outubro, e nada da resposta de Derek. Ele sentiu um medo enorme de que, talvez, a última carta tinha assustado Derek.

Especialmente o pedaço falando sobre as vontades da avó do Stiles sobre a herança cultural dele e as obrigações do futuro amor da vida dele.

Stiles não conseguia acreditar que ele tinha escrito aquilo. Mas ao mesmo tempo ele não conseguia acreditar que Derek, que tinha sido tão complacente em relação à tudo que tinha a ver com Stiles, iria ignorar ele assim dessa forma.

Iria simplesmente parar de responder sem qualquer tipo de aviso.

Mas o exército, supostamente, deveria informar Stiles, não é?

Tipo, ele estava desenvolvendo todo um projeto que iria importar para o futuro dele, um projeto que foi promovido pelo próprio governo, e agora eles ia deixar ele sem nada e sem nenhuma explicação?

Ele não conseguia entender.

E se…

E…

E se Derek, de alguma forma, não pode responder a carta? E se ele não conseguiu responder a carta porque ele não…

E se alguma coisa havia acontecido com ele?

Talvez ele tenha saído da base para alguma missão mais longa e não tenha tido a oportunidade de tirar um pouco do seu tempo para enviar pelo menos uma resposta para Stiles.

Talvez ele…

Não. Derek não teve tempo para escrever. Derek não conseguiu. Ele, provavelmente estava em uma missão mais longa e não pode se comunicar com ninguém.

Mas e por quê ninguém avisou Stiles? Ele não sabia o que fazer.

Será que Stiles deveria enviar mais uma carta? Ele poderia, não é?

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23 de outubro de 2011

Derek

Hey?

Eu só queria mandar uma carta porque eu não sabia o que fazer.

Faz mais de um mês que eu enviei a última carta e não recebi uma resposta até agora. E ninguém me avisou sobre nada — e eu preciso continuar o projeto por pelo menos mais um tempinho.

Eu não sei se você, talvez, não tenha tido tempo para escrever, por isso eu tô só mandando uma carta curtinha pra ver se você poderia mandar outra carta curtinha pra mim. Não que eu esteja te obrigando a enviar uma carta, mas sabe, você tinha dito que iria até o fim, e a gente tá tão perto, não é?

Mas eu também vou entender se eu te fiz desconfortável com qualquer pergunta que eu tenha feito, por isso, se foi alguma delas que te fez não escrever para mim, não te preocupe, que eu vou tentar manter as coisas normais entre nós até o fim.

Não que tenha qualquer coisa entre nós. Além de camaradagem, não é?

Bom, se eu não cobri os reais motivos com nada do que eu listei acima, e alguma outra coisa tenha acontecido, eu espero que você esteja bem e saudável.

Bom trabalho.

do seu companheiro de cartas,

Stiles

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23 de outubro de 2011

Stiles

Desculpe a demora, mas a minha última carta acabou se perdendo nos arquivos do exército e eles só me avisaram hoje que eu teria que reescrever ela para você, por isso, me desculpe se eu demorei muito — não foi culpa minha.

Acho que eu vou responder àquelas perguntas primeiro, então.

Eu não falo albanês, mas eu entendo um pouco de sérvio — não que tenha sido de máxima ajuda, pois eu estou na parte do Kosovo que fala albanês. Porém eu tenho aprendido algumas frases.

Nós não somos obrigados a aprender outras línguas, mas iria ajudar se nós fôssemos.

Nós temos outros soldados que falam albanês e sérvio, e alguns outros dialetos, e eles acabam ajudando a gente por aqui.

É difícil estar assim longe de casa. Mas eu tenho essas cartas, agora. Elas são uma boa lembrança de lá.

Muito bonita a história que você me contou, sobre sua família. Eu me sinto importante em saber dela — pois é uma história muito importante pra você.

E você tem razão em se sentir orgulhoso de ter sangue de soldado — nós tentamos ao máximo fazer o melhor para todos, e de saber que algum de nós teve a honra de manter uma família viva em meio à guerra e respeitar uma menina enquanto ela crescesse para depois se tornar o homem da vida dela, me faz sentir orgulho de ser quem sou.

Até a próxima carta, e me desculpe a demora.

Derek

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Stiles respirou aliviado quando ele recebeu a resposta de Derek, que foi escrita no mesmo dia em que a dele. Ele viu que nada de ruim havia acontecido, só a desorganização de quem lidava com as cartas havia causado o atraso.

E ele ficou aliviado.

Derek recebeu a carta de Stiles, e viu a preocupação escrita em volta de cada letra e palavra, mas ele escolheu ignorar muitas das coisas escritas, pois a carta dele era uma resposta suficiente para o que havia acontecido.

Ele se sentiu mal em deixar apenas uma frase fora na nova carta, em comparação com a carta original que ele tinha escrito. Mesmo assim, ele não tinha coragem de a ter mudado.

Não dessa vez.