Notas iniciais
HEYYYYY!!! Super bombas pra hoje!!!! Esse é o penúltimo capítulo antes do final da nossa primeira parte!! Hoje, 23:59, eu vou postar o capítulo 15, que vai ser o último antes de uma folguinha de uns dias que eu vou ter pra escrever Smarty e as minhas outras fics pro ao3. Eu não sei exatamente quando eu vou voltar pra "Cartas", mas, comentar, favoritar e recomendar são boas maneiras de me trazer de volta pra cá... =D

5 de novembro de 2011

Derek

Hey de novo!

Eu confesso que fiquei aliviado em saber que nada havia acontecido, só um pequeno incidente de confusão nas cartas, e, agora que tudo está resolvido, nós podemos voltar a conversar como antes.

Assim como eu espero que seja a forma que você se sinta sobre as nossas cartas — querendo continuar a escrever elas de volta.

Como eu disse, faltam aí só alguns meses para terminar o projeto e — não que eu esteja pressionando, mas já pressionando — eu gostaria de finalizar o nosso ano. Pelo menos. Não que a gente não possa continuar conversando depois, se você quiser, mas se você não quiser, a gente para. E também se você não quiser continuar, a qualquer momento, é só dizer. Mas eu gostaria que você continuasse — no entanto, como eu disse, sem pressão.

Nós já estamos perto das primeiras provas por aqui — aliás, elas começam na semana que vem — mas eu estou com tão pouca vontade de estudar... Mesmo assim, eu sei que eu vou acabar me matando de estudar pra elas — como sempre, meu GPA é importante demais pra mim ficar sem estudar.

Mas vamos deixar pra pirar quando as provas estiveram mais perto. Tipo, no outro domingo, afinal amanhã não é o domingo que eu preciso pirar estudando. Provavelmente amanhã é mais um daqueles domingos comuns que eu durmo até cansar de dormir, depois eu acordo pra almoçar às 5 da tarde e fico fazendo nada até dormir de novo.

Um domingo comum lá em casa.

E falando assim até parece que eu sou um preguiçoso. Mas, sinceramente, eu não posso nem negar, pois uma vez eu ainda trabalhava cortando a grama dos vizinhos e levando os cachorros passear, porém, ultimamente, nem isso eu tenho feito. Por isso mesmo eu tenho que me cagar — na maioria das vezes não literalmente — estudando pra ir bem nas provas.

Nossa, nós já estamos em novembro, né? Bom, eu sei que nós estamos em novembro, porque, bem, eu escrevi a data no começo da carta e tudo mais, mas parece que o ano já correu tão rápido, não é? Quando a gente vê já é dia de Ação de Graças e depois já é quase Natal e termina o ano.

Bom, ainda tem praticamente dois meses, mas entre as provas, feriados e preparativos pro inverno — isso que aqui nem dá neve, o que é uma pena, mas tem algumas pessoas que se arrumam pro inverno como se morassem no Alasca — o tempo voa.

Meu pai me contou da última nevasca que deu por aqui, em 1982, que cobriu algumas ruas da cidade com flocos brancos e gelados — mas tudo foi tão rápido que se tem bem poucas fotos. Em compensação o povo de Guernville tem um zilhão de fotos dos poucos cristais de gelo que se formam por lá — ô cidade mais triste, a única coisa que acontece por lá são as cheias do Russian River.

Mas tem os gays de lá também — e por aqui nós terminamos esse assunto. Não que eu não queira falar sobre os gays de Guernville com você, mas eu não sei se o assunto vai ser um pouco desconfortável e tudo mais.

Voltando ao dia de Ação de Graças, meu pai já disse que esse ano nós vamos ter o jantar com os McCall, Melissa vai fazer o peru e eu vou fazer duas tortas — claro que nas próximas semanas até o dia 24 eu vou ter que dobrar os aspargos na salada, pois naquele dia eu não vou conseguir impedir meu pai de se empanturrar de doces.

Mas eu deixo ele se escapar.

Só naquele dia.

Minha mãe gostava desse dia — ela fazia uma torta polonesa que meu pai amava, e ainda ama, e que talvez seja uma boa pedida pra esse dia. Minha mãe nem era polonesa, mas quando ela conheceu a Sra. Stilinski, ela se obrigou a aprender alguma coisa — ninguém pode dizer que a minha avó não era uma pessoa bem convincente, especialmente com aquelas bengalas pesadas que ela andava por aí.

Ah, o nome da torta é Makowiec– que é como se fosse um rocambole recheado com sementes de papoula. Eu sempre disse pro meu pai que eles poderiam prender alguém por estar usando papoula pra cozinhar — considerando que a papoula é a plantinha que eles utilizam pra fabricar o ópio — mas ele disse pra mim que se ele quisesse comer a bendita papoula na torta dele, ele iria comer.

E teria que aparecer um Xerife de outro lugar pra proibir ele.

Falando nisso, eu acho que até deveria encomendar as sementes, se eu quero fazer a torta — afinal, agradar o meu pai com a torta preferida dele, pode me ganhar uns pontinhos no livro dele pra próxima vez que eu aprontar alguma coisa, não é?

Bom trabalho!

Do seu companheiro de cartas, autorizado pelo Xerife a utilizar plantas alucinógenas na cozinha,

Stiles

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“Sabe, Scott, por um momento eu fico pensando se é possível, se faz sentido, a gente gostar de alguma pessoa que a gente nem conheceu ainda…” Stiles pediu para si mesmo e para seu amigo ao mesmo tempo, enquanto os dois maneavam os controles do PS2.

“Isso tem alguma coisa a ver com aqueles sonhos que tu tem com um tal soldado chamado Derek?” Scott perguntou, sem tirar os olhos da TV.

“O que?” Stiles engoliu o nó que estava na garganta dele, surpreso.

“Sim, Stiles, no outro dia que tu dormiu no sofá, eu comecei a ouvir alguém falando enquanto eu ainda jogava, e quando eu vi, era tu, falando algumas coisas que eu não conseguia entender — exceto pelas palavras “Derek” e “meu soldado”. Não sei exatamente o que tava acontecendo no sonho, mas pela entonação das palavras, o Stiles do sonho não é mais virgem que nem o da vida real.” Scott riu.

“Eu…” Stiles olhou para a tela da TV sem prestar atenção no que estava acontecendo, congelado, ouvindo Scott rir.

“Stiles.” Scott pausou o jogo e se virou pra ele. “Stiles, hey?” Os olhos de Stiles se focaram em Scott de novo. “Ele é o soldado do projeto?”

“Uhum.” Stiles só afirmou.

“E?”

“E, não sei? Eu…” Stiles começou, mas parou por um momento para coçar a cabeça. “Eu não sei, ele me deu umas pistas meio perdidas por aí — mesmo depois que eu me abri todo pra ele — e nós conversamos sobre várias coisas. E talvez, só por um momento, num momento que eu tive alguém só pra mim, sabe, quando eu tive a chance ter uma pessoa pra mim conversar apenas, sem ter que disputar a atenção com ninguém, alguém que não liga pro jeito de eu ser ou pra minha aparência, alguém…”

“...que mora do outro lado do mundo, que não faz a mínima ideia de como tu é, e nem tu faz ideia de como ele é. Alguém que tu nem sabe se é gay.” Scott interrompeu Stiles e completou à sua maneira.

“Também…” Stiles suspirou, mas acabou concordando.

“Pois é.”

“Eu sei, Scott, eu…” Stiles fechou os olhos e respirou fundo. “Eu não sei o que tá acontecendo. Sei lá, é como se eu tivesse gostando dele, do jeito que ele escreve, as coisas que ele me conta — e todas que ele deixa subentendido ou eu que invento. Eu não sei…”

Scott olhou pensativamente pra ele.

“Eu nem sei se algum dia eu vou ver ele.” Stiles soltou um riso depreciativo. “Eu nem sei se ele não é um mentiroso ou nojento. Machista. Mesmo que até hoje ele não tenha parecido nenhuma dessas coisas. Muito pelo contrário. Respeitoso, sempre quer o melhor pra mim, me repreendeu várias vezes quando eu fiz coisas erradas e…” Ele parou.

“E?” Scott perguntou pra ele.

“E ele ainda ri das minhas piadas…”

“Wow.”

“Hey, você ri das minhas piadas.” Stiles protestou.

“Stiles, eu rio das tuas piadas porque eu sou eu. E eu e tu somos um tipo de “nós” que só nós entendemos. Nem todos conseguem captar tudo isso.” Scott apontou com um dedo para si e depois par a Stiles

“Eu sei. E ele ainda disse que acha legal que a gente tá tentando juntar os nossos pais…”

“Wow, ele é o cara perfeito.” Scott disse com aquele sorriso bobo.

“Eu sei.”