Cartas - Uma Fanfic Sai De Baixo
1 Carta para Magda
Notas iniciais
Se passa depois do episódio 2, da quarta temporada .
Inclusive... Sai de Baixo, Toma lá da cá, Os normais, Tapas e Beijos botam todas as sitcom americanas para mamar. Essas séries estavam à frente do seu tempo apresentando conceitos como: multiverso, quebra da quarta parede e uma identidade em que três dessas séries em algum momento cantou "Andança".
Minha querida e amada Magda,
Estou escrevendo esta carta em meio ao silêncio do nosso imenso e aconchegante quarto, que agora dividimos com um ser que nós fizemos. Você dorme tranquilamente na nossa cama, enquanto me sento na sua escrivaninha, sem conseguir dormir, embalado pelo ronco do ar. Decidi por todos os sentimentos que me sufocam no papel, sentimentos esses que não sou capaz de expressar.
Esses sentimentos agora me sufocam, e a única maneira, inusitada, diga-se de passagem, que encontrei foi essa. No entanto, você nunca chegará a ler. Não sei o que faria se chegasse a ler. Não gostaria nem de pensar nessa possibilidade… Pode me chamar de egoísta, de orgulhoso, de qualquer adjetivo ruim. Talvez eu seja isso mesmo. Egoísta por querer seu amor só para mim. Egoísta por te querer. Egoísta por não querer dizer as três palavras… mágicas. Admito, também, que sou orgulhoso por não querer demonstrar meus sentimentos. Orgulhoso por não conseguir admitir que…
É tão difícil.
Vavá me disse que temos que ser gratos pelas coisas simples, quando não vemos o grande. Pode se aplicar ao que eu estou fazendo, não?
Eu gosto do Largo do Arouche. Nosso apartamento é incrível, até nossos insuportáveis vizinhos dão um toque especial à nossa vida.
Gosto da Neide, assim como gostava da Edileuza. Não é qualquer uma que é capaz de conviver com a gente. Acho que você se dá melhor com a Neide, vejo que são grandes amigas, como naquela vez em que achei que você estava me traindo e ela ficou do seu lado e tentou a todo custo te ajudar.
Falando nisso, perdoe-me por pensar que você estava me traindo. Deveria confiar em você. Eu confio, é claro. Mas isso só prova o quanto eu sou egoísta, louco por ti e só de pensar em outro te tocando… Louco?! É… deixei meus pensamentos conduzir a escrita. Agora ficou fácil admitir. Eu sou louco por ti.
Continuando. Estou no caminho certo.
Gosto do Ribamar. Aquele é louquinho de pedra, mas um amigo muito leal. Já que estou sendo sincero em minhas palavras, confesso que o vejo como meu irmão mais novo. E ele deve me ver como uma inspiração que o irmão mais velho proporciona, não? Afinal qual outra explicação daria para ele estar sempre comigo nas minhas atrapalhadas? E quando nos desentendemos? Mal passa uma hora e parece que nada aconteceu.
E se Ribamar é meu irmão, Vavá é meu pai. Ah, aquele velho! Sim, eu o considero como meu pai, mas jamais, JAMAIS, vou admitir isso em voz alta. Mas eu amo aquele velho. Ele é o pai que eu nunca tive, mas sempre quis ter. Queria que ele tivesse me ensinando tantos valores importantes para ele e fazem parte dele. Talvez eu não fosse como fosse. Caquinho tem muita sorte de tê-lo como avô.
E Cassandra Cascacu? Minha adorável sogra. Bendita seja aquela noite sua mãe fez você para mim. Pode haver sogras melhores, mas eu não trocaria a minha por nada. Bom… “por nada” é um exagero. Imagina se não venderia ela por alguns milhões de dólares? A mulher tem seu valor também.
E nosso filho? Acho que não tenho palavras para descrever o amor que sinto por ele. Um amor que nunca pensei que poderia sentir, tão puro e tão lindo. E foi você, que me proporcionou isso. Um filho!! Até hoje só acredito que tenho um filho, porque eu posso segurá-lo em meus braços.
Cheguei a você. Engraçado… palavras me faltam agora e meus pensamentos estão bagunçados. Sei que quero escrever algo, mas não consigo. Preciso respirar fundo e começar aos poucos.
Vamos ver… Claro que não posso esquecer do nosso “Canguru Perneta”. Sei lá… agora ele não parece grande coisa, pensando no porquê de te… Não é apenas sexo, vai além.
Tenho inveja de você. Inveja boa, Magda. Você é simplesmente… feliz. Não vejo você triste. Tudo está bom para você. Não se importa em ter muito dinheiro, mesmo que goste das vantagens que ele trás. Se estamos apurados, você sempre encontra algo pelo qual ser grata. Você gosta das coisas simples da vida e as encontra em todos os lugares.
Bom… já eu gosto da mordomia, como sabe e do dinheiro. Queria poder ser um pouco mais como você e o Vavá. Mas, essa carta é sobre você, sendo assim… Gosto do seu cheiro, você tem cheiro de lichia. Seus cabelos são sedosos e gosto deles mais curtos. Sua pele é macia e sensível, mas tem alergia a couro. Deixe-me ver… Alguma vez já elogiei você e seu terninho? Você está sempre com eles que se tornou tão costumeiro e parte de você, que acho que nunca parei para dizer o quão linda você fica neles. Confesso que morro de ciúmes, porque sei que outros homens vão olhar para você com segundas, terceiras e quartas intenções. E temo que você possa me trocar por outro mais rico, mais bonito, mais charmoso, mais galanteador, outro príncipe nórdico. Certo! É sobre você. Sim, eu morro de ciúmes por você e você sabe disso. Nunca escondi isso de ninguém. Mas sua falta de inteligência me dá medo. Fico receoso, porque temo que você se esqueça disso. Esqueça que tem um homem louco por você em casa.
Magda, eu não suportaria perder você. Talvez eu tenha um complexo de abandono e por isso não suportaria te perder. Eu não posso me entregar ainda mais a você, porque tenho medo de que você me veja tão vulnerável, e me vendo nesse estado, eu te colocaria num altar para adorar-te. Não. É melhor continuar assim. Pois, se acaso um dia você me largar, porque eu jamais faria isso, não tenho emocional suficiente para isso, eu morreria. Não posso ser abandonado por você. Você é minha âncora. Meu salva-vidas que me resgatou de se afogar.
Você é minha parceira. Está sempre pronta para me apoiar e entrar de cabeça nas minhas ideias, muitas vezes literalmente. Acredita em mim, quando nem eu mesmo acredito. E, por causa disso, já te coloquei em várias enrascadas. Me perdoe por isso, mas pela manhã vai continuar, porque eu sou assim. Eu sou estragado.
Magda, você não é a mulher mais inteligente, nem inteligente. Bom… tem uma mente única. Quer saber?! Talvez seja mais inteligente que nós. Você tem uma inteligência que nós, meros mortais, não somos capazes de compreender. Me desculpa. Me desculpa por todas as vezes que te chamei de burra e por todas às vezes que ainda vou te chamar. Eu sou horrível. Não tenho conserto.
Devo desculpas, também, por todas às vezes que gritei e vou gritar ainda “Cala a boca, Magda!”. Não sei porque faço isso. Por que ajo assim? Por que você fica comigo, quando eu te trato assim? Talvez tenha aprendido isso com meu pai, ele era violento com minha mãe e as poucas vezes que presenciei devem ter me afetado de tal maneira. No fundo, posso acreditar que isso seja uma demonstração de amor. Errada? Sim. Mas é a única que tive e agora é tarde para mudar.
“Cala a boca, Magda!”. Não posso deixar de sorrir. “Cala a boca, Magda!”! Um dos meus bordões clássicos, assim como “Eu tenho horror a pobre!”. Enfim… é péssimo isso. Jamais deveria dizer isso. Você é minha mulher e mãe do meu filho, não deveria te faltar com respeito assim, mas… Não! Não tem “mas”.
Falando nisso. Magda, você é uma excelente mãe. Temi por nosso filho, confesso, mas você é uma excelente mãe, Magda. Eu vejo no seus olhos escuros quanto amor você tem a oferecer ao nosso filho. Uma das cenas mais lindas que eu vejo é quando você está amamentando o Caquinho. Eu vejo isso diariamente e poderia ver pelo resto da vida. Você se distrai de tudo, só importa nosso filho e tudo o que importa para nosso filho, é você. É tão lindo quando ele segura sua mão com tanta força e te olha com tanta admiração, enquanto você cantarola músicas de ninar.
A primeira vez que vi a cena, eu fiquei sem reação. A Cascacu e o Vavá estavam preocupados em deixar a criança sozinha com você, mas você agiu como uma mamãe onça protegendo o filhote. Do seu jeito, você falou que saberia sim cuidar do seu bebê e que a Cascacu estava subestimando sua capacidade. Você falou corretamente, que deixou a nós sem reação. Aproveitou o momento e se trancou no quarto. Cassandra quis ir atrás de você na hora, mas impedi, algo me dizia que eu deveria deixar você a sós com o Caquinho, nem eu e nem você tinhamos tido um momento a sós ainda com nosso filho. Meus instintos diziam para confiar nos seus instintos maternos. Confortei a vovó de primeira viagem ao dizer que iria atrás de você e chamaria se precisasse de ajuda.
A passos lentos fiz o mesmo caminho que você. Você estava no nosso quarto amamentando Caquinho na cama, em uma das primeiras noite que voltamos para casa. Magda, imagino que estava tão cansada, eu estava cansado, mas ainda assim possuía um sorriso luminoso e um olhar brilhante. Você nem percebeu que eu te observava. Só notou minha presença quando me aproximei e sentei ao lado de vocês na cama. Ainda assim, você não desviou o olhar do nosso filho, estava preocupada em fazê-lo arrotar. Passei meu braço por trás de você e a aconcheguei em meu peito. Caquinho abriu brevemente seus lindos olhos azuis para mim e sorriu. Sim, ele sorri para mim. E eu soube o que era felicidade.
De repente comecei a me sentir mal e a querer chorar. Sou um ser humano péssimo. Um marido horrível. Espero que não seja um pai ruim, como meu pai foi. Droga! Manchei o papel com o copo. Sim, estou bebendo um pouco. Não estou bêbado, mas precisei de uma dose de coragem. Não me leve a mal.
Eu não sei… Magda, por que me aceitou? Dentre tantos homens, por que eu? Só pela minha beleza? Não sou romântico, nem carinhoso. Meu amor, eu não sou capaz de dizer que eu te amo! Que tipo de marido eu sou? Pode ser que, no fundo, ao invés de dizer “Cala a boca”, talvez eu queria dizer “Eu te amo!” Ambas têm três palavras, não é mesmo? É mais fácil para mim. Então quando disser para calar a boca, saiba que, às vezes é para calar a boca mesmo, mas na maioria das vezes é a forma que encontrei para dizer que te amo.
Eu disse! Quer dizer… eu consegui colocar meus sentimentos no papel. Magda, eu te amo!
E U T E A M O!
E U T E A M O, M A G D A!
A M O!
A M O!
Me sinto aliviado. Estou feliz. Nossa que sensação agradável! Poderia gritar aos quatro ventos que eu te amo. Se tornou tão simples, que me pergunto como não consigo fazer isso na realidade.
Eu te amo tanto!! Minha vontade agora era de pular na cama, te acordar aos beijos dizendo que EU TE AMO!!
Eu amo você!
Amo você por me fazer tentar ser melhor.
Amo você por ter me dado a alegria de ser pai.
Amo você por ter me dado uma familia.
Amo você por simplesmente ser você.
Magda, mesmo sem poder dizer essas três palavras olhando no fundo dos seus olhos, por favor, eu imploro, saiba que eu te amo e não me deixe nunca, nem nos seus sonhos ou pesadelos. EU TE AMO DEMAIS!!
E U T E A M O!
E U T E A M O!
E U T E A M O, M A G D A!
E U T E A M O, M A G D A!
E U T E A M O, M A G D A!
E U T E A M O, M A G D A!
E U T E A M O, M A G D A!
Do seu loiro, puro sangue azul. Ou do seu príncipe nórdico. Ou do seu viking. Ou simplesmente e apenas seu…
Caco Antibes.
Notas finais
Duas HC:
Caquinho vai ter uma filha e vai colocar o nome de Cassandra.
Caco guardará a carta na contra capa do livro do bebê de seu filho. 25 anos depois, Caquinho vai descobrir a carta e vai questionar, de forma desentendida para o pai, do porquê alguém guardaria uma carta que não gostaria que ninguém lesse. E a resposta do Caco claramente seria:
"?“ Isso é típica coisa de pobre. Escrever uma carta contando os segredos mais sujos de todos e não se livrar dela. “Ai vou guardar essa carta num lugar onde ninguém procuraria”. No fundo gostaria mesmo é que alguém encontrasse para depois ficar naquela frescura de que… EU TENHO HORROR A POBRE!"
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