Cartas
4 IV: Monstro da aproximação
Notas iniciais
CARTAS
Escrita por Coffee
Capítulo IV: Monstro da aproximação
02 de junho de 2005
Sasuke,
Hoje foi o casamento de Naruto. Ele estava radiante, gritou aos sete ventos sobre a beleza estonteante da sua noiva, e até mesmo Hiashi ficou envergonhado. Ainda sim, ele sentiu sua falta. Eu também senti. Como você não veio, eu fui madrinha com Sai (Ino ficou morrendo de ciúmes), me diverti, dancei... Mas não é a mesma coisa sem você aqui. Sempre está incompleto, como se tivesse uma parte minha perdida por aí. Com saudades,
Sakura.
Sasuke acorda tão suado e com o coração tão acelerado que parece que vai pular do peito a qualquer instante. Ele senta-se no sofá atordoado.
Seu sonho.
O dia em que quase matou Sakura. Repete, repete, repete, como uma cena de filme.
Várias perguntas rondam a sua cabeça.
Será que ele teria mesmo ido até o fim?
Teria enfiado aquela arma nela? Teria acertado o seu coração?
Teria ficado ali, parado, enquanto ela sangrava e o seu coração parava?
Havia sido somente um devaneio, ou ele teria levado aquilo a cabo?
Ele não sabe. Na época estava tão furioso, tão envenenado... Com a cabeça cheia de ódio, vingança e incertezas.
O Sasuke de agora quer dizer que não. Que ele jamais teria feito aquilo, jamais teria matado sua companheira de time, mas a verdade é que ele não sabe. Não sabe até onde teria levado aquilo.
E essas dúvidas o atormentarão, provavelmente, até o seu último dia.
✉
Ele não tem coragem de ir para o hospital logo cedo. Ainda está atordoado com os sonhos e lembranças.
Anda sem rumo pela vila, ignorando todos os olhares tortos que recebe. Por fim, vai parar em uma das pontes dos campos de treinamento. Ainda está muito cedo, e não tem ninguém por lá, então é ali que fica encostado, vendo o fluxo do rio.
É ali que Kakashi o encontra, pelo menos meia hora depois de ter chego.
— Sasuke.
O mais velho cumprimenta. Ele o olha. Sabe que se fosse Naruto provavelmente teria abraçado o sensei, dito que sentia sua falta, mas não é assim com ele. Relações afetivas não são algo fácil para ele.
E Kakashi sabe disso.
Então, o professor se limita em colocar a mão no seu ombro e o apertar levemente, depois, encosta-se a ponte ao seu lado.
O Hatake parece tão mais velho e tão cansado que o assusta em um primeiro momento. Kakashi sempre foi a sua figura paterna, embora nunca tivesse admitido, e ele o admira muito. É um homem sábio, que tentou aconselhá-lo mesmo quando sabia que não haveria volta.
Às vezes ele se pega pensando como seria a sua vida se ele tivesse ouvido o mais velho. Mas todas essas suposições são cercadas de incertezas, de monstros e de dúvidas.
Kakashi começa a falar como se eles já estivessem conversando a algum tempo, embora não estivessem.
— Eu fico pensando... Ela nos chamou para sair tantas vezes, eu e Naruto, para jantarmos juntos, como nos velhos tempos... Ela... Sempre entrava em contato, tentando arrumar um dia em que pudéssemos nos reunir... Mas as obrigações, as missões, aquele escritório... Nós nunca íamos, Naruto e eu. Eu fico pensando... Se tivéssemos ido, se tivéssemos... Sei lá... Apenas estado lá... Teríamos percebido? Teríamos mudado alguma coisa? Ela teria nos contado antes e o resultado disso tudo de algum modo, seria diferente?
O mascarado não precisa dizer de quem está falando. Ele percebe logo nas primeiras palavras dele, e também não tem respostas. Também não sabe.
Os demônios da dúvida o atormentam dia e noite.
Como nunca perceberam?
Como?
Talvez eles nunca tenham querido perceber.
Nunca tenham prestado realmente atenção.
Nunca tenham olhado para Sakura mais profundamente, mais do que uma companheira de time, do que uma aluna, do que uma amiga, do que uma médica, do que uma lutadora competente.
Naruto e Kakashi ainda passaram mais tempo com ela... Mas ele?
Ele nunca a viu realmente. Sempre a viu como uma fã, como um incomodo, depois como uma amiga, de certo modo, e até a viu com admiração na floresta da morte.
Mas... Depois ele se foi. E eles passaram tanto tempo longe, que quando ele a viu novamente, nos esconderijos de Orochimaru, demorou dois ou três minutos para reconhecê-la, porque ele nem ao menos se lembrava que os cabelos deram eram exatamente daquele tom.
E depois mais distância...
Quando a guerra acabou, quando ela cuidou dele no hospital, eles tiveram alguma aproximação... Mas ele estava tão envergonhado, tão embaraçado pelos seus feitos recentes que ele nem ao menos desconfiou que havia algo errado.
E ele a viu como uma amiga distante, que sempre o perdoava, mais do que ele merecia.
Viu-a como uma médica e ninja talentosa.
Mas ele, algum dia, a tinha visto como mulher? Como pessoa?
Ele sabia algum gosto, algum hobbie, alguma coisa sobre ela?
Ele nem ao menos sabia que ela gostava de plantas, até dias atrás quando foi parar no apartamento dela...
— Eu entendo.
É tudo que consegue dizer para Kakashi.
— Eu nem ao menos consigo ir muito ao hospital. Porque vê-la daquele jeito... É...
Doloroso demais.
Completa em pensamento a fala do ex-professor.
— Mas estou mais aliviado que você esteja aqui. Você sabe que é muito importante para ela. Acho que vai fazer bem tê-lo visto.
Acena positivamente de novo, porque não encontra palavras. Ele nem ao menos consegue organizar as palavras em sua mente turbulenta.
— Você acabou sua viagem de redenção?
Mais um aceno.
— Vou escrever uma petição então, para você ser incluso como cidadão novamente, como ninja, para que possa pegar missões e esse tipo de coisa. Naruto deve assinar ainda no fim da tarde. Só precisa escolher uma vila fixa, viu algum lugar interessante durante a sua viagem? Podemos mandar um pedido para um kage e—
— Coloque aqui. Coloque Konoha.
O mais velho parece surpreso.
— É claro que fico feliz que você queira ficar aqui, mas... Você vai conseguir? Não é um lugar de lembranças muito dolorosas?
Kakashi tem razão.
Konoha traz lembranças que ele queria poder apagar para sempre.
As três cartas enroladas como pergaminhos que ele pegou da escrivaninha de Sakura antes de sair de casa naquela manhã, pesam no seu bolso.
Mas Konoha é onde Sakura está.
E, de repente, não há nenhum outro lugar em que ele queira estar, sem ser ao lado dela.
✉
29 de setembro de 2003
Sasuke,
Recebi uma promoção no hospital. Estou animada. Embora agora meus plantões sejam mais longos, e eu passe mais tempo lá do que em casa, estou feliz em poder ajudar ainda mais. Quando estou trabalhando no hospital, quando estou ajudando as pessoas, sinto uma paz tão grande e tão inexplicável... Espero que um dia você sinta algo assim também. Ou talvez, você já esteja sentindo, nas suas viagens.
Espero que você esteja bem, se puder mande qualquer notícia... Qualquer resposta já me deixará mais aliviada.
Sakura
Quando chega ao hospital, Sakura está deitada de lado, em posição fetal.
Ele fica em dúvida se ela está acordada ou não. Por isso ele anda a passos lentos até a poltrona em frente a ela.
Está acordada. Tem um pouco de suor na testa, está ainda mais branca, e parece tão pequena naquela posição quanto uma criança.
— Sasuke-kun.
Ela cumprimenta tão logo ele entra em seu campo de visão.
Pela voz e pelo jeito com que ela está comprimida, as pernas quase relando no peito, ele percebe que ela está com dor.
Com a sua presença, ela tenta mudar de posição, mas desiste logo após tentar mexer o tronco e fazer uma careta de dor.
Ele senta-se na poltrona, ficando de frente para ela.
Seu coração bate tão rápido, e ao mesmo tempo tão devagar...
Ele nunca viu Sakura assim, nem quando eram gennins. Tão pequena, tão branca, tão magra. Está tão frágil e tão distante da imagem da mulher quebrando rochas na guerra que ele tem vontade de perguntar se é mesmo ela.
Ela desiste de arrumar a posição, e continua do mesmo jeito. Deitada de lado, os joelhos perto do peito, um braço cheio de fios abraçando a perna.
Sua expressão deve ter revelado algo, porque, sem ele perguntar, ela responde:
— Eu estou bem.
É uma mentira. Ele sabe que ela está com dor, embora não saiba onde. Ele não sabe o que fazer. Deveria chamar uma enfermeira? Chamar Tsunade?
Inferno.
Aquele era o trabalho dela. Sakura era médica. Ela deveria estar de pé, cuidando dos outros como fez a vida toda.
— Já fui medicada.
Ela responde mais uma pergunta não feita; e ele se pergunta se ela lê pensamentos, ou se ele é tão transparente assim.
Ele fica em silêncio. Não sabe o que falar. Não sabe o que pensar.
Sempre ficava sem jeito e introspectivo perto de pessoas. Com Sakura as coisas sempre pareceram mais fáceis, com a personalidade expansiva, a gentileza, o modo com que ela sempre parecia entendê-lo.
Mas naquele momento, em que ela sua, e tenta esconder caretas de dor, ele não sabe o que fazer.
Sente-se envergonhado.
Sabe que se fosse ao contrário ela saberia exatamente o que fazer. Ela sempre sabia.
Mas ele...
Como ele poderia mudar aquilo? Aliviar? Como poderia... Como poderia fazer algo por ela?
— Por que você não me conta um pouco sobre as suas... Viagens?
A voz dela falha no fim da frase. Está tão baixa que não passa de um sussurro.
— Qual foi o seu lugar preferido?
— Algumas ilhas do País do Mar são muito bonitas.
— Sério? Eu nunca tive a oportunidade de ir até lá!
Ele conta algumas coisas que viu. No começo está um pouco envergonhado e incerto, mas depois vai ficando mais a vontade, e as coisas fluem naturalmente.
— Também amo as neves eternas de Kiragakure. Embora não goste muito de frio. Não importa quantas peças de roupa eu coloque, pareço nunca estar aquecida o suficiente. E meu nariz sempre insiste em ficar vermelho feito aqueles palhaços de rua. — Sakura diz. — E qual foi o pior lugar em que esteve?
No fim, ele está falando e ela, apenas ouvindo. Ela sorri em cada frase sua, às vezes faz comentários, dos lugares em que já esteve, mas o deixa contar livremente, sem interromper.
Pouco tempo depois, ele percebe que os olhos dela vão se fechando até ela cair no sono.
Ele continua ali, vendo o corpo dela relaxar um pouco no sono, como se esquecesse da dor.
Então, tomando coragem, pega uma das cartas no bolso, e fica com ela nas mãos vários minutos antes de finalmente abri-la.
Carta não enviada
20 de março de 2006
Sasuke,
Há tantas coisas que queria te escrever... Eu escrevo cartas e mais cartas... E no fim, seleciono uma menos emotiva para te mandar. As coisas aqui estão difíceis. Naruto agora é Hokage, é claro, estou muito feliz por ele, mas ele nunca tem tempo para nada, e deve fazer, uns três meses que não conversamos direito. Nada mais do que um “oi” e um “tudo bem” na correria. Kakashi está aproveitando as “férias” e também não sei onde tem andado e o que tem feito ultimamente. Ino... Ino está saindo com o Sai, e nossas saídas de sexta-feira estão praticamente extintas.
Sabe... Sou muito grata pelo meu trabalho no hospital. Sou feliz lá. Mas... Às vezes tenho esses pensamentos de que a vida de todo mundo mudou de algum modo, evoluiu, e eu continuo aqui... Sempre enfunada no hospital. Você já se sentiu assim algum dia?
Eu não consigo mais sair em missões, e... Há tanto que eu queria ver, há tanto que eu gostaria de experimentar, de sentir... Mas sempre acabo sozinha no meu apartamento, só eu, meus livros e minhas plantinhas.
Sei que você não gosta de emotividade, e nem sei se vou te enviar essa carta... Mas... Escrever tornou-se o meu único acalento. Você... É o único com quem posso falar verdadeiramente, sem julgamentos e sem que você sinta pena de mim.
Eu... Gostaria muito de te ter aqui. Ás vezes fico olhando para a janela, esperando uma ave, ou qualquer outro animal com uma carta sua. Até mesmo olho a caixa de correio todo dia.
Mas... Você nunca me responde.
Sei que você não gosta disso, de contato, de sentimentos e de emotividade. Mas ainda sim eu não paro de escrever, por que sinto que, se eu parar com isso, vou enlouquecer. Vou adoecer (ainda mais) e definhar nesse meu mundinho.
No mais, espero que você esteja bem, que esteja se divertindo e vendo coisas incríveis.
Com carinho e saudades,
Sakura.
Ele fica algum tempo olhando para a carta em suas mãos. É a mais longa até agora. Ela nunca o enviou uma carta tão longa quanto essa, e ele se pergunta o porquê. Ao mesmo tempo, sabe o motivo. Ele nunca respondeu. Ela nunca soube se ele as lias, se ele gostava ou não...
O seu instinto ninja houve passos se aproximando, e ele enfia novamente a carta no bolso.
— Sasuke-kun.
Ino o cumprimenta. Veste uma roupa floral e tem o cabelo preso em um rabo de cavalo.
— Como ela está?
— Com dor, dormiu há pouco.
A loira acena positivamente, passando as mãos pelos cabelos da amiga com carinho.
Ele sente inveja, de certa forma.
Pergunta-se se algum dia será capaz daquilo. De tocar com tanta naturalidade.
Ele tem vontade, hoje mesmo, quando chegou e viu Sakura naquele estado... Ele queria tocá-la, segurar sua mão, dizer que tudo ficaria bem...
Mas ele não fez nada mais do que ficar sentado a um metro de distância.
Parecia haver um trava nele, algo que o impedia de se aproximar, de ter qualquer relação normal com alguém.
Medo, talvez.
Medo de que, caso se abrisse, caso se aproximasse, tudo iria ruir como certa vez acontecera com a sua família. Medo de gostar demais, de... Amar? Demais... E acabar perdendo tudo.
Mas, embora não tivesse a tocado, embora não tivesse conversado abertamente, embora não tivesse se aproximado como gostaria, já sentia aquela dor no peito.
Aquele medo, aquele pânico de perdê-la.
Ele sempre a havia amado afinal.
Ela, Naruto, Kakashi.
Eles foram uma família quando ele perdeu a sua.
Eles o acolheram, mesmo contra a sua vontade.
Mesmo ele sendo chato, malcriado e petulante.
Mesmo ele errando tanto...
Ainda, sim, Sakura era diferente.
Naruto era como o seu irmão. Um irmão de alma. Eles podiam falar sobre qualquer coisa, podiam ficar distantes anos, e, ainda sim, sempre parecia haver uma ligação entre eles.
Kakashi era uma figura paterna. Algo que ele jamais teve. Alguém capaz de dar broncas, de ensinar, mas também de amá-lo de certa forma, de se importar, de tentar mudar o seu caminho.
Já Sakura...
Sakura tinha um sorriso doce que sempre o acalmava nos momentos difíceis. A sua fé nele, a sua fé de que ele podia ser melhor sempre o deixou sem jeito... Sakura sempre sabia o que fazer, sempre sabia como agir, sempre sabia como acalmar uma tempestade e como acalentar a sua alma.
Ela sempre o conheceu mais do que ele mesmo.
Talvez por isso ele tenha se afastado tanto.
Sakura tinha uma espécie de controle sobre ele, sobre suas ações, que sempre beirou ao perigo, ao precipício. As palavras dela sempre o fizeram refletir, e quase o fizeram desistir de tantas coisas... E ele sempre tentou relutar isso, deixar para lá, esquecer... Mas Sakura... Ela não desistia, sempre acreditou nele... Sempre... Esteve ao seu lado de certa forma.
Quando ela mandou aquela primeira carta, ele estava perdido, ainda em dúvidas de como seria a sua redenção, se haveria realmente um futuro para ele, se haveria esperança... Mas só de receber aquela carta, de ler palavras simples, mas, que demonstravam que alguém ainda se importava com ele...
Aquilo o salvou. Deu rumo as suas viagens e um rumo a sua vida.
Colocou-o no caminho de se tornar o homem que deseja ser.
Com Naruto ele tinha uma ligação de alma.
Já Sakura parecia ser um pedaço da sua.
✉
Sakura acorda com um bocejo. Sua coluna reclama da posição em que está, e ela vai se mexendo aos poucos, até se deitar de costas na cama, com a coluna reta.
Agradece mentalmente pela dor ter se esvaído um pouco. Mais cedo, quando Sasuke estava ali, estava com tanta dor que pensou que morreria naquele momento, embora Tsunade já a tivesse visto e medicado, e concluído que a dor era normal naquele caso. Conversar com ele a ajudou. Levou seus pensamentos para longe, visualizando as imagens das viagens dele, de outros lugares, lugares em que ela nunca esteve... Ela foi vendo tudo pelos olhos dele, pela opinião dele... E aquilo a fez esquecer um pouco da dor.
O quarto está escuro. Ino está dormindo na poltrona ao seu lado, e Sasuke não está mais ali.
Sasuke...
Ela se sente tão feliz com a presença dele ali... Tão aliviada em saber que ele está bem, que está perto... No primeiro dia em que ele esteve ali, depois que ele foi embora, ela chorou até dormir.
E agradeceu. E agradeceu. E agradeceu.
Obrigada. Obrigada. Obrigada meu Deus.
Por ter permitido que eu o visse mais uma vez.
Esse sempre foi o seu maior temor. Morrer sem ter visto Sasuke mais uma vez, depois de tantos anos...
Ela segue divagando sobre ele alguns minutos.
Sente a boca seca, e procura ao lado da cama, no criado mudo, um copo de água que sempre deixam ali a disposição dela. Toma aos poucos, deixando a garganta e o estômago se acostumarem com o líquido.
Depois, quando vai voltar o copo para a mesa, percebe que tem algo ali. Um envelope branco. Ela liga a luz do abajur ao seu lado e pega o papel, tem o seu nome.
E abre.
E lê.
27 de fevereiro de 2007
Sakura,
Sinto pela demora em responder.
Estive viajando muito, vendo muitas coisas, descobrindo o mundo, e me descobrindo. Vendo tudo com um olhar diferente, que, com a minha vingança, meu ódio, e minha dor, eu nunca tinha parado para reparar. Tentei responder. Mas nada que escrevia era o suficiente para alguém como você. Não estava a sua altura. Ainda sim, hoje, vejo que errei. Deveria tê-las enviado, mesmo incompletas, pequenas, desfiguradas. Errei. Como fiz a minha vida inteira, e sei que você me entende. Sempre entendeu. Mais do que eu mesmo. Por isso, agradeço.
Obrigado. Por todas as cartas que me trouxeram acalento, alívio, comicidade. Obrigada por gastar o seu tempo escrevendo para alguém como eu. Não sou bom com escrita e cartas como você, mas posso me esforçar. É o que pretendo fazer a partir de agora. Atrasado,
Sasuke.
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