Cartas
2 II: Monstro da verdade
Notas iniciais
CARTAS
Escrita por Coffee
Capítulo II: Monstro da verdade
02 de fevereiro de 2004
Sasuke,
Está tudo bem por aqui. Naruto caiu em uma armadilha semana passada e quebrou uma perna. Teve que passar por uma cirurgia, mas graças ao chakra da kurama se recuperou rápido e está ótimo (até demais). Faz algum tempo que não vejo Kakashi-sensei, como Hokage ele vive ocupado, e as noites de quarta-feira do time sete foram oficialmente canceladas (não que elas fossem as mesmas sem você).
Ino está constantemente em missões e no Instituto de Investigações, portanto, eu tenho me sentindo muito sozinha. Sei que você vai revirar os olhos e me achar patética, mas as cartas para te manter informado e também para tagarelar um pouco sobre as minhas inseguranças. Gostaria que você estivesse aqui para me fazer companhia (mesmo que você passe a maior parte do tempo em silêncio). Fique bem,
Sakura.
Sasuke permaneceu pelo menos cinco minutos paralisado.
As quatro pessoas ao seu redor permaneceram em silêncio, como se esperassem que ele digerisse aquilo.
Não, não é possível.
É algum tipo de brincadeira, algum jutso, algum—
Alguém tocou seu ombro. Naruto. Virou-se para o loiro, tinha os olhos pesados, vermelhos e incertos.
— Hey teme, que bom que você veio.
Que bom?
Que bom?
Onde havia alguma coisa boa ali?
— Por que a gente não vai dar uma volta para conversar um pouco?
Ele voltou seu olhar para Sakura. Pálida. Cheia de tubos. Os cabelos opacos.
Não, não, não. Ela não pode ficar aqui sozinha.
A constatação o abateu.
O Uzumaki pareceu adivinhar o seu pensamento.
— Sakura-chan não vai acordar agora, está sedada, só mais tarde.
E ela vai acordar?
Ele precisava vomitar.
Naruto o empurrou porta a fora. Ele sentiu os olhares dos demais presentes na sala sobre si, mas não teve tempo (nem cabeça) para pensar naquilo.
Apenas seguiu feito um zumbi pelos corredores do hospital.
Naruto tagarelava alguma coisa, mas ele não conseguia (e nem queria) prestar atenção.
Sakura.
Sakura está doente.
Muito doente.
Não, não, não, não.
— Teme, você está bem? Sei que é um choque, eu também fiquei assim quando descobri.
Quando deu por si, eles andavam pelos campos de treinamento de Konoha. Lugar em que treinaram muitas vezes quando crianças. Naruto, ele e ela.
Tinha tantas perguntas... Mas todas elas permanecerem entaladas na sua garganta.
O Uzumaki pareceu perceber, e começou a falar mesmo sem ele ter perguntado nada.
— Sakura-chan tem uma doença no coração.
É uma metáfora?
— Eu não sei exatamente quais são os termos médicos, talvez mais tarde Tsunade possa te explicar melhor, mas o coração dela está muito fraco.
Engoliu em seco, parando em baixo de uma árvore. O loiro continuou olhando para um ponto qualquer, segurando-se para não chorar.
— A cada dia que passa fica pior. Pelo o que eu entendi, a circulação não está chegando a todos os órgãos. Já fizeram uma cirurgia, mas não adiantou muito.
Sakura tinha operado.
Operado do coração.
E ele não sabia de nada.
— Há quanto tempo?
A pergunta finalmente pela sua boca.
— Há quanto tempo ela está doente? — Acenou positivamente e viu o loiro fazer uma careta antes de responder — Desde pequena.
Desde pequena?
Sakura era doente desde pequena?
— Há quanto tempo ela sabe que está doente?
— Desde pequena.
Impossível.
— Descobriram a doença com seis ou sete anos. Ela faz tratamento desde então. Mas sempre soube que chegaria um dia que os remédios e as intervenções não fariam mais efeito.
Impossível.
Quando se conheceram... Quando entraram para o mesmo time... Nas missões, na floresta da morte... Ela já sabia?
Sempre soube que seu futuro seria aquele?
Quando ele foi embora, e ela o implorou para que ficasse... Ela já sabia?
Impossível.
Impossível.
Impossível.
— Eu também não acreditei, — Naruto pareceu ler sua indignação — Quer dizer, nós nunca percebemos nada, nunca a vimos tomar um remédio, passar mal, nada. Mas acho que nós estávamos tão focados em nós mesmos que nunca notamos algo errado. Você preocupado com a vingança, eu preocupado em ser melhor que você, e Kakashi, bem, Kakashi preocupado com o que quer que ele se preocupe.
Não respondeu. Não sabia o que falar.
Quando se encontraram novamente no esconderijo de Orochimaru... Quando ele (meu deus) tentou matá-la... Ela sabia. Sabia que estava doente... Que chegaria um dia que o coração pararia de bater... Tão jovem... Tão cheia de vida...
— Tsunade disse que percebeu assim que elas começaram a treinar juntas, e claro, começou a cuidar do caso. Já tentou de tudo, mas nada parece surtir efeito. Parece que a medicina ainda não é muito avançada nesse campo. A única esperança é um transplante, mas somente três cirurgias assim já foram feitas no mundo. E é muito raro encontrar alguém compatível.
Eu mato.
Vamos matar alguém.
Vamos arrancar o coração de alguém.
E dá-lo para ela.
Sakura não pode morrer.
Não, não, não.
Seu desespero o fez pensar coisas horríveis, que ele só pensava na época da vingança. Mas logo caiu em si. Não podiam fazer aquilo.
— Tem um fila de transplante, mas é complicado. Os civis sempre passam na frente por terem os corpos mais “fracos”. E parece que não é todo tipo de morte que deixa um coração bom para ser doado. Tem que ser uma morte específica. E também tem um problema de nunca terem feito algo assim aqui em Konoha. Tsunade foi até Iwagakure mês passado, assistir a terceira cirurgia de transplante, disse que é bem complicado. E olha que ela é Tsunade.
Quis fazer mais perguntas, mas nada saia.
— Eu sinto muito... Sinto muito por termos contado por carta, mas estávamos com medo de que você não chegasse a tempo. Acho que faria muito bem a ela te ver. Sabe, ela pensa muito em você.
— Quanto tempo?
Naruto entendeu sua pergunta.
— Tsunade não sabe, ela já superou as expectativas. Podem ser cinco, seis meses, ou podem ser algumas semanas, não tem como afirmar nada.
Ele deu alguns passos, o estômago revirado, mas nada saiu pela boca.
— Sei que é um pouco impactante — Viu o loiro limpar uma lágrima que caiu — Eu já chorei muito, e já fiquei muito revoltado, mas... Não adiantou nada. Tudo que podemos fazer agora é nos manter firmes e positivos. Tentar ajudar ela de alguma forma, deixá-la tranquila, dar forças.
Como, como, como?
Não, não, não.
O Uzumaki tocou em seu ombro novamente com um sorriso triste.
— Vem, vamos até a minha casa, você precisa tomar um banho, vai te fazer bem.
Não, não, não.
Eu preciso ir para o hospital.
Eu precis—
— Sakura-chan não vai acordar agora. Passou mal mais cedo, e Tsunade teve que sedá-la. Vamos, vem tomar um banho, e em breve você vai para o hospital.
Olhou Naruto. Parecia cinco anos mais velho do que realmente era. E mais homem também. Mais alinhado, mais inteligente, mais conformado.
Ele o acompanhou em silêncio.
No centro da vila algumas pessoas se viraram para olhá-los, mas ninguém disse nada sobre o motivo de um ex-nukenin estar ali (ele sabia que muitas pessoas ainda não o tinham perdoado, e nem iriam).
Em uma parte um pouco mais calma da vila, Naruto entrou em um prédio.
Era branco, quase hospitalar, e ele estranhou o que diabos alguém como Naruto estava fazendo morando em um lugar como aquele. Subiram três lances de escada, até o loiro abrir uma porta.
A sala que os recebeu era clara, luminosa, com enormes janelas de vidro na parede oposta a porta. Tinha vasos de flores espalhados por todos os cantos e parecia extremamente limpa e arejada. Não tinha nem ao menos uma camiseta jogada no chão. E ele estranhou, lembrando-se do antigo apartamento do amigo de anos atrás.
— Hina-chan gosta de flores. E de limpeza.
Ele sorriu sem graça, coçando a cabeça, como se soubesse que era estranho alguém como ele morar ali.
— Bom, aqui é o banheiro — Ele apontou para uma porta — Vou deixar algumas mudas de roupa na maçaneta. Tem toalha limpa no armário.
Acenou positivamente, entrando no banheiro sem muitas objeções. Já estava ali, e seu corpo ansiava por água, para ser limpo e talvez clarear um pouco a mente.
Tomou um banho gelado e rápido. Ao contrário do que pensou, sua mente continuava uma bagunça. Jogando o rosto de Sakura na sua memória de segundos em segundos. Em outros, a mente tentava lhe pregar uma peça, querendo acreditar que tudo aquilo não passava de um pesadelo.
Abriu um pouco a porta, encontrando peças de roupas na maçaneta como o loiro tinha prometido. Respirou em alívio ao ver que a cueca ainda tinha etiqueta e nunca tinha sido usada.
Vestiu-se. Era uma calça negra de treinamento, que ficou um pouco curta demais e uma camiseta azul marinho. Agradeceu mentalmente pelo Uzumaki não ter o emprestado nada berrante nem alaranjado.
— Queria te oferecer alguma coisa, mas eu não sou muito bom na cozinha.
Coçou a cabeça, e sorriu sem graça.
— Hina-chan fez um bolo, mas pelo o que eu me lembre você não gosta muito de doces...
Acenou em concordância.
Virou-se em direção a saída. Precisava ir ao hospital, precisava vê-la mais uma vez. Acreditar que tudo aquilo estava realmente acontecendo.
— Eu... Tenho algumas coisas para resolver na torre. Mais tarde passarei no hospital.
Às vezes ele se esquecia de que agora Naruto era o Hokage, e se culpou um pouco por tê-lo feito gastar tanto tempo consigo.
— Você vendeu o seu apartamento antes de partir não?
— Sim. Depois vou procurar alguma coisa.
— Você vai ficar?
Acenou.
Como eu poderia ir embora?
Como eu poderia deixá-la de novo?
Eles desceram as escadas do prédio juntos, e logo estavam caminhando pelas ruas.
— Eu ia diria para você ficar na minha casa, mas sei que não gosta muito de companhia.
Com certeza ficar com Naruto e sua esposa não estava em seus planos. E ele imaginava que nem nos planos de Hinata.
— Você pode ficar no apartamento da Sakura-chan.
Sem chance.
— Não.
— O apartamento está vazio, Tsunade manda limpá-lo toda semana, mas de três em três dias a gente tem que ir lá molhar as plantas, e tirar coisas da geladeira, e tirar o pó... Enfim, você ficando lá não teremos esse problema. Você cuida do apartamento e rega as plantas. Perfeito.
— Não.
— Qual é! Sakura-chan vai te oferecer de qualquer jeito, tenho certeza! Além do mais, tem algo lá que eu acho que você gostaria de ver...
— O quê?
— Melhor você ver pessoalmente... — O loiro procurou alguma coisa nos bolsos, uma chave, que estendeu a ele — De qualquer modo, vou deixar a chave com você, é aquele prédio lá — O loiro apontou, os prédios em Konoha eram poucos, e não era difícil visualizar todos — Apartamento trinta e três, quarto andar.
Ele relutou em pegar as chaves, mas lá estava ele, com um chaveiro de flor no bolso.
O Uzumaki se despediu dele com uma batida nas costas e uma promessa que iria ao hospital mais tarde.
✉
08 de março de 2005
Sasuke,
Escrever para você é um alívio. Mesmo não tendo certeza se minhas cartas chegam até você, ou se você as lê, eu insisto em escrever mesmo assim. Tivemos alguns casos complicados no hospital essa semana, dois envolvendo crianças (que não resistiram),e, mesmo sabendo que não devo misturar a vida profissional com a pessoal, eu não consigo evitar de trazer essa tristeza para minha casa. Espero que melhore logo. Com muitas saudades,
Sakura.
Ele abriu a porta com cautela dessa vez. Não havia ninguém ali dentro.
Por que ela está sozinha?
Por que a deixaram sozinha?
Você já a deixou sozinha.
Muitas vezes.
Entrou. Observou. Ela estava do mesmo jeito. Os olhos fechados, a postura reta na cama. Percorreu os olhos pelo quarto e encontrou uma poltrona não muito longe da cama. Foi ali que se sentou.
Seu estômago roncou de fome, mas ele duvidava que alguma coisa pararia nele por muito tempo.
Não sabia nem ao menos como olhá-la. Tinha medo que a visão se dissolvesse e que aquelas máquinas parassem de fazer barulho.
Permaneceu ali por horas. Viu o sol tornando-se alaranjado pela janela, deixando rastros de luz colorida dentro do quarto, e viu o sol sumindo. Não havia relógio ali dentro, mas ele chutava que deviam ser seis ou sete horas da noite.
Um gemido.
Imediatamente ele se pôs em alerta, olhando atento para a cama, mas Sakura apenas se remexeu, abriu os olhos, desfocados, e voltou a dormir.
Notou que se coração tinha acelerado, então se virou na poltrona, tentando acalmá-lo.
Sakura...
Por que nunca me contou?
Nunca...
Já estava impaciente. Naruto já tinha estado ali e ido embora. E também, Tsunade, que olhou para ele como se olhasse um inseto, observou a paciente, anotou algumas coisas na prancheta, e depois, saiu pela porta sem nem ao menos o olhar.
Sabia que a Senju não gostava dele.
Mas não conseguia pensar em mais nada. Apenas queria que Sakura acordasse, queria ouvir a voz dela, ver os olhos verdes, queria que ela o tranquilizasse e dissesse que tudo não passava de um exagero de Naruto.
Foi somente meia hora depois que ela se remexeu, os olhos se abrindo aos poucos.
Ela ficou alguns minutos olhando para o teto, como se observasse sua textura. Depois remexeu um pouco os braços, como se estivesse desconfortável, e só então, pareceu perceber sua presença.
Sakura o olhou, incerta. Depois voltou-se novamente para o teto, e depois para ele de novo. Franziu o cenho. Parecia querer ter certeza que ele era real.
A médica (agora paciente) abriu a boca diversas vezes, mas nada saiu.
Só depois de alguns minutos (para ele pareceu à eternidade), ela realmente falou.
— Sasuke-kun?
Levantou-se, aproximando da cama a passos lentos.
Ela tinha olheiras roxas em baixo dos olhos, e ele pensou que nunca a tinha visto tão magra.
Ao contrário do que pensou ouvi-la falar não o trouxe nenhum conforto. Apenas fez com que seu coração batesse ainda mais desesperado.
— Sakura.
Viu o corpo pequeno tremular, e a máquina de batimentos cardíacos soltou um apito alto.
— Você... Você voltou.
A voz era fraca, quebrantada. Não parecia a mesma voz da sua companheira de time.
Acenou positivamente, á apenas um passo de distância da cama.
— Naruto te disse?
Acenou mais uma vez. Observou-a engolir em seco. Ao contrário do que esperava, ela não o confortou e nem negou que estivesse doente.
— Espero que Naruto ou Kakashi-sensei não o tenham obrigado a voltar.
— Não.
Ela fez um gesto com a cabeça, como se não acreditasse.
— Faz muito tempo que dormi?
— Cheguei de manhã, já estava dormindo. Agora é noite.
Ele não sabia horários para informá-la.
— Sinto pelas cartas — Ela deu um sorriso triste — Eu não sei se você as lia... Mas... Ficou um pouco complicado escrever.
Eu lia.
Li cada uma delas. Cada palavra, cada vírgula.
— Eu li.
Ela sorriu. Um sorriso diferente com o que ele estava acostumado, mais fraco, mais pálido.
Ela observou a poltrona em que estivera sentado. Lá estava a bolsa que ele carregava com meia dúzia de pertences e também a sua katana.
— Você a buscou.
Não era uma pergunta, afinal ela estava vendo a arma bem ali. Uma lágrima escorreu pelo rosto fino.
— Sim, obrigada.
Outra lágrima.
— Estou feliz que você esteja aqui.
Não diga isso.
Por favor.
Não...
Apenas...
— Você... Parte quando?
— Vou ficar.
Ela não fez perguntas, apesar dos olhos verdes estarem cheios delas.
— Estou muito feliz que você esteja aqui.
Outro sorriso.
Depois, ela notou que o estômago reclamava de fome.
— Por que você não aperta aquela campainha ali? Vamos pedir algo para comermos.
Ele quis gritar com ela.
Chocalhá-la.
Por que você está agindo assim?
Dizendo que está feliz?
Dizendo que deveríamos jantar?
Por que está agindo como se isso fosse normal?
Como se você não estivesse deitada em uma cama de hospital...
Como se você não estivesse morrendo?
Antes que pudesse fazer qualquer pergunta, Tsunade passou pela porta com uma prancheta nas mãos. Ele se afastou para trás, até bater os joelhos na poltrona.
— Como está se sentindo?
— Ótima.
— Espero que não seja por ele.
Sakura riu. Quase igual ria quando estava saudável. Não. Sakura já esteve saudável?
— Sasuke-kun veio me visitar.
A loira revirou os olhos, e voltou a examinar a paciente.
— Vou mandar que te tragam uma sopa.
— Shishou, a senhora poderia pedir que trouxessem uma para ele também?
A Senju fuzilou a pupila com os olhos.
— Se ele quiser, ele que vá buscar.
— Shishou!
Tsunade observou a paciente, revirou novamente os olhos, olhou para ele com desprezo, e depois disse:
— Tudo bem.
Quando a mentora saiu, e somente restaram eles dois, ele quis falar alguma coisa, mas ela parecia novamente sonolenta e prestes a dormir sem nem ao menos comer antes.
— Você deveria comer e ir dormir, Sasuke-kun.
Não, quero ficar aqui.
— Você pode ficar no meu apartamento, se quiser.
Ele ia dizer que Naruto já tinha oferecido, mas quando ia abrir a boca, viu que ela já estava dormindo. Ele tomou duas ou três colheres da sopa antes que seu estômago se revirasse.
Logo, a porta foi aberta novamente, e por ela passou Yamanaka Ino.
— Sasuke-kun.
Ela cumprimentou, andando até a cama de Sakura. Passou uma mão no braço da amiga, e ajeitou uma mecha do cabelo.
— Ela acordou?
— Sim.
— Eu vou passar a noite aqui, por que você não vai descansar?
Não, não posso.
Ainda sim, Ino pareceu ver o cansaço nos seus olhos.
— Foi uma longa viagem e um dia cansativo. Qualquer coisa, nós te avisamos sim?
Qualquer coisa.
Qualquer coisa.
O que queria dizer com isso?
Se Sakura piorasse?
Tinha como ficar pior?
Ele levantou-se irritado, pegando suas coisas da poltrona.
Quando saiu pela porta do hospital, ficou pensando o que faria. Não sabia se sentiria confortável na casa de Sakura.
Mas ainda sim, os seus pés o levaram para lá.
Abriu a porta, observou a sala com o sofá creme, a televisão na parede, as centenas de livros entulhados em uma prateleira. E uma escrivaninha entulhada de papéis.
Foi até ali que seus pés o levaram.
E então ele entendeu o que Naruto queria que ele visse.
E ele não dormiu pelo resto da noite.
10 de julho de 2004
Sasuke,
Esse mês é o seu aniversário. Gostaria muito que você estivesse aqui para comemorarmos juntos, Naruto, você e eu. Mas sei que você está bem por aí, conhecendo o mundo e a si mesmo. Espero que essa jornada esteja sendo proveitosa. Gostaria muito de saber o que você tem feito e visto. Espero que um dia possa me contar. Andei choramingando com Kakashi-sensei (agora Hokage) e descobri que você está perto de Amegakure, por isso, estou enviando um presente para o correio de lá. Se estiver por perto, por favor, vá buscá-lo. Isso me traria muita felicidade e alívio.
Feliz aniversário, Sakura.
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