Cartas

3 III: Monstro da descoberta


Notas iniciais
Capítulo dedicado as maravilhosas Livzmoon e Redqueen que deixaram recomendações incríveis para a história! Meninas, fiquei muito feliz e muito honrada de receber tantos elogios e carinho, e na confiança de vocês por terem feito isso no comecinho da história! Muito obrigada, espero que gostem do capítulo! Boa leitura!

CARTAS

Escrita por Coffee

Capítulo III: Monstro da descoberta

21 de março de 2006

Sasuke,

Faz três anos que você partiu. O sentimento angustiante de te ter longe nunca melhora, ainda sim, convivo com ele. Você nunca me responde, e, o meu último acalento foi quando te vi de longe em Kirigakure. No mais, imploro para Kakashi ou Naruto por notícias suas (Hokages têm informações especiais). Isso dói quase tanto quanto não ver você. Com muitas saudades,

Sakura.

Com as mãos trêmulas, Sasuke pegou uma das milhares de cartas que estavam sobre a escrivaninha. Todas elas estavam devidamente fechadas dentro do envelope, endereçadas a ele e enroladas (prontas para serem presas em uma ave), mas, por algum motivo, não tinham sido mandadas.

Abriu.

Carta não enviada

01 de fevereiro de 2004

Sasuke,

Há algo que preciso te contar. Pensei muito até tomar essa decisão, e acho que é o momento. Sasuke, eu estou doente. Não, não é um resfriado. É algo sério que gostaria de te dizer pessoalmente. Talvez você possa voltar por alguns dias, ou quem sabe, eu possa ir até você (desde que não seja muito longe). Por favor, me responda. Não sei se vou conseguir passar por isso sozinha.

Sakura.

Ele deixou o papel escorrer pelos seus dedos.

Havia mais uma infinidade de cartas fechadas e não enviadas como aquela, mas ele não sabia se tinha condições de ler mais. Pelo menos, não por enquanto.

Um nó de angustia tinha se formando na sua garganta.

Por que não enviou?

Por que nunca me contou nada?

Mas... Eu teria vindo?

Sua cabeça estava pesada. Afastou-se da escrivaninha, cambaleante. Olhando ao redor, tentando encontrar qualquer coisa que tirasse sua atenção da carta recém lida. Mas sabia que seria impossível.

Observou o apartamento pequeno. Da sala onde estava podia ver a cozinha, separada por um balcão, uma porta para o banheiro e outra que provavelmente acabaria em um quarto, mas ele não estava com coragem de entrar lá. Então, permaneceu na sala.

Rodeado de livros e plantas.

Para onde quer que olhasse havia vasos com diferentes espécies de flores, algumas exóticas, que ele só tinha visto uma vez ou outra durante sua viagem de redenção.

Havia uma flor do deserto de Suna, uma flor da neve de Kirigakure e até mesmo uma flor epidêmica das beiradas das cachoeiras de Iwagakure. Algumas estavam murchas, quase morrendo, como se sentissem falta de sua dona.

Ou provavelmente, só dos cuidados dela.

Ele se aproximou, vendo meia dúzia de miniaturas de cactos devidamente dispostos em uma mesa do lado do sofá. Pareciam tristes.

Flores não têm sentimentos, Sasuke.

Você está enlouquecendo com essa história toda.

Ainda sim, ele andou até a cozinha, olhando tudo ao seu redor, tentando absorver o máximo de coisas que podia (ela morava ali), pegou uma caneca com água e se pôs a aguar cada um dos vasinhos.

A aparência das flores não melhorou. Não sabia o que fazer. Nunca teve experiências com jardinagem.

Amanhã vejo isso.

Talvez devesse tentar dormir.

Foi o que ele fez. Deitou-se no sofá, um pouco pequeno demais para ele, os pés ficaram de fora, mas não se importou. Não achava que deveria deitar na cama dela. Com certeza não.

Colocou uma das mãos sobre a cabeça tentando tampar a claridade.

Esqueceu-se de apagar a luz, mas ainda sim, não se levantou.

Permaneceu ali, tentando pegar no sono.

Mas...

As palavras da carta não enviada se repetiam na sua mente feito um filme. E também havia todas as memórias, todas as “fotos” que sua mente jogava, relembrando como Sakura estava. Pálida, magra, cheia de fios.

Não pode ser.

Eu vou dormir, vou acordar em algum lugar da minha jornada de redenção. Vou voltar para Konoha e vai estar tudo bem. Sakura vai estar trabalhando no hospital e vai rir desse meu sonho ridículo.

Mas isso não aconteceu.

Ele não conseguiu nem ao menos dormir.

Permaneceu com os olhos fechados, mas não conseguiu fazer nada, nem meditar, nem dormir, nem ao menos descansar a mente.

Nada.

Olhou para o relógio na parede ao lado da estante de livros (havia flores lá também), e viu que não passava das quatro da manhã.

Levantou. Perambulou novamente pela sala, olhando a maldita escrivaninha, sua mão até buscou outra carta, mas a sua coragem não permitiu que ele a abrisse. Foi então até o banheiro, mijou, lavou o rosto.

Observou.

Era um lugar pequeno. Com um espelho redondo, uma pia pequena entulhada de produtos cosméticos, um box para o chuveiro e um vaso sanitário. Havia uma pequena prateleira em cima deste, e ele revirou os olhos ao olhar mais plantas.

Isso parece um jardim.

Ou uma floresta.

Saiu dali. Tudo parecia sufocante. Tudo era motivo para uma maldita lembrança.

Tentou a cozinha. Achou uma caixa de leite fechada e dentro da validade em cima da bancada. Abriu-a, procurou um copo no armário.

Toda a louça estava organizada milimetricamente, por categoria e (ou meu deus) por cor.

Pegou um copo qualquer, tomou o leite, lavou o copo e depois ficou tentando (inutilmente) medir o espaço para colocar o copo de volta. No fim, decidiu deixá-lo no balcão.

Guardou o leite na geladeira, e olhou novamente o relógio.

Tinham se passado quinze minutos.

Não é possível.

Então decidiu voltar para o hospital.

Andou pelas ruas escuras de Konoha. O tempo estava fresco, e a lua ainda iluminava a madrugada.

A moça da recepção gaguejou com ele.

“S-S-Se-nhor, não é o horário de troca de visitas e—”.

Mas ele apenas a ignorou, caminhando para o mesmo quarto em que esteve no dia anterior. Abriu a porta.

A Yamanaka dormia. Tinha a boca aberta e os cabelos despenteados. Estava totalmente torta na poltrona e ele imaginou que ela acordaria com uma terrível dor nas costas e no pescoço.

Demorou alguns segundos para que ela acordasse, os instintos ninjas avisando que ela não estava mais sozinha com Sakura, e sim, com uma terceira presença.

— Sasuke-kun?

Ela balbuciou sonolenta, um vinco de dúvida se formando entre as sobrancelhas.

— Eu... Bom dia. Já é o horário da troca?

Ele não respondeu, apenas deu os ombros, voltando o olhar para Sakura.

Estava do mesmo jeito que ele a deixara. Parecia que não tinha nem ao menos um fio de cabelo em um lugar diferente. E essa permanência, essa... Falta de movimento, o deixou enjoado.

A loira tinha levantado, visto as horas, e falado algo sobre como Tsunade ficaria brava.

Ignorou.

— Eu... Vou indo, já que você está aqui. Volto mais tarde.

E saiu. Parecia envergonhada pelo cabelo despenteado e as roupas amassadas.

Andou até a janela, encostando-se ali, e foi onde ficou até o dia amanhecer. A Haruno continuava ressoando levemente, a respiração quase imperceptível e as palavras da carta se repetindo em sua mente novamente (sem permissão).

Perto das sete da manhã, a porta foi aperta bruscamente.

— Na minha sala. Agora.

Ele revirou os olhos e seguiu a Senju.

Tsunade estava furiosa. Não. Furiosa era um eufemismo para o real estado em que ela se encontrava. Com os ouvidos atentos, ouviu os passos do Uchiha atrás de si.

Eu preciso muito dar um soco em alguém.

E de preferência que seja nele.

Quebrar esse maldito queixo anguloso.

Entrou na sala, sentando-se na sua cadeira. Ele entrou atrás, encostando a porta silenciosamente. Depois, sentou-se na cadeira a sua frente, totalmente indiferente ao seu estado de revolta.

— Uchiha. Eu não sei exatamente quem você pensa que é, mas eu quero que saiba que eu sou a diretora desse hospital. Eu. Portanto, ou você respeita as regras dele, ou eu vou chutar essa sua maldita bunda para fora daqui, está entendendo?

Ele não respondeu, apenas olhou um ponto qualquer no chão. Vestia as mesmas roupas de ontem e tinha a barba por fazer.

— Escute bem, porque eu só vou explicar uma vez. As visitas começam a partir das sete da manhã. Sete. Não quatro e meia. Entendeu? Somente dois acompanhantes por vez durante o dia. Um acompanhante a noite que entre exatas vinte horas e sai às sete da manhã. Entendeu? E pelo amor de deus, você precisa assinar o maldito livro na recepção sempre que entrar e sempre que sair.

Novamente: nada.

— Estamos entendidos, ou eu terei que proibir suas entradas?

— Há algo que eu possa fazer?

Foi tudo o que ele perguntou, de repente. E então, olhou para ela. Nos olhos.

Ai meu deus.

Não...

Durou meio segundo. Ainda sim ela viu.

Oh. Não.

O completo desespero e desamparo.

Preocupação.

Ele está preocupado com Sakura.

Não. Ele está desesperado.

Está perdido.

— C-C-Como?

A palavra saiu perdida e um pouco tarde demais.

— Há algo que eu possa fazer? Para... Ajudá-la? Talvez ir até a algum lugar, buscar alguma coisa, ou... Pesquisar alguma alternativa ou—

Ela nunca o tinha visto assim.

Gaguejando palavras entrecortadas, os olhos desfocados.

Ele gosta dela.

Oh meu deus. Ele gosta dela.

Era de conhecimento universal que Tsunade não gostava do Uchiha. Era um garoto petulante, que andava por aí com aquele maldito nariz perfeito arrebitado, como se nunca tivesse feito algo errado na vida.

Tinha cansado de recolher os cacos da aluna todas as vezes que ele partia, e até mesmo por não ter notícias dele. Também tinha acompanhado ela escrever incansáveis cartas (que nunca foram respondidas) implorando por notícias dele.

Por isso, sempre imaginou que o amor da aluna fosse totalmente platônico.

Mas, naquela fração de segundos em que seus olhares se cruzaram, bem, ela já não tinha tanta certeza.

Ele se importa.

Quer ajudá-la.

Não soube o que foi mais difícil. Admitir isso para si mesma, ou, conversar com ele.

— Uchiha — Coçou a garganta — Eu... Não sei até onde Naruto te contou e—

— Sakura tem uma doença no coração.

Acenou positivamente.

— Tem a doença desde criança. Não sabemos se foi adquirida, ou se nasceu com ela, mas pela longevidade eu chuto que foi adquirida. É uma doença agressiva. Ela já superou todas as expectativas, tentamos vários tratamentos, medicamentos, medicina alternativa... Mas nada surte efeito. É claro, os remédios diminuem os sintomas, ajudam ela a ter uma melhor qualidade de vida, mas nada próximo a cura.

Novamente.

Desespero.

Tossiu.

— Eu... Nós, eu e ela, já pesquisamos muito. Fomos a inúmeras vilas, congressos, até mesmo em curandeiros, mas nada. Já tentamos de praticamente tudo. E a resposta é sempre a mesma. Nada.

Sasuke acenou positivamente. O olhar perdido no chão.

— Eu sinto muito, mas já estou esgotando todas as minhas fichas.

— E o transplante?

— Bem... Não sei se Naruto te disse, mas... É uma cirurgia nova. É complicada e muito rara. Só foram feitas três no mundo até hoje, eu assisti a uma, ajudei a fazê-la e é algo realmente complicado e não temos garantia de que dará certo. Mesmo assim eu a coloquei na fila. É uma cirurgia teste, mas a fila já é grande. Tenho tentado a passar para frente... Mas é tudo muito difícil e não exatamente como gostaríamos.

Viu ele se levantar, e se aproximar da porta.

— Se descobrir algo... Se tiver algo que eu possa—

A voz saiu cortada, como se as palavras estivessem entaladas na garganta e misturadas com alguma coisa mais, angústia.

— Eu te aviso.

Ele acenou com a cabeça de costas para ela.

— E... Sasuke?

Era talvez, a primeira vez na vida que ela o chamava pelo primeiro nome, mas a completa tristeza que viu nos olhos negros a impedia de ser mais dura.

— Siga as regras do hospital. Por favor.

O moreno não respondeu. Apenas saiu. Ainda sim ela notou a mandíbula presa, os ombros tensos que pareciam carregar o peso do mundo.

Talvez, carregassem.

Quando voltou ao quarto, Sakura estava acordada.

Comia uma salada de frutas com as mãos trêmulas e a ajuda de uma enfermeira.

— Sasuke-kun!

Ela sorriu quando entrou. Acabou de comer, a enfermeira saiu e sobraram eles dois.

— Como você está? Dormiu bem?

Não dormi.

Mas tudo que fez foi dar um sim com a cabeça.

— E então, quando você vai começar a me contar das suas viagens?

Ele andou pelo quarto. Pensou em sentar na poltrona, mas não conseguiu.

— Por que nunca me contou?

Os olhos verdes se arregalaram (era a única parte dela que ainda parecia ela).

Viu-a morder o lábio inferior.

— Eu... Eu... Eu tentei... Mas...

Por fim, deu os ombros.

Quando percebeu que ele não falaria nada, continuou.

— Eu... Não faria diferença.

É claro que faria.

Eu teria...

Teria?

— O tratamento estava em andamento, mas nós nunca tivemos esperanças. O resultado seria o mesmo. Eu acabaria do mesmo modo. Seria só um sofrimento imposto a Naruto, Ino e a você. E vocês têm mais coisas para se preocupar do q—

— Deveria ter me dito.

— Somente teria atrapalhado as coisas.

— Deveria ter me dito.

Outra mordida no lábio inferior. Estava tão pálido e tão fino que ele achou que se ela continuasse fazendo aquilo iria rasgá-lo.

Deveria ter me dito.

Como pode esconder isso por todos esses anos?

— Eu... Eu quase contei, depois da guerra. Mas... Naruto estava tão animado com a possibilidade de começar a treinar para ser Hokage, e... Ino tinha perdido o pai, e você... Já tinha passado por tanta coisa que... Não achei justo.

Justo?

Ela ainda murmurou meia dúzia de justificativas, mas no fim, desistiu. Permaneceram em silêncio por algum tempo.

— Você foi até o meu apartamento?

— Sim.

— Como estão minhas plantinhas?

Ele não quis dizer que estavam um desastre total.

— Bem.

— Ah! Que bom! Hinata estava tão ocupada com a papelada do hospital e com missões que não pôde olhá-las para mim, assim como Ino. Por isso coube a Naruto, e bem... Fiquei tão preocupada... Por que bem, nós dois sabemos que ele não é muito... Delicado.

— Elas sobreviveram.

— Que bom! Ganhei a flor do deserto no ano passado, não sei se você a viu... Bem, é uma planta que exige muito cuidado, e, se você puder colocá-la no sol para mim por algumas horas eu agradeceria muito.

— Verei o que posso fazer.

— Obrigada!

Mais silêncio. Tsunade veio, consultou a paciente, olhou estranho para ele e depois saiu.

Depois chegaram Naruto e Hinata, e ele teve que sair para que os dois entrassem.

Lá fora, nas escadarias do hospital, ele sentia-se... Perdido.

Olhou para o prédio. Tinha medo de que caso se distraísse um instante sequer, se não a olhasse todo o tempo... Ela poderia ir.

Não... Ela vai ficar bem.

Ela precisa ficar bem.

Ela é Haruno Sakura. Uma kunoichi. Uma das mais fortes do mundo shinobi.

Não vai se deixar levar.

Não vai.

Será?

Naruto bateu nas suas costas algum tempo depois.

— Teme. Quer sair para dar uma volta?

Fez menção de entrar no hospital novamente.

— Sakura-chan vai fazer alguns exames agora. Vai voltar para o quarto somente no fim da tarde. Por que não damos uma volta?

Não queria. Ainda sim, seguiu o amigo loiro.

O Uzumaki começou conversando sobre assuntos aleatórios. Problemas da vila, algumas novidades, nada concreto. Parecia um pouco receoso para falar alguma coisa.

As pessoas nas ruas faziam reverencia para o loiro, e uma careta de estranhamento para ele. Embora sempre dissesse que o que os outros achavam dele não importava, ficou, na verdade, um pouco... Descontente.

Tentou jogar o sentimento para o fundo da mente. De certo modo, conseguiu.

— Você foi ao apartamento.

Fez que sim.

— Viu... Viu a escrivaninha?

Outro aceno.

— Eu... Vi aquilo assim que ela ficou doente, bem, doente a ponto de ser internada. Notei que todas eram endereçadas a você, mas não tive coragem de abrir nenhuma. Comentei com ela, mas ela pediu que eu queimasse todas. Disse que o fiz, mas as deixei lá na esperança que você voltasse. Eu não sei o que está escritas, mas sei que pode ser algo importante. Sei que ela te enviava cartas sempre, cansei de vê-la escrever, mas, por algum motivo aquelas não foram enviadas. Você leu alguma?

Negou. Mentiu. Não queria conversar sobre aquilo. Somente a menção das cartas o fazia sentir-se enjoado. Não queria ter que contar para o loiro que tinha lido uma e que essa única o tinha deixado inquieto.

— Entendo. Bem... Eu preciso ir para a torre revoltar algumas coisas. Sempre há coisas para resolver lá. Kakashi tem me ajudado, mas ainda sim... Você já o viu?

— Não.

— Bem, quem sabe mais tarde... Agora preciso ir. Por que você não usa esse tempo para comprar algumas roupas e comida?

Para me distrair?

Deu os ombros, vendo o amigo partir.

Seguiu o conselho. Comprou três calças pretas, duas camisetas pretas, uma cinza e uma azul marinho. Um chinelo. E um sapato para treinar (não que estivesse com cabeça para isso). Também passou no mercado, comprou alguns itens de higiene pessoal, escova de dente, sabonete, pasta e uma gilete. Algumas frutas, um suco de garrafa, e duas comidas congeladas.

Foi para o apartamento.

Pretendia procurar algum lugar para morar amanhã. Não achava certo ficar no apartamento de Sakura, mas, ao contrário do que pensara mais cedo, não queria sair dali.

De manhã tudo o que queria era sair daquele lugar, mas agora, somente o pensamento de se afastar dali, daquele lugar dela, ele sentia... Desamparo?

O lugar o dava certa... Conformidade. Para onde quem que olhasse podia senti-la. Ver uma parte dela. E desse modo, não parecia muito que ele estava a perdendo.

Não. Não estou perdendo.

Ela vai ficar bem.

Vai se recuperar...

Deixou as roupas na sacola ao lado do sofá, as comidas na geladeira. E os itens de higiene, amontoados no banheiro, mas sem tirar as coisas dela do lugar.

Logo ela vai estar aqui de volta...

Quando voltou para a sala, lembrou-se das plantas.

“Você pode cuidar delas?”

Ela tinha pedido antes dele sair do quarto, como se as plantas fossem crianças que precisavam de atenção.

Tocou uma folha. Estava amarelada, e ele não tinha a mínima ideia de como recuperá-la. Pensou então, em voltar para o hospital, mas, percorrendo o olhar pela estante alguns livros em particular chamaram a sua atenção.

Livros sobre jardinagem.

Folheou alguns. Começou com o título que dizia “para iniciantes”.

Testou algumas coisas, mas as flores pareciam piores cada vez que ele mexia nelas.

Por fim desistiu. Apenas colocou a flor do deserto na janela para tomar sol como ela tinha pedido.

Então, antes de voltar ao hospital, decidiu ler mais uma carta.

Respirou fundo. Escolheu outra aleatória e a abriu.

E quebrou.

Carta não enviada

23 de novembro de 2005

Sasuke,

Estou com medo.

A cada dia sinto mais dores, mais tremores e mais febre. A cada dia fica mais difícil fazer as tarefas mais simples da minha rotina, como trabalhar no hospital e treinar. Escrever tem se tornado um exercício árduo e cansativo. Estou com medo. Sinto que estou acordando cada vez pior, e ainda sim, não tenho coragem para contar aos meus amigos.

Sasuke. Estou com medo.

Estou com medo de morrer sem ter visto os seus olhos uma última vez.

Com saudades,

Sakura.

Notas finais
Tenham paciência com o Sasuke, ele ainda está digerindo tudo! Hahaha! . Que tal ler uma one-shot? Para aquecer o coração: https://fanfiction.com.br/historia/683976/E_o_vento_trouxe/ Para quebrar a cabeça: https://fanfiction.com.br/historia/587803/Gaiola/ . Ou uma three-shot FugaMiko: https://fanfiction.com.br/historia/600846/Sentimentos_Ocultos/ . Ou ainda, uma história de um casal diferente, mas que eu garanto: satisfação completa ou o seu dinheiro de volta: https://fanfiction.com.br/historia/686745/Promiscuos/ Vejo vocês nas próximas atualizações! ;*