Carmen

26 McLocksller


Trinta e seis dias. Trinta e seis dias desde a última vez que o vira; sua última lembrança dos olhos azuis, do cabelo loiro caindo para os lados por estar comprido demais. Prometera a si mesma que superaria o que aconteceu rapidamente, mas foi incapaz de cumprir. Cada dia a lembrava da falta que sentia dele; cada dia ressaltava em seu coração seus sentimentos por ele. Em algum momento ela se sentiria pronta para seguir em frente. Robin já havia seguido. Em algum lugar do mundo, ele estava abraçando Eleonora como um dia ele a abraçara. Amando-a como eles costumavam se amar.

Engoliu a massa de sentimentos, e fitou o mar. Segurava suas sandálias nas mãos, sentindo a água do mar em seus pés quando as sobras das ondas quebradas chegavam à areia. O sol estava ameno, mas nuvens vinham de longe. Uma tempestade estava prestes a chegar.

Lola corria pela areia, animada. Regina resolveu sentar-se. Subiu um pouco mais até achar um local onde a maré não subisse e relaxou seu corpo. Um minuto depois, Lola voltou e pulou em seu colo. Lambendo seu rosto, o rabo que mais parecia uma hélice de aeroporto de tanto que girava. “Lols!” Tentou impor alguma ordem e finalmente, depois de ter a cara toda lambuzada, conseguiu.

Relaxadas, observaram o movimento perfeito das ondas do mar. A serenidade das águas, fortes, imponentes e ainda assim, suaves. A imensidão azul que podia devastar — mas que se quebrava contra rochas, seguindo o fluxo com delicadeza. Seu coração ainda sentia o peso da decepção. E das dúvidas que só aumentavam em número quando ela tentava entender o que havia acontecido com eles.

Se ele estava com o Corvo, por que ajuda-la? Por que apagar seu histórico e comprar sua liberdade quando poderiam ter se vingado da traição e a mandado para a prisão? Ela não esperava nenhum ato de misericórdia. Quando decidira derrubar o Corvo, tinha plena ciência do que isso significaria. Das consequências, dos riscos. No fundo admitia que só havia aceito a missão para atingir seu empregador. Para se vingar, roubando-o e entregando-o à polícia. A última missão. Sim, para ambos.

Mas Robin aconteceu. Com ele, os sentimentos dos quais tentara fugir. Apesar da desilusão que sentia, era grata a ele. Ele havia derrubado os muros ao redor dela; havia desatado nela os nós do passado que a impediam de amar. Torcia genuinamente para que ele tivesse uma boa vida. Robin não era uma pessoa ruim, ela que havia ignorado a voz interna que lhe dizia que eles não tinham chances juntos.

Acariciou os pelos mesclados em tons de marrom e chocolate da cachorra, esta voltou a sacudir o rabo animada. Levantou, correndo pela areia e sendo seguida pela mesma. Lola corria por entre as suas pernas, latindo. Porém Regina fitou o cais, e parou abruptamente, a cachorra chocou-se contra sua perna e deu um latido esganiçado de dor. Um barco estava atracado, um barco invadira o espaço da ilha e não fora detectado. Discou alguns números.

“David?”

“A remessa de medicamentos e produtos chega amanhã, Regina. Fiz a encomenda e.... “

“Por que não me avisou que temos um invasor?”

“Não temos invasor algum. Eu não tirei os olhos do radar, nada fora do normal.”

“Tem um barco desconhecido atracado bem aqui na minha frente.” Respondeu Regina, fitando sua casa a trezentos metros.

“Regina, todos os sensores foram pessoalmente checados. Não tem como esse barco ter passado invisível por todos eles.”

“Eu estou vendo o maldito barco, Nolan. Ele conseguiu sim. Descubra como. Eu ligo depois caso eu precise daquele saco preto especial para cadáveres.”

Ela caminhou com pressa na direção da casa. Respirava pesadamente. Em outros tempos, teria toda a calma do mundo. Arquitetaria um plano maligno para atormentar os invasores até os mesmos desejarem nunca mais voltar. Mas sua mãe estava lá dentro, e Rosa também. Quando chegou ao muro de contenção, tateou-o até uma alavanca de madeira. Puxou-a. Uma porta abriu-se entre as pedras e ela enfiou-se nela junto com a cachorra.

Há anos não entrava no galpão. Criado exatamente para entrar na casa pelo subsolo, ele possuía sistema de ventilação eficaz. Soltou a cachorra, caminhou até a armário de madeira maciça. Retirou um revólver Thunderbolt, encaixou o cartucho de munição. “Não faça barulho, Lola. Eu volto para pegar você.”

Abriu uma porta que dava acesso à escadaria e entrou ali, fechando-a atrás de si. Quatro lances de escada depois, ela abriu a porta falsa na biblioteca. Não ouviu nada. Caminhando devagar, tentava ouvir qualquer sinal de movimentação. Nada. Quando chegou ao corredor, ouviu a voz de sua mãe, mas distantemente. Onde ela estava? Passou pelo jardim desenhado no formato de uma mandala e pela sala de televisão, não avistou nada. Ouviu o barulho da cadeira sendo arrastada contra o assoalho e concluiu que estavam no andar superior, na cozinha.

Com cuidado, acessou as escadas e ouviu a risada de Cora assim que chegou ao topo. Ela não estava correndo risco. Se ela estava rindo… Ela conhecia o invasor? Regina posicionou a arma atrás de si, escondendo-a. Respirou fundo e entrou na cozinha.

Sua mãe estava sentada à mesa, segurando uma taça de chá e Rosa estava sorridente ao seu lado. Mas ela não se importou. Tudo que ela conseguiu ver foi o par de olhos azuis que capturaram os seus. Ele se levantou no mesmo instante, chamando a atenção das suas senhoras para Regina. Como que hipnotizados, eles permaneceram vidrados no outro; como se um feitiço os envolvesse.

“Regina, querida, não disse que teríamos convidados.” Brincou Cora. Em qualquer outro momento, sua filha teria ficado admirada dela estar em um bom dia e lembrando-se de ter uma filha. Mas não naquele momento.

“Nós não temos.” Sibilou, ainda fitando o homem a sua frente.

Rosalinda percebeu a arma na mão dela. Tocou os ombros de Cora. “Eu esqueci de plantar aquela última leva de girassóis. Venha, vamos logo antes que as raízes endureçam.”

Cora sorriu para ele. “Vou deixar vocês à vontade. Mas fique para jantar. Eu faço…”

“Rosa.” Pediu Regina, impaciente. Todos seus nervos estavam sendo testados e sua mãe precisava sair dali. Logo. A porto riquenha entendeu, puxando sua mãe no sentido da porta.

Minutos se passaram. Minutos que para ela pareceram anos. Minutos que duraram a eternidade. De todas as suas fantasias, nenhuma incluía reencontrar Robin McLocksller dentro da cozinha de sua casa, em sua Ilha particular. Quando tinha certeza de que sua mãe havia desaparecido, puxou a trava da arma; destravando-a. Mirou nele.

“Me dê um bom motivo para não fazer isso.”

“Se me matar agora você nunca saberá a verdade.” Respondeu ele, com calma. Mas ela manteve a arma no ar, e ele não se moveu.

“Como é que conseguiu me achar? Como passou pelos sensores?”

“Meu barco foi feito pela mesma empresa russa que fez os submarinos na Guerra Fria. Não pode ser detectado por radares. É como um bloqueio indefectível.”

“Eu achava que esses submarinos eram um mito.”

“Eles realmente existiram.”

Ela se permitiu respirar com leveza. Caminhou até as proximidades da mesa, fez sinal para que ele sentasse. Preencheu uma de suas canecas com o chá que estava sobre a mesa, mas como que buscando uma distância segura, afastou-se da mesa e encostou-se na borda da pia. Pousou a arma a sua esquerda. Ele estudava seus movimentos; para ele era uma grande batalha vê-la novamente depois de tudo que acontecera e agir com indiferença. Entre a vontade de beija-la e a ciência de que poderia levar um tiro na patela do joelho, preferiu permanecer em repouso e silêncio.

Ela sofria uma crise interna enlouquecedora. Robin estava ali. Vestindo uma camiseta branca, jeans e tênis; parecia sempre bem mais novo assim do que com os ternos elegantes. A barba havia crescido, os cabelos estavam emaranhados. “O que veio fazer aqui, Robin?” Perguntou, agora em um tom que demonstrava calma e amenidade, mascarando o coração acelerado. Mascarando as borboletas que dançavam em seu estômago. “Não temos mais o que conversar. As coisas ficaram bem claras no nosso último encontro.”

“Você não me deixou falar nada. Desapareceu antes que eu tivesse a chance de responder.”

“Eu não esperava respostas.”

“Esse é o problema, Regina. Nós não esperamos por certas coisas, porém elas surgem do mesmo jeito. Então lidamos com elas. Você não me permitiu lidar com nada. Você fugiu de mim.”

Ela riu, amargura queimando em suas artérias, bombeando a sensação quente e dilacerante para seu coração. “Eu fugi de você? Você só pode estar brincando comigo!” Ela o fitou, furiosa. “Você me roubou. Você pegou o meu material e roubou aquela porcaria de tesouro na minha frente junto com a sua namoradinha troféu e eu que fugi? Tinha um avião decolando bem nas suas costas. Não fui eu quem fugi, McLocksller.”

Ele parecia confuso. “Que namoradinha?”

“Não banque o idiota comigo. Você sabe muito bem de quem estou falando. De Eleonora. De você e do Corvo. Juntos, me passando para trás.”

Foi a vez de ele rir, irritando-a ainda mais. “É isso o que você acha? Que eu tenho algo com ela?”

“Eu não acho, eu tenho certeza disso. Eu salvei uma foto de vocês, quando o apartamento estava em chamas. Vocês estavam de férias nas Ilhas Maldivas. Não minta para mim, vai tornar tudo pior.”

Ele a encarava como se ela fosse a criatura mais envolvente na face da terra. Mais encantadora, mesmo estando errada e profundamente furiosa. Esticou o braço e alcançou uma pasta preta. Sobre o olhar vigilante dela, retirou um envelope pardo de seu interior. “Ela não se chama Eleonora. É apenas uma de suas identidades falsas. Um anagrama feito de suas iniciais. O nome dela é Emma Swan.”

Regina não disse nada. Observou quando ele empurrou o envelope para a ponta da mesa, na sua direção. À contragosto, caminhou até a mesa e pegando o envelope, voltou ao seu lugar. Sob o olhar dele, puxou o conteúdo para fora. Dezenas de fotos. Fotos deles crianças. O rosto de ambos não havia se modificado tanto com os anos, os traços firmes não enganavam. As fotos, sempre dos dois juntos e de um terceiro homem, variavam de tempo climático e lugar. Mas algo que não mudava em nenhuma delas era o sentimento. Eles estavam sempre sorrindo. Robin estava sempre com os braços ao redor dela, protegendo-a. Regina sentiu uma pontada contra o seu peito. Ela estava errada sobre eles, o tempo todo. A maneira que eles interagiam em cada foto, quer crianças quer adolescentes, quer quase adultos — nunca era romântica. Parecia fraternal. Assim como aquele homem loiro que vez por outra aparecia nas fotos, abraçado a eles.

“Ela é.... sua irmã?”

“Sim.”

Seus olhos lacrimejaram, mas ela recusou-se a chorar. Ia permanecer firme. Fitou os olhos dele e viu apenas um reflexo do que ela mesma sentia. Tristeza. Saudade.

“Vocês não se parecem.” Falou, desviando o olhar.

“Somos adotivos.”

Regina colocou as fotos de volta no envelope. Sentia suas mãos tremulas mas colocou o mesmo sobre a mesa e empurrou-o para Robin. “O que isso quer dizer? Que você sempre soube quem o Corvo era? Que está nessa com ela? Ainda parece uma grande mentira, McLocksller. Eu quero saber quem é o Corvo. Eu quero saber quem escreveu as cartas. Eu quero um nome.”

“O Corvo, da maneira que você idealiza, não existe.” Ela entreabriu os lábios, pronta para argumentar, mas ele levantou a mão, indicando que ia continuar. “O Corvo existe. Mas não é uma pessoa, nem duas. O Corvo é uma sociedade. Emma, Ruby Lucas, Graham, eu… Somos todos integrantes do Corvo.”

Os olhos cor de chocolate pareceram crescer com o choque da constatação, e ela aproximou-se da mesa. Puxou uma cadeira, e sentou-se, ignorando a nova proximidade entre eles. Ela não disse nada. Não conseguia. Tudo que achava que sabia sobre o Corvo estava se espatifando em cacos aos seus pés, e para tornar a situação mais caótica, era Robin quem estava lhe contando tudo.

“A sociedade Corvo foi criada pelo meu pai. O objetivo da sociedade era retomar patrimônios históricos e culturais que foram roubados de nações pobres para enriquecimento ilícito de nações ricas e desenvolvidas.” Robin respirou fundo e empurrou a pasta na direção dela. “Eu fiz esse dossiê sobre a Corvo. Sei que a minha palavra não significa nada, mas esses são documentos autenticados e reconhecidos, missões nas quais você mesmo participou e pode comprovar a veracidade. Nada que foi roubado foi mantido. Tudo foi devolvido ao povo de origem.”

“Mas Robin… Seu trabalho, a Interpol…”

“Não tinha maneira melhor de despistar a Interpol do que sendo a própria Interpol. Eu fui apresentado à Corvo com dezesseis anos. Desde então, minha vida e de Emma resumiu-se a dar continuidade ao que nosso pai havia começado.”

“Sempre foi você.” Os olhos dela brilhavam com as lágrimas prestes a cair. “Todas as cartas. Todos os presentes. Os bilhetes. Tudo.”

“Sim.” Respondeu ele, fitando o mármore da mesa. A culpa não o deixava encara-la diretamente nos olhos.

“Robin, você não acha que isso é, para dizer o mínimo, decepcionante? Eu achei que quando Robin McLocksller entrou na minha vida, eu entrei na dele. Mas agora você me diz que nós estamos um na vida do outro há quase uma década e só eu que não sabia? Como espera que eu me sinta?” Ela havia começado a chorar. “Eu esperei por você esse tempo todo. Eu acreditei nas promessas que um dia ficaríamos juntos.”

“Eu não estava blefando, Regina. Eu nunca menti sobre isso.” A voz dele soou seria, como se aquele assunto o ofendesse.

“Difícil de acreditar. Você poderia ter dito algo quando eu fui ao seu apartamento. Quando eu me entreguei a você. Você teve oportunidades. Você poderia ter sido honesto e ter feito um jogo limpo, mas você preferiu mentir sobre quem era.”

“Eu estava protegendo você.”

“Mas que bela maneira.” Ela revirou os olhos. Seu coração pesava. Não aguentava mais.

“Você teria feito a mesma coisa.”

“Eu jamais…”

“Faria sim.”

“Você não me conhece.”

Ele riu como se ela tivesse dito algo realmente engraçado. “Eu fiz duas promessas ao meu pai antes dele morrer. Uma delas era finalizar uma lista de dez missões importantes para a integridade da sociedade. E o último item dessa lista era devolver o Tesouro Real Britânico à Índia.”

Regina ergueu uma das sobrancelhas. “E a outra?”

“A outra era proteger a filha de Henry Mills independente do que fosse necessário. E eu cumpri ambas.”

Ela parou de respirar por algum tempo. Quando recobrou os sentidos, ela tirou Robin como se visse um fantasma. “Como você conhece meu pai? Como seu pai conheceu o meu…” E como um raio de sol atravessando uma sala escura, seus pensamentos se conectaram. Lembrou-se do homem que Gold estava procurando. Lembrou-se do que sua mãe falara sobre o acidente. Sobre Archie ser um bom homem, sobre as crianças que ele adotara. Tudo fez sentido.

“Você é filho de Archie Hopper.” Ela sentia-se mais fraca a cada nova informação. Como se o mundo estivesse desabando sobre si. “Minha mãe disse que o corpo dele foi retirado do acidente…”

“Seu pai já estava morto quando chegamos. O meu pai morreu a caminho do hospital.” Robin limpou a garganta, emocionado. “O meu pai chorou pela morte do seu, sabendo que ele próprio estava morrendo. Ele disse que você era tudo para o Sr. Henry e me fez prometer que eu protegeria você. E eu fiz. Eu arrumei para você o seu primeiro emprego. Eu mandei anonimamente os remédios da sua mãe quando você não tinha dinheiro para eles. Eu paguei pelo tratamento dela, eu inclusive quis pagar para a Rosa cuidar dela, mas ela recusou. Eu tentei de todos os modos ajudar você. Eu sabia que através da Corvo você teria dinheiro para cuidar de tudo com autonomia e então providenciei que você fosse convidada. Eu me apaixonei por você como Carmen, eu confesso.” Ela abriu os lábios, mas nenhum som ousou sair. Ele continuou. “Eu queria sair da sociedade para ficarmos juntos. Havia uma última missão e eu não queria desapontar meu pai. Mas você aconteceu. Nós, acontecemos. E eu me vi em um beco sem saída. Você não me perdoaria. Eu precisava cumprir duas promessas que naquele momento se tornaram incompatíveis. E por mais que eu ame você, Regina Mills, meu pai está morto. Essa promessa era tudo que restava. Eu protelei enquanto pude, mas tive que tomar uma decisão. Trair você foi uma maneira de protegê-la. E eu sinto muito…” Ele fitou os próprios pés. “Eu realmente sinto muito.”

Regina sentiu sua cabeça começando a girar. Talvez fosse informação demais. Talvez ela não soubesse mais como se sentir a respeito dele. Robin não a encarava mais. “Robin… Eu.” Ela tentava acessar as palavras, mas esses fugiam de seu alcance. Seu corpo todo doía como se ela tivesse sido atropelada. “Tudo isso é demais para mim. Eu recebi mais informações em meia hora do que na metade da minha vida e eu só consigo sentir vontade de vomitar tamanho o nervoso que sinto.” Ele balançou a cabeça, finalmente fitando os olhos dela. Robin parecia cansado. Envelhecido, desde a hora que eles começaram a conversar.

“Aquele acidente destruiu todos nós. Destruiu Emma, me destruiu, destruiu você. Quem nos tornamos depois dele foi o artifício que encontramos para lidar com a perda e dor que sentimos. Emma não é uma pessoa ruim. Eu fiz muitas coisas ruins na minha vida, Regina, mas a única pela qual me arrependo foi de ter decepcionado você.” Ele se levantou, chamando a atenção dela. “Espero que leia o conteúdo da pasta e entenda melhor tudo o que tentei explicar. Eu sairei da sua ilha ao entardecer.”

“Eu vi a encosta do quadrante norte da ilha. Tem uma tempestade a caminho.” Ela percebeu a referência que fizera e eles trocaram um olhar rápido. “Você vai naufragar se sair hoje.”

“Eu não sou bem-vindo e entendo isso. Não se preocupe. Vou me virar. Você não me deve nada.”

Robin tentou aproximar-se, mas ela imediatamente se afastou. Ele olhou em seus olhos e ela pode sentir que ele estava magoado. Perguntou-se porque havia feito aquilo. Talvez estivesse muito impactada ou sensível e agora ele iria embora achando que ela tinha nojo dele, ou mesmo medo. Ou repulsa. Odiou-se a cada passo dado por ele, distanciando-se no largo corredor. Ouvi-o descer as escadas e minutos depois, lágrimas vieram aos seus olhos.

Não sabia o que sentir sobre a nova realidade que fora apresentada. Não sabia o que fazer. Não sabia explicar porque seu pulso estava acelerado. Todas as suas certezas foram esfareladas bem na frente de seus olhos, exceto por uma: seus sentimentos por ele continuavam os mesmos.

Enlouquecedores e profundos.