Carmen
17 Clerkenwell Rod
Robin encarou o relógio cujo fundo era um pequeno desenho da London Eye. Respirou fundo, fitando o som do café pingando em sua cafeteira elétrica, e o aroma fenomenal ocupou seu olfato. Ele havia ido até um canto intocável da França atrás deste café e não se arrependia em nenhum momento. O melhor grão já cultivado pelo homem.
Seus olhos fitaram a pequena bagunça dela no balcão inferior e um suspiro se fez presente. Era um grande dilema, uma equação totalmente independente de formulas. O que Regina buscava era uma perfeição que nunca havia sido sequer tentada. Passos chamaram a atenção dele e ela entrou em seu campo de visão, os cabelos caindo sobre os ombros cobertos por um moletom esportivo; as pernas apertadas em um jeans de lavagem azul que só o lembravam do quanto ela era atraente.
Ela se debruçou e pegou uma das xícaras na prateleira mais alta, de modo que o moletom subiu e ele pode ver o lampejo de sua pele lúcida e macia. Havia duas prateleiras de xícaras embaixo dessa, era alguma provocação – só podia ser. “Novos compromissos?” Perguntou ele, temendo que ela o cortasse e interrompesse sua tentativa esdruxula de conversação. Mas ela sorriu, iluminando seu rosto e preenchendo sua xícara com café antes de olhar nos olhos dele sorrindo.
“Na verdade, trabalho.”
Ele balançou a cabeça, assentindo. Os olhos amendoados na cor chocolate fitaram os seus e eles permaneceram ali, presos ao momento. Como se houvesse muito a ser dito, mas nenhum dos dois ousasse tomar a iniciativa. Robin terminou sua bebida, mas ficou onde estava – hipnotizado pelo olhar que ela lançava a ele. “Você sabe...” Começou ela, quebrando o vínculo e desviando o olhar para o terno dele. “Você fica bem com esse tom de azul? Quase parece uma pessoa normal.”
Ele riu. “Eu não sou uma pessoa normal?”
“Você é um agente da Interpol.”
“Você pode não acreditar, mas existem humanos trabalhando na Interpol. Humanos bem normais.”
Ela revirou os olhos, parecendo bem-humorada. Ele adorou essa faceta dela. “Se você não me dissesse, eu jamais acreditaria.”
Regina aproximou-se rapidamente e retirou a xícara de suas mãos. “Vai querer mais?”
A pergunta veio com um ar inocente, mas ele não havia entendido com tamanha leveza. Olhando para ela, os cabelos escuros emoldurando seu rosto delicado, os traços firmes, a boca marcada pelo batom rosé – bem, ele queria mais. Ele queria mais dela. Como que lendo os pensamentos que ocupavam a mente do agente, ela riu, e o riso dela – um som doce e contagiante – fez com que ele voltasse à realidade. “Eu estava perguntando do café, McLocksller.”
Ele engoliu a saliva sobressalente, limpando a garganta de modo equivocado e constrangido. Ela ignorou seu mal-estar, levando as xícaras até a pia e lavando-as com cuidado. Virou-se para ele, observando em silêncio. O jogo do silêncio combinava com eles. Depois de algum tempo, ela suspirou. “Escute eu... eu vou atrás do Gold. Você não vai me impedir, Robin. Eu preciso saber quem ele é, porque ele estava atrás da minha mãe. A essa altura, ele pode estar sabendo quem é Regina Mills e isso não me favorece em nada.”
Ele queria dizer a ela que ela estava se colocando em perigo. Que mexer com Gold não era uma boa ideia, nem mesmo para Carmen Sandiego. Ele era um velho sacana que tinha conexões por todos os lados – e considerando que ele a vendera para Baryshnikov, essas conexões não se limitavam apenas ao lado da justiça. Mas ela era uma mulher decidida e determinada, alguém cuja integridade não era facilmente minada e nem sua opinião podia ser moldada. Se ela havia decidido, ele só podia deixa-la ir.
“Tudo bem.” Ela demonstrou sua total surpresa com o olhar incrédulo e os lábios semiabertos. “Mas tome cuidado.”
“Nenhuma objeção? O que aconteceu com você?”
“Aprendi a confiar em você.”
Ela encarou-o, paralisada. Então ele confiava nela. Confiava em sua capacidade e suas habilidades. Seu peito começou a arder e ele sorriu, afastando-se da cozinha e voltando para seu quarto. Regina o seguiu com os olhos atentos, com um sorriso singelo nascendo no canto dos seus lábios. Seu coração batia mais forte e ela se perguntou o que estava acontecendo – mas não podia se permitir. Eles não tinham futuro juntos. Esse era seu mantra, repetido vez por vez a cada vez que ele sorria, ou a encarava com seus olhos profundamente azuis ou passava pelo corredor com aquelas calças caindo sobre o osso do quadril. Mas ele continuava, repetidamente, atingindo-a por baixo de sua defesa. Acertando seu coração com palavras generosas, gentis, palavras de encorajamento e lisonjeio.
Ela fitou o local onde deixara a planta baixa do banco e aproximou-se, seus pensamentos tomados por cálculos e por todas as abordagens que havia listado para uma invasão, embora nenhuma delas fosse segura. Por mais que tentasse pensar, ela parecia cada vez mais longe da solução desse enigma. Respirou fundo e caminhou até a bancada, pegando sua mochila. Colocou-a sobre ombro, pegou seu celular e caminhou até a porta. Ele estava no corredor, de modo que o encontro foi inevitável. “Já está saindo?”
“O que posso dizer? O convívio com um londrino está me afetando mais do que o normal.”
Ele sorriu, e ela piscou para ele, abrindo a porta e fechando a mesma atrás de si. Robin respirou fundo, fitando a porta. Ele sabia que estava errado. Ele estava indo contra todo o plano, ele estava arriscando e sabia exatamente quem o confrontaria por isso. Balançando a cabeça negativamente, ele voltou para seu quarto.
***
Pendurado por correntes de ferro, Sidney Glass sangrava. Ele tinha escoriações por todo seu corpo, e o fato de estar pendurado pelos pés auxiliava o fluxo do sangue no sentido contrário. Ele cuspiu e sangue espalhou-se pelo chão. Segundos depois, o par de botas brancas entrou em seu campo de visão. Ele abriu os olhos com dificuldade, mas em vez dos capangas de barba escura e tatuagens duvidosas, um par de olhos azuis o fitaram.
“Good morning, darling.”
Sua boca estava seca e seu corpo parecia ainda mais pesado. Seus pulmões trabalhavam com dificuldade, mas ele ouviu claramente quando ela dispensou quase todos as pessoas presentes, mantendo apenas um dos rapazes ao lado da porta. The Devil nunca fora exatamente uma estrategista. Era uma ladra exímia, de trabalhos limpos e sem provas. Porém após o casamento com o barão, ela passou a ter recursos e recursos – mesmo estando oficialmente aposentada – lhe rendiam enormes feitos.
“The Devil.”
“Não precisamos de formalidade, Sr. Glass.” Respondeu ela, arrastando uma cadeira pelo sangue no chão e puxando-a para perto dele. Ela sentou-se elegantemente com seu trench-coat branco, a uma distância razoavelmente segura.
“Em que posso ser útil, Victoria?”
“Eu quero que me conte que raios a Baryshnikov quer com Carmen.”
“Sempre protetora, huh.” Brincou ele, mas ela encarou-o com desprezo e ele se calou.
“You see, darling... Podemos fazer isso do jeito fácil ou difícil. Ou você fala, ou vou ter que fazer você falar e isso vai doer um pouco.”
“Eu não sei muito sobre ela.”
Ela fitou suas próprias unhas, entediada. “Vocês estavam em uma fusão, não me faça de tola.”
“Uma fusão não quer dizer muita coisa para uma grande chefe da máfia russa. Eu não tinha acesso a nada pessoal dela. A fusão foi uma fachada para que ela tivesse acesso aos meus funcionários.”
“E porque ela faria isso? O que seus pretty little funcionários tem de tão essencial?”
“Alguns deles conheceram Carmen.”
Era óbvio. Ela raciocinou sobre a pergunta dele, e era um tanto óbvio. O problema era ela não ter pensado nisso antes. Um dos funcionários dele havia traído Carmen e ela precisava encontrar o desertor.
“Quem foi?”
“Victoria, isso...”
“Listen to me, pathetic bitch. Ou você me dá um nome ou vai pagar por isso. Você tem cinco segundos. Cinco, quatro, três...”
“Foi a Úrsula. Úrsula Octopus.”
O mundo colidiu em seu peito naquele pequeno momento. Úrsula havia traído tanto Victoria quanto Regina. Pior do que ter sido enganada pela mulher com a qual ela havia passado inúmeras noites tórridas, era ter a consciência de que fora Victoria que as aproximara. Victoria que fora a ponte entre as duas, que as levou para o pub, que as apresentou. Arrependimento brotou em seu tórax, assim como a ardência da vingança. Da raiva de ter sido usada.
“Por que Baryshnikov quer matar Carmen? Por que todo esse esforço?”
“Ela não pretendia matar Carmen. O que eu entendi, entre suas conversas em russo e polonês, era que Carmen seria usada como moeda de troca ou como isca.”
“Isca para o Corvo.” Concluiu a loira em voz alta. “Muito bem, Sr. Glass.” Ela levantou-se e aproximou-se dele, com cuidado pegou uma das palmatórias – sua preferida, com os pequenos pregos na ponta e bateu com força contra o tórax do homem. “Isso foi por Carmen. Mas não se preocupe, você irá sobreviver. Eles irão soltá-lo desde que mantenha a boca fechada. Se eu souber que falou sobre mim ou o que aconteceu aqui, você vai ser lembrado como o homem sem língua encontrado em um barril incendiado no meio do rio Tâmisa. Entendido?”
Ele balançou a cabeça, confirmando com desespero. Ela sorriu, diabolicamente. “E outra coisa. Procure uma substituta para a senhorita Octopus. Ela é uma mulher morta.”
***
Regina escolheu um apartamento com a vista perfeita das vidraças do esquadrão de atividades da Interpol. O dono do apartamento – um francês que trabalhava em um barco e que muitas vezes passava semanas fora não lhe daria problemas enquanto não aparecesse. Com seu binóculo Coleman Silhouette, ela aproximou-se da vidraça e fitou o prédio em frente. Algumas janelas eram apenas homens brancos com seus ternos asseados de agentes, com rostos entediados e sérios. Subiu um patamar. Havia movimento e muitos computadores. Fitou o rosto conhecido de Killian Jones, o homem que havia substituído Robin. Ele era definitivamente atraente, mas pela maneira que os outros agentes reviraram os olhos às suas costas ela pode dizer que a beleza não se estendia ao caráter.
Não tivera tempo de colocar microfones no prédio, mas não voltaria para casa com as mãos abanando. Havia um rastreador no carro de Gold, e ela o rastrearia por toda a europa se fosse preciso. Ergueu os olhos e fitou a janela dele.
Uma moça ruiva, bonita, saia plissada – eles podiam usar saia plissada na Interpol, uma boa notícia – sorria com doçura para o velho e Regina perguntava-se o que aquela moça estava fazendo. Ele lia papéis e gritava com alguns homens que entravam em sua sala, mas tratava a garota com educação e cuidado. Seu estomago revirou quando ele escorregou a mão para a nuca dela e lhe puxou para um beijo. Seu estomago reclamou da visão e ela sentiu-se temporariamente enojada. Ele poderia ser inclusive o avô dela. Ela abriu o banco de dados da Interpol no notebook ao seu lado e vasculhou as fotos. Belle French. Anotou o nome no bloco de notas de seu celular.
Voltou a sua vigilância, e então o viu. De frente para a quarta janela do terceiro andar, estava ele. Olhando para a rua abaixo deles com distanciamento, como se pensamentos o absorvessem. Ele estava lindo. Havia tirado a parte de cima de seu terno revelando a camisa social azul que contornava seus braços fazendo-os parecer ainda mais fortes e musculosos. Um colete azul marinho estava atado ao seu corpo. Robin era um homem muito bonito e olhá-lo só lhe dava ainda mais vontade de... Foco, repetiu ela. Foco no trabalho. Mas seus olhos não a obedeceram. Ela continuou encarando até que ele voltou para o interior da sala e afastou-se da sua vista, obrigando-a a voltar para suas atividades. Quando Regina tornou a focar a sala de Gold, ele não estava lá. Ela vasculhou andar por andar, mas não o encontrou. Ele poderia ter levado Belle ao banheiro, mas ela quis apagar essa hipótese de sua mente. Um som de bipe a fez despertar. Ele estava saindo.
Sem pressa, ela recolheu suas coisas e enfiou-as na mochila, enquanto discava alguns números. Uma voz masculina a atendeu.
“Ballard.”
“Jake, sou eu.”
Segundos se passaram antes de ele sorrir de uma maneira tão genuína que ela quase pode ouvir do seu lado da linha. “Carmen Sandiego! Quem diria... É como ver um morto ressurgindo das cinzas.”
“É o que se diz da fênix.” Brincou ela.
“No que posso ser útil, baby?”
“Eu preciso que você me monte um dossiê sobre Eugene Gold.”
“O da Interpol?” A voz dele não mostrava nenhuma mínima mudança e era disso que ela mais gostava. Ele não fazia perguntas impertinentes, somente as necessárias para fazer o trabalho. Nada mais do que isso.
“Sim. Inclua Belle French.”
“Certo.” Ele riu, antes de um breve momento de silêncio. “Está mexendo com os grandes, Carmen.”
“Eu sei. Mas acredite, eles mexeram comigo primeiro. Quando tenho uma resposta?”
“Nos encontramos no Draughts. Fica em North East. 20h.”
“Estarei lá.”
Ela estava descendo as escadas da saída de emergência, os olhos fixos no ponto móvel que ela rastreava e o ouvido grudado no telefone. “Foi bom ouvir sua voz novamente, Carmen.”
“Digo o mesmo, Ballard. Mande um oi para Olívia.”
***
Regina seguiu seu trajeto até Clerkenwell Rod. Suas pistas terminavam na A5201, em frente a uma banca de jornal que ficava na esquina desta rua com St Johns Square. Ela entrou na St John e estacionou o carro, seguindo a pé. Fitou as bicicletas estacionadas na calçada perpendicular à banca e continuou andando. Havia um pequeno bistrô chamado The Bear, mas ela deu apenas uma pequena olhada de fora e não observou muito movimento; e de acordo com o garçom, ninguém com aquela descrição havia passado por ali.
Do outro lado da rua, havia uma exibição de trabalhos artesanais. Um prédio cinza, de arquitetura rústica e bem restaurada, porém nada que lhe fosse proveitoso. Confusa, voltou para a Clerkenwell Rod e caminhou no sentido oposto ao da banca de jornal. Ao chegar em frente do The Fourteenth Colonie, ela o avistou. Sentado em uma das mesas próximas ao balcão, conversando com um homem caucasiano, cabelos escuros e lisos, vestindo jeans e camiseta. Eles não estavam bebendo nada, de modo que ela calculou que era um encontro rápido. O homem o ouvia atentamente.
Regina olhou em volta e elaborou um plano rápido. A duas casas havia uma pequena mercearia. Ela caminhou na direção do empreendimento e entrou, sorrindo para a atendente e pedindo um suco. Atenta, manteve os olhos na rua. Perguntou-se o que um homem como Gold fazia ali, negociando com um cara que com certeza nada tinha a ver com a polícia internacional ou mesmo a nacional.
Ela bebeu dois copos de suco, e nada havia acontecido. Conversou um pouco com a atendente – seu nome era Greta, ela tinha dois filhos adoráveis e morava em Fareham. Um tanto longe, mas trabalho é trabalho e ela tinha filhos a sustentar. Seu ponto vermelho passou a se mover no celular e Regina deixou um punhado de notas para Greta. “Obrigada!” Gritou, já na rua.
Olhou ao redor com atenção. O rapaz de jeans e camiseta ia no sentido contrário. Ela passou a caminhar rapidamente, desviando das pessoas e recebendo olhares de reprovação enquanto se aproximava dele. Ele não parecia apressado, na verdade estava caminhando despreocupado. Quando ela colocou a mão sobre seu ombro e o empurrou para um canto, ele apenas a observou assustado – como se nunca tivesse sido abordado.
“Moça acho que você me confundiu com alguém.”
“O que Gold queria com você?” Perguntou ela, segurando-o contra a parede. O rosto dele passou de assustado a confuso.
“Quem é Gold?”
Ela achou que poderia ser um disfarce. Mas se ele estivesse escondendo algo, já teria a empurrado e corrido. Este cara estava pronto para qualquer outra coisa, mas não para correr. Ele sequer havia desencostado da parede. “Aquele homem com quem estava no Fourteenth.”
“Ele se chama Gold? Ele disse que o nome dele era Rumple. Mas que diabos de nome é Rumple. Eu devia ter desconfiado.”
“E o que ele queria?”
“Por que isso é importante?”
Ela se aproximou ainda mais dele, encostando seus corpos e colocando uma das mãos na parede – ao lado do rosto dele. Qualquer um que passasse pela rua apenas os condenaria por serem dois namorados apaixonados demais.
“Eu não estou com paciência para rodeios. Ou você fala logo o que ele queria, ou vou enfiar uma arma de choque no seu pênis e queimar todos os seus futuros descendentes até daqui trinta anos. O que vai ser?”
“Ele queria que eu pesquisasse uma pessoa para ele.”
“Por que escolheu você? Você é pesquisador, é policial, é investigador particular?”
“Eu trabalho com informática, moça. Eu fui fichado pela polícia por hackear o computador da Fifa e do Banco Legalité em Paris. Ele disse que se eu o ajudasse eles limpariam a minha ficha.”
“Quem ele pediu para você investigar?”
“Um homem chamado Archie Hopper.” Regina não identificou o nome, lhe era completamente anônimo. Por que Gold estaria atrás desse homem? Para quê? O rapaz continuou. “Ele me disse que esse cara Archie limpou seus rastros e para achar qualquer coisa precisaria ser uma pessoa capaz de quebrar firewalls e descriptografar a deep web.”
Ela soltou o rapaz, mas este permaneceu à sua frente encarando-a. “Qu’est que c’est?”
“Eu devo fazer a pesquisa ou...” Ele parecia genuinamente confuso.
Ela sorriu. “Sim... Como é seu nome mesmo? Não me fale, mostre sua identidade para eu saber que não é uma mentira.” O rapaz ergueu o documento rapidamente. “Sr. Miguel Calasabas. Faça a pesquisa, entregue para ele, siga o que vocês combinaram. Mas esqueça que isso aconteceu. Esqueça que abordei você. Que fiz perguntas. Finja que nada aconteceu e você não saberá qual a intensidade da arma de choque. Bonne journée, monsieur.”
Ele afastou-se e não olhou para trás. Sentindo um cansaço gigantesco pesar sobre os seus ombros, ela decidiu que tinha tempo para uma massagem relaxante antes de se encontrar com Jake.
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