Carmen

11 Adele.


Chovia muito. Robin olhou através das persianas de seu apartamento e respirou fundo, pensando onde ela poderia estar. Balançou a cabeça negativamente, tentando afastar seus pensamentos. Não podia mais pensar em Carmen. Já havia feito concessões inimagináveis por ela.

Foi até a sua mesa. Ele vestia apenas um moletom e estava sem camiseta, descalço e com uma long beer nas mãos. Sequer se lembrava da última vez que se permitira uma folga, porém fora estritamente preciso. Ninguém indagara nada sobre a fuga de Carmen, era óbvio que o Corvo havia se movimentado e a resgatado de um batalhão italiano sem nenhuma segurança prioritária. Meia dúzia de relatórios encerraram aquela operação e nenhum sub-inspetor se deu ao trabalho de avaliar o que fora feito. Como sempre.

Remexeu nos papéis que necessitavam de preenchimento, mas a chuva lá fora parecia aumentar e isso lhe desconcentrou. Caminhou até o aparelho estéreo no canto da sala, tentando se recordar da última vez que ouvira alguma melodia diferente do som das escutas policiais e interrogatórios. Ela estava certa. Era uma vida vazia e infeliz.

Mexeu em alguns encartes e retirou um da Adele. Não se lembrava se havia comprado ou se ganhara de presente, mas era irreverente. Colocou-o para tocar e fechou os olhos quando a voz da britânica preencheu o ambiente de maneira suave. Bebericou sua cerveja ouvindo a chuva lá fora, ao mesmo tempo que cantarolava com a artista.

A campainha tocou e Robin arqueou uma sobrancelha. Não esperava ninguém. Tampouco o porteiro havia lhe telefonado avisando, o que era bastante estranho. Colocou a cerveja sobre a mesa de centro e empunhou sua Glock, afastando-se da linha de tiro da porta. Veio pela lateral e com cuidado, girou a chave na fechadura. Nenhum sinal. Desativou um dos trincos mas manteve a corrente, certificando-se de que abrira uma brecha pequena.

"Regina?" Questionou ele incrédulo quando a viu. Dois segundos depois, ele livrou-se das outras trancas e abriu a porta, encarando a mulher ensopada do outro lado do corredor. Regina usava a mesma roupa com a qual ele a deixara no aeroporto, com a diferença de que ela estava completamente encharcada, os cabelos grudados ao pescoço e ao rosto, os lábios arroxeados de frio. Por um milésimo de segundo, ele sentiu pânico. Depois desespero e por fim, um turbilhão de dúvidas.

Ela estava tremendo, os lábios crepitavam de frio, e ela olhou para a arma em sua mão. Seus olhos deslizaram pelo abdômen definido, as linhas do quadril subindo transversalmente ao elástico da calça de moletom. Ele capturou o olhar dela sobre si e devolveu, e por algum tempo eles ficaram ali, incertos do que estavam fazendo. "O que está fazendo aqui?" Questionou ele, e ela mordeu o lábio inferior, como que pensando no que responder.

Mas a resposta nunca veio. Regina deu um passo à frente e se jogou sobre ele, a boca macia encaixou-se na dele e os dedos dela viajaram para o seu cabelo e pescoço. Robin estava estático, os braços inertes enquanto o seu cérebro tentava aceitar o que estava acontecendo, a maciez daqueles lábios e o calor que emanara deles. Regina suspirou quando precisou de ar e afastou-se alguns centímetros, encarando profundamente os olhos verdes. Ela não sabia o que estava fazendo ali. Ele também não. Levou segundos para que Robin enfiasse os dedos entre os cabelos dela, trazendo a boca dela para a sua, a língua tocando a dela, sugando, brincando de pressão e soltura dentro de sua boca.

Ele a empurrou contra a parede e uma das suas pernas encaixou-se entre as dela; Regina embalou o quadril dele com uma das pernas enquanto eles continuavam aquela dança sensual; um prelúdio do que ambos sabiam ser inadiável. Ela tinha as unhas na base de seu quadril, ditando um ritmo para o movimento que a pélvis dele fazia ao encaixar na sua e Robin mordeu a base de seu pescoço quando seus dedos a tocaram por baixo da fina regata e ela gemeu. Com cuidado ele retirou a veste molhada e jogou no chão, voltando a segurá-la pelo maxilar e reiniciando mais uma sessão de beijos intensos e gostosos. Ele não parecia ter pressa alguma; como uma criança provando um doce almejado há muito e muito tempo ele entendia o quanto era imperial dedicar-se com total devoção, ela estava ali em seus braços e aquela poderia ser sua única chance.

Ela continuava o apertando entre a sua perna e a sua pélvis, as unhas mantendo o quadril dele em um delicioso movimento enquanto ela o beijava, e era beijada, e a cada carícia que ele fazia em sua boca com a língua ela gemia alto, a mente ocupada em imaginá-lo usando a língua em outros lugares. Aquilo era diferente do que ela estava acostumada; transas cheias de tesão com homens que ela não conhecia tinham a sua pitada de sensualidade mas ela desejava aquele homem e ele a desejava, e apenas essa reciprocidade era suficiente para incendiar cada segundo que passavam mergulhados no calor do outro.

Robin segurou-a pelo pescoço e ela fechou os olhos, a boca dele deslizou para a orelha dela onde ele deslizou a língua e mordiscou; soprou levemente e voltou a lamber ali, as pernas dela cederam e ela sentiu as mãos másculas e forte ao redor de suas nádegas posicionando-a na parede; cruzou as pernas na altura do quadril dele e deixou que suas unhas avaliassem a musculatura firme das suas costas, arranhando enquanto ele continuava mordendo e deslizando a língua pela sua orelha de maneira sensual.

As mãos dele pareciam enormes contra a sua cintura, apertando-a, empurrando contra a parede enquanto seus quadris chocavam-se sensualmente ao dela. Suas bocas haviam encontrado um caminho de volta uma à outra, lábios eram mordidos, línguas eram chupadas, os dentes dela deslizando pelo resquício de barba que restava no rosto do agente, era vicioso, o gosto e a fome, a necessidade urgente de morder e beijar, de lamber e voltar a beijar. Regina enfiou as unhas na carne dele quando sentiu a boca dele sobre a sua jugular, algo a respeito da maneira como ele fazia círculos na sua pele e a marcava com os dentes, algo a respeito como ele intensificou o movimento do quadril, mas ela sentia uma sublime necessidade de implorar por mais.

Ela soltou o quadril dele, colocando os pés no chão com cuidado. Robin afastou-se, permanecendo na frente dela e aprisionando-a entre a parede e ele sem encostar em seu corpo. Ele a observava com adoração enquanto ela puxava o jeans para baixo das suas pernas com certa dificuldade, o pesado tecido era ainda mais justo molhado e raspou sua pele ao ser descartado. Seus tênis haviam se perdido em algum lugar mas Regina não estava preocupada. Ela o fitou e ele mordeu o lábio inferior antes de atacá-la novamente, as mãos deslizando pela cintura dela, os dedos fazendo uma pressão gostosa enquanto ele a sentia gemer na sua boca, de uma maneira que fazia o volume em sua cueca dobrar de tamanho.

As unhas dela brincavam com o elástico do moletom, e ele mordeu o pescoço dela com um pouco mais de força quando sentiu que ela havia deslizado as mãos por dentro da sua boxer, cravando as unhas na pele da sua bunda. "Regina." Gemeu ele, e ela sorriu contra a sua boca de modo que ele sentiu quando os lábios carnudos se curvaram. Ele espalmou as mãos contra as nádegas dela e apertou, os dedos apoderando-se da carne e ele a puxou para o seu colo. Caminhou até o balcão e sentou-a ali, encaixando-se entre as coxas torneadas. Ela o puxou para si, cruzando as pernas na altura do seu quadril e sua boca alcançou o pescoço dele; Robin segurou no balcão com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos, a língua dela fazia círculos sobre a sua pele e vez por outra ele sentia o toque sensual dos dentes dela provocando, marcando a pele com malícia.

Palavras talvez fossem necessárias, mas nenhum dos dois saberia o que dizer. Como um incêndio descontrolado, eles queimavam um pelo outro, e quanto mais ardia, mais delicioso era. Ele queria dizer a ela o quanto a desejava, mas talvez ela já soubesse — provavelmente através dos grunhidos que emanavam dele sempre que ela mordia a pele do seu tórax. Robin deslizou o polegar pela linha da espinha dela e assistiu atencioso quando ela fechou os olhos e sorriu; ele deslizou o sutiã preto com cuidado pelo corpo delicado, os dedos acariciando a pele enquanto ele deixava a peça cair com suavidade sobre o chão.

Ela aumentou a pressão das suas pernas ao redor dele quando sentiu as mãos de Robin sobre os seus seios; ele rapidamente os massageou com as mãos fartas, apertando, deslizando sobre a pele, o polegar circulando a auréola antes de ele os mamilos usando o polegar e o indicador. Os gemidos dela, suaves, eram um afrodisíaco poderoso e intoxicante — quanto mais ele ouvia, mais ele queria que ela gemesse. Ele fechou a mão ao redor do seio esquerdo e o levou à boca; no segundo em que seus lábios se fecharam ao redor da área sensível, ela fechou as pernas com força e gemeu profundamente — mon dieu– fazendo-o sorrir. Abocanhou-a com tesão e brincou com o mamilo dentro da sua boca, a língua circulava e lambuzava, fechou os dentes sobre o pequeno ponto de prazer antes de voltar a sugá-lo. Ela estava entregue — a cabeça caída para trás, tombada sobre os ombros, o pescoço vulnerável, os braços apoiados no balcão tentando achar algum ponto de apoio em meio à nuvem de prazer libertino que a abraçava naquele momento. Ele era muito habilidoso com a língua e isso a deixava irremediavelmente inquieta. Ele mordia a pele de seus seios com devoção, lambia a linha entre seus seios e então voltava a mordiscar seus mamilos até o limite do seu prazer.

Ela puxou-o pelos cabelos para a sua boca e o beijou, sua boca encaixada na dele com familiaridade enquanto ela chupava a língua dele para dentro da sua; Robin desceu as mãos para o quadril dela e apertou contra si enquanto começava movimentos lentos, roçando sua ereção contra a calcinha fina. O beijo se transformou em mordidas, ele segurava-a pelos cabelos assim como ela puxava desesperadamente seus fios loiros. Ele percebeu o quanto ela gostava toda vez que seus dentes afundavam na carne dela, algo a respeito de ser dominada por ele e ele não podia sentir-se menos privilegiado. “Eu não deveria estar aqui, McLocksller.” Gemeu ela, e ele chupou seu pescoço, os dedos subiram e desceram pelas costas dela antes dele segurá-la pela nuca e alinhar seus olhos, de modo que ela estava a alguns centímetros dele apenas.

“É o último lugar na terra onde irão procurá-la.” Ele mordeu o lábio inferior dela e roçou seu nariz com os lábios. Beijou-a com vontade e sentiu-a relaxar em seus braços, ele deslizou a mão para os cabelos úmidos e encostou a boca na orelha dela, causando-lhe arrepios. "Eu sei o que você está pensando. Sobre quem nós somos, sobre estarmos nos lados opostos da mesma moeda, sobre o quanto isso é errado. Não faça isso. Eu quero você e não quero parar. Se você quer classificar esse momento como um erro, fique à vontade — mas de todos os erros que eu já cometi, nunca antes pareceu tão certo."

Ele mordeu o lóbulo da orelha dela e ela gemeu, apertando-o contra si e concedendo o aval que ele precisava. Robin deitou-a no balcão e beijou seu abdômen, segurando alguns pedaços de pele com os dentes enquanto acariciava suas coxas. Ele abriu as pernas dela com cuidado e colocou um dos seus pés sobre o ombro dele, abaixou-se e acariciou-a com a língua por cima do fino tecido de renda vazada, abocanhando-a por cima do tecido. Ela arqueou a coluna sobre o balcão quando ele brincou com a língua, provocando-a com a ponta ao redor do clitóris. "Robin..." Gemeu ela, as unhas arranhando o balcão; ele sorriu, enfiou os polegares por dentro da costura e deslizou a peça para fora das pernas macias. Ele rapidamente abriu as pernas dela, escancarando-a sem obter nenhuma resistência, e com apenas um movimento debruçou-se e deslizou a língua ao redor da entrada de seu sexo. Sentiu o gemido dela reverberando através da pele e continuou, deslizando lenta e preguiçosamente em cada dobra, os lábios dele roçando na sensibilidade dela; os dentes mordiscando a pele hipersensibilizada enquanto a língua dele acompanhava o movimento. Sorriu quando sentiu que ela começou a movimentar o quadril quase que imperceptivelmente, fincou os dedos na pélvis dela e a manteve sob o seu comando; a língua dele era imperativa, subia e descia, vez por outra ele forçava a penetração e a sentia grunhir de prazer. Os lábios dela variavam entre vermelho e vinho, tamanha a força que ela mesma os mordia tentando abafar os gemidos profundos armazenados no fundo da sua garganta.

Ele usava a boca toda, abocanhando-a com destreza e beijando-a, a língua tomando posse, em círculos sem direção, pressionando e soltando a pele sensível ao redor da entrada dela. Robin apertou os dedos e passou a penetrá-la com a ponta da língua, imitando os movimentos que ele almejava desesperadamente realizar com seu próprio membro. Carajo– ela havia mudado o idioma dos gemidos e ele sorriu, continuando a sugar aquele vale com toda a devoção que já reunira em seu sistema. Ela enlaçou os cabelos dele com os dedos e puxou com força enquanto rebolava agora mais incisiva contra os lábios dele e ele percebeu que ela não ia aguentar muito. Intensificou os movimentos da língua, notando a musculatura dela tensionar e a coluna formar um belo arco — dejame vir, Robin– e só parou quando sentiu o corpo dela colapsando em micro espasmos de prazer, a cabeça dele latejando devido a força com que ela puxara seus cabelos.

O tórax dela ainda movimentava-se com um ritmo acelerado, o processo de relaxamento e absorção do orgasmo ocorrendo em suas estranhas quando ela suspirou ao sentir a língua dele tocando-a de forma familiar. Ela suspirou rouca; o corpo já trabalhava de modo a acompanhar essa nova onda de prazer, um formigamento quase imperceptível. Ele mordeu a parte interna de sua coxa e seus dedos deslizaram por ali, massageando a pele entre os grandes lábios, esfregando o polegar, percorrendo cada dobra na companhia de sua língua. Sentiu os dedos dela acariciando seu cabelo e continuou, vez por outra deslizando os dedos em sua entrada como uma silenciosa provocação. Brincou com o clitóris usando o polegar, tocando e soltando em intervalos pequenos; Regina se contorcia na bancada, ansiosa. "McLocksller." Exigiu ela com voz de comando.

Ele gentilmente aceitou o pedido não verbal e deslizou dois dedos para dentro dela. Um oh silencioso escapou dos lábios dela e ele continuou, movimentando-os de forma calma e contínua. Ela estava excitada, muito excitada para ser específico, de um modo que seus dedos escorregavam para dentro dela com facilidade. "Você é tão maravilhosa." Afirmou ele, a voz carregada de luxúria e desejo, controlada pelo turbilhão de prazeres que os cercava. Sentiu o movimento que ela fazia com o quadril e retirou os dedos apenas para trocar de mão; voltou a penetrá-la com três dedos, a palma para cima. Podia vê-la rebolando contra a sua mão e nunca em sua vida vira algo tão esplêndido. Ela mordia os lábios, gemidos abafados escapavam por entre seus dentes perfeitos — e ele sabia que também não aguentaria muito. Aumentou a força e a velocidade dos seus dedos e sentiu rapidamente a tensão formando-se no interior dela, a onda de prazer formando-se à beira do precipício carnal; suas pernas estremeciam e ela gemia cada vez mais alto — madre de dio, don't stop– e ele finalmente parou, frustrando-a. Ela abriu os olhos e tentou fechar as pernas, uma solução para o orgasmo queimando suas partes íntimas e implorando para ser libertado.

Robin impediu-a, mantendo-a aberta. Ele a observou por alguns segundos, tão bonita e vulnerável sob o balcão, os cabelos espalhados e o belo corpo ofegante. Debruçou-se e voltou a lamber sua entrada; sem aviso, deslizou a língua pelo períneo anal dela e forçou a penetração ali. O ato inesperado em uma área de tanta sensibilidade criou uma ignição e todo o corpo dela explodiu em um solavanco de prazer, fazendo-a bater a cabeça no balcão e gritar o nome dele.

***

Robin pegou-a no colo e a levou para a cama. A deitou com cuidado, depositando-a sobre o lençol macio. Regina respirava pesadamente e ele deitou-se ao seu lado, cobrindo-a com o lençol. Ela o encarou em silêncio e ele retribuiu o olhar, o silêncio se expandindo entre eles por minutos. Finalmente, ela sorriu. “Me desculpe.”

“Não há nada a ser desculpado, Regina.”

Ela o fitou e então estendeu o braço, deslizando a costa dos dedos pelo rosto dele. “Por ter usado você.”

“Você fez seu trabalho.”

“Eu não estou aqui a trabalho, se é o que está pensando.” Ela mordeu o lábio. “Eu… Eu não consegui parar de pensar no que aconteceu na Itália. Você poderia ir pra cadeia por me ajudar e você sabe disso. Por quê você fez aquilo?”

“Eu disse que não sabia.” Respondeu ele com um sorriso, e ela achou incrivelmente sedutor vê-lo deitado assim com o rosto apoiado em sua mão. “Você está com fome?” Ela fitou-o e ele ergueu as sobrancelhas, esperando a resposta.

“Um pouco.”

“Vem, vou fazer uma pizza. A gente aproveita e coloca suas roupas na centrífuga.”

Ela ergueu o lençol, certificando-se de estar nua e ele sorriu. “Eu não tenho roupas femininas aqui, mas eu vou na frente e você escolhe algo no meu closet. Te encontro na cozinha.”

Regina observou-o saindo e se perguntou o que estava fazendo. Não podia negar que estava enlouquecida pelo que havia acontecido entre os dois e não se arrependia de nada, nenhum segundo. Ele havia feito muito por ela, muito mais do que qualquer outro e se tinha alguém que conquistara sua confiança, era aquele homem. Levantou-se e entrou pela porta do closet, observando as roupas perfeitamente asseadas e penduradas. Escolheu uma camisa social branca e enrolou o cabelo em um coque, se dirigindo à cozinha.

“Essa camisa ficou muito melhor em você do que em mim.” Constatou ele e ela ruborizou, sentindo-se juvenil ao fazer isso. Regina sentou-se à bancada e ele virou-se para o pequeno forno, colocando a pizza na gaveta metálica e empurrando-a para dentro. “Você voltou à trabalho?”

Ela fitou-o por algum tempo com o rosto impassível. “Eu voltei para falar com você. Eu não sabia que ía acabar acontecendo…” Ela sorriu para ele com uma malícia quase imperceptível. “Algo a mais.”

“Entendo.” Ele balançou a cabeça afirmativamente. Caminhou até a entrada e pegou as roupas dela do chão, erguendo o sutien com delicadeza e colocando-o sobre o ombro com um sorriso que não passou despercebido por ela. “Vou colocar as roupas na máquina.”

Robin caminhou até a área de serviço depois da cozinha, estendo a roupa dentro do equipamento. Segundos depois ela chegou, e ficou recostada no batente observando-o manusear aquele maquinário. “Você não deveria ter voltado, todos estão atrás de você. Inclusive Baryshnikov.”

“Eu não posso ir embora. Você está lavando a minha roupa.” Respondeu ela com um sorriso enorme. Robin terminou de arrumar as roupas dentro da centrífuga e virou-se para ela. “Aliás, acho que você deveria lavar esta camisa também.” Desabotoou cada botão lentamente, sob o olhar atento dele. Robin engoliu em seco quando ela terminou e ele pode ver a total nudez por baixo do tecido; ela retirou a peça e jogou nas mãos dele, que pegou a peça no ar.

“Pronto. Acho que vou embora assim.” Provocou ela. “O que você acha?”

“Acho que você não vai a lugar algum.” Disse ele, jogando a peça no chão e caminhando apressado até ela. Prensou-a no batente, apertando-a contra seu corpo enquanto a beijava com força, sua boca contra a dela num libidinoso beijo. Ela enlaçou seu pescoço, os dedos brincando em seus cabelos loiros enquanto subia as pernas e as cruzou ao redor da cintura dele, suspendendo seu corpo do chão. Quando Robin mordeu seu pescoço e ela sentiu as mãos dele percorrendo a parte inferior de suas coxas, ela segurou o rosto dele. “A pizza... “ Sorriu, lembrando-o de que ele não podia se distrair por tanto tempo.

“Teremos que ser rápidos então.” Respondeu ele, e ela soltou a cintura, mas Robin ergueu apenas uma de suas pernas e voltou a beijá-la. Regina gemeu em sua boca quando sentiu dois dedos a invadindo; ela cravou as unhas no ombro dele e apoiou a cabeça contra ele.

“Robin… Damn it” Sussurrou, sentindo-o movimentar seus dedos; uma força gostosa e crescente dentro dela, preenchendo-a, instigando-a. Ele parecia conhecer cada terminação do seu corpo, pois havia algo na curvatura alcançada pelos dedos grossos que deveria estar alinhado ao ponto máximo de seu prazer — cada investida era tão prazerosa que parecia um impacto de alta pressão contra seu sistema nervoso. Não demorou muito para que ela começasse a rebolar contra os seus dedos e o sentisse usar ainda mais velocidade, ela mordeu o ombro dele e ele segurou a perna dela que estava levantada com mais força, até que sentiu-a bater a cabeça contra o batente da porta atrás de si e suas pernas amolecerem no mesmo ritmo dos espasmos causados pelo ápice de prazer atingido. “Você é muito bom nisso.” Sussurrou com a voz crepitada pela respiração descontrolada. A campainha do forno tocou segundos depois e ela apoiou-se nele para caminhar até à cozinha.

***

Já era tarde da noite quando eles resolveram sentar no sofá e assistir qualquer coisa. Mas eles não conseguiram. Tudo o que conseguiam era olhar um para o outro, cercados de suas curiosidades, de suas dúvidas, do fascínio daquele momento. Robin segurava sua long beer e observava a mulher com uma taça de vinho à sua frente.

“O que vai acontecer se o Corvo descobrir o que aconteceu entre nós? Você não se preocupa de ele tentar alguma represália?"

Ela ergueu os olhos em alerta mas sua expressão logo suavizou. Bebericou mais um pouco de vinho antes de responder. “No momento a opinião dele não me importa. Não quando eu fiquei a ponto de perder tudo. Eu não deveria estar aqui. Eu não deveria ter me envolvido, Robin.” Ela olhou para a lareira onde algumas toras queimavam. “Mas estou aqui por que eu quero. E eu quero você. Eu quis você desde aquele baile.”

Eles trocaram um olhar carregado e ele sorriu. “Eu quis você desde que te conheci como Carmen.” Confessou, e ela levantou-se, caminhando até o sofá onde ele estava e sentando no colo dele; suas unhas passaram a acariciar o rosto másculo com carinho. “Eu disse que não sabia o porque de ter deixado você escapar, mas eu menti.” Ela puxou o rosto dele e fez com que ele olhasse em seus olhos. Robin segurou-a pela nuca. “Eu…” Ela sorriu. “Eu…”

Regina colocou o indicador sobre os lábios dele, silenciando-o. “Eu sei.” Ela beijou os lábios dele com carinho. “Me leve pra sua cama. Eu quero sentir você dentro de mim.”