Cape May
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Personagens totalmente originais e apaixonantes.
Plágio é feio, hein pessoal.
Localizada nos Estados Unidos, no estado de Arizona, havia uma pequena cidade chamada Phoenix. Inundada pelo sol em qualquer época do ano, Phoenix abrigava apenas 5000 habitantes e a maior biodiversidade dos Estados Unidos.
Mission Charter School era a única escola da região, que como a maioria dos estabelecimentos se encontrava na rodovia principal. Era formada por um conjunto de prédios iguais de tijolos marrons e muitas janelas. À esquerda da entrada principal era o estacionamento e à direita podia-se observar um imenso gramado.
A instituição agregava aproximadamente 600 alunos que eram responsáveis por toda a agitação local, que se intensificava no verão. Esta época do ano trazia as festas na piscina, o bronzeamento artificial, novos biquínis e é claro, o grande acampamento para os formandos da escola, que provocava grandes confusões. Já havia se tornado uma tradição que os alunos do último ano organizassem uma viagem de despedida de vinte dias para Cape May, o renomeado acampamento da região.
Nesta sexta-feira, ao andar pelos largos corredores da escola, ouvia-se apenas os gritos de excitação dos adolescentes, já que faltava apenas um final de semana para o grande dia. Seria na segunda, as seis da manha, que o ônibus partiria.
–AAAAAALEX! VEM AQUI AGORA. ALEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEX!
– O que foi menina?! – disse Alex, se aproximando da mesa do pátio do colégio, onde sua melhor amiga se encontrava.
– Vem logo, não percebeu que eu to te chamando não?!
– Kat, acho que todo mundo percebeu.
– HÁ! Agora ouve, sabe o que eu soube? Adivinha quem vai com a gente na viagem?!
– Quem?
– Adivinha.
– Fala logo, filhote.
– O Chaz, o CHAZ!
– Quem é esse?!
– Ai Alexandra. Ele é o professor de inglês, o novo, sabe?! Aquele gato de quem eu tava falando na segunda.
– Espera... O professor de inglês chama Chaz?! Só pode ser uma piada...
– Tenho certeza que quando você vir ele você vai trocar de idéia, ah vai – disse Kat, com um olhar malicioso.
Alex riu e disse:
– Só eu ainda não vi esse cara? Por quê?
– Talvez por que você não frequenta as aulas de inglês há uns quatro meses, por isso.
– É talvez. Enfim, sério mesmo que você me chamou até aqui para me contar isso? Que o novo professor de inglês vai com a gente na viagem? Eu não mereço você.
– Qual é, um pouco mais de entusiasmo, ele é gato.
– O Caleb adoraria te ouvir falando disso.
– Ai, você é tão chata. Se você não contar eu também não conto – ela disse abrindo um sorriso amarelo.
– Eu nem me impressiono mais. Olha eu vou indo, tenho outras coisas para fazer.
– Você vai pra minha casa hoje, não é?!
– Claro que sim, quer dizer, se o guarda costas não achar alguma coisa para cismar, claro. Mas eu dou um jeito.
Kat assentiu e continuou.
– Te vejo as seis?
[...]
Alex chegou a Delegacia em menos de quinze minutos e assim que seu pai a viu correu em direção à porta, quase tropeçando em uma mesa. Estava alvoroçado. Para variar.
– O que houve, meu amor? – perguntou Wilden quase gritando.
– Nada papi. Eu estava indo almoçar, e ao passar por aqui, pensei se você não gostaria de almoçar comigo. Talvez sushi?
– Claro. Vai indo na frente, que eu ainda tenho que pegar algumas coisas e te encontro no restaurante. Você veio de carro?
– Sim.. Você está com o seu ai, não é pai?
– Estou, te encontro lá.
[...]
POV Alex
Empurrei a porta frontal do restaurante e logo senti o forte cheiro de peixe. Em minha direção, se aproximava uma mulher jovem de vestido florido que deixava mais da metade de suas pernas de fora. Supus que era a recepcionista.
– Dois lugares, por favor – pedi.
A moça me conduziu a uma mesa grande o suficiente para quatro, bem no meio do salão, colocando o cardápio em cima da mesa. Observei-o, pensando no que iria pedir, mas rapidamente me desconcentrei com o barulho que a porta fazia quando abria.
– Cheguei – me assustei quando vi meu pai parado em frente à mesa, ele usava o uniforme da polícia, porém tirara o chapéu.
– De onde você veio? Não vi você entrar — disse, me recuperando do susto.
– Ah, você estava concentrada no cardápio quando eu a vi. Nem deve ter notado quando eu entrei.
Não conseguia imaginar por um momento meu pai sendo discreto e cauteloso. Pelo contrario, sua falta de atenção e o desastre me incomodava um pouco.
– Como foi seu dia hoje, filha? – perguntou, sentando em minha frente. Devido ao tamanho da mesa, parecia que havia se sentado a dois metros de distância.
– Foi ótimo, muito agitado... Todos estão animados para a viagem – eu disse.
– Imagino que também esteja, querida – disse encarando o cardápio.
– Sim, mal posso esperar para a viagem, para o fim das aulas, para hoje à noite... – Falei tremendo um pouco, estava com medo de sua reação. Não havia nada a que temer, no entanto meu pai sempre achava algo para implicar até nas coisas mais simples.
– Hoje à noite? O que acontecera hoje à noite, Alex? – disse, levantando de leve o queixo, lendo o cardápio.
– Bom, eu vou pra casa da Kat e vamos dormir lá, será uma comemoração para a viagem. Você sabe, será a ultima coisa que faremos juntas antes da faculdade. – Meu lábio inferior tremia.
– E quando pretendia me contar sobre isso? – ele perguntou, soltando o cardápio.
– Estou te falando agora. Pai! Qual é! Se a mamãe estivesse aqui ela não veria problema nisso!
Ele permaneceu quieto.
– Pai fala alguma coisa! – exclamei.
– Não esqueça o travesseiro. – falou, voltando sua atenção ao cardápio.
O resto do almoço foi frio. Ele não olhava na minha cara, a não ser para pedir o atum.
Terminamos o almoço e ele fez questão de pagar a conta. Caminhamos juntos até meu carro, no estacionamento que era pequeno demais. As vagas desenhadas no chão de pedra estavam desbotadas, precisavam urgentemente de um retoque, assim como todo o restaurante que era um dos mais antigos da cidade.
Quando chegamos ao veículo olhei para meu pai e o abracei.
– Me desculpe pai. Não quero brigar com você por uma razão tão boba. Você não pode implicar comigo toda vez que saio de casa! – falei com a voz mais meiga que consegui.
– Tudo bem querida, eu entendo. Espero que você se divirta hoje à noite, aliás, se você ficasse em casa não faríamos nada de mais. E você sabe que eu não sei o que devo fazer direito, era tão mais fácil com sua mãe em casa... – falou passando as mãos em nos cabelos, e por um momento senti dó do homem em minha frente, e pude perceber que a partida de mamãe o afetou milhões de vezes mais do que a mim. Ela se fora quando eu tinha apenas oito anos.
Apenas dei um beijo em sua bochecha, entrei no carro e dei partida. Palavras não eram necessárias naquele momento, esperaria chegar à casa de Kat, mais tarde e mandaria uma mensagem dizendo que as coisas estavam bem.
Ao olhar pela janela percebi que já estava na rua de casa, o caminho passara despercebido, e me peguei pensando sobre meus pais. Meus pais se casaram jovens, e começaram a namorar no primeiro ano da faculdade. Ela precisava de espaço, precisava se encontrar, como dizia sempre. Desde então eu sempre soube como agiria em meus relacionamentos. Nada de sentimento. Não ousaria passar pelo que meu pai passou, ou fazer com que outra pessoa passasse apenas por que precisava me encontrar. Nunca faria isso.
Por um momento me senti perdida, e esquecera o que estava fazendo lá. Sai do carro e vasculhei minha bolsa atrás da chave de casa. Passei pela porta de madeira e percebi que seu canto inferior estava desgastado. Peguei meu celular e disquei o número de Kat:
– Alô?
– Oie, onde você está? – perguntei.
– Aqui no The Brew, vou comer e passar para alugar os filmes mais tarde. Você já almoçou? – perguntou ela, sabia que a conversa iria chega à minha briga com meu pai e não sabia direito se queria partilhar isso.
– Sim, fui almoçar com Wilden, e ele me deixou ir hoje à noite. Foi mais fácil do que eu pensava... – falei o mais convincente que podia.
– Que ótimo, e que horas você vem? – perguntou.
– Umas seis mesmo, pode ser?! Eu to sem nada para fazer, acho que vou passar na locadora. Pode deixar que eu mesmo alugo os filmes. Quer que eu leve mais alguma coisa para hoje à noite? – perguntei com a esperança de ser útil.
– Não acho que não... – respondeu. – Preciso ir amiga, nos vemos lá então!
– Até mais tarde. – desliguei.
Subi as escadas rapidamente e corri para meu quarto. Coloquei Animal, do Neon Trees no meu iPod e comecei a arrumar minhas coisas. Apanhei uma sacola e enfiei uma muda e roupas, um pijama e as coisas de banheiro. Rodopiei pelo quarto a medida que a musica avançava e vasculhei a mente em busca de alguma ideia de filme.
Decidi que pensaria sobre isso no caminho, então desci as escadas de pressa e passei pela cozinha. Cogitei a idéia de comer alguma coisa, mas logo o sushi rodopiou meu estômago. Voltei para a entrada e fui até meu carro, dei partida e voltei a pensar sobre o filme.
Atravessei a rodovia principal e cheguei a Blockbuster, a única locadora que ainda restava na cidade. Senti um frio instantâneo ao passar pela entrada principal, e um arrepio subiu pelo meu corpo. Passei pelos corredores do estabelecimento e parei na sessão de comédia romântica. Peguei na mão Uma Linda Mulher, Diário de uma Paixão e Dirty Dancing. Já assistira todos esses no mínimo cinco vezes, eram aqueles filmes que nunca enjoavam. Porém, Kat era uma ninfomaníaca que não se interessava por histórias de romance água e sal. Problema dela. Ela assistiria os filmes comigo. Girei o corpo na direção do caixa e trombei com um cara, enquanto via meus filmes caírem no chão.
Tive de esticar o pescoço para olhar o sujeito cara a cara. Ele era algumas medidas maior que eu. Talvez muitas medidas. Usava uma camisa azul escura que com certeza lhe beneficiava, destacando seus olhos claros. Tive de respirar fundo algumas vezes antes de falar.
– Me desculpe, mal te vi ai – eu disse, balançando a cabeça.
– Imagina, não foi nada demais – ele disse, e abaixou para pegar os filmes – Hm, O Diário de uma Paixão? Uma romântica incontrolável.
Eu ri de leve, assim como ele.
– Acho que sim – eu disse, corando.
Um silêncio constrangedor se formou, e eu troquei o peso de um pé para o outro. Reparei quando ele deu uma olhada para meu corpo e observei atentamente sua reação. Hm. Interessante. Agradeci por estar usando meu shorts azul e minha regata estampada.
– Então.. Você... hm, vem sempre aqui?
– Você está flertando comigo? Por que se estiver, não venha com essas cantadas bregas.
Ele riu e eu o acompanhei.
– Acho que não sou do tipo romântico incorrigível como você.
“Vem que eu te ensino” Pensei, rindo mentalmente. Impedi a mim mesma de dizer essas palavras.
Lembrei-me que não deveria demorar tanto. Olhei meu relógio, que marcava cinco horas. Apenhei um pedaço de papel e uma caneta da bolsa e rabisquei meu número no papel.
– Aqui – disse, entregando-lhe o papel – e a propósito, me chamo Alex. Agora eu tenho que ir, a gente se vê.
Antes de sair, apanhei mais um filme, que imaginei que Kat gostaria de ver, não por que não era um romance água com açúcar, mas por que Robert Pattinson o estrelava.
Paguei no mesmo instante. Antes de deixar o estabelecimento olhei uma última vez para o rapaz — que não devia passar de vinte e três anos – e dei um leve sorriso.
Sentei no banco do motorista e bufei, sorridente.
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