Cape May
2 Bella e Edward nunca pareceram tão interessantes
Notas iniciais
POV Alex
Cheguei a casa de Kat e estacionei meu carro em uma das duas vagas. Toquei a campainha e esperei até que pude uma silhueta vinda em direção a porta pelo vidro embaçado.
– E ai Lexi?! – Caleb me tirou do chão me abraçando com força.
– Oi, coisa linda. Me diz, onde você esteve? Não te vejo mais na escola, por acaso anda matando aula? – perguntei, com um tom brincalhão.
– Que nada... Eu estava ajudando na mudança.
– Ah é, como andam as coisas na casa nova?
Entramos na casa e fomos caminhando, passando pela sala e pela cozinha.
– Bem... Enfim, como você ta, linda?
Caleb e eu tínhamos uma relação maravilhosa. Era bom saber que o fato de meu melhor amigo namorar minha melhor amiga não mudava nada em nossa relação.
– Eu to ótima. E você?
– Também, está tudo ótimo.
– Me diz, você chegou faz tempo? — perguntei, descendo a escada para o sótão, onde dormiríamos.
– Não mesmo, quando você tocou a campainha eu tinha acabado de entrar, nem falei com a Kat ainda.
Ele passou a mão pelos cabelos claros e seus olhos brilharam ao pronunciar o nome dela.
Descemos as escadas e lá estava Kat, debruçada arrumando alguns colchões, com a com a bunda bem empinada.
– Que isso meu Deus – eu disse ao passar por ela e dar um tapa em sua bunda.
– Que delicia – sussurrou Caleb, alto o bastante para que fosse possível eu ouvir seu comentário super desnecessário.
– Amor! – ela gritou, se virando e pulando no colo de Caleb.
Eles se beijaram por um longo tempo. Mordi minha língua diversas vezes para não os mandar pararem de se comer.
– Por favor, não tirem a roupa – berrei, enquanto Kat passava a perna pelo quadril de Caleb, e esse acariciava sua coxa – acho que vou vomitar ali, rapidinho.
– Ai sua chata – disse Kat, enquanto descia do colo de Caleb e limpava a boca com as costas da mão.
– Chata? Olha, se comigo vocês fazem isso, nem quero saber o que fazem sozinhos. Tenho certa sensação que vou ser titia.
Ela gargalhou enquanto Caleb me encarava com um olhar demoníaco.
– Deixa eu curtir minha gata, idiota – ele disse, envolvendo Kat pela cintura e a beijado.
– Vocês são tão nojentos – eu disse, me metendo no meio dos dois.
Nós rimos e eles (finalmente) se separaram.
– Cadê sua mãe, hein filhote? – perguntei, me direcionando a Kat.
– Sei lá, essa ai não aparece desde ontem a noite...
– Ah, Kat... – comecei a dizer.
– Nada disso, nada de papo sentimental hoje, pode ser?
Assenti com a cabeça e fui a cozinha pegar as comidas.
– Vocês não sabem! – gritei enquanto abria a geladeira – encontrei um cara na locadora hoje. Ele era um puta gato, até dei meu telefone para ele – ri, mordendo o lábio inferior.
– ISSO AI, PONTO PRA LENA – gritou Kat lá de baixo – Tava na hora mesmo, não aguento mais você carente desse jeito.
Gargalhei e apanhei um litro de coca cola e alguns (muitos) sacos de batata. Desci as escadas com cuidado, com medo de derrubar tudo.
– COMIDAAAA – Caleb veio a meu encontro e pegou tudo o que eu tinha nos braços. Ele apoiou tudo em uma mesa perto da televisão e sentou em um sofá desgastado que estava naquele sótão desde sempre.
– Espera, Caleb, você vai ficar aqui, tipo, a noite inteira? – perguntei, sentando ao seu lado.
– Claro que ele vai, por quê?!
Ah, sei la, por que não quero testemunhar a transa de vocês. Tive de morder a língua para não compartilhar minhas justificativas.
– Ahn, não sei, não sei se sua mãe vai achar uma boa ideia – respondi, dando de ombros.
– Ela nem vai saber, e além do mais, não tem nada de mais... Não é, amor?
– Nada de mais! – ele disse com a boca cheia de batata.
Dei de ombros e olhei meu relógio, já eram seis e meia. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para meu pai:
“Oie papi, já cheguei a casa da Kat, está tudo bem. Por favor, tente não queimar a casa na hora do jantar, jante fora. Até mais, te amo.”
– Então, o que vocês querem fazer? – eu disse, guardando o celular na bolsa.
– Não sei, vamos ver os filmes? – Kat perguntou.
– Eu trouxe meus favoritos, e Crepúsculo — eu disse.
– Dirty Dancing de novo não – Kat reclamou.
– Nem vem, a gente vai ver o que eu quiser, eu que mando aqui – Caleb riu debochadamente enquanto comia uma batata frita.
– Vai nessa – ele disse.
– Cala a boca, viado.
Kat riu e se levantou, indo em direção ao DVD. Lembrei de algo.
– Sabe o que eu estava pensando? Falta só um final de semana pra nossa viagem, gente. Quer dizer, sabe o quão incrível isso é?
– Acho que talvez você esteja ansiosa demais para essa viagem, Lex.
– Acho que não. Eu quero que ela chegue, quero dar um tempo disso tudo. Quero muito.
– Mas vai com calma, é só um acampamento.
– Não é. Não é só um acampamento. Aposto com você que tudo vai mudar nessa viagem.
Ele revirou os olhos.
– Nada precisa mudar, tudo está bom como está.
– Você é tão chato. Não gosta de mudanças?
– Não, elas me assustam.
Eu ri e me aproximei.
– Você é um boiola – eu o abracei e ele retribui – mas eu te amo.
Ele sorriu e passou os olhos por todo o meu rosto. Kat ligou a TV e Bella apareceu na tela. Ela se sentou ao lado de Caleb e jogou um cobertor na minha cara.
– Ganhei um cobertor e você não, la la – eu disse, rindo na cara de Caleb.
– Eu tenho uma Kat e você não, la la – ele respondeu, e eu o olhei com uma cara não muito elegante.
– Quando eu arrumar um namorado você vai sofrer tanto, mas tanto.
– Fica quieta.
– Fica quieto você, viado. Kat, não sei como você namora ele, você é tão legal e ele é tão ridículo.
Ela me olhou, e nós duas sorrimos.
– Agora podemos ver o filme, por favor?
– Não tem nada melhor para ver, não? – Caleb perguntou.
– Sinta-se livre para fechar os olhos e ignorar o filme, Caleb – eu ri.
– Não se preocupe Alex, não planejo ver o filme mesmo – ele lançou um olhar malicioso para Kat.
– Espero que você não esteja querendo dizer o que eu acho que você está querendo dizer.
– O que você está querendo dizer? – ele ergueu a sobrancelha, sorrindo de canto.
– Vocês me enjoam – eu disse – tenham pelo menos o bom senso de mandar uma indireta se quiserem que eu vire a cabeça, me afaste, quem sabe até ponha fones de ouvido.
– Não exagera, filhote – Kat riu – olhe pelo lado bom, pelo menos você tem a oportunidade de observar amor verdadeiro todos os dias.
– Eu preferia não saber de alguns detalhes dos senhores amor verdadeiro.
– Olhe, eu poderia estar roubando, matando ou pior, galinhando. Mas não, eu estou aqui, fazendo sua melhor amiga feliz, então aguenta – Caleb disse.
– Podemos, por favor, ver a Bella e o Ed agora? – eu pedi, fazendo biquinho.
[...]
– Como vocês assistem a esse filme? – ele revirou os olhos – a protagonista tem cara de assustada o tempo todo e o branquelo parece que está sofrendo.
– Cala a boca, animal – eu disse, ainda olhando a TV.
– Fala sério, esses efeitos especiais são um lixo, e vampiros não são fadas, eles não brilham.
– Quieto, antes que eu te faça engolir o cobertor. Eu estou tentando prestar atenção ao filme.
Já havíamos comido metade da comida, e deixado alguns resíduos pelo chão. Minhas pernas estavam enroladas no cobertor felpudo.
– Lexi, esse film...
– CALA A BOCA PORRA! — eu gritei. Eu to tentando ver o filme, Caleb.
– Mas você já viu milhares de vezes!
– Não importa. Silêncio, o Edward vai beijar a Bella.
Por algum mistério de Deus, Caleb conseguiu permanecer calado durante a cena em que eles finalmente se declaravam um para o outro, era uma das minhas favoritas do filme. Quando eu era mais nova,li todos os livros da saga e fiquei fascinada pela história de amor. Mesmo que agora percebesse o quão enjoativo era aquele filme, ainda sentia uma nostalgia deliciosa. Muitas vezes pensava em como seria encontrar um amor tão forte como o do casal fictício. Por ser um filme tão familiar para mim, eu me sentia confortável assistindo-o, já sabendo tudo que ia acontecer. Não sou o tipo de pessoa que gosta de agoniar na dúvida.
– Isso não foi um beijo – disse Caleb – Isso é um beijo.
Ele então segurou o rosto de minha amiga entre as suas mãos e a beijou. Eles começaram a se agarrar no sofá enquanto o filme continuava rolando. A princípio tentei ignorá-los, mas a coisa já estava ficando meio obscena.
– Ei – eu disse.
O beijo continuou.
– Gente.
Nada.
– O CASAL, DÁ PARA PARAR DE SE ENGOLIR, EU AINDA ESTOU AQUI – eu gritei, fazendo sinais com o braço.
Os dois se separaram meio ofegantes, mas rindo bastante. Por razões desconhecidas, consegui fazer com que Caleb ficasse quieto pelo tempo restante do filme, mas eu sentia que era a única que estava assistindo. Os dois continuavam se beijando quando achavam que eu não estava olhando, resolvi simplesmente deixá-los aproveitar a companhia um do outro.
O resto da noite se seguiu assim, descontraído. Depois que acabamos o filme continuamos a conversar por mais algumas horas, comendo qualquer porcaria que conseguíssemos achar. Após vermos todos os filmes, no fim da noite, quando fomos dormir, só conseguia pensar em uma coisa. Agora, já passando das três da manhã, faltava menos de um dia para que a grande viagem chegasse. Eu mal podia esperar.
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