Cante!
9 Ep08 - Sombra e água fresca
Notas iniciais
Boa leitura! Lembrando que esse é o último episódio da primeira parte da temporada! XD
Baixe as músicas do episódio:
http://www.4shared.com/rar/IkqleUTi/Cante_-_1x08.html?
EPISÓDIO 08
SOMBRA E ÁGUA FRESCA
I
O sinal que anunciava o fim da última aula do primeiro semestre tocou. Muitos alunos saíram gritando e comemorando. Entre eles, Fernando, que estava acompanhado de Maria e Paloma.
[Vamos fugir (Gilberto Gil {Skank}) – Coral]
MARIA:
Vamos fugir
Pra outro lugar, baby
FERNANDO:
Vamos fugir
Eu tô cansado de esperar
Que você me carregue
Renan se junta ao grupo.
PALOMA:
Vamos fugir
Desse lugar, baby
RENAN:
Vamos fugir
Eu tô cansado de esperar
Que você me carregue
Do outro lado do corredor, Leandro andava contente com sua mochila ao ombro.
LEANDRO:
Pois diga que irá,
Irajá, Irajá
Pra onde eu só veja você,
Você veja-me só
Talita surge e o acompanha pelo corredor.
TALITA:
Marajó, Marajó
Qualquer outro lugar comum,
outro lugar qualquer
Guaporé, Guaporé
Annah se junta ao outros dois. Parecia que os três estavam se divertindo.
ANNAH:
Qualquer outro lugar ao sol,
Outro lugar ao sul,
Céu azul, céu azul
LEANDRO:
Onde haja só meu corpo nu
LEANDRO, TALITA E ANNAH:
Junto ao seu corpo nu
Em outra sala, Tiffany arrumava suas coisas para ir embora. Parecia cansada; aquele semestre passara longe de agradável.
TIFFANY:
Vamos fugir
Pra outro lugar, baby
Vamos fugir
Pra onde haja um tobogã,
Onde a gente escorregue
Saiu da sala. Esbarrou com Pedro, fingiram não se ver.
Ela continuou andando, ele ficou parado a observando. Pedro estava triste com aquela situação, mas o que ela fizera era imperdoável.
PEDRO:
Todo dia de manhã
Flores que a gente reggae
Uma banda de maçã
Outra banda de reggae
No auditório todos os alunos do coral cantavam. Trajavam roupas leves, estilo tropical.
MENINAS:
Tô cansado de esperar
Que você me carregue
MENINOS:
Todo dia de manhã
Flores que a gente reggae.
TODOS:
Uma banda de maçã
Outra banda de reggae.
Osmar, que estava sentado na primeira fileira assistindo, levantou-se e aplaudiu.
– Muito bem garotos, — disse o professor – e, agora, oficialmente: boas férias!
Todos aplaudiram e comemoraram.
– Ei pessoal, — disse Leandro chamando atenção dos outros – já que vamos passar quase um mês sem nos ver, porque a gente não marca um encontro em frente à Lagoa?
– Acho perfeita a ideia. – disse Talita.
Todos concordaram menos Tiffany e Pedro que estavam calados, parecendo não ver a hora de sair dali.
II
Após sair da apresentação que os garotos haviam insistido para que ele fosse, — que, aliás, não havia cabimento algum; ele já havia liberado todos para férias. Porque insistir naquilo? – Osmar dirigiu-se à diretoria. Logo bem cedo, o diretor mandara sua secretária avisá-lo que precisavam se encontrar. O que seria dessa vez? Livrar-lhe-ia do peso daquela aula quase de madrugada na turma de Talita? Sim! Deveria ser isso. O que um bom trabalho não traz como recompensa... Se bem que “bom trabalho” era eufemismo para qualquer coisa organizada por Osmar. Lembrou-se, então, das vezes anteriores que estivera ali. O diretor chamando-lhe não fora nada agradável nos últimos dois meses; das vezes passadas, eram apenas notícias ruins, mas Osmar ficara tão satisfeito com a apresentação da Semana de Artes, que nada poderia tirar-lhe a alegria. Aliás, ninguém que fosse sensato ou tivesse um pingo de conhecimento em Artes criticaria aquela apresentação. Poderia ser um aumento, quem sabe. Osmar estava deslumbrado com o próprio talento.
Entrou na diretoria. Henrique Ferreira pediu para que ele se acomodasse. Osmar achou aquela situação um tanto estranha, mas sentou-se na confortável cadeira.
– Osmar, — iniciou o diretor – primeiro, gostaria de lhe parabenizar pela brilhante apresentação dos garotos na Semana de Artes. Só posso usar uma palavra para descrevê-la: impecável. – disse com os olhos cintilantes; Osmar alcançou e até extrapolou suas expectativas.
– Obrigado diretor, mas o senhor não me chamou aqui para me dizer coisas que já é do meu conhecimento, correto? – disse o professor vaidoso.
– Claro. – soltou a gravata; estava-lhe quase enforcando – Chamei-lhe aqui para comunicar que fiquei tão impressionado com a apresentação, tão impressionado que inscrevi o coral do colégio no Festival Nacional de Corais. – riu – Então? O que achou? As seletivas serão em setembro; é melhor vocês começarem a se preparar o mais rápido possível.
Osmar ficou paralisado. Estava sem palavras.
III
– Oi. – disse Fernando.
– Oi. Tudo bem? – respondeu Talita que vinha apressada.
– Tudo ótimo. E contigo?
– Maravilhoso. Mal consigo acreditar que estamos de férias. Não há palavras para expressar minha alegria nesse momento.
Os dois riram.
– Sabe, — disse ele – tava pensando: que tal se a gente saísse?
– Mas já vamos sair. Esqueceu? O Leandro sugeriu hoje lá no auditório.
– Quero dizer: só nós dois.
Ela ficou vermelha.
– Ah... – evitou olhar para ele – Claro! Por que não? – ficaram em silêncio por alguns instantes – Então, quando vai ser?
– Que tal segunda-feira?
– Da semana que vem?
– Sim. – disse sorrindo.
– Ótimo. Perfeito. – Talita beijou a bochecha de Fernando – Então te vejo segunda. – ameaçou sair – A propósito, onde?
– Tava pensando num piquenique no bosque municipal. Quê que você acha?
– Acho fofo! – estava comovida com a sensibilidade dele – Bem, te encontro segunda no bosque às 15hrs. Pode ser?
– Claro. – disse ele com as mãos nos bolsos da calça jeans.
– Até lá, então.
– Até. – sorriu com o canto da boca.
Talita afastou-se. Como ele era fofo! Marcar um piquenique no bosque era muito romântico. O grande problema, porém, era a indecisão dela; ainda não entendia muito bem o que estava acontecendo. O último mês foi como uma enxurrada em sua vida. Primeiramente, apareceu Annah para roubar-lhe o solo, depois Talita fez uma “brincadeira” que se arrependeria pelo resto da vida; aí, Fernando tomou as dores por ela e, então, eles se beijaram. O beijo tornou tudo ainda mais complicado.
Talvez um bom descanso clareasse sua mente; como estava não dava para tomar muitas decisões. Mas aquele piquenique seria ótimo para iniciar sua introspecção.
***
– Oi gata. – disse JP.
– Oi. – disse Maria interrompendo sua conversa com Paloma. – O que foi dessa vez? – disse irritada.
– Tava pensando se você não quer dar uma volta comigo, posso te levar num ótimo restaurante japonês.
– É? – mostrou-se interessada.
– Sim. — ele sorriu e aproximou-se.
– Quando seria? – disse chegando ainda mais perto dele, até o momento em que eles quase encostaram os lábios.
– Que tal terça que vem? – ela pôde de sentir o hálito dele e tinha um aroma agridoce altamente sensual.
Maria subitamente recuou.
– Ih... – disse parecendo decepcionada – Não vai dar terça; tenho um compromisso inadiável.
– É mesmo? – JP entristeceu – Pode ser outro dia então?
– Sabe o que é querido, — aproximou-se novamente; aquele jogo estava o deixando claramente excitado – é porque combinei de assistir todos os treinos das próximas semanas do meu namorado ciumento – enfatizou essa palavra – halterofilista.
– Pode ser no fim de semana... – após falar, refletiu sobre o que ela havia dito. Paloma estava quase gargalhando atrás de Maria – Mas ele é muito ciumento?
– Só um pouco. – disse indiferente. – uma vez ele bateu no carteiro porque ele me desejou bom dia. – sorriu.
– Ah... – a face de JP mudou completamente. Que garota era aquela? Além de ser doida, ainda tinha um namorado maníaco. – Bom, eu acho que já vou. – disse ele se afastando depressa.
– Tchau querido. – acenou.
Virou-se.
– O que foi isso Maria? – disse Paloma às gargalhadas – Que eu saiba você não tem nenhum namorado halterofilista ciumento... Aliás, nem namorado você tem.
– Tava dispensando o senhor “apaixonado” – sinalizou com os dedos -, ora.
– Acho que você está cometendo um dos maiores erros da sua vida.
– Sei muito bem do que faço.
– Ainda acho que dispensar o senhor perfeito assim é um desperdício. – aconselhou Paloma – Você já parou para pensar que um dos garotos mais disputados do colégio tá na tua?
– Sei muito bem o que ele quer comigo, e não é nada romântico ou do meu interesse. To correndo desse tipo de homem. – cruzou os braços – Por falar nisso, como vai com o Leandro?
– Ainda não tive coragem de falar com ele. – disse envergonhada.
– Ai Paloma! Deixa de ser tão besta. O pior que ele pode dizer é não.
– Eu sei... Mas isso é difícil pra mim...
– Porque você não aproveita o encontro que ele marcou na lagoa para começar a bater um papo com ele?
– É... Quem sabe... – seus olhos brilharam.
Maria agarrou as mãos da amiga e disse:
– Você consegue!
IV
Tiffany largou a bolsa no chão do seu quarto. Jogou-se no tapete de pelúcia pink que cobria boa parte do chão. Era tão macio...
Sentia-se diferente, talvez por conta daquele semestre horrível que tivera. Não esperava aquela traição de Débora e, para piorar ainda mais, sentia-se culpada pelo fim do seu relacionamento com Pedro. Ele não entendeu que o adultério ocorreu num impulso. Ela jamais quisera feri-lo. Confessava que começou a se envolver com ele para pegar carona na popularidade do rapaz, mas depois, tudo ficou muito diferente; as saídas deles tornaram-se agradáveis, e ela passou a esperar ansiosamente pela próxima.
Seu peito apertou. Olhou o celular. Nada. Seria tão bom se ele ligasse... Ela queria ouvir sua voz, mas sabia que aquilo seria praticamente impossível; o jeito que ele falou no momento que descobriu a traição... Fora tão... Ela nem gostava de lembrar daquilo. Se pudesse voltar atrás e desfazer alguns erros... Ouvir a voz dele seria a melhor coisa que poderia acontecer naquele momento... Se ele a desculpasse... Ela seria capaz de dar a fortuna do pai por aquilo.
Uma lágrima correu pela sua face. Além do rapaz, a traição de Débora também lhe afetara bastante. Nunca imaginaria que sua melhor amiga fosse capaz de fazer aquilo... Aquele primeiro semestre merecia ser esquecido. Aquelas férias vieram no momento certo; talvez mais uma semana naquele templo da inveja a deixariam louca.
Olhou o celular novamente. Nenhuma ligação.
[Quando é amor (Eliana) – Tiffany]
Liga pra mim?
Eu estou com tanta saudade de você!
Eu fico com ciúmes quando outra menina está do seu lado
Se você me olha de repente
O peito bate apressado
Eu tenho tanta coisa que eu queria dizer
Não dá pra ser mais uma e só ficar com você
Pra que fingi que não é assim?
Quero você pra mim!
Deixei meu telefone
Num bilhete com papel perfumado
Fiquei a tarde inteira esperando o telefone calado
O tempo passa, eu aqui pensando em nós dois
Que bom se eu te encontrasse no cinema depois
O coração não pode evitar
Só sei sonhar em te amar
Agarrou o ursinho de pelúcia que ficava em cima da cama. As lágrimas caiam mais severas agora.
Quando é amor...
A gente fala e não pensa no que diz
Quando é amor...
A gente faz loucura só pra ser feliz
Quando é amor...
A gente tem coragem de ir muito além
Só por amor
Eu fico com você, não penso em mais ninguém
Só por amor...
Eu fico com você e não pendo em mais ninguém
Quando é amor...
Chorou até suas lágrimas secarem. E essas lavaram sua alma. Aquelas férias caíram muito bem sem dúvida; teria um tempo para pensar em si. Precisava organizar sua vida e arrumar toda aquela confusão. Acomodou-se no tapete e suas lágrimas molharam a pelúcia, transformando o rosa pink num tom quase vermelho.
V
– Quer morango? – perguntou Fernando.
– Aceito sim, obrigada. – respondeu Talita.
Estavam de baixo de uma mangueira, sentados sobre uma toalha de mesa xadrez. Era um piquenique clássico. Ela usava um vestido vermelho com algumas flores na barra, uma doce tiara prendia os cabelos. Ele, calça jeans e blusa polo azul celeste.
Deu o morango na boca dela. Talita gargalhou.
– Continuando... – disse ela – Eu morri de ri quando te vi vestido de Rosário. Como foi que você teve essa ideia brilhante?
– Foi uma ideia coletiva: minha, da Maria e da Paloma. A gente tava decidindo que música íamos cantar no Show de Talentos e a Maria falou alguma coisa sobre a novela e aí veio o estalo coletivo – riu – Dissemos quase juntos: “Vamos fazer as Empreguetes”.
Talita gargalhou.
– Deve ter sido muito divertido ensaiar... – disse a garota.
– Você não imagina o quanto... – gargalharam juntos.
Depois, fez-se silêncio. Ficaram se olhando por alguns instantes, depois Talita fixou sua atenção no céu.
– Vamos brincar? – disse ela docemente.
–De quê? – ela estava assombrosamente linda naquele momento.
– Ver formas nas nuvens. – sorriu.
– Tá bom.
Os dois olhavam para o firmamento e ficaram assim por um longo tempo. Viram pássaros, peixes, um carro... Divertiam-se como se fossem duas criancinhas de cinco anos. Delicadamente, ele passou o braço pelo ombro dela. Ela deixou; queria ver no que aquilo ia dar. Riram. Iam ficando cada vez mais próximos. Ela viu um sorvete e ele fez um comentário engraçado. Ela gargalhou. Como ele era divertido. Ele olhou para o relógio, o tempo parecia que voava; já eram quase 18hrs. Ficaram mais próximos ainda, se é que isso era possível. Estavam quase encostando as bochechas agora. Ela olhou para o céu.
– Olha! – disse apontando – Um coração.
Olharam-se. Talita se sentiu diferente; era um sentimento bem mais profundo do que aquele quando se beijaram pela primeira vez. Percebeu que involuntariamente estava se aproximando dele, parecia que ele fazia o mesmo. Aquilo era tão confuso... Não queria magoá-lo, mas aquilo que ela sentia era inegável, talvez não devesse perder aquela oportunidade, afinal, quando seria a próxima? Sentia algo maior que uma simples atração física, chamou aquilo de atração espiritual. Quando estavam juntos, de alguma forma, completavam-se. Ela corou e iam ficando cada vez mais próximos. Seus lábios se tocaram.
Fogos de artifício? Bem, dizem que se sente isso quando beijamos alguém que se ama de verdade. Talita sentiu mais que isso, parecia que a terceira guerra mundial começara dentro dela. Não existem palavras para definir aquilo. Era um verdadeiro encontro de almas gêmeas, se é que elas existem. Algo fluía entre eles, era evidente. E era tão bom, que chegava a ser viciante.
Separam os lábios, mas suas testas continuaram coladas. Sentiam a respiração um do outro e era tão fantástico! Fernando abriu os olhos. Viu uma Talita totalmente diferente: ela mantinha os olhos cerrados, mas transmitiu-lhe uma sensação de conforto que poderia ser comparada ao colo de uma mãe; sentiu que finalmente achara aquilo que sentia falta desde que nasceu, aquele vazio presente no coração de todos. Ela, lentamente, foi abrindo os olhos. Foi como se ele estivesse vendo o nascer do sol; seus olhos eram de um resplendor fascinante.
Fernando estava com os olhos esbugalhados e levemente marejados. Foi uma das coisas mais lindas que Talita já viu em sua vida; parecia que enxergava o interior dele e o que via era de uma singularidade apaixonante. Naquele momento, parecia que eram um só.
Ele passou levemente a mão pela coxa dela. Ela acariciou-lhe a bochecha. Estavam conhecendo-se verdadeiramente naquele momento. Às vezes, um beijo vale mais que mil palavras.
[Ainda bem (Marisa Monte) – Fernando e Talita]
TALITA:
Ainda bem
Que agora encontrei você
Eu realmente não sei
O que eu fiz pra merecer
Você
FERNANDO:
Porque ninguém
Dava nada por mim
TALITA:
Quem dava eu não tava a fim
FERNANDO:
Até desacreditei
JUNTOS:
De mim
TALITA:
O meu coração
Já estava acostumado
Com a solidão quem diria
Que ao meu lado você iria ficar
FERNANDO:
Você veio pra ficar
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
JUNTOS:
Assim
FERNANDO:
O meu coração
Já estava acostumado
Com a solidão quem diria
Que ao meu lado você iria ficar
TALITA:
Você veio pra ficar
FERNANDO:
Você que me faz feliz
TALITA:
Você que me faz cantar
JUNTOS:
Assim
TALITA:
O meu coração já estava aposentado
FERNANDO:
Sem nenhuma ilusão
Tinha sido maltratado
TALITA:
Tudo se transformou
Agora você chegou
FERNANDO:
Você que me faz feliz
TALITA:
Você que me faz cantar
JUNTOS:
Assim
TALITA:
Nananana
JUNTOS:
Nanananananana...
Nanananananana...
TALITA:
Nanananananana...
FERNANDO:
É
JUNTOS:
Ainda Bem...
Beijaram-se de novo. Seus braços se enrolavam num incrível balé. Naquele momento ela soube o que sentia por ele.
VI
Finalmente chegara o dia do encontro do coral na lagoa marcado por Leandro. Paloma estava ansiosa, talvez seguisse os conselhos de Maria, afinal, o pior que poderia receber era um “não”. Haviam marcado 16hrs na lagoa – que depois do shopping, era o local mais frequentado da cidade -, mas como era pontual, começara a se arrumar duas horas antes.
Por ser um encontro ao ar livre, vestiu um mini-short jeans e uma regata laranja claro. Estava penteando os cabelos quando o celular tocou. Era Maria.
– Oi Maria.
– Oi Pa. Já tá pronta pra encontrar o povo?
– Quase. E você? – penteava e falava ao mesmo tempo.
– To quase pronta também. Liguei pra te avisar que falei com o Leandro e ele vai acompanhar a gente.
– Quê? – Paloma deu um grito.
– Vamos nós três juntos. Eu pedi para ele te buscar primeiro, para vocês terem alguns momentos a sós.
– Porque você fez isso? – Paloma tremia, estava assustada – Que horas você marcou com ele?
– Bem, ele deve chegar “na” sua casa – alguém bateu palmas na casa de Paloma – agora.
Paloma desligou automaticamente. Leandro estava na porta de sua casa. Seu corpo todo tremia. Ela estava desesperada. Precisava estar perfeita quando abrisse o portão. Olhou no espelho, estava um desastre. Ele bateu de novo. Ela gritou:
– Já vou.
Passou pó freneticamente, e borrifou perfume. O quarto ficou mais perfumado que ela, mas precisava ser rápida. Foi correndo até a entrada. Abriu o portão.
– Oi. – disse ofegante e com um sorriso nada convincente.
– Oi. – disse notando o estado dela – Você está bem?
– Claro. – sua voz saiu baixa, estava com falta de ar e os óculos quase escapulindo do nariz.
Ficaram em silêncio. Ela não sabia o que fazer. Leandro sorriu desconcertado com toda aquela situação que Maria o enfiou.
Ele parecia tão meigo naquele momento. Usava uma bermuda azul claro e branco, uma camisa amarela sem estampa. A pulseira preta e um cordão com uma caveira davam o ar roqueiro que era inerente à sua personalidade. Trazia um violão à tira colo.
Paloma continuava olhando para ele fixamente. Ela deu um salto, despertando do transe.
– Vo-você quer entrar? – disse gaguejando.
– Seria bom. – já estava cansado de ficar em pé do lado de fora, algo estava estranho com ela.
A garota o levou até a sala.
– Não repara na bagunça, aqui é bem pequeno. – disse retirando alguns livros de cima do sofá.
– Relaxa! – sentou-se e acomodou o violão ao seu lado.
– Eu vou ao meu quarto terminar de me arrumar e já volto.
– Tá bom.
Ela ameaçou sair, mas deu meia-volta.
– Se você quiser assistir televisão, sinta-se à vontade.
– Tudo bem.
Leandro esticou-se para pegar o controle.
Paloma entrou no quarto, aflita. Quando encontrar com a Maria, vou matá-la! Pegou o pincel para passar blush; estava parecendo um fantasma. Abriu a primeira gaveta da cômoda e, por entre alguns batons, tirou um vermelho sangue. Lera em algum lugar que homens sentiam-se atraídos por aquela cor. Passou uma vez, duas... Até que seus lábios pareceram sangrar. Olhou o espelho. Nossa! Seus lábios ofuscavam todo o seu rosto. Vai ficar assim mesmo, disse. Guardou tudo. Deu uma última olhada no espelho, ajeitou a blusa que, com a correria, subira um pouco. Calçou uma simples sapatilha preta. Voltou depressa para a sala, onde encontrou um Leandro atento na televisão.
– Vamos? – disse Paloma.
– Oi? – olhou para ela e ficou espantado com os lábios dela – Vamos. – disse tentando sorrir.
– Ela riu. – o vermelho sangue nos lábios dela praticamente o cegava.
Saíram da casa. Ela trancou o portão.
Andavam calmamente pela rua que estava calma. Poucas pessoas caminhavam àquela hora.
– Você mora com seus pais? – perguntou Leandro.
– Com a minha mãe, na verdade, e meus irmãos. Mas eles saíram hoje. – ela ajeitou o cabelo, trouxe para trás da orelha.
– E seu pai?
As feições dela ficaram sérias de repente. Abaixou a cabeça.
– Esse é um assunto que eu não gosto de falar.
– Ah, desculpa. – ele ficara envergonhado – Foi mal, não queria te deixar assim – percebeu que ela ficara triste.
– Tudo bem. – levantou a cabeça rapidamente e pode-se ver que seus olhos estavam ligeiramente úmidos – Você não tem culpa.
Ele não sabia mais o que dizer. Para a sorte dele, a casa de Maria já estava se aproximando.
Tocaram a campainha. A garota não demorou muito a aparecer. Estava deslumbrante: uma regata preta com algumas flores aqui e acolá, mini-short jeans muito parecido com o de Paloma, all-star com cadarços rósea. Seu cabelo estava mais sedoso do que nunca, parecia àquelas mulheres de comercial de xampu. Se pudesse, Leandro babaria por ela.
– Oi gente. – disse Maria sorridente.
– Oi. – os outros dois responderam juntos.
– Prontos para aproveitar as férias como nunca? – estava mais animada do que o normal.
[Minhas férias (Pato fu) – Maria, Leandro e Paloma]
Caminhavam pela cidade. Maria animava os outros dois.
MARIA (no ritmo do baixo):
Pá, pá, pá, pá
Pá, pá, pá, pá.
Maria puxava os outros dois que vinham mais atrás para que cantassem junto com ela.
MARIA, LEANDRO E PALOMA:
Pá, pá, pá, pá
Pá, pá, pá, pá.
MARIA:
É duro viver todo dia
Quase todo dia eu vivo de montão
Procuro sempre novos modos de viver
E vivo sempre da mesma maneira
LEANDRO E PALOMA:
Ié, Ié, Ié... Ié, Ié, Ié... (bis)
Paloma estava envergonhada. Leandro cutucou-a e sorriu. Ela respondeu com outro sorriso bem mais iluminado.
Começaram a correr em círculos pela rua dando gargalhadas.
MARIA:
Logo cedo eu ganho um monte de bom dia
o dia é tão comprido
Eu durmo de noitão
Procuro novos modos de não morrer
E morro sempre da mesma maneira
LEANDRO E PALOMA:
Ié, Ié, Ié...
MARIA:
Ié, Ié, Ié... (bis)
LEANDRO:
Eu estou vivo
LEANDRO E PALOMA:
Eu tô vivinho
OS TRÊS
Eu tô vivão (bis).
Pá, pá, pá, pá
Pá, pá, pá, pá (bis).
MARIA:
Tirar umas férias
Que tal tirar umas férias
Foi só uma maneira de esfriar o cabeção
JUNTOS:
Mas minha cabeça tem duas partes
Parte A e parte B
LEANDRO:
A parte boa acabou sendo a pior então
Eu estou vivo
LEANDRO E PALOMA:
Eu tô vivinho
JUNTOS:
Eu tô vivão (bis).
Pareciam loucos correndo pela rua.
Leandro cansou e sentou-se num banco já bem perto da lagoa. Paloma sentou-se ao lado dele. O rapaz gargalhava. Olhou para ela e a garota o encarava com olhos apaixonados. Ficaram estáticos por alguns poucos segundos – que duraram quase uma eternidade para Paloma. Ela, lentamente, então, começou a se aproximar dele. Finalmente chegara o momento, pensou Paloma. Você consegue! O máximo que ele pode dizer é não! As palavras de Maria ecoaram em sua mente. Ela sentiu que seria ali. Aquele era o momento. Faltavam poucos centímetros para os seus lábios alcançarem os dele.
Ele olhou atentamente para ela e depois para sua boca cada vez mais próxima. O que estava prestes a fazer? Virou o rosto e levantou-se apressado. Disse sem olhar para as garotas:
– Vamos! Se não, a gente chega atrasado.
Paloma olhou para Maria, ela também estava confusa. Porque ele fizera aquilo?
VII
Tiffany aproveitara as férias para relaxar, e o que melhor para desfazer os problemas da vida de uma garota tão popular quanto ela do que uma tarde no shopping? Seu pai estava trabalhando e sua mãe passaria a semana toda em um SPA, ficar em casa seria pior. Decidiu então, fazer uma maratona de compras.
Sentia-se deslocada, talvez pela falta de Débora; ela sempre a acompanhava nessas maratonas.
Comprou muitas roupas e diversos sapatos. Estava louca para experimentá-los quando voltasse às aulas.
Sentiu o celular vibrar dentro da bolsa. Vasculhou a bolsa em formato de porco até encontrar o aparelho. Era uma mensagem, e era de Débora. O que seria? Será que estava lhe pedindo desculpas por tudo? Se fosse isso, era muito tarde. Aquele atentado contra a popularidade de Tiffany era imperdoável. Abriu a mensagem. Quando leu, ficou assustada:
“Prepare-se, colega; a guerra apenas começou! See you in hell!
;* Débis”
***
Todos se divertiam como se fossem crianças em um parque de diversões. Os rapazes brincavam de alguma coisa na água e as três garotas conversavam na beira da lagoa. Todos os alunos do coral estavam presentes, exceto Tiffany e Pedro, mas ninguém contava com a presença deles naquele momento.
– Só Elis alcançava aquela nota. – disse Talita convicta.
– E a Tetê Espíndola? Esqueceu ela? – argumentou Paloma – Ela tinha um timbre bem agudo.
– Minha cara, — Talita falava como se estivesse conversando com amadoras; aquela conversa já estava ficando entediante para ela – Tetê é uma cantora de uma única música, ou você se lembra de algum outro sucesso dela além de “Escrito nas estrelas”?
– Não. – concordou Paloma derrotada.
– Mas também, com aquele timbre dela... Acho que nenhum outro compositor conseguiu escrever uma música para aquela... Voz aguda dela. – ponderou Talita – Agora a coitada ficou fadada a ser um hit dos karaokês de barzinhos de esquina.
Ficaram em silêncio. Era estranho conversar com Talita, pensou Paloma, ela tinha opinião sobre tudo, mas não costumava aceitar as alheias, a menos, é claro, que essas concordassem com as dela. Olhou para a lagoa, viu Leandro levantando Renan e colocando-o nos seus ombros. Ele parecia se divertir como nunca...
Sem dúvidas ele era muito bonito; o cabelo castanho-claro iluminava todo o seu rosto, dando-lhe uma alegria que irradiava a todos e o corpo, que não era musculoso, mas bem definido, chamava a atenção do sexo oposto quando ele tirava a blusa. Mas porque fizera aquilo? Porque ele fugiu de Paloma? Será que tinha namorada? Ou fizera voto de celibato quando muito pequeno? Aquilo fora muito estranho e constrangedor.
***
Começara a anoitecer e os rapazes trouxeram alguns galhos perdidos. Acenderam e fizeram uma fogueira.
As estrelas já despontavam e a Lua cheia iluminava tudo ali.
Sentaram-se em volta do fogo e começaram a conversar. Falaram de sua vida, seus sonhos, do coral e fofocaram bastante. Leandro pegou seu violão, ensaiou alguns acordes e começou a tocar. Todos se sentiram envoltos pela energia daquele momento. Fora uma ocasião inesquecível, as férias daquele ano.
[Noites de um verão qualquer (Skank) – Leandro, Fernando e coral]
LEANDRO:
Uh-uh-uh-uh-uh
Uh-uh-uh(2x)
Noites de um verão qualquer
Eu me sufoco nesse ar
O corpo venta em preto
O chão devora o espaço ocular
FERNANDO:
Noites de um verão qualquer
Cantou para Talita, que ficou envergonhada.
Deixa que ela entenda o traço
Que invente a fuga por nós dois
Que sou seus pés, eu sou também seus braços
LEANDRO:
Noites de um verão qualquer
Dentro da febre desse abraço
Satélite voltou do céu
LEANDRO E FERNANDO:
Eu sou o resto, sou também o aço
FERNANDO:
Noites de um verão qualquer
Sob sua pele encontrei abrigo
Pra gente se devorar
LEANDRO E FERNANDO:
Na órbita do seu umbigo
Talita observava Fernando. Tinha quase certeza do que diria a ele no retorno às aulas. Aquele encontro no bosque abriu-lhe os olhos.
TODOS:
Uh-uh-uh-uh-uh
Uh-uh-uh(2x)
LEANDRO E FERNANDO:
Seguem infinitos metros
Pra perto desse abraço (MENINAS: Uh, uh...)
Eu tento respirar
TODOS:
Desdar o nó que aperta esse laço
LEANDRO:
Noites de um verão qualquer
Deixa que ela entenda o traço
Que invente a fuga por nós dois
LEANDRO E FERNANDO:
Que sou seus pés, eu sou também seus braços.
Todos aplaudiram.
Notas finais
Agora tirarei "férias" [pra poder descansar >< e dar continuidade à história com muitas outras surpresas], mas não se preocupem; dia 15 de agosto volto com o 9º episódio. Aguardem!!! Ainda virão muitas surpresas!
E como sou uma pessoa muito boa, deixarei a sinopse do próximo capítulo para vocês:
Ep09 - Ti ti ti
As aulas voltam, assim como os ensaios do coral, para o desespero de Osmar. Débora volta com novos planos para roubar a coroa de Tiffany, mas será que ela conseguirá conquistar Pedro? Afinal, foi por isso que ela o separou de Tiffany... E Talita? Terá coragem de dizer o que sente para Fernando? Aliás, o que é que ela sente mesmo? Qual foi o motivo que levou Leandro a rejeitar Paloma? E porque Paloma ficara triste quando o rapaz mencionou o seu pai?
Tudo isso e muito mais vocês acompanharão à partir do dia 15.
Aguardem!!! ;)
Témais! o/
Baixe as músicas do episódio:
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