Cante!

7 Ep06 - O amor está no ar


Notas iniciais
Episódio especial de dia dos namorados ( ^^ )
Alguns alunos do colégio Augusto dos Anjos são tomados por paixões repentinas, enquanto isso, o diretor Ferreita esforça-se para descobrir quem foi o causador da "brincadeira" com Annah, enquanto Débora procura novos meios para chegar à realeza.
Baixe as músicas do episódio:
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EPISÓDIO 06

O AMOR ESTÁ NO AR

I

João Paulo saiu da sala. Estava enjoado de ouvir o professor de Física falar tanto em forças.

Avistou Maria do outro lado do corredor, quando ela voltava para a sala. Ela também o viu.

[Duas metades (Jorge e Mateus) – JP]

Pra falar do amor de verdade,
Vou começar pela melhor metade
Te mostrar tudo de bom que tenho
E se for preciso eu desenho
Eu amo você,
Que eu quero você.

A outra metade é defeito
Você vai saber de qualquer jeito,
Anjo ou animal, suave ou fatal
O que de um grande amor se espera
É que tenha fogo,
Que domina o pensamento
E traga sentido novo.

Ela entrou na sala.

Que tenha paixão, desejo,
Que tenha abraço e beijo
E seja a melhor sensação,
Que preenche a vida vazia,
Mande embora a agonia
E que traga paz pro coração,
É você, é você.

Que preenche a vida vazia,
Mande embora a agonia
E que trouxe paz pro coração
Que preencha a vida vazia,
Mande embora a agonia
E que é dona do meu coração,
É você, é você.

E pra falar do amor de verdade
Vou começar pela melhor metade.

Suspirou.

Que diabos ele estava sentindo? Nunca ficara assim por nenhuma outra garota, ele estava literalmente babando por aquela garota. Bem, nem o nome dela sabia, mas percebera que era algo diferente. Parece que com as outras garotas era diversão, eram descartáveis, mas sentia algo novo pela garota sem nome. Algo que parecia ultrapassar qualquer tipo de barreira.

Definitivamente, precisava saber tudo sobre ela, mas não sabia por onde começar, e agora?

***

O diretor olhava fixamente para Talita.

— Você confirma que não tem nada a ver com essa brincadeira de mau gosto, Talita?

Mostrou o cartaz para ela.

— Claro, diretor. Eu nunca, em sã consciência, faria algo tão baixo assim.

Annah estava indignada com a cara de pau da garota.

— Mas diretor, — disse essa – tenho certeza que foi ela. O senhor precisava ter visto o jeito que ela me olhou. – olhou para Talita, ódio nos olhos das duas – Se olhar matasse, já estaria mortinha da Silva.

— Infelizmente, Francinalva...

— É Annah. – interrompeu o diretor.

— Infelizmente, Annah, só poderia punir Talita se você apresentasse alguma prova indiscutível, ou se ela confessasse. Como nenhum dos dois ocorreu, fico de mãos atadas.

— Mas diretor, — disse Annah frustrada – isso não pode ficar impune. O senhor sabe o que sente uma pessoa que foi humilhada nessas condições?

— Devo imaginar... – olhou nos olhos dela – Por isso, tomarei alguns atos que estimularão o culpado a se entregar.

Annah ficou mais aliviada. O que, porém, ainda mantinha um grande peso em seus ombros era saber que a culpada estava do seu lado e não tinha como provar. Precisava tomar alguma atitude, ou será que os atos que o diretor prometeu seriam suficientes para obrigar aquela baleia invejosa a se declarar culpada? Pelo sim, pelo não, seria melhor que ela tomasse uma posição.

Saíram da diretoria. Talita voltou a olhá-la de cima. Aquele nariz empinado fazia Annah querer socá-la até a morte. E o desprezo? Ah, que ódio! Ela, definitivamente, precisava provar que Talita era a responsável por aquela “brincadeirinha” de muito mau gosto.

***

O diretor estava pensativo. Alguma coisa dentro dele dizia que Talita tinha alguma coisa a ver com aquela história toda. Mas não poderia acusá-la sem provas e, mesmo que não tivesse sido ela, era necessário encontrar o autor daquele ato. O que poderia fazer para que o culpado se delatasse? Ameaçar suspender o colégio todo? Não, isso não teria cabimento. Infelizmente não havia nada na “cena do crime” que indicasse qual a série do culpado, o que tornava tudo ainda mais complicado.

Mas aquela sensação de que Talita era a culpada ficava martelando em sua cabeça. E se realmente ela era culpada? Deveria apostar naquela intuição? Bem, aquilo era a única pista que tinha. Tanto ele quanto a vítima culpavam-na. Faria então! Apostaria naquilo. Se não fosse ela, não haveria nenhum problema, por que o que ele estava prestes a fazer não prejudicaria apenas a ela.

Tirou o telefone do gancho e discou o ramal de sua secretária. Chamou algumas vezes. Ela atendeu:

— Colégio Augusto dos Anjos, escritório do diretor Henrique Ferreira. Bom dia, Alice falando. – disse calmamente, enfatizando a pontuação.

— Alice, sou eu: Henrique.

— Pois não, diretor.

— Peça para o zelador ligar o sistema de som do colégio; quero falar com os alunos dentro de 40 minutos.

— Como o senhor deseja.

Desligou. Estranho, pensou ela, o diretor só costumava utilizar o sistema de som em assuntos muito graves. Quando precisava tratar de assuntos corriqueiros marcava reuniões com os pais e os alunos. Algo estava acontecendo naquele colégio, algo muito ruim.

II

As pequenas caixinhas que ficavam em cima das portas das salas começaram a fazer um ruído, como se quisessem transmitir algo. Alguns alunos assustaram-se. Alguém falava, mas não era audível; o volume ainda estava muito baixo. De repente, a voz do diretor tomou uma proporção assustadora.

— Caros alunos, — disse ele, com a voz um tanto metalizada – aqui quem vos fala é o diretor Henrique Ferreira. Venho lhes comunicar de um fato que abalou o colégio essa semana: alguém colocou cartazes nos banheiros do colégio, tanto masculino quanto feminino, expondo uma de nossas alunas ao ridículo. Até agora o culpado não se pronunciou. – Talita escutava atentamente, Annah tinha o olhar fixo nela – Então terei que tomar providências cabíveis. – limpou a garganta e continuou – Até que o responsável por esse ato se apresente na minha sala, a Semana de Artes está suspensa, portanto, a última semana de aula do primeiro semestre será semana de provas subjetivas. – pigarreou novamente – Espero que o culpado não demore muito a se apresentar, caso contrário, essa decisão será efetiva. Bom dia.

As salas de aula tornaram-se um alvoroço. Os alunos gritando, pois a nota dos trabalhos da Semana de Artes salvava muitos deles da recuperação final. Os professores também reclamavam; teriam que elaborar mais uma prova.

Talita estava pensativa. Não queria que a Semana de Artes fosse cancelada, mas fora longe demais, não poderia se entregar agora. Nem conseguia imaginar as consequências da sua confissão. Seria suspensa ou expulsa? Sua mãe com certeza lhe poria de castigo e passaria a ser vista pelos outros alunos como a doida invejosa. Confessar o crime lhe traria mais problemas do que permanecer em silêncio. Só teria que estudar para mais uma semana de provas, afinal, aquilo não seria problema nenhum.

Annah a observava. Será que agora ela dirá a verdade?

III

Pedro estava conversando com seus amigos. Mesmo sabendo que agora ele fazia parte do coral, nada mudou muito entre eles. A conversa era boa, todos riam com um garoto que imitava alguns professores. Márcio juntou-se ao grupo.

Pedro não gostava dele. Não sabia se era a arrogância, a hipocrisia ou a mistura disso. Só sabia que não ia com a cara dele. Além disso, Tiffany lhe dissera que ele faria de tudo para roubar sua coroa. Que ótimo, pensou ele, além de hipócrita ainda é invejoso.

O rapaz foi se aproximando dele e puxando-lhe pelo braço sussurrou:

— Preciso levar um papo sério contigo.

Pedro olhou para ele e respondeu:

— Tudo bem.

Foram para um local da cantina mais isolado que normalmente era utilizado para os alunos darem uns “amassos”. Para sorte deles, estava vazio.

— Então, o que é que “tu” queria falar comigo?

— É o seguinte, — fez uma pausa; precisava fazer assim como tinha combinado com Débora – tu tá saindo com a Tiffany ainda, né?

— Sim. – respondeu Pedro sem entender o que aquilo tinha a ver.

— Pois vou te dar um toque: cuidado com ela que ela tá te chifrando.

Pedro levou um choque. Tiffany estava o traindo? Seria possível? Bem, seria completamente possível; ele ainda não confiava totalmente nela, mas ainda assim, confiava menos ainda em Márcio. Aquilo poderia ser só um jogo para separá-lo dela, talvez achando que com os dois separados seria mais fácil roubar a coroa dele, mas ele estava muito enganado se achava que seria fácil.

— Isso é história tua; Tiffany não me traiu. – falou mesmo que duvidando das próprias palavras.

— Como você pode ter tanta certeza disso?

— Pergunto o mesmo a você. – disse desafiando Márcio.

— Eu sei com quem ela te traiu. – o rapaz permanecia calmo e centrado, precisava seguir o plano perfeitamente, senão, seria um fracasso.

— Com quem foi então? – a confiança em Tiffany ia diminuindo a cada palavra.

— Comigo. – disse tranquilamente como se saboreasse cada letra.

Pedro foi tomado por um ímpeto de fúria, não lhe importava se aquilo era verdade ou mentira, só queria matar aquele idiota. Deu-lhe um soco na bochecha.

Márcio cambaleou para trás, foi parar no meio da cantina. Pedro foi atrás dele. Márcio tentou acertar um soco na barriga do adversário, mas este desviou. Agarram-se e caíram juntos.

Desferiam socos e chutes. Uma roda de alunos formou-se ao redor deles.

Pedro estava irado. Se aquilo tudo fosse verdade... Não saberia qual seria sua reação.

Não demorou muito para que um monitor aparecesse, separasse os dois e os levasse para a diretoria.

***

O diretor os olhava fixamente. Os rapazes não trocavam olhares e nem abriram a boca desde que entraram ali.

— Bem, rapazes, — disse Ferreira quebrando o silêncio sepulcral – será que um dos senhores poderia me explicar o que aconteceu?

Nada. Permaneciam calados. Pelo menos aparentavam estar arrependidos do que fizeram.

— O que me consta – disse o diretor cruzando os dedos e pondo os ombros sobre a mesa – é que os senhores brigaram hoje na cantina. Não se sabe, porém, o motivo. Poderiam esclarecer esse ponto nebuloso?

— Diretor, — disse Pedro gaguejante – só digo que ele me provocou.

— Você me deu um murro! – disse Márcio.

— Por que você me provocou!

Pedro voltava a ficar vermelho. Mais um pouco e provavelmente ele partiria para outra briga com Márcio. Por qual motivo aquele garoto não lhe descia?

— Calma rapazes! – disse o diretor ponderando – E o que o Márcio fez para que você batesse nele, Pedro?

— Disse que a minha namorada “tá” saindo com ele.

— Pelo que eu sei, ela NÃO é sua namorada. – Márcio enfatizou o “não”.

— Uhm... – o diretor estava pensativo; então o caso era traição, muito comum, mas não entendia o que tinha levado Pedro a cometer aquele ato, havia algo a mais naquela história que não estava sendo dito ali.

O diretor pensou por alguns segundos, enquanto isso, os dois evitavam se olhar.

— Rapazes, — disse o diretor seriamente – dessa vez, darei apenas uma advertência aos dois, mas se tornar a vê-los nessa sala, não hesitarei em suspendê-los. Ficou claro?

— Sim. – responderam em uníssono.

Saíram da diretoria.

O diretor alongou-se. Aqueles dias haviam sido muito cansativos, os alunos estavam aprontando muito. Pelo menos julho estava se aproximando. Precisava esperar só mais três semanas e teria suas merecidas férias. Acomodou-se na cadeira e afrouxou a gravata.

IV

Fernando abordou Talita no corredor.

— Resolveu o problema lá com a Annah.

— Não tem nada pra resolver. – disse a garota soltando seu braço da mão dele.

— Você não pode deixar do jeito que “tá”. Ouviu o diretor? Ele vai cancelar a Semana de Artes.

— Não é fácil pra mim, se é que você me entende, ver o único evento artístico desse colégio ser cancelado assim, — sussurrando agora – ainda mais por minha causa, — retoma o tom normal – mas já fui longe demais. O diretor me interrogou e eu disse que não fui eu. Assumir a culpa agora pioraria ainda mais minha situação. Desculpa Fernando, mas estou de mãos atadas. – disse com pesar.

Afastou-se. Ele não poderia deixar aquilo como estava; o colégio todo não deveria pagar por aquele ato irracional cometido num momento de fúria. Por mais que o que estava prestes a fazer lhe doesse, não poderia permanecer passivo. Teria que ser corajoso agora.

***

Do outro lado do corredor, Paloma e Maria observavam a conversa Fernalita.

— Pa, você acha que tem alguma coisa entre eles dois?

— Com certeza! E se não tem, vai ter. Olha a cara do Nando conversando com ela.

— Nunca o vi dessa forma. Parece que ele tá diferente...

— Mais vivo eu diria. – continuou Paloma.

— Isso.

Maria sentiu algo cutucar-lhe o ombro, virou-se para ver. Deu de cara com JP encostado na parede, tentando parecer sexy. Aquela cena fez-lhe querer rir, mas permaneceu séria.

— E aí gata, tenho duas entradas para a festa junina municipal e tava pensando se você não queria ir comigo...

Ela ficou assustada primeiramente, não imaginava receber aquele tipo de proposta.

— Deixa ver se entendi: – disse a garota – Você está me chamando pra sair?

— Isso. – disse o garoto com esperanças de que ela aceitaria.

— Olha aqui, só porque você é o jogador de futebol popular e eu faço parte do coral, não lhe dá o direito de pensar que nós podemos sair, e depois, começar a ficar e, consequentemente, namorar. Aí no terceiro ano você vai me pedir em noivado só para que no último dia de aula, quando eu estiver completamente apaixonada, você romper o noivado dando a desculpa de que é um obstáculo para o meu iminente sucesso. – estava histérica – Eu não mereço isso! – começou a soluçar; escondeu o rosto nas mãos em formato de concha.

JP estava assustado; aquela garota era louca.

— É... – disse ele – Desculpa gata.

Saiu andando, quase correndo.

Maria virou-se para continuar conversando com sua amiga.

— O que foi isso? – perguntou Paloma quase gargalhando.

— Tava só dispensando ele. – sorriu.

— Agora ficou ainda mais confuso. Você acabou de dispensar o João Paulo?

— Foi. – Maria estava estranhando a reação de Paloma.

— Tá chovendo homem na tua horta, é?

— Não. Mas também não to precisando de homem que só quer se divertir comigo.

— Pelo jeito dele, parecia que ele queria algo mais com você.

— O algo mais dele, amiga, é cama, e isso nem morta!

— Não. Não é disso que eu tava falando. Parecia que ele realmente gosta de ti.

— O João Paulo? Gostando de mim? – tentou rir – Aquele ali só gosta dele mesmo, amiga. E assim como eu, tu conhece a fama dele no colégio.

— Conheço. Mas algo ainda me diz que essa história ainda não acabou.

Ficaram caladas por poucos instantes.

— Ai amiga, — disse Paloma – tá todo mundo se acertando e eu continuo só. O Fernando quer a Talita, o João Paulo te quer, só eu que to segurando vela, como sempre. – suspirou.

— Está sozinha por que quer... Pensa que eu não vejo teus olhares para o Leandro é?

Paloma corou.

— Que olhares?

— Ora, que olhares... Você não para de olhar pra ele durante os ensaios e vi que você ficou muito feliz quando o Osmar colocou vocês dois como um par no ensaio da apresentação da Semana de Artes.

— Não é nada demais... – disse envergonhada.

— Não é nada por que você não quer. Vou te dar um conselho de amiga, Paloma – segurou as mãos dela – Quando você quiser alguma coisa, não tenha medo de buscá-la. Mesmo que o caminho seja difícil ou que as possibilidades sejam remotas, sempre vale a pena lutar por aquilo que se ama. – piscou – Bom, vou ao banheiro agora. Te vejo na sala.

Paloma ficou pensativa. Será que Maria estava certa? Valeria mesmo a pena lutar por aquilo? E se fosse só uma paixonite de adolescente? Numa coisa sua amiga estava certa: sempre vale a pena lutar por aquilo que se ama. E se desse certo? E se não desse? Ora, deveria tentar, afinal, não tinha nada a perder.

[Bola de cristal {Eliana} – Paloma]

Cantava pensativa

Não tenho bola de cristal oh,oh,
Pra saber se você gosta um pouco de mim
Não sou ninguém especial oh,oh,
Não sei prever futuro ou qualquer coisa assim

Ah que bom que seria ter
Esse dom de adivinhar
Entraria em seu coração
Já pensou poder descobrir
O que você acha de mim
Vai ficar comigo ou não?
Mas pensando bem, pra quê
O que eu tinha de saber eu sei...

Auditório. Ensaio do coral. Paloma cantava no palco, todos assistiam.

Tudo que a gente quer
Tem que lutar
Pra conquistar
Pode apostar isso eu sei
Mas quando o destino quer
Vai ter que ser
Vai acontecer
Sem ninguém saber
Nada disso então importa
Quando a gente gosta
Meu destino é gostar de você (bis).

Aplaudiram.

— Muito bem, Paloma – não fazia ideia por qual motivo aquela menina tinha-lhe enchido o saco para cantar aquela música, e o pior de tudo, nem era sobre o Nordeste – Bom, agora voltemos ao número da Semana de Artes.

***

[Festa do interior / Feira de Mangaio {Gal Costa / Clara Nunes} – Annah e coral]

Todos no palco com o mesmo figurino usado em Severina xique-xique.

ANNAH:

Fagulhas
Pontas de agulhas
Brilham estrelas
De São João...

Babados
Xotes e xaxados
Segura as pontas
Meu coração...
(TODOS: Ah, ah, ah, ah, ah...)

Bombas na guerra-magia
Ninguém matava
Ninguém morria...

Nas trincheiras
Da alegria
O que explodia
Era o amor...

TODOS:

Nas trincheiras
Da alegria
O que explodia
Era o amor...

ANNAH:

Tinha uma vendinha no canto da rua
Onde o mangaieiro ia se animar
Tomar uma bicada com lambu assado
E olhar pra Maria do Joá

Mais é que tem um Sanfoneiro no canto da rua
Fazendo floreio pra gente dançar
Tem Zefa de purcina fazendo renda
E o ronco do fole sem parar

Bombas na guerra-magia
Ninguém matava
Ninguém morria...

Nas trincheiras
Da alegria
O que explodia
Era o amor...

TODOS:

Nas trincheiras
Da alegria
O que explodia
Era o amor...
(TODOS: Ah, ah, ah, ah, ah...)

ANNAH:

Ardia aquela fogueira
Que me esquentava
A vida inteira
Eterna noite
Sempre a primeira
Festa do Interior...(2x)
(TODOS 1ª vez: Ah, ah, ah, ah, ah...)

- Muito bem, crianças – Osmar estava animado – vocês estão melhorando a cada ensaio. Agora está quase perfeito. – anotou algo em sua prancheta.

— Professor, — Renan levantou o braço, continuou quando Osmar olhou para ele – será essa música que nós apresentaremos?

— Talvez. – pôs a prancheta numa das cadeiras – Ainda temos três semanas até a apresentação. Ainda dá tempo de ensaiar mais uma música. Aí, pegarei as três músicas que ensaiamos para a Semana de Artes e escolherei a que ficou mais bem interpretada. Mas não se preocupem, na semana anterior à apresentação, ensaiaremos arduamente apenas as músicas da apresentação.

V

— Vamos, diga!

Tiffany estava com medo de Pedro, ele chegara transtornado e perguntava sobre uma suposta traição dela com Márcio. Onde ele ouvira aquilo? Alguma coisa lhe dizia que o dedo de Débora estava envolvido.

— Diga! Você me traiu com o Márcio? – repetiu o garoto.

Todos pararam para olhar o que estava acontecendo. Formaram um círculo em torno deles, como os leões que cercam suas vítimas antes de abocanhá-las.

Aquilo não seria nada bom para sua reputação, pensava Tiffany. Já não bastava ser do coral, agora seria taxada como adúltera. Sua campanha estava descendo pelo abismo do anonimato. “Seja sensata Tiffany!”, pensava. Então ela olhou para o rosto do rapaz, viu que ele estava realmente sofrendo com aquilo. Será que existia algo dentro dele que realmente gostava dela?

Pedro realmente sofria com aquela traição. Talvez nem tanto pelo ato; não esperava muito de Tiffany. Sabia que ela faria de tudo para conseguir o que quer, mesmo que tivesse que passar por cima dos sentimentos alheios. O que lhe incomodava mais era a pessoa com quem aquele ato foi cometido. Justamente com ele? Se fosse qualquer outro rapaz ele perdoaria. Mesmo se Tiffany o tivesse traído com seu melhor amigo, ele perdoaria. Mas, por alguma razão, que nem ele mesmo sabia, ser trocado por Márcio era imperdoável. Talvez aquela rivalidade toda que Tiffany lhe dissera ficara impregnada em sua cabeça. Perdoá-la era impossível! Não havia condição nenhuma.

— É verdade. – disse a garota, evitando olhar nos olhos dele – Eu fiquei com ele enquanto estava saindo com você.

Pedro cerrou o punho. Uma lágrima ameaçou despencar do olho direito. Socou a parede.

Saiu furioso.

Ali perto, Débora observava tudo. Sorriu. Seu plano fora perfeito, conseguira, afinal, separar os dois pombinhos e agora Pedro estava livre para que ele o usasse em prol de sua campanha. Só precisava retribuir Márcio pelo favor de ter dado a informação crucial a Pedro e também para calá-lo; ninguém poderia saber que fora ela que arquitetara tudo aquilo.

VI

A aula de geografia era a coisa mais entediante que Annah já vira em sua vida. Por que deveria saber tanto sobre formas de relevo? Aquilo ajudaria quando fosse uma cantora famosa mundialmente?

Alice, secretária do diretor, entrou na sala.

— Com licença professor.

O professor virou-se e acenou positivamente com a cabeça.

— Francinalva, o diretor solicita sua presença na diretoria agora.

— É Annah... – disse levantando-se.

Annah a acompanhou. Alice era nova e muito bonita. Aparentava ter 25 anos e seus cabelos eram cuidadosamente arrumados em um coque. Um terninho preto um pouco gasto dava uma expressão sisuda ao seu rosto.

A secretária abriu a porta e anunciou a garota.

— Com licença diretor, Francinalva está aqui.

Annah entrou. Fernando estava sentado em frente ao diretor, tinha o rosto sério, marcado por leves marcas de expressão na testa. Aquela cena a assustou. Algo estranho acontecera.

— Fernando, peço que você repita para... Annah o que acabou de me dizer. – disse o diretor com um ar preocupado no rosto.

Nando hesitou. Parecia que o que ia dizer lhe doía muito. Ele precisava ser corajoso naquele momento; já começara, não podia mais desistir. Respirou fundo. Tenha coragem! Será o melhor para todos, até para Talita aquela era a melhor opção. Coragem! Respirou fundo novamente. Estava ofegante.

— Fui eu quem fez o cartaz. – disse o garoto secamente.

Annah levou um susto. Estava confusa.

— Não, não foi você. Eu tenho certeza! – disse a garota atônita.

— Como você pode ter certeza? Você tem provas para acusar outra pessoa? – Fernando desafiou.

— Não. Mas tenho certeza que não foi você.

Fernando olhou nos olhos do diretor.

— Fui eu, diretor. Pode me punir!

— Não! – interveio Annah – Eu sei que não foi ele.

— Não podemos fazer nada Annah. Ele confessou o crime. – disse o diretor com pesar, enquanto anotava algo em um bloquinho que estava sobre sua mesa.

— Mas diretor, tenho certeza que não foi ele.

— Tem algo que comprove que não fui eu? – o garoto a desafiou novamente.

Annah calou-se.

— Tudo o que tenho a fazer agora é suspendê-lo Fernando. – o rapaz suspirou, como um assassino que se prepara para receber sentença de morte – Você levará uma suspensão de 15 dias a partir de amanhã e terei que contatar seus pais. – escreveu algo; o olhar do diretor estava disperso – Pode ir agora!

O rapaz deixou a sala.

— Diretor, não o suspenda! – disse Annah apoiando-se na mesa do diretor, sua expressão era perplexa – Eu sei, embora não tenha como provar, que não foi ele.

— Também tenho essa mesma sensação. – disse o diretor sério.

VII

Talita entrou no auditório. Recebera, pela manhã, um bilhete que dizia:

“Me encontre no auditório às 14hrs. Tenho uma surpresa para você!

Fernando”

Estava ansiosa. O que aquele garoto estava aprontando?

Ao entrar, logo o viu sozinho, no palco. Ele sorriu ao vê-la.

— Oi. – disse ela ajeitando o cabelo.

— Oi. – disse ele timidamente.

— Então, qual é a surpresa?

— Resolvi seu problema. – embora aquele assunto fosse lhe dar muita dor de cabeça, estava muito feliz naquele momento. Parecia que a presença de Talita ali fazia com que aquele momento fosse mais gratificante.

— Como assim?

— Eu falei com o diretor. – sorriu.

— Como? – uma expressão de pavor tomou conta da face dela; ele não poderia ter dado com a língua nos dentes, se isso tivesse acontecido traria grandes problemas a ela – O que você disse a ele?

— Nada de mais. – ele até se divertia com a expressão de medo dela.

— Desembucha! – ela estava ficando irritada com aquela situação.

Se ele tivesse dito tudo, ela nunca o perdoaria.

— Disse que fui eu quem fez o cartaz.

— Quê? – não estava entendendo mais nada.

— Disse que fui eu quem fez o cartaz da Annah.

— Por que você fez isso? – Talita estava muito confusa.

— Era melhor pra todo mundo. A Semana de Artes não foi cancelada e você não foi punida. – fez uma pausa – Tudo dentro dos conformes. – sorriu e seu sorriso saiu diferente dos outros, parecia mais iluminado, aquilo encantou Talita.

— Você não deveria ter feito isso... – ela preocupava-se com ele – Você vai pagar por algo que você não cometeu?

— Não vejo assim. Se não tivesse feito isso, você, provavelmente, não teria confessado, então, o colégio ficaria sem a Semana de Artes. E você mesma disse que a Semana de Artes é o único evento que o coral se apresenta durante o ano. Se continuasse da maneira com estava, tivemos tanto trabalho pra nada?

— Ah, meu Deus! – colocava a mão na testa e andava de um canto pro outro do palco. – Agora vou me sentir culpada. Ainda não entendo por que você cometeu esse ato idiota.

“Quando se ama alguém, cometemos atos idiotas”, pensou ele.

Não sabia o que lhe chamava atenção nela. Seria o talento? Ou a personalidade estranha? Talvez uma mistura de tudo. Só sabia que estava perdidamente apaixonado por ela, aliás, nem isso sabia, pois nunca sentira algo igual por nenhuma outra garota. Aquilo é amor? Ou paixão?

Agora ela parecia extremamente bonita. Conseguia vê-la de uma maneira diferente. Ela não era mais a garota baixinha e gordinha de uma voz incrível, agora ela era, para ele, uma verdadeira musa. Aquelas da mitologia grega, tão linda, tão talentosa, chegando a ser mística... Talvez ela fosse a própria musa da música. Nossa! Como ela era linda!

— Vamos deixar isso pra lá! – disse ele – O que foi feito está feito. Agora queria que você me ajudasse com uma música. Talvez eu vá cantar no Show de talentos.

— Sério? – disse surpresa – Qual música?

Mostrou a partitura para ela.

— Você vai cantar essa música? Mas é um dueto.

— Talvez eu faça um dueto. – Fernando disse misterioso.

— Tá bom, então.

— Tenho o playback no meu mp4. – disse o rapaz tirando o aparelho de dentro da mochila.

Apertou o play.

[A bela e a fera {A bela e a fera} – Fernando e Talita]

TALITA:

Sentimentos são
Fáceis de mudar
Mesmo entre quem
Não vê que alguém
Pode ser seu par

FERNANDO:

Basta um olhar
Que o outro não espera
Para assustar
E até perturbar

JUNTOS:
Mesmo a Bela e a Fera

Sentimento assim
Sempre é uma surpresa

TALITA:
Quando ele vem

FERNANDO:
Nada o detêm

JUNTOS:
É uma chama acesa
(TALITA: ooooooh...).

Talita olhou nos olhos dele e viu algo que nunca vira antes. Sentiu-se completa naquele momento.

JUNTOS:

Sentimentos assim
TALITA:

Para nos trazer

FERNANDO:
Novas sensações

TALITA:
Doces emoções

JUNTOS:
E um novo prazer
(TALITA: oh, oh, oh...)

FERNANDO:

Sentimentos vem (TALITA: Sentimentos vem...)
TALITA:

Para nos trazer

JUNTOS:
Novas sensações

Doces emoções

E um novo prazer

FERNANDO:

E numa estação (TALITA: E numa estação...)

TALITA:
Como a primavera

JUNTOS:
Sentimentos são
Como uma canção
Para a Bela e a Fera

TALITA:

Sentimentos são

FERNANDO:
Como uma canção

JUNTOS:
Para a Bela e a Fera

Chegaram cada vez mais perto até que seus lábios se encostaram. Parecia mágica, mas de alguma maneira eles se completaram naquele momento. Sentiram como se a própria vida fluísse naquele beijo.

Fernando segurou a nuca dela e sentiu o prazer tomar conta de todo o seu corpo.

Talita não pensava em nada, curtia aquela nova sensação; nunca se apaixonara por nenhum rapaz.

Afastaram-se. Os dois muito vermelhos. Talvez por conta da timidez, ou por pura excitação.

Fernando quebrou o silêncio:

— Te amo.

Notas finais
Então, o que acharam?
Comentem! XD
Deem sugestões e críticas!
UM PRESENTE PARA VOCÊS, SPOILER DO PRÓXIMO EPISÓDIO:
Finalmente chega o grande momento da apresentação da Semana de Artes...
Até semana que vem! o/
Baixe as músicas do episódio:
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