Caminhos para o coração

9 Rise up! Changes are on the way (part.1)


Notas iniciais
Olá flores! Olha eu aqui novamente! Iria postar mais cedo, logo depois de Revenge, mas meu pc resolveu brincar de dar defeito, credo! Ainda bem que foi só um susto. Como falei em R, estou atrasada com as mais antigas mas em breve as atualizarei também. E aguardem muitos caps de Natal e ao menos duas Ones: a do Projeto Olicity que já citei, e uma Rheese. Por aqui, revelações, conversas entre irmãos, reflexões e uma festa adiada que ainda vai render bastante. Grata por todas as rewiews passadas.... Aguardo mais rewiews aqui..... Boa leitura....Bjinhos flores

“Tell me how I’m supposed to breathe with no air?

...I’m here alone, didn’t wanna leave;

My heart won’t move, it’s incomplete;

Wish there was a way that I can make you understand....;

Tell me how I’m supposed to breathe with no air?

Can’t live, can’t breathe with no air;

That’s how I feel whenever you ain’t there;

There’s no air, no air;

Got me out here in the water so deep;

Tell me how you gonna be without me?

If you ain’t here, I just can’t breathe;

There’s no air, no air...

No Air

Jodin Sparks feat. Chris Brown

Gaffiney Chicago Medical Center (quinta, 16/5- 17:33 p.m)

Connor

Há dez minutos que me encontrava fitando o nada a minha frente, digerindo as informações que ainda me eram passadas por Hank Voight e Miss Goodwin, suas vozes parecendo vir de longe, por vezes piscava, puxando o ar com força, soltando-o lentamente a fim de me certificar que tudo ali era real e não um sonho ruim. Muito ruim.

—Sabemos que é muita coisa para digerir de uma só vez, que certamente precisará de um tempo, mas infelizmente tempo é justamente o que não temos – a voz grave e rouca do sargento Voight me diz, exigindo me concentrar no que se passava minha volta – A investigação do falso sequestro terá de ser reaberta e para isto preciso que dê queixa formal do ocorrido para que possamos unificar os casos. Neste momento, meus homens estão interrogando a doutora Bekker, tentando fazê-la confessar. Também solicitei junto ao RH do Med maiores informações sobre ela e tão logo tenhamos estes dados em mãos, faremos o mesmo ao hospital aonde ela trabalhava antes de vir para cá – avisa, tencionando prosseguir, mas Latham adianta-se.

—Quanto a isto posso ajudá-lo sargento. Antes de vir para o Med a doutora Bekker trabalhava no Coronation Hospital, em Johanesburgo. Se me der um minuto lhe passarei o contato do diretor do setor de Cardiologia. Igualmente lhe peço que me deixe comunicá-lo que entrarão em contato e por qual motivo para que não seja pego de surpresa – pede meu mentor, parecendo extremamente contrariado.

—Sei que deve ser procedimento de praxe, mas o que exatamente espera encontrar no passado dela, Hank? – doutor Charles pergunta e me pergunto o mesmo.

—Contamos, doutor Latham e eu, sobre as desconfianças que doutor Rhodes nutria acerca do comportamento recente da doutora Bekker – Miss Goodwin responde.

—Ah, então havia um quadro comportamental anterior ao fato? – Daniel inquere, voltando-se para mim – Por que não me procurou Connor? Para desabafar que fosse – questiona-me e o encaro de forma débil a princípio, respondendo quando ele já ia falar novamente.

—Porque julguei ser apenas uma série de mal-entendidos ou talvez uma fase negativa por conta do fim de nosso relacionamento – justifico-me, massageando meu pescoço – Ava...Ela demonstrou ter um temperamento difícil e complicado desde o começo, desde antes de nos envolvermos emocionalmente – lembro.

—Havia notado isto durante o evento da doença de Robin – Daniel diz, arqueando a sobrancelha – Na época lembro de ter pensado como parecia pouco empática ante o quadro de minha filha e até cogitei procurá-la para conversar, mas aconteceu tanta coisa que acabei deixando de lado, o que é uma pena. Quem sabe poderia ter evitado tudo isto – lamenta e balanço a cabeça negativamente.

—Não. A culpa pelo que houve a meu pai é totalmente minha. Eu que me envolvi com ela de forma impetuosa, sem dar tempo ao tempo nem procurar conhecê-la melhor– assumo.

—Se alguém aqui é responsável por alguma coisa, este sou eu – Latham intervém, entregando uma folha de papel a Voight, erguendo a mão quando Daniel e eu tencionamos discordar de sua fala – Foi por minha causa que a doutora Bekker foi contratada. Eu solicitei, especificamente, ela junto a diretoria pura e simplesmente por não enxergar no doutor Rhodes meu segundo ideal. Questionei a escolha feita por Downey ainda em vida por arrogância. Duvidei da decisão de um grande e renomado colega por julgar que a doença teria afetado sua escolha, esquecendo-me do quão David era exigente, capaz, perspicaz e principalmente criterioso. Jamais deixaria seu legado em mãos que não fossem capazes de honrá-lo – discursa, deixando a todos sem ação por alguns segundos, a chegada de minha irmã salvando-nos, por assim dizer, em ter de concordar, em parte, com ele.

—Connor, que está acontecendo? Cheguei mais cedo para ficar com papai e ao invés de Monique ou April, encontrei outra enfermeira que não conheço e não somente ela, mas também um médico que nunca vi antes – interroga, aflita, vindo a meu encontro, esquecendo-se de cumprimentar os presentes — Quando perguntei o que estava se passando me mandaram vir para cá – prossegue, franzindo o cenho ao me encarar – O que houve? Que machucados são estes em seu rosto?

—Claire, acalme-se, por favor – peço, segurando sua mão quando tenta tocar meus ferimentos – Nosso pai e eu estamos bem – asseguro, desviando meu olhar em direção a minha chefe – Miss Goodwin, será que poderiam nos dar licença? – peço, ela concordando de imediato.

—Claro. Vamos deixá-los à vontade – concorda, os demais anuindo com gestos de cabeça.

—Peço que não esqueça de fazer o que pedi o quanto antes doutor Rhodes– Voight reforça e aceno afirmativamente

—Estarei por perto, caso precise – Daniel se prontifica.

—Ok – digo, sorrindo sem vontade, aguardando-os saírem para começar a falar – Claire, antes de qualquer coisa, quero te pedir desculpas – peço, fazendo-a sentar-se a minha frente.

—Desculpas? Po que? – quer saber, me encarando de cenho franzido – O que houve Connor? Notei certa agitação lá embaixo quando entrava e chego está em...- cala-se, parecendo entender o que se passava antes mesmo que eu dissesse – Foi ela, não foi? Aquela mulher, a doutora Bekker. Foi ela quem tentou matar nosso pai, não foi? – antecipa e confirmo.

—Ava Bekker tentou matar nosso pai aplicando Insulina sintética – revelo, erguendo a mão quando tenciona falar – Mas não foi apenas isto. Ela também foi responsável pela ligação do falso sequestro de Robin e pela denúncia anônima que quase me custou a licença para clinicar – conto, vendo-a abrir a boca, espantada – Tem mais: o dinheiro para financiar a sala híbrida doado por papai....ela o convenceu...dormindo com ele, mas isto acho que já sabia, não é? – suponho.

—Não exatamente – diz após um breve silêncio – Sabia que ele havia feito uma outra grande doação ao Med, mas não para quê e quem o procurara pedindo tal coisa – afirma, levando ambas as mãos ao pescoço, apertando-o levemente ao mesmo tempo em que puxa o ar com força, soltando-o devagar antes de voltar a falar – Por isto o socou naquele evento. Descobriu o que tinha acontecido entre eles– supõe.

—Não – nego, deixando-a surpresa – Naquela noite ainda não fazia idéia de como ela o convencera fazer a doação. Até então tinha descoberto que ela sabia ter sido ele desde o começo e ocultara de mim, mas não a razão – revelo, Claire me olhando confusa.

—Ainda assim continuou com ela? – pergunta.

—Nós discutimos e até cogitei não vê-la mais, porém no mesmo dia Ava tomou uma atitude arriscada, mas altruísta, que me fez voltar atrás além de ter-me pedido desculpas – conto, minha irmã olhando-me, incrédula – Claire, entenda, até então não fazia a mínima idéia de que havia sido ela própria a ir pedir o dinheiro muito menos qual recurso usara. Agredi nosso pai aquela noite porque ela o acusou de estar espalhando o boato de que dormiram juntos. Somente quando se defendeu por ter usado de má fé com uma paciente dizendo que os fins justificavam os meios, passei suspeitar e procurei papai para tirar a história a limpo – argumento, sentindo-me um completo e total idiota ao recordar os fatos em minha mente.

Como diabos não percebi o que acontecia bem debaixo do meu nariz? A própria Ava me dera a pista ao acusar meu pai.

—Como pôde acreditar nisso, Connor? – questiona-me – Papai tem muitos defeitos, mas este definitivamente não é um deles. Ele jamais se vangloriou de suas conquistas amorosas. Nem mesmo quando nossa mãe era viva e sim, sabia que a traiu algumas vezes. Sempre soube – revela, me deixando surpreso – Não sou burra nem cega Connor. Podia ser muito nova na época, mas enxergava as coisas a minha volta. Sabia que era questão de tempo o casamento deles ruir – afirma.

—Parece que o único estúpido nessa história sempre fui eu! – xingo-me, sentindo-me cada vez pior.

—Não é estúpido– rebate, segurando minhas mãos – Apenas enxergava nossa mãe com outros olhos – diz, suspirando – Depois que você nasceu, durante um bom tempo, mamãe esteve bem. Muito bem. Carlota me disse, certa vez, ter sido o segundo maior período no qual ela mal teve crises. O primeiro foi após meu nascimento– conta, rindo triste – Parece que enquanto erámos pequenos e dependíamos totalmente dela, isto a fazia ficar bem, mas na medida em que começávamos a crescer, tudo mudava. Talvez se tivesse buscado por ajuda, as coisas fossem diferentes – teoriza.

—Talvez – anuo, sem ânimo – A verdade é que me enganei a respeito de Ava da mesma forma como me enganei a respeito de nossa mãe. Julguei que fosse uma pessoa e era outra completamente diferente – afirmo – Assim como me enganei com Robin, muito embora após a cirurgia as coisas tenham melhorado por um tempo – assumo – O fato é que por minha culpa, pelo meu erro de julgamento, pus a vida de nosso pai em risco já que, não fosse por minha causa, eles jamais teriam se conhecido e muito menos se envolvido. Eu a levei para nossas vidas e provoquei não somente o que houve a ele, mas todos os meus problemas nos últimos meses – acuso-me, baixando a vista.

—Sua única culpa é se entregar de cabeça a seus relacionamentos, Connor – diz, me fazendo a encarar – Até nisto se parece com nosso pai – afirma e arqueio a sobrancelha, fazendo-a rir pequeno – Não parece, eu sei, mas o senhor Cornélius é tão emocional quanto você – repete – Com papai não tem meio termo. Se não for para mergulhar de cabeça, ele não se atira na água! – encontra forças para brincar e rio curto – Já parou para pensar como teria sido nossa vida caso mamãe não tivesse pulado daquela janela? Se tivessem, ela e principalmente ele, levado mais a sério sua doença? – questiona, não me dando tempo responder – Eu pensei algumas vezes – admite – Não acredito que estivessem jutos até hoje. Acho que teriam separado. Talvez naquele mesmo ano em que ela morreu. Foi o pior de todos. No fundo eu sabia que aquele ano não terminaria bem – relembra, suspirando – Evidente que não esperava o que aconteceu, mas sabia que daquela vez não teria concerto. Estavam muito magoados um com o outro – afirma.

—É, estavam– anuo, divagando um segundo, o aperto suave em minhas mãos trazendo-me de volta.

—Às vezes imagino se ela ficaria conosco ou escolheria um de nós em caso de divórcio, deixando o outro com papai ou se nos deixaria, os dois, com ele – teoriza, dando de ombros – Independente, sei que ele daria um jeito de estar conosco sempre, de fazer parte de nossas vidas porque nos ama. De um jeito tosco, rude, meio egoísta e mandão na maior parte do tempo, mas nos ama igualmente – reconhece e outra vez rio curto. Hoje reconhecia isto também – Sei que é uma forma distorcida de amor querer controlar quem se ama, mas é o jeito dele. Talvez tenha sido está a única maneira que aprendeu a amar– teoriza novamente – E talvez estejamos pagando por isto – pondera, me fazendo enrugar o cenho – Já pensou que o fato de fugirmos de compromissos pode ter a ver com a maneira como lembramos do casamento de nossos pais? – inquere e desta vez rio mais abertamente.

—Todos os dias de minha vida, a cada novo relacionamento malfadado que tive até hoje! – confesso, e rimos juntos – Talvez Robin estivesse mesmo certa. Talvez eu tenha escolhido Medicina para concertar pessoas com a mesma facilidade com que nosso pai as quebra – faço aspas no ar – Porque sempre que estive em uma relação sadia, me afastei. Sempre que as coisas ameaçavam fica sérias, dava um jeito de estragar tudo, nunca me prendendo a ninguém – assumo.

—Ou talvez deva apenas deva parar de buscar mulheres parecidas com nossa mãe assim como eu devo para de buscar homens parecidos com nosso pai, já pensou nisso? – questiona e balanço a cabeça negativamente.

—Por que diz isto? – quero saber.

—Porque suas duas namoradas recentes são tão problemáticas quanto nossa mãe era – compara – A Robin, de quem confesso ter gostado e torcido para dar certo, teve todos aqueles problemas de saúde. Aí, quando se curou e pensei tudo ficaria bem entre vocês, simplesmente vai embora – lembra – Já essa Bekker ai, da qual não gostei desde que a vi em casa aquela manhã, antes mesmo de saber que estava envolvida com vocês dois, aliás, te devo desculpas por isto. Deveria ter contado sobre ela no mesmo dia em que a vi deixando nossa casa. Talvez tivesse evitado o que aconteceu – lamenta.

—Duvido muito Claire. Ava daria um jeito de manipular a verdade e me enganar. É especialista nisso – rebato, amargo, meu comentário trazendo-me a memória outra pessoa igualmente manipuladora, pelo pouco que Daniel me contara: o pai de Sarah.

—Pode ser, mas ainda assim deveria ter te avisado sobre o que acontecia – reitera – Como dizia, essa tal Bekker provou se ainda pior do que Robin. Se bem que não dá para comparar já que uma tinha, de fato, problemas reais de saúde e a outra pode ser apenas ruim – corrige-se.

—Ou ter desvio de caráter – pondero, refletindo um segundo sobre essa possibilidade – Mas não é a única razão pela qual não pode compará-las. Robin jamais fez algo para me prejudicar visando surgir como a salvadora da pátria no último instante, ao passo que Ava o fez. Mais de uma vez. Até a própria segurança pôs em risco para me fazer sentir culpado. Calculado, mas ainda assim risco – lembro, explicando-me ante seu olhar inquisidor – Durante uma cirurgia de um paciente soro positivo, e acabei cortando-a minimamente com o bisturi. Precisou fazer exames e tomar o coquetel preventivo, obrigando-a ficar de repouso por um dia. Na hora pareceu acidente, mas depois percebi que não. Me fez feri-la propositalmente para me fazer sentir culpado e repensar a decisão de terminarmos – conto, Claire ficando ainda mais espantada.

—Em outras palavras, tentou te manipular – conclui, sacudindo a cabeça negativamente — Retiro o que disse. Robin é um anjo se comparada a essa criatura! – exclama – Desculpa o que vou dizer agora, mas vocês homens parecem perder toda a racionalidade quando se trata de sexo! – acusa – É isto que nunca vou entender. Como se mantêm em um relacionamento claramente tóxico apenas por sexo!? Por melhor que seja, não justifica ficar tão cego como normalmente ficam, e não me refiro a você unicamente – diz – Via de regra, todos os homens agem assim. Até papai, tão experiente, se deixou enredar por esta .... cobra! – xinga, revoltada – E justo ele que ficou louco da vida quando do incidente envolvendo Robin na Dolan – relembra.

—Como disse a pouco, Ava sabe manipular as pessoas. Tinha não apenas Latham, mas toda minha equipe de trabalho em suas mãos. Vi isto quando do incidente com o bisturi. A forma como me olharam, praticamente me acusando de irresponsabilidade – lembro.

—Imagino que saiba mesmo, se até nosso pai caiu em sua lábia – reforça, suspirando – Por esta razão não deve se sentir culpado. Ele se envolveu com esta criatura porque quis. Estou certa de que percebeu com que tipo de mulher vocês dois haviam se envolvido e talvez a tenha ameaçado, de alguma forma, e por isso ela tentou matá-lo – supõe e devo concordar que fazia mais sentido do que o que Ava me dissera – Mas não é este o ponto aonde quero chegar aqui – diz, silenciando, reflexiva, um segundo, como se escolhesse as palavras que iria me dizer – Connor, é meu irmão e eu te amo. Mesmo depois de ter me abandonado, de toda distância a qual nos submeteu estes anos, continuei te amando e por isto me entristeço em te ver sofrendo como tem sofrido nos últimos meses – declara, me emocionando – Desde que retornou a Chicago, o único período em te vi realmente feliz foi o tempo que passou ao lado daquele médico que te levou para a Cardiologia, David não é isso? – inquere e confirmo com um aceno, o nó em minha garganta me impedindo falar – Depois que ele morreu, você parece ter entrado em uma espécie de espiral autodestrutiva com pequenos intervalos onde dava sinais que iria rever este comportamento para logo em seguida mergulhar novamente. Depois que Robin se foi então, virou o próprio Kamicase. Até um porsche comprou! – exclama e enrugo o cenho.

—Não sabia que estava prestando tanta atenção a minha vida – digo, de maneira grosseira, me desculpando logo a seguir – Desculpe Claire, não quis ser rude com você.

—Tudo bem e não é que estivesse atenta a sua vida, mas se pensou, por um segundo que seja, que um Rhodes desfilando em um carrão pela noite de Chicago, pegando uma mulher por noite praticamente, fosse passar despercebido pela imprensa local, é porque esqueceu o quanto nosso sobrenome ainda é influente nesta cidade – me lembra e suspiro.

—Acho que esqueci sim, por um tempo – assumo.

—Não houve um só dia em que notícias não chegassem até papai e eu, quer por revistas, jornais, quer por amigos que te viam por aí – revela – Também não preciso dizer o quanto isto irritava nosso pai, até porque vinham sempre acompanhadas de comentários maldosos ou pejorativos. Quando as fofocas cessaram, presumi que havia se envolvido com alguém novamente e agradeci por isto. E papai também. Por um tempo. Porque logo estava todo tenso e nervoso e pensei que fosse pelos exames que tinha feito, mas já era por causa daquela mulher – relata, suspirando longamente – Sabe Connor, sei que não sou nenhuma expert no assunto. Há pelo menos dois anos não me envolvo com ninguém, nem mesmo por uma noite. Mas a meu ver o amor, amor de verdade, não te faz sofrer.... bem, até faz um pouco, mas no geral, amar alguém te faz querer ser uma pessoa melhor, te faz crescer e sorrir e querer ser feliz e fazer a outra pessoa feliz também. Quando se ama não se fica discutindo e pedindo desculpas o tempo inteiro. Ou sofrendo. Pode me chamar de romântica, sonhadora, ou seja lá que nome queira dar, mas é assim que penso. É assim que julgo ser o relacionamento ideal. Não perfeito porque nenhum é, mas ideal. Um relacionamento onde há amor é construído com base no respeito mútuo, carinho mútuo, atenção, cuidado e cumplicidade um com o outro e claro, perdão quando se fizer necessário. Se apenas um lado faz todas estas coisas, então há algo de muito errado nessa relação – enumera e sorrio, tendo um pequeno sobressalto ao olhar a porta – O que foi? – pergunta, voltando-se rápido, assustada.

—Nada. Eu ... pensei ter visto alguém na porta – digo, o medo estampando-se em seu rosto – Não Ava. Ela foi presa Claire – aviso.

—Imaginei que tivesse sido quando vi o sargento...

—Voight – completo.

—Isso. Mesmo você não tendo me confirmado logo de cara, sabia que ela não estava livre ou não estaria tão calmo – diz, rindo sem vontade – Ao menos essa.... Ao menos irá pagar por tudo que fez. Espero que mofe na cadeia – deseja, não escondendo a raiva.

—Vai sim – corroboro, omitindo o que Hank Voight pedira fazer. Não queria deixá-la aflita – Obrigado. Por tudo – agradeço, segurando suas mãos.

—Como disse, amo você– repete, sorrindo tranquila, pondo-se de pé repentinamente – Connor, papai. Ele... Vamos contar a ele? – questiona.

—Por enquanto melhor não. A saúde dele ainda está bastante frágil. Por hora, vamos resolver o que tiver de resolver nós dois, juntos – peço, levantando-me também, uma dor fina me fazendo apertar os olhos.

—Ainda não me explicou estes machucados– lembra, pondo a mão em meu ombro.

—Te conto enquanto vamos ver nosso pai. Quero saber como está. Com tudo que aconteceu hoje, desde cedo, não tive tempo de vê-lo....Nem de falar direito com a Reese.... – penso, tomando a decisão de ir vê-la antes que recebesse alta. Seus ferimentos não eram graves e certamente seria liberada a ir para casa tão logo um médico a avaliasse. Também precisava ver Will e Ethan, saber como estavam e procurar saber dos demais feridos. E ainda havia o casamento de Daniel! – Vamos? – convido, sacudindo a cabeça, optando por fazer uma coisa por vez.

Seguimos direto para o quarto de nosso pai, encontrando, para nossa surpresa, Monique a seu lado, atenta. Ela nos atualiza do estado dele, avisa que Latham e Miss Goodwin haviam passado por lá minutos atrás, que o tal Marcel o examinara novamente junto com Sam Abrams, ambos ficando satisfeitos com seu quadro atual.

Enquanto leio o prontuário, papai acorda, deixando Claire mais tranquila. Durante pouco mais de uma hora permaneço com ela e Monique ao lado dele, as duas conversando sobre de um tudo (era incrível como minha irmã e ela tinham se dado bem tão rapidamente). Às vezes tinha a sensação de que nosso pai estava entendendo tudo que diziam e a qualquer momento iria berrar com as duas para se calarem já que tinham emendado uma tagarelação insana sobre signos, carma e sei lá mais o que. Até eu já estava ficando impaciente e meio estressado com aquela conversa.

O resultado disto foi que perdi a noção do tempo e com isto também a chance de ver como meus amigos estavam.

Quando finalmente desci para o setor de emergência, Will e Reese já haviam sido liberados e ido embora.

—Reese foi de táxi ou com Will? Porque não podia dirigir – questiono, parado de frente para Maggie.

—Nenhum dos dois. Jay veio buscar Will e Reese foi com Severide e Stella, que estavam por aqui quando foi liberada– conta e me sinto desconfortável ao escutá-la dizer.

—E Ethan, como está? – pergunto.

—Correu tudo bem na cirurgia. Está se recuperando. April está no quarto com ele. Vai ficar um tempinho de molho, mas só, nada de mais preocupante. Aliás, os três irão. Will e Sarah ficarão afastados também, se recuperando, por três e sete dias respectivamente – conta – E quanto a você, como está? – quer saber.

—Estou bem – minto, o jeito como me olha dizendo não acreditar – Dentro do possível, estou bem Maggie – me corrijo, ganhando um sorriso terno – E quanto a Robin e Daniel, onde estão? – lembro, olhando em volta.

—No restaurante do Keoni, como planejado – revela – Daniel pensou em cancelar, mas Sharon e Robin o convenceram do contrário. Não sabemos quanto tempo Cecile ainda tem – comenta, respirando fundo – Sharon foi nos representando, mas a esta altura já deve estar voltando – acresce e me surpreendo.

—Para o Med? – inquiro, ela confirmando com um aceno – Por quê? Algo errado, além de tudo que já aconteceu hoje? – quero saber.

—Então.... — titubeia, apertando as mãos e pressinto que algo grave estava acontecendo.

—Maggie, o que há? – insisto.

—Ainda não sei ao certo, mas Sharon convocou a diretoria para uma reunião de urgência. Pelo que entendi, Miss Garrett andou aprontando – diz, me fazendo reter o ar – Amanhã saberemos ao certo o que houve – afirma – Vai ficar no hospital está noite? Quer que providencie algo para comer? – pergunta de repente, preocupada e sorrio.

—Não precisa. Estou sem fome. Vou apenas tomar um banho e depois tentar descansar um pouco no sofá. Claire e eu ainda temos muito que conversar ...e quero refletir um pouco sobre tudo que aconteceu. Preciso tomar algumas decisões – digo, não tão baixo quanto deveria.

—Decisões? Sobre o quê? Não está pensando em nos deixar, está? – questiona, me encarando com cara de brava, as mãos na cintura.

—E por qual razão faria tal coisa? – me volto ao escutar a pergunta, deparando-me com Latham e Miss Goodwin.

—Eu.... – titubeio. Se disser não ter pensado entrar em contato com a Mayor Clinic, estaria mentindo – Miss Goodwin, tudo que aconteceu aqui hoje pode repercutir negativamente para o hospital. Minha equipe certamente ficará abalada quando descobrirem o que Ava fez e por quê. Já andavam meio divididos especialmente depois do incidente com o bisturi – relembro, abaixando o tom de voz.

—Doutor Rhodes, se nos deixar me fará sentir ainda mais culpado não apenas por estar fazendo o hospital perder um excelente profissional, mas por eu estar perdendo um amigo! – Latham me surpreende ao declarar – Sei que tivemos tempos difíceis recentemente. Permita-me corrigir este erro – pede, me deixando sem graça.

—Sei que está passando um momento bastante complicado e respeitarei a decisão que tomar. Sabe que posso ser convincente quando quero – Miss Goodwin diz em tom divertido, ficando séria logo a seguir – Mas quero que lembre que acima de tudo somos amigos. Sabe que pode contar conosco, não sabe? – inquere, e balanço a cabeça afirmativamente, ainda mais emocionado – Por que não toma alguns dias de licença. Assim terá tempo fazer o que Hank pediu, ficar com sua família e descansar enquanto ponho a casa em ordem – ordena, confirmando minha suspeita de que algo mais está acontecendo.

—Por que não pega suas coisas, sobe e toma um banho no quarto de seu pai enquanto providencio algo para comer e não aceito um não como resposta. Saco vazio não para em pé! – Maggie ordena, segurando em meus ombros, praticamente me empurrando para a sala dos médicos a fim de obedecê-la, o que acabo fazendo, sem questionar, me deixando vencer pelos argumentos de meus amigos e pelo cansaço do dia.

De madrugada, deitado no sofá observando minha irmã e meu pai dormirem, penso em como tinha sorte em ter feito mais do que colegas de trabalho no Med. Fiz amigos. Bons amigos.

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“...But somehow I’m still alive inside;

You took my breathe but I survived;

I don’t know how but I don’t even care.."

Apartamento Reese (03:52 a.m)

Sarah

Suspiro, sentando-me com dificuldade, Persie e Dino erguendo suas cabeças, olhando-me curiosos.

Mesmo não tendo sido preciso imobilizar toda a perna, estava sendo difícil encontrar uma posição confortável para dormir. Sabia que os três primeiros dias seriam os mais complicados. Depois ficaria relativamente fácil lidar com a pouca mobilidade. Teria uma semana para isto.

—Uma semana!! – sopro, olhando os pets, estes me olhando de volta, Dino movendo a cabeça lateralmente, como me interrogando o que acontecia – Querem saber? Já que acordei vou me ocupar com alguma coisa – decido, me apoiando no colchão para levantar-me, a fisgada de dor lembrando-me a recomendação de repouso absoluto feita por doutor Jones, Ortopedista do Med.

Mas como conseguiria fazer meu corpo repousar se minha mente estava agitada diante de tantos acontecimentos? Como relaxar quando meu mentor, meus amigos estavam passando por um furacão?

Doeu ver o sofrimento estampado no rosto quase sempre sorridente de Will Halstead. Era visível a culpa que sentia pelo acontecido do lado de fora do Med. Doía ainda mais saber não teria o apoio da mulher que amava e por quem decidira arriscar-se em permanecer na cidade. Tão logo certificara-se todos estarmos bem, Natalie voltara para o lado de Philip e isto mexeu demais com Will. Nem mesmo a agente Ingrid dizendo ter sentindo que Nat ainda o amava quando a procurou para conversarem o animou.

Se era verdade, por que não ficou ao lado dele enquanto peregrinava, contrariando o recomendado, certificando-se todos os atingidos estavam bem? Por que não o obrigou repousar, conforme recomendado?

Já doutor Charles ficou bastante dividido entre ficar conosco e ir ao encontro de Cecile. Esteve a ponto de cancelar seu casamento não fosse a interferência de Miss Goodwin e Maggie. Ainda assim, apenas quando se assegurou estarmos todos bem de fato, cedeu e foi ao encontro da mulher pela qual se apaixonou uma segunda vez, Robin e um sujeito que chegara um tempo depois ao Med (o qual pareceu bem íntimo dela) e Miss Goodwin o acompanhando.

E o que dizer de Connor? Este estava vivendo um verdadeiro pesadelo. Além do susto na área externa, precisou lidar com a descoberta de ter sido Ava Bekker a responsável pela tentativa de homicídio ao pai. A julgar pelo pouco que escutei Jay comentar com Maggie e Will quando pensavam que eu estava dormindo, aquilo era a ponta do iceberg! Havia mais coisas envolvendo os dois. Não consigo imaginar o quanto deve estar sendo difícil para ele este momento. Mas consigo imaginar como os próximos dias serão, os olhares dirigidos a ele, as pessoas o apontando e tecendo comentários sobre seu envolvimento com Bekker e como tudo terminara.

Mesmo se tratando de Connor Rhodes, sucessor de David Downey, tais coisas aconteceriam. Talvez mais forte justamente por ele ser quem é. Fora exatamente para fugir disto que havia ido embora logo após a prisão de meu pai. Sabia que aconteceria. Ainda mais tendo em vista meu histórico recente de problemas emocionais. Nunca contei a ninguém, nem mesmo a doutor Charles, mas ouvira diversos comentários maldosos depois do incidente com o spray de pimenta. Insinuações de que estaria indo para a cama com doutor Choi ou com o próprio doutor Charles e por isto não havia sido sumariamente demitida.

—As pessoas são cruéis quando querem – murmuro, guardando a roupa que havia separado para ir ao casamento, indo para o banheiro após escolher um conjunto de moletom cinza claro para vestir, Persie e Dino seguindo-me.

La dentro, me dispo, com dificuldade, tomo uma ducha rápida, me troco, limpo e arrumo a bancada e o móvel da pia, recolhendo o cesto com roupa suja e ao fazê-lo, algo cai, chamando minha atenção. Enrugo o cenho, me agachando com cuidado para apanhar o objeto do chão. Era uma meia, preta, do tipo social.

—Ué, não tenho nenhuma.... – me calo, refletindo a quem pertenceria – Do Joey não é. Ele não usava este tipo. Meu pai preferia calçados do tipo dockside, que dispensa o uso, logo só pode ser do doutor Rhodes – racionalizo, tentando lembrar se o vira usando meias ao ir embora – Sequer lembro se usava ao chegar, que dirá ao sair? Como não achei isso antes é a questão – murmuro, observando mais atentamente o objeto, notando pequenos furinhos e desfiados no tecido – Ah, entendi! – exclamo, erguendo meu olhar para Dino, que se deitara em meio a porta, atento, abanando o rabinho – O senhor a pegou e escondeu, não foi mocinho? – acuso, exibindo-a, ele soltando um latido rouco, pondo-se de pé num salto, animado – Que vergonha! Menino mal! Agora terei de comprar um par novo para ele. Feio! Muito feio! – ralho, tentando parecer brava, perdendo toda moral quando rio ao se atira no chão, de barriga para cima, manhoso – Você é um pilantrinha esperto, sabia? – digo, enrolando e marrando a meia de forma a parecer uma bola – Toma, vai brincar – atiro-a no meio do quarto, fazendo-o ir atrás de seu “prêmio” – Sem vergonha! – sacudo a cabeça negativamente, pegando o cesto, caminhando, devagar, para fora do quarto, Dino e Persie me ultrapassando na metade do corredor, disputando a “bola” recém ganha.

Enquanto caminho, penso se ainda teríamos aquela conversa, imaginando qual teria sido minha reação ao ouvi-lo dizer que o beijo havia sido um erro e desculpar-se.

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Will Halstead (04:05 a.m)

—Will? Que faz acordado? Tudo bem? – os questionamentos me fazem olhar para o interior do apartamento de meu irmão, vendo-o parado em meio as portas da varanda, esfregando os braços nus – Melhor entrar antes que pegue um resfriado – aconselha e rio fraco.

—Estou bem agasalhado, não se preocupe – garanto – E o velho Rufus aqui está aquecendo meus pés – acresço.

—Ok, então entra antes que Eu pegue um resfriado! – resmunga – Ainda não me respondeu. Está bem? – reitera.

—Estou, não se preocupe – minto, olhando-o novamente – Acordei e quis pegar um pouco de ar fresco. Pode voltar a dormir tranquilo – digo, me voltando para a paisagem lá fora novamente.

—Como se fosse possível! – bufa, o som de tecido e logo a seguir da televisão sendo ligada me avisando que se atirara ao sofá – Se quiser conversar, estou logo aqui – dispõe-se e rio mais uma vez.

Mesmo tendo passado um bom tempo separados quando mudei para Nova York após me formar, Jay ainda conseguia me lê com facilidade. Sabia quando não estava bem ou precisando conversar. Sempre foi assim, desde pequenos.

—Ok – respondo simplesmente, respirando fundo, olhando o horizonte, pensativo.

Quando se ama, não se fica discutindo e pedindo desculpas o tempo inteiro. Ou sofrendo.... Um relacionamento onde há amor é construído com respeito mútuo, carinho mútuo, atenção, cuidado e cumplicidade um com o outro e claro, perdão quando se fizer necessário. Se apenas um lado faz todas estas coisas, então há algo de muito errado nesta relação... a voz serena da irmã de Connor continuava a ecoar em minha mente. A escutara acidentalmente quando fui me despedir dele e desde então não conseguia parar de pensar a respeito do que dissera.

Sabia o porquê de ela estar dizendo tudo aquilo a ele e o quanto meu amigo precisa escutar tais coisas. O que não esperava era que as palavras que ouvi, as poucas porque imagina tenha tido mais coisa antes e depois que estive lá, fossem mexer tanto comigo também. A ponto de me fazer repensar minhas decisões recentes.

Não a de permanecer em Chicago, isto não. Decidi ficar não apenas por ela, mas por Jay e por mim mesmo. Só eu sei o quanto me custou ter ficado longe de casa!

Comecei a repensar minha relação com Nat. Toda ela. Desde o princípio.

—Merda! – xingo, me levantando num rompante, assustando Rufus, que me olha intrigado – Desculpe amigão. Vem, vamos entrar – convido, sinalizando o interior do apartamento, entrando junto com ele – Jay, posso te perguntar uma coisa? – questiono, sentando-me no sofá sem pedir licença, o obrigando encolher as pernas rapidamente – Ou melhor, posso pedir sua opinião sincera? – retifico.

—Desde que não seja sobre você e Nat, pode – avisa e deixo cair o braço, desanimado – O quê? Era sobre isso? – inquere.

—Sim – confirmo, não o deixando contestar – Acha que vale a pena? Quer dizer, depois de tudo que aconteceu, de tudo que passamos nos últimos meses, do casamento adiado, da separação forçada, das mentiras, acha que ainda vale a pena insistir neste relacionamento? – pergunto, aflito.

—Por que tá me perguntando isto justamente agora? – inquere, sentando-se com as pernas cruzadas, me encarando de sobrancelha arqueada.

—Como assim justamente agora? – devolvo, fazendo-o erguer as mãos.

—Ok, vamos parar de responder perguntas com outras perguntas. Não vai nos levar a lugar nenhum! – reclama– Agora que está livre, que os Burke não representam mais uma ameaça e poderá tocar sua vida em frente com calma, foi a isto que me referi – explica -Por que a dúvida? Está interessado em outra pessoa? Ingrid??? – inquere e rio sem vontade.

—Seria mais fácil se estivesse. Pelo menos justificaria este aperto que estou sentindo – respondo, Jay enrugando o cenho, confuso – Ouvi, sem querer, parte de uma conversa entre Connor e a irmã. Desde então comecei me fazer uns questionamentos– admito, suspirando pesadamente – Sabe, a quase cinco anos tento me entender com Natalie. Primeiro, tive de esperar o Owen nascer porque estava confusa. Depois, tive de enfrentar a ex sogra, que não a queria envolvida com outro homem tão cedo – faço aspas no ar – De torcer para não aceitar a sugestão dos pais e deixar Chicago. Aí ela decidiu ficar e quando voltou da licença maternidade começamos nos entender melhor, parecia que daria certo, até o Clarke aparecer. Ela foi para um lado, eu para o outro, mesmo não deixando de amá-la. Jeff foi embora, terminei com a Nina e resolvi que já era hora de ser mais incisivo. Me declarei, ela pediu um mês sabático. Quando regressou, admitiu que tinha sido para pensar sobre nós e começamos finalmente namorar até que a pedi. Ela aceitou e novamente parecia que daria certo.... até que meti os pés pelas mãos....

—O que não teria acontecido se tivesse me escutado– faz questão de lembrar e rolo os olhos.

—Que seja – sacudo a mão – Tentei reatar quando voltei, mas acabei por nos afastar ainda mais ao mentir sobre a arma. Outro erro, reconheço – assumo antes que dissesse algo – Agora surgiu esse Philip, que em menos de seis meses já estava dormindo na casa dela e levando Owen para passear sendo que nem em nosso melhor momento eu tive esse direito. Levei meses saindo de lá antes de ele acordar para não chocá-lo e o outro o leva a passear em semanas!! – resmungo, Jay protegendo a boca com a mão para disfarçar (muito mal) o riso -E sempre, sempre – pontuo, batendo a mão espalmada no encosto do sofá – Sempre que brigamos, independente de quem estava certo, era sempre eu a buscar reconciliação. Sempre – repito – Não que isto seja um problema para mim, ainda mais que normalmente era mesmo eu a estar errado, mas poxa, ela bem poderia me dar um desconto de vez em quando. Que mal faria em dar o primeiro passo? Dá para contar as vezes em tomou a iniciativa e sempre que o fez estava relacionado a um caso no qual estávamos trabalhando juntos, entende? – pergunto, não o deixando responder – Quer dizer, eu sei que fiz besteira mais de uma vez, que pus a nós dois em risco, mas antes não. Nat não consegue ou não sabe ser maleável. Com ela é a ferro e fogo sempre! Até parece que só entrou nessa relação porque a venci pelo cansaço, sei lá. Será que vale a pena continuar insistindo? Será que já é hora de atirar a toalha? Ela não está me dando esperança que vá terminar com o Philip e eu não sei se estou a fim de esperar meses que decida se me ama ainda ou não. O que eu faço? – inquiro, olhando-o ansioso.

—Por que tá me perguntando isso se já tem a resposta? – devolve, prosseguindo antes que eu rebatesse – Você já decidiu Will. Seja lá o que escutou a irmã do Connor dizer, fez com que tomasse uma decisão bem aqui – estica o braço, tocando minha fronte com o dedo – E aqui – toca meu peito sobre o coração – Só está querendo que alguém de fora te diga o que deve fazer, mas sinto muito bro, não serei eu – avisa – Não vou dizer o que você claramente já sabe só para ter alguém, que não si mesmo, a culpar caso a perca de vez. O único conselho que te dou é que a chame para sentar e conversar. Não se afaste sem explicação nem hostilize o tal cara. Só vai piorar as coisas. Resolva isto de frente – aconselha e anuo, em silêncio, balançando a cabeça afirmativamente — Mais uma coisa – chama minha atenção – Escutar atrás das portas é feio! – brinca e o acerto com a almofada.

—Idiota! – xingo, ambos damos atenção a televisão durante um bom tempo, em silencio.

—Vou preparar um café para nós – anuncia, levantando-se enquanto permaneço em silencio, refletindo agora, também suas palavras, o trovejar me fazendo olhar a cidade lá fora, o céu cinza avisando da chuva que se preparava – Hum, teremos um dia daqueles! Sorte sua poder ficar em casa – comenta e rio sem vontade, afagando a cabeça de Rufus, que se deitara a meu lado, decidindo que iria usar este tempo não apenas para descansar, mas para refletir sobre minhas decisões. Todas elas.

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Chicago (sexta-feira, 31/5 – 06:22 a.m)

Narrador

—Senhorita Rhodes – a empresária estanca a alguns passos da entrada da loja de departamentos de sua família, voltando-se, sorrindo ao reconhecer o homem vindo a seu encontro – Lembra de mim? – inquere.

—Claro senhor Hermmann. É dono do Molly’s, não é isto? – pergunta.

—Um dos. Tenho sócios – a corrige de forma gentil.

—Certo. Em que posso lhe ajudar? – questiona a empresária.

—É sobre a festa que programou para seu irmão quinze dias atrás e acabou não acontecendo – lembra-a.

—Ah, sim, sim. Mas se veio devolver o dinheiro, não precisa. Sei que teve gastos na preparação, portanto pode ficar com ele – avisa, erguendo a mão.

—Na verdade, vim lhe propor fazer a festa hoje ou amanhã, como preferir – sugeri, prosseguindo – De fato, comprei o que havia me pedido e avisei aos frequentadores que o bar estaria fechado para um evento particular. Quando ligou cancelando, digo, adiando, guardamos tudo de forma a não estragar. Só que o prazo de validade de algumas coisas está perto de vencer e outras não podem passar mais tempo congeladas. Então pensei se, agora que o olho do furacão passou, não seria o caso de comemorar, mesmo que atrasado. Basta que me dê o sinal verde e cuido de tudo, como da outra vez. Não precisa se preocupar com nada – se oferece – O que acha?

—Acho uma excelente idéia senhor Hermmann – responde ela, sorridente – Meu irmão bem que está precisando se distrair um pouco. E eu também, admito. Tanta coisa aconteceu – suspira – Pode preparar tudo para hoje à noite, por favor – pede.

—As nove e meia? – sugere.

—Está ótimo. Connor deve chegar dentro em pouco para me ajudar em uma reunião de negócios. Somente depois vai para o Med e deve ficar uma ou duas horas além de seu turno, tempo suficiente para que eu possa deixar as coisas em ordem em casa – pondera ela – Só preciso de alguém que o leve ao bar.

—Quanto a isto não se preocupe. Damos um jeito – garante o bombeiro – Vou combinar com o pessoal e mais tarde lhe envio mensagem contando o que foi decidido.

—Ok. Fico no aguardo e muito obrigada senhor Hermmann – agradece a empresária, sorrindo-lhe mais uma vez.

—Não por isso. E pode tirar o senhor. Me chame de Hemmann – pede, tocando a fronte com dois dedos, correndo de volta a seu carro enquanto Claire adentra a loja, seguindo direto para seu escritório, pensando em como o irmão tivera sorte em fazer tão bons amigos.

Ao chegar no quartel, Hermmann comunica aos colegas sobre a festa, pedindo ajuda para avisar o pessoal do Med e do distrito vinte e um, ligando a seguir para a esposa a fim de que fosse ao bar, como da outra vez, cuidar da organização, enviando, como prometera, mensagem a Claire avisando tudo já ter sido arranjado, conseguindo relaxar um pouco antes de seu turno ter inicio.

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Connor (20:00 p.m)

Estico os braços o máximo que meus músculos doloridos permitem. Me sinto exausto tanto física quanto emocionalmente mesmo após haverem se passado quinze dias.

As coisas estavam bem melhores do que esperava. Papai está evoluindo a cada dia que passa e muito em breve, talvez na segunda-feira, receba alta podendo continuar o tratamento em casa.

Claire e eu sentáramos com Carlota, montando o esquema de acompanhamento para quando estivesse lá, desde a dieta prescrita pelo Nutricionista e Latham, aos horários de sua medicação, dos exercícios com o Fisioterapeuta e repouso bem como a contratação de uma ou mais enfermeiras para auxiliá-la durante o tempo que fosse necessário a ele precisar de ajuda.

A julgar por sua evolução e como as sequelas não foram tão graves e extensas como pareciam a princípio, Sam fizera um cálculo inicial de que levaria seis meses para retomar sua vida quase que normal fisicamente falando. Seus músculos e nervos estavam reagindo bem melhor que o esperado para sua idade (levando em conta que era completamente sedentário antes de enfartar). A fala demoraria um pouco mais para voltar ao normal. Tivera uma paralisia facial moderada, o que não chega a ser uma má notícia, afinal, pelos resmungos que tem emitido constantemente, especialmente quando é o turno da Monique, fará muito bem a todos que permaneça mais algum tempo em silêncio. Cá para nós, chegava a ser divertido vê-lo interagir com ela. A vivacidade e ânimo da garota bem como sua tagarelice, pareciam irritá-lo profundamente, mas ao contrário do que poderia parecer, isto lhe fazia bem. Sam, em um raro momento de bom humor, dissera que ele estava se esforçando para melhorar rapidamente apenas para se livrar dela!

No hospital, as fofocas e comentários iniciais praticamente sumiram. Como prometerá, Latham realizou uma reunião com nossa equipe de trabalho (sem a minha presença) onde esclareceu todos os fatos envolvendo o atentado contra meu pai e posterior prisão de Ava.

Ela, aliás, recusara me receber no dia em que fui formalizar a queixa na delegacia. Melhor dizendo, queixas, já que além do atentado contra a vida de meu pai também havia o caso do falso sequestro de Robin. Queria conversar, tentar entender um pouco suas atitudes, mas principalmente saber se contribui para tais gestos, porém se negou falar comigo. Permanecia no distrito vinte e um, de onde sairia dentro de uma semana para a audiência de fiança, a qual Hank me avisou seria negada. Provavelmente.

Já Miss Garrett estava desaparecida desde o dia em que a verdade viera a tona. Ainda não sabia ao certo qual fora sua participação em tudo isto, mas não estava preocupado. Decidi deixar a polícia cuidar disto.

—Até segunda doutora Reese – saio do limbo ao escutar uma das novas estagiárias, Curry, dizer, seguindo seu olhar a tempo de ver Sarah acenando em resposta antes de cruzar as portas, indo embora.

Não havíamos conversado novamente após aquela malfadada tentativa. Primeiro porque ela ficará uma semana em casa, recuperando-se enquanto eu me vi tolhido pelo furacão Claire, me envolvendo de tal modo nos negócios da família que mal tive tempo fazer o que Miss Goodwin sugerira quando me pôs de licença: descansar.

Foram reuniões e mais reuniões na Dolan, fora o tempo que passávamos com nosso pai no hospital. Quando retornei, dois dias antes de Reese, havia cinco cirurgias agendadas, o que me surpreendeu, não nego.

O departamento de Cardiologia do Med dava sinais de recuperação, o que se por um lado era muito bom, por outro me trouxe um problema: a sala hibrida. Estava sendo subutilizada por conta de não haver outro cirurgião de trauma no hospital, o que em breve traria prejuízo e isto não podia permitir. Custara muito caro tê-la, de diversas maneiras, e não podia permitir ficar jogada as traças.

Reese também andava bastante ocupada pelo que soube. Com Daniel de licença, em lua de mel, ela estava sob a supervisão da doutora Chapman, que a fazia estudar casos e mais casos, participar de grupos de estudo e coisas do tipo, não realizando quase nenhum atendimento, o que a fazia passar grande parte do tempo na Psiquiatria e menos na emergência. Nossa conversa acabou sendo esquecida. Já do beijo, não podia dizer o mesmo. Ainda lembrava dele de vez em quando, especialmente quando me sentia triste e sozinho. A sensação de seus lábios, o toque calmo de nossas mãos entrelaçadas me trazia uma paz e calma que jamais senti antes. Com ninguém.

—Pensando na morte da bezerra! – ouço e sorrio, me voltando para o ruivo mais chato que já conheci até hoje. E que se torna a cada dia meu melhor amigo– Tudo bem? – pergunta, apoiando-se ao balcão da ilha de enfermagem.

—Tudo. Que faz aqui a esta hora? Vai dobrar o turno de novo? – questiono, curioso.

—Não. Esqueci meu celular no armário – diz, acenando para alguém as minhas costas e novamente me volto, deparando-me com Jay.

—E aí? Já podemos ir ou esqueceu algo mais? O cérebro por exemplo – provoca e rio com vontade – Como vai Connor? – pergunta.

—Bem, obrigado. Estão indo a algum lugar ou está bancando o motorista de seu irmão por caridade? – não resisto fazer o mesmo.

—Há, há, tão engraçadinhos. Acho que vou ligar para a Astrid perguntando se precisa de parceiros em seu show de comédia – Will revida, verificando a mensagem que recebera – Tudo certo Jay. Podemos ir – diz, misterioso e franzo o cenho, olhando-os alternadamente.

—Vamos ao Molly’s, comemorar a volta do All. Quer ir conosco? – Jay convida.

—Olinsky tinha viajado? – inquiro, tentando lembrar se escutara algo a respeito. O pessoal daqui, do distrito vinte e um e do batalhão cinquenta e um, haviam formado uma espécie de família, da qual me sinto honrado fazer parte.

—Mais ou menos – responde – Te conto no caminho – reforça o convite de forma implícita.

—Honestamente, não sei se sou boa companhia hoje. Estou cansado, desanimado. O que mais quero agora é ir para casa, tomar um banho e dormir – digo, suspirando.

—Mais um motivo para ir com a gente – Will retruca, rindo ao receber outra mensagem – Vamos nessa Connor. Tá precisando se animar, paquerar um pouco. Quem sabe não encontra o grande amor de sua vida! – exclama e arqueio a sobrancelha, desconfiado.

—Se estiverem armando algum tipo de encontro às escuras, estou fora! – alerto, os dois rindo.

—Nada de encontros armados – garantem, em coro, erguendo os dedos.

—Então? Vamos? – Jay reforça o convite.

—Desta vez vou passar caras. Estou realmente sem ânimo – reitero, levantando-me – Digam ao All que mandei um abraço – peço, me afastando antes que tentassem me convencer acompanhá-los. Não estava mesmo disposto a sair.

Após pegar minha mochila, envio uma mensagem a Claire avisando que passaria em casa (a minha no caso) e depois voltaria para ficar com ela e papai, surpreendendo-me ao ser dispensado sem maiores explicações.

—Estranho – resmungo – Mas já que é assim – dou de ombros, vestindo o casaco, pondo a mochila no ombro, pensando, agora, em aceitar o convite dos rapazes.

Como não estão na emergência quando deixo a sala dos médicos, ligo para Will avisando que mudara de idéia. Iria em meu apartamento, me trocar, e os encontraria no bar e assim faço.

Tomo um banho mais demorado, optando por usar algo mais claro e casual do que o habitual: camisa jeans, casaco de couro marrom e uma jeans azul.

Saio decidido a esquecer, por algumas horas, os últimos meses de minha vida, mas ao chegar encontro o bar quase totalmente às escuras. Não fosse os poucos carros estacionados em frente, diria estar fechado.

—Que coisa estranha! Será alguma queda de energia? – questiono-me, caminhando até a porta, olhando a volta, antes de abri-la, e ao fazê-lo levo um tremendo susto.

—SURPRESA! – o coro formado por minha irmã e amigos grita ao mesmo tempo em que todas as luzes são acessas revelando a decoração festiva.

Bolas, flores e uma imensa faixa me desejando feliz aniversário atrasado enfeitam o ambiente.

—Eu... O quê...?? – balbucio, olhando-os, emocionado.

—Planejei a surpresa para o dia de seu aniversário, mas, como bem sabe, tive de cancelar– Claire explica, vindo a meu encontro – Pensei diversas vezes em realizar depois que papai estava fora de perigo, mas algo sempre atrapalhava. Hoje cedo Hermmann me procurou perguntando se não gostaria de fazê-la e como ambos estamos precisando de um break, aceitei a sugestão. Gostou? – quer saber – Ah, e desculpa ter sido fria com você. Já estava aqui e se fosse até o quarto provavelmente Monique poria tudo a perder – justifica-se.

—Tudo bem – respondo, meio zonzo.

—Gostou ou não Connor? – insiste, tensa.

—Gostei. Gostei sim. Muito – afirmo ao localizar Reese entre os muitos rostos presentes– Quer dizer que iam comemorar a volta do Olynski, não é? Mentirosos! – acuso, sacudindo o indicador em direção Will e Jay.

—Foi a primeira desculpa que me veio a mente – Jay justifica-se, sorridente.

—E quase não colou. Confesso: quando disse que não viria, quase contei. Foi por um tantinho assim! – Will afirma, exemplificando com os dedos – Ainda bem que mudou de idéia ou teria um baita prejuízo – diz e enrugo o cenho– O detetive aqui pretendia rasgar seus pneus pra te darmos carona! – revela para meu espanto.

—Em minha defesa: a idéia original foi dele – Jay defende-se, apontando Ruzek – Só iria copiar. Em último caso, evidente – assegura, estendendo-me a mão –Parabéns Connor.

—Obrigado – agradeço, apertando sua mão.

—E muitos anos de vida mesmo que isto signifique te aturar me aporrinhando! – Will brinca, provocando risos.

—Digo o mesmo Halstead – devolvo, abraçando-o.

—Muita paz para você cara. Que o restante deste ano possa ser melhor do que foi até agora – deseja, dando dois tapinhas em minhas costas.

—Deus te ouça! – exclamo, desfazendo o contato, me voltando para receber os cumprimentos dos demais presentes, Reese sendo uma das últimas a fazê-lo.

—Parabéns doutor Rhodes – deseja, me abraçando tímida e rapidamente – Para o senhor – estende uma sacola marrom.

—Não precisava Reese, e pode me chamar de Connor. Ao menos hoje– peço, sorrindo para ela, seu rosto adquirindo uma tonalidade de vermelho a qual confesso ter gostado mais por ter sido eu o causador.

Abro a sacola, verificando haver dois pequenos embrulhos, um quadrado, claramente um livro, e outro retangular e fofo. Abro o livro primeiro, curioso para vê o título.

—Cidade dos ladrões! – exclamo.

—Notei que gosta de lê ficção. O rapaz na livraria me indicou este. Espero que goste – diz, insegura.

—Li o resumo em algum lugar e lembro de ter ficado curioso. Vou gostar sim, tenho certeza. Obrigado – garanto, pondo-o de volta na sacola, pegando o outro, mas antes que abra, se adianta.

—Um par de meias sociais – informa e arqueio a sobrancelha– Descobri, quando estava de licença, que Dino comeu um pé da que usava aquela... Estava te devendo um par – resume ao notar as pessoas em volta atentas ao que dizia.

—Ah... Ok. Obrigado – agradeço, deixando o pacote na sacola.

—Mistérios!!! – Hermmann brinca, mexendo os dedos– Que acha de partir o bolo antes do jantar. Só para garantir àqueles que precisarão sair mais cedo não perder o doce – sugere, sinalizando sua esposa, Cindy, e três de seus filhos e sorrio.

—Claro – anuo, me deixando conduzir até uma das mesas onde um bolo decorado tendo um boneco vestido de médico no topo me aguardava – Este aí sou eu? – questiono, olhando o enfeite com atenção.

—Lógico que não. O boneco é mais bonito! – Will me provoca.

—Tão engraçado. Viu aquela vaga com a Astrid já? – retribuo, pendurando o presente de Sarah no encosto da cadeira, me posicionando enquanto acendem as velas, alguém puxando o coro de parabéns e o bendito “Com quem será”.

Sopro enquanto ainda estão cantando a fim de evitar o famoso “faça um pedido”, um pequeno coro de protestos sendo rapidamente abafado. Corto, com a ajuda de Cindy, diversas fatias, distribuindo-as em pratos descartáveis, deixando claro que cada um deveria servir-se, evitando outra tradição que nunca gostei: a primeira fatia.

Depois que o bolo é servido, todos se espalham pelas mesas e somente então percebo que não havia clientes regulares. Apenas o pessoal do Med (que não estava de plantão), do vinte e um e do cinquenta e um além de Claire, Carlota e Russell, os dois últimos saindo mais cedo.

Meia hora depois, Cindy, ajudada por Stella, Maggie e Claire, serve um jantar simples, mas delicioso, despedindo-se por conta das crianças.

—Obrigado por tudo Cindy. Está maravilhoso – agradeço, beijando seu rosto.

—Foi um prazer Connor e felicidades – deseja mais uma vez, Hermmann a acompanhando até o carro.

Aos poucos o grupo vai diminuindo até restarmos apenas Will, Jay, Hermmann, Otis, Kelly, Cassey, Cruz e eu, bebericando e jogando conversa fora no balcão enquanto as garotas que ainda permaneciam (entre elas Sarah), ocupavam uma mesa próxima, fazendo o mesmo que nós.

—Ruzek e Kimberly não estão mais juntos? – pergunto ao notar que apenas ela permanecera.

—Uhum, uhum. Terminaram. De novo – Jay informa.

—É o quê? A terceira ou quarta vez? – Cassey questiona, tomando um gole de cerveja.

—Terceira, se não me engano, mas desta vez parece que não tem volta. Ele transou com a Hailey enquanto ainda não tinham separado oficialmente – Jay conta, parecendo incomodado.

—Senti uma leve pontinha de ciúmes ou foi impressão minha? – Cruz provoca-o e rimos.

—Impressão sua – responde ligeiro, deixando claro que o assunto estava encerrado.

—Ok – Cruz diz, olhando Will, este sinalizando que falaria em outro momento.

—E quanto a você Cruz? Se acertou com a Brett? – Jay pergunta.

—Yep! Decidimos que somos apenas bons amigos – revela – A gente até tentou, mas sabe quando parece que tá beijando sua irmã? Bem assim! – compara e rimos.

—Kim e Hailey também parecem estar se dando bem, apesar do Adam – Severide comenta e olhamos em direção a mesa.

—Agora sim, mas foi preciso um susto para fazer as duas se entenderem. Quem acabou se dando mal foi Adam – Jay diz, esclarecendo – Ficou sem ter com quem reclamar da outra – brinca, e rimos novamente – Você e Stella, como estão? – pergunta, e fico atento a resposta. Desde o dia em que levou Reese em casa, ouvi alguns comentários pelos corredores do hospital dando conta de que a tinha visitado mais de uma vez. Nem sempre acompanhado da Stella. E de que estaria aparecendo, sem um motivo justo, no Med com certa frequência -Soube que andaram brigados, verdade? – inquere, me deixando tenso.

—Estivemos, passado – Kelly responde, me aliviando por cerca de meio segundo! – Estamos bem graças, em parte, a ajuda da Sarah – revela, e mudo de posição no banco, incomodado.

—Reese? O que ela fez? Te ajudou provocar ciúmes? – Will brinca e novamente me mexo, ficando ainda mais desconfortável com a resposta de Severide – Deu formiga no banco Connor? – pergunta, atraindo os olhares para mim.

—Não – bufo, torcendo o nariz ao vê-lo rir discretamente.

—Também – Kelly responde, sorrindo de um jeito que conheço bem – Mas não rolou nada, infelizmente. Apenas conversamos um pouco melhor po a ter ajudado nos três primeiros dias de sua recuperação. Sabiam que ela tem um cachorro e um gato? – pergunta.

—Não

Sim – Will e eu respondemos ao mesmo tempo.

—Sim ou não? – Jay inquere, abrindo os braços.

—Sabia do cão, não do gato – Will se adianta, olhando e fazendo os outros olharem em minha direção.

Suspiro, tomando um gole de cerveja propositadamente demorado na esperança de que mudassem de assunto, o que não ocorre.

—O cão é dela, a gata não – friso — Pertence a vizinha, mas faz visitas constantes ao apartamento dela – respondo, finalmente, pousando a garrafa sobre o balcão.

—Como sabe disso tudo? – Will pergunta, estreitando os olhos ao me encarar.

—Deve ter sido na noite em que saíram juntos daqui – Otis solta antes que pudesse impedir e fecho os olhos, apertando minha ponte nasal, antevendo o que viria — Perdi vinte mangos aquela noite. Apostei com a Kidd que Sarah ia te deixar dormir no carro por não ter coragem de dirigi-lo. Aliás, como ela sabia seu endereço? – questiona, respondendo a si mesmo – Espera, se sabe sobre o cão e o gato é porque ela te levou para a casa dela! – elucida, estalando os dedos ao mesmo tempo em que sorrisos abertamente maliciosos surgem nos rostos de todos.

—Olha só, não aconteceu nada entre nós ok? – começo, olhando-os um a um – Eu estava bêbado, não quis largar meu carro aqui e ela fez a gentileza de me socorrer, nada mais – garanto — Apaguei tão logo entramos no carro e como não sabia meu endereço, teve de me levar para seu apartamento. Dormir no sofá e fui embora no dia seguinte, quando acordei. Ponto – esclareço, os risos não apenas não sumindo como aumentando – Dá para tirarem estes risinhos safados da cara, fazendo o favor! – bufo – Nada aconteceu – reitero.

—Sendo assim, por que só estou sabendo deste fato agora? – Will questiona e sinto ânsias de esganá-lo.

—Porque não lhe devo satisfações de minha vida, mamãe! – resmungo, sorvendo o último gole da bebida – Me vê mais uma Cruz – peço, sendo prontamente atendido.

—Refaço a pergunta do Will: por que não sabíamos deste fato antes?? Era segredo? – Jay inquere, curioso.

—Não há motivos para ser já que Connor assegura não ter acontecido Nada!- Hermmann pontua, sorridente.

—Eu comecei namorar a Gaby em segredo por causa do Antônio – Matt lembra.

—A maior parte de meus relacionamentos começou assim – é Kelly quem fala.

—Eu mantive em segredo o que sentia pela Brett um tempão – Cruz comenta.

—Desculpe o que vou dizer Connor, mas depois do lance com a cerveja fica difícil acreditar que não rolou ao menos um beijinho de agradecimento no dia seguinte! -Otis exclama.

—Qual lance?? – Cassey, Kelly, Will e Jay inquerem, curiosos.

—Ok. Já deu pessoal – corto antes que Otis ou mesmo Hermmann resolvesse narrar, a seu modo, o que acontecera aquela noite, pondo-me de pé – Está ficando tarde, estou cansado, quase não vinha como já sabem, portanto, vou indo – aviso, sinalizando a Claire, que se levanta, vindo até mim – Estou indo. Quer carona? – pergunto, notando as outras garotas virem a nosso encontro.

—Já vai? – Kim pergunta.

—Já. Estou a fim de descansar. Os últimos dias têm sido puxados – justifico-me – Obrigado a todos – agradeço novamente.

—De nada. Foi um prazer – Hermmann diz, tocando meu ombro.

—Eu vou ficar um pouco mais – minha irmã anuncia – Me liga quando acordar para combinarmos como vai ser com o papai – pede.

—Ligo. Até segunda pessoal – despeço-me.

—Ué, vai roer a corda!? – Cassey pergunta e enrugo o cenho – Esqueceu que combinamos treinar amanhã a tarde? – questiona.

—Ah. Não, não. Estarei lá sim. Podem contar comigo – afirmo, lembrando que combináramos começar frequentar academia com eles. Estava precisando relaxar e exercícios sempre me ajudaram nisso – Me mande o endereço – peço, dando atenção a Sarah – Obrigado pelos presentes. Depois te falo do livro – digo, ganhando um sorriso doce que me tira o ar um segundo.

—De nada – responde simplesmente.

—Tem certeza de que está em condição de dirigir? Não quer que alguém te leve? – Will insinua e o fuzilo com o olhar – Só por segurança! – ergue as mãos, rindo divertido.

—Estou bem, fique tranquilo – asseguro, beijando o rosto de minha irmã – Até mais tarde – despeço-me, acenando aos demais antes de lhes dar as costas, saindo, rezando intimamente para que não perturbassem Reese com insinuações – Se soubesse que não iria piorar as coisas teria sugerido que fosse pra casa também – resmungo, destravando meu carro, colocando a sacola sobre o banco do carona antes de dar a partida, sentindo-me leve depois de todo carinho recebido.

“...Got me out here in the water so deep;

Tell me how you gonna be without me?

If you ain’t here I just can’t breathe;

There’s no air, no air...”

Notas finais
Até breve. Bjinhos