Caminhos para o coração

10 Rise up! Changes are on the way (part. 2)


Notas iniciais
Olá flores, tudo bem? Olha só quem voltou trazendo um capitulo fresquinho!! Graças estou conseguindo escrever e revisar com certa rapidez, o que irá me ajudar tentar evitar tantos atrasos como vinha acontecendo. Espero, rsrsrsrrs. Por aqui, conforme avisei no cap anterior e como o titulo já diz, mudanças estão a caminho. Grandes mudanças. Enormes mudanças. Em especial para três pessoas apenas, a principio, muito embora quando a bomba estourar a vida de outros também irá mudar. Muito. E já falei demais. Vamos ao que interessa. Teremos de tudo um pouco neste capitulo: zoação, plano infalível, ciúme, pegação e claro, surpresas. Gata por todas as rewiews passadas.... Não deixem de alimentar uma escritora faminta com novas rewiews, pleaseeee! .... Boa leitura.... Bjinhos flores. LEIAM AS NOTAS FINAIS!!

“Hot dive into frozen waves;

Where the past comes back to life;

If I fear for the selfish pain;

It was worth it every time;

Hold still right before we crash;

Cause we both know how this ends;

A clock ticks ‘till it breaks your glass;

And I drown in you again...”

Clarity

Zedd feat. Foxes

Molly’s (sábado, 1/6 – 00:35 a.m)

Claire Rhodes

—Quer dizer que você e Connor dormiram juntos seis meses atrás, Sarah? – a pergunta me faz voltar rápido demais, perdendo o equilíbrio, obrigando-me apoiar ao balcão, o coro formado pelas demais garotas presentes me dizendo não ter sido a única a ficar surpresa

—OI??? – ecoa pelo recinto, fazendo os rapazes se inclinarem, rindo.

—Como assim dormiram juntos? Quando? Onde? Como? – Kim interroga e preciso me esforçar para não rir ante a expressão de Stella.

—Como? Sério Kim? – devolve, sacudindo a cabeça negativamente – Eu sei que faz um tempinho que não namora, mas essas coisas é como andar de bicicleta: nunca se esquece! – exclama.

—Tá, pergunta errada – reconhece a morena, voltando dar atenção a uma incrivelmente vermelha Sarah Reese – Ainda tô esperando sua resposta amiga – diz, levando as mãos a cintura, frisando o termo amiga.

—Não dormimos juntos – rebate ela, dirigindo-me um olhar tão discreto quanto rápido.

—Então Connor mentiu quando disse que dormiu em seu apartamento? – Will Halstead questiona, rindo de um jeito que o faz ficar ainda mais encantador.

—Não.... Sim...- se atrapalha toda, e é minha vez de sorrir – Ele dormiu em meu apartamento, no sofá, porque estava bêbedo demais. Apagou quando entrou no carro e eu não sabia qual o endereço dele. Não podia deixá-lo dormir aí fora, dentro do veículo muito menos sair por aí dirigindo aquele pedaço de metal escandalosamente caro! – justifica-se de um só fôlego, soltando o ar em uma lufada forte ao terminar.

—Quando foi isso exatamente? – Kimberly insiste enquanto permaneço quieta, observando e escutando atentamente.

—Seis meses atrás, como Kelly disse -Stella data, olhando-a com um sorriso malicioso -Sarah tinha acabado de retornar a cidade e veio matar a saudade dos amigos...

—Foi quando rolou o lance da cerveja – Cruz a interrompe e enrugo o cenho, a curiosidade me vencendo.

—Lance da cerveja? – pergunto, fazendo todos me olharem, Sarah ficando novamente vermelha.

—Então... – Cruz recomeça, coçando a nuca, visivelmente sem graça por se dar conta de minha presença.

—Antes de qualquer coisa, aonde estávamos que não vimos isto? – Jay Halstead questiona, estapeando o irmão.

—Sei lá! – Will responde, esfregando o braço.

—Eu estava aqui! – Matt Casey ergue a mão.

—Nós também – Cruz, Brett, Stella e Otis fazem o mesmo.

—Então, por favor expliquem aos ausentes, como nós, o que raios é esse lance da cerveja! – Will pede, indicando a si mesmo, ao irmão e a mim.

—Connor estava sozinho, parecendo triste. Fui até a mesa por sugestão da Kidd, conversamos e quando pedimos novas bebidas me convenceu a experimentar cerveja artesanal, só isso – Reese apressa-se explicar –Agora, se me dão licença vou indo. Já fiquei sem graça pelo restante do ano! – diz, indo rapidamente até a mesa aonde estávamos sentadas, pegando sua bolsa – Sylvie, me manda o endereço da academia, por favor. Quero tentar começar fazer os exercícios antes que me falte disposição – pede, parando perto de mim.

—Claro – prontifica-se a loira, sorridente.

—Porque não fazemos melhor: te buscamos e vai com a gente fazer a aula experimental. Assim, se gostar, faz a avaliação, a matrícula e vê quais dias e horários se encaixam em sua rotina – Kim sugere.

—Pode ser – ela responde, vacilante – Me liga mais tarde e vemos isso. Boa noite a todos e obrigada pelo convite senhorita Rhodes – despede-se, me dedicando um sorriso gentil.

—Eu que agradeço sua presença Sarah e me chame de Claire, por favor – peço, retribuindo o gesto.

—Vou tentar – promete – Até mais – acena aos outros, saindo.

—Ok. Agora que ela já foi, detalhes, please! – Will retoma, estalando os dedos e rio.

—Por que acha que tem mais além do que ela disse? – questiono-o.

—Simples: a forma como o Cruz tá namorando a garrafa de cerveja em sua mão! – responde e todos olhamos o referido bombeiro.

—Vocês não têm noção do que foi aquilo! – justifica-se ele, rindo sem graça.

—Não mesmo – Brett anui, suspirando.

—Então nos falem, oras! – Jay reclama, cruzando os braços.

—É que não sei se vai dar para expressar o que houve, mas podemos tentar – Stella afirma, começando a contar o que se passara entre meu irmão e Sarah na noite em questão, Otis e Cruz intervindo vez ou outra, finalizando com o momento em que apostara com o amigo que Reese não teria coragem de dirigir o Porshe de Connor e o deixaria largado no estacionamento dormindo dentro do carro, o que obviamente não aconteceu.

—É, fica meio difícil acreditar que não rolou nenhum beijinho no dia seguinte – Kelly comenta -De agradecimento, que seja, mas deve ter rolado -acresce.

—Será que foi por isto que Connor chamou Sarah para conversar? Será que rolou algo, ele se arrependeu e ia pedir desculpas a ela? – Will questiona mais para si do que propriamente a qualquer de nós.

—Não sei a que conversa está se referindo Will, mas espero que o motivo seja outro porque, sinceramente, pedir desculpas a uma garota por ter ido pra cama com ela é o cúmulo! – Stella exclama – Tudo bem que não comecem namorar no dia seguinte, ou mesmo no mês seguinte, mas pedir desculpas te joga pra uma friendzone eterna! – assegura.

—Eterna e glacial – Brett acresce e espremo os lábios para não rir.

—Então, não estou dizendo que era sobre isto, até porque não tiveram chance de falar já que foi justamente quando estavam se preparando para isto, acho eu, que Burke apareceu, jogando o carro por cima de tudo e todos – lembra, entristecendo.

—Deixe-me ver se estou entendendo direito – intervenho a fim de evitar a conversa mudar de rumo — Meu irmão e a doutora Reese dormiram juntos – faça aspas no ar – E logo depois disto Connor a chamou para uma conversa...

—Não exatamente depois, digo, não foi no dia ou mesmo na semana seguinte -me corta – O convite foi a quinze dias atrás, como falei. No dia em que fomos vítimas de Tim Burke...

—Ou seja, após a doutora Bekker ter tentado matar nosso pai e de meu irmão a tê-la beijado durante ... – deixo escapar, a reação sendo imediata.

—OI???- novo coro ecoa, me sobressaltando.

—Beijo? – Will repete, me encarando curioso – Quando foi isso??

—Então... Foi durante a madrugada, no quarto aonde nosso pai estava interno. Acordei e vi meu irmão e a doutora Reese conversando baixinho. Estava prestes a falar algo quando aconteceu – conto, sorrindo ao lembrar a cena – Os dois se aproximaram...- reflito um segundo – Na verdade acho que foi meu irmão quem tomou a iniciativa de beijá-la – corrijo-me.

—Então eles se beijaram? Assim, beijo, beijo mesmo? Não selinho. Beijo – Brett inquere de forma engraçada.

—Sim – confirmo — Não foi um selinho. Também não chegou a ser um beijo cinematográfico. Eles apenas se beijaram. De mãos dadas – sorrio mais com a lembrança – Foi tão...Suave e doce e romântico! – deixo um suspiro curto escapar – E não acredito que Connor tenha se arrependido. Ele teria dito na hora, aliás, nenhum dos dois chegou a dizer algo sequer parecido com arrependimento -lembro — O paiger dela tocou, ela disse que precisava ir, ele disse ok, ou algo parecido, não lembro, e ela se se foi – relato, abrindo as mãos – Não houve um “Ah, me desculpe, não devia ter acontecido isso” ou “Foi mal” , nem nada assim – digo, imitando a voz de Connor, o que faz os irmãos rirem.

—É bem a cara do Connor dizer isto! – Will diz, estalando a língua – Aposto que seria mais ou menos este o teor da conversa aquele dia se não tivesse acontecido o incidente.... Se bem que quando Ethan e eu chegamos a mesa aonde estavam, Robin Charles estava com eles – relembra, coçando o queixo e arqueando a sobrancelha, gesto que o deixa bem charmoso, admito.

—Posso dizer: ainda bem que Connor não conseguiu falar – Stella diz, sincera.

—Ia ser enviado para a friendzone? – inquiro, não contendo o riso.

—Não, mas certamente iria deixar a Sarah bem irritada. Eu ficaria – garante.

—Quem não ficaria – corroboro.

—Ok, vocês precisam entender uma coisinha sobre nós homens ....- Will começa, Hailey, que se mantinha calada, o cortando.

—Que nunca dizem o que sentem de verdade por uma mulher salvo quando percebem que podem perdê-la para sempre? – questiona e sinto, por seu tom e olhar, que a indireta tinha endereço certo!

—Também – anui o ruivo e abro a boca, surpresa – Levei quase três anos para me declarar pra Nat e fica calado Jay, ou vai dormir na cama do cachorro mesmo o apartamento sendo seu! – ameaça, de pronto, fazendo o irmão erguer as mãos.

—Nem sempre é fácil falar para alguém que gosta o que está sentindo – Hermmann diz, apoiando ambos os braços sobre o balcão – Me apaixonei pela Cindy de cara, mas só tive coragem de me declara dois meses depois, em um baile beneficente – conta – Até a chamei para sair umas duas vezes, mas se disser que rolou algo além de beijos estaria mentindo. E mesmo assim rápidos porque o pai dela fez a irmã ir conosco ao cinema. A marcação era cerrada naquele tempo! – relembra, e rimos – De qualquer maneira, eu já sabia que ela era a mulher da minha vida, mas dai a verbalizar que estava apaixonado, que queria mais do que encontros e cinemas, foi chão! – exclama.

—Certo. Todos concordamos que não é fácil falar de sentimentos quando estes são fortes e verdadeiro – Severide começa – E que definitivamente há algo rolando entre aqueles dois...

—Química! O nome disso é química, Kelly – Stella corta o namorado, roubando um selinho.

—A questão é o que podemos fazer para ajudá-los a verem essa química aí. Interferimos ou deixamos rolar naturalmente? – interroga ele, olhando-nos um a um.

—Acho que não devemos intervir – Casey opina, cortando os protestos eminentes ao erguer a mão – Mas, podemos dar um empurrãozinho para apressar as coisas, assim eles podem descobrir o que sentem de fato um pelo outro mais rapidamente – argumenta, piscando.

—Tipo Sylvie e eu fizemos – Cruz compara, a loira erguendo o polegar, levemente sem graça.

—Yep! – anui Severide, rindo de uma forma estranha – E até acho que já sei como e quando podemos fazer isto – afirma, voltando-se para Kim – Engano meu ou vocês convidaram a Reese para ir a academia, malhar? – quer saber.

—Não é bem malhar. O Ortopedista do Med recomendou que ela procurasse fortalecer a musculatura do joelho e da perna que foram atingidos – conta.

—E suponho irão para a academia que costumamos frequentar, correto? – pergunta, ela franzindo o cenho.

—Claro. E daí? – inquere.

—Dai que marcamos com o Connor lá também – Jay se adianta – Ele comentou que estava a fim de voltar fazer exercícios e sugerimos ir conosco...- olha o relógio em seu pulso – Hoje, por volta das quatro da tarde. Marcaram a que horas com a Sarah?

—Não marcamos um horário, apenas que seria após o almoço – Brett responde.

—Seria melhor ela já estar lá quando meu irmão chegasse ou ele pode desconfiar – sugiro.

—Especialmente depois de toda zoação de agora a pouco – Hermmann comenta e enrugo o cenho – Por conta do que aconteceu seis meses atrás.

—Ah, sim, sim – anuo, tocando minha fronte – Mas em que os dois estarem na mesma academia pode ajudar? – questiono.

—A Priore, em nada – Casey responde, olhando diretamente para mim – Me responda uma coisa Claire: Connor faz o tido ciumento ou tranquilo?

—Bem, eu diria um pouco dos dois. Quando está com alguém, geralmente não é de ficar pegando no pé nem cobrando atenção em demasia. Mas tem ciúmes sim – digo – Por que quer saber? – inquiro.

—Porque pensei em sugerir as meninas pedirem a um dos professores, de nossa confiança, claro, que desse uma atenção especial a Sarah quando ele estivesse por perto, porque vai acontecer de estarem em algum momento – explica e sorrio.

—Não sei se é uma boa idéia provocar ciúmes, não. Meu irmão é imprevisível algumas vezes e pode não reagir muito bem – alerto.

Só presenciei uma única crise de ciúmes do Connor, anos atrás, antes de ele ir embora, e não foi nada bonito. Certo que era adolescente e imaturo, mas temperamento é temperamento. A pessoa amadurece, fica mais experiente e tal, mas algumas emoções podem ficar apenas adormecidas. E ele bateu no próprio pai por causa de uma mentira da Bekker.

—To de acordo com a Claire e quero só lembrar que ele esmurrou o pai em público por causa de uma mentira dita pela Bekker – Will dá voz meu pensamento.

—Se isto não for ciúmes, não sei mais o que é! – Otis exclama.

—Não vamos deixar chegar a tanto – Casey assegura – Tudo que vamos fazer é dar um incentivo a ele dar o primeiro passo, entendem? – pergunta e todos anuímos – Agora, qual professor pode nos ajudar? – voltasse para Stella – Lembrando que nós todos devemos seguir nossa rotina de treino e não ficar por perto fazendo comentários . Ele precisa perceber, sozinho, que ela está recebendo uma atenção especial, digamos assim – pontua.

—Acho que já sei a quem podemos pedir ajuda. Ramirez. Dan Ramirez – Stella cita – Ele vai saber fazer na medida certa e ainda por cima não corremos o risco de querer se aproveitar da situação pra tirar casquinha da Reese – comenta e a encaro, confusa – É gay – informa – Mas pouquíssima gente lá sabe e não é do tipo que dá bandeira – acresce.

—Fechou! – Casey exclama, erguendo a mão no ar, Stella tocando-a – Tentem estar por lá entre meia hora a quarenta minutos antes, assim dará tempo a ele se aproximar dela sem causar estranheza – sugere.

—Beleza. Faremos isto – Kim diz, tocando as mãos de ambos.

—Se não fosse levantar suspeitas, até que iria – comento, pensativa, sacudindo a cabeça a fim de afastar a idéia da mente – E tenho uma reunião que certamente vai me deixar estressada quando terminar – lembro.

—Vai lá desestressar – Brett sugere – Façamos assim, me passa seu número que envio a localização. Daí se resolver ir, avisa que te recebemos. A gente sempre fica até mais tarde mesmo – convida e aceito.

Depois que lhe passo meu número, damos a noite por encerrada combinando de me darem notícias independente de ir ou não ao encontro deles. Durante o percurso até em casa, medito se o que pretendiam fazer era certo. Se não seria melhor deixar as coisas fluírem naturalmente como parecia estar acontecendo.

—Seja o que Deus quiser! – suspiro, acionando o portão da garagem de casa, entrando, me recolhendo tão logo entro em meu quarto, dormindo quase que instantaneamente.

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Academia Corpore (Sábado, 15:33 p.m)

Narrador

—Meninas, vou adiantar as coisas com o professor – Kidd avisa, tocando os ombros de Brett e Kimberli respectivamente.

—Certo. Encontramos você daqui a pouco– Kim responde, sinalizando haver entendido a mensagem sublinhar.

—Ok – anui a bombeira, saindo do vestiário, indo direto ao encontro do professor Ramirez – Dan, será que podemos falar um segundinho? – pede, dando dois tapinhas no ombro do rapaz, que se volta, sorridente.

—Claro lindeza – prontifica-se – Depois que terminar aqui, pode ir Barbie. E não esqueça minhas recomendações – libera, a loira sorrindo de volta, anuindo com um gesto de cabeça – Por aqui – indica, conduzindo Stella a um recanto do enorme salão da academia – Então, em que posso te ajudar? – inquere tão logo se afastam dos demais alunos.

—Vou ser rápida porque não temos muito tempo – começa ela, unindo as mãos – Seguinte: dois amigos nossos virão aqui hoje fazer a aula experimental. Uma já está aí, trocando de roupa, e o outro deve chegar daqui meia hora, mais ou menos...

—E você quer que eu dê uma atenção especial a eles – adianta-se o professor.

—Sim e não – Stella diz, fazendo-o olhá-la confuso – Acontece que os dois estão, como direi, meio empacados: gostam um do outro, mas até agora nada além de um beijo, bem-comportado, diga-se, rolou. Ele não toma a iniciativa, ela menos ainda. Nós queremos dar um empurrãozinho e para isto queríamos ver com você se topa fazer um ciuminho básico. Tipo dar atenção a ela quando ele estiver por perto – fala de um fôlego só – Não precisa ser nada acintoso, claro, pra não te prejudicar nem a espantar porque ela tem de fazer exercícios e não queremos que desista, mas ele precisa perceber....

—Que estou tendo um cuidado especial com sua amiga – completa o professor, massageando o queixo.

—Isso! – confirma Kidd – Pode fazê-lo? – pergunta, ansiosa, vendo Sarah deixar o vestiário acompanhada por Kim, Brett e Hailey – Sem querer pressionar, mas ela acaba de entrar e preciso saber se topa – pede, cruzando, discretamente, os dedos.

—Topo se me garantir que o bofe em questão não vai querer jantar meu fígado com cebolas! – brinca, rindo junto com ela – Quem é a felizarda que terá toda minha atenção? – pergunta, seguindo a direção indicada pela bombeira.

—Aquela lá, de cabelo cacheado – específica.

—Hum... Bonita. Curvas no lugar e na medida certa. Por que ela Tem de fazer exercícios mesmo? – quer saber.

—Sofreu um acidente recentemente que afetou o joelho direito e o Orto recomendou que fortalecesse a musculatura – conta.

—Entendi – diz ele, avaliando Sarah enquanto caminha ao encontro dela, recebendo-a com um sorriso.

—Sarah Reese, Dan Ramirez, o melhor professor deste lugar – Kim elogia, apresentando-os.

—Prazer – a médica estende a mão, cumprimentando-o.

—Igualmente e não adianta puxar meu saco Kim. Ainda vai ter de fazer vinte abdominais como parte de sua rotina! – afirma, a detetive rolando os olhos.

—Detesto abdominais! – resmunga.

—Duas – Brett ergue o indicador – Mas é um mal necessário – diz, dando de ombros.

—Certamente que é gatona – Ramirez corrobora – Sarah, Kidd estava me dizendo que machucou seu joelho recentemente e por isto precisa fazer exercícios, correto? – inquere, dando atenção a ela.

—Sim. Eu já vinha pensando em começar fazer, por outras razões, mas agora é recomendação médica então tive de espantar a preguiça e as desculpas – admite a jovem Psiquiatra, enrugando o nariz em uma careta gozada.

—A maioria das pessoas só começa por conta disto mesmo, flor – afirma ele, rindo curto – Me diga: era totalmente sedentária ou fazia alguma atividade, caminhadas por exemplo – quer saber.

—Passear com cachorro conta? – pergunta ela, ele rindo divertido.

—Um pouco já que essas criaturas adoráveis amam correr – responde o professor, esfregando as mãos – Pois bem. Como é novata vou pegar leve com você – avisa, arqueando a sobrancelha ao olhar as demais em volta deles – Estão esperando o que mesmo para começarem suas rotinas senhoritas? – inquere, não dando tempo a elas responderem – Move, move! Todo mundo se mexendo. Podem deixar que cuido da Reese aqui com todo amor e carinho – declara, a médica ficando vermelha.

—Ok. Sarah, está em ótimas mãos – Stella diz, piscando e acenando antes de se dirigir ao balcão a fim de pegar sua ficha com a rotina de exercícios.

—Qualquer coisa estamos por aqui, Sarah. Só chamar caso ele fique muito perverso com você – Brett avisa, se afastando, levando Kim consigo.

—Vamos? – Ramirez convida, sinalizando a ela o seguir.

—Sim – Sarah responde num sopro, acompanhando o professor.

Nos minutos seguintes, ele a instrui em alguns exercícios iniciais a fim de testar sua resistência e capacidade, dando, conforme combinara com Stella, total atenção a jovem médica.

Quarenta minutos depois, os rapazes chegam, trazendo Connor com eles. Após terem o aguardado fazer a matrícula e conduzido o cirurgião aos vestiários para que trocasse de roupa, Matt Casey, Jay e Will Halstead, seguem para o salão principal do local.

—Nossa, é bem grande aqui – Connor comenta, surpreso.

—Bastante – Casey diz – Para aquele lado ficam as salas de aulas especificas, como Karatê e boxe. Ali são realizadas as aulas de Ginástica e mais ao fundo, daquele lado mesmo, salas de massagem. Diversas massagens, só não me pregunte quais porque ainda não fiz – avisa o bombeiro fazendo o cirurgião rir discretamente enquanto caminham — Aqui, como pode ver, se concentra toda a parte de musculação e ginastica localizada. Na área externa tem as piscinas para natação e hidro e também rola umas aulas de vez em quando – conta, parando em meio ao salão -E ali temos meu lugar preferido: o paredão de escalada – indica o conjunto de paredes com apoios para escalada aonde alguns alunos praticavam.

—Já estou gostando – Connor declara, olhando na mesma direção que o bombeiro, Casey sendo o primeiro a notar o movimento atrás deles, voltando-se para ver Jay e Will conversando com Stella e Kelly, que viera antes, o trio sinalizando a ele trazer o cirurgião aonde estão.

—Connor, vem comigo. Quero te apresentar alguém – convida, Connor atendendo-o – E aí pessoal – cumprimenta quando se aproximam.

—Oi Matt, doutor Rhodes -Stella cumprimenta, voltando-se ao escutar seu nome -Licença que não estou nem na metade de minha rotina e se o carrasco me vir procrastinando me esfola!! -brinca, deixando um selinho nos lábios do namorado antes de dar-lhe as costas.

—Hei, viu o Ramirez? – Kelly pergunta, retendo-a pelo braço.

—Logo ali – indica com um gesto de cabeça – Orientando a Sarah – completa, fazendo com que Connor se voltasse na direção indicada por ela.

—Valeu – Kelly responde, piscando – Vamos lá – convida, tocando o ombro do cirurgião ao passar por ele, Casey, Jay e Will o seguindo.

—Vamos – Connor murmura, seguindo-os após um segundo de hesitação, atento aos movimentos da médica e do professor enquanto se aproximam sem serem vistos, franzindo o cenho ao ver o homem segurá-la pelo quadril com certa intimidade. Ao menos ele assim achou.

—Professor, boa tarde – Severide cumprimenta, atraindo a atenção do mesmo para o grupo – Desculpe se atrapalho, mas nosso amigo aqui está vindo pela primeira vez fazer aula – pede, indicando Connor- Ei, olá Reese – cumprimenta-a, fingindo surpresa.

—Oi – responde a médica em um sopro forte, afastando uma mecha de cabelo que grudara em seu rosto vermelho e suado, após depositar o peso com o qual se exercitava no chão.

—Pega leve aí Mulher Maravilha! – Severide brinca, fazendo-a ficar ainda mais vermelha.

—Não sabia que frequentava academia Reese – Connor comenta, dirigindo um olhar pouco amistoso ao professor, que mantinha uma mão sobre o quadril direito da jovem.

—Não frequento – responde ela, tomando fôlego mais uma vez – Na verdade comecei hoje e por imposição médica. Recomendação, melhor dizendo, devido o acidente – explica, removendo nova mecha.

—Neste caso seria bom mesmo pega leve – repete o conselho dado por Kelly, preocupado.

—Ela está pegando leve – garante o professor, fazendo com que o cirurgião lhe desse atenção – Os exercícios para ela são básicos justamente para seu corpo possa entender e se adaptar a nova realidade, ou seja, que está saindo de um estado de letargia quase que total posto que Sarah caminhava com seu pet, para um estado de atenção, movimento, onde será exigido cada vez mais na medida em que o grau dos exercícios forem aumentando – explica ele – Para ela, que é longilínea e falsa magra, e como precisa, neste primeiro momento, reforçar a musculatura dos membros inferiores e superiores, farei uma rotina usando aparelhos e pesos – diz, fazendo-a abrir os braços – Reforçaremos estes músculos – segura a parte interna dos braços dela – Está área aqui, que as pessoas esquecem ser importante também -toca os ombros, descendo por toda extensão de suas costas — E claro, coxas, joelhos, panturrilhas e articulações das pernas – segue, dando leves tapas enquanto fala – Mais adiante acrescerei exercícios para fortalecer todos os músculos, manter e moldar essa beleza natural que Deus lhe deu! – elogia, fazendo-a corar intensamente enquanto Connor fecha a cara, mal-humorado.

—Isto se eu não desistir antes. Ou morrer! – dramatiza a médica, ganhando sorrisos e um gracejo do instrutor.

—Nem uma coisa nem outra irá acontecer sabe por quê? – questiona ele, não a deixando responder – Porque quem passa por estas mãos aqui – exibe-as – Se apaixona e nunca mais vai embora princesa – assegura, sorridente, dando atenção a Connor – Isto vale para ambos os sexos pelo simples fato que dou a meus alunos e alunas exatamente o que eles querem quando veem aqui....

—Beleza estética? – Casey chuta, o cortando.

—Deixa a gente gostoso e irresistível? – Severide brinca, fazendo pose.

—Sarados e fortes – Will e Jay dizem juntos.

—Tudo e isto sim, mas esqueceram o fundamental: saúde! – exclama, orgulhoso – Saúde de corpo e porque não dizer de mente com papo alegre e descontraído, para que envelheçam com tranquilidade e passem menos tempo em mãos de médicos, embora não seja uma idéia ruim passar um tempo razoável em mão tão lindas – elogia mais uma vez, tomando a mão de Sarah, beijando o dorso, deixando-a sem graça – Agora chega de rasgação de seda! – surpreende-os, batendo palmas – Não pense que vai me fazer amolecer por conta de sua carinha bonita. De volta aos exercícios – ordena – Mais dez com os pesos e depois vá para aquela máquina ali que já chego – orienta, batendo palmas novamente – Move lindona. Move!

—Sim senhor – Sarah responde, tocando a fronte com dois dedos – Se ele pegar mais leve com você me avise. Assim posso cobrar! – pede, sorrindo para Connor.

—Aviso sim – ele responde, ainda pouco a vontade com a intimidade demonstrada pelo instrutor.

—Eu Nunca pego leve flor – garante ele, lançando um beijo a ela antes de dar atenção a Connor – Dan Ramirez, instrutor, personal e responsável pela avaliação e primeiras aulas dos novatos – apresenta-se, estendendo a mão para o cirurgião, este hesitando em aceitar o cumprimento, claramente incomodado com a atenção dispensada a Sarah, seus amigos espremendo os lábios, contendo o riso – Qual sua prioridade? O que te trouxe ate aqui hoje? – interroga, assumindo uma postura mais séria.

—Eu.... Estou querendo retomar minha rotina de exercícios – responde – Costumava me exercitar com certa frequência quando morava fora do país. Quando regressei parei de o fazer e agora sinto-me incomodado com isto – admite.

—Isto tem quanto tempo? – quer saber.

—Quatro anos – Connor responde, desviando minimamente o olhar para Sarah quando ela levanta os pesos com certa facilidade.

—Certo. Neste caso podemos começar com uma rotina um pouco mais firme do que a de Sarah – compara, massageando o queixo – Me acompanhe – pede, arqueando a sobrancelha – Estão à espera de quê mesmo?? – inquere, olhando de Kelly para Will Halstead, passando por Casey e Jay.

—Nadinha de nada! – o bombeiro responde, estalando a língua – Fui – diz, indo ao encontro da namorada.

—Acho que vou ficar só no paredão hoje – Casey anuncia, voltando-se naquela direção.

—Vou com você – Jay avisa, o seguindo.

—E eu vou manter minha rotina normal – Will diz, batendo com a ficha na palma da mão – Nos vemos no final da aula – ergue os polegares para Connor, saindo sem esperar resposta.

—Venha – Ramirez repete, tocando o ombro do cirurgião, que o segue.

Nos minutos seguintes, Connor se concentra em realizar a rotina indicada pelo instrutor, buscando Sarah com o olhar sempre que mudava de aparelho. Agora, ela estava deitada lateralmente em um dos cantos tendo Brett a seu lado, ambas com pesos nos tornozelos, realizando exercícios ao mesmo tempo em que conversam e riem.

No intervalo entre uma contagem e outra na prancha de abdominal, o cirurgião surpreende-se observando-a atentamente, percorrendo as curvas delicadas, cuja roupa de ginástica revelava, com visível admiração masculina. Na verdade, desde a manhã em que acordara em sua sala, a tinha percebido de forma diferente da estudante tímida, que se escondia em roupas pouco femininas, ou da residente insegura, agitada e sofrida que passou por maus momentos no último ano. Desde aquela manhã a via como mulher. Uma linda, atraente, sensível, doce e encantadora mulher que ganhara mais força e segurança no olhar, nos gestos e na forma de agir dentro e fora do hospital. Havia amadurecido, sem dúvidas, a olhos vistos e era isto que o estava incomodando naquele exato momento ao se dar conta de que não fora o único a perceber. Vários colegas comentaram depois que voltou ao Med. E não apenas eles, mas os poucos amigos que tinham em comum, como Kelly e Jay, que a tinham elogiado diversas vezes nos últimos dias. Até mesmo Will o fizera. E agora outros também a estavam notando. Como aquele grupo de rapazes que observava, não tão discretamente, ela e Brett exercitando-se. Não pode conter o riso quando Casey se aproximara, agachando-se entre as duas, dirigindo um olhar nada discreto e pra lá de ameaçador ao grupo, que se volta, fingindo não ser com eles.

—Valeu Matt – murmura, esticando-se na prancha novamente, retomando os exercícios, refletindo o quanto um beijo simples, sem nenhuma conotação sensual, mexera com ele a ponto de sentir ciúmes da jovem médica, a constatação fazendo-o ter um sobressalto que muito pouco não lhe fez cair do aparelho – Como posso sentir ciúmes se mal nos falamos depois daquilo? Ela nem mesmo me procurou – resmunga para si mesmo, mudando de aparelho – Nem você a ela Connor – reconhece, olhando a folha de papel que pusera no banco a seu lado, conferindo a quantidade de vezes que deveria repetir o exercício – Foco Connor, foco – admoesta-se baixinho, se posicionando a fim de começar, parando logo após as duas primeiras execuções ao visualizar o instrutor ao lado dela, uma mão envolvendo-lhe a cintura enquanto a outra gesticulava como se estivesse explicando alguma coisa, o estalar de dedos a frente de seu rosto assustando-o.

—Hei, não é nada aconselhável ficar no mundo da lua enquanto se exercita. Pode se machucar – Will alerta, posicionando-se no aparelho imediatamente a frente dele, tapando parcialmente a visão do cirurgião.

—Ele precisa mesmo ficar assim tão junto para explicar o que ela tem de fazer? – reclama, fazendo com que Will se volte na direção de seu olhar.

—Quem? – pergunta o médico, aumentando propositadamente a voz, chamando atenção do irmão e de Severide, que conversavam a poucos passos de onde eles estavam.

—Sabe quem – Connor retruca, retomando os exercícios sem parar de olhá-los – Esse tal Ramirez. Não acha que está sendo inconveniente? Sempre que está orientando Reese a abraça ou toca, como agora – reclama, fechando a cara outra vez, usando de mais força do que precisava para mover o aparelho – Quem os vê pode pensar que estão juntos! – protesta, interrompendo o exercício, agachando-se ao lado do aparelho.

—Nahm! Ele é assim mesmo com todas as meninas – minimiza o ruivo, controlando a vontade de rir antes de se voltar para o amigo. O plano estava funcionando melhor do que esperavam – Além do mais, se estivesse sendo inconveniente Reese já teria reclamado – acrescem erguendo uma sobrancelha ao vê-lo aumenta a quantidade de peso – Paga leve aí ou vai acabar se machucando – aconselha, posicionando-se em seu aparelho, exercitando-se.

—Preciso ocupar minha mente... pra não pensar bobagem – resmunga o cirurgião e desta vez o ruivo não consegue esconder o riso, que por sorte passa despercebido ao amigo.

Connor retoma o exercício sem, no entanto, desviar seu olhar e atenção de Sarah, seguindo-a com o olhar quando caminha lado a lado com o instrutor até um aparelho alguns metros de onde está, o gesto seguinte do homem tendo o poder de o desestabilizar de vez: ciente de que eram observados, Ramirez apoia ambas mãos nas coxas da médica tão logo ela senta-se no aparelho, ajudando começar o exercício e ao fazê-lo acaba por encaixar-se entre as pernas dela.

—Merda! – o xingamento seguido pelo som alto de pesos caindo mais o estalido seco emitido pelas molas do aparelho quando este escapole as mãos de Connor, chamam atenção de todos em volta – Merda! – repete o cirurgião, pondo-se rapidamente de pé, o filete de sangue escorrendo na palma de sua mão direita.

—Falei que ia se machucar, não falei? – Will diz, pulando do aparelho, indo em socorro ao amigo -Deixa ver isso? – pede, tentando segurar a mão dele, que evita.

—Não foi nada. Só um corte à toa – minimiza, recuando um passo.

—Está tudo bem por aqui? – Ramirez pergunta preocupado.

—Sim

—Não – Connor e Will respondem ao mesmo tempo – Evidente que não! Machucou a mão. Avisei que não deveria ter aumentado o peso por conta própria e para não ficar distraído ao fazer os exercícios – reclama o ruivo, irritado, encarando Kelly.

—Aumentou os pesos sozinho? – Ramirez se inclina sobe o aparelho, soprando forte – Não pode fazer isso. Ao menos não hoje. E atenção é fundamental para que acidentes não aconteçam. Deveria ter me chamado se estava achando leve demais – reprimenda, encarando o cirurgião sem importar-se com a raiva evidente no rosto dele.

—Acontece que estava ocupado demais ... – Connor ameaça protestar, calando-se ao notar a pequena aglomeração em volta deles, não querendo constranger Reese.

—O que aconteceu? – Brett pergunta, surgindo acompanhada por Casey e Stella – Está ferido! – exclama, notando a mão de Connor.

—Não é nada. Me distrai e cortei a mão. Só. Não precisam fazer todo este espalhafato – resmunga – Quer saber? Já deu por hoje! – declara, dando as costas ao grupo, abrindo caminho entre os curiosos, caminhando a passos firmes para o vestiário.

—Will... doutor Halsead, não seria melhor ir atrás dele? Vê se o corte realmente não é sério? – Sarah sugere, mordendo o lábio inferior, preocupada.

—Claro que vou. Teimoso do jeito que é, capaz de me dar uma patada, mas corro o risco – diz o ruivo, bem-humorado – Acho que o plano funcionou nem demais – sussurra ao passar entre Casey, Brett e Severide, indo aos vestiários.

—Certo pessoal, acabou o show. E que isto sirva de lição: nada de se distrair, seja com o que for, enquanto estiverem se exercitando – adverte, batendo palmas, fazendo com que todos retomassem suas atividades.

—Eu acho que vou parar por hoje também – Sarah diz, levemente envergonhada -Volto na segunda, depois do plantão.

—Certo, minha flor. Te envio sua rotina por e-mail – Ramirez avisa – Foi muito bem para ser sua primeira vez em uma academia – elogia, sorrindo-lhe gentil.

—Obrigada – agradece a médica.

—Te dou uma carona – Sylvie se oferece.

—Não precisa. Vou de táxi. Pode terminar sua rotina tranquila – Reese declina.

—Não, não. Eu te trouxe eu te levo – a loira declara.

—Não precisa. Sério. Posso ir de Uber. Pode ficar tranquila – reitera, apertando a mão da amiga – Vou me trocar – avisa, rumando para os vestiários.

—Gente, será que o tiro saiu pela culatra!?!? – Stella inquere, acompanhando a médica com o olhar.

—Pelo contrário lindona – Ramirez se adianta, rindo satisfeito – Funcionou tão bem que logo, logo irão frequentar está academia juntinhos, como um lindo casal – assegura ele – Sou capaz de apostar!

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Estacionamento da academia (18:15 p.m)

Connor

Destravo o carro ao me aproximar, abrindo a porta e atirando a mochila atrás do banco do passageiro como costumava fazer, abrindo e fechando a mão enfaixada (insistência de Will), testando o nível de dor, entrando no veículo, respirando fundo, recuperando a calma antes de dar a partida.

Ainda estava tentando entender o que havia acontecido lá dentro. Nunca me considerei um cara ciumento, mas que outro nome dá aquilo que senti ao ver aquele professor no meio das pernas de Sarah!?!?

Tá certo que estava apenas explicando para ela o funcionamento do bendito aparelho, mas depois de vê-lo para cima e para baixo, tocando, alisando, apertando-a sempre que tinha oportunidade. Aquilo havia me tirado do sério de uma forma que nunca aconteceu antes. Não que eu lembre.

—Talvez na juventude – falo sozinho, manobrando, parando na saída da garagem, olhando para o lado, atento ao trânsito, que começava ficar complicado, e neste momento a vejo deixando a academia pela porta da frente. Sozinha.

Durante alguns minutos a observo mexer no celular, cabeça baixa, concentrada em algo na tela, parecendo impaciente. Fecho os olhos, respirando fundo mais uma vez, tomando uma decisão.

Baixo o vidro, acionando a buzina duas vezes seguidas, conseguindo sua atenção. Sinalizo para que venha até mim, ela o fazendo sem hesitar, para minha surpresa.

—Doutor Rhodes, algo errado? – pergunta, preocupada.

—Nada. Só pensei se queria uma carona – ofereço.

—Ah, não precisa. Não quero lhe atrasar. Ainda tenho de parar no mercado para comprar ração – justifica – Estou pedindo um carro por aplicativo – diz, fazendo uma careta graciosa o olhar o aparelho novamente.

—O motorista cancelou? – presumo, ela confirmando com um aceno – Olha aí. Entenda como um sinal divino! – brinco, arrancando um sorriso tímido -Quanto a me atrasar, não se preocupe com isto. Passei no hospital antes de vir justamente por não saber a que horas sairia. Hoje Claire irá dormir no hospital e amanhã será minha vez -explico – Entra aí – convido, me inclinando e abrindo a porta do carona antes mesmo que respondesse, ela hesitando um segundo antes de aceitar.

Sorrio discretamente ao vê-la passar em frente ao carro, vindo sentar-se a meu lado.

—Da última vez que entrei aqui, ocupei o volante enquanto o senhor dormia neste banco– relembra, pondo o cinto de segurança – Fiquei apavorada – admite e opto por guardar a brincadeira que faria para outro momento.

—Te agradeço por isso e peço desculpas pelo trabalho – reitero, deixando a garagem – Qual mercado irá? Aquele que fomos da outra vez? – pergunto, plenamente consciente de sua presença.

—Isso – confirma – É o mais próximo a meu apartamento – justifica, silenciando um tempo impreciso – Soube que seu pai pode receber alta na segunda-feira – comenta e agradeço por ter quebrado o silencio que já começava ficar incomodo.

—Sim. Claire está bastante aliviada, mas está evitando comemorar. Traumatizou – brinco, vendo-a, pelo canto do olho, sorrir pequeno.

—Imagino – limita-se dizer, voltando a ficar silenciosa.

Imagino mil desculpas para começar uma outra conversa, desistindo após um tempo, optando por ligar o rádio. O som de minha rádio predileta inunda o ambiente restrito do carro, deixando-o mais leve. Noto Sarah tamborilando os dedos em sua perna, cantarolando baixinho uma canção que iniciava, a voz suave e melódica me surpreendendo.

—Deveria cantar para os pacientes. Aposto que iriam se acalmar rapidinho! – sugiro, sorrindo.

—Ou afugentá-los – rebate, sorrindo também.

—Pouco provável – retruco, entrando na rua que leva ao mercado, estacionando o mais perto que consigo das portas.

—Obrigada pela carona, doutor Rhodes – agradece, saltando do veículo tão logo paro.

—Por nada – respondo, seguindo-a com o olhar até que entrasse no estabelecimento, mas ao invés de dar a partida, me recosto ao assento, aguardando-a pacientemente sair. Aceno, fazendo-a vir de cenho enrugado – A carona foi para te deixar em casa, logo.... – justifico-me antes que perguntasse, abrindo os braços, antecipando-me – E não aceito um não como resposta – aviso, ganhando outro sorriso tímido.

—Não vou discutir, já que parece estar um pouco impaciente hoje – comenta, entrando no carro novamente.

—Por que acha isso? – inquiro, dando a partida, pondo o veículo em movimento outra vez.

—Pela maneira como agiu na academia – responde de pronto, sincera – Não lembro de tê-lo visto tão resmungão antes. Nem mesmo quando seu pai foi interno uma segunda vez – acresce, passando a mão pelo pescoço – O que aconteceu? Se aborreceu com algo?

—Quer mesmo saber? – inquiro, olhando-as de soslaio.

—Se não estiver sendo invasiva, quero – admite – Como disse, não lembro de o ter visto agir como agiu lá – reforça, sinalizando ao zelador, este abrindo o portão principal para que pudéssemos entrar.

Ambos permanecemos em silêncio enquanto manobro meu carro dentro da garagem, o posicionando em frente ao dela, o mais perto que consigo, evitando ocupar a vaga de algum vizinho, deixando espaço suficiente para não atrapalhar a passagem de outros.

Desligo o motor tão logo finalizo a manobra, respirando fundo antes de me voltar para ela, que aguardava uma resposta.

—A atitude daquele professor com você – digo, vendo-a franzir o cenho – Foi o que me irritou. A atitude daquele professor com você – assumo.

—Como assim? A que atitude se refere? -questiona, completando antes que pudesse responder – Porque, até onde me lembro, ele foi super gentil, atencioso e paciente comigo – informa, mantendo o cenho franzido.

—Exatamente! – exclamo, estalando a língua – Ele foi gentil e atencioso demais. Exageradamente, gentil e atencioso – pontuo – A todo momento te tocava, ou apertava, ou levava as mãos a sua cintura, seus ombros, te fazendo ficar grudada a ele. Pareciam um casal e não professor e aluna – resmungo.

—Pois não achei – rebate, sentando-se de forma a ficar de frente para mim.

—Sério? – inquiro, ela dando de ombros.

—Pra mim agiu normalmente – sustenta e bufo.

—Sério que não percebeu como estava te tratando de maneira diferente das demais? – insisto, não a deixando responder – Porque na minha opinião, estava exagerando. E muito. Parecia mais estar a fim de pegar do que te orientar nos exercícios. E se, de fato, não percebeu isto, ou é muito ingênua ou estava gostando – solto, seu rosto se tornando vermelho como um pimentão.

—Está muito enganado se pensa que me prestaria a tal papel, doutor Rhodes. Se tivesse notado alguma segunda intenção por parte dele, o teria afastado de imediato – garante, claramente indignada – Quanto a ser ingênua, de fato devo ter sido ao julgar que poderíamos ser amigos quando está mais do que evidente que tipo opinião tem a meu respeito – acusa, me encarando.

—De fato. Apenas amigo não sei se consigo ser – admito, pegando-a de surpresa ao levar uma mão a sua nuca, segurando firme ao mesmo tempo em que me lanço a seu encontro, tomando seus lábios em um beijo selvagem que deixa os meus dormentes quando interrompo o contato brevemente a fim de me posicionar melhor.

—Doutor...- ensaia um protesto, mas não lhe dou chance prosseguir, me apossando de sua boca novamente com ainda mais voracidade.

Escuto-a gemer rouco quando aumento a pressão do beijo, entreabrindo os lábios, me permitindo explorar sua boca cujo sabor guardara na memória, aprofundando-o ao me sentir correspondido.

Em que momento havia reclinado o assento do motorista, trazendo-a para cima de mim, não sei dizer, e somente quando aciono, sem querer, a buzina ao ajudá-la despir a camiseta que usava sobre o top, me dou conta deste fato, ignorando completamente os alertas enviados por meu cérebro acerca do perigo de sermos flagrados ali, ao sentir seus dedos tocarem minha pele tão logo livro-me da camisa. Suas unhas traçam um caminho de fogo desde a base de meu pescoço até o cós da jeans e de volta, causando arrepios de puro prazer, despertando de vez meu membro sob a calça, um gemido gutural escapando de minha boca.

Levo as mãos a seu quadril, forçando-o contra o meu fazendo-a sentir minha rigidez contra sua intimidade, satisfeito ao escutá-la gemer novamente. Deslizo-as mais um pouco, apertando sua bunda, as coxas, antes de subir, insinuando uma mão para dentro da leg que usava, retendo o ar ao tocar seu sexo úmido, quase pronto para me receber.

—Merda! – praguejo ao acertar o joelho no volante ao tentar ajustar nossas posições de forma a me encaixar entre suas pernas – Droga! – xingo uma segunda vez ao bater o cotovelo contra a porta.... Definitivamente, um Porsche não é o local mais apropriado para transar! ... penso, perdendo a calma ao acionar a buzina outra vez – Ok, se vamos realmente fazer isso, precisamos sair daqui -sopro, ofegante, interrompendo o beijo, sua resposta demorando o que me pareceu uma eternidade.

—Uhum – concorda, igualmente ofegante, voltando ao assento do carona ao mesmo tempo em que trago o do motorista a posição normal.

Arrumamos nossas roupas o mais rapidamente possível, catamos mochilas e a sacola com ração, saindo do veículo, caminhando lado a lado, em silencio, até o elevador ali perto, aguardando um minuto sua chegada, tempo que aproveito para a olhar discretamente, temendo que desistisse.

Adentramos o cubículo, nos posicionando mais ao fundo, perto, ainda calados. Sendo honesto, temia dizer algo e estragar tudo. Abaixo a cabeça notando minha ereção justo quando as portas abrem, uma senhora adentrando. De imediato me aproximo mais de Sarah, buscando proteção, recebendo seu olhar confuso.

—Boa noite – a mulher cumprimenta, dirigindo-nos um olhar desconfiado.

—Boa noite – respondemos juntos ao mesmo tempo em que faço Reese vir um pouco mais para a direita, o movimento não passando despercebido a mulher como pretendia, ela torcendo o nariz, deixando um alerta antes de sair em seu andar.

—Atentem-se às regras! – exclama, indicando um quadro acima do painel, fazendo-me olhar naquela direção.

—Por quê?? – Sarah questiona, se voltando para mim, corando ao baixar o olhar – Ahhh!!

—Não deu tempo me acalmar – justifico-me, fazendo aspas no ar, seguindo-a quando paramos no andar que mora, o riso em seu rosto me trazendo alívio, aguardando-a, pacientemente, abrir a porta para somente então dar vazão ao desejo que sentia.

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“... If our love is tragedy why are you my remedy?

If our love’s insanity why are you my clarity?

Why are you my remedy?

Why are you my clarity?”

Aeroporto internacional de Chicago (21:05 p.m)

Narrador

Sentada em uma das cadeiras no saguão do aeroporto, distraída com seu celular, a jovem de pele morena, longos cabelos negros e olhos castanhos não percebe a aproximação do homem alto e moreno, sorriso largo, sobressaltando-se ao escutar a voz grave junto a seu ouvido.

¹Saviez-vous que la moitié du vol de bagages dans les aéroports est causée par des distractions avec les téléphones portables, ma chér?? – pergunta.

²C’est exactement pourquoi mes sacs sont ici, attachés à mes côtés!! – devolve ela tranquilamente, fazendo-o inclinar a cabeça, notando a corrente prendendo as malas e estas ao banco aonde a jovem estava sentada – Est em retard, mon ami ... Está atrasado meu amigo – reclama, pondo-se de pé, recebendo o abraço carinhoso do recém chegado.

—Pardon ma chér...perdão, minha querida. Tive um dia cheio – pede, olhando em volta – Sério que está é Toda a sua bagagem? Quatro malas? O que fez, encolheu seu closet ou doou tudo para a caridade? – a provoca.

—Há, há, há ³si drôle toi!! Já pensou em largar a Medicina e seguir careira como comediante? – questiona-o de forma divertida, o forte sotaque chamando atenção ao grupo que passava próximo – *Bonne nuit! – cumprimenta-os polidamente – Respondendo sua pergunta: sim. Quatro malas e estás duas aqui – indica duas bolsas menores sobre o banco – São toda minha bagagem e sim, doei, vendi, presenteei praticamente tudo que podia antes de parti, inclusive o apartamento – revela, pegando a bolsa menor e dela uma chave presa a uma fita – Não vi necessidade em mantê-lo – explica ante o olhar atônito do homem, dando de ombros.

—Então realmente falou sério quando disse que viria para ficar!?! – comenta o moreno, agachando-se para abrir o cadeado – Pensei que estivesse brincando – acresce ele, se levantando.

**Évidemment pas! Je suis venu pour rester, mon père m’acceptant ou non. Rien d’autre ne me lie à la France, mon ami – afirma, suspirando, triste – Tudo que tinha lá eram maman et papa. Depois que morreram, não vejo por que ficar sozinha quando tenho meu pai biológico vivo e saudável bem aqui, nos Estados Unidos!! – exclama, saltitando e batendo palmas -¹*J’ai hâte de vous recontrer!! Pensez-vous qu’il m’aimera? Et ma grand-père? Et ma tante? Et.....

—Hei, vamos com calma. Uma coisa por vez! – recomenda o moreno, erguendo as mãos – Primeiro vamos te acomodar, você descansa um ou dois dias, faz um pouco de turismo, enquanto vou sondando o terreno – aconselha, erguendo os extensores, pendurando a bolsa maior em seu ombro.

—Por quê? Pensa que papa irá me rejeitar? Ou que não vá gostar de mim? Ou pior: que não me dará crédito!! ²*Oh, comme je souffre! Si et il me rejeter je ne sais pas ce que je vai faire! Je n’ai personne d’autre dans ce monde! – dramatiza, o fazendo rir.

—Ah tá. Obrigado pela parte que toca! – reclama, bem-humorado, caminhando em direção a saída do lugar.

—Você me entendeu! – rebate ela, jogando o cabelo para trás – A verdade é que se ele não me aceitar, não sei o que farei. Demorei anos para convencer maman a me contar sobre ele, como se conheceram, porque não contou que estava grávida e agora sequer poderei contar com o apoio dela! – lamenta, soltando um longo suspiro.

—Não seja dramática, ma chér! Seu pai vai te adorar. Todos adoram – elogia, piscando para a jovem, ela lhe fazendo um muxoxo gracioso – Só falei isto porque... bem, como acaba de dizer, o cara não faz a mínima idéia que tem uma filha. Certamente vai ser um choque para ele. Ainda mais uma tão gata! – elogia novamente, destravando o carro.

—Sempre um galanteador!! – exclama a garota, apoiando-se ao veículo enquanto ele guarda as malas – Acha que devo esperar então? – inquere.

—Lógico que deve – reitera ele, pondo a última mala dentro do veículo – Ou pretendia aparecer no hospital, do nada, dizendo, “Oi me chamo Jade e sou sua filha. Surpresa! “ – questiona, imitando-a.

—Tipo isso! – admite a jovem, levantando os polegares.

—Tá brincando, não é? – inquere, sacudindo a cabeça negativamente ante o sorriso maroto da garota – Faça isto e ficara total e irremediavelmente órfã! – garante, parando de frente para ela, os braços cruzados a frente do peito – Ainda mais com o mês difícil que ele está tendo. Bem capaz de precisar se auto atender! – brinca, ficando sério logo em seguida – Deveria ter esperado um pouco mais, como pedi, Jade. Não sei se está é a melhor hora — pondera, massageando o queixo.

—Nunca será a melhor hora para se descobrir que tem uma filha adolescente – rebate a garota – E não quero mais esperar, Marcel. Quero conhecer meu pai logo! – protesta, fazendo bico, mudando repentinamente de postura, sorrindo e acenando, fazendo o médico se voltar a tempo de ver dois jovens com aproximadamente a mesma idade que ela retribuindo antes de entrarem em um carro.

—Quem são? – quer saber.

—Andrey e Bianca. Os conheci quando fiz conexão em Nova York e olha que coincidência: estão vindo encontrar o pai pela primeira vez, como eu – revela – A diferença é que ele sabia da existência deles. De um ao menos. Mais aí a mãe e o pai separam, ela mentiu dizendo ter perdido o bebê, mentiu para eles dizendo que o pai tinha morrido e aí ano passado, no aniversário de catorze anos deles, descobriram tudo – conta, abrindo a porta do passageiro – Por que pais são tão complicados? – pergunta, se acomodando dentro do veículo.

—Sei lá. Os meus não eram e eu não pretendo ser – responde ele, dando a volta, assumindo seu lugar ao volante – ³*Ça doit être quelque chose dans l’eau ou dans l’air de Chicago, supposons que leur père soit d’ici, comme le vôtre! – brinca, dando a partida.

**Oui, ça peut l’être – anui a garota, suspirando triste, apoiando o queixo a mão, pensando em como faria para se aproximar do pai sem correr o risco de uma rejeição.

Notas finais
Tradução dos diálogos em Francês: ¹ "Você sabia que a maior parte dos roubos de bagagens nos aeroportos é por culpa de distrações com celulares, minha querida? ² Exatamente por isto as minhas malas estão presas a meu lado ³ Tão engraçado você *Boa noite ** Evidente. Vim para ficar, meu pai me aceitando ou não . Nada mais me prende a França, meu amigo. ¹* Mal posso esperar para o conhecer! Você acha que vai gostar de mim? E meu avô? E minha tia? E... ²* Oh, como sofro! Se ele me rejeitar não sei o que vou fazer. Não tenho mais ninguém neste mundo! ³* Deve ser algo na água ou no ar de Chicago, presumindo que o pai deles seja daqui, como o seu ** Sim, deve ser Em breve estarei postando uma fic curta na forma de Drabble, que são textos com Cem (100) palavras, não mais, que necessariamente não precisam estar interligados ou contar uma história. No caso, está contará. Servirá de aperitivo entre os capítulos da long fics. Também postarei uma nova fic tão logo finalize Perfect. Falando nela, Perfect e Survivos estão perto de serem atualizadas. No mais, até breve. Mais bjinhos flore