Caminhos para o coração

11 Suddenly, dads!!! (part. 1)


Notas iniciais
Olá flores! Olha quem apareceu!? Euzinha! A mais farrapenta das escritoras, kkkkk. Tá, mas em minha defesa digo que nem sempre é minha culpa. Hoje não foi. Mas deixemos as mazelas de lado e vamos ao que interessa. Por aqui, muitas novidades, a partir de hoje, para Connor, Sarah, Will e Jay, para começar. Nada que falar, conversar, não resolvam. Adiantando o que lerão: Will tem menos culpa no cartório do que a mãe pensa e Connor e Sarah saem do zero a zero com estilo! Grata pela paciência e por não desistirem e, claro, por todas as rewiews. Espero novos coments, please, please . Boa leitura. Bjinhos flores

“So long;

I’ve been looking too hard I’ve been waiting too long;

Sometimes I don’t know what I will find;

I only know it’s a matter of time;

When you love someone;

When you love someone;

It feels so right so warm and true;

I need to know if you feel it too;

Maybe I’m wrong;

Won’t you tell me if I’m coming on too strong;

This heart of mine has been hurt before;

This time I wanna be sure...”

Waiting For A Girl Like You

Foreigner

Apartamento Sarah (sábado, 1/6 – 21:00 p.m)

Connor

Rolo de lado sobre o colchão olhando o teto, aguardando minha respiração se normalizar, meu coração ainda acelerado, o suor escorrendo por meu rosto e corpo, frutos da pequena maratona de sexo iniciada algumas horas atrás, quando chegamos ao apartamento de Sarah.

Já nas preliminares, ainda em meu carro, supus que o sexo seria bom. Mas estava enganado. Não foi apenas bom. Foi realmente incrível! Um dos melhores que tive nos últimos meses. Melhor até do que havia sido com Ava e olha que ela era bastante criativa na hora do sexo. Talvez porque, no começo a disputa profissional entre nós adicionasse um quê a mais a relação, reconheço, mas depois de um tempo tornou-se meio repetitivo e um pouco cansativo. Além do mais, nem sempre dava para resolver nossas diferenças profissionais na horizontal. E a julgar pelo que experimentei com Sarah até o momento, devo admitir que Ava foi superada. Com louvor.

Não saberia exatamente qual estava sendo o diferencial com ela, mas que havia algo a mais rolando entre nós não restava a menor dúvida.

Talvez fosse sua doçura, seu jeito tímido e meio envergonhado que me encantara. Talvez a surpreendente disposição e energia demonstrados por ela na cama, aliás, quem diria que por debaixo da jovem calma, de gestos discretos e fala mansa, havia um verdadeiro vulcão adormecido? Não nego ter ficado espantado com a forma que correspondeu não apenas a meu toque, mas a cada carícia e investidas feitas por mim. Sentia como se me houvesse entregue não somente seu corpo, mas sua alma, seu coração. Estava inteira ali comigo, todo o tempo. Coisa que não aconteceu com Robin e menos ainda com Ava. E não apenas ela. Eu também me sentia mais presente com ela. Mais inteiro.

O fato de que algo novo estava acontecendo a mim e não queria perder em hipótese alguma. Só não sabia como faria para isto acontecer, afinal, nenhum “Eu te amo” havia sido dito de ambas as partes.... E como poderia se até poucas horas nossa relação era meramente profissional? Mesmo aquele beijo ocorrido dias atrás não passara de uma carícia singela?

—Singela? A quem estou querendo enganar!?! – murmuro não tão baixo quanto deveria, atraindo sua atenção.

—Como? – pergunta, sua voz soando incrivelmente tranquila.

Mudo de posição, ficando de lado, apoiando a cabeça em uma mão, o cotovelo no colchão, olhando-a admirado, sorrindo de canto de boca ao percebê-la puxar o lençol a fim de esconder sua nudez mesmo que parcialmente já que boa parte do cobertor estava sob meu corpo.

—Sua voz está tão calma, sua respiração compassada, seu semblante relaxado... como é possível está assim, linda e tranquila, após todas as vezes que transamos nas últimas horas? E olha que foram muitas. Todas intensas! – questiono, depositando um beijo seguido por um chupão na junção do pescoço com o ombro, deslizando meu nariz por sua pele, aspirando o perfume doce e um outro, que julgo ser natural seu, vendo-a arrepiar-se.

—Mentiroso! Mulher nenhuma fica linda depois de uma transa...ou várias. Ainda mais intensas, como bem disse – responde, corando levemente (sim, a luz estava acessa. Nenhum de nós lembrou de apagá-la! O que não chegou a ser um empecilho), puxando mais um pouco do cobertor.

—Permita-me discordar – peço, descendo meus beijos para seu colo – Em minha modesta opinião...- beijo seu pescoço, sugando minimamente a pele outra vez, sentindo a pulsação aumentando devagar sob meus lábios – Está encantadoramente linda assim, toda molhada de suor e algo mais! Cheirando a sexo de ótima qualidade — sopro sem desgrudar minha boca de seu corpo, descendo até o vale entre os seios, sua respiração alterando-se no ritmo de minhas carícias– A propósito... – me afasto propositadamente quando sinto suas mãos em meu cabelo, rindo baixinho ao escutar o impropério escapar por seus lábios – Vira – ordeno, ela enrugando o cenho, confusa – Melhor dizendo, deita de lado. Quero ver se não me enganei – me corrijo, vendo-a sorrir de forma travessa enquanto obedece – Não me enganei, não é? – inquiro, correndo o olhar por suas costas até encontrar o que procurava – Quando fez? – deslizo o dedo pela tribal discreta pouco abaixo da lombar, o trançado delicado lembrando um ramo com folhas e flores miúdas tendo uma flor de lótus ao centro e uma borboleta no lado esquerdo, finalizando-a, na cor preta, chamara minha atenção em algum momento, mas pensei ter-me enganado.

—Umas três semanas depois de chegar em Dallas – conta fazendo menção deitar-se, mas impeço.

—Por quê? – quero saber, não escondendo a curiosidade, continuando a seguir o desenho com a ponta do dedo, satisfeito em ver a pele se arrepiar mais uma vez.

—Não sei bem. Fui acompanhar uma das enfermeiras com a qual fiz amizade lá e enquanto aguardava acabei decidindo fazer também – conta, retendo o ar quando introduzo minha mão por entre suas pernas buscando seu sexo úmido, gemendo rouco ao sentir meu toque– Connor....

—Por que tribal? – a corto, introduzindo parcialmente um dedo em sua entrada molhada — Não que não tenha gostado. É linda. Bem feita, traço fino e preciso, discreta – elogio, controlando a mim mesmo enquanto sigo instigando-a, deslizando o dedo um pouco mais fundo provocando novo e mais alto gemido – Sarah, porque tribal? – reforço, beijando suas costas bem no meio, fazendo-a arquear-se.

—Eu... nenhuma razão espe... especial... só... gostei do de...desenho – responde entre, lufadas, comprimindo-se em volta de minha mão ao me sentir introduzir outro dedo em seu íntimo.

—Interessante – sopro, colando nela, nossos corpos encaixando-se perfeitamente — E sua amiga, que disse? — pergunto à guisa de manter o controle de minhas emoções, mordiscando seu pescoço, ombro — Sarah, ouviu o que perguntei?? — chamo, rindo baixinho ao escutar o grunhido sem sentido que emite em resposta — Vou entender como um não — digo, fazendo-a virar minimamente o corpo de forma a ficar parcialmente de frente para mim.

Deslizo meus lábios até encontrar o seio, sugando-o ao mesmo tempo em que aumento a intensidade com que meus dedos entram e saem dela, minha excitação aumentando em sincronia com seus gemidos e sussurros.

Sigo subindo sem desgrudar a boca de seu corpo, mordiscando a ponta do queixo antes de me apossar de sua boca com avidez renovada sem nunca interromper o vai e vem de meus dedos em sua intimidade.

Estremeço ao sentir sua língua invadir minha boca de forma ousada, buscando a minha, dado início a uma dança erótica que me deixa duro em poucos segundos. Era inebriante sentir seu gosto, a doçura de seus lábios, seu cheiro e quando ela sai da inércia, movendo-se contra meu corpo, apertando-se em volta dos dedos prestes a se libertar, eleva minha própria excitação a um nível quase doloroso, gotas de pré gozo pingando no lençol branco.

—Connor…. quero você… preciso de você em mim… Agora! — arfa, movendo-se com mais vigor, o corpo delicado estremecendo em espasmos cada vez maiores — Por favor! … Connor…

—Ainda não — digo, pondo uma perna entre as suas, forçando-a abri-las dando mais espaço a minha mão e por conseguinte me permitindo “trabalhar” melhor seu sexo. Sabia que estava perto de gozar — Goze pra mim Sarah! Quero te sentir derramar em minha mão. Goze doçura! — sopro em seu ouvido, segurando o lóbulo entre os dentes, mordendo-o suavemente, o estímulo sendo a senha para que atingisse o ápice.

—Connor!!! — sopra ao mesmo tempo que seu corpo estremece em um espasmo forte, amolecendo logo em seguida ao gozo intenso que encharca minha mão.

Sem lhe dar tempo recuperar-se, me posiciono melhor, envolvendo sua cintura, trazendo-a para mais perto. Começo a penetrá-la devagar, sem pressa, avançando e recuando de maneira cadenciada, controlando força e velocidade de cada investida a fim de prolongar nosso prazer.

—Você é tão quente e apertada… tão macia… deliciosamente macia — sussurro, uma mão apalpando seios, coxas, enquanto a outra, espalmada em seu ventre, desce em busca de seu sexo, meus dedos estimulando o clítoris inchado e sensível — Tão macia…. e doce — sopro novamente, sentindo-a estremecer.

—Mais…-geme alto, inclinado o corpo para frente, empinando-se para mim — Mais, Connor. Quero mais… por favor… mais forte — implora, rebolando dentro do possível que a posição permite, empurrando de volta.

—Porra! — rosno, retendo-a pela cintura, aumentando ritmo e força de minhas estocadas, o choque de nossos quadris me estimulando além do limite suportável — Sarah….minha Sarah… toda minha…. somente …...minha — digo, possessivo, estocando forte entre cada frase, o ápice chegando para nós dois em um gozo intenso e prazeroso minutos depois.

Sem sair dela, faço-a deitar de bruços, ficando por cima, voltando investir, retirando quase todo meu membro de dentro dela somente para voltar a entrar em uma estocada vigorosa que a faz gritar meu nome, apoiando as mãos a cabeceira quando repito o movimento mais uma vez. E outra. E outra, até que gozasse pela terceira vez, acompanhando-a pouco depois.

Mas ainda não me sentia saciado.

—Me acompanha, doçura — sussurro em seu ouvido, segurando seus braços, ajudando-a erguer-se de forma a ficarmos, ambos, de joelhos sobre o colchão — Pronta? — pergunto, ela acenando que sim, recostando a cabeça em meu ombro quando recomeço me mover, entrando e saindo dela com vigor, ela seguindo cada movimento que executo, para meu deleite.

Cubro seus seios com as mãos, apertando-os com certa rudeza, no limite entre dor e prazer, escutando-a gemer baixinho. Beijo sua nuca, deixando uma mordida suave em seu ombro, estocando cada vez mais forte. Nosso ritmo agora era frenético. Nos beijávamos com ardor, trocando carícias até finalmente alcançarmos um novo, delicioso e intenso orgasmo juntos, desabando sobre o colchão, suados, exaustos e, agora sim, saciados.

Permanecemos assim, quietos e abraçados, aguardando nossos corpos relaxarem, o choro baixo seguido do arranhar na madeira fazendo Sarah praticamente pular para fora da cama.

—O que foi? — pergunto, surpreso, vendo-a vestir minha camisa.

—Dino. Esqueci de pôr a ração dele — explica, apoiando-se ao colchão — Volto já — diz, me dando um selinho antes de sair como um vendaval porta afora, a bolinha de pêlos marrom e branca seguindo-a com a mesma rapidez.

Encosto-me à cabeceira, cobrindo-me da cintura para baixo, relaxando mais. Olho em volta, notando que quase nada mudara desde a última vez em que estive em seu quarto. Naquele dia, ao usar o banheiro, notei o quanto era organizada.

—Por falar em banheiro, a natureza chama! — exclamo, saltando da cama, indo ao local, fazendo uso do vaso para me aliviar tanto do número um quanto o número dois.

Ao terminar, aciono a descarga e opto por tomar banho.

—Connor? — ouço-a chamar.

—Banheiro — aviso, ela surgindo a porta segundos depois — Alimentou seu filho de quatro patas? — brinco, experimentando a água.

—Sim. Ambos — responde, recostando-se a porta — Está com fome? — pergunta, respondendo antes de mim — Porque eu estou faminta! — assume sem nenhum constrangimento.

—Estou, mas posso esperar um banho antes — insinuo, vendo-a arquear a sobrancelha — Ok, serei mais claro: não quer se juntar a mim? A água está uma delícia! — convido, entrando debaixo da ducha, chamando-a com o dedo — Vem aqui, vem — reforço, sedutor, suspirando ao vê-la despir a camisa devagar enquanto caminha em minha direção — Você é realmente linda — elogio, devorando cada pedaço de seu corpo com o olhar — Linda — reitero, trazendo-a para mim tão logo entra no boxe.

Nos beijamos demorada e lentamente, provando o gosto um do outro agora sem a urgência que havia nos dominado desde quando chegamos até a pouco, transando entre esfregões de esponja com sabonete, o deslizar fácil de nossos corpos devido o líquido viscoso provocando risos em nos dois durante o ato.

—O que você quer comer? — Sarah pergunta enquanto nos vestimos (novamente faria uso uma das roupas que ela comprara para o pai e não fora usada, optando por uma bermuda em tecido de algodão e camiseta tradicional).

—Hummm, essa é uma pergunta com dupla resposta! — não resisto provocá-la, amando ver seu rosto se tingir de vermelho -Estou cada vez mais convencido que vermelho fica muito bem em você — digo, enlaçando-a a cintura, roubando beijos rápidos.

—E eu de que adora me encabular, doutor Rhodes — diz, enroscando-se em meu pescoço — Agora falando sério. O que você quer comer? Tinha deixado um pouco de nhoque preparado para quando voltasse da academia, mas não sei se é suficiente para dois — conta, os dedos passeando pelos fios curtos em minha nuca em uma massagem relaxante.

—Vejamos o que se pode fazer quanto a isto — respondo, roubando mais um beijo, demorado dessa vez, suspirando ao sentir as unhas arranhando minha nuca — Melhor sairmos deste quarto logo, caso contrário nossa refeição será outra que não nhoque — brinco, mordendo seu queixo quando rir — Falo sério, Sarah — reitero, soltando-a parcialmente, segurando sua mão e a conduzindo para fora do cômodo.

Seguimos diretamente para a cozinha. Lá chegando, Sarah retira da geladeira um refratário em tamanho médio contendo o nhoque, pondo-o sobre o balcão da pia juntamente com a embalagem na qual comprara no supermercado.

—Ainda ficou um pouco na embalagem, mas acho que não é suficiente — diz, abrindo-a para que eu pudesse ver.

—Você tem macarrão? Qualquer tipo — pergunto, ela abrindo o armário logo acima de sua cabeça retirando um pacotinho de Penne — Carne ou outra proteína qualquer? — indago, lembrando que era vegetariana.

—Humm…. — abre a geladeira, inclinando-se para olhar dentro — Tenho carne de soja pré-cozida...um pouco de Salmão e algumas Vieiras — enumera, voltando-se com alguns potes nas mãos — O quê?? — inquere ao ver minha expressão.

—Pensei que fosse vegetariana — comento, indicando o que julgo ser a soja.

—Mais ou menos — diz e enrugo o cenho — No começo fui bem radical. Depois, por ter precisado repor com tratamento medicamentoso alguns nutrientes que estavam em baixa no meu organismo, optei por uma linha não tão radical. Evite carnes vermelhas prefencialmente, como peixe e frutos do mar ocasionalmente, soja e derivados sempre e ovos muito raramente — explica, franzindo o nariz — Na verdade, descobri que uma reeducação alimentar é bem melhor do que ser radical — conclui, levando a travessa com nhoque ao microondas.

—Entendi — digo, olhando as várias portas do armário, escolhendo a primeira a direita, na parte de baixo do balcão, sorrindo satisfeito em ter acertado — Você segue um cardápio feito por Nutricionista ou criou sua própria rotina alimentar? — quero saber, levando a panela a pia, enchendo-a até a metade com água — Pergunto porque estou pensando a algum tempo em fazer isto. Reeducação quero dizer — explico, indo até o fogão.

—Fiz consulta sim, lá atrás, quando tive o problema de saúde, e tomei a dieta prescrita por ela por base e aí fui adaptando, mas sempre tendo o cuidado de buscar orientação — revela — Vai fazer macarronada??- pergunta, curiosa.

—-Não exatamente — respondo — Verduras, queijo, molho…??? — enumero, ela indicando o local de cada coisa, ajudando-me a pegar o que iria precisar — Tem vinho? — pergunto, rindo de sua expressão de surpresa — Gosto de tomar uma taça enquanto cozinho — justifico-me.

—Também gosto — revela e sorrio, contabilizando mentalmente mais um ponto em comum além do gosto musical (notei alguns cds de rock e música clássica em seu quarto) — Tinto ou branco?

—Tinto, por favor — peço, cortando as verduras que usaria — Me acompanha?

—Uhum — murmura, servindo duas taças — Posso ajudar em algo? — quer saber, guardando a embalagem com o restante do nhoque.

—Pode ralar o queijo e fatia presunto o mais fino que conseguir, caso tenha — oriento, concentrado na preparação do molho para o macarrão, parando quando noto a água fervendo.

Ponho uma quantidade generosa na panela, despejando um fio de azeite sobre a massa crua, dando atenção a preparação do molho outra vez.

Na meia hora seguinte, nos concentramos em finalizar a refeição. Preparo um pouco mais de molho do que precisaria para o macarrão, Sarah aproveitando o excesso no nhoque. Nos sentamos, em um confortável silêncio a princípio, comendo sem pressa, a chegada de Persie quebrando-o.

—Olá mocinha. Como vai? Menos brava? — brinco, estendendo a mão para tocar a gatinha, me surpreendendo por ela aceitar o carinho — Olha. E não é que está mais amistosa mesmo — digo, sorridente.

—Às vezes — Sarah diz, limpando a boca com o guardanapo — Depende de como amanhece, ou, no caso, de como passou a noite — afirma, trazendo-me a lembrança o comentário de Kelly Severide.

—Verdade que tentou morder Severide? — inquiro, voltando a sentar ereto posto a gata se afastar em direção ao sofá levando Dino consigo.

—Verdade — confirma, rindo da lembrança — Ela até aceitou receber um afago leve quando ele e Kidd estiveram em casa no dia seguinte, mas foi só! Ela não quis acordo com o Kelly — conta, me fazendo lembrar outro fato.

—Por falar nisso, ele contou que veio aqui algumas vezes enquanto você estava de licença. Verdade? — pergunto, tentando não demonstrar meu desagrado quando confirma.

—Sim. Ele e Stella me ajudaram muito nos primeiros dias, quando quase não podia me mover. Até dormiram uma noite comigo — conta e desta vez falho em disfarçar o desagrado — O que foi isso? — pergunta, me encarando com um meio sorriso no rosto.

—Isso o que? — me faço de desentendido.

—Esse resmungo ou seja lá como chame o que fez quando falei que haviam dormido aqui em casa — diz, segurando claramente o riso.

—Ok. Vai parecer sem noção ou mesmo um tanto ridículo, mas a verdade é que não gostei dessa aproximação repentina do Kelly e estar namorando a Stella não significa necessariamente que não daria em cima de você — desabafo, ficando levemente irritado ao escutá-la rir — Como disse, parece ridículo — reitero, ocupando a boca com uma porção generosa do macarrão a fim de evitar falar malcriação.

—Ridículo não diria, mas desproposital — me corrige e a encaro de sobrancelha arqueada -Por mais que deixe lisonjeada pensar que Kelly poderia me cantar, naquele momento especificamente, estava apenas sendo gentil e prestativo. Em nenhum momento tentou algo, nem mesmo como brincadeira — conta, se corrigindo logo em seguida — Minto, depois que estava curada e de volta a rotina, me procurou no Med perguntando se eu notara algum gesto por parte da Stella que indicasse estar com ciúmes e se toparia o ajudar caso a resposta fosse positiva — revela,, sorrindo.

—E aceitou? — pergunto, direto, encarando-a, sério.

—Lógico que não! — responde de imediato — Mesmo que fosse apenas fingimento para provocá-la, este é o tipo de atitude que estraga uma amizade e prezo muito todas as que tenho para arriscar — assegura, estreitando os olhos ao me encarar — Por acaso deu crédito aos poucos comentários que surgiram nos corredores do hospital por conta da aproximação dele comigo? — dispara, me deixando sem graça.

—Não é que tenha dado crédito, mas admita que ficou esquisito todas as vezes em que ele foi a sua procura, ainda mais estando namorando firme — lembro, terminando de comer, levantando-me, levando o prato sujo até a pia — Não é segredo para ninguém o quanto Kelly é…. instável, no quesito relacionamentos duradouros — digo, voltando a mesa, pegando outros utensílios vazios — Assim como eu — acresço, resignado, levando o que pegara a pia, organizando tudo a fim de lavá-los.

—Sei disso e se disser que não me passou pela cabeça algo do gênero, estaria mentindo -admite, juntando-se a mim com o restante da louça suja — Mas descartei por inúmeras razões, a principal porque durante o curto período em que convivi com os dois, notei o quanto se amam — declara, pegando um pano de prato, postando-se de forma a receber a louça depois de lavada, enxugando-a — Podem ter tido problemas no passado e até vir a ter outros no futuro, mas sinto que encontrarão uma forma de fazer dar certo — diz, deixando um suspiro curto escapar — Talvez até mesmo este afastamento mínimo com ele indo trabalhar no setor de investigação de incêndios, caso se confirme, faça bem a relação deles — pondera.

—Pode ser — me limito dizer, nós dois ficando em silêncio alguns segundos — Aquele professor…. Tem certeza que não estava te paquerando? — inquiro, fazendo-a parar o que fazia, me encarando boquiaberta — Porque quem visse de fora, como eu vi, estava parecendo bastante interessado em você — digo, olhando-a — Dava sempre um jeito de te tocar estando ou não explicando o exercício. Não notou mesmo? — insisto, o misto de divertimento e espanto que vejo em seu rosto me deixando confuso — O que foi? Falei alguma besteira? O cara estava dando em cima de você, Sarah. Nem tão discretamente quanto quer fazer parecer — sustento — E saiba que Will, Jay e o próprio Kelly acharam o mesmo — acresço — E sim, me incomodou. Muito — assumo, apoiando-me ao balcão, irritando-me ao vê-la sorrir abertamente — Qual é a graça? — questiono.

—A graça é você ter sentido ciúmes, essa é a graça! — exclama, não me dando chance responder — Primeiro porque até então sequer imaginava que teria algum interesse em mim, mesmo depois daquele beijo. Aliás, pretendia me pedir desculpas por ter me beijado? Era este o tema da conversa que teríamos caso o Burke não tivesse jogado o carro sobre nós? — questiona, me encarando ainda com ar de riso.

—Sim…. e não — digo, passando a mão pelo cabelo — Evidente que não pretendia pedir desculpas pelo beijo — afirmo, não gostando nem um pouco do rumo que a conversa tomava -Pretendia esclarecer os fatos, digo, saber se havia sentido o mesmo que eu, se não estava confusa ou achando que aquilo foi obra do acaso, fruto do momento — me enrolo como a muito não acontecia.

—Aquilo, quer dizer o beijo? — inquire, fazendo aspas, me deixando ainda mais angustiado por parecer não estar levando a sério o assunto.

—Claro que me refiro ao beijo que….- esfrego ambas mãos no rosto, passando-as pelo cabelo, exasperado — Por que está mudando de assunto? O que aquele beijo tem a ver com o professor da academia te paquerar? Só porque ainda não tínhamos transado? -interrogo, continuando sem esperar resposta — E daí que não tivéssemos transado? Nos beijamos! Evidente que havia um interesse mútuo rolando entre nós mesmo tendo ocorrido em uma situação atípica. Nada mais lógico do que eu sentir ciúmes em ver aquele sujeito te apalpando pra cima e para baixo! — bufo, indignado que continuava a sorrir — Escute Sarah, se não está a fim de…

—Ele é gay!! — dispara e me calo, encarando-a — O professor da academia. Ele é gay Connor — repete — Inclusive o namorado, praticamente marido dele, estava lá — acresce — E lógico que aquele tem tudo a ver!! A partir dele enxerguei que poderia sentir algo por mim, mesmo que fosse uma atração passageira. Antes sequer cogitava que me notasse como mulher! — revela, sua fala seguinte me deixando surpreso — Metade daquele hospital sabia da queda que tinha por você. Isto desde meu estágio — conta — Ninguém falava nada, por pena acho, pois sabiam que não daria em lugar nenhum. Eu pensava não levar a lugar nenhum. Sempre soube ser unilateral … até a morte do Wheller — diz, suspirando — Daquele dia em diante, depois de ter passado todo aquele tempo a seu lado, o que não acontecia desde o estágio, quando me chamou a sala de cirurgia…, bem, cheguei a ter um tantinho assim de esperança de que algum dia, caso terminasse com a doutora Charles, quem sabe, poderíamos ter algo — admite, usando os dedos para exemplificar o que dizia, deixando escapar outro suspiro, mais longo e triste — Mas aí veio a doença dela e percebi o quanta a amava. Sufoquei o que sentia. Sabia que não a deixaria e se o fizesse, honestamente, não sei se ia querer servir de muleta emocional a você — confessa, abaixando o olhar — Me conformei e segui adiante. E aí tive todos aqueles problemas, você também teve os seus… nos afastamos novamente… E outra vez nos aproximamos por causa de meu pai… Mas as coisas já estavam confusas demais na minha cabeça e aí Eu não queria que nos envolvemos porque estava certa que seria por pena, solidariedade, ou qualquer outra coisa — enumera, erguendo o olhar — Esta foi uma das razões para ir embora — admite — Não queria ver em seu rosto a mesma expressão que certamente veria nos demais porque vindo de você iria doer mais — diz, baixando o olhar outra vez — Sei que parece egoísta e , sei lá, pouco profissional, mas a verdade é que não conseguiria suportar os cochichos, os dedos apontados, os comentários que certamente surgiriam. Sem mencionar que iriam relembrar todos os problemas que tive e logo estariam me olhando como se fosse cometer uma insanidade a qualquer momento. Por isso fui embora — confessa — Isso por não sentir que podia confiar em doutor Charles — acresce, nós dois silenciando por um tempo impreciso, eu quebrando-o antes que ela o fizesse.

—Não vou ser cínico e dizer que estava enganada. Mas não estava totalmente certa — começo, fazendo-a me encarar — Posso não ter te notado como mulher a ponto de me sentir atraído, mas claro que te notei — digo, vendo-a rir pequeno — Seu jeitinho doce, seu medo de lidar com pacientes, sua dedicação e vontade de aprender nunca me passaram despercebido — enumero, me aproximando mais, tocando seu rosto carinhosamente — Quando paguei o almoço e foi contra minha sugestão, quando tomamos bronca com Will e os demais, nas poucas vezes em que foi ao Molly’s com o pessoal, em todas vezes te notei. E senti sua ausência ao voltar do Havaí, mas estava tão envolvido em meu luto pessoal por David e em ter de aprender a lidar com Latham e minha nova condição dentro do Med, que acabei não dando maior atenção. E julguei ter escolhido outro hospital para a residência ou mesmo que escolhera a Patologia — relembro — Mas então te vi com Daniel e Maggie me contou o que tinha ocorrido — conto, envolvendo sua cintura, trazendo-a para mim — E tudo que falou, a morte do Wheller e a doença de Robin também me fizeram te ver de um jeito novo, diferente. A estudante tímida e insegura estava se tornando uma médica capaz, firme e mesmo com todos os problemas que citou, ainda assim te vi crescendo profissionalmente — afirmo, lhe dando um selinho — E não me entenda mal, mas o surgimento de seu pai não foi de todo ruim — digo, recebendo um olhar surpreso — Não sei o que ele te fez, mas a verdade é que depois que veio para a cidade, por um tempo, você ganhou um brilho diferente. Ficou mais feminina, mais mulher e não fui o único a notar. Daniel percebeu e acho que foi isto que o tenha preocupado. Só não me pergunte porque pois não saberei dizer — aviso, conseguindo um novo sorriso tímido — Quanto ao lado ruim, bem, guardadas as devidas proporções, posso dizer que enfrentei o mesmo sentimento que você quando toda sujeira envolvendo Ava e meu pai veio a tona. Ainda estou enfrentando na verdade, e como você, cogitei ir embora. Perdi a conta de quantas vezes peguei o telefone e disquei o número da Mayor para saber se ainda me queriam depois que descobri o que havia se passado entre os dois, mas sempre desistia antes de alguém atender- relembro — Confesso estar agradecido não ter feito ou hoje não estaria aqui — declaro, tomando sua boca em um beijo demorado, provando seu gosto doce que me deixara inebriado.

—Sério que ficou com ciúmes do professor? — pergunta, segundos depois de cessamos o contato, se esforçando para não rir — Não percebeu que ele é gay?

—Sim para ambas perguntas e saiba que fica difícil não dar crédito ao que sentia quando meus supostos amigos ficavam botando pilha erra….- paro, arqueando a sobrancelha — Espera um minuto. Por acaso eles sabem que o professor é gay?

—Devem saber já que todos tiveram ou têm aula com...AI.MEU. DEUS! — exclama, cobrindo a boca com as mãos — Stella falou com ele antes de iniciar...Connor, será que …?? — me encara, pasma — Acha que podem ter armado para nós?

—Acho não. Tenho certeza! — afirmo, balançando a cabeça negativamente, rindo de minha ingenuidade — Armaram para mim, mais precisamente. E caí como um pato!! — assumo.

—Mas se armaram é porque …. Comentou sobre o beijo com alguém?? — quer saber.

—Não. Até cogitei, mas não — respondo, massageando o queixo — Não comentei nem mesmo com minha irmã, mas se o pessoal armou, como parece ter sido o caso, então devo ter demonstrado meu incômodo com as visitas do Kelly a você em casa e no hospital — pondero, ela me encarando de braços cruzados, espremendo os lábios para não rir — Ok, ouvi o que falou sobre ele ter pedido sua ajuda com Stella, mas acredite, não foi isto que me fizeram crer Will e os demais. Você mesma reconheceu terem feito fofocas e ontem a noite, no final da minha festa surpresa, os rapazes fizeram insinuações sobre a noite que dormi em seu apartamento, que eu estaria mentindo ao afirmar que nada acontera ….

—As garotas insinuaram a mesma coisa!! — me corta, dando tapas curtos em meu braço, animada — E na frente de sua irmã. Aliás, ela me olhou esquisito quando afirmei que tinha dormido no sofá — lembra, franzindo o nariz graciosamente — Parece que ninguém deu crédito ao que dissemos. Isto é um pouco preocupante, não acha? — pergunta e rio.

—Não se levar em consideração a fama que construí depois que Robin foi embora — reconheço — Então acho que eles meio que duvidaram eu e você debaixo do mesmo teto e nada acontecer. Fiz a fama, agora tenho de aguentar as consequências- suponho, rindo junto com ela — Só espero que isto não seja um empecilho para nós — cogito.

—Não será — garante, me encarando — O que faremos? — pergunta — Em relação ao que nossos amigo fizeram, quero dizer — acresce — Porque devem ter ficado desapontados já que não nos viram sair juntos — supõe.

—E ainda por cima sai bastante contrariado por ter bancado o namorado ciumento sendo que nem mesmo namoramos! — exclamo, ela franzindo o nariz em nova careta graciosa.

—Não acho que tenham achado isso ruim. Devem até ter comemorado. Imagino o quanto comemorarão se souberem que passamos a noite juntos — diz.

—Farão um festa! — digo, uma idéia me vindo a mente — E se não os deixarmos saber que começamos algo hoje? Se pensarem que o plano não surtiu efeito? — sugiro — Começamos algo hoje, certo? — me apresso perguntar.

—Sim. Acho que sim. Sim?? — responde, relativamente confusa e envolvi sua cintura novamente.

—Sim e não pretendo me esconder. Quero que todos saibam — aviso — Já tive minha cota de relações às escuras por muito tempo — declaro — Mas quero dar uma lição naqueles malandros! As coisas não correram como eles devem ter planejado, mas deram certo no final. Mas e se não tivesse dado? Se tivéssemos nos afastado ao invés de aproximado? — pondero.

—Ou se eu não tivesse aceito sua carona, ou se tivesse decidido ficar na academia mais tempo e você pensasse que teria aceitado o flerte de bom grado? Será que falaríamos sobre o assunto? Iria procurar saber se eu estava saindo com o professor Ramirez ou deixaria para lá? Afinal tem toda situação envolvendo seu pai, o processo que certamente ocorrerá contra a doutora Bekker — levanta as questões e a olho, admirado — O que foi? Disse alguma bobagem?

—Muito pelo contrário. Está sendo mais sensata do que eu fui recentemente — admito, roubando vários beijos rápidos — Por onde andava mesmo doutora Reese, que não te encontrei antes? — pergunto de forma divertida.

—Escondida atrás de mesas, outras pessoas, na Patologia, Psiquiatria — enumera, com igual humor e a beijo novamente — Então… você dizia para darmos um perdido em nossos amigos? — retoma tão logo cesso o contato e confirmo com um aceno, fazendo menção a beijar outra vez, ela impedindo-me -Que tal se, além de não os deixarmos saber que começamos algo hoje — me parafraseia e rio — Que tal fingirmos indiferença um com o outro? Ou uma pequena briga? — sugere.

—Ou ambos. Mas não uma briga de verdade. Apenas uma divergência envolvendo justamente o que falou: eu pensar que teria aceitado o flerte do tal instrutor, o… como é mesmo o nome dele? — brinco, ela gargalhando gostoso.

—De acordo! — concorda, estendendo a mão, que aperto, selando nossa pequena vingança — Agora que chegamos a um acordo, que tal assistirmos um filme ou maratonar alguma série com um bom e gigante pote de sorvete? Com creme e calda? — sugere.

—Não era bem uma maratona de séries que tinha em mente, mas pode ser. Para começar — declaro, encantado ao vê-la corar intensamente — Definitivamente vermelho combina com você! — exclamo, beijando suas mãos — Sorvete, calda, e Netflix para comemorar nosso plano e descansar….antes de voltar ao quarto! — enumero, piscando.

—Definitivamente vou descobrir um jeito de lhe dar o troco! — ameaça — Vou encontrar algo que te deixe sem graça e aí vai ver só! — completa, indo a geladeira — Pode pegar colheres de taça ali? — indica um módulo a parte em sua estante — Tem calda fresca na geladeira e industrial do lado. Como sou boazinha vou te deixar escolher o sabor: chocolate, napolitano ou creme com passas ao rum?

—Creme com rum — escolho, separando duas colheres menores, uma própria para sorvete e duas taças em acrílico — Calda fresca? — questiono, me voltando para ela.

—Vi em um site e fiz para experimentar. Tem de menta, chocolate com pimenta e chocolate com vinho. Qual escolhe? — pergunta, me encarando, segurando uma embalagem tamanho família de sorvete.

Ela realmente gosta de sorvete!— Vamos de todas um pouco — respondo, ajudando-a pegar tudo.

Nos sentamos sobre o tapete ganhando a companhia de Dino e Persie, que haviam sumido um bom tempo e reaparecem assim que ligamos a televisão, me deixando espantado ao descobrir que gostam da sobremesa gelada.

—Estes dois não são normais!! — exclamo, olhando-os devorarem a porção que Sarah pusera dentro de dois potinhos.

—Nem imagina o quanto — ela diz, rindo divertida — Série ou filme? Drama, médica, policial…

—Qualquer coisa cuja temática não seja médicos, bombeiros ou polícia! — peço, fazendo careta.

—Vamos de espionagem então — decide, buscando uma que despertasse o interesse a nós dois.

Acabamos escolhendo uma de época: Outlander, maratonando as três primeiras temporadas até quase duas da manhã, quando voltamos ao quarto levando o que restava do sorvete e mais calda, o que nos inspira alguns jogos interessantes. Bastante interessantes!!

………………………………..

Apartamento Jay Halstead (sábado, 22:15 p.m)

Will

< Will, está me ouvindo? Ainda está aí? > ouço, saindo do transe no qual entrara tão logo escutara a revelação, minutos atrás < Will, pelo amor de Deus, não é hora de surtar!! Preciso de você. Precisa reagir e encontrar meus filhos!! > a ordem/pedido tem o efeito de me fazer reagir.

—Nossos Filhos, você quer dizer, não é? Nossos!! — a corrijo, alterando a voz na medida em que volto a falar — Como pôde fazer isso comigo? Como pôde mentir tão friamente? Escondeu de mim que sou pai!! Como pôde fazer isso comigo Andrea? — disparo, me voltando ao escutar algo cair, deparando-me com um estupefato Jay a me olhar de olhos esbugalhados — Só não enfartar que já te explico tudo! — digo, de forma rude, assumo, dando atenção a mulher histérica do outro lado da linha.

< O que esperava que eu fizesse? > devolve, quase gritando < Você me trocou por Ela! Você escolheu ficar com sua queridinha que te daria fama e dinheiro a ficar comigo! Foi Você quem me fez ir embora e escolher te deixar fora da vida de nossos filhos para começo de conversa! > acusa, a mágoa em sua voz ficando evidente mesmo ela estando do outro lado do país.

—Sério que vai usar nossos problemas como justificativa para me manter à margem, distante de meus filhos?? — rebato tão irritado quanto ela, afastando o cão que vinha cheirar minha mão — E até onde lembro, eu perguntei, mais de uma vez, se realmente havia abortado. Em todas disse que sim. Como pôde fazer isso comigo? — repito, me sentando pesadamente, atirando o brinquedo que Thor insistia me trazer — Jay, brinca com ele por favor — peço, impaciente.

< Eu disse exatamente o que você queria ouvir! > retruca, soprando < Não pense que não sofri Will. Me sentia a pior das pessoas do mundo a cada vez que um deles queria saber sobre o pai. Doía ter de manter uma mentira por tantos anos ...>

—Mas não precisava ter sido assim — a interrompi, perdendo o pouco de paciência que restava — MAS QUE MERDA ANDREA! EU TINHA O DIREITO DE SABER! INDEPENDENTE DE NÓS DOIS, EU TINHA O DIREITO PORRA! SÃO MEUS FILHOS TAMBÉM!

< NÃO GRITA COMIGO! NÃO TEM O DIREITO DE GRITAR DEPOIS DO QUE ME FEZ! > acusa.

—O QUE EU TE FIZ? TE TROQUEI POR OUTRA? E DAÍ? ME TROCOU TAMBÉM. NÓS DOIS SEGUIMOS ADIANTE … — argumento, ela me interrompendo.

< VOCÊ MANDOU AQUELA….AQUELA.. MANDOU ME OFERECER DINHEIRO PRIMEIRO PARA TIRAR O BEBÊ QUANDO EU NEM SABIA SEREM GÊMEOS E DEPOIS PARA ABRIR MÃO DELES > dispara e me sinto esfriar.

—Eu fiz o que??? — questiono, empalidecendo quando repete a acusação.

< Mandou Isadora até mim com uma proposta assim que soube da gravidez. Primeiro propôs que tirasse nosso filho e quando me neguei, refez, querendo que abrisse mão deles….> silencia um segundo, e a escuto respirar forte, buscando se acalmar < Só devolvi na mesma moeda e sim, eu sei que fui cruel, mas o que esperava Will? Sequer teve a decência de vir falar comigo pessoalmente. Em momento algum. Primeiro soube de seu envolvimento com a princesa da rede de saúde em Nova York através dos nossos colegas. Depois terminou comigo por mensagem. Por mensagem William!! > acusa, me deixando extremamente confuso < Quando fui a sua procura, além de não me receber, permitiu a ela me humilhar em frente a todos > segue acusando.

—Eu não….eu nunca — balbucio, tentando lembrar quando isto tudo acontecera, ela voltando ao ataque.

< Não tente me convencer que não sabia! Eu vi você! > afirma, um soluço se fazendo ouvir < Te vi nos observando do alto, no corredor do hospital do pai dela, aonde fazia seu estágio. Vi você olhando e não movendo um dedo sequer para me defender ou mesmo ajudar, mesmo sabendo que esperava um filho seu!! > novo soluço a faz se calar.

Durante um tempo ambos permanecemos calados. Dor e confusão me deixando zonzo.

< Olha só William, não liguei para te cobrar, acusar ou discutir o passado. Não me interessa ficar remoendo essas coisas > garante, respirando fundo outra vez < Se procurei procurar por você agora, é porque fui obrigada > diz e sinto meu sangue gelar.

—Obrigada? Como assim? Algo errado com nossos filhos? Estão precisando de mim de alguma forma? -me preocupo, supondo de um tudo, me preparando para ouvir qualquer coisa, doença, necessidade de doação, tudo menos o que disse a seguir.

< Não há nada de errado com eles no que se refere a saúde > tranquiliza-me, soltando a bomba logo em seguida < Te liguei porque, de alguma maneira, Bianca e Andrey descobriram sobre você. Acharam fotos nossas que fiz a burrice de guardar, deram um jeito de fazer meus pais falarem o que sabiam, pesquisaram na internet e agora foram embora > solta, soluçando < Eles foram embora Will. Atrás de você. Deixaram um bilhete dizendo que não me perdoaram por ter mentido e que iriam em busca do pai>

—Está me dizendo que nossos filhos estão aqui, em Chicago? Sozinhos? — me ponho de pé em um salto, encarando meu irmão.

< Sim. Espero que sim. Porque se não estiverem em Chicago, não sei onde estão Will. Não estão atendendo o celular, devem ter usado dinheiro para comprar passagens porque não recebi notificação do cartão… a polícia diz que preciso esperar vinte e quatro horas porque não há imagens deles em nenhum aeroporto ou estação de ônibus então podem estar escondidos na casa de algum amigo…> enumera, não disfarçando o choro < Estou com medo Will. São duas crianças! >

—Me manda foto deles agora. Meu irmão é policial. Vai ajudar — peço, respirando fundo — Se estiverem na cidade, vou encontra-los. Te dou minha palavra — prometo.

Continua….

“...I’ve been a waiting for a girl like you;

To come into my life;

I’ve been waiting for a girl like you;

And a love that will survive;

I’ve been waiting for someone new;

To make me feel alive;

Yeah waiting for a girl like you;

To come into my life”

Notas finais
Gente, não entrei em detalhes sobre o fim da relação de Will mas adianto que ele é mais inocente do eu parece ser. Espero que tenham gostado. Até breve. Bjinhos