Notas iniciais
Bonjour les fleurs!! Bom dia flores! Comment allez-vous?/ Como vão vocês? Très bien, espero. Amanheci inspirada hoje, rsrsrsrsrsrs! Voltando para atualizar um pouco antes do usual. Estou arrumando o cronograma de postagens para minimizar os atrasos. Isso tem me deixado animada porque estou conseguindo escrever com uma boa frequência. Posso não conseguir por todas as fics em dia, mas aos poucos irei reduzindo o atraso da maioria. Por aqui, um bom tempo se passou desde que Will recebeu a noticia que é pai. Mudanças ocorreram. Novidades a vista. Reencontros, alertas, namoro e um quase encontro muito aguardado. Grata por todas as rewiews passadas (se deixei de responder alguém, me cobrem! Com as três fics de Dias dos namorados por ter acontecido). Aguardo mais rewiews , pleeeassseee!! (alimentem uma escritora faminta! kkkkkk). Boa leitura. Bjinhos folres. Em tempo: Os gêmeos ganham rosto no link. Traduções nas notas finais, portanto, leiam.

“....Fica comigo então, não me abandona não;

Alguém te perguntou como é que foi seu dia;

Uma palavra amiga, uma notícia boa;

Isso faz falta no dia a dia;

A gente nunca sabe quem são essas pessoas;

Eu só queria te lembrar;

Que aquele tempo eu não podia fazer mais por nós;

Eu estava errado e você não tem que me perdoar;

Mas também quero te mostrar;

Que existe um lado bom nessa história;

Tudo o que ainda temos a compartilhar…”

Céu Azul

Charlie Brown Jr.

Crown Fountain, Millenium Park (sexta, 19/7 — 9:16 a.m)

Jade

*Beaucoup plus patient que d’habitude!! — bufo, ao telefone, enquanto caminho — Um mês Marcel! Na verdade bem mais que um mês, pelos meus cálculos — me corrigi -Estou esperando pacientemente você me dá sinal verde para que me aproxime de mon père e até agora nada!!!. Este foi o motivo que fez vir para os Estados Unidos, esqueceu?!? — questiono-o, parando junto a um pilar aonde um rosto era exibido.

—Não, não esqueci , ma petit chéri! Como poderia se lembra-me disto a cada vez que nos falamos - ele reclama em tom baixo, o que indicava ter alguém por perto.

—Prometeu que iria ajudar, mas até agora tudo que tem feito é me manter distante dele com as mais variadas desculpas. *Je suis fatigué de tes excuses, mon ami! -rebato, irritada.

—Sei que está cansada de esperar, minha querida, mas seja só um pouquinho mais paciente, sim. O hospital está uma verdadeira loucura. Mudanças estão sendo feitas por aqui por conta da nova diretoria e seu pai está bem no olho do furacão — revela, me fazendo reter o ar um segundo, temendo algo de ruim ter acontecido a ele outra vez - Connor está tendo que se desdobrar para dar conta da responsabilidade que lhe foi posta nas costas. Tem levado o departamento de Cardiologia praticamente sozinho por conta da inesperada doença de doutor Latham, que o obrigou afastar-se, tem de administrar a sala híbrida para que não se torne um elefante branco e ainda por cima ser o mentor dos dois futuros cirurgiões de trauma do Med: doutor Choi e este seu amigo aqui! - comemora e mesmo sem o ver, sei que está sorrindo -Isto sem mencionar a chegada da nova leva de estudantes quartanistas além de ajudar ao amigo, doutor Halstead, que aliás deve assumir o cargo deixado por doutor Lenik nos próximos dias, se não arrumar alguma nova encrenca.

—Está se referindo aos filhos dele mon ami? Os considera encrenca? Eu também sou encrenca para meu pai, cherie? — não resisto provocá-lo.

Marcel costuma me visitar no hotel aonde estou provisoriamente hospedada (pretendo montar meu próprio apartamento ) ao menos uma vez por semana, com a finalidade de me atualizar do dia a dia de meu pai. Com isso não preciso mais xeretar na internet, muito embora ele não seja notícia frequente, salvo duas semanas atrás quando um astro do rock veio à cidade para ser operado por ele. Foi em uma dessas visitas que soube da recém descoberta paternidade de doutor William Halstead, amigo de papai. Os gêmeos Bianca e Andrey (que por coincidência são os dois que sentaram comigo no voo de Nova York para cá, mas não falei isso ao Marcel. Iria guardar como trunfo para o caso de ele continuar me enrolando!) .

—De forma alguma! — escuto-o dizer após um tempo — Falo isso porque ele já esteve, ao que soube, perto de assumir esse cargo antes, mas fez alguma bobagem e quase foi demitido. Como agora, além dos filhos recém descobertos, terá de lidar com a presença constante da mãe deles posto a mesma haver sido contratada como nova COO em substituição a Miss Garrett. Há certo temor de que possa se desentender com ela, caso não consiga separar o pessoal do profissional - conta e suspiro novamente, “admirando” minhas unhas recém feitas - E, como falei, seu pai está no centro disso tudo, por assim dizer. E ainda tem de encontrar tempo para auxiliar a irmã e acompanhar a recuperação do pai dele…

* Mon grand-père, bom lembrar, o qual sequer pude visitar e me apresentar como sua neta!! Isto sem mencionar *ma tante!!! — o interrompi — Estive na Dolan, vi e falei com ma tante, Claire, e não pude dizer a ela quem sou! Acha isso justo?? Eu vim de tão longe para ficar olhando *mes proches a distância? Minha família, aqui, do meu ladinho e tenho de ficar na moita!?! — reclamo, fazendo aspas no ar, sorrindo sem vontade a uma senhora que passava e me olha inquisidoramente ao escutar-me lamentar.

—Sei como se sente, ma cher, mas tente entender: não pode simplesmente brotar em meio a recepção do Gaffney, pedi para chamarem o Rhodes e dizer “Oi, prazer, sou sua filha!!” - ironiza e ouço o som de algo caindo ruidosamente (metais ao que parece) acompanhado de seu xingamento baixo.

—Que aconteceu Marcel? — pergunto, genuinamente preocupada.

—Apenas uma catástrofe anunciada - declara, parecendo falar com alguém e retenho o ar.

—É ele? Meu pai te escutou falando, foi isso? — pressuponho, animada, ele me atirando um balde de água fria logo a seguir.

—Não, não é — diz, suspirando - Preciso desligar agora. Além do trabalhar tenho de consertar essa cagada que fiz por ficar desatento! - pragueja e engulo a reclamação ensaiada posto saber ser minha culpa caso alguém, como tudo indicava ter acontecido, o escutou ao telefone — Uma semana - escuto-o, piscando, atentando-me a conversa outra vez — Me dá uma semana para que possa ao menos preparar o terreno. Se até a sexta-feira da semana que vem eu não te ligar, está liberada para fazer a seu modo, ma cher — negocia — Temos um acordo??

—Temos — respondi prontamente antes que ele mudasse de idéia — E não se preocupe. Não pretendo brotar em meio ao ambiente de trabalho dele. Quero que mon père esteja tranquilo e relaxado para esse encontro — tranquilizo-o.

* Si c’est possible!!

—Vai ser, mon ami. Vai ser!! — respondo, cruzando os dedos — *À bientôt!!

— À bientôt, ma cher - nos despedimos, desligando quase ao mesmo tempo.

—Vai dar certo Jade. Tudo vai dar certo! — animo a mim mesma, voltando-me ao escutar alguém chamar.

—Jade?? — sorrio ao me deparar com os gêmeos ruivos do avião (os filhos do amigo de meu pai) vindo a meu encontro, sorridentes — Que coincidência te encontrar!! — Andrey comemora, animado, a irmã fazendo coro.

—Pois é. Com tantos lugares na cidade, vimos ao mesmo lugar, no mesmo dia e hora! — exclama, também sorrindo.

—Choses du destin! — digo, rindo, complacente, ao vê-los enrugar o cenho — Coisas dos destino.

—Ah,tá — Andrey diz, coçando a cabeça — Supus ser isso mesmo — declara, erguendo levemente o queixo.

—Supôs nada! Não entende uma vírgula de Francês e só porque destin parece com destino não significaria necessariamente ter o mesmo significado. Você chutou — implica, recebendo prontamente um estirão de língua em resposta, me fazendo rir alto.

—Ah, mes ami, em momentos como este sinto falta não ter tido irmãos — suspiro.

—Pode levar ela pra você — Andrey diz, ganhando um beliscão caprichado que me faz rir ainda mais.

—O que faz aqui? Conseguiu encontrar com seu pai? Deu tudo certo? — Bianca interroga, mas antes que pudesse responder, somos surpreendidos com jato de água que brotam (essa palavra parece estar me perseguindo hoje!) do chão em vários pontos, nos fazendo, e outros nas proximidades, pular lateralmente somente para ser acertado por outros jatos.

Durante alguns minutos tudo que fazemos é pular de um lado para o outro, recebendo jatos ocasionais na pernas e rosto, rindo descontroladamente até finalmente atingirmos uma zona livre, onde nos apoiamos mutuamente enquanto a crise de riso não cessava.

—Gente, por mais que soubesse que isto acontecia e que deveria evitar alguns pontos, é impossível saber aonde pisar quando os jatos começam a sair!! — Bianca diz tão logo recupera o fôlego.

—Espera. Quer dizer que era para Isto acontecer de fato? Não foi, tipo, alguém que acionou por acidente? — pergunto, arrumando meu cabelo da melhor maneira que consigo.

—Era sim. Você não sabia? — pergunta e nego, ela contando-me o objetivo e como o local fora criado.

—Definitivamente vou pesquisar mais os pontos turísticos antes de ir a algum deles de agora em diante!- afirmo, aceitando a toalha que Andrey me estendia — Merci mon ami — agradeço, notando seu olhar bobo de admiração para mim.

—Para de me envergonhar maninho! Tá praticamente babando em cima da Jade — reclama, estapeando-o e rio.

—Eu não tô babando!! — ele nega, desviando o olhar ao mesmo tempo em que fica tremendamente vermelho.

—Ownnn! *Était gêné. Comme c’est mignon!! — exclamo, tocando seu rosto.

—Ok, desta vez não faço idéia do que disse — admite, me encarando, não disfarçando, desta vez, a admiração, percorrendo meu corpo com os olhos.

Como o tempo estava firme e relativamente quente, havia escolhido usar um body branco com um short que ficava na metade da coxa, preto, e por cima um vestido telado, sem mangas, estilo saída de praia. Para completar um tênis prata e uma bolsa tiracolo na mesma tonalidade.

—Gostou? — pergunto, girando em meu eixo, fazendo uma pose charmosa ao ficar de frente para eles novamente, sorrindo.

—Muito — diz, sincero, surpreendendo-se quando lhe dou um beijo na bochecha.

Estava acostumada a flertes e correspondia, de bom grado quando eram feitos de forma gentil e elogiosa, como o dele. Sei que sou bonita e atraio olhares masculinos desde muito cedo. Minha mãe ensinou-me lidar com este tipo de coisa. Me deu dicas e conselhos que guardo em meu coração e as sigo.

—Vocês dois querem que eu saia para ficarem mais à vontade? — Bianca pergunta, divertindo-se em encabular o irmão.

—Não precisa, ma cher e respondendo suas perguntas, ainda não encontrei mon père, muito embora saiba aonde trabalha e mora — digo, ela enrugando o cenho, confusa — Vi na internet.

—E por que não o procurou ainda? Está com medo da reação dele? Que te rejeite? — quer saber, desculpando-se logo a seguir — Perdão, não quis ser invasiva.

—Engraçado esse negócio que vocês americanos têm de se acharem invasivos por quererem conhecer um pouco mais da vida e alguém! — comento, levando o indicado ao queixo (tique que tenho quando estou curiosa) — É algo cultural não é? — quero saber.

—Sim. Geralmente esperamos as pessoas terem a iniciativa de contar mais sobre si mesma, não saímos perguntando porque pode passar a impressão de sermos intrometidos ou algo assim — ela diz, dando de ombros — Eu gosto de saber mais sobre meus amigos, mas tento não demonstrar ou perguntar, mas como você pareceu-me não se importar lá no avião, me senti confortável em perguntar. Errei? — quer saber.

—Non — digo, enrugando o nariz ao fazer careta — Não é que saia por aí falando sobre mim a qualquer um. Apenas quando sinto confiança que me abro mais e juro que isso não pareceu ter tanto duplo sentido em minha mente!! — admito, e nós três rimos — Na verdade, acho que o fato de ser uma mistura de culturas me tenha deixado mais liberal — suponho, ganhando novos olhares curiosos — Minha mãe era brasileira, meu pai biológico é americano e o pai que conheci, que me criou como filha, era francês. Nasci e vivi na França minha vida toda, mas mamãe fez questão de que conhecesse e tivesse contato com minhas raízes latinas. Conheci meus avós maternos, uma dezena de primos e primas, aprendi falar português, passei férias no Brasil diversas vezes. Por outro lado, mamãe também me fez conhecer meu lado americano. Aprendi inglês e bastante sobre a cultura do país. E claro, como não podia deixar de ser, o Francês é meu idioma pátrio — conto.

—UOU!! — Andrey exclama, girando a mão em volta da cabeça.

—Isso. UOU! — anuo, rindo, imitando-o — Sou uma mistura de culturas e idiomas. Fisicamente, Elry, meu pai francês, dizia que sou uma cópia de minha mãe. Já ela costumava dizer que tenho traços que lembram meu pai biológico e que devo ter herdado o gênio dele pois sou teimosa, decidida e durona como ela nunca foi. Palavras dela — digo.

—E de seu pai francês? Acha que herdou algo? — Bianca pergunta.

—Minha perspicácia, tino para os negócios, segundo ele mesmo dizia, senso de justiça e charme, se bem que estes dois últimos também posso atribuir a meu pai biológico e a minha mãe — tagarelo, pensativa — De qualquer maneira, cresci em meio a diversas culturas, com seus costumes e ritos encantadores. Amo a todos e a cada um deles! — exclamo, batendo palmas, animada.

—E com certeza essa mistura te fez uma pessoa única, Jade!! — Andrey elogia, sincero, sem qualquer maldade ou segunda intenção — Não tem como seu pai não gostar de você — declara e abro um largo sorriso — Por que não o procurou ainda? Está insegura? Teme que vá questionar a paternidade?

—Se o fizer estará no direito dele — asseguro, suspirando — Estou preparada para isto e para as perguntas que possivelmente irá me fazer — afirmo, encarando-os por um segundo, refletindo se deveria ou não entrar em mais detalhes, o sim ganhando — Olha só, por que nós não procuramos um lugar para sentar e comer algo enquanto conversamos? — sugiro, devolvendo a toalha que ele me dera.

—Claro — concordam em uníssono.

—Ok. Isso foi ...estranho — digo, fazendo uma leve careta.

—Às vezes acontece de falarmos ao mesmo tempo ou completar a frase um do outro. Coisa de gêmeos. Acho — Bianca diz, dando de ombros — Vamos procurar algum lugar para sentar e comer — convida.

Não foi difícil encontrar um lugar. Logo estávamos sentados aguardando nossos pedidos.

—Então Jade. Alguma razão específica para não ter ido ao encontro de seu pai? — ela repete, curiosa.

—Marcel Crockett — respondi sem pensar.

—Quem é ele? Advogado de seu pai? Um namorado que deixou na França? — Andrey questiona.

—Nenhum dos dois — digo, esclarecendo a seguir — Marcel é..era amigo de meu pai francês. Se conheceram na época da universidade e mantiveram contato. Ele praticamente me viu crescer e sabe tudo de minha vida. Quando meus pais morreram e fiquei sem ninguém, ele pediu férias do trabalho e ficou comigo por um mês inteiro — conto, sorrindo — Ele que me ajudou descobrir o paradeiro de meu pai posto que sabia apenas seu nome mas não tinha idéia de onde estava ou em que trabalhava, digo, se havia de fato se formado em Medicina como minha mãe supunha — me calo, aguardando a garçonete entregar nossos pedidos e se afastar para voltar a falar — Antes de continuar, vou fazer um breve resumo. Ou tentar e se por acaso divagar um pouco, me chamem atenção, s’il vous plaît — peço, respirando fundo, relembrando os detalhes de como fui gerada — Minha mãe se chamava Juliana, era brasileira e morava no Rio de Janeiro. Uma carioca da gema, como gostava de dizer — relembro, saudosa — Herdei dela a cor de minha pele e a maioria dos traços. Ela era tão alta quanto meus pais, ambos, biológico e o que me criou, pelo que me disse. Se conheceram, meu pai e ela, durante o carnaval de dois mil e quatro. Meu pai era estudante de Medicina em um país vizinho, a Colômbia, e fora, a convite de seus amigos brasileiros do curso, conhecer o carnaval. Minha mãe estava em um bloco e meu pai se aproximou. Se apresentaram, se beijaram e ficaram juntos durante os três dias seguintes. Quatro para ser mais exata porque ele só voltou para a Colômbia na quinta-feira a tarde — conto, parando um segundo para respirar e tomar um pouco do suco — Chegaram a trocar telefones, mas nunca chegaram a ligar um para o outro. Duas semanas depois, em uma festa na comunidade aonde morava, mamãe conheceu Elry Bèrge. Ele estava no país para comandar as filias da rede de escolas de idiomas pertencente a família, entre outros negócios — faço nova pausa para comer um pedaço do sanduíche — Continuando: minha mãe e meu pai francês começaram a namorar firme e dois meses depois ela descobriu que estava grávida. Falou para ele, disse que entendia se não quisesse assumir e coisa e tal. Ele tomou um choque e decidiu que seria honesto com ela: a amava, queria casar e assumiria o bebê como sendo seu, mesmo não sendo...porque ele era estéril! — revelo, vendo ambos abrirem a boca em assombro — Pois é. Mon père françois não podia gerar filhos. Claro que não havia falado nada porque estavam se conhecendo ainda, mas quando mamãe descobriu a gravidez, foi sincero. Ela também foi e tentou terminar, mas ele não aceitou e ainda disse que a ajudaria encontrar meu pai se ela quisesse. Quando mamãe fez a primeira consulta descobriu que estava grávida de três e não dois meses, como pensava. Daí fez as contas, lembrou com quem havia ficado em Fevereiro, mês em que fui concebida, chegando a conclusão que meu pai só poderia ser o estudante americano com o qual ficou no carnaval. Aliás, ele foi o único com quem ela havia ficado antes de meu pai francês — acho importante dizer.

—E qual o nome dele? — Andrey pergunta.

—Então….- mordo meu lábio, me sentindo repentinamente insegura.

—Por que é que eu estou com a sensação de que vamos ouvir um nome familiar!?! — Bianca intui e rio, nervosa.

—William Halstead com certeza é que não é! Ela nem é ruiva!! E nosso pai estava em Nova York quinze anos atrás — Andrey brinca, quebrando a tensão.

—Não, não — confirmo esticando os lábios em um riso tenso — Mas vocês o conhecem, melhor dizendo, o conheceram quando encontraram seu pai — digo, suspirando — Meu pai é Connor Rhodes — revelo, finalmente.

—Doutor Rhodes??? Sério?? — dizem juntos mais uma vez e ri nasalado.

—Mon Die!! Poderiam não fazer isso? É meio assustador!! — peço, fazendo careta.

—Desculpa. Acontece de vez em quando — pedem, juntos, e nós três rindo

—Ok. Isso não explica porque ainda não o procurou — Andrey insiste — Doutor Rhodes é um cara legal. Ele está dando total apoio a nosso pai. Até com nossa mãe tá ajudando. Foi dele a sugestão de contratarem ela para trabalhar no Med — revela.

—Sem mencionar que ele é super maneiro com a gente. Tem tudo pra ser um ótimo pai. Não vejo porque tem medo Jade — Bianca diz, sincera.

—Eu não tenho — garanto, suspirando novamente — Mas Marcel achou que precisava esperar um pouco. Segundo ele, papai enfrentou muita coisa nos últimos meses. A maioria ruim. Teve paciente dele morrendo, uma namorada que surtou e depois sumiu, problemas com a direção do hospital, com o mentor, a quase morte de meu avô… — enumero, puxando o ar com força, soltando-o lentamente.

—Nossa!! — ela exclama, enrugando o nariz — Leva a mal não, mas nosso pai também andou passando por uma barra pesada nos últimos meses, segundo tio Jay. Não sabemos bem o que porque nenhum dos dois quis nos contar, mas a mamãe já sabe e é questão de tempo nos contarem. Ainda assim, ele está lidando bem com nossa chegada…

—Eu não diria isso maninha — Andrey a interrompe — Ele meio que surtou nos primeiros dias e agora tá numa fase meio boba, nos comprando presentes bobos como se ainda fossemos crianças...efeito de ter perdido toda nossa infância. Acho — diz e rimos sem vontade — E tem outra diferença: ele sabia de nossa existência — afirma e é minha vez de enrugar o cenho, confusa — Quero dizer, a mãe falou pra ele que estava grávida. Não de gêmeos porque naquela altura ainda não sabia, mas contou que esperava um filho dele — revela — Tá certo que falou que iria abortar….

—Mon Die!!! — choco-me.

—Ela falou pra ferir ele, porque estava magoada. Nunca pensou em nos tirar — Bianca apressa-se em dizer.

—Pois é — Andrey confirma — Ela mentiu, para ele e para nós, mas de qualquer maneira o pai sabia da possibilidade, ainda que remota, de ter filho caso a mãe tivesse mudado de idéia, ao passo que seu pai sequer tem noção de sua existência…- se cala, pensativo, estalando a língua — Caraca! Tenho de concordar com esse tal Marcel. Seu pai precisa de um tempo — afirma, cruzando os braços em frente ao peito — Sua mãe tentou contato com ele alguma vez?

—Sim e quase conseguiu, mas aí meu avô francês adoeceu e meu pai Elry teve de voltar para casa e como já estavam, àquela altura, noivo de minha mãe, a levou junto. Duas semanas depois se casaram e acharam por bem dar o caso por encerrado já que meus avós franceses ficaram super felizes com a novidade e antes que pergunte, não. Eles não sabiam da infertilidade de meu pai Elry — revelo — Na verdade, pouca gente sabia. Apenas meu tio-avô, Michael, o médico de Elry, doutor Bertrand e Marcel — enumero.

—Ele era filho único? — Bianca pergunta — Elry, quero dizer.

—Oui. Meus avôs o tiveram tarde e vovó não pode ter outros filhos — explico, mexendo o milk-shake sem vontade — Sei que ele precisa de um tempo, levando em conta o breve resumo que Marcel me fez, mas já se passou mais de mês. Não quero mais esperar! Eu já o vi, de longe, e a minha tia. Quero poder abraçar os dois. Quero conhecer meu avô. Quero fazer parte da vida deles! Foi para isso que larguei tudo e vim para cá — desabafo, sentindo as lágrimas brotarem.

—Você largou tudo? Como assim? — Bianca questiona, segurando minha mão — E pode chorar se quiser. Sabemos bem o que está sentindo — solidariza-se.

—Obrigada, ma cher — agradeço, fungando, enxugando uma lágrima teimosa — Meu pai, Elry, era filho único, como disse. Quando meus avós faleceram, herdou todos os negócios da família e quando ele e mamãe faleceram, um ano atrás, eu herdei tudo — revelo — Como não tinha mais ninguém, nenhum parente, na França, resolvi mudar para os Estados Unidos e conhecer meu pai, ficar perto dele e quem sabe, construir laços — suspiro novamente (fiz muito isso nas última hora e meia!!) — Como seria complocado administrar os negócios daqui, passei tudo para meu tio-avô, que fez questão me pagar o preço justo e ainda fez questão de me destinar uma mesada , portanto, até completar vinte e um anos, terei uma renda fixa para me sustentar e pagar meus estudos. Depois disso estarei por conta própria. Sou, como dizem, milionária, e serei por bastante tempo se souber poupar ou mesmo multiplicar o que tenho — conto, rindo sem graça.

—Legal — Andrey diz.

—Maneiro! — Bianca exclama — E Marcel te pediu para esperar até a semana que vem?

—Uhum — confirmo — Caso não dê notícias, estou liberada para agir, por assim dizer .

—Neste caso, acho que podemos te ajudar — Bianca diz, rindo de uma forma estranha — O que acha de começarmos planejar como será o encontro com seu pai? — sugere, seu riso ficando mais amplo — Aliás, tenho umas idéias que podemos começar pôr em prática. Íamos usar com nosso pai, mas como não foi preciso…

—Eu acho….Maneiro!!! — exclamo, animando-me — O que tem em mente? — pergunto, esfregando as mãos.

—E lá vamos nós!! — Andrey exclama, rolando os olhos, inclinando-se, assim como a irmã, sobre a mesa, e faço o mesmo, escutando atentamente as idéias de ambos.

…………………………………..

Gaffney Chicago Med (uma hora atrás)

Marcel

“Não pode simplesmente brotar em meio a recepção do Gaffney, pedir para chamarem o Rhodes e dizer: Oi, prazer, sou sua filha!” — Merda Marcel, por que tinha de ser tão descuidado? — xingo-me baixinho pela milésima vez, abrindo mais uma porta em busca da enfermeira Monique — Droga, aonde ela se enfiou? — praguejo, caminhando pelo corredor, paralisando momentaneamente ao visualizá-la em uma das salas junto com Rhodes — Ah, merda! Tomara que não seja tarde — desejo, apressando o passo, respirando aliviado ao perceber que estava apenas o auxiliando no atendimento.

Me encosto a ilha de enfermagem, fingindo lê um prontuário, aguardando-o sair para somente então ir até ela.

—Hei, será que podemos conversar um segundinho? — pergunto, retendo-a pelo braço quando deixava a sala.

—Não posso agora. Doutor Rhodes pediu esses exames com urgência — diz, passando por mim em direção aos elevadores.

—Só vai levar um minutinho — insisto, seguindo-a, entrando no elevador a seu lado — Pega o próximo amigo — digo ao mesmo tempo em que impeço outro enfermeiro adentrar, apertando o botão do segundo andar.

—Eu vou para a Patologia — ela diz, apertando o botão referente logo a seguir.

—Melhor. Assim temos tempo conversar sem ninguém por perto — retruco, me recostando a parede com os braços cruzados — Eu preciso explicar o que ouviu. Ou julgo tenha ouvido quando estava ao telefone — a encaro, sério.

—Sobre a suposta filha do doutor Rhodes? — inquere, estreitando os olhos ao me encarar de volta.

Uma das coisas que aprendi nestes anos de profissão é nunca subestimar enfermeiros , seja homem ou mulher. Eles sempre sabem de tudo e sempre estão no comando. Logo, optei pela verdade.

—Não tem nada de suposta. Ela é filha do Rhodes e tem como provar -informo, sinalizando aos dois atendentes não entrarem no elevador quando este para, recebendo olhares desconfiados.

—Pronto! agora nós seremos a nova fofoca no hospital em substituição a Rheese! — bufa, me olhando feio.

—Rheese?!? — repito, enrugando o cenho.

—Rheese. Rhodes mais Reese. Rheese — diz, quase desenhando no ar.

—Tá. Como se isso explicasse alguma coisa — rebato, arqueando a sobrancelha, ganhando um suspiro exasperado.

—Em que dimensão vive, doutor Crockett? Por acaso é o único no hospital que não está sabendo sobre doutor Rhodes e doutora Reese? — questiona, saindo do cubículo de metal comigo em seu encalço.

—Ao que tudo indica sim já que, segundo minha atualização mais recente, o assunto em alta eram os gêmeos Halstead e a contratação da doutora Fletcher, que vem a ser mãe dos citados e ex do Will — lembro, seguindo-a pelo corredor tranquilo.

Uma das bondades de se vir a Patologia é a tranquilidade do lugar. Quase nunca havia mais de duas pessoas circulando por ali, o que nos permitiria conversar tranquilos após ela entregar as amostras e solicitar os exames.

—Ah, Flastead ainda é assunto, mas Rheese tá ganhando espaço — fala, me deixando ainda mais confuso.

—Poderia falar minha língua por favor!? — peço, parando a seu lado na janela do laboratório.

—Já, já — ergue a mão, silenciando meu protesto — Joey, bom dia. Doutor Rhodes pediu um espectrograma de massa com urgência — ordena, o rapaz alto e pálido, usando grossos óculos (ao menos eu acho bastante grossos), vem até a janela com cara de poucos amigos.

—Rhodes? — repete ele, olhando a amostra, me passando a impressão de estar agindo de má vontade e me pego perguntando o porquê — Tenho alguns exames na frente, mas farei o possível para entregar até o final do dia — declara, deixando evidente estar, de fato, com má vontade — Aviso assim que sair o resultado — declara, não dando a ela tempo argumentar, retirando-se ligeiro, passando por uma porta lateral, saindo de nosso campo de visão.

—O que exatamente foi isso? — pergunto, apontando para o interior da sala — Impressão minha ou esse rapaz está com uma puta má vontade?!? — acresço, encarando-a, ela sinalizando com um gesto de cabeça nos afastarmos antes de responder.

—Ele foi namorado da Sarah, o que não serve de justificativa já que terminaram bem antes de ela ir embora e retornar — confidência.

—Ele está com ciúmes do Rhodes!! — afirmo, mais do que pergunto, a retendo em meio ao corredor — Então é sério? Eles estão tendo um caso? — pergunto, tenso.

—Se é caso ou namoro não sei. O que sei é que algumas pessoas notaram a forma como veem se tratando ultimamente — diz, e me esforço para lembrar se tinha visto algo comprometedor — Eles são discretos. É preciso olhar com bastante atenção nas raras vezes em que estão no mesmo ambiente para se perceber — ela acresce, como lesse meu pensamento — Olhares e toques trocados quando acham que ninguém está olhando, um ou outro elogio sem motivo aparente, um sorriso aqui, outro ali..- enumera e ri pelo nariz — O que foi? Disse algo engraçado por acaso?- irrita-se.

—Não. É que lembrei de tê-los visto conversando em um canto outro dia e Connor segurar a mão dela com delicadeza além de um carinho que, na hora não me pareceu nada demais, mas agora que mencionou, foi bem íntimo para colegas de trabalho ou mesmo amigos — justifico-me, ela sorrindo.

—Pois é — diz, suspirando — Minha amiga acertou mais uma vez! — exclama e a encaro, confuso (outra vez!) — Pedi a uma amiga para fazer os mapas astrais de doutor Halstead, doutor Rhodes e doutora Reese e para os três ela falou que grandes mudanças estavam a caminho. No caso de doutor Halstead são os filhos, claro. Mas para doutor Rhodes pensei que seria apenas se apaixonar pela Sarah — comenta.

—Espera. Ele está apaixonado? — quero saber, ambos nos calando ao notarmos a aproximação de dois atendentes, aguardando-os passar para voltar a falar — Eu pensei que era só um caso — completo.

—Pode até ser agora, mas estou certa de que irão se apaixonar. A Sarah é perfeita para ele e vice versa!! — garante, com ar sonhador.

—Não vou discutir o mérito da questão, mas essa sua amiga ou errou feio,ou acertou em dobro porque estou certo de a Jade é a tal grande mudança na vida dele — atesto, ela arregalando os olhos, surpresa.

—Jade? Esse é o nome dela? — quer saber e sopro, passando a mão pelo cabelo.

—Eu devia pôr um freio nessa minha língua! Ao menos por hoje — bufo, olhando-a, sério — Vamos até os trailers fazer um lanche e te conto tudo — convido, ela concordando com um aceno.

Seguimos para os elevadores, passando na ilha principal da emergência, separadamente, para avisar Maggie que iríamos lanchar (sem revelar que o faríamos juntos). Lá chegando, ordenamos nossos lanches, escolhendo uma mesa discreta para sentar tão logo os recebemos. Durante a refeição, faço um resumo dos fatos que antecederam o nascimento de Jade e os que a levaram vir ao encontro do pai biológico, passando pela razão que pedi a ela esperar para fazer contato com ele.

—O pior é que não sei como entrar nesse assunto com o Connor — admito, atirando os descartáveis no lixo, esticando-me preguiçosamente — E ainda mais que, agora, com essa nova informação sobre a Reese, terei de preparar a ela também encontrar o pai envolvido com uma mulher — pondero, imaginando qual seria a reação dela ante este fato.

—A Sarah é um doce. Aposto que vão se dar bem de cara — Munique chuta e rio, condescendente.

—E Jade uma típica adolescente que esteve distante do pai verdadeiro por quinze anos, logo talvez ela queira ter o pai apenas para ela, por assim dizer- rebato.

—Acha que ela pode implicar com o relacionamento dos dois? — preocupa-se.

—Acho que sim, mas espero ardentemente que não — confesso, suspirando — O ruim é que agora terei de preparar o terreno em ambos os lados, pai e filha, e não faço a menor idéia de como o fazer. Ao menos não com ele — assumo, coçando o queixo.

—Posso ajudar, se quiser — se oferece, pensativa — Olha só, amanhã à noite o pessoal vai se reunir no Molly’s para comemorar o aniversário de casamento do Herrmann. Pode sugerir a Jade que apareça por lá, como uma cliente normal e….

—Tá ligada que ela tem quinze anos, não está? — pergunto, ela fazendo uma careta gozada.

—Eles servem bebidas não alcoólicas lá e desde quando os jovens de hoje se importam com isso? Ou seria o senhor? — devolve.

—Eu, já que é, tecnicamente, filha de meu amigo e me sinto responsável por ela — admito, omitindo o fato de Jade ter-se emancipado após a morte dos pais posto não ter nenhum parente (o mais próximo era um tio-avô que mora na Cornualha Francesa, com o qual não tinha contato a anos).

—Ela não tem que ficar lá muito tempo. Basta que passe alguns minutos, para ver o pai interagindo com os amigos. Quem sabe até ela interagir com ele um pouquinho — pondera.

—Tem certeza de que ele irá? — quero saber, meu paige e o dela tocando ao mesmo tempo, fazendo-nos levantar — O pai dele não está em recuperação ainda?

—O senhor Rhodes está ótimo, não se preocupe! — garante e sinto a leve ironia em sua voz, mas opto por não questionar o porquê — Ouvi, mais cedo, quando ele confirmou ao doutor Halstead que iria — conta, entrando no hospital — Já a doutora Reese não tenho certeza se…- estanca, estendendo um braço à minha frente, obrigando-me fazer o mesmo, sequer me dando chance questionar o porquê — Shiii! -ordena, dedo em riste, indicando que olhasse adiante com um gesto discreto e o faço, abrindo a boca, pasmo: alguns metros de onde estávamos, Connor Rhodes se encontrava de frente com a doutora Reese, segurando-lhe as mãos, falando tão próximos que pareciam estar se beijando.

Paramos, Monique e eu, em silêncio, observando a cena sem sermos vistos. Segundos depois eles se separaram, seguindo cada um para um lado.

—Alguma dúvida de que os boatos são verdadeiros? — ela pergunta e nego

—Nenhuma! — respondo, meu paige tocando — Vou sugerir a Jade que apareça no Molly’s mais tarde — mudo completamente de assunto, encarando seu rosto surpreso — Ela tem de começar se aproximar do pai de qualquer forma e que ocasião melhor que um evento social entre amigos? — justifico, dando de ombros.

—Certo, mas e quanto o que acabamos de ver? — questiona enquanto voltamos andar.

—Vou avisá-la, como disse, sobre o namoro do pai e esperar que reaja da melhor maneira possível — reitero, pensando se realmente não teria sido melhor deixar Jade ter feito como desejava.

…………………………..

Sarah (sábado, 20/7 — 6:58 a.m)

Respiro fundo ao mesmo tempo em que massageio meus ombros, agradecendo o plantão está chegando ao fim.

Mesmo a noite tendo sido tranquila, estava cansada e ansiando por um banho e cama!

—Doutora Reese, bom dia — ergo a cabeça ao escutar o chamado, sorrindo gentil para a mulher alta e forte, chefe das enfermeiras no turno da noite — Bom quando o plantão é tranquilo, não é? — comenta enquanto pega suas coisas no armário.

—Bom dia Norma. É sim — retribuo, voltando dar atenção a tela a minha frente, finalizando a última anotação no prontuário do último paciente que visitei minutos atrás.

—Até mais doutora — Norma se despede e aceno, fechando o programa.

Me estico preguiçosamente, olhando o relógio em meu pulso: sete horas. Suspiro, levantando-me devagar e indo ao armário. Pego meu casaco, mochila e sigo para a saída, cumprimentando alguns membros da equipe do sábado que chegavam.

Enquanto caminho, reflito se deveria ir agora pela manhã comprar o presente de Herrmann e Cindy ou se deixaria para a tarde, mordendo o lábio, insegura. Não pelo presente em si (já sabia exatamente o que lhes daria), mas pelo significado que a festa tomara para mim. Para nós na verdade.

Connor havia me procurado na sexta de manhã, pouco antes do almoço, e me convencera a assumirmos nossa relação diante de nossos amigos...“O hospital inteiro está comentando a nosso respeito mesmo e tenho certeza de que não fosse o surgimento dos filhos de Will, já teriam nos pressionado para saber a verdade” ...argumentou e tive de concordar. Além do que, não fazia mais sentido continuar escondendo deles que o plano dera certo já que o intuito era dar-lhes uma lição breve. E já se passou mais de um mês, portanto perdeu totalmente …

—Doutora Reese — o chamado corta meus pensamentos e estanco, me voltando em direção a voz — Bom dia. Não sei se lembra de mim. Jimmy Fincher. Entrevistei sua vizinha, senhora Derm, sobre a gatinha, Persie — questiona, parecendo ao mesmo tempo nervoso e encabulado.

—Lembro sim. Bom dia — retribuo, o encarando — Em que posso lhe ajudar? Tem algo a ver com a matéria que pretendia fazer com meu cão? — interrogo, curiosa.

—Hã.. infelizmente não, mas tem a ver com uma matéria sim — leva a mão ao bolso, retirando seu celular — Antes de qualquer coisa, quero lhe pedir desculpas — diz, enquanto desbloqueia o aparelho e franzi o cenho sem entender — Se eu tivesse feito como meu colega pediu, nada disso estaria para acontecer — fala e de repente me sinto dentro de um enredo de filme futurista, como De volta para o futuro — Eu realmente sinto muito por isso — reafirma, me estendendo o aparelho.

Seguro-o, hesitante, retendo o ar ao ver, na tela, uma foto minha com Dino tendo Connor a meu lado. Recordo exatamente o dia em que aquele passeio ocorreu, mas não de termos batido ou mesmo pedido a alguém bater uma foto nossa. Muito menos de autorizar ser usada em alguma matéria para revista, como aquela imagem indicava aconteceria.

—O que significa isto? — pergunto, não escondendo a irritação.

—No dia em que Leo bateu essa foto, estava saindo de um evento ali perto. Ele reconheceu o filho de Cornélius Rhodes a seu lado e por instinto os fotografou — conta, levando uma mão ao pescoço, claramente sem graça — Mais tarde, naquele mesmo dia, me mostrou e ficamos nos perguntando quem seria a jovem ao lado de Connor Rhodes, mas nada fizemos para procurá-la, optando por dar tempo ao tempo e ver se voltaríamos a ver vocês dois juntos, o que aconteceu quando fomos fazer a entrevista com a senhora Derm…

—Ele nos fotografou aquele dia novamente? — corto-o, estreitando os olhos ao encará-lo.

—Sim, mas a foto não foi usada nesta matéria e antes que pergunte, não é a revista para a qual trabalhamos nem ele a vendeu para eles — aponta a tela — Ela foi roubada de meu computador pessoal. Leo e eu nada sabíamos sobre isto, e quando descobri, no caso ontem à noite, decidi vir alertá-la — conta — A revista estará nas bancas amanhã pela manhã porque consegui atrasa-los por vinte e quatro horas — revela, parecendo ainda mais sem graça.

—E por que fez isso? — quero saber, devolvendo-lhe o celular.

—Sendo bastante honesto doutora, quando a reencontramos com o Rhodes, pensamos em pedir uma exclusiva, talvez no mesmo dia em que fossemos fazer a matéria sobre seu cachorro — confessa — Mas agora….- pausa, passando a mão pelo cabelo — Bom, fiz o que minha consciência mandou. Espero que possa me perdoar porque a culpa foi inteiramente minha. Leo me disse para apagar a foto e fiquei protelando até dar nisso — ergue o aparelho — Transmita minhas desculpas ao doutor Rhodes por favor. Tenha um bom dia — despede-se, girando no próprio eixo e indo embora sem esperar resposta.

Ainda o escuto praguejar contra si mesmo e contra alguém antes que sumisse de meu campo de visão. Suspiro, tendo um sobressalto ao sentir meu celular tocar. Pego-o na bolsa, enrugando o cenho ao ver o número desconhecido.

—Alô?? — atendo.

—Oi doutora. Sou eu de novo, Jimmy - identifica-se — Vou lhe enviar uma cópia da foto caso queira mostrá-la ao Rhodes. Espero que isto não atrapalhe vocês. Formam um belo casal. Mais uma vez desculpem-me - pede.

—Ok — me limito dizer, desligando, ele enviando a imagem logo a seguir.

Suspiro novamente, olhando a foto, me apoiando ao carro, pensativa.

Era uma estranha coincidência essa reportagem ter “brotado” justo no final de semana em que decidimos revelar nossa relação. Claire Rhodes já deveria, a esta altura, saber. Connor me avisou que contaria a ela após o jantar. Agora, com essa revista indo às bancas amanhã, teria de contar ao pai dele também (algo que pretendia adiar), já que nada parecia escapar ao radar do senhor Rhodes mesmo ele estando noventa por cento do tempo dentro de casa, o que certamente irritaria bem mais a Connor do que a matéria em si.

—Vai ver é o universo lembrando que mentira tem perna curta!! — resmungo, entrando em meu carro, refletindo um segundo se deveria ou não ligar para Connor.

Confiro a hora: sete e meia. É quase certo ele já estar acordado. Acabamos, ele e eu, adquirindo o hábito de levantar cedo nos finais de semana por conta de ele ter de ir a casa do pai a fim de cuidar da medicação e curativos (Monique recebia folga nos mesmos enquanto esteve cuidando do senhor Rhodes).Busco seu número, ligando na discagem automática, ele atendendo ao segundo toque.

—Bom dia anjo! Como foi sua noite? - pergunta, bem humorado e automaticamente sorrio. Ele tem este efeito sobre mim.

—Bom dia. Tranquila — respondo, fazendo careta — Connor, está em casa? Em seu apartamento, quero dizer? Se sim, posso ir aí? Precisamos conversar — despejo praticamente de um fôlego só.

—Estou. Deve - responde de imediato —O que há Sarah? Aconteceu alguma coisa?

—Prefiro te contar pessoalmente. Nos vemos daqui a pouco. Beijos — me despeço assim que ele faz o mesmo, dando a partida, pondo meu carro em movimento.

Não demora e logo estou entrando no edifício no qual ele mora após ter sido liberada pelo porteiro, o mesmo me orientando que poderia estacionar ao lado do carro de Connor e em qual andar ficava seu apartamento. Era a primeira vez que vinha ali desde que começamos nos envolver. Dormíamos no meu apartamento, sempre, e como ele nunca questionou o porquê nem me convidou, fui levando.

Minha desculpa ensaiada, em caso de um convite, era Dino, mas a verdade é que não me sentia confortável em dormir na mesma cama na qual ele dormirá com Robin Charles e Ava Bekker. Bobagem? Com certeza. Mas não conseguia evitar. Talvez dentro de mais algum tempo poderia superar, mas no momento nosso arranjo estava melhor assim, longe de qualquer lembrança dele, boa ou ruim, com suas namoradas anteriores. Sem mencionar o fato de não ter certeza ser esta minha posição em sua vida já que nunca falamos a respeito.

Saio do elevador quando este pára no andar que me foi indicado, vencendo a curta distância até sua porta rapidamente. Aperto a campainha quase ao mesmo tempo em que Connor abre a porta, me recebendo com seu sorriso de menino, o cabelo ainda bagunçado.

—Bom dia! — cumprimenta, me puxando para um beijo com sabor de menta e suspiro, a refrescância bem vinda invadindo minha boca na medida em que o beijo evolui.

Enrosco os braços em seu pescoço, me esquecendo do mundo lá fora, percebendo que havíamos adentrado o imóvel somente quando o sinto me deitar no sofá macio???

—Ui!! — murmurei contra sua boca, fazendo uma careta de dor ao sentir algo pressionar minhas costas, obrigando-me cessar o contato, empurrando-o sem muita gentileza — Desculpa, mas tem alguma coisa me machucando — justifico-me, levando uma mão às costas, arqueando a sobrancelha ao retirar um porta retratos dali.

—Desculpe, ainda não consegui tempo para arrumar tudo — pede enquanto nos sentamos e enrugo o cenho, olhando em volta, notando o amontoado de caixas nos cantos.

—Vai se mudar? — pergunto, curiosa.

—Mudei na verdade — informa, colocando o porta retratos (vazio) sobre a mesinha de centro.

—Quando? Por que? — me pego perguntando antes que pudesse me controlar.

—Efetivamente há três dias atrás — revela, me deixando ainda mais confusa.

—Não estou entendendo. Você já morava neste edifício, não é isso?- questiono-o.

—Uhum. Dois andares abaixo -confirma, sentando-se de forma a ficar de frente para mim -Depois que terminei com Ava, senti vontade de sair de meu antigo apartamento, por inúmeras razões. Cheguei mesmo procurar em outro local, mas aí aconteceu toda aquela confusão em minha vida e acabei deixando a busca de lado até que um dia, por coincidência, escutei o antigo proprietário deste apartamento comentando com outro morador que estava indo embora de Chicago com a família e o poria a venda. Me interessei. Marcamos uma visita. Gostei e comprei — resume, abrindo os braços — É meio grande para um cara solteiro, eu sei, mas as vantagens compensam esse espaço extra — afirma, pondo-se de pé em um salto, me estendendo a mão e ajudando levantar — A cozinha é bem melhor equipada. Fiquei com quase todos eletrodomésticos — diz, me levando até a margem do local — A área também é mais espaçosa e melhor ventilada, o terraço idem, além de ser voltado para o poente — enumera, me conduzindo pelo ambiente até o corredor que leva ao quarto — Aqui é o banheiro social e ali era o quarto dos filhos deles — indica uma porta à direita logo no começo do corredor, e outra alguns metros à esquerda, em tom marfim e com enfeites — Ainda não entrei aí, mas ele avisou que algumas coisas ficaram e que podia dispor como bem entendesse — conta, prosseguindo — Um escritório, que posso usar como sala de estudos — continua, abrindo a última porta do lado esquerdo — E...A suíte do casal — apresenta, o duplo sentido que dá a frase me fazendo corar.

Entro, admirando o ambiente austero sem ser monótono, as cores em um tom que desconheço transmitindo aconchego, conforto e segurança. Parte do ambiente era tomado pela imensa cama aonde os restos de plástico indicavam o colchão ser novo.

—O colchão foi entregue ontem a tarde. O meu não cabia — informa, como se lesse meu pensamento e sinto meu rosto esquentar — A varanda é outro benefício que ganhei — indica o local por onde os raios de sol entravam, aumentando a sensação de aconchego — Mas o item que me conquistou e fez fechar negócio sem pestanejar, mesmo sendo um imóvel projetado para família, está no banheiro — diz, me conduzindo ao local.

—Uma jacuzzi! — suspiro ao ver a banheira de hidromassagem, me sentando em sua borda, desenhando os contornos com os dedos, distraindo-me a ponto de assustar-me quando Connor liga os jatos, pondo-me de pé em um salto, sendo prontamente envolvida por seus braços protetores.

—Sei que veio aqui por algum motivo, mas seja lá o que for que tem para me dizer, pode ser dito depois de um banho relaxante!! — sussurra em meu ouvido, prendendo o lóbulo entre os dentes, o hálito morno me arrepiando inteira.

—Uhum — concordei com um murmúrio, girando em seus braços, tomando a iniciativa do beijo.

No minuto seguinte entro na banheira, suspirando ao contato da água morna em minha pele nua, Connor se juntando a mim logo em seguida. No começo apenas nos deitamos, lado a lado, desfrutando a massagem dos jatos em nossos corpos, a troca de carícias começando suaves, evoluindo devagar, ficando mais e mais urgente até que nos entregamos a paixão, relaxando após estarmos satisfeitos.

—Acho que vou me convidar passar algumas noites em seu apartamento de agora em diante — brinco, sentindo o vibrar de seu peito contra minhas costas quando rir.

—Pretendia te convidar depois que pusesse tudo em ordem. Você e Dino, lógico — conta, as mãos subindo e descendo por meus braços em uma carícia delicada — Odeio ter de quebrar o clima, mas confesso que fiquei curioso e preocupado quando me ligou. O que aconteceu? Parecia nervosa — pergunta sem interromper o carinho.

—Estava, muito embora não seja algo...grave — digo, saindo de seus braços com um suspiro, sentando-me de frente para ele — Acho que temos um problema — digo, contando, lentamente, tudo que o repórter havia me dito, desde a foto tirada meses atrás até a matéria que estaria nas bancas amanhã cedo terminando com o pedido de desculpas que ele pedira transmitir-lhe.

Durante alguns minutos ficamos em silêncio, meu bocejo fora de hora quebrando-o.

—Me desculpa. Apesar de a noite ter sido tranquila, estou cansada e o banho me fez relaxar — confesso, escondendo outro bocejo com a mão.

—Apenas o banho? — Connor pergunta, sorrindo safado, me puxando para si e me aninhei em seus braços.

—Sabe que não — digo, me arrepiando tanto por seu toque quanto pela temperatura da água, que começava esfriar — Ainda não disse o que pensa sobre a publicação — relembro.

—Ficará chateada se disser que não me importo? — pergunta, beijando o topo de minha cabeça — Nada vai mudar excerto que pedirei a Claire contar a nosso pai. Não sei se estou com paciência para aturar o sarcasmo dele — admite.

—O senhor Rhodes está tão bom a ponto de implicar com você? — quero saber.

—Está. A cada dia fica mais forte e irritante, especialmente depois que dispensamos Monique — revela, rindo -Engraçado, quando ela estava por lá, ele a destratava e agora parece estar sentindo falta dela — comenta.

—Vai entender — digo em meio a um novo bocejo — Connor, melhor terminarmos. Tenho que ir para casa, descansar para logo mais a noite.

—Por que não deita um pouco? Descanse por meia hora antes de ir. Te acordo, caso durma — sugere, sedutor.

—Promete? -inquiro, duvidosa.

—Prometo — garante — Venha, a água está esfriando — convida, movendo-se sob mim, levantando-se e saindo da banheira, estendendo-me a mão e aceito.

Vestimos roupões macios e quentinhos, Connor indo para o quarto enquanto seco o cabelo com uma toalha a qual enrolo na cabeça, indo a seu encontro, encontrando-o já vestido.

—Deite e descanse um pouco. Vou preparar algo para comermos e venho te chamar — sugere, me fazendo deitar no colchão macio — Volto em um minuto — promete, esticando o edredom até minha cintura, me dando um beijo casto antes de sair.

Me aninho entre os lençóis, olhando o céu lá fora, a brisa suave que entrava me embalando, meus olhos ficando mais e mais pesados até que adormeço, acordando muito tempo depois ao sentir lambidas em meu rosto.

—Oi benzinho! — murmuro com voz rouca, afagando sua cabeça, piscando repetidamente ao me dar conta de onde estava — Mas o que?? — sento-me ligeiro, voltando-me ao escutar o riso divertido de Connor, que se encontrava sentado a meu lado sobre o colchão,uma bandeja tão tentadora quanto linda entre nós — Eu dormir, não foi?

—Uhum — confirma — Por mais de duas horas, se quiser saber — informa, me deixando boquiaberta — Sei que tinha prometido te chamar, mas estava tão linda e relaxada que não tive coragem — assume em tom de desculpa, prosseguindo — Então resolvi ir a seu apartamento buscar esse mocinho e tomei a liberdade de pegar algumas roupas e sapatos para você — conta, indicando uma bolsa de viagem sobre a poltrona à direita da cama -, assim não precisa ir em casa para se trocar e pode ficar comigo até a hora de irmos ao Molly’s...e depois voltar para cá. O que acha? — pergunta, ansioso — E te preparei uma refeição reforçada — acresce ligeiro, me dando um sorriso de molhar calcinha..se estivesse usando uma!

—Acho…- faço uma pausa dramática, espremendo os lábios para não rir ante sua expressão ansiosa — Uma idéia maravilhosa — digo finalmente, ele relaxando.

—Que susto. Por um segundo pensei que fosse brigar comigo — declara e rio nasalado.

—E dá para brigar com alguém que me preparou um banquete e ainda teve a delicadeza de trazer meu filhinho peludo para cá? — inquiri, me inclinando para beijá-lo — O que temos aqui? Estou faminta!! — assumo, esfregando as mãos.

—Torradas, ovos pochet, geléia, iogurte, suco de laranja, frutas, waffer e café — enumera — E…- me surpreende ao se inclinar contra a borda da cama, erguendo-se com um lindo buquê de rosas vermelhas — Eu sei que é meio clichê, mas fazer o quê? Sou um cara clichê!! — brinca, entregando-me as rosas — Logo mais iremos anunciar, oficialmente, a nossos amigos. Mas antes de falar a eles, preciso te perguntar: Sarah Reese, quer ser minha namorada? — nova surpresa que me deixa sem fala por alguns segundos — Se precisar de tempo…

—Aceito! — o interrompi, lhe dando um selinho — Aceito — repito, ganhando um sorriso luminoso — Vamos comer? -convido após um breve silêncio.

—Sabe que essa frase foi bem sugestiva, não sabe?? — Connor questiona, me dando um olhar tão desejoso que sinto meu corpo inteiro arder — Uma coisa por vez…- diz, grudando os lábios na curva de meu pescoço, sugando a pele com força ao mesmo tempo que pega um morango, me oferecendo — Recupere sua forças anjo, porque vai precisar delas! — a promessa contida na frase me arrepiando.

O restante do dia passou rápido. Entre fazer amor e ajudar Connor a começar organizar seu apartamento, a noite cai. Após me certificar que Dino ficaria tranquilo, seguimos, em seu carro, ao encontro de nossos amigos.

…………………….

Molly’s (21:44 p.m)

Narrador

Ansioso, Marcel olha em direção a entrada do bar, acenando discretamente ao ver a garota morena entrar.

—É ela? — Monique pergunta junto a seu ouvido, fazendo-o saltar de lado.

—Jesus! Quer me matar de susto ou nos pôr como bola da vez entre o top fofocas do Med? — resmungou o moreno, fazendo cara de enfezado — É ela sim, mas não vamos nos...Mas que merda Monique!! — xinga quando a enfermeira o ignora, indo direto até a garota, evitando-a no último segundo quando Otiz a interpela.

—Boa noite e bem vinda ao Molly’s. Posso ver sua identidade?- pede o bombeiro por detrás do balcão.

—Bonne nuit! — responde a garota, lhe entregando sua identidade e o documento de emancipação.

—Hã...um segundo — ele pede, indo em busca da loira no canto oposto do balcão.

—Você demorou — Marcel cochicha discretamente, recostado ao balcão tendo Monique a seu lado..

—Na verdade, não tinha certeza se deveria vir — admite a morena, sorrindo gentil quando Otis retorna, na parte interna do balcão, acompanhado por uma loira, pela parte externa, que para alguns passos da jovem segurando seus documentos.

—Boa noite. Helena Raven, amiga dos proprietários — apresenta-se — Eu sei que este documento te dá o direito de beber se desejar…

—Sou nova na cidade e estou apenas conhecendo os points. Um amigo me indicou este bar — Jade diz, sorrindo gentil — Quanto a bebida, não tenho intenção de tomar nada muito forte. Uma vodca com laranjada ou….

—Eu sabia!!! — Cruz interrompe o diálogo, chamando atenção do pequeno grupo para si — Eu sabia!! Me deve dez pratas!! — diz, estapeando Otis, um sorriso vitorioso no rosto.

—Por que? — Otis pergunta, olhando na direção apontada pelo amigo, o mesmo sorriso surgindo em seu rosto — Aí dei valor! — comemora, Jade voltando-se, retendo o ar ao ver o casal que adentrava o local de mãos dadas.

—Mon père!! — sopra a jovem, retendo o ar, seus olhos prendendo-se ao moreno, não notando a expressão intrigada da loira a seu lado.

Continua...

“...E viver, e cantar;

Não importa qual seja o dia;

Vamos viver, vadiar;

O que importa é nossa alegria;

Tão natural quanto a luz do dia!”





Notas finais
Beaucoup plus patient que d'habitude = muito mais paciente do que o habitual Jes suis fatigue de tes excuses = estou cansada de suas desculpas Mon Grand-père / Ma tante - = meu avô / minha tia mês proches = meus parentes Si c'est possible = se for possível à bientôt = te vejo em breve, até mais Était gêné. Comme c'est mignon! = ficou envergonhado. Que fofo!! Até breve. Bjinhos flores / bisous fleurs!!!