Caminhos para o coração

15 Connor Rhodes, the past knocks at (your)door! (part. 2)


Notas iniciais
Olá flores!! Quanto tempo. Eu deveria ter postado desde sábado, mas tive alguns probleminhas então somente agora estou conseguindo fazê-lo. Em primeiro lugar quero me desculpar por andar tão ausente. As coisa andaram meio confusas e complicada mas já estou conseguindo me organizar e resolver tudo devagar. Em segundo lugar quero agradecer pela paciência de quem não desistiu da historia. Muito obrigada mesmo. De coração. Por fim peço que controlem a vontade de me esganar ao final do capitulo, rsrsrsrsrs. Por aqui teremos o primeiro encontro oficial entre Connor e Jade...mas as coisas não serão exatamente fáceis nem sairão como ela esperava. Só posso adiantar que o não terão de aguardar muito pelo desfecho pois já está em andamento. Espero que gostem. Me deixem suas impressões (sem ameaças, please). Boa leitura. Bjinhos flores

“Well I just heard the news today;

It seems my life is going to change;

I close my eyes, begin to pray;

Then tears of joy stream down my face;

With arms wide open;

Under the sunlight;

Welcome to this place;

I’ll show you everything;

With arms wide open;

With arms wide open…”

With Arms Wide Open

Creed

Big Belly Burger (sexta, 16/8 — 16:09 p.m)

Jade

—Desculpa, Jade. Eu deveria e queria ter te contado antes, mas o hospital estava uma loucura essa semana e como esqueci de pegar seu contato e doutor Marcel também tem andado muito ocupado…- Munique pede, suspirando enquanto aperta as mãos nervosamente — Juro que não queria ter ajudado o senhor Rhodes, mas seu avô sabe como convencer as pessoas a fazerem o que ele quer — acresce — Ao menos aquelas que dependem de salário para sobreviver — diz, contrariada e (pelo que posso perceber) zangada — Por sorte Andrey apareceu ontem no Med em um raro momento de calmaria e pude falar com ele -diz e sorri para meu amigo sentado em frente a ela.

—Tudo bem, eu entendo Munique — me ouço dizer, ignorando, propositadamente, a clara insinuação de que meu avô a teria chantageado para conseguir o que queria: fios de meu cabelo para que pudesse realizar o teste de paternidade!

—Me sinto tão mal em ter feito o que ele pediu — ela reforça, pesarosa.

—Pediu não, ordenou. E sob forte pressão. Vou te dizer uma coisa: Cornélius Rhodes não é fácil, não!!! — Bianca bufou, erguendo a mão — Desculpa a sinceridade Jade, mas ninguém merece um avô como o seu, amiga — declara e ri sem vontade, olhando através da janela a movimentação lá fora sem, no entanto, ver de fato o que se passava além da vidraça.

Desde que nos sentamos e Munique revelou o que tinha feito no domingo a noite, sob as ordens (ou chantagem, como queira dizer) de meu avô, por mais que eu tenha minimizado o fato, tudo que consigo pensar é que ele iria saber sobre mim antes de meu pai e como aquilo seria injusto, mesmo eles estando vivenciando um momento de paz e entendimento (até onde sei) por conta de sua ainda frágil saúde.

—Como raios o senhor Rhodes soube que poderia ter uma neta e essa poderia ser a Jade? — Andrey dá voz a pergunta em minha mente, mas que ainda não havia verbalizado.

—Honestamente não sei — admite Munique, torcendo os lábios em contrariedade — Só posso pensar que tenha escutado alguma conversa entre mim e Marcel enquanto estava cuidando dele em sua casa. Procurei ter bastante cuidado nas poucas vezes em que conversamos sobre isto, mas de repente ele pode ter escutado algo — supõe, fazendo outra questão surgir em minha mente.

—Pourquoi Marcel et vous avez-vous parlé de moi ? — perguntei, sacudindo a cabeça, me corrigindo ligeiro — Desculpa, vivo esquecendo — peço — Por que você e Marcel falavam a meu respeito? — quero saber.

—Não era bem a seu respeito diretamente, mas sobre seu pai — ela informa — Doutor Rhodes estava frequentando a casa do pai diariamente naqueles dias, tanto para vê-lo quanto para auxiliar a irmã na condução da loja. Por conseguinte, eu estava tendo a chance de conviver com ele e Marcel me pediu para observá-lo, ver como andava o humor dele, se estava ainda muito tenso com tudo que ocorrera ou se já havia superado, mesmo que parcialmente, todos os fatos ocorridos na vida dele recentemente…

—Em outras palavras, se ele estava aberto a saber que tem uma filha adolescente — Bianca a interrompe, estalando a língua.

—Isso — Munique confirmou — Só posso pensar que, em algum momento, o senhor Rhodes me ouviu, embora eu estivesse tendo cuidado...bom, ao menos julguei estar — ela pondera, batendo o dedo no queixo — Foi isso ou então seu avô é algum tipo de bruxo que lê mentes!

—Sei não, mas estou bem inclinado a acreditar na segunda opção — Andrey brinca, claramente me provocando, suspirando ante minha apatia — Ok, reconheço que é chato...é Muito chato, na verdade, seu pai ficar sabendo sobre você através de seu avô, mas não chega a ser o fim do mundo. Poderia ser bem pior, tipo, algum repórter daquela revista que publicou a matéria sobre ele e a doutora Reese descobrir e estampar a capa com a manchete: encontrada neta perdida de Cornelius Rhodes ou algo do gênero — exemplifica — É bem a cara deles dá um toque de novela mexicana a tudo. Se bobear, iriam inventar algum romance proibido para seu pai e te chamar de filha bastarda!! — exagera e desta vez consegue me fazer sorrir — Aí está! Era isso que eu queria ver — comemora, dando um soquinho no ar — Tem que se animar, Jade. Mesmo porque não adianta sofrer por antecedência. A gente nem sabe ainda se seu avô já conseguiu o fio de cabelo de seu pai para realizar o exame e se tiver conseguido, o resultado demora pra caramba, até onde sei — argumenta.

—Na verdade, ele não precisa necessariamente de material genético do doutor Rhodes — Munique diz, chamando nossa atenção para si — Pode coleta dele próprio e…

—Como assim coletar dele próprio? Ele não é o meu pai — a interrompi, me empertigando.

—Mas é seu avô, ou seja, um parente em primeiro grau. Neste caso, ele iria pedir que fosse determinado o grau de parentesco existente entre vocês para saber se faz ou não parte da família e quanto a demora, bem, ele é muito influente na cidade. Tem amigos em diversas esferas da sociedade. Pode bem cobrar alguns favores ou simplesmente pagar para conseguir que o resultado saia antes do tempo normal- argumenta.

—No caso, saber se você é neta dele — Bia comenta, enrugando o cenho — Achei que somente os pais pudessem pedir esse tipo de exame.

—Eu também — Andrey diz.

—Moi aussi ... .eu também — suspirei.

—Tecnicamente sim, mas há casos em que um juiz, por exemplo, pode ordenar que o exame seja feito caso o suposto pai se recuse e ainda há a policia que também pode solicitar um teste do tipo em alguma investigação. Para eliminar um suspeito, por exemplo, ou elucidar um crime passional. Coisas do gênero — Munique explica, me causando surpresa.

—Não sabia que ensinavam Direito no curso de Enfermagem — comentei, ela abrindo um sorriso tímido.

—Não ensinam. Ao menos não este tipo — diz, esclarecendo logo a seguir — Tenho um meio irmão que é advogado. Costumávamos estudar juntos e acabei aprendendo uma coisinha ou outra — conta, modesta.

—Legal — Andrey comenta.

—É — ela concorda, meio sem graça — Lembrando que doutor Rhodes frequentou a casa do pai durante todos estes meses. Não deve ser difícil para ele conseguir material genético do filho — relembra.

—Ou seja, de um jeito ou de outro seu avô vai ter o que precisa para descobrir que você é neta dela…

—E depois sair correndo pra contar ao Connor — Bia e Andrey dizem e naquele instante, tomei uma decisão.

—Pas du tout!!! Não mesmo!!! — exclamei, batendo a mão espalmada sobre a mesa, o efeito não sendo o que eu esperava — Ui!! — gemi, sacudindo-a, me voltando para Munique — Você acha que consegue o endereço de mon père para mim sem chamar atenção de ninguém no hospital? — interroguei, ansiosa.

—Acho que sim. Eu só tenho que acessar a ficha dele. Por que? — quer saber, Bianca se adiantando a mim.

—Você não está pretendendo brotar na porta da frente de seu pai e dizer Oi, está? — questiona.

—Oui, ma cher. É exatamente isso que pretendo fazer — confirmei, erguendo o queixo — Cansei de esperar o tal momento adequado que nunca chega — faço aspas no ar — No ritmo que vai, serei uma velhinha caquética quando finalmente Marcel decidir que é hora de procurar meu pai, isso sem mencionar que ele pode muito bem casar com a Sarah e decidir mudar de Chicago — teorizo, franzindo o nariz em uma careta de desgosto.

—Jade, seu pai Nunca irá deixar a cidade novamente — Munique assegura, fazendo uma careta engraçada — Bom, ao menos não enquanto seu avô e sua tia estiverem com vida e os três conseguirem manter um nível de convivência minimamente educado. Quanto à doutora Reese, ela não será empecilho algum a sua aproximação com ele — assegura calmamente — Desde, é claro, que saiba do que se trata, ou seja, que você não passe a impressão de que está secando o homem dela, porque aí ela terá todo o direito em ficar puta da vida — acrescenta — E por falar nisso, descobri porque sua tia estava tão chateada no domingo. Parece que ela e o tio de vocês tinham iniciado um flerte e seu avô implicou com o lance. Pelo menos foi isso que pesquei do final da conversa entre o doutor Halstead e o irmão terça-feira, perto do final do expediente — conta.

—Tio Jay e sua tia? Maneiro!! — Andrey vibra e sorrio — Quanto a brotar na porta do Connor, tô de total acordo. Tá na hora de sair da defesa e atacar — diz, fazendo aspas no ar.

—É. Ataque cardíaco!! — Bia exclama, sacudindo a cabeça negativamente — Sei não Jade. Por mais desesperadora que possa parecer a situação, acredito que o tato ainda seja a melhor opção — aconselha — E também acredito que doutor Crockett tenha lá suas razões para estar adiando tanto esse encontro — opina.

—Eu gostaria de ir devagar amiga, mas situações desesperadas pedem medidas igualmente desesperadas. Eu vou sim procurar meu pai munida de todas as provas que tenho comigo, e me apresentar, oficialmente, como filha dele — declaro, decidida — E vai ser nesse final de semana. Se ele não estiver de plantão, lógico — determino, encarando Munique — Você pode descobrir mais este detalhe para mim? — pedi.

—Claro. Assim que iniciar meu turno verifico a escala e te envio mensagem junto com o endereço — prontifica-se, verificando a hora no relógio em seu pulso — E por falar em turno, preciso ir andando que ainda tenho de pegar umas coisas em casa antes de ir para o Med — avisa, puxando e abrindo a sua bolsa, retirando a carteira, fazendo menção pagar pelo que comera.

—De jeito nenhum — me adianto, segurando sua mão — Por minha conta ma cher e não aceito um não como resposta — alerto, sorrindo-lhe.

—Ok então — concorda, corando levemente — Assim que estiver com o endereço em mãos te mando — reitera, levantando-se — E novamente me desculpa — pede, sem graça.

—Não esquenta. Foi até bom. Assim deixo minha zona de conforto — digo, fingindo uma calma que não sentia.

—É...quem sabe foi bom mesmo — murmura para si mesma, perdendo-se em pensamentos por um segundo — Até mais — despede-se, indo embora rapidamente.

—Coitada. Imagino o quanto seu avô deve ter amedrontado ela para que fizesse o que pedia — Bia comenta, me encarando, séria — Jade, não quer repensar? Ou pelo menos adiar até conversar com o doutor Marcel, afinal, querendo ou não, ele será envolvido também — lembra e sacudi a cabeça em negação.

—Non mon ami. Desta vez não — bati o pé — Se falar com Marcel sei o que irá dizer. Aliás, sei de cor tudo que irá dizer assim como sei que irá acabar me convencendo a não levar adiante meu plano. Non. Não, mesmo. Desta vez será do meu jeito — reiterei.

—Ok amiga. Se é isto que deseja só posso te desejar boa sorte — Bia declara e franzi o nariz novamente.

—Na verdade, eu estava pensando se poderia contar com um pouco mais da solidariedade de vocês — digo, fazendo um muxoxo — Acha que seus pais permitiriam vocês dormirem comigo hoje? Porque se ficar sozinha, sei que mal vou conseguir comer e dormir de tão ansiosa. Amanhã peço um Uber ou táxi para ir ao prédio onde meu pai mora, fico por lá e vocês seguem para casa, pode ser? — indago, não dando a eles tempo responder — E quero mostrar pra vocês o que preparei para levar a papa — acresci sabendo que ia atiçar a curiosidade de ambos.

—Acho que não teria problema, mas vou ligar, por precaução — Bia avisa, sacando o celular.

—E quanto ao doutor Marcel? Ele não vai achar estranho a gente dormir com você? — Andrey questiona.

—Marcel não mora comigo. mon cher, esqueceu? — devolvi — Ele aparece de vez em quando e sempre avisa antes, para o caso de eu já ter outros planos. Além do que, ao contrário de meu pai, sei que ele irá trabalhar no turno da noite hoje, logo…

—Amanhã estará cansado e não vai atrapalhar seus planos — ele completa a frase por mim — Garota esperta! — elogia, dando uma piscadela e sorri em concordância.

—Tudo certo — Bia chama nossa atenção para si — Papai e mamãe liberaram — avisa e ambos, Andrey e eu, enrugamos o cenho — Enviei mensagem — explica.

—Ah, tá — digo, batendo palminhas ligeiras — Neste caso, que acham de irmos andando? Quero aprontar tudo para amanhã, o que inclui escolher a roupa com que vou, separar a pasta, as fotos, as cartas — enumero, mais e mais animada.

—Cartas? Você tem cartas? — Bia pergunta, surpresa.

—Uhum. Duas . Minha mãe escreveu, mas nunca postou porque, evidente, além de não ter descoberto o endereço dele, mudou para a França antes de tomar coragem — revelo, pegando minha bolsa no encosto da cadeira — Prontos?

—Sim — respondem juntos e nos levantamos, saindo da lanchonete, optando por ir de metrô já que eu ainda não havia usado aquele meio de transporte e estava curiosa.

—Sério que nunca tinha andado de metrô antes? — Andrey se espanta quando estamos descendo na estação mais próxima ao hotel aonde estou hospedada.

—Oui — confirmo, dando de ombros — Na França tínhamos motorista ou meus pais me levavam onde queria ir e quando não queriam dirigir nas folgas de Jean, íamos de táxi ou mesmo de bicicleta, dependendo da distância do lugar — conto, caminhando entre os dois.

—Hummmm, andar de bicicleta por Paris!! Que sonho!! — Bia exclama, sonhadora.

—Quem sabe vamos lá nas férias escolares de vocês este ano? — sugeri.

—Ah claro! Se nossos pais ganharem na loteria né!? — Andrey ironiza e soquei seu ombro.

—Estou convidando, logo eu pagarei e seus pais implicarem, digo que é um presente por terem me ajudado, o que não será nenhuma mentira — declaro — E nem vamos gastar com hospedagem já que mantive o apartamento aonde morávamos até a…- a frase morre em minha garganta e engoli a seco, uma lágrima teimosa rolando sem que pudesse contê-la.

—Sinto muito Jade. Deve ser doloroso, não é? — Bia pergunta, segurando, solidariamente, minha mão.

—Um pouco, mas é uma dor mais confortável, por assim dizer — afirmo, suspirando — Lembranças. Somente lembranças. Boas e felizes lembranças — sopro, aceitando o carinho de meus amigos — Ok, vamos mudar um pouco esse clima. Nada de tristeza — declaro após alguns minutos de silêncio — Vamos para o hotel. Estou louca para mostrar meu álbum a vocês!! — exclamei, levantando, eles fazendo o mesmo.

Como o hotel aonde estava hospedada não era distante da plataforma, caminhamos sem pressa, conversando e brincando. Devo admitir que amo estes momentos com eles já que sou filha única. Até agora pelo menos . Lá chegando, depois de me acomodar juntamente com meus amigos sobre o tapete do quarto, mostro a eles o que havia preparado para levar até meu pai, que incluía, além das fotos, duas cartas escritas por minha mãe e que nunca foram postadas.

Nos distraímos tanto conversando, planejando como iria abordar o assunto com meu pai, que nem vemos o tempo passar. Apenas quando meu celular vibra com o alerta de mensagem notamos que tinha anoitecido.

—Munique enviou o endereço de mon père — mostrei a tela para eles — Ele não está de plantão amanhã, mas em compensação estará ocupado com a mudança da namorada — aviso, franzindo o nariz em uma careta.

—E aí, vai adiar? — Bia perguntou e neguei.

—Não, de jeito nenhum — afirmo, segura — Agora que tomei a decisão não vou voltar atrás. Além do mais, não sei o quanto mon grand-père já sabe. Ele pode estar de posse do resultado do exame e aguardando a oportunidade de procurar meu pai para contar, o que, como nós sabemos, pode significar uma grande confusão — argumentei — Definitivamente isto não seria nada bom para ninguém.

—Neste caso, vamos pedir alguma coisa para comer, porque estou com uma fome de leão, e depois sugiro revisarmos o plano — Andrey sugere, esfregando a barriga acintosamente, nos fazendo rir.

—De acordo mon ami — anui, levantando, pegando o telefone na cabeceira da cama junto com o menu que ficava ali, disponível — O que vão querer? — pergunto, os dois vindo sentar a meu lado.

Enquanto esperávamos o jantar ser entregue, revisamos o passo a passo do dia seguinte, desde a saída do hotel até a chegada ao prédio onde meu pai mora, ficando combinado de eles seguirem comigo e só me deixarem quando entrasse no condomínio.

Feito isto, tomamos uma ducha (emprestei roupas minhas para Bia e Andrey se virou com as que usava), jantamos e optamos por assistir um pouco de televisão já que nenhum de nós estava conseguindo relaxar. Meus amigos estavam quase tão ansiosos quanto eu justamente por saberem como era a sensação de estar prestes a encontrar seu pai. Passava um pouco das duas da madrugada quando finalmente o cansaço nos venceu e dormimos.

Fui a primeira a acordar (por volta das oito e trinta). A manhã do sábado prometia ser limpa e quente. Após acordar meus amigos, tomei um bom banho e fui escolher o que usaria. Estava tão indecisa que tirei todas minhas roupas, literalmente Todas, de dentro do armário! Não sabia se deveria usar algo formal ou mais casual. Bianca foi quem acabou escolhendo para mim uma calça de tecido, listrada, e blusa branca. Para completar, tênis branco e um colar. Como havia feito escova ontem, apenas arrumei um pouco o cabelo. Finalizando, fiz uma make bem básica.

—Tá gata! — Andrey elogia e lhe dou uma piscadinha.

—Merci, ma cher — digo, fazendo um muxoxo enquanto pego minha bolsa e o álbum — Prontos? — perguntei, ambos acenando afirmativamente — Vamos descer, tomar um café da manhã reforçado e depois vamos em busca de um táxi...E aí seja o que Deus quiser!! — exclamei, erguendo as mãos aos céus.

—Vai dá tudo certo amiga — Bia incentiva, enroscando seu braço ao meu — Pensamento positivo, Jade. Pensamento positivo — aconselha, e sorri.

—Já agradeci por estarem me ajudando? Se não, faço agora. Muito obrigada aos dois por essa força que estão me dando!! — agradeço, apertando-a contra mim.

—Não por isso amiga — ela declara com um sorriso largo — Vamos nessa antes que o doutor Rhodes saia de casa — sugere e concordo.

—Vamos.

Não foi tão difícil quanto pensei encontrar um táxi. O porteiro do hotel nos ajudou e logo estávamos a caminho.

Na medida em que nos aproximávamos, sentia meus nervos estalarem baixinho, uma ansiedade insana ameaçando me dominar. Para tentar me controlar, comecei a cantarolar, acompanhando a música que tocava no som do veículo, ganhando elogios tanto de meus amigos quanto do motorista pela bela voz que tenho (sem falsa modéstia). Quando chegamos ao endereço, enfrentamos o primeiro obstáculo: o prédio não tinha porteiro, logo, meu pai teria de permitir minha entrada no edificio.

—O que eu digo para ele? — questiono, olhando de Bia para Andrey alternadamente.

—Não sei Jade. Honestamente, não sei — Bia assume, levando o polegar à boca, mordendo-o — A gente devia ter pensado nessa possibilidade — diz, torcendo o nariz.

—Eu posso dizer que estou querendo falar com ele sobre meu pai — Andrey sugere e antes que nós duas possamos dizer algo, emenda — Subimos com você, explicamos que, na verdade, é você quem quer falar com ele e saímos. Simples assim — finaliza.

—É. Até que não é má ideia — concordei.

—Não mesmo — Bia corrobora, rindo divertida — Por um segundo pensei que iria sugerir deixar a Jade subir sozinha — confessa.

—E correr o risco de o doutor Rhodes se estressar com ela? De jeito nenhum — assegura, adiantando-se até lista de nomes afixadas na parede externa do prédio, tocando a campainha equivalente ao apartamento de meu pai — Acho que eles tem porteiro sim, mas somente durante a semana porque dá pra ver a mesinha logo ali — comenta, indicando um canto e estico o pescoço, visualizando o que descrevia.

—Verdade — digo, me aproximando mais das portas envidraçadas, examinando o ambiente interno — Bonito — elogio, voltando o rosto ao ver Andrey apertar a campainha mais uma vez.

—Ele pode estar no banheiro — meu amigo supõe.

—Mas e a Sarah? Será que ela não está aqui, com ele? — Bia indaga e damos de ombros, Andrey insistindo na campainha novamente.

Após a quinta tentativa sem sucesso, comecei a desanimar.

—Acho que ele não está em casa — digo, verificando a hora em meu relógio de pulso -São quase dez e meia. Quais as chances de ele ter acordado cedo para ir buscar a mudança da Sarah? — interrogo.

—Pelo jeito, todas — Andrey diz, parando a mão no meio do caminho, encostando o rosto no vidro — Tem alguém vindo. Vamos perguntar. Quem sabe damos sorte e conheça seu pai — sugere, sendo mais rápido do que eu e Bia, adiantando-se ao encontro do casal que deixava o condomínio — Oi, bom dia. Vocês moram aqui? -pergunta, direto, Bia e eu rolando os olhos.

—Sim — o rapaz responde, fechando a porta, olhando-nos desconfiado.

—Por acaso conhecem o morador do apartamento…- se volta para mim, estalando os dedos.

—Seiscentos e sete — falei, me pondo a seu lado, Bia um passo atrás de nós.

—Seiscentos e sete — repetiu.

—Acho que não — o cara responde, parecendo ainda mais desconfiado — Já tocaram a campainha?

—Já. Acho que talvez ele tenha esquecido que iriamos vir e saiu ou talvez esteja dormindo ainda — mente — Ele é médico, sabe. Amigo de nosso pai — aponta de si próprio para Bia — Combinamos com ele hoje porque estamos pensando em fazer uma festa surpresa para papai. Ele foi promovido — prossegue na maior cara dura e preciso me esforçar para não rir.

—Eu não…- o cara começa dizer, a mulher ao lado dele puxando-o pelo braço, gesticulando nervosa — Eles estão procurando por um médico que mora no oitavo andar, você conhece? — o cara pergunta, também gesticulando e enrugo o cenho, confusa.

—Ela deve ser surda — Bia cochicha em meu ouvido ao mesmo tempo em que a mulher responde com gestos, sorrindo e nos encarando.

—Se estão procurando pelo Connor, ele não está. Saiu. Mas deve estar voltando dentro em pouco — informa com voz fanhosa — Se quiserem podem esperar no mezanino — sugere.

—Queremos — respondi num ímpeto, corando levemente — Desculpa. Estou só acompanhando. Me empolguei — menti, baixando o olhar.

—Tudo bem — ela diz, abrindo a porta — Podem ficar ali — indica um canto no interior do prédio — Dá pra ver a entrada da garagem — acresce, pondo-se de lado, o cara fazendo o mesmo com certa relutância.

—Muito obrigada senhorita ... .- agradeço, instigando ela se apresentar.

—Marleen Lohen — se apresenta.

—Senhorita Lohen, muito obrigada e fiquem tranquilos, não somos vândalos. Tudo que queremos é preparar a surpresa para o pai...deles — me atrapalhei um pouco, torcendo para ambos não notarem.

—Acreditamos — ela declara, sorrindo gentil.

Entramos no mezanino, seguindo direto para o cantinho indicado por Marleen, nos sentando e somente então me dou conta de que meus amigos estavam presos, por assim dizer, comigo.

—Gente, desculpa por isso — abri os braços abrangendo o ambiente — Se quiserem ir embora agora, fiquem à vontade — liberei — Só me digam qual é o carro de meu pai porque não sei — peço, sem graça.

—Um jaguar — Andrey diz, sorrindo quando o encaro — O carro de seu pai é um jaguar preto — explica — Quanto a estarmos presos aqui com você, relaxa. A gente não tinha nenhum plano pra hoje mesmo — brinca, descontraido.

—Verdade, mas vou enviar uma mensagem para mamãe avisando que ainda estamos com você antes que ela acione o corpo de bombeiros! — Bia declara, sacando seu celular.

Hum...acho que farei o mesmo para o Marcel. Apesar de não termos combinado nada, prefiro que ele pense que estou relaxando no hotel — digo, imitando minha amiga.

—Enquanto fazem isso, vou explorar um pouco -Andrey avisa, levantando, se dirigindo primeiro até a porta antes de circular pelo ambiente, retornando alguns minutos depois, sentando-se displicentemente.

—E ai senhor explorador, o que descobriu? — brinco, pondo meu celular de lado um segundo.

—Tem um banheiro logo ali, perto das caixas de correspondência — aponta um pequeno corredor a suas costas — Também achei uma mesinha com petiscos junto a recepção, o que prova que deve ter um porteiro ou zelador trabalhando aqui durante a semana, pelo menos — atesta, exibindo um saquinho de amendoim — E a propósito, infelizmente a porta só abre com senha, ou seja, temos que esperar algum morador sair ou pedir pro doutor Rhodes abrir pra gente — revela.

—Então realmente estamos presos aqui. Os três — Bia ratifica sem desviar os olhos da tela do celular dela — Algo mais a relatar, Sherlock? — inquiriu e ri disfarçadamente.

—Sim. Ele pode subir direto da garagem para o apartamento — conta.

—Então se nós por acaso não o virmos chegar, o que é praticamente impossível dada a vista que temos, o elevador entrega — conclui, reflexiva — Quantos apartamentos terá cada andar? — indago.

—Acho que três, pelo número de caixas de correio — Andrey presume, me oferecendo um pouco do amendoim, que prontamente aceito.

—Então só me resta esperar — suspiro, voltando atenção para o celular novamente.

Logo estamos os três distraídos, jogando online, parando aqui e ali ao escutar o portão da garagem ser aberto. Meu estado de nervos oscila entre altos e baixos. Houve momentos em que me senti segura e confiante. Em outros, temerosa, tensa. Torcia para meu pai chegar em um momento de alta.

—Ele tá demorando — soltei em um momento de impaciência, verificando a hora pela quarta vez em menos de cinco minutos — Quase duas da tarde! Será que ele resolveu passar o dia fora com a namorada? Ou pior: passar o dia com meu avô e minha tia! — supus, desanimada.

—Seria o cúmulo do azar isso acontece — Bia diz, sincera, o som do portão chamando nossa atenção naquele exato momento.

É com um misto de tensão e ansiedade que vejo o jaguar preto entrando na garagem, minha pulsação acelerando a ponto de escutar as batidas do coração ecoando em meus ouvidos.

Instintivamente, após o portão fechar, levantei e corri até o elevador, aguardando não tão pacientemente os números acima da porta começarem acender e apagar na medida em que a caixinha de metal conduzia seu (ou seus) ocupante, parando no oitavo andar.

—Ele chegou!! — soprei, soltando o ar que sequer notei ter retido, me voltando para meus amigos — Tá na hora!

**** Algumas horas antes — apartamento Sarah ***

Narrador

—Pronta? — Connor perguntou, segurando as duas bolsas penduradas no braço direito, observando Sarah olhar em volta, atenta.

—Sim — ela declara após alguns minutos, ajustando a alça da mochila em seu ombro.

—Certeza de que não esqueceu nada? — insiste o cirurgião, fazendo o mesmo que ela fizera pouco antes.

—Uhum, tenho sim — reafirma a jovem, erguendo a mão — Chaves, meus livros, porta-retratos, bibelôs e as roupas que faltavam estão nas bolsas e na mochila. O restante do que é meu já está no caminhão lá embaixo, à nossa espera — enumera — Agora é só entregar as chaves ao síndico e pronto — finalizou.

—Nesse caso, vamos indo — convida Connor, estendendo a mão para ela, que prontamente aceita.

Juntos, de mãos dadas, descem pelo elevador, encontrando o síndico à espera deles na entrada do prédio. Após acertar os últimos pontos, Sarah entrega as chaves ao homem baixo e atarracado, despedindo-se dele, unindo-se a Connor, que dava instruções ao motorista do caminhão baú que iria transportar alguns pertences da jovem para um depósito ali perto.

Depois de terem guardado tudo e trancado o depósito, como já passava do meio dia, o casal decide almoçar em um restaurante da orla em companhia da irmã de Connor, Claire.

—Fiquei muito feliz quando meu irmão falou que havia aceito morar com ele Sarah. Pode parecer cedo, mas acho que foi a decisão certa para vocês — declara a empresária, sorridente.

—Espero que sim — responde a jovem, franzindo o nariz em uma careta graciosa — Seu irmão conseguiu suportar minhas manias por mais de vinte e quatro horas então achei que merecíamos uma chance — acrescenta, ganhando um selinho do cirurgião.

—Posso dizer o mesmo de você — Connor declara, olhando-a apaixonadamente.

—Ai, ai! Espero encontrar alguém que me olhe do jeito que vocês olham um para o outro — Claire suspira, sorvendo um pouco do suco em seu copo.

— Nem vou perguntar o que aconteceu com seu entusiasmo em relação ao Jay — Connor diz, erguendo as mãos.

—Jay está pra lá de enrolado nesse momento em relação ao que sente pela Hailey e não quero isso para minha vida — afirma a empresária, tranquilamente — Não tenho pressa em encontrar alguém. Na hora certa isso vai acontecer como está acontecendo com vocês agora — declara, abrindo mais um sorriso radiante.

—Faz bem maninha — Connor declara, devolvendo o sorriso.

Após a refeição terminar, o trio ainda permanece conversando por algum tempo, despedindo-se pouco depois da uma da tarde.

Antes de seguirem para o apartamento que passariam a dividir dali por diante, Connor e Sarah fazem mais uma parada em um pet shop, comprando ração e caminhas novas para seus pets, acomodando tudo da melhor maneira possível no reduzido espaço disponível no esportivo dele.

—Estou começando a pensar em trocar de carro novamente — Connor comenta ao observar Sarah acomodando as sacolas sob suas pernas com certa dificuldade.

—Não acho necessário por enquanto. Temos meu carro e por hora servirá tranquilamente — assegura a jovem Psiquiatra, sorrindo de forma doce — Só temos que nos organizar. Para compras, passeios com Dino ou quando formos levá-los ao Veterinário, usamos meu carro. Quando formos só nós dois, usamos o seu — propõe.

—De acordo — Connor concorda, guardando para si um pensamento, uma vontade, que vinha ganhando forma e força em sua mente nos últimos tempos, não conseguindo evitar um sorriso bobo se formar em seus lábios.

—Por que está sorrindo? — Sarah inquiriu, desconfiada.

—Nada. Só estou feliz que tenha aceitado vir morar comigo, só isso — respondeu ele, parando em frente ao portão da garagem, acionando o controle remoto, abrindo-o.

Lá dentro, após retirarem e dividirem as sacolas e bolsas entre si, sobem, Connor optando por seguir direto ao apartamento e pegar a correspondência em outro momento.

No apartamento, após terem substituído as camas antigas dos pets pelas novas, Connor ajudava Sarah a organizar os livros dela na estante, quando a campainha tocou.

—Deixa que atendo — prontifica-se o cirurgião, caminhando calmamente até a porta, não escondendo a surpresa ao abri-la e se deparar com a adolescente amiga dos filhos de seu colega e amigo de trabalho Will Halstead — Pois não? — indaga, curioso.

—Oi — a garota cumprimenta, erguendo parcialmente a mão livre — Não sei se lembra de mim…

—É amiga dos filhos do Will — Connor a interrompe — Jade, não é isso? — pergunta, ela confirmando com um aceno de cabeça, o nervosismo dela não passando despercebido a ele — Em que posso te ajudar? — quer saber, não aguardando resposta — Desculpe minha falta de educação. Entre — convida, pondo-se de lado, indicando o sofá — Sente-se — convida mais uma vez, aguardando-a fazê-lo para somente então ele próprio sentar-se — Então. O que posso fazer por você? — repete, ainda mais curioso em saber como a menina havia descoberto seu endereço.

—Então…- ela começa, limpando a garganta, visivelmente agitada — Eu...eu…- gagueja, insegura, desviando o olhar ao escutar os passos de Sarah, cumprimentando-a assim que a médica entra na sala — Bonne après-midi...boa tarde.

—Olá, boa tarde — devolve Sarah, enrugando discretamente o cenho, olhando interrogativamente para Connor, este erguendo levemente os ombros, tocando o espaço vazio a seu lado em um convite mudo o qual ela aceita, sentando-se ao lado do namorado.

—Devem estar curiosos em saber o que vim fazer aqui, em plena tarde de sábado — recomeça Jade, pondo cuidadosamente o álbum que trazia junto ao peito sobre a mesinha de centro, respirando fundo antes de encarar o casal, deixando transparecer o nervosismo que sentia ao apertar as mãos com força — Eu...realmente...pensei que seria mais fácil. Que iria chegar aqui e falar tudo que preciso...mas não é...ce n’est pas être comme je l’imaginais!!! — exclama, desanimada, os olhos marejando.

—O que, exatamente, está sendo diferente do que você imaginava, meu bem? — Sarah questiona, solidária, aguardando, junto com Connor, a resposta da jovem.

—Eu…- ensaia a menina, respirando fundo uma segunda vez, surpreendendo o casal ao levantar-se bruscamente — Eu...sinto muito...me desculpem...eu...sinto muito. Não deveria ter vindo. Marcel a eu raison de me dire d’attendre — declarou antes de sair praticamente correndo do apartamento, deixando ambos, Connor e Sarah estupefatos com a declaração.

—Que raios Crockett tem a ver com a vinda dessa menina aqui? — Connor questiona, voltando-se ao escutar uma voz juvenil chamando a garota, divisando o rosto da filha de Will Halstead a porta — Bianca? — levanta-se ligeiro e ao fazê-lo derruba o albúm que a garota havia esquecido, estancando e voltando-se ao ouvir Sarah chamá-lo — O que foi?

—Precisa ver isso!! — ela diz, erguendo uma fotografia que deslizara para o chão, entregando-a a Connor tão logo ele se aproxima — É você, não é? — pergunta, ele confirmando.

—Sim — diz, examinando a foto com atenção — E Julianna, a garota que te contei ter-me envolvido anos atrás, durante o carnaval — relembra, franzindo o cenho, confuso — Como ela conseguiu essa foto? — questiona baixinho.

—E não é a única — Sarah avisa, mostrando-lhe uma das páginas do álbum em suas mãos — Há várias dela com essa mulher e um homem...E mais duas suas — diz, encarando-o, séria — Há quanto tempo foram tiradas? — pergunta.

—Cerca de quinze anos, mais ou menos — ele respondeu, distraído.

—Ela falou, no Molly’s aquela noite, que tinha vindo em busca do pai biológico, não foi isso? — Sarah relembra, fazendo-o erguer os olhos, abrindo e fechando a boca, confuso.

—Espera...Está achando que….

—Acho que deve ir atrás dela — o interrompeu, pondo-se de pé — Agora, Connor!! — ordena, indicando a porta, tirando-o da inércia.

Rapidamente, ele se dirige ao elevador, tendo a sorte o cubículo estar parado em seu andar, abrindo as portas ao primeiro toque no botão. Entrou, apertando o botão referente ao mezanino, torcendo para que nenhum dos moradores tivesse permitido a garota sair do prédio, tendo nova surpresa ao chegar no salão de entrada e encontrar a menina juntamente com os gêmeos filhos de Will, que tentavam acalmá-la.

—Eu não deveria ter vindo. Marcel estava certo o tempo todo! Foi bobagem querer ...sonhar…- Jade declarava entre soluços, Andrey a confortando carinhosamente.

—Não foi, não. Você só está nervosa e com medo. Relaxa — pede ele, a irmã repetindo as mesmas palavras.

—Eu quero ir embora...Me tira daqui por favor! — Jade pede, soluçando, nenhum deles notando a aproximação silenciosa de Connor.

—Não dá a menos que algum morador libere, Jade. Tenta se acalmar — é Bianca quem pedia, congelando ao se voltar e deparar com o cirurgião — Dou-doutor Rhodes! — gagueja, atraindo a atenção do irmão e de Jade, que se voltam, assustados.

—Libero a saída de vocês...assim que me disser como conseguiu essa foto — condiciona Connor, exibindo-a — O que essa mulher é sua? — quer saber, um silêncio repleto de significados pairando sobre eles por um breve período, Jade enxugando o rosto com o dorso da mão, tomando fôlego antes de responder, sem nenhuma hesitação na voz.

—Ma mère... celle qui m’a donné la photo...foi minha mãe quem me deu essa foto...a foto dela com meu pai...biológico!...

Continua

“...With arms wide open;

Under the sunlight;

Welcome this place;

I’ll show you everything;

With arms wide open…”

Notas finais
Por enquanto é só. Até breve flores. Se cuidem. #vacinasalva #usemmascara