Notas iniciais
"....Sem saber se depois de tanto tempo, ainda havia alguém a minha espera...com mãos indecisas eu teclei....E postei!!"..... Olá flores, como vocês estão?? Não, não é miragem. Nem delírio. Nem ilusão. Como parafraseei o rei Roberto Carlos, Eu Voltei! I'm Back! E pra ficar. Antes de qualquer coisa, um feliz Ano Novo!! Espero que tenham aproveitado o período de festividades com moderação e alegria. Eu aproveitei. Mas não muito porque infelizmente parte de minha família (um irmão, a esposa, a filhinha deles e minha outra cunhada) estava com essa gripe e não pudemos celebrar juntos, fisicamente falando. Ficamos só nas ligações de vídeo da vida. Fazer OQ, não é mesmo? Segurança em primeiríssimo lugar. De nosso pai no caso. Bom, o ano novo chegou e com ele as famosas resoluções. Entre as minhas está concluir algumas de minhas fics mais antigas e por isso anuncio que até o inicio de Março, no mais tardar, LH, IP, Preço de uma divida, Caminhos para o coração e A outra, serão finalizadas (percebam que coloquei um prazo extenso para não correr o risco de falhar). Aqui não teremos mais do que quatro capítulos (se muito!) depois deste. As demais irei anunciando. Não sei se novas tomarão o lugar das que irão sair. Não ando com inspiração para escrever ultimamente. Mas vejamos o que o ano nos reserva não é mesmo? E agora, sem mais delongas, capitulo no ar. Espero que entendam o ponto de vista do Connor e prometo que as coisas irão melhorar. Boa leitura. Bjokas flores

“...There’s a time that I remember;

When I did not know no pain;

When I believed in forever;

And everything would stay the same;

Now my heart feel like december;

When somebody say your name;

‘Cause I can’t reach out to call you;

But I know I will one day, yeah;

Everybody hurts sometimes;

Everybody hurts someday;

But everything gon’ be alright;

Go and raise a glass and say….”

Memories

Maroon 5

Apartamento Connor e Sarah (sábado, 17/8 -18:35 p.m)

Connor

—Connor?!? — o chamado me tira do devaneio e desvio o olhar da paisagem lá fora, encarando minha namorada, que se aproxima devagar. Mesmo após a revelação bombástica (e que mudaria nossas vidas de forma irremediável), ela permanecia serena — Tudo bem? — pergunta, pondo a mão em meu ombro. Respondo com um aceno curto visto ainda estar assimilando tudo que havia escutado — Não quer entrar e comer alguma coisa? Preparei suco e sanduíches para nós — convida.

—Como está conseguindo se manter assim, tão serena e calma, depois de tudo que ouviu? — interrogo, perscrutando seu rosto com atenção, um sorriso pequeno iluminando-o, me trazendo a sensação que mais preciso neste momento: paz!

—Acho que eu meio que me acostumei a receber notícias inesperadas — diz, se empoleirando cuidadosamente no braço da cadeira que ocupo — Ou pelo menos a absorver melhor, com mais facilidade do que antes, o impacto que geralmente as acompanham — completa, enroscando sua mão em meu cabelo e sorrio de canto de boca.

O antes ao qual se referia, certamente diz respeito a inesperada (e agora indesejada) aparição de seu pai, dois anos atrás, e tudo que isto provocou em sua vida.

—Gostaria de dizer o mesmo — assumi, dirigindo meu olhar ao trio de adolescentes sentados em nossa sala — E eu que ajudei tirar sarro do Will quando os gêmeos apareceram!! — exclamei, trazendo um sorriso divertido a seu rosto — Uma filha! Dá pra acreditar nisso? — questiono retoricamente, sacudindo a cabeça negativamente — Pior: uma filha adolescente, prestes a completar quinze anos, sobre a qual nada sei a respeito!!

—Preferia que fosse um bebezinho de colo ou uma garotinha de cinco ou seis anos? — Sarah perguntou sem esconder seu divertimento.

—De certa forma sim — admito, fazendo careta — Pelo menos eu saberia como lidar com ela, o que fazer...seria bem mais fácil. Acho — suponho, acariciando a mão que descansava em meu ombro.

—Sério que preferia lidar com fraldas, mamadeiras, choros que desconhece a origem entre outras coisas?? — insiste e arqueio a sobrancelha, olhando-a de soslaio — Ok — ergue as mãos em rendição — Só quero te lembrar que sendo mais velha, ela já pode se expressar e dizer o que sente, quer e pensa — pondera.

—E também já vem com toda uma bagagem emocional e ideias pré concebidas a meu respeito — retruco, ficando totalmente de frente para ela — Sarah, essa garota cruzou o oceano, deixou para trás tudo que lhe era familiar, seguro e conhecido, para vir ao meu encontro, depois de uma vida inteira sem que eu sequer soubesse da sua existência!!! — lembro-a — Se fez isso, se tomou tal atitude, é evidente que esperava alguma coisa de mim…e está, obviamente, decepcionada. Muito decepcionada — digo, olhando, mais uma vez, o trio por sobre seu ombro.

—Não acho que esteja decepcionada — rebate, voltando-se minimamente a fim de vê-los — Um pouco triste e chateada, talvez mais consigo mesma do que com você propriamente, mas decepcionada não creio que esteja — supõe, me dando atenção novamente ao me escutar falar.

—Não. Está desapontada. Deu para ver no jeito como me olhava enquanto contava sua história — sustento — Mesmo que inconscientemente, ela criou expectativas a meu respeito, amor, e óbvio que esperava uma outra reação de minha parte. Algo parecido com o que os gêmeos tiveram com Will — argumento.

—É, pode ser…- concorda, olhando em direção a garota uma segunda vez, deixando um suspiro triste escapar — Sinto por ela — sopra.

—Eu também — admiti, enrugando o cenho — Uma coisa não entendo: por que Juliana não tentou me procurar depois que sua situação já estava definida com o tal francês? — questiono — Deixei claro a ela que jamais me negaria assumir a responsabilidade caso a tivesse engravidado e o faria mesmo ela estando casada com outro — garanto — É certo que não trocamos confidências nem nada, mas ela sabia algumas informações a meu respeito que teriam ajudado me encontrar se realmente quisesse tê-lo feito. Meu sobrenome, a cidade onde minha família vivia… se bem que teria sido perda de tempo de qualquer maneira já que não estava aqui e duvido meu pai ou mesmo Claire terem dado crédito a uma estranha que se dizia grávida de mim — reconheço — E se por acaso levassem em consideração, meu pai logo pensaria se tratar de um golpe, com certeza! — resmungo.

—Imagino que ele ficaria furioso — comenta.

—Sem sombra de dúvida! — confirmo, uma torrente de lembranças pouco agradáveis me vindo a mente — E trataria de resolver o problema a seu modo...como sempre — bufo, fazendo aspas no ar, respirando fundo, encarando-a antes de continuar — A verdadeira razão que me fez ir embora não foi apenas o domínio que meu pai tentava exercer sobre minha vida e minhas escolhas, mas sim o fato de eu permitir que isto acontecesse. Sempre. Por mais que me rebelasse, acabava fazendo o que ele queria ou recorrendo a sua ajuda — assumo -Foi assim quando ele me tirou da cadeia após ter tentado, junto com um amigo, comprar drogas de um policial disfarçado…- relembro, deixando-a surpresa — Foi assim quando pagou para uma garota que engravidou de mim tirar o bebê — revelei, a surpresa dando lugar ao assombro no rosto dela — Eu tinha pouco mais de dezesseis na época. A família dessa garota se esforçava para dar a ela a melhor educação possível — contei, me perdendo em lembranças por um segundo — Meu pai costumava dizer que me envolvia com gentinha — faço aspas no ar — Apenas para irritá-lo… e de certa forma estava certo, admito, porque sabia o quanto o irritava ver o sobrenome Rhodes ligado a pessoa menos favorecidas e por isso buscava minhas amizades entre filhos dos funcionários da Dolan, dos empregado de casa, dos bolsistas na escola. Fazia para provocá-lo, mas depois fui realmente me apegando às pessoas que conheci Eram mais verdadeiros e afetuosos do que os do nosso meio social, com raras exceções, o que não significou não ter e causar algumas decepções — mudo de posição, me sentindo pouco confortável — Decepcionei Brian, quando o larguei sozinho na cela e fiquei decepcionado com Susan quando descobri o que havia aceito a proposta de meu pai sem pestanejar, embora tenha reconhecido certa validade em seus argumentos — digo.

—Sinto que tenha passado por tudo isto, amor — lamenta, me fazendo carinho no rosto

—Águas passadas nas quais não vale a pena permanecer — suspiro — De qualquer forma, depois de mais aquela intervenção de meu pai, enquanto enchia a cara com o melhor uísque dele, me dei conta que seria sempre assim: ele me controlando e eu fingindo me rebelar — faço aspas mais uma vez, torcendo o nariz — Foi quando percebi que precisava quebrar o elo e me afastar caso contrário acabaria dominado ou morto. Optei por partir e já na manhã seguinte dei entrada no pedido de emancipação — conclui, me surpreendendo ao encontrar empatia e carinho nos olhos de Sarah quando olho dentro deles.

—Fico feliz que tenha compartilhado comigo — declarou, me dando um beijo doce, suave, e foi como se, de repente, as coisas ficassem claras para mim: eu a amo.

Não estava apenas apaixonado nem o que sentia em relação a ela era uma atração física muito forte, apesar de ambos sentimentos existirem. Era amor o que estava sentindo. Estava amando, de verdade, pela primeira vez em minha vida. Reconhecer isto me causou uma gama de sentimentos confusos que tratei de afastar para um recanto da mente. Pensaria neles em outro momento. Agora, já era suficiente o que tinha de lidar.

—Por mais difícil e doloroso que tenha sido deixar tudo o que conhecia, toda a segurança, e especialmente ter deixado Claire para trás, não me arrependo — admito, entrelaçando nossos dedos — Se tivesse ficado a faria sofrer muito mais do que sofreu com nosso afastamento e tenho certeza de que ela sabe disso ou não teria me perdoado — concluo, o toque de um celular chamando nossa atenção.

Nos voltamos para o interior do apartamento no momento em que o garoto de Will levantava, celular em mãos, atendendo a chamada.

—Tá bom, pai. Já vamos descer — avisa e enrugo o cenho ao mesmo tempo em que me levanto, retornando ao interior do apartamento com Sarah a meu lado, ele me encarando com o rosto vermelho — Meu pai chegou. Liguei para ele vir nos buscar — conta, em tom de desculpa, corando ainda mais quando o encaro — Estavam preocupados, ele e a mãe, porque tínhamos dito que estávamos indo para casa, isso há mais de duas horas, e de qualquer forma...bem, já devíamos mesmo ter ido então achei melhor ligar — justifica-se, coçando a nuca, sem graça.

—Entendo — murmurei, notando, pelo canto do olho, Jade se levantar, pegando sua bolsa e o álbum e me volto para ela — Vai com eles? — questiono, fazendo-a estancar, surpresa, prosseguindo sem lhe dar tempo de responder — Se importa em ficar mais um pouco? Gostaria de conversar com você. Depois te levo em casa — peço, sua hesitação evidente me irritando, devo admitir — Mas se não quiser…

—Non!! — me corta, ligeiro, abaixando o olhar, encabulada — Quer dizer, sim. Posso ficar — apressa-se em dizer, dando atenção aos gêmeos — Merci, mes amis, pelo apoio e...vocês sabem…- agradece em um sopro, tão baixo que mal a ouço — E peçam desculpas a seus pais por mim, s’il vous plaît — pede.

—Relaxa — Andrey diz, sorrindo tímido.

—Esquenta não — Bianca reforça, abraçando-a carinhosamente, cochichando algo em seu ouvido, ao qual ela acena afirmativamente, antes de se afastar, parando ao lado do irmão — Desculpa o incomodo doutor Rhodes, Sarah — desculpa-se, olhando de mim para minha namorada.

—Incômodo algum — Sarah adianta-se, me pegando de surpresa com sua fala seguinte — Esperem um segundo. Vou pegar a coleira do Dino e desço com vocês para abrir o portão e aproveito para dar uma volta com esse rapazinho — pede, passando rapidamente por mim, me dirigindo um olhar significativo, calando qualquer protesto que tinha em mente, retornando segundos depois com a coleira em mãos, deixando o bola de pelos eufórico — Venha aqui rapazinho. Hora de passear — chama, ele sentando-se comportadamente à sua frente, como faz sempre que falamos a palavra “passeio”, aguardando-a pôr a coleira para somente então começar a saltitar como uma mola — Já volto — diz, me dando um beijo casto junto a orelha — Apenas fique calmo e seja franco — recomenda, baixinho, deixando outro beijo — Vamos — convidou, sinalizando aos gêmeos a acompanharem.

—Posso levar ele um pouco? — Andrey pede, ansioso, acenando para Jade, a irmã imitando-o, soprando um “ me liga depois” quando pensou que eu não estava olhando.

Sarah me soprou mais um beijo antes de fechar a porta, deixando-me sozinho com minha recém descoberta filha.

Durante o que me pareceu uma eternidade, nenhum de nós diz absolutamente nada, permanecendo estáticos, de frente um para o outro, sem, de fato, nos encararmos. Enquanto eu focava um ponto por sobre seu ombro esquerdo, ela olhava em todas as direções, exceto para mim, até que finalmente resolvemos falar, só que ao mesmo tempo.

—Eu queria pedir…

—Você pode… — dizemos, ambos ficando sem graça.

—Eu só queria….

—Eu queria …- novamente falamos juntos e desta vez foi impossível não rir.

—Pardon...me desculpa — ela pede, me encarando — Pode falar — sugere.

—Normalmente eu retribuiria a gentileza, mas nesse caso, eu realmente prefiro começar — admiti — Mas primeiro vamos nos sentar — convido, indicando o sofá e o fazemos, sentando cada um em um canto de forma a ficarmos frente a frente — Bem, Jade...para começar espero que possa me desculpar se minha reação não foi a que esperava — pedi, honesto, erguendo a mão para silenciar seu protesto iminente — Por favor, me escute — peço, ela recuando um pouco — Provavelmente dirá que não havia criado nenhuma expectativa em torno deste encontro, mas, como falei para Sarah minutos atrás, não atravessaria o oceano, deixando a segurança e conforto de tudo que lhe é conhecido e familiar para conhecer um pai que sequer fazia ideia de sua existência se não tivesse a esperança, mesmo que ínfima, em ser bem recebida — argumento.

—Mas eu fui bem recebida, père — rebate, cruzando as mãos sobre o colo e sorri pequeno.

—Com bem recebida eu quis dizer acolhida — me corrigi, fazendo aspas no ar — Como os gêmeos foram por Will — comparei, um pequeno e abafado “Ah”, escapando sem que ela pudesse controlar, deixando-a sem graça mais uma vez.

—Não esperava que me acolhesse como o pai de Andrey e Bianca. *Sont des situations différentes, je sais(São situações diferentes, eu sei) — afirma, olhando-me diretamente pela primeira vez desde que me contou sua história.

—*Oui, assez différent, mais je sais toujours que je m’attendais à un accueil plus chaleureux de ma part (Sim, bem diferentes, mas ainda assim sei que esperava uma recepção mais calorosa de minha parte) ...Ou pelo menos uma não tão fria quanto essa — rebati, encarando-a por alguns segundos — É muito parecida com sua mãe — comento, um sorriso triste surgindo em seu rosto.

—Sempre me dizem isso — murmurou, mordendo o lábio inferior, um novo momento de silêncio caindo sobre nós.

—Jade, não sei bem o que esperava encontrar e novamente te peço desculpas por ter frustrado suas expectativas, mas jamais me passou pela cabeça que pudesse ser pai, ainda por cima de uma adolescente prestes a completar quinze anos!! — declaro — Sua mãe e eu vivemos uma paixão de carnaval, tão inconsequente quanto avassaladora. Deixei claro a ela, quando nos despedimos, que assumiria a responsabilidade caso se descobrisse grávida, salvamos os contatos um do outro para que pudesse me avisar e eu daria um jeito de vir até ela, não importando aonde estivesse. Quando não o fez, presumi que estava tudo bem e que ambos havíamos seguido nossas vidas …

—Ela tentou te ligar algumas vezes, mas sempre caia na caixa postal e depois de um tempo passou a constar como número inexistente — me interrompe, tensa.

—Isso que não entendo. Troquei meu número apenas quando estava para ir embora da Colômbia, o que ocorreu uns sete meses depois. Sempre verificava minhas mensagens e ligações e não lembro de ter visto o número dela em momento algum — relembro, massageando meu queixo.

—Mas ela me garantiu que tentou. Mais de uma vez — sustenta, ainda mais tensa, inquietando-se e me apresso em acalmá-la.

—Não duvido — asseguro, tranquilo — E não duvido que seja, de fato, minha filha. Não é este o caso — garanto, muito embora uma parte de minha mente insistisse em levantar tal hipótese...Mas, a troco de quê Juliana mentiria para a própria filha? ..questiono-me mentalmente, lhe dando atenção quando a escuto falar novamente.

—Meu pai Elry também tentou, várias vezes, te localizar. Ele chegou mesmo a ir até a universidade na Colômbia — afirmou e enrugo o cenho ante essa nova informação.

—Sério? — inquiri e ela confirmou com um aceno, uma suposição ganhando forma e força em minha mente — Sabe dizer em qual mês? Ele tinha meu número? — questiono-a.

—O mês exato não, mas acho que tenha sido depois que ela tentou romper com ele, lembra que falei? — indaga, e aceno afirmativamente — E sim, ele pegou seu número para tentar te contatar quando estivesse lá — confirma.

—Humm …- murmurei, pensativo. Seria possível eu ter conhecido o tal Elry e não estar lembrando? — Bom, isso agora não tem mais importância — minimizo, olhando o álbum de soslaio — Você está aqui e temos de lidar com a situação da melhor forma possível — falo, me arrependendo mal acabo de pronunciar as palavras — Quero dizer, eu tenho que lidar com essa novidade e…..Droga!... — bufo, passando a mão pelo cabelo — Me perdoe o mal jeito, Jade. Não estou querendo insinuar que você seja um problema ou algo do gênero de forma alguma — me apresso em dizer, vendo a expressão em seu rosto suavizar um pouco — Eu...só não estava preparado para uma ver uma filha adolescente brotar em minha porta!! — brinquei, conseguindo arrancar um sorriso tímido.

—Pois é — concordou, sem graça, levando uma mecha de cabelo para trás da orelha, surpreendendo-se quando segurei suas mãos entre as minhas.

— Não vou mentir e dizer que tudo vai ficar bem num estalar de dedos — comecei dizer, apertando-as firme — Também não vou fingir que estou bem com isso porque eu realmente não estou — confesso — Preciso assimilar as informações que me trouxe, me acostumar com a ideia de ser pai de uma garota linda e decidida — elogio, fazendo-a corar — E preciso de um pouco de tempo para isso tudo, o que necessariamente, não significa que irei me afastar ou te afastar — argumento, encarando-a, sério — Quero e preciso de tempo para te conhecer melhor, para que você me conheça...e ainda tem minha família, minha irmã...meu pai …Tenho que pensar numa forma de contar a eles, em especial meu pai, a seu respeito sem começar a terceira guerra!! — exclamo, imaginando a reação que Cornélius terá ao descobrir que lhe dei uma neta, arqueando a sobrancelha quando a ouço deixar escapar um “Oops” — Ops, por que?O que houve? — interrogo, desconfiado.

—Hã...é que...bem...Mon grand-père meio que ...já sabe sobre mim — diz, completando antes que eu pudesse dizer algo — Ele ouviu uma conversa entre a Monique e o Marcel, naquele período em que ela era enfermeira dele, e meio que obrigou ela a coletar material, um fio de meu cabelo, para ser mais precisa,naquela noite da exposição, para um teste de DNA e a esta altura pode ter, deve ter, talvez, o resultado em mãos e foi por isso que decidi vir hoje porque sei o quanto a relação de vocês não é boa e como ele ainda está se recuperando do infarto temi que pudessem discutir e por essa razão decidi me antecipar e...e…- gaguejou, suspirando pesadamente — E eu não queria ser motivo de briga entre vocês! — sopra, mordendo o lábio uma segunda vez, me encarando com olhos marejados, ansiosa — Não bastasse eu brotar em sua vida, ser motivo de discussão entre vocês seria demais para mim. Não quero ser causa de discórdia, papa! — exclamou com voz embargada.

—Por que será que não estou surpreso?! — bufei, puxando o ar com força, absorvendo mais essa informação (bastante indesejada, aliás) — Foi Marcel quem te alertou a respeito de meu pai, não é? — questionei, ela acenando afirmativamente — É...ele não é uma pessoa fácil de lidar. Nem um pouco fácil — digo, prevendo no mínimo um aborrecimento quando me procurasse, o que sem sombra de dúvidas ocorreria em breve — Sinto te desapontar, mas meu pai e eu, não precisamos de motivos para nos estranharmos, por assim dizer. Isto a muito tempo já — busquei tranquilizá-la — A tempestade que enfrentamos recentemente podem até amenizar ou acalmar as coisas por um tempo, mas não acredito que será o suficiente para selar a paz entre nós em definitivo — admiti, sincero — Se ele já tiver o resultado, irá me procurar ou pedir que o procure. É só questão de tempo — asseguro — Mas vou me preocupar com isto quando acontecer. Por hora, fique tranquila no que diz respeito a causar alguma briga — reitero, rindo discretamente — Quanto a mim, preciso de um tempo para assimilar todo esse processo de paternidade, o que, aliás, teremos de cuidar em breve — pondero, refletindo que ao menos desta vez meu pai acabou contribuindo, caso tenha, de fato, realizado o teste de DNA — Esse nosso encontro pode não ter sido o que esperava, mas é um começo. Só te peço um pouco mais de paciência — reforcei.

—Eu entendo, mon père -afirma, sorrindo pequeno — Eu realmente teria esperado mais um pouco como Marcel sugeriu, mas …- repete, fazendo uma careta graciosa.

—Tudo bem. Vamos superar isso — declaro, soltando suas mãos e outra vez ficamos em silêncio por um bom tempo — Bom, acho que já terminamos...ou você …

—Concordo — anui ligeiro, pondo-se de pé — Então, se não se importa, eu gostaria de ir para o flat agora — pede.

—Claro, claro — me levanto também, olhando em volta a procura das chaves (que literalmente esqueci aonde estavam!) no exato momento em que Sarah retornava — Amor, viu onde coloquei as chaves? Estou indo levar a Jade — perguntei, passando por ela ao mesmo tempo em que Dino corre até a garota, fazendo festa — Achei! Vamos?- convido ao mesmo tempo em que escuto Sarah perguntar.

—Você já vai?

—Oui. Estou cansada e gostaria de dormir cedo — Jade respondeu, afagando a cabeça do bolinha de pêlos.

—Entendo… espero que nos vejamos em breve — Sarah despede-se, pondo-se de lado para que ela passe, me dirigindo um olhar cujo significado só entendi quando parava em frente ao flat onde Jade está hospedada.

—Droga!! — resmungo baixinho, voltando o rosto para a garota antes de ela descer do veículo — Jade, me desculpe por não te convidar para jantar conosco. Eu realmente fiquei bastante desnorteado com todas as informações que me trouxe — justifico-me, recebendo um sorriso gentil.

—Eu entendo, não se preocupe — assegura, tranquila.

— Podemos deixar marcado para o próximo final de semana, o que acha? — questiono-a.

—Sim, sim, pode ser — anui, sorrindo animada, fazendo menção se afastar, mas impeço.

—Hei, me passa seu contato para podermos combinar direito — peço, fazendo-a estancar e se voltar.

—Ah, claro, claro — concorda, pegando seu celular — Eu vou te dar um toque daí o senhor salva meu número — sugere, já o fazendo e me pego pensando em como havia conseguido meu contato — Peguei seu número na página do Med — informa, lendo meu pensamento e sorri.

—Certo — digo, salvando o contato dela — Bom, boa noite. Te ligo em breve — aviso, aguardando-a entrar no prédio para somente então dar a partida e voltar para casa.

Enquanto aguardo o elevador, envio uma mensagem para Claire pedindo a ela que viesse até em casa no dia seguinte pois precisávamos conversar, explicando, por alto, o assunto. Ao entrar em casa, me deparo com Sarah ... .cozinhando????

—Cheguei, amor — comunico, envolvendo-a pela cintura, beijando a base de seu pescoço, aspirando tanto seu perfume quanto o cheiro vindo da panela — Que está preparando? — quero saber, curioso já que cozinha não é bem seu forte (palavras dela!).

—Uma receita que vi na internet: risoto vegano — conta, me oferecendo uma prova — Está bom? — pergunta, ansiosa.

—Uhum. Bom…muito bom — respondi, sincero (porque estava mesmo) — Pedi desculpas a Jade por não convidá-la para jantar . Fiquei tão sem chão com tudo que acabei sendo mal educado — admito, afrouxando o abraço para que ela pudesse girar e ficar de frente para mim — Deixei previamente combinado de ela vir no próximo final de semana, que acha?- pergunto.

—Por mim tudo bem, mas possivelmente estaremos de plantão já que trocamos para fazer a mudança — lembra e faço uma careta.

—Tinha esquecido — confessei, soprando — Mesmo assim prefiro manter. Não quero arriscar fazê-la pensar que menti muito menos que não desejo essa aproximação. Não, mesmo. De jeito nenhum — afirmei, categórico — Podemos convidá-la para almoçar no domingo ao invés de jantar. Até prefiro porque podemos nos demorar um pouco mais — argumento, encarando minha silenciosa namorada — Algo errado, amor?? — interrogo, franzindo o cenho.

—Vai procurar seu pai ou esperar que ele tome a iniciativa? — questiona-me e faço nova careta — E quanto a Claire? Vai deixá-la no escuro até conversar com Cornélius? — pergunta, completando antes que eu pudesse dizer algo — Sua irmã merece saber que tem uma sobrinha de uma forma menos dramática, por assim dizer — argumenta e suspiro.

—Honestamente, não pensei em como agir em relação a meu pai — confesso — Quanto a Claire, pedi que viesse aqui amanhã, que precisávamos conversar sem entrar em detalhes…

— E a esta altura ela já deve estar criando um milhão de teorias. Se bobear aparece aqui com uma estilista e dezenas de revistas de moda casamento!! — exclama, estalando a língua e é impossível não rir — Tá rindo né!? Quero só ver quando ela chegar, toda animada, com toda a cerimônia e lua de mel planejadas! — exclama ao mesmo tempo em que me cutuca, provocando cócegas e mais riso quando retribuo.

Durante alguns minutos nos divertimos juntos. Me distraio com sua risada melodiosa e doce, ambos cessando a “tortura” apenas quando o ar nos falta, aguardando-a recuperar o folego.

—Seu risoto vai queimar — alerto, ela voltando-se ligeiro, desligando o fogo a tempo de evitar a tragédia, ajudando-a finalizar nosso jantar.

Após a refeição, sentamos lado a lado, Persie e Dino esparramando-se no tapete, assistindo um filme qualquer enquanto namoramos. Passava da meia noite quando finalmente fomos para o quarto.

Não tinha a mínima ideia do que o futuro me preparava, mas por essa noite, minha única preocupação e minha atenção estão apenas em satisfazer minha linda namorada. Amanhã retomo os problemas.

Amanhã…

Notas finais
Nos vemos em breve #vacinassalvamvidas #secuidem #oanosócomeçou!!!