Caminhando entre os mortos
47 Capítulo bônus - Parte dois
Notas iniciais
Pov – Daryl
Eu não tinha a menor ideia que ia me deparar com uma completa maluca quando me mudei para aquele apartamento, nem gosto muito de lugares assim, preferia mil vezes uma casa perto da floresta, na verdade o aluguel baixo foi a razão para me mudar, um ano aqui e consigo dinheiro suficiente para comprar a casa que quero e finalmente poder viver como sempre quis.
Merle finalmente parece ter entendido que não pode esperar que sempre resolva seus problemas e há um bom tempo não acaba num presídio ou algo do gênero, ainda é um beberrão idiota, ainda está vez por outra se escondendo de algum bandido que quer mata-lo, e infelizmente ainda o vejo se drogando num banheiro aqui ou ali, mas nada se compara aos anos de minha adolescência, isso é um alivio, depois de muito tempo posso finalmente cuidar da minha vida e estou feliz com isso.
Então assim que me mudo dou de cara com aquele furacão que parece ser Alice, fala sem parar, xinga e resmunga, tem a boca mais suja e os olhos mais lindos que já vi na vida, me deixou tonto desde o primeiro segundo que a vi.
Fiquei tão confuso com ela que me vi fazendo coisas que jamais fiz, levei a bicicleta dela para consertar me sentindo culpado, ofereci carona e me apresentei, cheguei ao cúmulo de me desculpar, não, definitivamente isso não está certo, eu não estou em meu juízo perfeito, se tivesse uma gota de sanidade, juntar minhas coisas e fugiria dali o mais rápido que pudesse.
Principalmente depois da noite de ontem, ela sentada no meu sofá descalça e intima, conversando despreocupada, me obrigando a controlar a vontade de sorrir o tempo todo e mais, toma-la em meus braços e beijar aqueles lábios carnudos e vermelhos.
Quando foi embora deixou seu perfume, mal preguei os olhos a noite toda pensando em Alice, uma grande merda, ainda como se não bastasse pensar nela ainda escuto tudo que se passa na casa ao lado, ouço quando fala sozinha, pragueja ou canta, ela adora cantar e hoje acordei com o infernal e insistente barulho do despertador, parece uma sirene disparada pelo próprio diabo avisando do fim do mundo.
Bebo um gole de café solúvel pronto para o trabalho e então escuto uma leve batida na porta, deixa a caneca na mesa e me preparo para o furacão só pode ser ela, abro a porta e lá estão os olhos azuis me encarando sorridentes.
−Ainda bem que está acordado! Ela me diz – Meus sapatos ficaram aqui! Alice passa por mim sem esperar convite, encontra os sapatos no meio da sala e se senta no chão – Aqui, adoro esses sapatos – Ela está sentada no chão, calçando os sapatos enquanto fico observando meio confuso.
−Vai trabalhar?
−Que jeito! Ela diz ficando de pé e caminhando para fora – Bom dia! Diz descendo as escadas em direção a saída – Te vejo de noite! Grita antes de bater a porta de entrada fazendo eco no corredor, fico parado no meio da sala ainda me recuperando.
Passo na bicicletaria para saber se a bicicleta de Alice estava pronta, pago e coloco na traseira da caminhonete, acho que ela vai gostar, não sei bem que horas chega do trabalho, mas tenho uma leve impressão que vou descobrir.
Eu estava certo, logo depois de chegar do trabalho escuto os barulhos vindos do apartamento ao lado, a voz de Alice ecoa tão próxima como se estivesse em minha casa, o tempo todo escuto cada palavra dela, até seus passos posso ouvir.
Então escuto um estrondo e u grito, minha reação é correr para lá, a porta está mesmo destrancada e entro sem esperar convite, Alice está sentada no chão ao lado de uma escada caída no meio da sala.
−Merda! Ela resmunga – Cassete de escada infeliz!
−Caiu? Pergunto me aproximando, ela geme de dor.
−Não estava tentando suicídio! Responde irritada.
−Grossa estava só tentando ajudar! Digo de joelhos ao lado dela.
−Então ajuda, que merda está doendo! Toco a perna, não tem nada grave, apenas um arranhão na coxa.
Ajudo Alice a ficar de pé, ela se senta no sofá, ainda reclamando e gemendo.
−Que diabos estava tentando fazer? Pergunto colocando a escada de pé.
−Trocar a porra da lâmpada!
−Mas que boca suja! A garota não tem um pingo de limite.
−Desculpe, não queria ofender esses seus ouvidos delicados!
−Idiota! Reclamo caminhando para porta – Se vira sozinha então ingrata!
−Idiota é você, e muito egoísta! Ela é mesmo sem noção, saio da minha casa para ajudá-la e ainda ouço que sou egoísta.
−Egoísta? Me viro antes de sair.
−Sim, me machuquei estou sofrendo muito e vai me dar as costas, só pensa em você, é um doente!
−Garota infernal, o que está dizendo, vim te ajudar e só fez grosserias.
−Você é muito sensível! Ela diz ainda segurando a perna, até sinto vontade de me aproximar, mas dou as costas e volto para casa de mal humor, que garota ridícula, depois do banho e de um sanduiche me sento com um livro, a noite está ótima e vou adorar passar o fim de semana na floresta caçando, escuto mais uma vez uma batida na porta, bufo fechando o livro, lá vem Alice e suas intemperes.
−Posso? Ela pergunta olhando para dentro quando abro a porta, dou espaço e ela entra, caminha pela sala, fecho a porta e fico parado olhando para ela.
−E então? Pergunto já que ela continua muda.
−Eu fui injusta e muito idiota e todas essas coisas que me chama, desculpe! Fico mudo olhando para ela, me perguntado como pode ser tão bonita e delicada quando me olha assim – Que porra Daryl, pode ao menos fingir que me desculpou? Acabo rindo.
−Boca suja! Ela faz careta.
−Ouvidos sensíveis! Alice rebate, me faz rir mais.
−Me lembra meu irmão! Merle tem esses acessos, e a boca suja, se dariam muito bem, ou muito mal, de qualquer modo seria uma grande confusão.
−Me desculpou? Ela pergunta.
−Sim! Digo por fim, ela sorri, atira os sapatos para longe mais uma vez e se enrola toda no meu sofá.
−Me machuquei toda para trocar uma merda de uma lâmpada, isso é uma... merda!
−Maluca!
−Não sou boa com sinônimos, disse que tenho boca suja, merda está melhor né?
−Muito! Eu me sento, se não pode vencê-los junte-se a eles.
−Devia deixar a porta só encostada como eu.
−Devia! Eu concordo, pelo visto entrar e sair vai se tornar um habito para ela.
−Nunca liga a tv?
−Não.
−Adoro o barulho nunca desligo a minha.
−Sei.
−Está monossilábico?
−Está maluca? Pergunto.
−Um pouco, você não? Ela pergunta se encostando mais no sofá e bocejando – Acho que todo mundo é meio louco, não me importo de ser assim.
−Talvez.
−Joga pôquer?
−Não!
−Nossa conversa comigo, fica só respondendo, que chato? Ela me atira uma almofada – Vai ter que trocar minha lâmpada.
−Não sou chato, só não acompanho seu raciocínio rápido e não tenho que trocar sua lâmpada depois das coisas estúpidas que me disse.
−Sou muito esperta, minha mente é brilhante – Ela diz rindo – E você é muito idiota, me desculpou e já está me jogando na cara.
−Sua mente está longe de ser brilhante é no máximo uma mente confusa e desculpei mas não esqueci!
−Sou confusa sim, o que tem demais, garotas são assim, e se não vai esquecer quer dizer que não desculpou, porr... merda nenhuma, porra é muito ruim?
−Não acho que seja de todas as garotas e sim coisa sua e desculpei, mas não quer dizer que vou esquecer e deixar que faça de novo e não me importo que fale palavrão.
−O que vamos fazer no fim de semana?
−Ahm?
−Nossa Daryl, você é meio lento, perguntei o que vamos fazer no fim de semana?
−Muda muito de assunto!
−O que tem isso, é só ficar esperto! Ela diz me atirando a última almofada, erra e derruba uma caneca vazia e meu livro.
−Idiota! Resmungo atirando a almofada de volta que acerta seu rosto, bagunça seus cabelos e ela sorri, fica ainda mais bonita, me deixa sem ação, pisco engolindo em seco.
−Em Daryl? Ela me chama, usando a almofada para apoiar a cabeça – O que vamos fazer no fim de semana?
−Porque temos que fazer alguma coisa juntos?
−Ingrato, estou sendo bem legal com você, quero te fazer companhia, só isso.
−Nossa, muito legal, uma dama!
−Que cara chato! Ela me faz rir.
−Vou caçar, passar o fim de semana na floresta, dormir numa barraca, fazer uma fogueira, é o que gosto.
−Vai ser bem divertido, o que tenho que levar?
−Quando foi que te convidei? Ela se encolhe no sofá, fecha os olhos me ignorando.
−Eu podia dormir aqui, assim ficava conversando comigo até eu pegar no sono.
−Ou pode ir para sua casa e dormir na sua cama.
−Ou isso! Ela se espreguiça, senta fazendo um coque e depois fica de pé – Até amanhã.
Caminha para porta e me dá um tchau de longe indo embora e me deixando tonto, não sei realmente como vai ser resistir a ela, a cada segundo quero beijar Alice e o convite de dormir aqui foi bem difícil de recusar.
Alice me deixou tão maluco que até me esqueci da bicicleta na traseira do carro, de todo modo aquele despertador maluco vai me acordar logo cedo.
Como imaginei acordo com o despertador, não é possível que ela precise de tanto barulho para acordar, que inferno! Me levanto me arrumo e então a porta se abre, sabia que viria, mais uma vez seus sapatos estão pelo chão da minha sala.
−Deixou mesmo aberta! Ela sorri – Aqui estão eles! Mais uma vez se senta no chão e os calça, fica de pé e me olha.
−A bicicleta está pronta! Ela sorri e sem que eu espere me abraça, fico meio sem saber o que fazer, não retribuo, e ela se afasta, nem sei se reparou.
−Obrigada! Me diz sorrindo – Onde está?
−No carro, vem vamos buscar.
Entrego a bicicleta e ela sorri investigando tudo, depois sobe e me manda um beijo de longe.
−Obrigada! Ela some em direção ao trabalho, fico ali olhando aquela garota incrivelmente bonita se afastar de rabo de cavalo numa bicicleta me lembrando uma menininha, demora a me recuperar, então entro no carro e sigo para o trabalho.
Passo o dia pensando nela, no sorriso, no jeito maluco, nas coisas loucas que faz e quando caminho para o carro no fim do dia estou ansioso, dirijo para casa pensando se mais uma vez ela invadiria meu apartamento.
Encontro Alice entrando com a bicicleta, acho que está mais bonita que de manhã, talvez por conta do rosto corado, subo com a bicicleta.
−Vai trocar minha lâmpada ou não? Reviro os olhos e entro com ela, faço o que me pede, depois a deixo e sigo para minha casa, ela vem logo depois, e fica mais uma vez até tarde na minha casa, e assim é por toda semana, na sexta-feira chegamos mais uma vez juntos.
−Vamos cedo amanhã? Me pergunta quando subíamos as escadas, eu com a bicicleta ela com aquele sorriso doce no rosto, quero dizer não, mas acontece que não consigo.
−Muito cedo! Quem sabe ela desiste.
−Que horas ponho meu despertador?
−Aquela merda é bem barulhenta sabia? Resmungo no corredor – Sete!
−Ok, daqui a pouco vou lá! Alice entra, sei que vai e vai esquecer os sapatos e depois vem busca-los pela manhã, toda atrapalhada reclamando que está atrasada senta no chão, calça os sapatos e some me deixando atordoado, ela sempre me deixa atordoado.
Saímos cedo para floresta, levo a besta e uma mochila com comida enlatada e coisas comuns num acampamento, Alice leva só uma muda de roupa e nada mais.
A floresta é meu lugar favorito, adoro o cheiro dos pinheiros o barulho dos pássaros e o movimento dos pequenos animais.
Montamos a barraca, eu monto, Alice fica o tempo todo falando sem parar, me deixando maluco como de costume.
−E agora? Me pergunta quando coloco a besta nas costas.
−Vamos caçar, faça silencio e fique perto.
−Já entendi, você é muito repetitivo, falou isso umas mil vezes ontem, parece um velho de cem anos.
−E parece uma menininha de cinco anos, mimada e cheia de vontades.
−E linda! Ela me faz rir.
−E louca!
−Louca e linda! Alice completa – Admita! Ela brinca, mas sim, ela é linda.
−Sim, é mesmo linda! Acabo dizendo, Alice abre um largo sorriso.
−Acho que está me paquerando! Reviro os olhos fazendo com que ria mais de mim.
Andamos um pouco, sigo os rastros de um cervo, demoro mais de duas horas na floresta e então eu o vejo, distraído bebendo água no rio, armo a besta e aponto, é um belo animal, quando ia disparar Alice empurra meu braço e a flecha viaja para longe me deixando no mínimo fora de mim, o cervo se assusta e some na mata.
−O que está fazendo sua louca? Grito
−Você ia acertar o cervo! Ela grita de volta.
−Viemos caçar imbecil, é claro que eu pretendia acerta-lo, se quisesse só vê-lo teria ido ao zoológico!
−Não acredito que pretendia matar o bicho, é um babaca assassino de bichinhos da floresta!
−Desculpe se feri seus sentimentos branca de neve mas o que achou que faríamos aqui, disse que vinha caçar!
−Eu pensei que era figura de linguagem, seu... seu... Lobo mal! Ela me diz aos gritos – O que vai fazer com o bicho morto?
−Comer a carne, o que mais? Respondo – Mais do que isso, dar a pessoas que realmente precisam, que contam com isso, gente que sempre ajudei e que não podem comer sorvete e hambúrguer todos os dias como você!
−Eu não sabia! Ela grita mais uma vez.
−Para de gritar, vai espantar todos os animais!
−Grito o quanto quiser! Ela responde gritando – Você não manda em mim, ninguém manda.
Não pretendia fazer isso, nem mesmo me dei conta do que estava fazendo até já ter feito, puxo Alice para mim, cubro sua boca com a minha e então eu a beijo, suas mãos saem do meu peito e seguem para meus cabelos, puxo Alice para mim e colo meu corpo ao dela, Alice suspira, corresponde, minha respiração acelera, nunca senti nada igual, é completamente poderoso, me domina e custo a juntar forças para afasta-la.
Ficamos nos olhando um tempo, recuperando nosso auto controle, cada um com seus pensamentos.
−Não devia ter feito, mas estava fora de controle!
−Me beijou para me conter? Ela me pergunta, não parece triste ou algo assim, afirmo com um movimento de cabeça – Conseguiu! Ela me diz e pisco sem entender – Conseguiu, me conteve!
Começamos a caminhar, meio sem direção, apenas um do lado do outro.
−Vamos achar outro cervo! Alice me diz, depois tropeça num velho tronco caído – Cassete!
−Você não é normal! Digo rindo.
−Hecatombe! Ela me diz – Chase, meu amigo, é assim que me chama.
−Ele está certo, é assim que é, uma hecatombe!
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