Caminhando entre os mortos
9 Capítulo 9 - Porque penso tanto nela?
Notas iniciais
Pov – Daryl
Ela é maluca, mas é esperta, me irritou muito noite passada, principalmente por me fazer chamar atenção de toda prisão com uma tolice como aquela, não sei como ela consegue fazer isso, muda de assunto, interrompe uma discussão para fazer comentários sem sentindo e me sinto sempre um passo atrás.
Agora deu a ideia de um conselho e isso resolveu boa parte dos nossos problemas, assim podemos decidir coisas sem criar um pandemônio, mas não sei como vai ser nós dois nesse conselho, possivelmente um vai ser expulso, ou os dois.
Porque diabos Maggie achou que eu queria beijar Alice ou ela queria me beijar?
Não que aquela boca não seja totalmente beijável, mais que isso, aqueles lábios parecem me pedir um beijo a todo instante, principalmente quando se curvam num daqueles sorrisos de me fazer esquecer meu nome.
Estou tonto com o que ela anda fazendo com minha vida.
−O que aquela maluca está fazendo lá fora? Me pergunto quando a vejo passear pela ponte, felizmente estou com a besta nas costas e acho que é onde vai ficar agora que essa garota infernal chegou, apresso o passo e entro na floresta logo atrás dela, uma merda não poder gritar por ela.
Escuto sua conversa, será que encontrou alguém conhecido? Eu me pergunto, ela fala sobre o acampamento e a família morta, está difícil para Alice superar tudo isso, mesmo que finja bem, eu sei que ainda dói muito e não poderia ser diferente.
Então eu a vejo falando com um zumbi, ela não pode ser assim tão idiota, mas acho que é como uma despedida, um pedido de perdão, de algum modo ela se sente culpada, embora não ache que seja, ela o derruba e eu me aproximo fora de mim de tanta raiva.
Como de costume gritamos um com o outro, ela mais, eu não sou tão sem noção assim para ficar gritando na floresta como se quisesse convidar todos os zumbis do universo para o jantar.
Alice me tira do sério, me deixa fora de mim, odeio o que faz comigo, odeio não resistir a ela como deveria.
Está furiosa e isso a deixa tão linda, tão delicada, eu não entendo como isso pode ser, quero tira-la de lá, ela se recusa, me atira palavras, grita e como sempre reajo a ela, e então simplesmente não posso mais resistir e a tomo em meus braços, não sabia que iria beijá-la até que já tinha feito, e foi como uma explosão de coisas que não sabia que podia sentir, aquilo não foi só um beijo, foi mais que isso, e me assusta pensar, afasto Alice, dou uma desculpa qualquer, ela quer a verdade, como não posso dizer, eu me calo.
Como posso dizer que ela anda me torturando até em meus sonhos, que penso nela noite e dia e que se não a beijasse seria capaz de explodir?
Caminhamos de volta, acho que de algum jeito eu a magoei, mas não tive escolha, é melhor assim, não quero viver isso, preciso evitar, não sei nada sobre romance, não quero saber, não sou um cara que faz declarações, que tem arroubos, sou um Dixon, eu sigo em frente afastando tudo e todos, mas ela parece sempre imune a isso, quanto mais a afasto mais nos aproximamos.
Grito, brigo, reclamo e ela simplesmente não liga, é como se nunca tivesse acontecido, a uns minutos disse que me odeia, e eu a chamei de maluca só para começar e agora estamos rindo, simplesmente, beijei Alice, gritei com ela e estamos rindo.
−Será que consigo convencer o conselho a não matar a Violet? Enquanto caminhamos.
−Acho que não, pense nas crianças que precisam de proteína!
Ela faz careta, estamos no pátio e eu devia arrumar algo para fazer e me afastar dela, mas não consigo.
−Falo muito palavrão?
−Está tentando melhorar, é louvável!
−Te incomoda?
−Me diverte, quando fala e quando tenta não falar.
−Minha mãe me deixou de castigo uma eternidade, mas quando vejo já disse, alivia! Eu concordo, não sou o cara mais educado do mundo, estou longe disso, mas respeito as pessoas a minha volta, o que nela é engraçado em mim parece ofensivo e por isso evito, ou tento.
−É maluca assim desde pequena?
−Sim! Ela sorri e estamos no refeitório – Por isso nunca me encaixei, e depois morava sozinha, não tinha ninguém para ouvir, mas agora divido a casa com uma multidão.
−Você é uma multidão! Eu digo a ela que dá de ombros despreocupada.
−Alice! Alguém a chama quando nos viramos o homem da fazenda dono dos porcos estava de pé com as mãos na cintura e sorria.
−Paul! Ela sorri e não gosto muito do modo como ela parece feliz em vê-lo.
−Que coisa! Ele sorri de volta e ela o abraça, até ele se surpreende, ela sempre abraça pessoas – Que bom saber que está viva e bem!
−Você também, mas onde está sua família? Como chegou aqui? Quando? Paul ri, ela é mesmo uma hecatombe.
−Somos só eu e minha mãe, quando tudo começou eu fui ficar com minha família na fazenda, mas sobramos apenas eu e minha mãe.
−Sinto muito! Ela diz abraçando ele de novo, que coisa irritante.
−Ontem quando Daryl chegou, nossa foi... – Ele me acena e então ela me olha sorrindo – Eu não sabia mais o que fazer, não podia sair e deixar minha mãe sozinha e além dos porcos quase não tínhamos mais comida.
Sem resistir me aproximo mais, só para lembra-la que estou aqui.
−Porcos? Ela pergunta interessada – Os porcos são seus?
−Agora são do grupo, estou muito empolgado em estar aqui.
Algo passa por aquele olhar, um sorriso se forma em seu rosto, isso a deixa linda.
−Tecnicamente são seus e devia quem sabe... reivindicá-los!
−O que? Ele pergunta, então não era só comigo, ela deixava todo mundo maluco.
−Sim, e se quiser pode doa-los, quem sabe para mim!
−E porque eu faria isso? Ele pergunta – Vai querer salvar os porcos também, como a família de gatos e o ninho de pássaros e as abelhas da senhora Gonzalez!
Ela dá de ombros, sorri para ele e me olha, faço que não com a cabeça, ela morde o lábio e não devia fazer isso porque agora me lembrei de como é bom beijá-la e não posso fazer isso de novo.
−Os gatos não podiam ficar na rua, era obrigação da vizinhança salvá-los, o ninho de pássaros estava ali a semanas aquele idiota não tinha nada que mexer e as abelhas... Bom eram abelhas, não sei porque ela chamou os bombeiros!
−Eu sei, você continua a mesma, mas está aqui a muito tempo?
−Não, eu estava com minha família e... Agora estou aqui! Ela dá um passo em minha direção, como se de algum modo eu pudesse remover aquela dor, gostaria de poder.
−Estou no bloco D, quando tiver tempo vá conhecer minha mãe.
−Certo! Ela diz e ele lhe dá as costas – E Violet?
−Quem? Ele se volta já distante.
−A porquinha!
−Desculpe! Ele faz um gesto de rendição, ela faz bico, Paul ri e segue para seu bloco de celas.
−Quem é ele? Tento parecer natural.
−Morava na minha rua, eu estava doando gatos na rua e o conheci – Ela afasta os cabelos – Nem me disse que trouxe mais gente, nunca me conta nada!
−Contei dos porcos! Eu nem sei porque estou me explicando.
−Certo! Ela começa a se afastar e sem alternativa vou caçar o que fazer, o beijo martelando meu cérebro, evito Alice o resto do dia, no jantar eu a vejo com Paul e a mãe, eles comem juntos e acho que não gosto muito disso, ela me beijou no meio da manhã e já está lá sorrindo para o cara?
−Está de dar medo! Carol me diz parando ao meu lado – Devia ir até lá ou disfarçar melhor.
−Carol, eu não te entendo, porque quer tanto se meter nisso?
−Porque precisa dar uma chance a ela, Merle te fez muito mal, mas você merece isso.
−Merle nos deu uma chance, nos salvou, e isso é um assunto que não quero discutir.
−Então devia construir o bloco Z! Ela me diz só para deixar claro que ouviu tudo, da próxima vez que brigar com Alice vamos ter que usar linguagem de sinais.
Sigo para minha cela, temos muito trabalho amanhã e em dois dias vamos sair de novo, além disso acho que logo vamos precisar descer e terminar de matar os zumbis das tumbas, tem muita gente aqui e precisamos de espaço.
A noite está fria e quando me deito os lábios de Alice me vem à mente, os olhos dela quando nos afastamos, o sorriso pouco depois, e então a cara de felicidade quando viu o tal Paul.
Sinto a luz da lanterna na minha cara como todas as noites alias.
−Sim Alice!
−Oi! Ela caminha até minha cama, se senta no chão cruza as pernas e vira a lanterna para iluminar o próprio rosto, é linda, não posso deixar de perceber – Que vai fazer?
−Dormir? Eu respondo em tom de pergunta olhando para ela.
−São oito e trinta e quatro, ninguém dorme esse horário! Acabo sorrindo, ela não tem um relógio, acho que só mesmo Rick ainda mantem algo assim.
−São oito e trinta e quatro?
−Não! Ela diz e franzo o cenho – Agora são oito e trinta e cinco.
−O tempo voa! Eu respondo sem me mexer da cama.
−Vou roubar seu colchão, achei que devia saber!
−O que vai fazer? Eu sempre acho bom confirmar se entendi o que disse antes de responder as suas sandices.
−Ele é melhor que o meu, então quando estiver distraído vou fazer uma troca!
−Vai ficar sentada ai? Eu pergunto – E com essa luz na cara feito um fantasma?
−Bom você está ocupando toda cama, eu estou sem sono e não quero incomodar ninguém.
−Eu tudo bem?
−Você já se acostumou!
Acabo me sentando, como posso evitar Alice se ela simplesmente não sai de perto de mim? E como posso não beija-la de novo se ela está aqui no meu canto linda e despreocupada e nesse minuto sentada na minha cama com esse sorriso maldito!
−A gente encontrou o Chase e o Ethan logo no começo do apocalipse, Ethan era meio chato, metido a sabe tudo, mas Chase era bem legal, ficamos amigos e eu sempre fazia dupla com ele quando saímos em busca de suprimentos, e conversávamos muito, eu não falo com zumbis, entendo que estão mortos, mas quis... – Ela me olha e está tão triste, se soubesse como fazer talvez eu a abraçasse – Ele se apaixonou pela minha irmã, nunca falamos muito nisso, mas eu sabia, ela era linda, a garota mais bonita que já vi – Acho difícil ser mais bonita que Alice – E era delicada, meu oposto, falava baixo, nunca reclamava, acho que nem sabia praguejar!
−Não ensinou a ela?
−De jeito nenhum, ela brigava comigo o tempo todo, Chase também, ele brincava que eu era uma hecatombe por que às vezes eu brigava, e bom era difícil ficar perto do Cooper sem ficar triste, queria que ele tratasse minha irmã melhor, e que não fosse tão covarde e interesseiro, mas ela amava o marido, e eu acho que não devia ter me metido nisso.
−Pode ser!
−Chase fazia tudo que ele queria, nunca desafiava ele, eu sabia que seria um líder melhor, mas ele tinha medo de Cooper pegar a família ir embora e então... Quando vi ele caminhando zumbi eu tive que fazer, mas eu não queria me arriscar nem nada.
−Mas se arriscou mesmo assim, amanhã vou falar com o Rick e ele pode te ensinar sobre as nossas armas.
−Eu vou aprender.
Ela me aponta a lanterna, desvio os olhos da luz, nunca vi alguém gostar tanto de uma simples lanterna, empurro e ela volta a iluminar o próprio rosto.
−Cortinas são mesmo uma boa ideia né?
−São!
−Cai em cima de um zumbi congelado uma vez! Ela me diz rindo – Já viu um? Ela me olha – Um zumbi congelado, já viu?
−Sim Alice! Eu respondo estou sem conseguir tirar os olhos dela, e sei que devia mandar ela sumir, mas não consigo – Outro corpo, parece que cair sobre os mortos é rotina para você, ainda deve ter vestígios da senhora Watts ai! Ela me faz careta olhando para mão, me perco naquela aparência de anjo travesso — Mas me conte como foi?
−Não parece querer ouvir, está com cara de bobo! Ela me encara e decido ignorar o comentário – Mas vou contar mesmo assim.
−Tínhamos um acampamento no quintal de uma casa grande, a casa estava queimada, por isso ficamos no quintal, então, mas isso não tem nada que ver com a história, saímos numa busca, cinco pessoas e na volta eu estava cheia de peso nas costas, mas precisava ficar com as mãos livres e fui arrumar as mochilas e tinha muita neve estava um frio da po... dos infernos, tropecei e cai de cara nele.
−Que por sorte estava congelado.
−Totalmente! Ela movia as mãos quando falava, tinha gestos amplos e empolgados – Chase riu de mim, Ethan me ajudou a ficar de pé, mas quase morri do coração com aquela coisa me encarando de boca aberta, ouvi os gemidos, ninguém acreditou muito, mas ouvi, juro.
−Chase era mesmo seu amigo? Afinal ele riu de você? Eu possivelmente teria um ataque se a visse caída sobre um zumbi.
−Ele era sim, mas gostava de rir de tudo, era um idiota.
−Passamos o primeiro inverno na rua, vimos muita coisa também.
−Agora vai ser bom, aqui vamos estar bem seguros e longe do frio, vou sair com vocês na próxima missão e não pode me impedir.
−Posso! Eu respondo estava bom demais.
−Nem pensar que vou te obedecer!
−Duvido que qualquer um te leve se disser não!
−Porque você é um mandão e todos tem medo do seu mal humor, é bem mal humorado sabia?
−Sim, e isso não vai mudar e você não vai em porcaria de missão nenhuma e isso não é filme de agente secreto para ficar falando missão, missão!
−Chamo como quiser e vou sim, se não me levar eu vou sozinha.
−Não tem carro.
−Posso conseguir um, aliás é isso que vou fazer, podia ser uma moto, que acha?
−Acho que deve ter pouca oxigenação no cérebro é isso que acho! Estava irritado e nem sei como chegamos a isso – Vou colocar guardas nas grades para te impedir de sair por que tem cinco anos e é muito teimosa!
−Porque cuida tanto de mim? Eu estou prestes a explodir e ela está tranquila como se ainda estivéssemos conversando sobre a vida – Não entendo isso, porque se preocupa tanto?
−Não consigo evitar, apenas isso!
−Vou te deixar dormir, já são nove e treze!
Ela sai da minha cama, procura com a lanterna os sapatos e caminha para fora, se volta e me olha da porta.
−Moto é mais divertido! Atiro meu travesseiro nela, ela simplesmente me enlouquece, Alice ri pega ele no chão e me atira de volta, erra o alvo terrivelmente, acerta na pia derruba tudo que tem lá causa um barulho que ecoa pelo bloco – Daryl é tarde deixe as pessoas dormirem! Diz em voz alta me deixando, parece uma criança fazendo arte, como pode querer ir para as ruas enfrentar zumbis?
E como é que vou ficar perto dessa mulher infernal sem acabar carregando ela para minha cama?
É uma péssima noite, o beijo, o sorriso, os olhos, tudo dançando em minha mente, brincando com minha paciência, custo a pegar no sono.
Como de costume passo pela cela dela sem olhar para dentro, não é algo fácil, necessita concentração e auto controle, mas consigo chegar ao refeitório sem um único olhar de busca, me sento com Rick que está sozinho.
−Pensei que você podia dar um treinamento para essas pessoas, ao menos ensiná-las a usar nossas armas! Peço a Rick.
−Daryl eu realmente quero ficar um pouco distante disso, principalmente das armas.
−Sei! Respondo desanimado.
−Mas ensino Alice, não se preocupe! Ele me responde, porque será que ele acha que é de Alice que estamos falando, na verdade é nela que estou pensando, mas como ele sabe?
−Estava falando de modo geral! Tento me defender sem olhar para ele.
−Claro! Ele usa um tom irritante de deboche, ela está me tornando a piada da prisão, garota infernal!
−Ele está bem bravo! Eu aponto Carl com o olhar, o garoto está de pé de cara fechada, o chapéu escondendo seu olhar de revolta.
−Revoltado, mas estou bastante certo sobre isso, com o tempo isso passa.
Então Alice surge, ela passa os olhos pelo refeitório, vê Carl e seu mal humor e caminha para ele decidida, eu e Rick ficamos observando, quando Carl se dá conta ela o está abraçando, ele acaba rindo.
−Eu disse que um dia roubava um abraço seu! Ela brinca sem soltá-lo – Porque não tira esse chapéu para ficar mais bonito?
−Eu gosto!
−Seu cabelo vai cair todo! Ela o solta antes de se afastar dá um beijo barulhento nele que limpa a bochecha com uma careta de nojo – É assim? Ela vai em sua direção.
−Nem vem! Carl se afasta, os dois riem e ele com um ar mais relaxado segue para fora, olho para Rick e ele sorria, Alice se aproxima de onde estamos.
−Bom dia!
−Bom dia! Rick responde – Que vai fazer agora? Pergunta a ela.
−O que for preciso!
−Nesse caso vamos aprender sobre armas! Rick se levanta e ela sorri sinto que já faz planos.
−Podemos brincar disso lá fora, acertando os zumbis?
Rick ri de Alice, não gosto, na verdade eu detesto como ela encanta a todos, queria ter exclusividade sobre isso, não sei porque mais queria.
−Serão aulas teóricas apenas! Rick diz desanimando Alice que me olha suplicante.
−O professor é ele! Eu respondo e ela me dá as costas de mal humor.
Não falo com Alice o resto do dia, mas a vejo trabalhando o tempo todo, hora no pátio, hora lá dentro, carrega coisas, limpa, serve pessoas, sempre que está perto de alguém a pessoa parece feliz.
No jantar ela se senta com Paul e a mãe dele, além de mais duas senhoras, detesto isso, completamente, a velha fica o tempo todo jogando Alice para Paul, mas acho que ela nem se toca.
Seu rosto está abatido, ela parece cansada, eu fico com Beth e a Bravinha, Beth me conta as novidades sobre nossa Judith e adoraria ter ouvido pelo menos uma palavra do que disse, mas acontece que não consigo me concentrar.
Glenn e Sasha me chamam para uma reunião sobre nossa saída, eu aceito todas as ideias dos dois e em dez minutos estava encerrada a reunião, Alice já tinha se recolhido e faço o mesmo.
Entro em minha cela sabendo que em alguns minutos Alice estaria lá com algum assunto sem nexo, me tirando do sério, mas os minutos vão passando e nada de ela aparecer e fico me perguntando o que pode ter acontecido.
Ela não vem e eu decido que devia apenas saber se tudo estava bem, não que esteja sentindo falta nem nada, mas era o mínimo que podia fazer.
Paro na porta da cela, a lanterna está acesa ao lado de Alice, ela me olha e sorri.
−Sentiu minha falta? A pergunta me pega desprevenido, ela sempre me pega desprevenido.
−Vim saber se está bem!
−Meu braço está doendo muito, achei melhor ficar quieta um pouco, senta aqui! Ela se encolhe na cama me dando espaço e acabo me sentando.
−Não parou de trabalhar um minuto, por isso a dor.
−Preciso pagar pelo teto, a comida e o colchão ruim!
−Juntei o colchão de cima com o de baixo, amanhã faço isso para você!
−Está com medo de ser roubado! Ela me ilumina e ameaço a lanterna, ela a esconde.
−Falou com o Hershel sobre o braço?
−Não, passa logo, não quero preocupar ninguém!
−Vou pegar um comprimido com ele! Eu me levanto e saio da cela, Hershel lia na cela dele, peço o remédio e explico o motivo ele pega um comprimido com aquela cara que todos andam me fazendo que me irrita e prefiro ignorar, volto e Alice está sentada, entrego o remédio.
−Sabe que uma pessoa pode morrer engasgada com uma coisa assim?
−Não vai acontecer! Ela olha para o comprimido.
−E se amassássemos o comprimido?
−Iria parecer que é um bebê!
−Grande merda! Ela dá de ombros – Se eu morrer engasgada, voltar zumbi e te morder a culpa é sua! Ela coloca o comprimido no fundo da garganta e toma meia garrafa de água, me faz rir.
−Ridícula!
−Babaca! Ela se anima – Eu treinei com todas aquelas armas, precisa ver, cada coisa que tem lá, aprendi a armar e desarmar, esse negócio de trava de tudo que é jeito é um problema, sabe que os zumbis são um tanto impacientes com essa coisa de comer entranhas e não sei se podem esperar eu me lembrar das aulas, mas Rick me disse que foi bem divertido e vai me ensinar mais.
Devia eu mesmo ter ensinado a ela, quer dizer que Rick acho divertido?
−Quando eu voltar amanhã te ensino!
−Amanhã tem missão?
−Sim! Ela me olha já conheço aquele olhar, a garota vai aprontar, faço uma negação com a cabeça ela dá de ombros.
−Paul vai entrar para meu grupo! Ela avisa.
−Seu grupo foi extinto e Paul não vai entrar em merda nenhuma de grupo!
−Você é... é... Não sei, vou pensar em algo.
Eu me levanto, melhor ir antes que nos acusem de acordar a todos, ela me dá as costas e apaga a lanterna, sigo para minha cela e me deito.
Rick quer ensinar Alice, Paul quer entrar para seu grupo e ela vem com aquele papo de vida amorosa desastrosa? Eu sei bem qual o desastre, só sei de uma coisa, ela não vai comigo, de jeito nenhum. Porque penso tanto nela?
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