Caminhando entre os mortos
61 Capítulo 61 - Refém mais uma vez
Notas iniciais
Pov – Alice
─Acho que não devíamos ter saído dos trilhos, e se nos desencontrarmos do Daryl? Eu digo enquanto caminhávamos por uma estrada.
Em outros tempos seria um passeio encantador, é uma estrada pequena, coberta por terra batida e folhas secas, cercada por arvores perfumadas que escondem um pouco o cheiro da morte que nos acompanha dia e noite, a tarde está chegando ao fim, logo vai ser noite e não suporto mais uma noite sem Daryl.
─Esperava que tivessem algumas casas por aqui, quem sabe uma loja qualquer! Michonne diz caminhando ao lado de Rick, eu e Carl nos olhamos, sorrimos um para o outro, não me canso de ficar feliz por tê-lo de volta.
─Eu sei que estão com fome, mas e o Daryl? Insisto.
─Deixou mais uma pista para ele, se Daryl encontrar ele...
─Não tem se Rick, ele vai encontrar, não tratem isso como apenas uma possibilidade! Eu digo muito firme – Nós nos encontramos não foi?
─Desculpe Alice, deixou a camisa dele, Daryl vai te encontrar, ele mesmo pode ter saído dos trilhos e vindo por aqui para achar comida.
─Adoraria acreditar nisso, mas aquele imbecil acha que é mais fácil ficar caçando cobras na floresta ao invés de arrombar uma porta!
─Nisso ela está certa! Michonne diz quase sorrindo, essa gente bem podia sorrir mais, então vemos um carro abandonado na estrada, bem podia ter comida lá assim eles desistiam de continuar andando e podíamos voltar para os trilhos.
─Olhem! Carl diz correndo na frente, Michonne enfia sua Katana na cabeça de um zumbi no chão, o cara devia estar ali desde antes do apocalipse porque era apenas um resto de qualquer coisa quase criando raízes.
Investigamos o carro, não tinha grande coisa, mas era um lugar razoável para passarmos a noite já que começava a escurecer, Rick faz uma pequena fogueira, nos sentamos em torno dela.
─Falta pouco para chegarmos em Terminus, se estão recebendo pessoas devem ter uma estrutura, quem sabe? Rick diz olhando para o fogo.
─Não podemos ter certeza! Michonne é sempre pessimista, mas nesse caso eu bem que entendo, gente chamando pessoas é meio estranho.
─Eu também acho que temos que ficar de olho, esses cartazes que disseram ter visto por aí são muito suspeitos, a gente mal consegue o que comer, o que essa gente fica chamando mais bocas para alimentar? Eu comento – A não ser que a gente seja o jantar! Os três me olham e dou de ombros – Foi só uma brincadeira!
─Carl vá para o carro descanse um pouco! Rick diz e ele olha para mim, depois para o carro.
─Está com medinho é? Eu brinco, ele ri faz uma careta e segue para o carro se senta e logo fecha os olhos – Nem acredito que ele está aqui! Digo feliz, Rick me sorri – Quando o Daryl chegar podemos recomeçar, construir de novo um lugar, não precisamos desistir, nunca vamos fazer isso.
─Alice... Sobre o Daryl...
─Não diz! Eu advirto, não aceito a hipótese, de modo algum, ele vai ficar louco, culpado e arrependido, depois vai se colocar de pé e me achar, esse é o Daryl eu o conheço e ninguém vai me dizer o contrário – Minha irmã sempre me disse que o homem perfeito para mim tinha uma característica muito especial, ele não morreria eu sei o que estão pensando, que ele devia ter um S no peito, mas não, ele tem uma besta nas costas!
Então ouvimos um barulho, como passos sobre gravetos, ficamos alerta, mas o barulho desaparece e relaxamos mais uma vez, Me levanto pensando em ir ficar no carro com Carl quando tudo acontece de uma vez, um homem me imobiliza com uma arma na minha costela enquanto outro encosta uma na têmpora e mais aponta uma arma para Michonne, olho e vejo mais um encostado no vidro do carro olhando Carl dormir enquanto o quinto homem apontava sua arma de um modo a nos manter todos rendidos.
Que grande merda, Daryl vai ficar puto comigo quando souber que fiquei de refém de novo! Eu penso, é um pensamento bem estupido no momento já que o cara que aponta a arma para Rick está dizendo que veio se vingar porque ele matou um de seus amigos em um banheiro, ninguém me conta essas coisas.
─Podemos conversar? Eu digo para o cara que me prende com um braço em volta do meu pescoço e a arma na minha costela.
─Sem pressa gostosa, você é o prato principal fica por último!
─Vai ter que me matar feioso! Não que eu pudesse vê-lo para ter certeza.
─Isso é depois! Ele ri me apertando mais a ele, sinto nojo tento me afastar.
─Vai se foder! Eu xingo e só consigo que ria de mim.
─Acho que podemos abri a contagem! O cara que mantem Rick refém diz, eles parecem se divertir muito com tudo aquilo, eu e Mich trocamos um olhar, ela tenta um movimento o cara a mantém no lugar.
─Espere sua vez! Ele diz a ela.
─Dez Mississipi, nove Mississipi, oito Mississipi!
─Joe! Eu escuto a voz antes de ver o rosto, meu coração descompassa, é ele, que se dane se vou morrer ao menos ele está aqui, vou vê-lo mais uma vez, quero chorar, quero me libertar, quero correr para seus braços, ele me achou, é Daryl, fico ali, imóvel assustada e loucamente feliz – Espera.
Então ele passa por mim, me olha e não esboça nenhuma reação, mas fixa um segundo seus olhos em mim, eu sei que está me chamando de garota infernal, maluca, e estúpida, depois encara o tal Joe.
─Me parou no oito Daryl! Joe diz.
─Espera! Ele diz mais uma vez – Vamos conversar!
─Esse cara matou o Lou! O cara que me segura diz – Não tem o que conversar.
─Cala a boca infeliz, não atrapalha! Eu digo e Daryl me lança um olhar furioso, me calo, Daryl olha de novo para Joe.
─Esse pessoal, deixa eles irem, são boas pessoas.
É o pior argumento que já vi alguém usar, eu que devia negociar.
─Acho que o Lou ia discordar de você, tenho que falar por ele porque seu amiguinho aqui estrangulou ele no banheiro! Joe argumenta e isso é um bom argumento.
─Você quer sangue cara eu entendo – Daryl me olha de novo, depois olha para Joe, solta a besta e o saco que carregava – Pega o meu cara! Ele abre os braços – Anda, pega o meu! É o pior negociador da história e um troglodita e eu vou matar ele quando sairmos dessa porra de enrascada que nos metemos.
─Esse homem matou uma pessoa e eu digo que isso é uma mentira, ensinem ele pessoal! Daryl toma uma coronhada no estomago, ele se contorce de dor em seguida ganha mais uma agora na cabeça, cai enquanto o idiota começa a chuta-lo.
─Daryl! Eu grito – Não! Larga ele! Larga ele! Eu me debato que se dane se vou tomar um tiro, Carl é retirado do carro o nojento o atira no chão, fico fora de mim, piso no pé do infeliz, me debato fora de controle, tento me libertar enquanto escuto os gemidos de Daryl a cada chute e soco, os gritos de Carl e as ameaças de Joe, o cara me aperta o braço, me acerta um tapa no momento que Rick dá uma cabeçada em Joe a arma dispara o atordoa, eu caio.
─Alice! Daryl acerta um chute na cara do infeliz que batia nele, se ergue para vir em minha direção, mas então o homem que me prendia o acerta mais uma vez, ele cai e eu dou uma rasteira no idiota que acaba caindo sobre mim, sinto o ar faltar.
─Daryl, Carl! Eu grito, Joe ria, não posso vê-lo nem a Michonne, estou no chão me debatendo com o babaca sobre mim, então Daryl o puxa e dá um soco, mas toma outra coronhada tomba mais uma vez. Recebe chutes eu tento me arrastar em direção a ele.
Tomo um chute de um dos caras e então tudo acontece, Daryl vê a agressão, fica fora de si ao mesmo tempo que me contorcendo dor vejo Rick, fazer algo que jamais achei que veria, Joe o prendia pelos braços, sem alternativa Rick morde sua jugular, uma mordida tão profunda e cheia de ódio que arranca parte do pescoço do homem, o sangue jorra e o homem tomba enquanto Daryl amassava com um pé a cabeça de um dos caras, o outro avança sobre ele, mas Daryl e Rick são agora dois animais.
Daryl soca o homem com tanta violência que ele despenca, Michonne aproveita a confusão para tomar a arma do homem que a mantinha refém, ela não espera, da um tiro em sua cabeça ele tomba.
Só resta o homem que tentava abusar de Carl, ele o coloca de pé, o mantem como refém.
─Ele é meu! Rick diz caminhando em sua direção, ele empurra Carl que corre para os braços de Michonne eu me ponho de pé, Daryl me envolve, olhamos para um Rick completamente fora de si, esfaqueando o homem repetidas vezes até que só restasse uma massa desforme e então ele se afasta coberto de sangue, se senta encostado no carro, paralisa com os olhos perdidos.
─Daryl! Eu me aperto a ele que me envolve – Me achou eu sabia que acharia! Ele beija meus cabelos, estou tremendo, tanto que parece que vou ter um colapso, quero chorar, mas não consigo, continuo apenas tremendo nos braços dele que só me envolve me acalmando.
─Leva ele para o carro! Daryl diz a Michonne ela entra no carro com Carl, me afasto um pouco dele, quero saber como está, está péssimo o rosto todo machucado um pequeno corte nos lábio inferior, arranhões pelo pescoço, ele toca meu rosto no lugar que levei um tapa, seus olhos cintilam de ódio.
─Não pensa nisso, eu estou bem, estamos todos aqui! Eu digo e sorrio para ele.
─Ainda pode sorrir! Ele diz com os olhos fixos nos meus.
─Eu sempre posso sorrir meu amor! Aviso e ele me abraça de novo, agora é um abraço de alivio, suspira e parece que o pior passou porque sinto que ele relaxa um pouco os músculos.
─Vou afastar um pouco esses corpos, recolher essas armas e achar água.
─Te ajudo! Empurramos os corpos para longe, recolhemos entre as coisas dos caras tudo que é útil, armas, munição e alguma comida, Rick continua no mesmo lugar, Michonne e Carl estão no carro.
Daryl remexe os bolsos de Joe, pega um maço de cigarros.
─É meu! Ele diz para o corpo inerte e agora com uma punhalada na têmpora – Esses babacas tinham um código, era preciso reivindicar o que queria com essa frase estúpida, tiveram o que mereceram!
─Me dá um cigarro estou precisando de um trago! Ele ri de mim, gosto de fazer Daryl rir.
─Cala a boca Alice! Faço careta.
─Eles estavam atrás de nós, eu não sabia! Aviso.
─Nem eu! Ele diz – Sabia que perseguiam um cara, mas nunca pensei, fui ficando com eles enquanto seguiam na mesma direção que eu.
Nos sentamos um pouco distantes, Daryl me abraça, logo vai clarear e então podemos seguir em frente.
─Eu sei como foi, me perdeu, se culpou, se odiou, achou que ficaria melhor sem você, que era igual esses babacas, depois descobriu que não era, se arrependeu e decidiu me achar.
Ele afasta meus cabelos do rosto, me puxa para seus braços.
─Me conhece! Ele diz quando me beija de leve, depois se afasta, resmunga de dor – Minha boca!
─Que merda Daryl, da próxima vez que for tomar uma surra proteja essas partes importantes, ao menos as que eu uso, a boca, as mãos e o... – Ele tampa a minha boca com a mão, me faz rir.
─Cala a boca Alice, só fala merda!
─O coração! Eu digo tirando a mão dele da minha boca – Eu ia dizer o coração! Falo rindo.
─Sei, não foi para meu peito que olhou! Ele diz um tanto tímido.
─Não sou boa em anatomia! Eu rio ainda mais e ele me beija de novo, dessa vez não se afasta, mesmo que deva doer um pouco, já aprendeu como me calar.
─Como foi sozinha, como os encontrou?
─Vou te contar tudo! Me ajeito para poder olhar suas reações – Não acredita, me perdi, bom acho que acredita, me esqueci tudo que ensinou, nem sabia mais que lado era a porra da estrada, uma merda, o que prova que é o pior professor da face da terra e alias, que merda de negociação foi aquela? Ele revira os olhos – Tome meu sangue, porra Daryl?
─Não sou o pior professor, você que é a pior aluna e o que queria que fizesse, foi uma tentativa, eu andei um tempo com os caras, achei que eles podiam aceitar tinham um código estupido.
─Eu sou uma aluna muito aplicada, sabe disso, essa besta é bem pesada e mesmo assim eu tentei e sua negociação foi muito ruim, o Rick mata o amigo deles se oferece para tomar uma surra?
─Você é a aluna mais desatenciosa do mundo! Ele diz bravo – E o cara tinha uma arma em você que sempre é a pior refém do universo eu estava nervoso!
─Dessa vez não fui a única refém, não pode me acusar.
─Os problemas eles caçam você! Ele diz irritado.
─Eles não me caçam, já sabem onde me encontrar e para de me criticar, só me critica, fico perdida, sozinha, com fome e medo, no meio da floresta e nem disse que me ama.
─Dramática e apelativa! Ele me beija de novo, me encosto nele.
─Cadê minha blusa? Me lembro, Daryl me olha com a testa franzida.
─Sua blusa, só achei a minha que deixou nos trilhos.
─Mas que porra de rastreador em, a sua você bem que achou a minha que era a preferida não viu, vai ter que passar no shopping e me comprar um diamante para compensar essa falta.
─Deus como senti falta disso! Ele diz me apertando a ele.
─Não queria me livrar da sua porque tinha seu cheiro, mas depois não teve jeito, achei que tinha encontrado a minha que dormia agarrado a ela, sonhando comigo, sonhou comigo?
─Não dormi maluca, não podia sem saber como você estava.
─Por isso que os caras te pegaram de jeito estava cansado! Eu beijo seus lábios de leve, toco os machucados – Ainda está bem bonitão, parece um cara mal!
─E você continua a mesma.
─Linda?
─Louca! Ele ri da minha cara de desgosto.
─Troglodita!
─Idiota!
─Mas beijo bem e me ama, não vive sem mim, não dormia de saudade por que sou perfeita!
─Amo você! Ele diz me beijando e então ficamos ali abraçados, vendo o dia clarear, penso em Carl, no que ele está sentindo agora, é só um menino, não devia ter que passar por coisas assim, então olho para Rick, no mesmo lugar, na mesma posição, ainda coberto de sangue.
─Acho que precisa falar com o Rick, ele já deve ter se acalmado um pouco.
─Eu vou, quero me explicar.
─Essa sua mania de se sentir culpado já devia ter acabado, ateamos fogo nela e em todo o resto se lembra?
─Me lembro! Ele se põe de pé, pega a besta uma garrafa de água e caminha para perto de Rick, eu fico onde estou olhando para ele, o homem que amo, que foi feito para mim e que me achou como eu disse que faria, não sei o que vamos encontrar nessa droga de Terminus, mas seja o que for estamos juntos e isso é o que me importa, nada mais.
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