Caminhando entre os mortos
62 Capítulo 62 - Bem-vindos a Terminus
Notas iniciais
Pov – Daryl
Eu a encontrei, encontrei minha maluca e junto uma parte da minha família, Rick, Carl e Michonne, não gosto de pensar nos que se foram, ainda dói e nunca vai parar de doer, vai apenas se acomodar como todo o resto.
Me sinto culpado pelo que aconteceu, aqueles idiotas quase fizeram... Afasto o pensamento enquanto caminho para Rick com uma garrafa de água, antes de pegarmos a estrada quero conversar com ele, esclarecer as coisas.
─Toma, limpa isso! Entrego a água e um lenço, o lenço da discórdia, Alice o odeia.
─Devia guardar para beber! Ele diz.
─Você não pode se ver, mas ele pode.
Carl já está abalado demais para ainda ter que olhar para o pai e as marcas do que ele fez, Rick pega o lenço e o pano, me sento a seu lado, ele se limpa um pouco.
─Não sabia bem o que eles eram.
─Como foi parar com eles? Rick questiona.
─Me perdi da Alice, sai procurando por ela, mas é a Alice, você sabe, fez tudo errado, se perdeu e não a achei, então eles me encontraram.
─Na estrada?
─É, eu sabia que eram ruins, mas não era como se pudesse dar o fora, e precisava tentar achar a Alice, eu estava meio confuso, eles tinham um código, era simples, idiota, mas era alguma coisa... – Eu me sinto um estúpido, como me deixei ficar tanto tempo com eles?
─Estava sozinho! Rick me conhece, sabe que a culpa já começa a me corroer
─Disseram que estavam atrás de um cara, ontem à noite eles me disseram que tinham encontrado ele, eu fiquei mais para trás, já estava decidido a encontrar a Alice, tinha achado a pista que ela me deixou, mas por algum motivo eu acabei indo ao encontro deles, acho que queria ver quem eram, foi aí que vi que eram vocês – Baixo meu olhar sinto vergonha – Não sabia o que podiam fazer.
─Não foi culpa sua Daryl – Eu sabia que ele diria isso – Ei, não foi culpa sua Daryl, você está de volta com a gente aqui e agora, isso é tudo – Preciso acreditar nisso, que não sou culpado pelo que aconteceu, tem tanta culpa para ser carregada – Você é meu irmão! Rick me diz, eu olho para ele, sim, eu sou, passamos por muitas coisas juntos desde que tudo isso começou, dividimos muitas coisas, ruins, boas, matamos, ganhamos, perdemos, muita coisa, não sou culpado, nem ele.
─O que fez ontem, qualquer um teria feito aquilo.
─Não, qualquer um não.
─Não era você.
─Era eu sim, você viu o que fiz com Tyresse, tudo isso, é pelo Carl, é por isso que ainda estou aqui, que ele está.
Ele está certo, é esse monstro que dorme dentro da gente que nos deixa seguir em frente, que nos dá força quando tudo parece finalmente morto, não podemos evita-lo, apenas temos que acomodá-lo dentro da gente e aprender a conviver com ele.
─Está na hora de ir para esse tal de Terminus – Eu digo, ele concorda.
─Vamos tentar, mas não vamos baixar a guarda, vou me limpar e acordar o Carl, acha que ele está bem?
─Se não estiver logo fica, Alice não vai deixar que ele pense em nada.
Eu e Rick rimos e então eu o deixo e vou ficar com ela, minha mulher, a mais louca e engraçada garota que esse mundo já viu, nem parece que passou por momentos tão traumáticos.
─Falou com ele? Ela pergunta.
─Sim, ele está bem, todos nós estamos.
─Ótimo, assim essa viagem até terminus não fica tão chata.
─Chata? Eu a puxo para mim – É com isso que está preocupada?
─Daryl eu fiquei sozinha sabia, sem ninguém para conversar, fiquei tentando cantar, mas não lembrava de porra nenhuma de letra de música, até encontrar o grupo eu achei que ficaria louca.
─Que bom que os encontrou, está pronta?
─Sim senhor! Ela bate continência – Vai me dar um monte de ordens?
─Vou te dar apenas uma! Eu a envolvo, beijo seu pescoço, sinto falta de Alice, das horas que passamos perdidos um no outro, quero tanto um tempo com ela – Divirta-se, apenas isso.
─Você me ama muito! Ela diz e está completamente certa.
Recolhemos todas as nossas coisas, então nos colocamos a andar, Michonne e Rick vão na frente, eu, Alice e Carl logo atrás, estamos todos calados.
─Está bem? Rick pergunta a Michonne.
─Estou.
─Eu também estou! Ele diz.
─Eu sei! Ela avisa.
─Sabe como?
─Porque eu estou bem.
─Ótimo, agora que já sabemos que estão bem e conectados, podemos conversar um pouco, isso está uma merda.
Alice, sempre sendo Alice.
─Podemos Alice! Rick diz sem olhar para trás.
─Ainda está se achando a pior pessoa do mundo? Ela me pergunta.
─Vai começar? Eu reclamo.
─Se lembra do incêndio que causamos? Ela quer me lembrar que deixamos tudo aquilo para trás e está mais uma vez certa.
─Incêndio? Carl se interessa.
─Cacete, não te contei? Ela se empolga, Carl sorri também animado, Rick olha para trás e sorri, ele gosta do que Alice causa em Carl.
─Como foi?
─Daryl estava bem triste, se sentindo culpado, o jeito Daryl Dixon de ser, sabe como é, estávamos numa casa e pensei, vamos atear fogo em tudo, tínhamos bebida, eu tomei um porre, é horrível Carl, nem sabe, da dor de cabeça, muito ruim, minha cabeça dois só de lembrar daquela merda de bebida ruim que o Daryl garantiu que era da boa.
─Bêbada! Carl ri dela.
─Cala boca, estou falando, então aí pegamos a bebida e depois um maço de dinheiro, Carl isso foi completamente Rock in roll, nós dois no meio do nada, queimando um maço de dinheiro e tacando fogo em uma casa.
─Dinheiro não serve mais para nada Alice! Carl diz rindo.
─Foi simbólico garoto! Ela o empurra – Aposto que foi tudo chato com seu pai, nenhuma emoção, dá próxima vez que tivermos que fugir cola em mim e vai se divertir.
─Não foi tão ruim! Carl começa a contar.
─Ah! Ela ri – Abre o bico espertinho, o que aprontou?
─Acho que agora que já passou posso contar – Rick dá uma olhada, mas depois se volta para frente – Lutei com um zumbi, perdi o sapato, mas ele não me pegou, e também fui afastar uns zumbis e tropecei e caíram sobre mim e quase morro asfixiado.
─Ok, foi divertido, tenho que admitir.
─Para de incentiva-lo Alice! Eu reclamo, ela dá de ombros.
─Deixa de ser chato amor.
─Mas isso nem foi o melhor, o melhor foi comer sozinho uma lata de pudim, meio quilo.
─Porra! Ela fica desanimada – Que inveja, que sabor, se for chocolate pode mentir e dizer que era baunilha.
─Nesse caso era baunilha!
─Isso foi bem ruim, puxa eu não encontrei nada disso, não quero mais conversar com você.
Carl ri, achamos uma placa de terminus, não estamos mais tão longe.
─Vamos chegar antes do anoitecer – Eu aviso ao grupo.
─Melhor irmos pela floresta agora, vamos dar uma olhada antes.
Pegamos a floresta, é bom saber que não vamos passar uma noite ao relento.
─Sentiu saudades de mim? Alice me pergunta.
─Que acha?
─Que sim, me acha uma delícia? Todos começam a rir.
─Estava com saudade disso! Michonne conta.
─Viu idiota, todo mundo fica ouvindo essas suas sandices.
─Você é muito tímido, o que tem demais eles saber que me acha uma delícia, você acha, não acha?
─Só fala merda!
─Me ama, me acha uma delícia e diz que meu beijo é ótimo, mas agora está todo ferrado e nem posso ficar te beijando.
─Quer parar de dizer que estou todo ferrado?
─Você tem um problema com isso, o que que tem que está todo ferrado, eu vivo assim.
─Porque não tem limites, sempre faz alguma merda e acaba numa encrenca.
─E você me salva, é tipo meu herói! Ela ri e passa o braço pela minha cintura, passo o meu por seu ombro, sorrimos um para o outro.
─Maluca! Eu a beijo de leve, a boca não está mais tão ferida, mas o olho vai demorar um pouco para melhorar.
Chegamos finalmente ao local, está bem tranquilo ao que parece.
─Estou achando que os zumbis tiraram férias, não vejo nenhum a um tempinho.
─Estão em Paris Alice, essa época do ano eles migram! Eu digo e ela faz careta.
─Vamos nos espalhar e observar as coisas, depois decidimos como entrar.
Acho esse Terminus muita esmola, mas no momento é tudo que temos, então acho que Rick está certo sobre observar primeiro, além disso Alice está aqui e ela é uma hecatombe, ao lado dela as coisas sempre pegam fogo.
Eu e Alice damos umas voltas, tudo calmo e silencioso, nem parece que tem gente lá, pode ser que tenham morrido todos, nunca se sabe, nunca deixamos a prisão um minuto sem segurança e mesmo assim acabamos daquele jeito imagine essa gente que fica chamando todo mundo de portas abertas?
Rick e eu enterramos nossas armas, recolhemos muita coisa do grupo do Joe.
─É bom garantir! Rick avisa.
─Marca bem o lugar, se precisar dessas armas tem que saber encontra-las, do jeito que é vai abrir uma cratera e não vai acha-las.
─Tenha mais fé em mim homem! Ela brinca, mas quando não brinca.
Nos juntamos para poder pular pelos fundos, a grade não é muito alta e não vai ser difícil.
─Vamos ficar juntos e atentos – Rick pede.
─Estou achando tudo isso muito emocionante, a gente devia ter apelidos, tipo codinomes.
Ninguém lhe dá ouvidos e aposto que está internamente nos acusando de mal humorados, eu olho para ela, tão linda, tão minha e tão maluca, algo vai dar errado eu sei que sim.
─Por favor não termina como refém! Peço.
─Não posso prometer nada, eu já aviso porque nunca se sabe!
Que garota infernal, vamos andando pelo lugar, entramos em um imenso galpão, uma mulher passava mensagens por um microfone, deve ser um rádio.
“Comunidade para todos, santuário para todos, aqueles que chegam sobrevivem!”
Entramos todos com nossas armas, Alice já não parece estar achando aquilo muito divertido.
Um dos caras se aproxima quando nos anunciamos, não parece muito contente em nos ver.
─Vieram nos roubar?
─Não, queríamos vê-los antes de sermos vistos! Rick avisa.
─Bom não é assim que recebemos as pessoas, mas... Bem-Vindos ao Terminus, sou o Garett.
─Eu sou o Rick, esses não Carl, Daryl, Alice e Michonne.
Garett dá as boas-vindas, chama um tal de Alex para nos assessorar e fico achando tudo um teatro, não gosto disso.
Eles querem que mostremos as armas, estamos todos desconfiados, mas respeitamos o pedido e deixamos nossas armas no chão.
O cara fica tentando ser simpático puxando assunto enquanto nos revista, depois se afasta um instante.
─Só para saberem não somos bobos, então não façam nenhuma besteira e não teremos problemas, só soluções.
O garoto então se aproxima para devolver nossas armas, eu mesmo pego minha besta, é minha e ninguém toca nela.
─Venham comigo! Alex convida e o seguimos, Alice sempre perto de mim.
Vamos fazendo perguntas ele vai contando sua historinha, não sei se alguém está acreditando, é tudo muito superficial, chegamos a um pátio, tem pessoas caminhando, gente sentada em mesinhas, comida e uma mulher diante de uma churrasqueira, ela sorri muito gentil, o extremo da gentileza para meu gosto.
Alex pede que faça um prato, nos sirva carne, ela concorda, comida farta para o apocalipse, mais uma coisa a preocupar.
─Foram espertos, vão se dar bem aqui!
Então ela serve, Carl, depois Michonne e vejo Rick passar por nós e num movimento Alex está de refém, tem uma arma na cabeça, Rick segura o relógio e logo eu aponto a besta, todos prontos para o que quer que aconteça, as pessoas de Terminus nos apontam suas armas.
─Onde conseguiu esse relógio?
─Solte a arma e dou suas respostas.
─Estou vendo seu homem no telhado, ele é bom de mira? Rick está tenso, eu olho em volta, observando quantos estão armados e como posso proteger Alice – Onde conseguiu o relógio?
─Peguei de um cara morto! Alex está assustado.
─E quanto a armadura e o poncho?
─Peguei a armadura de um policial morto! Garett diz logo atrás, Rick se vira, não abaixa a arma.
Garett parece querer acalmar os ânimos, tem uma mão aberta como se com isso pudesse controlar todos, Alex pede, Garett ignora, algo está bem errado e então Garrett fecha as mãos e acho que todos entendemos que é um sinal, eles começam a atirar e nós também.
Tentamos correr, achar uma saída, os tiros dos telhados não nos acertam e esses caras atiram muito mal ou estão apenas nos guiando para algum lugar, passamos por alguns contêiner, pessoas pedem socorro lá dentro.
─Não parem! Rick grita e não acho que alguém tinha essa intensão, entramos em uma sala, portas vão se fechando é assustador, tem velas acessar por todo ambiente, coisas e nomes pelo chão, nas paredes frases escritas, nunca mais, nós primeiro, não sei o que significa, não sei onde vamos parar.
─Fica perto Alice! Eu peço com medo de me perder dela de novo.
─Aqui! Michonne acha uma porta passamos todos por ela e saímos em mais um pátio, corremos juntos, os tiros recomeçam e então estamos cercados, atiradores por todos os lados, dentro e fora de Terminus, paramos, não tem outra opção, era exatamente ali que nos queriam.
─Larguem suas armas! Ninguém se mexe – Agora! Sem alternativa soltamos.
─Eu estou bem! Alice me avisa com medo do que posso fazer para mantê-la viva.
─O líder! Garett chama Rick – Vai para o vagão, se fizer direito o garoto pode ir com você, se não, ele morre e você vai do mesmo jeito.
Rick encara o filho um instante, ninguém colocaria a vida de Carl em risco, então ele obedece.
─Agora o arqueiro! Ele manda, olho para Alice, ela me encara um instante.
─Eu falei que codinomes eram boa ideia.
Eu caminho para o vagão sem acreditar nas coisas de Alice.
─Agora a Samurai.
Michonne começa a caminhar atrás de mim.
─Sua vez rainha das fadas!
─Que porra de codinome ruim! Ouço Alice dizer e eu poderia estrangula-la pessoalmente se não achasse que eles mesmo vão fazer isso.
─Isso, nessa ordem, o líder, o arqueiro, a samurai e a rainha das fadas.
─Meu filho! Rick exige.
─Vai garoto! Ele nos encara – Líder, abra a porta e entre.
─Vou entrar com ele.
─Não faça a gente matar o garoto agora.
Rick obedece e começamos todos a entrar, é um vagão de trem, está escuro quando entramos todos, a porta se fecha.
Trago Alice para meus braços, então pessoas caminham em nossa direção.
─Rick!
─Você está aqui, vocês estão! É o Glenn, Maggie, Bob, Sasha, nem acredito nisso, tem mais pessoas com eles.
─São nossos amigos, salvaram a gente – Maggie nos tranquiliza.
─Então são nossos amigos também! Eu digo, é hora de nos unirmos.
─Pelo tempo que isso durar! Um homem fortão diz.
─Não! Rick está firme, decidido –Vão se sentir muito idiotas quando descobrirem.
─Descobrirem o que? O mesmo homem pergunta.
─Que mexeram com as pessoas erradas! Ele diz e ficamos todos em silencio, estamos juntos, uma boa parte de nós, Rick está de volta, estamos todos aqui e vamos dar um jeito nisso, abraço mais Alice, ela está comigo, então no momento eu tenho tudo.
─Maggie vocês receberam codinomes? Ela pergunta – Porque achei o meu uma merda! Fala sério, rainha das fadas?
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