Caminhando entre os mortos

55 Capítulo 55 - Indo longe demais


Notas iniciais
Olá pessoas, aqui mais um capítulo, espero que gostem. Gente, preciso decidir o que fazer com a fic, não sei se concordam, mas acho que vou entrar em hiatus até a série voltar, faltam mais uma meia duzia de capitulos e depois chegamos ao episódio de ontem que aliás... Não vou falar nada por que tem gente que ainda não viu, enfim, acham muito ruim? Deem suas opiniões.

Pov – Daryl

─Que porra é essa? Alice pergunta em voz baixa – Quem é esse babaca?

─O Governador! Beth diz em também voz baixa ao seu lado – Foi ele quem nos atacou, conhece essa história, matou Andrea e Merle e tentou tomar a prisão.

─Parece que não desistiu! Ela comenta com os olhos fixos no babaca sobre o tanque com postura de general.

Ele exige a presença de Rick para uma negociação, Rick se recusa, informa que agora temos um conselho, que não está mais em suas mãos, mas o infeliz não abre mão, é uma vingança pessoal, não aceita que perdeu uma vez, não sei como fez para reunir essas pessoas, por onde andou, mas aqui está e é ainda o mesmo arrogante de sempre, mas agora tem um tanque.

Diante da recusa de Rick ele faz um sinal para um de seus tolos e iludidos soldados, e para nossa surpresa Hershel e Michonne são retirados de um carro e colocados de joelhos diante de nossas cercas, fico perplexo, é inaceitável ver aqueles dois de joelhos, simplesmente impossível de compreender.

Mesmo diante disso Rick não quer negociar, não quer estar mais uma vez com todas essas vidas sob sua guarda, mas no momento ele não tem escolha, não enquanto nossa família está de joelhos diante daquele imbecil com pose de dono do mundo.

─Mas que filho da puta! Alice já não é a pessoa mais elegante do mundo diante de algo assim é de se esperar que diga todos os impropérios que conhece – Será que essa porra de tanque funciona?

─Não confie num blefe! Digo a ela que não consegue desviar os olhos da cena.

O Governador insiste mais uma vez, acho que nossa única chance é talvez Rick ceder e seguir até ele.

Eu e Rick nos encaramos, temos uma amizade e um nível de confiança que não precisam de palavras, ele movimenta a cabeça e sei que confia em mim para cuidar das coisas aqui e sabe que confio nele para resolver as coisas lá.

Antes de ir, tranquiliza Carl, o garoto é tão jovem e já viu tantas coisas, depois eu o levo até o primeiro portão, me lembro de quando tomamos a prisão, foi um dia memorável, não vamos perder esse lugar, é nosso lar e não podemos simplesmente nos render diante daquele lunático.

Volto para perto do grupo enquanto Rick caminha devagar ganhando tempo, Alice me olha sem entender o que afinal se passa, ela não sabe quem aquele monstro realmente é e do que é capaz, mas acho que entende meu olhar, me encara e sei que vai ficar ali e lutar não importa o quanto isso lhe custe, não quero pensar nisso, prefiro acreditar que temos uma chance.

Só me resta organizar uma fuga, reúno o pequeno grupo, Sasha, Bob, Tyresse, Maggie e Beth, e claro Alice, Carl também é um bom soldado, mas nesse momento é só um menino assustado e queria poder evitar que estivesse diante disso.

─Eles são muitos e não vamos dar conta, estamos em menor número agora, vamos sair pelos escritórios e seguir pela floresta, como está o estoque de suprimentos do ônibus?

Temos doentes e crianças, são muitos para cuidar, precisamos de todo suprimento que conseguirmos reunir.

─Baixo, o estoque está baixo, já estava antes do Big Spot e continua igual! Sasha comunica.

─Se a coisa ficar feia coloquem todos no ônibus!

─E como vamos saber quando a coisa vai ficar feia, quanto tempo esperamos? Tyresse questiona, queria saber, mas não tenho essa resposta.

─Vamos esperar o máximo que der! Aviso, caminho para nossas armas, sempre deixamos tudo pronto para uma invasão, não desse tipo, na maior parte do tempo esquecemos que não só os mortos nos colocam em risco, muitas vezes os vivos são um mal ainda maior.

Puxo as armas para perto do grupo enquanto assisto em silencio Rick negociar com o infeliz, a cada dialogo fica claro que não tem negociação, ele quer a prisão e não podemos abrir mão dela.

Começo a armar o grupo, Carl está ao lado de Alice, assistindo tudo muito atento assim como ela, eles são minha maior preocupação, são os dois impulsivos demais para apenas assistir sem fazer nada, mas no momento preciso de todos prontos.

─Está bem? Pergunto a Bob quando lhe entrego a arma.

─Sim! Ele me diz, acho que depois de salvar a vida de Alice só posso me entender com ele e passar por cima de nossas diferenças, ao menos nesse momento.

Entrego um arma a ele.

─Alice eu preciso que fique perto de mim e que mantenha os dedos leves, nada de pesar a mão.

─Eu sei amor! Ela me diz séria – Mas acho que uma bala no meio daquela cara estúpida do tal presidente resolvia.

─É Governador e não podemos arriscar, não me tira do sério agora.

─Juro! Ela me diz determinada, investigo sua expressão em busca de algum sinal da doença, ainda parece bem pálida e abatida, os olhos fundos e com olheiras, mas sem tosse ou febre, está melhor e isso é bom.

Nos posicionamos todos, deixo estrategicamente Carl e Alice ao meu lado, tenho que cuidar para nenhum dos dois fazerem uma bobagem, nem mesmo acredito que não é Alice ali de refém, que até esse momento não está engalfinhada com algum zumbi como de costume.

─O cara está certo nesse ponto, o barulho vai atrair mesmo mais deles! Alice avisa prestando atenção na conversa de Rick com o governador, estamos com o cara na mira – E o Rick está certo sobre as crianças doentes, elas não vão mesmo aguentar lá fora.

─Quer parar de narrar a conversa, parece mediadora de debate! Reclamo tentando me concentrar.

─Desculpe! Ela diz sem qualquer verdade na voz, Alice nunca consegue, é impressionante.

─Devíamos acabar com isso, ele está na minha mira, posso acerta-lo daqui.

─A quarenta metros? Questiono Carl e aquela sede que tem de resolver as coisas com sangue.

─Atiro bem! Ele me diz, sei que sim – Podemos terminar com isso.

─Ou começar alguma coisa pior.

Eu rebato preocupado.

─Ele atira bem mesmo, tem uma ótima mira, melhor que a minha pelo menos, dessa distância sou capaz de acertar o Rick achando que estou acertando o pres... Governador.

─Então não atira Alice fica só quieta e para de incentivar nosso herói aqui!

Ela dá de ombros e foca mais uma vez a visão na arma, a conversa vai ficando cada vez mais tensa, Rick tenta negociar, mas o governador está irredutível e pode se dar a esse luxo, tem mais armas, homens e um tanque, um maldito tanque, fixo meus olhos no idiota metido a besta que comanda o tanque, aquele é o cara que vou matar, não importa o que aconteça eu vou acabar com aquele infeliz.

─Eu fico idiota quando fico nervosa! Alice avisa.

─Quando está calma também! Rebato e ela bufa, o clima está em auto grau de tensão, Carl não consegue confiar em Rick, no momento eu preciso manter todos em alerta, mas calmos e apenas nos mantemos mais um tempo atentos a conversa.

O Governador alerta sobre o tempo que nos resta, eu sei que temos pouco mais de uma hora antes do dia acabar e menos que isso se pensarmos nos zumbis de toda Geórgia que devem estar caminhando em nossa direção depois da explosão.

Rick oferece vivermos todos juntos, ele discorda, não acredita que dê certo, não depois da morte de Andrea, Rick convida as pessoas, para baixarem as armas e entrarem, ninguém se mexe, a ideia irrita o governador, ele salta do tanque, aperto a arma na mão, então surge ao lado de Herhsel com a espada de Michonne, encosta na garganta de Hershel nos desespera a todos, ouço os gemidos de Maggie e Beth, Alice prende a respiração, agora tensa e assustada, Carl me olha, e depois ficamos prontos.

Noto pela voz de Rick que ele sabe que o tempo está chegando ao fim, decide como uma última cartada apelar para os soldados do governador, é nossa última esperança.

─Vamos esquecer tudo isso e ninguém mais vai morrer! Rick pede – Todos os que estão vivos, todos os que chegaram até aqui, fizemos todo tipo de coisas só para ficarmos vivos, mas ainda podemos voltar, ainda não estamos perdidos, ainda podemos voltar, eu sei. Mudar! Rick diz com toda convicção que pode impor a própria voz, o silencio recai sobre todos, vejo a expressão orgulhosa de Hershel, é isso que sempre buscou, sempre foi esse seu maior desejo, nos encher de esperança e coragem, mas aquele maldito não entende nada disso.

O Governador está cego, sempre esteve, foi afetado pelo apocalipse de um jeito sem volta, não consegue superar e seguir em frente, pega o que quer e não se importa com o preço a pagar, a espada se afasta do pescoço de Herhsel, mas não é o que pensamos, não é uma rendição, ao contrário, é o fim, a morte nos alcançando mais uma vez com seu manto escuro e sombrio, é a dor nos dominando e destroçando o que restou de humanidade em qualquer um de nós e como um movimento firme a espada desce em direção ao pescoço do homem que durante muito tempo nos manteve de pé e juntos, Hershel tomba.

Não é só uma morte, não é apenas um homem, é ele, Hershel e tudo que ele representa desabando diante de nossos olhos sem que nenhum de nós possa fazer qualquer coisa.

─Não! O grito é geral, assim como as armas que são descarregadas em todas as direções do nosso lado e do lado deles, muitos tiros, eu apenas atiro querendo derrubar quantos homens eu puder.

─Matem todos eles! O desgraçado grita em seu último ato de vingança e o tanque marcha em nossa direção destruindo tudo que lutamos para manter de pé.

As grades cedem sem reclamar diante de uma tonelada de aço bruto, os homens vão seguindo atrás do tanque protegidos pela armadura que aquela arma de guerra representava.

Em meio a batalha vamos nos dispersando, cada um tentando se defender ao mesmo tempo que atacávamos.

Alice atirava bem quando a distância não era um problema e derruba alguns homens, Carl desaparece de minha visão, tento me concentrar em impedir o tanque e os homens que se protegem por ele de avançar ainda mais, é uma batalha impossível, mas não vou sair daqui enquanto aquele monte de latas estiver inteiro.

Olho em volta, Alice se afastou, eu a vejo dando cobertura a Maggie, Bob e Sasha que correm para longe quando o ônibus parte depois de uma rajada de tiros.

Minha garota deveria estar nele, isso sim, mas ao contrário disso está atirando feito louca, o tanque se aproxima, fico preso entre ele e os homens que atiravam protegidos por sua força e zumbis que entravam pela lateral.

Perco Alice de vista, continuo atirando sem parar, sei que os zumbis estão cada vez mais próximos em minha retaguarda, mas estou cego pelo tanque, quero derruba-lo, vencer aquele monstro que ousa derrubar as paredes de minha casa.

Um zumbi se precipita sobre mim, sem pensar no último instante atravesso seu crânio com o cano da metralhadora.

─Vamos lá monte de merda, vamos fazer a festa! Eu o uso como escudo para me aproximar, derrubo os dois últimos homens que me ameaçavam com uma granada e depois pego outra, vamos ver o quanto esse trambolho pode aguentar.

Com um movimento enfio a granada no cano do tanque, me afasto um instante enquanto escuto ela correr para dentro e explodir no segundo que seu condutor salta para fora rolando pelo chão, ele fica de pé e quando me vê com a besta em punho ergue os braços em sinal de rendição.

É tarde para ele, já teve sua chance, mas foi longe demais, todos nós fomos longe demais e eu acerto uma flecha em seu peito assistindo seu corpo cair enquanto vou ficando cercado por zumbis.

Tudo caiu, não sei dos outros, se estão vivos ou mortos, não sei de Alice, não vou a lugar algum sem ela, Alice não sairia sem mim, sei disso.

Ergo a besta pronto para varrer a prisão não importa quantos zumbis tenha que derrubar então ouço meu nome e mesmo sem vê-la meu coração se acalma.

─Daryl! Ela grita, precisa derrubar um zumbi para chegar até mim – Vamos está ficando cercado!

─Onde estava Alice? Pergunto entre aliviado e irritado.

─Depois, agora temos que reunir o grupo, achar as pessoas...

─Temos que ir, não tem mais nada aqui! Os zumbis estão a cada instante mais perto, ela aceita um tanto contrariada, posso notar pelo seu olhar.

Corremos para longe da prisão e dos zumbis, corremos sem destino ou esperança, corremos enquanto a culpa me consome, eu deixei que isso acontecesse, eu podia ter feito algo, mas não fiz.

Tem zumbis surgindo de todos os lados quando pegamos a floresta, vamos desviando de todos, derrubando um ou outro e no momento só quero manter Alice viva, mais nada.

Alice, está pela primeira vez completamente concentrada, atenta e preocupada, chega a derrubar um zumbi que avança sobre mim sem que eu o notasse, me olha preocupada, mas eu não mantenho seu olhar, apenas a empurro para seguir em frente.

Uma hora depois a noite cai, diminuímos o passo, eles estão vindo de todas as direções, são muitos o barulho na prisão os atiçou, confundiu e são agora uma ameaça ainda maior, famintos e desesperados nos perseguem sem trégua.

Nenhum de nós fala, apenas caminhamos, em silencio e guiados pela luz da lua, a floresta está a todo vapor, posso ouvir gemidos e passos em todas as direções, se amanhecermos o dia será um milagre.

Três zumbis surgem, caminham em nossa direção, não tem jeito não dá para desviarmos e pegamos eles, mais deles surgem, só nos resta voltar a correr, corremos lado a lado, desviando de árvores e zumbis, até que a vegetação começa a mudar, era isso que eu queria, a floresta densa dá lugar a uma vegetação mais baixa e assim podemos ver melhor para onde estamos indo, o dia amanhece e finalmente podemos parar.

Caímos ao chão esgotados, sedentos e famintos, mas não é só isso, não é nem de longe só isso, são as perdas, elas sim nos esgotam e calam dessa maneira absoluta, não tem mais nada, não tem mais ninguém, apenas a morte a nossa espreita.

Ficamos ali os dois, buscando controlar a respiração e os batimentos cardíacos, quanto disso uma pessoa pode aguentar antes de desistir?

Notas finais
Esperando os comentários! Beijos