Caminhando entre os mortos

51 Capítulo 51 - Infecção


Notas iniciais
Olá, desculpe se demorei, mas agora quero ir mais com calma, para esperar o fim da temporada, alias que episódio foi esse! Enfim espero que gostem.

Pov – Daryl

Alice adormece em meus braços, mas eu não consigo dormir, a imagem de Zack sendo devorado fica se repetindo em minha mente, não podia ter feito diferente, não é como se me sentisse culpado, não fui eu quem começou com essa guerra estupida entre os mortos e os vivos, mas não posso deixar de pensar naquele garoto tolo e engraçado que agora está morto sob os escombros de um velho mercado, uma morte tão tola.

Volto a mexer em seus cabelos, reclamei tanto e agora mal ela se deita e já estou eu fazendo cafuné, é quase mecânico.

A reação de Beth também é algo que me faz pensar, não sei o que achar disso, de algum modo sempre fui como ela, trancando os sentimentos fundo e esquecendo deles, assim não corria riscos, não tinha dor, mas Alice chegou e escancarou tudo, arrombou a porta e não tem conserto, isso me deixa completamente vulnerável, não posso me proteger do que sinto por ela e mesmo fingindo que nunca vai acontecer eu não posso ter certeza, ninguém pode e se um dia alguém batesse em minha porta para dizer que eu a perdi então eu morreria.

Ela se arruma na cama, me puxa para mais perto e resmunga qualquer coisa, seu sono agitado, posso entender perfeitamente, zumbis caindo do teto foi uma surpresa que acho que nem mesmo o diabo teria planejado.

Sinto seu perfume suave, fecho os olhos e me deixo levar por ele até adormecer, acordo do mesmo modo que sempre e parece tão bom ter Alice ali me incomodando logo cedo, ela passa por cima de mim apressada.

─Que foi agora? Eu pergunto me sentando – Por que tanta pressa?

─Michonne vai sair, pensei em pedir a ela para entregar os quadrinhos que achar, se achar é claro para mim, tenho que me vingar do Carl.

─E M&M estragados ou qualquer outro doce vencido que encontrar porque tem cinco anos e come como uma criança!

─Só me critica! Ela resmunga se vestindo – O que tem demais e quando tinha cinco anos não lia quadrinhos assistia desenhos na tv, foi antes de voltarmos ao tempo das cavernas, do jeito que caminhamos logo vamos estar escrevendo nas paredes, como é mesmo que se chama isso?

─Hieróglifo! Eu digo agora já de pé.

─Amo homens inteligentes! Ela me beija – Mas prefiro os bonitões como você! Ela ri e aperto seu nariz.

─Muito engraçada! Resmungo e então estamos prontos para descer, pego minha besta e Alice seu machado.

Com as grades sempre tão apinhadas de zumbis não arriscamos mais andar desarmados, em algum momento pode ser que não dê para impedir que entrem.

Encontramos nossa família reunida, ou parte dela, Hershel, Beth com a bravinha, Ty e Saha, mastigo um pedaço de carne seca, Alice faz o mesmo.

─Cadê a Mich Beth?

─Acaba de sair, estava de partida!

─Cheguei tarde então, que merda! Beth olha feio, sempre reclama que Alice vai acabar ensinando seus palavrões a Judy, pode ser que sim, seria bem divertido, ela revira os olhos.

─Carl ainda não voltou da horta? Alice questiona, só vive atrás das crianças, Hershel me sorri, tem aquele ar divertido e leve no rosto que todo mundo fica quando está perto de Alice.

Então ouvimos um tiro, mais um e muita gritaria, nos olhamos um segundo, depois começamos a correria, as passagens para as tumbas estavam fechadas, nenhum zumbi entrou por ali, de onde vem essa confusão.

─Hershel cuida de tudo! Grito enquanto corria para fora, Alice logo atrás de mim, nem vou perder meu tempo mandando que fique, ela jamais ficaria.

─O que aconteceu? Pergunto correndo, Lizzie e Mika gritavam socorro, Rick assim como nós corria para o bloco D de onde a confusão parecia vir.

─E o bloco C? Ele pergunta aflito.

─Está tudo bem, Hershel está lá! Enquanto corríamos mais tiros eram disparados, não sei quem é o infeliz que está fazendo isso, mas merece um soco, vai chamar zumbis de todas as direções, como se já não tivéssemos o bastante.

─Que porra de confusão é essa? Alice pergunta quando entramos correndo, zumbis mordiam pessoas, um homem atirava sem qualquer cuidado, gente correndo de um lado para outro, gritos e pânico.

Arranco a arma do homem e entrego a Rick, Alice passa a minha frente e já está derrubando zumbis, Glenn também vem, vejo Carol de relance passando, Alice derruba um zumbi que mordia uma mulher, Glenn enfia uma faca em outro, Luke gritava enquanto tentava se arrastar para longe de um zumbi.

─Levanta! Eu grito ele obedece eu o pego no colo e acerto o zumbi com minha flecha, Alice derruba mais um e então entrego o menino a Karen que se fechava em uma cela com as crianças.

Ouço gritos no andar de cima, caminho para lá e é claro Alice já estava no topo da escada, garota infernal e sem juízo, sempre se metendo em encrencas.

No corredor passo pelo corpo de uma mulher caída, Alice chegou antes e a acertou, eu me viro bem a tempo de vê-la tentando me matar do coração ao abrir sozinha uma das cortinas, um zumbi salta sobre ela, claro que saltaria, eles sempre fazem isso quando se trata de Alice, ninguém se atraca mais a zumbis do que ela.

Ela não estava pronta, seu machado cai, ela segura o zumbi pelo pescoço, fico sem mira, qualquer movimento e posso acerta-la ao invés do zumbi.

─Abaixa Alice! Grito firmando a mira, ela obedece e sem pestanejar acerto o zumbi que cai para dentro da cela, coloco Alice de pé, meu olhar é um misto de Alivio e fúria, ela respira fundo se controlando, Rick e Glenn se aproximam e olhamos para dentro da cela, minha flecha atravessa a cabeça de Patrick e sinto pena.

─É o Patrick! Aviso, me lembro de vê-lo bem no dia anterior, do modo como cheio de admiração me estendeu a mão ontem cedo, olho para baixo, apenas feridos e lágrimas – Já foram todos!

Não tem mais zumbis, caminhando no bloco, mas precisamos ter certeza, ir de cela em cela para fazer uma varredura, encontrar os mordidos, acertar seus cérebros antes que se levantem, porque infalivelmente eles se levantam.

─Alice! Eu advirto, ela me encara um segundo, não quero que corra mais riscos, ainda nem entendi o que afinal aconteceu.

─Tudo bem, te espero lá em baixo, vou ajudar a Carol!

Caminhamos pelas celas, eu, Rick e Glenn, sei do desconforto que é para Rick, mas não é o momento para se comportar como um fazendeiro.

─Eu faço! Entro na primeira cela e acerto uma mulher com minha flecha, depois Rick entra na cela ao lado com seu canivete, sai um minuto depois, está abatido, chegamos a última cela, está fechada, um zumbi surge com um rastro de sangue no rosto assim como Patrick, é Charlie eu o conhecia bem, era sonambulo e sempre se fechava antes de dormir, Rick o derruba pela grade, aquilo é estranho, chamamos o Doutor S, ele examina o corpo, explica de forma simples sobre um vírus ou coisa assim, nunca é o bastante, Hershel anuncia que todos fomos expostos, só consigo ouvir que Alice foi exposta.

Os dois acreditam que pode ser apenas dois casos isolados, falam sobre sorte, Bob se aproxima.

─Não vejo ninguém com sorte a muito tempo! Ele diz, não tem muito o que fazer, vamos reunir o conselho e tentar decidir de que modo vamos agir, por enquanto a ordem é ficar longe de quem não entrou em contato.

Desço e encontro Alice ajudando as pessoas, sinto um calafrio ao vê-la tão próxima, ela me sorri, termina de fazer uma atadura na perna torcida de uma senhora enquanto eu a espero.

Assim que termina ajudo a mulher a ir para sua cela, depois pego Alice pela mão, ela está tensa, posso notar, caminhamos para o pátio.

─E então, o que disse o Doutor S? Ele me pergunta – O que afinal aconteceu aqui?

─Uma doença, um tipo de vírus, provavelmente Patrick foi o primeiro a ficar doente, disseram que ele passou mal na aula de Carol, morreu, atacou outras pessoas, mas não foi só isso, mas gente morreu por conta da doença, Charlie, se lembra?

─Charlie e Patrick pareciam bem ontem, não achou? Ela me pergunta – Achei que estavam, foi muito rápido!

─Decidimos reunir o conselho, até lá fique longe do bloco C, e de todos que não tiveram contato com esse bloco, temos que tentar proteger ao menos a bravinha.

A ideia a assusta, sinto seu olhar de medo, ela se encosta em mim, Judith é especial para todos nós, Alice se aperta a mim.

─Que bom que fui com você, não suportaria se tivéssemos que nos separar!

─Definitivamente você não tem nenhum senso de autoproteção! Eu a condeno.

─Amor, você não pode me condenar, eu não quero ficar sem você, simplesmente não posso!

─Eu sei!

─As irmãs Samuels, elas perderam o pai! Alice deixa uma lágrima correr — Vi Carol terminando com tudo, não sei como vai ser agora.

─Sinto por elas, mas acho que Carol vai saber cuidar das duas.

Me lembro de Sophia, um calafrio me percorre, acho que foi a última vez que fui esperançoso de verdade, Alice nota que me lembro da menina, já falamos sobre isso.

─Sinto que tenha que se lembrar dessa história eu sei o quanto isso o magoou, mas não devia olhar para aquele tempo com tanta amargura, sabe que não teve nenhuma culpa nisso.

Alice está sempre querendo me manter de pé, mas nesse caso o assunto me toca por demais, me senti e ainda me sinto responsável, hoje com certeza algo assim não teria acontecido, mas naquela época éramos todos despreparados, um zumbi era como dez hoje, não sabíamos o que fazer.

─Não vamos pensar nisso, não hoje! Eu a beijo de leve me afasto acaricio seu rosto – Não sei se beijar você é boa ideia.

─Me beijar é sempre boa ideia! Ela sorri – Se pegar essa coisa também quero ter, não vou continuar sem você!

A ideia me deixa zonzo, ela não pode fazer isso, é inaceitável sequer pensar nisso, Alice é imprescindível para a humanidade, sua alegria constante, sua esperança desmedida, não ela não pode desistir, aperto seu nariz.

─Está muito dramática hoje! Amenizo o comentário – Vem vamos para reunião.

Nos reunimos como de costume, a única diferença é que dessa vez me parece que Alice está prestando atenção.

Decidimos em primeiro lugar isolar todos os que tiveram contato, não conhecemos os sintomas e isso parece preocupar Hershel, principalmente a rapidez com que ela parece fazer sua vítima.

Carol parece muito mais empenhada que todos nós, sempre soube do seu apego a prisão, não acho nada demais nisso, ouvimos uma tosse no corredor, seguimos todos até lá, é evidente que é um sinal da doença, Tyresse caminhava apoiando Karen.

─Tudo bem? Carol pergunta.

─Vou levar Karen para descansar na minha cela.

Tyresse não sabe ainda o que se passa, mas nós sabemos, Hershel o impede avisa que não deve fazer isso e assim que sabe sobre o vírus Karen avisa que David também está tossindo, Glenn se oferece para busca-los, vão ficar nas celas limpas que ainda temos nos tuneis.

Decidimos por uma outro reunião mais tarde, Hershel se afasta, Alice se aproxima de Carol.

─Está bem? Pergunta e Carol nos olha.

─Mika e Lizzie tiveram contato com o Patrick.

─Todos tivemos, vamos isolar Karen e David até eles melhorarem.

─E vocês, como estão?

─Temos que ficar bem! Aviso puxando Alice pela mão – Vou abrir as covas! Conto quando Alice e eu chegamos ao pátio.

Ela concorda, vai em direção a torre, acho que nesse momento está se sentindo perdida, não tem nada que eu possa fazer e isso me abala demais.

─Detesto abrir covas, detesto que essa merda de trabalho nunca acaba.

Rick se aproxima, estou com um lenço no rosto e luvas eu os tiro para poder falar com ele, conversamos um pouco, ele carrega muitas culpas, para mim sempre foi um amigo, um líder, não me deve nada, mais do que isso, ele nos guiou, nos trouxe vivos e firmes até onde chegamos, digo isso a ele, mas Rick parece decidido a não receber os créditos, estamos conversando quando Maggie nos grita, zumbis se aglomeram nas grades, a porcaria está cedendo, corro com Rick, Glenn e Alice fazem o mesmo.

Começamos a matança ou sei lá que nome dar a isso, mas são muitos e se aglomeram no mesmo ponto, é assustador, não vamos dar conta, Maggie tropeça, Glenn tenta ajudar, ela recusa, não podemos ficar muito perto.

─Olhem isso! Sasha nos chama, há carcaças de ratos pelo chão, próximo a cerca, como se alguém os tivesse levado até ali, nos olhamos, mas não dá tempo de pensar muito as grades estão cedendo.

─Se afastem! Eu peço, vai cair a qualquer momento, perto assim podemos acabar na boca deles.

─Que merda, o que vamos fazer? Tentamos colocar alguma segurança, Rick me encara.

─Já sei o que fazer!

Eu o sigo enquanto o resto do grupo continua o trabalho, dou um último olhar a Alice antes de me afastar, ela entende que quero que se cuide.

─Droga Rick, os porcos? Só consigo pensar em Alice.

─Não temos tempo Daryl e eles podem estar infectados, o porco da Alice, a tal Violet já morreu apenas não pude contar ainda.

Levamos os porcos numa caixa, eu dirijo enquanto Rick vai atrás, nos aproximamos do portão olho para Alice, ela para seu trabalho para me encarar, sei que está sofrendo, mais uma vez estou com as mãos atadas.

Rick corta o primeiro porco, chama a atenção dos zumbis, eles se afastam das grades em busca de comida mais fácil.

─Vai! Grito ele atira o porco, me afasto, mais zumbis nos seguem, Rick repete o processo, o sangue do animal espirra em seu rosto enquanto ouço os gemidos dos zumbis misturados aos gruídos desesperados do animal, não somos mais do que esses porcos, não somos mais do que reles iscas, alimento fácil de monstros impiedosos, enviados por um demônio avassalador.

Terminamos e voltamos para dentro, Alice me espera paralisada enquanto os outros fortalecem a cerca com madeira, Rick passa por ela sem coragem de encarar o rosto abatido de Alice, eu paro diante dela, não suporto assistir sua dor, ela me abraça.

─Sei que deve me achar uma idiota por chorar por porcos quando perdemos tanto hoje! Diz entre soluços – Mas não eram apenas porcos, eles... Era como se tudo pudesse ser como antes...

─Desculpe ter participado disso, mas eles teriam de ser sacrificados de qualquer modo, eles... Pode ser que estivessem contaminados.

─Não é culpa sua ou do Rick, apenas estou triste, não gosto de ficar assim, sinto muito se não consigo te fazer ficar calmo agora, Violet eu não...

─Ela já estava morta, vem precisa se acalmar um pouco!

Passamos pelo chiqueiro que agora queimava junto com um pouco de nossos sonhos, Alice não olha, mas Carl caminha até ela e lhe dá um abraço, os porcos entre outras coisas os unia, depois se afasta mudo, volta para perto do pai e da fogueira, entro com Alice para o pátio, Maggie acena de longe, são amigas e mal podem se falar, não sei para onde leva-la, não podemos entrar no nosso bloco e não quero ir ao bloco D.

─Vamos até a torre um pouco, depois vamos reunir o conselho enterrar os mortos, mas agora preciso cuidar de você.

Alice obedece e isso é tão raro, não questiona, não retruca, apenas me segue, assim que chegamos lá em cima eu a envolvo, ela se recosta em meu peito.

─Vem tempos difíceis não é, isso é só um prenuncio, nunca vai acabar.

─Alice eu queria dizer que sim, que vamos ficar bem, mas não posso, só posso dizer que vamos ficar juntos!

Ela se aperta a mim e é tão bom tê-la ao meu lado, a envolvo em meus braços, ficamos em silêncio, sei que toda essa dor logo vai embora, que Alice se alimenta de esperanças e que muito em breve vai estar de novo refeita, assim como sei que não são apenas porcos e grades, tem muito por vir, cada dia tudo caminha para o pior, esse lugar e tudo que representa ainda vai sucumbir.

Se fosse o tipo que fala com Deus eu pediria a ele por Alice, diria que ela não pode ficar doente, que precisa viver, mas não faço isso, ele nunca me escutou, nem quando era só um garoto tolo, mas se pensa que pode me fazer desistir está enganado, nenhum de nós vai fazer isso.

─Chega Alice, vamos acabar com isso, se não nada de cafuné! Ela me olha de bico.

─Casei com você em troca de cafuné, se não fizer peço o divórcio!

─Bem a sua cara sua interesseira! Ela sorri, seu rosto se ilumina e tudo faz sentido, eu a beijo, um longo beijo.

Notas finais
Aguardando os comentários. beijos seus lindos.