Caminhando entre os mortos

52 Capitulo 52 - Isolamento


Notas iniciais
Olá pessoas,aqui mais um capítulo, espero que gostem, o próximo só na segunda, mas vou ver se consigo postar nas outras fics no fim de semana.

Pov – Alice

─Daryl! Carol chama lá de baixo, olhamos para ela, que faz sinal nos chamando – Pode me acompanhar aqui! Ela pede, Daryl acena e descemos.

─O que está acontecendo agora? Ele pergunta quando a encontramos, Carol está misteriosa.

─Eu e o Rick precisamos de você! Ela avisa preocupada, nem quero saber que merda aconteceu agora.

─Vou ajudar com as covas! Aviso.

─Precisam de lenços os dois! Carol nos lembra, pego um no bolso da calça, aprendi com Daryl a carregar sempre um, nunca se sabe quando vamos precisar de algo assim para nos limpar ou fazer um torniquete, atadura, essa coisa toda de mundo apocalíptico ─ Vou encontrar o Rick! Ela avisa se afastando, Daryl me olha um instante.

─Pode usar seu lencinho delicado se esse é seu problema! Digo de má vontade.

─Achei que esse assunto estava superado! Daryl resmunga puxando o lenço.

─Achei que papai Noel existia! Respondo lhe dando as costas, não quero agir feito uma imbecil no meio dessa crise, mas acontece que detesto aquele maldito lenço.

Pego uma pá e me junto ao grupo, assisto as trocas de olhares entre Maggie e Glenn, nem posso imaginar estar perto de Daryl e não poder tocar nele, sorrio para Maggie, quero tentar dar a ela alguma esperança, ela devolve o sorriso.

Volto minha atenção ao trabalho, o que será que Carol queria com Daryl? Que mais pode ter dado errado? Como pode tudo virar de uma hora para outra, me sinto no meio de um furacão, e se eu ficar doente?

Pior se Daryl ficar? Essa prisão precisa mais dele que de mim ou qualquer outro, eu preciso dele mais do que de mim.

Termino de ajudar a abrir as covas, doze é um número inacreditável para uma manhã, sempre achei que este era o lugar mais seguro, mas quando algo assim acontece tudo fica cristalino, não tem segurança, não tem paz, é só morte e mais morte.

Glenn conversa com Hershel estão preocupados com o modo como vamos reagir a essa doença, não sabemos nada dela, como age, quanto tempo até a pessoa sentir os sintomas, se alguém está imune?

Sasha passa por mim tossindo, não aceita ajuda, estremeço, faço um pedido mudo a Deus, isso não pode se espalhar, mas então mais pessoas passam em direção ao bloco A, me sento, fico sem reação, definitivamente não sou o tipo de pessoas que consegue conviver com incerteza.

Detesto não estar no controle, posso lidar com zumbis, posso mesmo fazer isso, mas não posso lidar com uma coisa assim, que não depende de mim.

Daryl vem até mim, parece sério e preocupado, se senta do meu lado e solta um longo suspiro, busca algum controle e fico com medo do que vai me dizer, mesmo assim o encaro esperando que esteja pronto para falar.

─David e Karen foram assassinados, depois levaram os dois para os fundos e atearam fogo nos corpos, Tyresse os encontrou quando estava indo levar flores para Karen! Ele tem o ar abatido, está visivelmente chocado – Ty ficou fora de si, quem pode condena-lo, ele e Rick brigaram, foi...

Não encontra um adjetivo adequado e simplesmente se cala, fico um minuto pensativa.

─Quem pode ter feito algo assim? Estou perplexa.

─Ty quer o culpado em suas mãos, iria querer o mesmo.

─Se a intenção foi impedir a doença de se espalhar a pessoa chegou tarde.

Me encosto em seu ombro, ficamos calados, assisto Tyresse passar por nós, está desfigurado, fico assustada só de olhar para ele, Rick devia estar mesmo bravo para conseguir fazer aquele estrago num homem do tamanho de Tyresse.

─Vou reunir o conselho, precisamos fazer algo.

Daryl querendo reunir o conselho é mesmo um caso de desespero, ele fala de mim, mas também detesta aquelas reuniões.

─Te encontro num minuto, vou ver se o Ty precisa de alguma coisa.

─Alice...

─Pelo amor de Deus Daryl, é o Tyresse ele não vai me fazer nenhum mal.

Ty está cavando quando me aproximo, mal me dá atenção, insisto mas sou ignorada, ele então me encara.

─Primeiro vou abrir as covas! Diz definitivo.

Eu o deixo sozinho, sigo para reunião do conselho, no caminho encontro mais duas pessoas seguindo para perto do Doutor S, será que ele está bem, e se precisar de alguma coisa, e se ficar doente?

Talvez eu pudesse ir até lá e oferecer ajuda.

Daryl vai ficar uma fera, mas coloco o lenço no rosto quando chego a porta, já estive em contato com a doença, não acho que vá fazer muita diferença, abro a porta e sinto o peso do ambiente, me dá vontade de chorar, a tosse e o cheiro de sangue me atingem em cheio, estremeço, é triste demais.

As celas estão quase todas fechadas, passo por uma delas e um zumbi enfia as mãos pelas grades, me aproximo dele e enfio uma faca, ele cai, sinto pena, mas ele poderia pegar alguém desprevenido.

Continuo caminhando em busca do doutor, escuto o som dos meus passos no piso e isso me lembra um desses filmes de terror, engulo em seco, é preciso coragem para ficar aqui, acho que se ficasse doente iria preferir correr para fora, ficar ao ar livre, se é para morrer que seja ao menos respirando um pouco de vida.

─Doutor S? Eu o chamo, encontro Sasha deitada numa cama.

─Oi! Ela diz entre uma crise de tosse

─Precisa de alguma coisa? Sirvo um copo de água a ela que se senta, toma uns goles e volta a se deitar, então o doutor surge, está péssimo.

─Ficou doente Alice? Me pergunta, tem olheiras profundas e já apresenta sinais de febre, como pode cuidar dos doentes assim?

─Não, vim ver se precisa de algo antes de ir a reunião do conselho.

─Nesse caso quero que saia daqui imediatamente, que ideia estúpida!

Ele me empurra para fora, fecha a porta atrás de mim, me encara pelo vidro, faz uma negativa com a cabeça e um gesto me mandando lavar as mãos.

Obedeço sem outra alternativa, lavo as mãos e sigo para reunião do conselho, no momento não tenho a menor intenção de contar a Daryl onde estive, se o Doutor S ficou tão bravo nem sei o que ele pode fazer.

Já estão todos lá, Daryl me olha sério, eu me sento a seu lado, parece que não começaram ainda.

─Estava com o Ty? Ele me pergunta, faço que sim, não é de todo uma mentira.

─Ele está cavando, depois vem tratar os machucados.

A reunião começa com toda aquela conversa sobre os doentes, como trata-los, falamos sobre as mortes, Carol vai pedir a Rick que investigue, depois Hershel fala sobre a faculdade de veterinária, é uma boa ideia, remédios de animais são basicamente os mesmos dos humanos, Daryl se oferece para ir, claro que vou com ele, nem me abalo, ficamos os dois de pé.

─Vou também! Mich anuncia, Hershel acha que ela pode pegar a doença, mas Michonne não é o tipo que deixa amigos numa hora como essa, e então seguimos para fora, agora vem a parte em que eu e Daryl brigamos, ela vai me mandar ficar me chamar de idiota e essas coisas e vou fazer o que quero e seguir com ele, podíamos poupar o estresse mas afinal isso seria mesmo chato e sem graça – Vou me preparar! Michonne diz sumindo no corredor.

─Alice...

─Eu vou! Digo firme, ele revira os olhos.

─Vai ficar aqui em segurança, eu vou e volto assim que possível.

─Nós vamos e voltamos assim que possível! Cruzo os braços no peito, ele anda de um lado para outro.

─Garota infernal! Grita – Sabe onde vamos? Gesticula – Cinquenta milhas de zumbis e desconhecido, não vou levar você comigo!

─Não está em posição de recusar! Respondo no mesmo tom – Mas que cabeça dura, precisamos de ajuda, nem mesmo nós três é o bastante!

─Eu sei sua idiota!

─Ótimo troglodita, então vamos de uma vez, essa porra de doença já pegou muita gente, não notou o quanto o Glenn estava abatido?

─Não sou cego.

─Acho que podiam ir brigando no caminho para não perder tempo! Hershel nos interrompe com uma lista na mão – Aqui está o que precisam encontrar.

Ele me entrega o papel e nos dá as costas, se ofereceu para ir junto, mas lá fora como Daryl mesmo disse cedo ou tarde sempre temos que correr.

Olho para a lista, franzo a testa ao tentar ler os nomes complicados, não entendo nada daquela merda, nem acho que Daryl entenda, ele vai ficar furioso, mas não tem jeito, Bob vai ter que ir junto.

─Vamos levar o Bob! Aviso estendendo a ele a lista, ele me olha torto – Pode decifrar essa merda?

─Não! Diz me dando as costas e seguindo em frente, fico parada – O que está esperando? Ele grita e sorrio vitoriosa, Deus me livre ficar longe dele nessa hora.

Bob me vê e sorri, paro diante dele, toco seu ombro, não é algo fácil pedir a alguém que se arrisque por quase desconhecidos, mas preciso que faça isso.

─Bob, vamos em uma missão longe em busca de remédios, Hershel acha que com os antibióticos certos, conseguimos curar as pessoas, são os sintomas que estão matando, preciso que vá conosco, pode fazer isso?

─Claro que posso, encontro vocês num instante! Eu o deixo e sigo para o carro onde Daryl mexia no motor enquanto conversava com Michonne.

Ele cobra Michonne por passar tanto tempo fora, discutem quem mais pode seguir conosco, penso que Tyresse seria uma boa ideia, a irmã está doente, ele é forte e precisa se afastar um pouco daqui.

─Está certa, vou chama-lo! Daryl anuncia decidido e então acabo sozinha.

Olho para o carro de Zack, é o mais rápido e bem conservado, me lembro que ficamos eu e Beth devendo a ele uma lavagem no carro, perdemos uma boa mão de pôquer, sorrio triste, nunca mais tardes tranquilas de jogatina, mesmo que tudo terminasse bem o que duvido, não poderíamos mais sentar para jogar sem sentir a falta dele.

Daryl volta sem Tyresse, ele não quer sair de perto de Sasha, suspiro resignada, então Bob de aproxima se dirige a Daryl.

─Quer mesmo que eu vá? Pergunta sabendo que Daryl tem suas restrições com relação a nossa amizade.

─Não – Ele retira a lista do bolso pede para Bob ler um nome, ele o faz sem dificuldade – Vê. Eu preciso que vá, não é uma questão de escolha.

Tyresse chega apressado, sinto um certo alivio, não vai ser uma viagem fácil e é bom que estejamos em um número razoável.

─Tem lugar para mim? Pergunta e Daryl concorda – Vou buscar minhas ferramentas.

Sinto um aperto no coração, penso em Carol, ela sempre amou tanto esse lugar e sempre fez tanta questão de proteger todos, quero vê-la antes de partir, não sei quanto vamos ficar fora, o que podemos encontrar no caminho e principalmente como as coisas vão estar na volta.

─Preciso de um minuto! Digo antes de voltar correndo para dentro e encontrar Carol envolvida em encher baldes de água.

─Oi! Ela me sorri de um modo triste, tem uma dor nova em seus olhos, eu a abraço, não sei porque me dá vontade de fazer isso – Seja corajosa lá fora e cuida dele! Ela me pede.

─Farei isso e confio em você para cuidar de todos aqui, Judy, Carl, Beth.

─Eles vão ficar bem, tenha cuidado.

─Obrigada Carol, por ter sido uma boa amiga quando podia ter escolhido ser uma rival.

─Quem poderia querer ser sua inimiga, tudo que fez foi encher essa prisão de vida.

─Estou com medo Carol! Confesso, o coração apertado – As coisas nunca mais serão como antes, os doentes, as grades, são tantos os problemas, eu...

Meus olhos ficam marejados como os dela, Carol me abraça, depois se afasta de mim e sorri.

─Vai garota, tenho muito trabalho aqui e não podemos perder tempo!

─É a mulher mais corajosa que já vi! Eu digo orgulhosa por fazer parte de sua vida.

Dou as costas a ela e volto correndo para Daryl então uns minutos depois Tyresse chega e podemos partir, vou na frente sentada ao lado dele, perdida em meus pensamentos, atenta a estrada e numa luta muda entre o medo e a esperança, não sei quem vai vencer essa batalha, não faz muita diferença agora, é só mais uma dentre tantas que já lutei, e as muitas que vem pela frente.

Daryl dirigia rápido, o carro estava silencioso, depois de uns minutos começo a me sentir sufocada.

─Mas que viagem chata! Reclamo – Vamos ao menos ouvir música! Pego uma caixa com cds no porta luvas, Daryl balança a cabeça, liga o rádio acho que quer encontrar o botão para colocar o cd e para nossa surpresa uma voz, tem muita estática, mas dá para ouvir palavras soltas.

Sobreviver... Santuário... Todos que chegaram... A voz desaparece e então sinto um solavanco, olhamos todos para frente, Daryl acaba de atropelar um zumbi, desvia de outro controla o carro e então breca, paralisamos com a visão diante de nós.

─Que porra é essa? Digo chocada – Abriram as portas do inferno finalmente! Jamais sequer imaginei que um grupo tão grande de zumbis poderia caminhar assim juntos, num imenso e devastador organismo vivo, são como uma onda de destruição, logo o carro está cercado, definitivamente não é um jeito divertido de morrer.

─Se segurem! Daryl grita dando ré e atropelando uma dezena deles até atolarmos sobre os corpos, ele acelera, tenta de algum modo tirar o carro dali, é impossível.

E eu achando aquela chuva de zumbis era o máximo que o demônio podia idealizar, mas o cara que está no comando dessa merda é realmente bom, sabe nos surpreender.

─Cacete! Eu digo com a garganta seca, olho para Daryl que nesse segundo está odiando o fato de eu estar com ele.

─Quando eu der o sinal desçam todos e corram para floresta! Daryl grita, se dirige a mim em especial, quem sou eu para desobedece-lo, sair dali nem é uma ideia tão ruim assim.

Daryl abre o teto solar e salta, abrimos a porta eu e Mich ao mesmo tempo e vamos derrubando tudo que se move, desviando e fugindo por entre os mortos, Bob dispara algumas balas, barulho no momento é o menor de nossos problemas, quando estamos do outro lado da estrada quase entrando na floresta nos viramos e lá está Tyresse acertando zumbis com seu martelo, é mesmo um demolidor, mas não acho que possa vence-los, Daryl me puxa e corremos por entre as árvores.

Michonne vai acertando zumbis com sua espada, do nada Daryl para quando ouve um som atrás de nós, pode ser a tal horda e ele para armando a besta, dois zumbis saem por detrás dos arbustos, Daryl mira e então Ty surge sujo de sangue e esgotado, ficamos surpresos, Daryl e Bob o ajudam enquanto Michonne enfia a espada na cabeça de um zumbi que caminhava para ele, continuamos a correr, ela decepa outra cabeça, agora já podíamos andar mais devagar.

─Acho a arma da Michonne tão mais legal que a minha! Comento.

─O mundo está acabando, pode tentar não se divertir tanto? Daryl me diz irritado.

─Eu sei, e nem por isso a arma da Mich deixa de ser mais legal que a minha!

─Garota infernal! Daryl resmunga e continuamos a caminhar.

─Quando tiver tempo quero comprar uma dessas armas ninja – Daryl me olha, eu sei que está preocupado comigo, que não queria que eu viesse e que quando digo essas coisas ele se irrita ainda mais, mas sempre fui assim, se fico nervosa desato a falar todo tipo de asneiras, meu humor parece aflorar e sou do tipo que faz piadas estupidas quando se tem uma arma na cabeça, não é algo que possa realmente controlar – Está certo, vou seguir muda! Eu aviso me rendendo ao seu olhar reprovador – Só queria tornar as coisas mais... Ok parei!

─Acredite Alice, o seu silencio é reconfortante! Ele diz se aproximando de mim, como que querendo amenizar um pouco as coisas, segura minha mão, eu a aperto firme, e seguimos em frente.

─Já cansou dou meu silencio? Eu pergunto uns minutos depois, Tyresse anda alguns metros a nossa frente, Bob e Michonne ao nosso lado – Nossa eu vim com o grupo mais silencioso do apocalipse.

─Quer conversar?

─O silencio me sufoca um pouco, minha mente começa a trabalhar de um modo um tanto mórbido sabe, coisas ruins se formam e prefiro conversar.

─Então vamos conversar! Ele me puxa para mais perto dele, limpo o suor na testa.

─Esse calor está me matando! Digo um tanto incomodada, minha garganta coça um pouco, parece um tanto mais difícil puxar o ar e então compreendo que posso ter ficado doente, meu coração dispara, não posso atrapalhar a missão, preciso ficar forte e fingir que está tudo bem, vamos conseguir, temos que conseguir, é só caminhar um pouco, achar um carro, chegar na faculdade, pegar os remédios e voltar para casa.

Bob está conosco, é médico e não preciso me desesperar, Daryl vai arrancar meu couro se descobrir, eu olho para ele firme.

Respiro fundo buscando o máximo de oxigênio que consigo, jamais poderia suportar ficar no isolamento, se tiver que morrer que seja assim, lutando ao lado do homem que amo.

─Te amo troglodita! Eu digo apenas por que preciso dizer isso em voz alta, não espero ouvir o mesmo porque sei que ele nunca diria isso assim na frente dos outros.

─Também te amo idiota! Ele diz me surpreendendo, é por isso que o amo, ele sempre pode me surpreender.

Notas finais
Gostaram? Uns queriam Alice doente, outros queriam que ela fosse com o Daryl então uni tudo, ela vai com o Daryl e fica doente, vamos ver como se viram numa situação como essa. beijos e comentem, preciso saber se estão gostando.