Caminhando entre os mortos

5 Capítulo 5 - Desculpas


Notas iniciais
Oi pessoas, mais um capítulo o próximo acho que apenas segunda-feira, não tenho certeza. Espero que gostem.

Pov – Daryl

A garota diz um monte de desaforos, sem sentido e depois corre para dentro me deixando plantado no meio do pátio feito um idiota, preciso me controlar para não correr até ela e sei lá, ela me tira do sério.

Não sei o que pensar sobre Alice, a cada instante meus sentimentos por ela mudam.

Fiquei completamente furioso quando Tyreese me disse que ela saiu, organizei em cinco minutos um grupo de busca e nessa hora não estava mais furioso e sim completamente preocupado.

Achar seu rastro foi moleza, já que Tyreese sabia a direção que ela tomara, mais uma vez fiquei furioso quando a vi caminhando sozinha na floresta sem nem mesmo se dar conta de que estava sendo seguida, usai a desculpa que queria saber o que ela pretendia fazer como se desconfiasse dela, mas não desconfio, ela é o tipo que não esconde muito.

Então ela se enrosca na árvore, coloco o zumbi na mira, mas ela se vira bem com ele, mata o infeliz do jeito mais desengonçado que já vi e tenho vontade de sorrir e não sou muito de sorrir.

No acampamento fico de novo furioso e logo quero consolar a pobre quando sai da barraca abraçada a um livro e com sinais de ter chorado, mas então me lembro da estupidez dela em sair sozinha e me vejo querendo socar algo, mas ela tinha que cair sentada na minha frente e se melecar toda com os restos de um zumbi, tinha que fazer aquela cara engraçada e então tenho que fingir que não estou me divertindo.

E no caminho de volta ela e Maggie, sempre Maggie, começam aquela conversa sobre romance e relacionamentos e presto atenção feito uma mocinha fofoqueira, nada pode me irritar mais que isso.

Num misto de sentimentos eu a escuto deixar claro que é virgem, aquilo mexe comigo, não sou do tipo que se importa com algo assim, mas me sinto completamente confuso quando se trata dessa mulher.

Maggie quer achar um par para ela e quando vejo estou descontrolado, mando que calem a boca, uma droga de descontrole que eu não tinha mais, não tanto.

Preciso ficar longe dela, apenas isso, o mais longe possível, ela é encrenca, se quiser sair de novo que saia, não vou mais atrás, não me importo, ou não quero me importar, mesmo me importando.

−Trouxeram mesmo coisas muito boas, armas, munição, foi sorte ninguém ter achado o acampamento! Rick me diz me trazendo de volta a realidade.

−Foi! Eu respondo sem muito ânimo, assistindo a noite cair.

−Tem algo entre vocês? Ele me pergunta e meu sangue ferve sem eu entender bem o porquê.

−Porque quer saber, está interessado nela? Pergunto fingindo que não me importo, pela risada de Rick não sou bom ator.

−Claro que não, sabe que isso nem passa pela minha cabeça agora, Lori... – Ele se cala, claro que idiota, Rick acaba de perder a esposa, e eu achando que ele está interessado em Alice, mas acontece que ela é simplesmente linda, nunca fiquei tão consciente da presença de uma mulher como quando estou perto dela, na verdade mesmo longe – Não sei não, você está muito tenso, irritado com a garota, e todas essas brigas...

−Tolice Rick, está vendo coisas, ela me irrita, apenas isso! Chega desse assunto, eu decido – Vamos comer, amanhã o dia começa cedo.

Eu entro no refeitório e sem conseguir evitar dou uma busca pelo lugar, nada de Alice, agora preciso decidir se isso é bom ou ruim.

Como sentado na escada do refeitório, meu lugar favorito, assisto quase distraído a confusão com todos, tem muita coisa para ser feita, eu penso quando me levanto para levar meu prato e seguir para minha cela.

Caminho com minha besta nas costas, não olho para cela dela, não é fácil fazer isso, mas resisto bravamente, retiro a besta e coloco no chão ao lado da cama, e quando me viro ela está de pé parada na minha porta.

−Posso? Ela pede para entrar dou de ombros e ela entra, depois fica de pé me olhando, nos encaramos por uns segundos, eu fico confuso com as batidas aceleradas do meu coração.

−E então? Pergunto antes que faça uma loucura.

−Eu fui injusta e bem idiota, imbecil e todas essas coisas que me chama, queria me desculpar pelas coisas que disse, estava magoada e quis te ferir.

−Não conseguiu! Respondo de má vontade, mesmo admirando sua coragem de se desculpar.

−Certo! Ela desvia o olhar, o que esperava um abraço? – Só para constar desfiz meu grupo de busca.

−Nossa, o grupo deve ter ficado arrasado! Respondo.

−Bastante, mas vamos superar, é assim agora, temos que superar, não tem mais espaço para lamentações.

−Não tem, está certa sobre isso.

−Eu sinto muito, mesmo, acredite! Eu fico imóvel, não encontro nada para dizer, ela parece esperar por uma resposta – Que porra Daryl, pode ao menos fingir que me desculpou?

−Garota você tem uma boca suja que...

−Desculpe não queria ferir seus ouvidos delicados! Ela responde, é como a reencarnação de Merle e isso me provoca um acesso de risadas que a deixa perplexa.

−Está rindo de mim? Ela me pergunta agora com os olhos curiosos, passo a mão pelo cabelo, e depois quando me controlo volto a olhar para ela, Alice estava ainda no mesmo lugar à espera de uma resposta.

−Você me fez lembrar alguém, apenas isso.

−Vai me desculpar? Ele pisca, me olha ansiosa, faz parecer que isso é mesmo importante para ela.

−Porque? Eu pergunto.

−Eu não gosto de ser injusta, e sei que não mereceu meu comportamento, foi atrás de mim e se preocupou, acredite ninguém nunca foi atrás de mim, nem mesmo antes do mundo acabar.

−Está desculpada Alice, feliz agora?

−Muito! Ela sorri e tem um sorriso absolutamente encantador – Eu posso matar zumbis, devia ter feito as coisas de modo diferente antes, cometi alguns erro e perdi tudo por isso, mas posso ajudar.

Ela agora está triste.

−Todos nós cometemos erros, é isso que nos torna humanos não?

−As pessoas que eu amava morreram por isso.

−Achei que tinha sido por conta dos zumbis! Respondo e ela dá de ombros, sem a menor cerimônia caminha até minha cama e se senta como se eu a tivesse convidado, como se fosse absolutamente comum entrar na cela de Daryl Dixon e se sentar para bater papo, nem minha família faz isso.

−Essa merda de apocalipse é uma merda! Sorrio de novo, ela nota – Você disse que tenho a boca suja, estou tentando melhorar, não conheço muitos sinônimos para merda, nenhum que seja aceitável.

−Merda está ótimo! Brinco e nem me dou conta que acabo de me sentar do lado dela, estamos os dois sentados no beliche, olhando para parede suja e úmida à nossa frente.

−Achei que era mentira, depois fiquei com medo, o primeiro zumbi que matei foi tipo ele ou eu, dizer que matou um zumbi é redundante né? Quer dizer tecnicamente eles já estão mortos.

−Já! Eu digo sem olhar para ela, gosto do cheiro que tem, parece perfume, ninguém tem perfume por aqui, como pode ter esse cheiro, penso em perguntar mas como acho isso meio ridículo fico calado.

−Deixei meu cunhado levar todos à nossa volta para morte, nunca tive forças para lutar contra ele.

−Isso parece estranho, você não é o tipo que aceita nada calada.

−Emma era louca por ele, e eu não poderia nunca vencê-lo então ficava tentando remediar as coisas, ele não era o tipo que abria mão de nada, nunca.

−Sei como é isso!

−Você é diferente, abre mão de tudo pelos outros, fui mesmo muito injusta.

−Não me conhece tanto assim para ter certeza.

Ela suspira, não sei o que passa por sua cabeça, não olho para ela, estamos perto demais e isso é um risco, ainda não sei porque, mas sinto que é.

−Estou te contando isso para entender por que tenho relutado tanto, não quero mais cometer uma idiotice e deixar alguém morrer.

−Sabe que vai perder outras pessoas, não sabe?

−Não mesmo! Ela me diz e de novo sinto pena, isso não está mais em nossas mãos como ela quer acreditar.

Ela tira os sapatos, usas os pés para fazer isso, os empurra para o chão, depois se encolhe na minha cama com os pés para cima, puxa meu travesseiro e o abraça, não estou acreditando nisso, então está de lado me olhando.

−Eu posso ajudar em qualquer coisa, acha que vão me deixar ficar?

−Te deixar? Pergunto confuso, ela já não ficou?

−Bom, eu não sei, vocês tem muitos para alimentar, e se não posso sair em busca de suprimentos, se vou ser só uma boca para alimentar o grupo pode me mandar embora e... – Ela fica calada, acho que quer chorar, e aperta mais meu travesseiro contra seu corpo – Achei que se trouxesse aquelas coisas iriam confiar em mim e me deixar ficar.

−Ninguém vai te mandar embora, não se preocupe! Eu estou completamente confuso, não sei o que sinto em ter Alice aqui, se quero que vá de uma vez ou fique, ela no entanto parece completamente confortável em minha cama.

−Você me ouve na outra cela, sabe que moro aqui do lado né?

−Sei.

−Me ouve? Fico em dúvida do que responder, acho que está preocupada com o choro da noite passada – Em? Ela insiste.

−Não! Minto para não deixar a garota preocupada com isso.

−Nada, nada?

−Não!

−Certo, é que às vezes falo sozinha, é bom saber que ninguém vai me ouvir, acho que tenho que ir, você está cansado, me desculpou mesmo? Faço que sim já cansado disso.

Ela se levanta deixa meu travesseiro no lugar, pega o sapato na mão e me sorri de novo.

−Boa noite! Me diz – Posso entrar para seu grupo de busca?

−Que inferno, já disse que não! Eu não vou arriscar ver a garota devorada, ela precisa aceitar isso.

−Você é ridículo sabia? Ela sai da cela batendo os pés feito uma adolescente teimosa e bufo irritado, estávamos indo bem, mas não durou muito tempo.

Quando me deito sinto seu perfume no travesseiro, aquilo me deixa irritado, não vou pensar nela, não na hora de dormir, nem me arrepender de ter perdido o controle e gritado com ela quando tudo parecia ir bem.

É tudo inútil, não paro de pensar nela e estou arrependido de ter sido eu a estragar tudo dessa vez.

Pela manhã desço de péssimo humor, apenas Carol estava no refeitório, os outros não sei onde estão.

−Que foi? Carol me pergunta – Depois que a garota nova chegou anda estranho.

−Bobagem sua! Respondo me servindo de uma xicara de chá.

−Ela é muito bonita, mesmo no meio dessa confusão a garota ainda é linda!

−Carol o que deu em você?

Ela sorri para mim, sabe que é uma das poucas pessoas que pode me dizer qualquer coisa.

−Somos amigos agora, o que quer que pudesse acontecer não aconteceu e hoje nos vemos como irmãos, mas acho que você precisa de alguém...

−Não vamos ter essa conversa, esqueça! Eu a deixo falando sozinha e sigo para o pátio.

Me reúno com os outros, para minha surpresa Alice está lá, sentada com todos, Hershel está do seu lado e sorria para ela.

−E então o que vamos fazer hoje? Pergunto a Rick sem olhar para ela, sem dar bom dia para ninguém o jeito Daryl de ser.

−Sabia que há umas semanas eu passei por uma farmácia e vi umas próteses ortopédicas? Escuto ela dizer a Hershel – Acho que seria ótimo para você.

−Seria mesmo, mas é arriscado sair por ai apenas para me conseguir isso, eu tenho me virado bem! Hershel responde e tenho que concordar que seria mesmo bom ele ter uma, nem sei porque nenhum de nós pensou nisso antes.

−É uma cidade à apenas umas horas daqui, duas no máximo, acho que menos com aquela moto ali! Alice aponta a moto de Merle.

−Podemos fazer isso! Maggie comenta animada – Sim pai, vamos fazer, não se preocupe.

−Pensei em mudar um pouco as coisas, estive falando com algumas pessoas, podemos criar um novo jeito de abrir o portão e também quem sabe organizar umas estacas, para impedir os zumbis de se aproximarem demais.

Rick anuncia seus planos, e concordo, mas além disso precisamos nos preparar para uma nova saída, os suprimentos não vão durar para sempre já os zumbis não tenho tanta certeza.

−Vocês podiam puxar água do rio para dentro sabia? Alice diz e eu olho para ela, a garota era esperta.

−Como? Glenn pergunta.

−Não tenho a menor ideia! Ela responde – Mas aposto que conseguem pensar em algo, sei lá, deve ter muita mangueira no mundo!

−Acho que podemos fazer! Sasha comenta — Meu irmão pode pensar em algo.

−Ótimo, vamos cuidar dessas coisas por hoje e amanhã organizamos um grupo para sairmos.

Eu me afasto no minuto seguinte, sim estou evitando Alice, não quero brigar e estar com ela por perto é briga na certa.

−Daryl! Ouço sua voz logo atrás de mim, me viro a contra gosto −Dentro da mochila que trouxe ontem, bem, tinha um livro, eu não o acho, você o viu?

−Não, quem cuidou de tudo foi o Rick e a Carol, pergunte a eles, Carol está no refeitório.

−Obrigada! Ele me diz educada – Tem muita importância para mim, era de Cassie, quero ler como uma homenagem...

A garota começa a chorar, e só posso olhar para ela sem saber o que fazer.

−O livro deve estar em algum lugar, não precisa chorar... eu.... Ajudo a achar.

Ela me acompanha secando as lágrimas, agora sim é que Carol vai dizer um monte de besteiras, eu, como se não tivesse mais nada de útil para fazer, andando de um lado para outro procurando um livro para a garota, e tudo isso com ela andando atrás de mim chorando sem parar.

Carol nos olha espantada, Alice não está mais chorando, mas seus olhos vermelhos denunciam o choro de minutos atrás.

−Carol tinha um livro nas coisas que trouxemos ontem?

−Sim! Ela responde e sorri para Alice – Tudo bem? Pergunta a ela.

−Estou procurando o livro, é muito importante, tem uma foto no meio dele, preciso achar.

−Calma! Carol responde tranquila — Está na minha cela, eu guardei lá para quem sabe, fazer um espaço para as crianças com livros e brinquedos.

−Pode me devolver? Depois prometo emprestar para qualquer criança que quiser ler.

−Espere, vou buscar.

Ficamos sozinhos no meio do refeitório, ela me olha abatida, tenta sorrir, do nada me dou conta que perdeu tudo, que está sozinha no meio de um monte de completos desconhecidos, com medo de ser mandada embora, que se me ataca é apenas para se defender de algo que ela não conhece, isso é como sempre fui, mas mesmo assim ela me tira do sério.

−Não queria me esquecer deles, dizem que com o tempo a gente se esquece.

−Sei disso, ainda me lembro um pouco do meu pai, mas não muito da minha mãe.

−Sinto muito!

−Não precisa! Eu respondo, ninguém precisa sentir por nenhum dos dois.

Carol volta com o livro, ela abre muito rápido, olha para foto aliviada, agradece Carol e depois me agradece e se afasta.

−Que foi isso? Carol me pergunta.

−Um favor, apenas isso.

Sei muito bem que Alice vai me perturbar e me deixar fora de mim muito ainda, ela não segura aquela língua e tem resposta para tudo, e o mais estranho, não tem medo de mim, de me desafiar, nenhum receio e isso é uma novidade que simplesmente detesto.

Notas finais
Gostaram? Quem quiser deixar um comentário fique à vontade. beijos