Caminhando entre os mortos
43 Capítulo 43 - Encontro
Notas iniciais
Pov – Daryl
As roupas vão sendo atiradas para longe, sinto urgência por ela, mais do que em qualquer outra ocasião, agora posso dizer que temos uma história juntos, algo que nunca achei que poderia acontecer.
Beijo sua pele, desço meus lábios por seu pescoço, adoro sentir seu perfume suave, a macies de sua pele que nem mesmo o apocalipse foi capaz de tirar, Alice suspira, se entrega, toca minha pele, estremece pedindo por mais, nos deitamos no colchão, aqui é sempre mais intenso e urgente, talvez pela liberdade de nos sentirmos realmente sozinhos.
Sinto a brisa leve da noite tocar nossos corpos, nem mesmo isso é capaz de acalmar o calor que sinto, diminuir o fogo que me consome, Alice está sempre inteira, não tem medo, vergonha, se deixa levar e quando estamos juntos são nossos corpos que comandam, somos só instinto e obedecemos cegamente suas ordens.
Nos movimentamos juntos, sempre no mesmo ritmo, gosto de olhar para ela, capturar o brilho de seu olhar, a expressão de prazer, eu a beijo mais uma vez.
−Minha mulher! É bom dizer isso, ela me sorri emocionada, Alice não é sempre tão durona como gostaria realmente de ser, quando está em meus braços é apenas uma garota e adoro isso, a delicadeza e fragilidade que se misturam com a força e a coragem, por isso eu a amo, por ser muitas coisas, e principalmente por se permitir ser assim.
Adio o máximo o momento do clímax, quero que dure para sempre, é tão raro nesse mundo de hoje nos sentirmos assim, depois ela se deita ao meu lado se enrola toda em mim, estamos ofegantes e cansados, ao mesmo tempo que leves e felizes.
−Acho que eu estou te amando mais hoje que nos outros dias! Ela me diz sorridente.
−Tudo por conta do anel?
−Por conta do que ele representa.
Beijo Alice, é tão linda, ela se apoia na mão para poder me olhar, está com um sorriso lindo e os olhos não escondem sua felicidade.
−Você sabe que vou contar para todo mundo que casou comigo não é?
−Sei!
−Agora sou sua mulher, é assim que tem que dizer, minha esposa.
−Sim senhora! Eu brinco, ela me beija e toca meu rosto, às vezes sinto vontade de ser como ela, carinhoso, mas não sei muito fazer isso, não combina comigo, no fundo acho que ela nem mesmo se importa, Alice não é o tipo que se cala diante de suas vontades, ela as grita em alto e bom som, exige sem medo, se quisesse mais me diria.
−Ainda vamos continuar brigando não é? Ela coloca os cabelos para trás, apoia a mão no meu peito – Gosto quando brigamos, é divertido.
−Não sei se é divertido, mas de todo modo sabemos que as brigas vão continuar, porque você é impossível e não conhece limites.
−Já disse que não quero limites, quero ser feliz.
−Acredite, eu já entendi isso! Ela me beija mais uma vez, acaricia minha barba por fazer, fica subitamente pensativa.
−E não vai ser um marido mandão, Cooper era e odiava isso, tinha muita pena de Emma, ela o amava muito, mas às vezes acho que não era feliz.
−Alice, a questão não é eu mandar ou não, você nunca obedece.
−Deveria? Ela pergunta.
−Seria mais seguro!
−O centro do universo! Alice provoca – Se acha o fortão!
−Teimosa, se me achasse o fortão não teria tanto medo de algo te acontecer, mas não, eu fico o tempo todo esperando a hora em que vai terminar com uma arma apontada para sua testa, ou um zumbi nos seus calcanhares!
−Azar, Daryl, isso é azar, não teimosia!
−Discordo!
−Novidade, nunca concorda com nada! Ela se encosta em meu peito, fecha os olhos – Me ama?
−Sim!
−E me acha uma delícia e foi atrás de uma aliança para me dar por que não sabe viver sem mim e tem medo de me perder?
−E eu é que sou o centro do universo? Rimos os dois.
−Daryl você não me elogia, eu é que preciso fazer isso por nós dois!
Sou obrigado a concordar, não faço mesmo isso, mas é meu jeito e depois nem é preciso, Alice é boa em se auto promover.
−Vamos dormir?
−Está maluco? Ela me olha séria – Acha mesmo que vou te deixar dormir na minha noite de núpcias? Me espanto, me diverte que ela seja assim tão livre, que diga o pensa sem medo, mas ainda me espanta e confunde – Só estou te dando um tempo para descansar!
−E quem aqui está cansado? Digo me virando e ficando sobre ela, colo meu corpo ao dela e gosto de saber que simplesmente se encaixa com perfeição, nos perdemos mais uma vez.
Acordo com o sol no meu rosto, olho para Alice que dormia completamente espalhada, os cabelos brilhando refletindo o sol, o rosto suave como o de uma fada, fico ali, olhando para ela, sem acreditar que é minha, que me ama e me aceita, que não se importa em estar comigo, mesmo que eu não tenha nada para oferecer a ela.
Beijo Alice para desperta-la, ela pisca se acostumando com a luz, depois me olha e abre um lindo sorriso, ergue a mão esquerda e fixa os olhos no dedo, beija o anel e me puxa para ela.
−Achei que pudesse ter sonhado, mas é maluco mesmo, casou comigo!
−O mundo apocalíptico deixa poucas opções! Eu brinco beijando seu pescoço.
−Isso foi muito romântico! Ela devolve a brincadeira me empurrando, é inútil, não me mexo do lugar – O que vamos fazer hoje?
−Nada, estamos bem, amanhã temos que sair, Sasha acha que é uma bom momento, mas hoje estamos completamente de folga.
−Devíamos ficar vigiando a torre o dia todo então!
−As pessoas iriam pensar...
−Que estamos fazendo sexo? Ela diz rindo – Estariam completamente certas!
−Boba! Me afasto – Vamos descer!
Alice sai pela prisão mostrando o anel, contando detalhes do pedido e do restante da noite, definitivamente não tem qualquer limite, nunca filtra nada, sai por ai dizendo o que pensa e sente.
Passamos o dia perdidos pela prisão, não sei se gosto muito desses dias tediosos, mesmo sabendo dos perigos lá fora gosto da adrenalina da luta, de me sentir útil, ficar de um lado para outro jogando conversa fora me deixa mais casado que qualquer coisa.
No fim da tarde me separo de Alice, Rick precisa de ajuda para uns consertos antes da luz do dia terminar, eu e Ty vamos com ele, demora a ficar pronto e quando volto encontro Alice em nossa cela, ela jogava cartas com Beth, Carl e Zack, nos olhamos e ela sorri.
−Oi! Aceno para todos colocando minha besta no chão, ela volta sua atenção as cartas – Vamos lá, querem saber, eu pago para ver, faz uma aposta, Zack atira as cartas na mesa de mal humor, Carl cobre a aposta e Beth faz o mesmo.
Eles mostram o jogo e dessa vez Beth comemora a vitória, sorri juntando os itens que apostaram, pedras, roupas e armas, armas?
−Estão apostando facas? Pergunto curioso.
−Não qualquer faca Daryl, essa era a minha preferida! Zack conta – Tinha certeza que iria ganhar.
−Agora vai ter que convencer Beth a devolve-la! Carl se levanta – E eu vou indo, amanhã começo cedo.
Os dias seguem sem muita preocupação, saímos num grupo grande e voltamos sem nenhum acidente, tudo fica tranquilo e não fosse os grupos de zumbis aumentando nas grades nossos dias seriam de estrema paz.
Amanheço decidido a caçar, a última vez que saímos para a floresta foi um completo desastre, mas dessa vez o tempo está mais firme, e o dia mais claro, preferia ir sozinho, mas nem me atrevo a dizer isso a Alice, ela ficaria furiosa, depois do anel ficou mais possessiva, na maior parte do tempo me faz rir, me lembra o tempo todo que sou seu marido.
−Bom dia! Ela diz enquanto como de costume passa por cima de mim me esmagando decidida a se levantar, quando Alice decide sair da cama nada a impede, é como se tivessem enchido a cama de espinhos – O que vamos fazer hoje?
−Caçar! Aviso e ela volta para meus braços – Mas já sabe, vai se...
−Não começa com a lista chata de recomendações, não sou idiota, já sei que tenho que ficar calada, tomar cuidado, ficar perto e sei lá mais o que!
−Ótimo! Eu respondo e então nos preparamos.
O dia está limpo e assim que entramos na floresta me sinto relaxar, esse é sem dúvida meu lugar preferido, caminhamos em silencio, atentos a tudo a nossa volta, cada vez mais para dentro da floresta, nem um único zumbi no caminho.
−Que paz não acha? Alice me diz com o machado na mão.
−Não se descuide por conta disso! Aviso e recebo uma careta em resposta, reviro os olhos e volto minha atenção a mata.
Uns minutos depois um zumbi surge, vem pelo meio das árvores, tão sorrateiro que Alice não percebe, quando o sente ele já a agarrava seus braços deixando-a sem condições de se defender, eu puxo o infeliz de cima dela, atiro o maldito no chão e o acerto com o cabo da besta, a cabeça arrebenta no mesmo instante, me volto atento Alice está tremula.
−Como está? Pergunto preocupado me aproximando dela.
−Bem, foi só um susto, nem vi de onde essa coisa veio! Ela responde olhando para o homem no chão, sujo e imóvel.
−Vamos continuar! Ela passa na minha frente e seguimos nosso caminho.
O tempo passa e vejo um coelho escondido num tronco caído no chão, Alice faz aquela cara de pena quando o acerto e caminho para busca-lo.
−Não faz essa cara, é nosso jantar.
−Bando de carnívoros! Ela resmunga – Já não chega a pobre Violet e sua família.
−Ela está bem viva! Eu a lembro.
−Por enquanto!
Seguimos nosso caminho, pego mais quatro esquilos e uma marmota, é um bom número e decido que já podemos voltar para casa, Alice segue ao meu lado, passamos um bom tempo na floresta.
−Melhor irmos logo, está com fome?
−Não, apenas com sede, bebemos toda a água que trouxe! Alice avisa – Não, eu não tenho intensão nenhuma de beber água do rio! Ela me diz quando olho para ela, acabo rindo – Nada de dar chance ao azar.
−Boa menina! Puxo Alice para um beijo, ela me abraça e corresponde, depois a afasto – Estava com saudade!
−Que lindo, diz de novo? Ela fica mesmo emocionada, posso notar pelo seu olhar, chego a me sentir um pouco culpado por não demonstrar mais o que sinto.
−Dizer o que? Brinco com ela que me empurra.
−Idiota! Reclama e eu a puxo para meus braços mais uma vez.
−Estava mesmo com saudades sua boba reclamona!
−Reclamona é muito bom, vou te chamar de reclamão!
−Sempre achando maneiras novas! Ela ri e seguimos adiante.
Saímos um pouco do nosso percurso habitual, e precisamos atravessar a estrada para mais uma vez entrarmos na floresta e seguir em direção a prisão, quando estamos atravessando Alice olha para o lado, para forçando a visão, acompanho seu olhar, um homem caminhava cabisbaixo, carregava uma mochila nas costas.
−Bob! Alice diz atenta quando ele estava mais próximo, eu segurava a besta mirando o desconhecido, ao menos desconhecido para mim – Bob Stockey? Ela diz sorrindo enquanto o homem tão perplexo quanto ela a observa confuso.
−Alice! Ele diz paralisado – Meu Deus é mesmo você?
Para minha surpresa ela corre para seus braços, eles trocam um longo abraço, depois se afastam, estão os dois surpresos, se olham o idiota toca seu rosto e cabelos, como se precisasse ter certeza de que era mesmo ela.
−Pensei que estivesse morto! Ela diz – Achei que não tinha sobrado ninguém, voltei lá, Bob o que aconteceu?
−Está viva Alice, não acredito, tem mais alguém com você, Emma, as crianças, Cooper?
−Só eu Bob, eles... Ethan, Chase, todos mortos! Ela se emociona com a recordação, só então se lembra da minha presença – Esse é Daryl Dixon, me casei com ele! Ela sorri me deixa menos tenso, não gosto nada de vê-la com tanta intimidade com um completo desconhecido.
Apertamos as mãos, Bob parece completamente surpreso, olha de mim para ela, sorri e nos separamos.
−Estão na estrada? Ele pergunta nos encarando.
−Não, temos um lugar seguro e você vem com a gente, não vai acreditar no que te espera.
−Alice eu não sei... – O homem me olha confuso, acho que esperando minha aprovação, não vai conseguir muito de mim, nesse momento estou detestando que esteja entre nós.
−Você vem Bob, não podemos nos separa agora, de jeito nenhum, estou tão feliz de te ver, saber que está vivo! Ela volta a abraça-lo, Alice e seus abraços, ele corresponde e depois quando se afastam ela volta a insistir – Vamos de uma vez, diz a ele Daryl, aceitamos todos!
−É bem vindo! Responde sem muito ânimo, ele concorda com um movimento de cabeça.
−Vamos, quero saber de tudo, como sobreviveu o que fez todo esse tempo, se esteve sozinho, vou te contar tudo, como foi que acabei aqui e nem vai acreditar em como o lugar que temos é seguro.
Bob fica mudo, atento aos movimentos da floresta, parece que são amigos e devia confiar nisso, mas não consigo, principalmente no caso de Alice que só se mete em encrenca.
−Alice é uma boa amiga, a melhor que tive desde que tudo começou, não se preocupe, ela não corre risco algum comigo! Bob me avisa ao notar que não baixo a guarda.
−Eu decido isso! Aviso de má vontade, Alice para e nos olha, coloca a mão na cintura, faz aquele ar lindo de quem está furiosa.
−Podem ficar imediatamente amigos, os dois, ou vou ficar uma fera e vocês realmente me conhecem! Ela nos ameaça, olho para Bob, ele parece conhecer Alice tão bem quanto eu, mais uma vez me estende a mão, aperto em sinal de paz, ao menos por enquanto.
Seguimos nosso caminho em silencio, estamos quase na prisão quando Alice do nada para em nossa frente.
−Cassete Bob, não te mostrei, olha que lindo meu anel! Ela mostra o dedo.
−Casou mesmo! Ele diz rindo.
−Sim, agora vamos, deve estar cansado, depois que comer e dormir um pouco vamos conversar e vai me contar tudo!
Finalmente chegamos a prisão, Bob fica mesmo chocado com o lugar, observa tudo e todos, Carol como sempre se aproxima dele, aperta a mão se apresenta e o convida para se alojar.
−Vai Bob, mais tarde nos falamos, eu te procuro depois! Eles se abraçam mais uma vez e então Bob some para o bloco D com Carol, Alice passa o braço pela minha cintura se encosta em mim, suspira.
−Que foi? Pergunto preocupado.
−lembranças, estou feliz, mas ainda assim ver Bob me traz memórias doloridas.
−Sei como é, acredite.
Beijo seus cabelos e depois de entregar a caça a uma das senhoras da prisão sigo com Alice para nosso bloco, tenho muito a perguntar sobre Bob.
Nos sentamos no refeitório, Rick, Carl e Hershel se sentam conosco, tão curiosos quanto eu.
−Já sei, querem saber tudo sobre o Bob, vou contar.
−Ótimo, se o conhece queremos ter certeza de que está tudo bem tê-lo aqui.
−Bob chegou no grupo uns meses antes de tudo terminar, já vinha de um grupo que tinha acabado, estava sozinho e tinha ou tem, problemas com bebida, é um paramédico do exército, já esteve em uma guerra, chegou a dizer que sentia falta perto do que vivemos hoje.
−Isso é bom! Hershel avisa.
−Ele é confiável, um homem bom, sempre saiu com o grupo de buscas, cuidou e protegeu o acampamento, mas é verdade que uma vez ou outra passava dos limites com a bebida, mas isso não era um problema, não naquela porcaria de grupo que Cooper coordenava, ele era um dos que bebia sem qualquer preocupação.
−Acha que isso pode ser um problema? Rick pergunta e ela dá de ombros.
−Espero que não, a bebida nunca afetou Bob de um modo negativo, não no sentido de incomodar os outros, ficava apenas depressivo, eu o colocava na cama, ou alguém que ele confiava, Ethan, Chase, e ele dormia.
−Nesse caso, se ele não vai desrespeitar as mulheres nem oferecer risco acho que tudo bem! Rick concorda – Mas fale com ele Alice, diga que aqui somos mais que um grupo.
−Vou dizer, não se preocupem! Ficamos sozinhos mais uma vez.
−Quando for falar com ele... Eu quero, não quero que fique sozinha com esse cara.
−Está com ciúme? Ela sorri – Adoro ter um marido ciumento, mas não muito! Ela adverte – Bob é só um amigo, sempre foi, jamais isso foi diferente ou vai ser! Ela me avisa, sei que está dizendo a verdade, mas isso não muda muito, ainda assim não gosto dele e sua amizade.
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