Caminhando entre os mortos

39 Capítulo 39 - Respondendo ao pedido


Notas iniciais
Olá pessoas, desculpe se demorei, mas estava ansoiosa demais esperando o episódio de ontem de TWD e não consegui postar, Aliás que episódio! Não vou dar Spoiller, mas foi fantástico. Espero que gostem.

Pov – Daryl

Eu disse, finalmente disse, isso vinha me incomodando a dias, talvez semanas, Alice está me olhando, não diz nada e só aumenta minha tensão, não sei o que pode sair desse pedido, nunca sei o que esperar de Alice, mas felizmente eu disse, um peso acaba de sair das minhas costas.

Amo essa mulher e tenho medo de perde-la, essa é a única razão para querer dar um nome ao que temos, não, é mais que isso, não sei o que, talvez seja apenas o próximo passo, talvez seja natural que depois de um tempo as pessoas queiram isso, não sei, apenas quero.

Ela pisca, engole em seco e puxa o ar com força, mais um segundo disso e vou ter uma sincope.

−Vamos falar sobre isso, estamos falando de casamento? Ela me pergunta num misto de seriedade e diversão, Alice não se emenda, transforma tudo em algo engraçado.

−Sim! Respondo juntando paciência.

−E vou ter uma aliança?

−Onde vou conseguir uma? Sabia que faria algo assim.

−Não sei, arranque o dedo de um zumbi! Ela diz decidida, como se isso fosse muito natural.

−Certo! Alice sorri – Eu providencio uma.

−E vai ser um bom marido, bem compreensivo e bonzinho?

−Marido? Fico surpreso com a ideia, arregalo os olhos, ela cruza os braços.

−Quer casar comigo e não quer seu meu marido? Alice reclama – Melhor rever esse seu pedido!

−Certo Alice, tudo bem, entendi, pode ser marido!

−Muito bom! Ela me encara sorrindo – Agora a parte que realmente importa – Acho que vai me deixar maluco antes de responder a porcaria do pedido – Sobre o cafuné, vai fazer sempre que eu pedir?

−Quanto é isso?

−Toda noite? Ela pede, reviro os olhos – Olha lá você já querendo fugir.

−É chato fazer isso! Eu digo de má vontade – E tenho certeza que vai abusar.

−Talvez, mas prometo recompensa-lo! Seu olhar fica subitamente brilhante, meu sangue ferve só com a ideia.

−E se um dia eu estiver cansado?

−Dou um desconto! Alice promete.

−Feito! Eu respondo.

−As regras vigoram a partir de agora ou a partir das alianças?

−Alianças? Não acredito que ela quer que use um anel, nem pensar que vou fazer isso.

−Ah! Seu machista, quer que eu seja sua, mas não quer ser meu?

Passo a mão pelos cabelos, que coisa mais complicada que é essa mulher, nasceu com o único objetivo de me infernizar, é maluca, teimosa e agora quer me fazer usar um anel, não acredito.

−Alice, já vai ser difícil conseguir um anel para você.

−É um egoísta sabia? Ela resmunga.

−Chega, fica ai com sua lista de exigência, cansei! Deixo a cela e sigo em direção ao pátio, o refeitório estava lotado quando entro, todos comendo e conversando, passo de cabeça baixa, não quero falar com ninguém.

−Daryl Dixon! A voz de Alice ecoa alta pelo refeitório, paraliso sabendo que vamos ter uma cena na frente de todos, mais uma, me viro muito lentamente e a encaro a alguns metros de mim – Pede de novo? Ela me diz e está tão linda, tão delicada, torce os dedos um tanto assustada, acho que tem medo de que eu tenha desistido, como se isso fosse possível.

−Garota infernal! Esbravejo – Quer casar comigo ou não? O tom sai muito mais grosseiro que deveria, ela sorri caminhando até mim, meus olhos ficam presos nos dela, isso é bom, nem quero pensar em como seria se conseguisse olhar a minha volta.

−Quero! Ela diz passando os braços por meus ombros e me puxando para ela – Não precisa usar aliança, só precisa me amar! Então sem pensar em nada eu beijo Alice, um longo beijo, quando nos afastamos ela sorria – Mas tem que ter cafuné!

−Já entendi isso! Eu resmungo, ainda não olho para ninguém, nem mesmo sei se um dia vou olhar – Vamos! Passo por todos puxando Alice, só encaro mesmo Carol que pisca para mim sorridente, desvio o olhar.

−Ainda não decidimos quando começa a vigorar as regras! Alice diz quando entramos na cela.

−Quando calar essa sua boca grande! Eu a puxo para mim e a envolvo em meus braços, Alice é minha, minha de verdade e agora é para sempre, não importa quanto dure esse para sempre.

−Devia me beijar, é louco por mim, quer até casar comigo.

Beijo Alice, desço meus lábios por seu pescoço, ouço seu gemido e me sinto queimar, ela tem esse talento, me deixa completamente em chamas no minuto que a toco.

Alice me puxa em direção a cama, enquanto me ajudava a tirar minha camisa, depois eu ajudo ela com suas roupas, rimos quando quase caímos enroscados nas roupas.

−Me pediu em casamento, seja romântico! Alice me diz enquanto caímos na cama.

Nos entregamos um ao outro de um modo diferente, mais completo, sem medo, Alice me olha, nunca esteve tão delicada, ela sabe como fazer para me deixar louco, somos só instinto, me sinto queimando e só o que quero é me atirar ao fogo.

−Eu sou sua mulher agora! Alice sussurra em meu ouvido.

−Sempre foi! Amamos um ao outro, por completo, esgotados nos aconchegamos ela relaxa de olhos fechados, ficamos em silencio, recuperando as forças, apenas apreciando o momento, então ela me olha, apoia a mão no queixo para me olhar, os cabelos escorrem pelo ombro, os olhos estão cheios de paz.

−É meu marido, agora se alguma vadia se meter entre nós está fu... ferrada! Rimos – Detesto que me ache boca suja! Ela resmunga.

−É boca suja, mas não me importo com isso, sabe muito bem!

−Por que me ama loucamente?

Eu a puxo para um beijo, ela corresponde, depois me afasta.

−Não está se esquecendo de nada? Alice me pergunta, me faço de desentendido.

−Nada, do que está falando?

−Que traíra! Ela me dá um beliscão no braço – Fez uma promessa, se não cumprir vou pedir o divórcio!

−Não sei do que está falando! Digo sorrindo.

−Está tão contentinho, nunca te vi assim, tão feliz!

−Eu, quem disse que estou feliz? Brinco com ela – Estou é pensando no que fui me meter! Ela ri.

−Se meteu numa encrenca sem limites, agora não tem volta!

−Eu não quero que tenha volta, pode ter certeza!

−Te amo! Alice me diz, ela sempre diz, mas às vezes tudo parece tão mais real, como agora, quando ficamos assim, juntos, sozinhos e completos.

−Também amo você, agora que tal dormirmos? Ela me olha de bico, se deita em meu peito, os cabelos se espalham sobre mim, longos, dourados e perfumados.

Sei que dessa vez não vai pedir, então minha mão segue para eles, sinto a textura leve, os fios finos e delicados, se misturam aos meus dedos, é uma sensação diferente, um carinho terno, faço cafuné em Alice, e posso entender porque ela queria tanto.

Não é como quando nos entregamos a paixão, é diferente, suave e carinhoso de um jeito que gosto, Alice está silenciosa, aceitando o carinho de olhos fechados, pela primeira vez muda.

−Feliz? Pergunto, ela apenas balança a cabeça de forma positiva, me mecho sem parar o carinho, quero olhar para ela, Alice tem os olhos marejados – Chorando?

−Um pouco, queria tanto isso!

−Porque? Pergunto depois de beijar sua testa.

−Parece bobagem, mas é carinhoso sem ser sexual, deixa claro que me ama e não está em busca só do prazer físico, que é mais que isso, cafuné é só carinho e cuidado.

−Devia ter me explicado isso antes!

−Devia! Ela responde antes de pegar no sono.

Acabo adormecendo também, quando acordo Alice como de costume tentava sair da cama sem me acordar e só consegue me dar um susto.

−Desculpa! Ela vai logo dizendo, já está de pé do lado da cama, eu a puxo de volta, Alice cai sobre mim rindo – Às vezes quero que seja assim sempre, outras fico querendo meu mal humorado de volta!

−Decida! Brinco roubando um beijo.

−Quero os dois, sempre, um para cada momento! Não estendo o assunto, vai saber que horas essa maluca quer o mal humorado em ação.

−Vamos descer, ver como estão as coisas, temos muito trabalho, e se parou de nevar vamos organizar uma saída.

−Adoro nossas missões! Ela comemora – Vê se acha uma aliança senhor Dixon, ou vou eu mesma atrás de uma!

−Odeio profundamente suas ameaças! Reclamo.

−Senhor mal humorado, o senhor por aqui, andava sumido! Alice brinca comigo acaba me arrancando um sorriso.

Assim que descemos vou conversar com Rick, me irrita um pouco essa mania que ele tem de se afastar de tudo, viver como um simples fazendeiro, posso e realmente entendo a questão de não estar pronto para assumir as responsabilidades que sempre foram dele, acho que merece esse tempo, mas tenho medo de estar sendo extremista.

Ir para floresta desarmado é um risco que não quero que corra, não só por ele, mas pelos filhos, tenho medo pela bravinha e por Carl.

−Tem certeza que não quer ir a reunião do conselho? Pergunto enquanto caminhamos para fora.

−Não, já falamos tanto sobre isso, vocês não precisam de mim!

−Como quiser! Olhamos para fora, o céu continuava cinza, mas a neve tinha finalmente parado.

−Desde a madrugada que não neva, acho que agora isso acabou, já não era sem tempo.

−Vou aproveitar para tratar de uma nova saída, o estoque de suprimentos não é dos melhores! Digo com a besta nas costas.

−Quando foi? Rick pergunta, depois me dá um tapinha amistoso no ombro e nos separamos.

Nos reunimos como de costume, todo conselho sentado num ambiente tranquilo e despreocupado, chega a me dar medo dessa onda de paz, como se fosse só o olho do furacão, um mal presságio que me causa arrepios.

−Por onde começamos? Sasha pergunta.

−Suprimentos! Glenn diz ajeitando o boné na cabeça.

−No limite! Carol avisa – Acha que consegue caçar? Ela me pergunta.

−Pode ser, esse frio dificulta um pouco as coisas, ficamos uns dias sem ir a floresta, com certeza perdemos nossas armadilhas para os zumbis.

−Quem sabe podemos dar umas voltas depois da reunião? Alice me convida, concordo com um movimento de cabeça.

−E podemos organizar uma missão, um bom grupo, dois carros, pessoas preparadas.

Sasha é uma mulher de ação, além de muito organizada.

−Concordo, desde que não seja hoje, acho que nem amanhã, vamos garantir estradas secas, não vamos arriscar um acidente.

Eu aviso preocupado com a necessidade de proteger Alice, olho para ela, lá está ela de novo tamborilando a caneta na mesa completamente distraída e entediada, escondo um sorriso.

−Que acha Alice? Pergunto só para ela despertar.

−Acho que é mesmo mais seguro! Ela me surpreende, parecia tão distraída – Quer saber, acho que devíamos seguir em direção ao sul, nunca fomos para aqueles lados, precisamos de uma cidade nova.

−Certo! Eu sorrio – E sobre o Rick?

Hershel balança a cabeça concordando, sei que assim como eu está preocupado.

−Vou falar com ele, concordo que ele está muito distante, vive apenas em função da horta, os animais, sai desarmado.

−É justamente essa minha questão.

Alice se ajeita na cadeira, morde o lábio, olho para ela.

−Acho que deviam deixar o Rick fazer como ele quer, o que vejo é um pai tentando salvar um filho! Alice me surpreende, todos olhamos para ela surpresos – Me contaram coisas, e pelo que ouvi, Carl estava seguindo por um rumo perigoso, acho que ele quer apenas mostrar ao filho que existe um outro caminho, ou ao menos um meio termo.

−Você está certa Alice, acredite, mesmo detestando essas reuniões que eu sei, sua presença é muito importante.

−Obrigada Hershel! Alice se levanta e o abraça, depois se senta novamente.

Discutimos mais algumas coisas, nada de muito relevante, apenas pequenas questões do dia a dia, Sasha e Carol apresentam soluções rápidas e bem práticas.

Depois deixamos a reunião, Alice me abraça e seguimos para nossa cela, Alice se atira na cama, o dia estava no meio e já me sinto entediado, acho que ela também.

−Vai Alice, se agasalha e vamos para floresta, sei que está louca para sair daqui um pouco.

−Amo você! Ela diz pulando em meus braços, sorri e me beija, sempre me surpreendo.

−Maluca! Digo abraçando Alice.

−Vamos! Ela logo se apronta, veste uma jaqueta, e reúne suas armas.

Deixamos a prisão de mãos dadas, já me acostumei a andar com ela assim nunca pensei que poderia, mas não me importo muito com o que pensam, não mais.

−Estaria pronta para voltar para estrada? Pergunto assim que entramos na floresta.

−Pensando em deixar o grupo? Ela me pergunta surpresa.

−Não, mas eu andei pensando, tive um mal presságio, apenas isso.

−Claro que não quero, adoro a vida na prisão, me sinto segura e feliz, cada dia mais feliz! Ela abre um largo sorriso, os olhos sempre sorriem junto, adoro isso – Mas nunca fui acreditei que pode ser para sempre, uma hora as grades vão ceder, eu sei disso.

−Acha? Eu pergunto com a atenção voltada para a floresta, escutando cada som, notando as pegadas pelo caminho, meus instintos sempre alerta.

−De um jeito ou de outro! Ela responde e paro diante dela.

−O que quer dizer com isso?

−Zumbis, inimigos, quem pode saber? Ela suspira e voltamos a caminhar – O tal governador que um dia tentou destruir vocês, esse que a Mich caça tanto, ele está por ai, ele pode voltar não pode?

−Pode, claro que pode, e novos inimigos podem surgir.

−Vê, é o que digo, e se isso acontecer, pode apostar que vamos seguir em frente, se estivermos juntos sempre posso suportar.

Acho que eu também, penso apressando o passo quando meia dúzia de zumbis surge na floresta, não quero perder tempo agora, eles são lentos e podemos apenas seguir em frente sem parar para mata-los.

Seguimos caminhando em frente, se Alice está preparada para o que o futuro pode nos reservar, então eu também estou e vou seguir em frente e lutar, e vou fazer isso enquanto estivermos juntos, só isso que importa.

Notas finais
Gostaram? No próximo eu prometo mais ação! beijos