Caminhando entre os mortos

40 Capítulo 39 - Perigo


Notas iniciais
Olá pessoas, mais um capitulo, espero que gostem.

Pov – Alice

A floresta está muito silenciosa, continuamos conversando agora sobre a prisão, o dia a dia, as necessidades do grupo, não nos olhamos muito, estamos atentos aos movimentos a nossa volta, um zumbi pode surgir de qualquer lugar, não se pode baixar a guarda.

−Acho que devia arrumar um apelido romântico para você! Ele me olha tenso, me faz rir – Que foi? Eu pergunto rindo da careta dele, sei perfeitamente que ele simplesmente odiaria se o chamasse de algo fofo e romântico na frente das pessoas.

−Não faria isso? É uma boa maneira de tira-lo do sério.

−Faria, Acharia ruim? Ele afirma – Eu iria gostar... Escute! Paro um segundo, ouvimos os gruídos de zumbis, parecem muitos, ele dá um passo à frente, ficamos em silencio imediatamente, seguimos juntos, Daryl está tão focado que mal me percebe logo atrás dele.

A floresta ganha uma elevação, começamos a subir chegamos na parte mais alta, olho para baixo, e então vejo um grupo de zumbis gemendo e tentando escalar o morro, só o que conseguiam era cavar a terra batida e úmida.

−Nossa! Digo arrepiada, cair ali seria morte lenta e dolorida.

Fico hipnotizada com a cena, meus olhos presos na imagem grotesca e perigosa que assisto, assim em ação, eles são tão assustadores e reais, às vezes atrás das grades eles parecem irreais, como uma fantasia de menina assustada, um sonho ruim depois de um filme de terror, mas ali tenho a real dimensão do que são, e principalmente do perigo que representam.

−Vão ficar horas ai até algo lhes chame a atenção, isso é tão absurdo! Daryl diz também olhando para baixo.

Eram pelo menos uns quatro metros de altura, de modo algum corríamos risco ali, olhando de cima, mas nossa presença os agita, os gemidos aumentam e a necessidade por nossa carne os deixam frenéticos, estremeço com a ideia.

−Assustador! Digo me virando para ele bem a tempo de ver um zumbi surgir ao seu lado vindo de trás de uma árvore – Daryl! Grito enquanto ele se vira, mais zumbis começam a surgir, três eu conto e quando me movimento para pegar meu machado escorrego na terra ainda molhada pelos dias de neve.

Me desequilibro, Daryl derrubava um zumbi e sem ter onde me segurar começo a escorregar em direção aos zumbis logo abaixo de mim.

−Alice! Ouço a voz de Daryl enquanto desesperada tento me segurar em algo, não posso cair, não posso, se me alcançarem estou morta, me seguro nas folhagens, galhos de uma planta que se prendia no barranco me seguram, a queda finalmente acaba, estou no meio do caminho, os zumbis se aglomeram sob meus pés, um metro me separa de suas mãos vorazes, suas bocas sinistras.

−Merda! Resmungo enquanto tento inutilmente firmar os pés em algo, só consigo fazer mais barro descer, a lama mole me tira a firmeza só o que me mantem ali são minhas mãos firmes nos galhos um pouco a cima de mim.

Meus braços não são fortes o bastante para me manter ali por muito tempo, fico lutando por minha vida, desesperada enquanto escuto os baques da besta que derrubava zumbis.

−Alice! Ele grita, sei que quer me ajudar, mas precisa derrubar os zumbis que o cercam, não posso ver quantos são, que riscos Daryl corre, choro enquanto procuro juntar forças para me manter firme.

−Daryl! Eu grito, olho para os galhos que me mantem longe dos mortos, meu peso começa a fazer a terra ceder, vejo horrorizada as raízes começarem a se soltar, terra úmida começa a cair sobre mim.

Eu vou morrer, é só isso que consigo pensar, ainda luto desesperada tentando firmar os pés, os baques de Daryl derrubando zumbis param e meu coração dói, estremeço, e se estiver morto, e se os zumbis por fim venceram, então não tenho razão para lutar, nenhuma razão, minha visão embaça pelas lágrimas, os galhos cedem mais um pouco, sei que agora estou muito perto das mãos frenéticas e quando tudo parece ruir uma mão firme segura meus braço e me sinto sendo puxada para cima.

Então chego em solo firme, Daryl me segura vejo o medo e o alivio refletido e seus olhos, estou suja, tonta e completamente tremula, mas ainda não acabou, um zumbi surge pelas costas de Daryl, meu machado desapareceu, só tenho uma faca no cinto, mas não há tempo para isso, uso o pé para chutar o zumbi com todas as minhas forças e ele rola pelo morro caindo sobre os zumbis que ainda desesperados tentavam me pegar.

Finalmente estamos seguros, corro para seus braços numa pequena crise nervosa, ele me abraça forte, fico ali um minuto, buscando algum controle, tentando controlar minha respiração e parar de tremer.

−Vamos Alice, precisamos sair daqui! Daryl me ajuda a ficar de pé.

−Desculpe! Digo quando finalmente firmo meus pés no chão.

Paraliso quando me dou conta do número de corpos a nossa volta, dez corpos caídos, olho para Daryl, corro para seus braços.

−Não quero perder você! Digo em meio ao desespero – Matou todos eles!

−Fiquei maluco, achei que você...

Daryl não termina a frase, apenas me beija, é um beijo cheio de fúria, me aperto a ele, quero sentir que estamos perto, que tudo está bem.

−Vem, vamos isso está perigoso demais.

Eu e Daryl deixamos o lugar, caminhamos juntos, a cada passo minha confiança vai voltando, minhas pernas voltam a se firmar, meus batimentos se estabilizam.

−Obrigada! Consigo dizer muito tempo depois, ele apenas sorri.

−Amo você Alice! Ele diz com tanta naturalidade, me faz sorrir.

Me olho, estou coberta de barro, as mãos sujas, e feridas, os cabelos grudados na cabeça, e agora sem meu machado, gostava dele era algo que sabia usar muito bem, mas acho que rolou para junto dos zumbis.

−Minhas mãos estão feridas, vamos em direção ao rio, estou muito suja!

Daryl concorda, não é como se fossemos desviar do caminho, podíamos seguir pela margem do rio até a prisão e eu poderia me limpar, a água do rio estaria ainda muito gelada, mas me sinto imunda.

Caminhamos mais meia hora em silencio, então o rio surge, o barro já estava grudado em minha pele e não vejo a hora de me livrar dele, nem penso em nada, apenas apresso o passo e sigo para a margem, me ajoelho e lavo as mãos, a água está mesmo gelada, mas não me importo.

Formo uma concha com a mão e lavo o rosto, uma, duas e então na terceira vez que minha mão mergulha no leito do rio, me sinto ser puxada, mãos geladas agarram meu braço e meus cabelos, caio na água me debatendo, empurrando o que mal consigo ver, chuto e soco o corpo empurrando para longe.

Afundamos na água, a correnteza nos puxando para longe, vejo o zumbi tentando me alcançar, a boca frenética abrindo e fechando em minha direção, não acredito no que está acontecendo, junto forças para empurra-lo, tento subir para respirar, engulo água e logo submerjo mais uma vez.

Me lembro da faca, enquanto uma mão segura desesperada a garganta do zumbi com a outra pego a faca, numa luta alucinante, aperto firme a faca na mão, o ar agora escasso me causa mal estar, engulo água, sinto as narinas ardendo e em meio ao pânico acerto a cabeça do zumbi, a água muda imediatamente de cor, tingindo de um vermelho escuro e lodoso, empurro o corpo agora inerte para longe.

Desesperada por ar subo e me debato cansada, tossindo e sem forças para nadar contra a corrente, então mais uma vez mãos firmes me alcançam me tirando do inferno, Daryl me tira da água, na margem ele me deita no chão.

Meus pulmões ardem, tusso e um enjoo me domina, meu corpo expeli a água num jato forte que me queima por dentro, me deixo ficar ali, recuperando as forças, quero desesperadamente dizer a ele que estou bem, a voz não sai, a ardência na garganta impede.

Meus olhos também ardiam e estão fechados, me sinto mole, abatida e esgotada, só quero dormir.

−Alice! Daryl me chacoalhava, me dava tapas leves no rosto – Por favor, Alice, acorda! Ele me puxa para si, me aperta em seus braços, fico tremendo – Eu te amo, fala comigo! Sinto a urgência em sua voz, quero me mover, dizer alguma coisa, me esforço.

−Estou aqui! Ele me abraça mais forte – Eu estou bem! Aviso me apertando a ele.

−Está bem? Daryl se afasta de mim, apalpa meu corpo, braços, pernas, pescoço, me investiga cheio de pressa e medo – Ele te mordeu, arranhou? Está agoniado, me sinto tão abatida, sem energia para negar então apenas espero que se certifique que estou bem.

Daryl me solta quando se dá conta de que não estou ferida, está completamente alucinado, fica de pé, anda de um lado para outro diante de mim, me deixa tinta e confusa, passa as mãos pelos cabelos, ajeita a besta nas costas, está suja de sangue, noto em meia a minha súbita confusão.

−Hecatombe! Ele diz sem me olhar – É isso, hecatombe, como consegue? Não respondo e ele continua – Quem além de você poderia quase morrer duas vezes no espaço de uma hora?

−Daryl! Eu tento falar mas sou ignorada.

−Maluca, idiota e irresponsável, você convida o perigo, abre a porta e oferece um café!

−Daryl!

−Chega, é isso, vou trancar você numa daquelas celas, é isso que vou fazer!

Ele para diante de mim, está tremendo e nem consigo gritar com ele, me defender, apenas fico olhando para seu ataque.

−Não se atreva a me contradizer, há uma hora estava pendurada num penhasco, eu matei uma dúzia de zumbis achando que não chegaria a tempo, ouvindo seu choro de medo, sabendo que num segundo você poderia... Odeio isso, odeio sentir tanto medo, então chegou ao fim, consegui tirar você de lá, salvei você e em menos de uma hora está engalfinhada com um zumbi debaixo da água.

Daryl para mais uma vez diante de mim, ele me olha fixamente e extremoso, me encolho um pouco.

−Fiquei nadando feito um louco, caçando você, meu Deus Alice, quer me matar é isso? Ele diz, então um zumbi surge, Daryl caminha até ele, está tão furioso que nem usa a besta, pega a faca e acerta sua cabeça, empurra o zumbi com o pé e o deixa cair volta em minha direção.

−Não basta o apocalipse, Deus disse, o apocalipse para a humanidade, mas para Daryl Dixon vamos caprichar, além dos mortos vamos mandar uma maluca que vai matar ele de preocupação lentamente!

−Me deixa aqui então! Eu digo cansada, caio no choro, um choro de alivio misturado com cansaço e desespero.

Daryl se surpreende, não esperava por uma reação como essa, normalmente tenho uma resposta a altura, mas me sinto abatida demais para brigar, escondo o rosto entre os joelhos, e apenas choro, choro longamente, até sentir os braços de Daryl me envolverem então me recosto em seu ombro tremula, ele me acolhe.

−Desculpe meu amor, fiquei muito assustado!

−Eu também! Respondo entre meus soluços, demoro a me acalmar, respiro longamente, prenso o ar e depois solto devagar me acalmo, seco meu rosto me afastando dele – Pelo menos fiquei limpa! Começo a rir, não foi boa ideia pelo olhar furioso que me lança.

−Estamos gelados, vamos para casa.

Eu concordo ficando de pé, estou tremendo de frio, tiro os cabelos do rosto, passo os dedos pelos fios cheios de nó.

−Estou horrível, pior que aquele zumbi que me atacou!

−Está viva, já é o bastante! Ele me diz me puxando pela mão – Consegue andar?

−Consigo, mas perdi meu machado, agora só tenho minha faca e a pistola.

−Vou pensar em uma arma para você! Ele me promete, depois me faz um carinho no rosto – Vamos de uma vez! Seguimos nosso caminho em silêncio, Daryl na frente, vez por outra para de andar e me olha, se certifica que estou bem e então segue em frente.

Estou muito cansada, mal sinto meu corpo, não sei se por conta da adrenalina ou apenas pelo esforço físico, além da tensão emocional, mas o fato é que mal aguento o peso do meu corpo.

−Falei que iria arrumar um jeito carinhoso de te chamar e você foi mais rápido!

−Eu? Ele me olha.

−Me chamou de meu amor! Sorrio e ele que estava com a cara de mal humorado de sempre abre um sorriso.

−Bobagem! Ele diz desviando o olhar, voltamos a caminhar.

Finalmente a prisão se anuncia, se tivesse forças eu correria para casa e me atiraria na cama, Daryl ainda tem que derrubar um zumbi para abrir a cerca.

Entramos e Daryl me aperta a mão, estou gelada e o sigo sem muita resistência, Maggie logo nota algo errado e vem a nosso encontro.

−Que cara é essa?

−Tivemos problemas! Eu aviso.

−Alice se meteu em todas as encrencas que pode, agradeça o fato de ainda estar viva! Ele responde bravo.

−Chega! Eu peço.

−Vamos tomar banho, precisa se aquecer e descansar.

Daryl me faz ficar sentada enquanto segue para nossa cela para buscar roupas, aproveito para contar tudo que aconteceu para Carol e Maggie, fico o tempo todo tremendo de frio.

Depois Daryl me ajuda no banho, adoro que cuide de mim, me proteja então seguimos para cama, estou sem forças para nada, só me deito e me abraço a ele fechando os olhos.

−Desculpe o escândalo, mas precisa admitir que quase me matou do coração.

−Eu fiquei assustada sabia, não me atirei do barranco e muito menos mergulhei no lago, aconteceu, foi um dia sem sorte.

−Não existe dias de sorte Alice, não mais, um dia ruim pode significar o fim de tudo, então por favor, seja atenta e cuidadosa, por mim!

−Prometo! Respondo antes de cair num sono profundo sem sonhos, apenas a mais profunda inconciência.

Notas finais
Espero que tenham gostdo. beijos.