Caminhando entre os mortos
41 Capitulo 41 - Anel
Notas iniciais
Pov – Daryl
Fico assistindo Alice dormir, essa mulher vai acabar me deixando maluco, mas não importa eu a amo e por isso não me importo de passar meus dias tentando manter minha mulher viva.
Não sei que momento foi mais difícil, Alice pendurada com dúzias de zumbis a espera de sua carne enquanto eu derrubava zumbis um atrás do outro com medo de não chegar à tempo ou o desespero de nadar e nadar sem encontrar Alice sabendo que ela se engalfinhava com um zumbi debaixo da água.
Achei que o dia jamais acabaria, uma confusão atrás da outra, mas felizmente estamos aqui e por mim, Alice nunca mais colocaria os pés fora da prisão, mas eu sei que não existe qualquer possibilidade de convence-la sobre isso.
Alice se mexe, resmunga qualquer coisa, tiro seus cabelos do rosto, me ajeito na cama para poder olhar para ela, é tão linda, assim dormindo me parece um anjo, quem pode dizer que se mete em encrencas a cada segundo.
−Oi! Ela me diz com a voz rouca pelo sono, sorri delicada – Mal consigo mexer os braços!
−Porque será? Eu brinco abraçando Alice mais, ela esconde o rosto na curva do meu pescoço, respira fundo.
−Gosto do seu cheiro! Ela me diz – O cheiro da sua pele, sabe? Me diz ainda ali escondida – Me faz sentir viva!
−Acho que agora é você que está me paquerando!
−Daryl Dixon eu estou mesmo te paquerando! Ela me diz sorrindo, então me dá um beijo – Estou tentando te seduzir para evitar a bronca que vem pela frente.
−Me conhece mesmo! Eu aviso.
−Quase morri, meus braços estão doendo, e você me ama, então seja generoso e pule a parte que grita comigo de novo e me chama de estupida, ridícula e todos aqueles adjetivos graciosos que conhece.
−Aprendi metade deles com você! Eu a lembro.
−Pode ser, mas podemos pular a briga ou não?
−Podemos!
−Que homem generoso! Ela me beija.
−Que jeito, com essa cara de coitada que você faz, sempre apelando para a pena!
−Cada um usa as armas que tem! Alice diz sem qualquer timidez, não se envergonha disso a cara de pau.
−Está com fome? Eu pergunto – Quer descer?
−Quero! Ela se move devagar – Mas dessa vez preciso que se levante, não estou brincando, meus braços doem muito, vou ver se a Carol me faz uma massagem.
−Porque a Carol? Pergunto me levantando.
−Ou a Maggie, tanto faz.
−Porque a Carol ou a Maggie tanto faz? Me incomoda saber que ela prefere outra pessoa.
−Precisei casar com você para ganhar um cafuné, imagina uma massagem! Ela me responde rindo, reviro os olhos irritado, não de verdade, uma irritação leve.
−Então foi por isso? Ela se levanta, estica o corpo geme de dor, mas também pode ser drama, seria a cara dela.
−Por isso e por que eu te amo! Me diz caminhando para meus braços, a irritação some, isso não pode ser normal.
−Eu faço uma massagem depois do café!
−Porque eu sou uma delícia e me ama muito?
−Porque só faz merda e vive com problemas, vem ainda quero achar uma arma adequada para você.
−Certo! Ela sorri – Nem sei quanto tempo dormimos.
−Muito, nem era noite quando deitamos! Eu aviso e ela se espanta – Dormiu feito uma pedra, nem reparou que fiz cafuné.
−Fez nada, mentiroso! Ela me abraça enquanto descemos a escada, no refeitório Carl corre para Alice, eles se abraçam longamente.
−Me disseram que se meteu em encrenca de novo?
−De novo? Alice brinca dando um tapa leve em seu chapéu – Não tive culpa nenhuma garoto, mas estou bem, tirando a dor nos ombros e braços, mas meu amor vai fazer massagem.
−O que aconteceu, me conta? Carl pede e os dois se sentam numa das mesas, sigo em busca de algo para comermos.
−Como ela está? Carol me pergunta enquanto preparava nossa refeição.
−Perfeitamente bem, fazendo piadas e se divertindo como de costume.
−Não finja que não gosta porque eu sei que adora isso! Carol me diz enquanto me entrega duas canecas – Vamos eu te ajudo a levar tudo.
−Então no último segundo Daryl me tirou da água! Alice diz – Precisava ver Carl, eu e o zumbi numa luta alucinante debaixo da água.
−Caramba! Carl diz impressionado, duas crianças contando aventuras, é isso que me parece.
−Agora come Alice! Quase morro do coração e ela trata como se fosse imortal.
−Depois vou ganhar massagem?
−Vai! Eu respondo, tenho planos e quero que ela esteja dormindo, ou ela vai querer estar comigo – E vai passar o resto do dia na cama.
−Com você?
−Eu estou aqui ainda! Carl se levanta – Te vejo depois! Ele se despede e Carol faz o mesmo, Alice termina de comer, realmente o braço parece muito ruim, ela faz uma careta de dor ao levar a caneca até a boca para dar o último gole.
−Pronto! Comemora – Vamos subir, estou mesmo com muita dor, parece que arde quando ergo o braço, ficar pendurada não foi nada divertido, depois teve aquela luta épica na água...
−Quer parar de se gabar disso como se isso fosse um feito!
−E foi! Ela diz quando entramos mais uma vez na cela.
−Vou fazer a massagem e depois vai dormir, e nada de reclamar!
−E qual vai ser minha nova arma?
−Amanhã pensamos nisso.
Alice se senta na cama, mexe o pescoço e depois tira a camiseta, fica apenas com o sutiã, adoro como sua pele é suave e delicada, ela se deita e me posiciono, minhas mãos tocam sua pele, os músculos estão tensos e ela geme de dor no primeiro movimento.
−Muita dor? Pergunto preocupado.
−Muita, sempre soube que devia frequentar a academia, pagava todo mês, nunca passei da recepção.
−Sua cara, mas agora fugir dos mortos virou uma ótima ginastica!
−Isso é bom! Ela diz fechando os olhos.
−Então tenta dormir, mais tarde vai estar ótima.
Ela sorri, os músculos começam a relaxar, continuo a massagear, os ombros, depois os braços, as mãos estão machucadas, não gosto de ver isso, essa droga de mundo está nos enchendo de cicatrizes, de todos os tipos, algumas tão profundas que nada pode apagar.
−Quero só entender o que tem em mente! Ela me diz um pouco depois.
−Do que está falando? Me faço de tolo.
−Acha mesmo que acredito nessa sua bondade?
−É isso que pensa de mim?
−Não vai sair vai? Alice me pergunta, não posso negar o quanto é perspicaz,
−Eu? Preciso ganhar tempo, ela se vira, me olha fixamente – Não quer mais massagem?
−Daryl quer me fazer dormir para sair? Estreita os olhos.
−Quero te fazer dormir, só isso! Minto e ela me olha desconfiada.
−Vou acreditar em você!
−Então dorme! Ela se deita.
−Boa noite!
−Veste a roupa antes! Não resisto ao pedido, ela ri se sentando.
−Ciúme é fogo! Ela veste a camiseta e se deita – Deita aqui comigo, já melhorei.
É um convite bem tentador, mas eu quero sair, preciso procurar o anel que prometi a ela, durante os momentos de tensão tive medo de perder Alice e só pude pensar que não tinha dado a ela o maldito anel, também quero achar um martelo de incêndio, ela se vira bem com ele é seguro e confiável.
−O que está pensando? Alice me desperta.
−Nada! Respondo rápido demais, ela fica desconfiada, me deito a seu lado, Alice se aconchega, fecha os olhos e acho que é um bom momento para fazer cafuné, ela suspira e relaxa.
−Isso é quase tão bom quanto sexo!
−Alice! Repreendo, ela ri e uns minutos depois adormece, me levanto lentamente deixo a cela e sigo para o pátio.
Procuro por Rick que como de costume remexia a terra, ele me olha de longe, para o que está fazendo quando me aproximo.
−Vou sair! Aviso.
−Longe? Ele me pergunta, faço que não – Sozinho?
−Sim, vou de moto, não devo demorar, vê se não deixa a Alice sair atrás de mim se ela acordar.
−Como se alguém fosse capaz de controlar sua mulher! Rick me lembra, sou obrigado a concordar.
−Eu sei, mas não custa tentar! Dou um tapa no ombro de Rick e me afasto.
Ligo a moto com uma ponta de culpa, não devia mentir para Alice, mas ela nunca me deixaria sair sem ela, além do mais acho que quando vir o anel vai me perdoar pela mentira.
Glenn me abre o portão, aceno e deixo a prisão, pego a estrada em direção a uma vila não muito distante, a estrada de terra batida ladeada de árvores parece tão bucólica, faz tudo parecer tão normal, dirijo devagar, então vejo um zumbi saindo de dentro da floresta, desvio e acelero um pouco, chego a vila uma hora depois, estaciono diante de uma casa branca, os jardins descuidados, a varanda revirada e a porta claramente arrombada, empurro com cuidado, a sala está vazia e as janelas fechadas deixam o ambiente escuro e sombrio, tenho certeza que no andar de cima, no quarto principal vou encontrar uma caixinha de joias e lá deve haver um anel.
Ninguém que fugiu pensou em coisas como essas, os valores se inverteram muito rápido, joias, dinheiro, nada disso tem qualquer valor, comida e abrigo é a moeda corrente. O silencio é gritante, faz tempo que não saio assim, completamente sozinho, que não tenho que me preocupar com nada além de mim mesmo.
O andar debaixo está limpo, subo as escadas com cuidado, evitando barulho, é impossível não pensar na vida que as pessoas daquela casa tinham antes do mundo acabar, o sonho americano de uma casa no subúrbio e filhos na universidade, tudo ruiu, abro a porta do primeiro aposento, um quarto de menina, brinquedos espalhados, gavetas abertas e roupas pelo chão, uma boneca como a que dei para Alice está sobre a cama, me arranca um sorriso.
Nada de zumbis, nada de humanos, apenas silencio, deixo o quarto tomando cuidado de fechar a porta, passo para o outro cômodo uma pequena sala, talvez um escritório de algum homem de negócios, desses que se preocupam tanto com o trabalho que se esquecem da família, alguém que quando se deu conta de que o mundo estava acabando se arrependeu, talvez tarde demais, ou quem sabe estão por ai, seguros em algum acampamento, recomeçando como nós.
Sigo para o quarto principal uma cama de casal duas cômodas e abajures, tudo revirado e sujo, entro procurando me concentrar, escuto uma porta sendo arranhada me viro, deve ser o banheiro, fico em dúvida se abro ou não, decido deixar que fiquem lá, não sei quantos são nem quero descobrir.
Reviro as gavetas e então encontro uma caixinha de joias, abro a caixa e espalho sobre a cama, tem muitas coisas ali, tudo brilha e parece bonito, não entendo nada dessas coisa, remexo e acabo encontrando um pequeno anel parece ouro branco, tem uma pedra azul delicada e diamantes a sua volta, nada muito grande ou chamativo, Alice iria gostar, coloco no bolso e deixo a casa, agora preciso de um bom machado, as ruas estão tranquilas, nada de zumbis então caminho um quarteirão até um posto policial na esquina, a porta está completamente arrebentada, marcas de unhas sujas de sangue riscam a madeira antes branca de cima a baixo, empurro e entro.
Não tem mais nada ali a não ser móveis revirados e papeis espalhados, seria muito achar o que procuro logo de cara, começo a caminhar de volta para saída, então um vulto se insinua vindo de uma das portas aponto a besta enquanto dou uns passos para trás, tropeço numa cadeira caída e a besta escapa das minhas mãos enquanto caio num estrondo sobre uma pilha de coisas, balanço a cabeça para afastar a dor e me sento, um zumbi avança sobre mim, eu o chuto para longe o infeliz cai exatamente em cima da minha besta e no segundo seguinte outro surge, eu o acerto com minha faca enquanto o primeiro tentava se arrastar em minha direção, pego a cadeira que me derrubou e acerto sua cabeça meia dúzia de vezes até o sangue jorrar deixando suas marcas por todo ambiente.
Pego minha arma e deixo o lugar, volto para moto, tenho ainda algumas horas antes do dia terminar, quem sabe encontro o que procuro na estrada, me lembro de termos passado por um caminhão de bombeiros em uma estrada secundária um pouco antes do inverno, estava tombado e vazia, ao menos foi o que pareceu na época, dirijo sem pressa até lá, avisto o caminhão do mesmo lugar, tudo está sempre no mesmo lugar.
Assim que me aproximo escuto os gemidos, sob a carroceria um corpo partido ao meio geme enquanto apenas um braço erguido tenta me alcançar, sinto pena e o acerto, com cuidado revisto o caminhão, dois corpos com roupas de bombeiro estão no chão, como não encontro nada no caminhão sigo até eles, nada no primeiro, já no segundo vejo o uniforme intacto, o sinto com os artefatos comuns a profissão e entre eles, um pequeno machado de cabo vermelho preso ao sinto na lateral, retiro o cinto e volto para moto.
−Pronto, agora posso voltar para casa! Dou a partida e dirijo de volta para a prisão, não sei muito bem como faço para entregar a ela o anel, mas ele está comigo e isso já é um começo.
A estrada está tranquila e chego na prisão uma hora depois, assim que avisto os portões vejo Alice de pé, os braços cruzados no peito e a cara fechada, acho que é um ótimo momento para entregar o anel e sair dessa com vida, como diz Alice cada um usa as armas que tem.
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