Caminhando entre os mortos
35 Capítulo 35 - recuperação
Notas iniciais
Pov – Daryl
−O que conversaram? Eu pergunto a Carol assim que ela sai – Porque está chorando? Ela não vai morrer! Não gosto desse ar derrotado dela, ninguém pode duvidar da força e coragem de Alice.
−Calma, não falamos nada demais! Ela toca meu ombro tenta me passar esperança.
−Ela vai ficar bem! Alice é forte, não vai me deixar, não aceito isso.
−Vá ficar com ela, molhe a testa e mantenha a temperatura baixa! Ela me sorri, sinto raiva do olhar de pena que me dirige.
Dou as costas a ela, entro na cela, Alice secava as lágrimas, disfarça como se eu não tivesse percebido, me aproximo, ela me dá as costas, se encolhe de frente para parede.
−Daryl, prefiro ficar sozinha! A voz está embargada, garota infernal.
−Porque está fazendo isso? Pergunto de pé, próximo da cama – Não vou sair daqui, quero cuidar de você!
−Não quero! Ela continua triste, chora e só quero resolver isso.
−Alice, eu não vou deixar você sozinha, eu amo você! Me sento perto dela.
−Eu posso morrer sabia? Alice me avisa.
−Para com isso, não é hora para ser idiota! Respondo irritado.
Ela choraminga encolhida, eu me aproximo mais me deito com ela, a febre parece ter subido e sinto meu corpo doer só de pensar, não queria isso, nunca quis, não fazia parte dos meus planos me apaixonar, não no meio desse caos, eu sabia que algo assim podia acontecer, que não suportaria uma perda como essa, mas quando me dei conta já era tarde, Alice ocupou todo espaço e não pode nem vai me dar as costas agora.
−Eu quero dormir! Ela me diz – Preciso que...
−Preciso que fique calada, eu vou ficar com você, cuidar de você.
−Se a febre me dominar, se as coisas acontecerem...
Eu a abraço e Alice tem uma crise de choro, então adormece, um sono confuso, chora, me chama, me empurra, um resto de noite difícil, molho um pano e coloco em sua testa, vou trocando durante a noite.
Pela manhã a febre parece ter cedido um pouco, Hershel vem ver Alice, ficar um pouco com ela.
−Vou ficar aqui um pouco, vá comer Daryl! Hershel me diz sorrindo tranquilo, ele tem esse jeito fácil de lidar com as situações mais assustadoras, sempre centrado e cheio de esperança.
−Não! Digo decidido – Não tenho fome.
−Mas quero conversar com Alice um pouco.
Sem alternativa eu deixo a cela, sigo para o pátio, ando de um lado para outro, fujo das pessoas, não quero ninguém com pena de mim, não quero ninguém me consolando, não preciso disso, Alice vai superar e não quero ser preparado para o pior.
Não existe nenhuma preparação para isso, me lembro de Lori, do completo desespero de Rick, e me dá medo, por que Rick tinha motivos para voltar, dois filhos pequenos precisavam dele, mas eu só tenho Alice, a garota mais maluca e inconsequente do universo, se perde-la não vai me restar mais nada.
−Inferno! Resmungo retornando para o nosso bloco de celas, chega de conversa, quero ficar com ela, perto dela, Rick vem em minha direção.
−Não quero ouvir nada! Eu aviso, ele me dá um tapa no ombro.
−Eu sei, só vim dizer que cuido de tudo até Alice ficar bem, afinal é isso que fazemos! Quando perdeu Lori eu assumi sua família, sim, é isso que fazemos.
−Agora vou ficar com ela.
Hershel fica de pé assim que entro, sorri depois de beijar a testa de Alice e deixa a cela, passa por mim e me dá um tapinha no ombro.
−Cuide da sua mulher!
−Não diz isso que ela pode se ofender! Eu não resisto a uma provocação, fico sozinho com ela.
−Se eu viver, vamos falar sobre isso! Ela me diz.
−Para de fazer drama! Eu a puxo para meus braços, ela não recusa, pelo contrário me envolve se recostando em mim – Que foi que o Hershel te disse para estar me aceitando de volta?
−Para eu ser caridosa! Ela me diz, toco sua testa ainda está com febre, mas parece mais animada.
−Idiota! Eu beijo seus cabelos – A Carol vem fazer seu curativo e trazer comida.
−Estou sem fome, só quero dormir.
Ela fecha os olhos, adormece imediatamente, o dia passa inteiro assim, Alice abre e fecha os olhos, nem percebe Carol fazer o curativo.
−Não fique preocupado, ela está melhorando! Carol me diz.
−Nem acorda com o curativo, como pode dizer que está melhorando?
Ando de um lado para outro, não aguento mais Alice assim, não aguento mais ficar nessa cela, o ambiente me oprime.
Carol nos deixa mais uma vez e Alice me chama me aproximo, mas está dormindo, à noite Maggie vem ficar com ela.
−Eu não demoro Maggie! Aviso mesmo sabendo que ela não se importa de ficar ali com Alice, que são amigas, mas não quero me afastar.
Deixo a cela e sigo mais uma vez para uma volta pelo pátio, quero respirar um pouco e ganhar energia para o que vem pela frente, mais uma longa noite de espera e medo.
−Daryl! Alguém me chama, quando me viro é Theresa, ela se aproxima de mim – Como está a Alice? É possível ver sua falsidade.
−Muito melhor! Aviso, começo a caminhar de volta para cela.
−Ei! Ela me chama mais uma vez me viro de má vontade – Posso visita-la
−Não! Eu a deixo falando sozinha, a quem essa idiota quer enganar, não liga a mínima ao que acontece com Alice, volto para casa, Maggie me olha triste – E então?
−A febre começa a baixar, ele te chamou, vou deixar vocês, volto amanhã cedo, cuida dela! Maggie nos deixa, Alice se aconchega em meus braços.
Fico assim, com Alice em meus braços, tocando sua testa cada minuto esperando por um milagre, o tempo começa a correr lento como sempre acontece quando temos pressa.
−Oi! Ela diz e sorri, nem acredito.
−Está acordada?
−Não, estou dormindo! Me sorri – Acho que não vou morrer não! Ela diz tranquila.
−Claro que não vai! Eu a beijo de leve – Mas eu quero que se recupere bem, e nunca mais vou tirar os olhos de você.
−Eu estou morrendo ainda, não briga comigo! Estou feliz demais para me irritar com ela, sei que não vai durar muito, mas no momento ela não vai me tirar do sério.
−Chantagista! Alice me sorri – Tem um sorriso lindo!
−Está me paquerando! Ela diz antes de adormecer mais uma vez.
São dois dias, dois dias de agonia e medo, mas ela vai sair dessa, eu mal prego o olho controlando sua febre.
No meio da noite a febre começa a ceder lentamente, pela manhã está quase sem febre, se enrosca toda em mim, é como se um peso saísse dos meus ombros.
Deixo Alice dormindo, saio da cama com todo cuidado, o dia na prisão começava e quero fazer ela comer, encontro Hershel.
−Pelo seu ar leve ela deve estar bem melhor.
−Sim, quase sem febre, vou levar comida para ela.
−Ótimo!
−Eu queria saber o que conversaram? Ela ficou mais calma depois de conversar com ele, e quero saber do que se trata.
−Disse a ela que afasta-lo não estava te ajudando, que estava fazendo você sofrer ainda mais, e ela me disse que o único medo dela é esse, que você sofra, que morrer não era problema – Então era isso, não posso deixar de ficar feliz, ele me dá um tapinha do ombro − Então acho que pode pedir Alice em casamento como acho que anda querendo pelo modo como falou ontem.
−Eu... eu disse o que?
−Que ela se ofenderia de dizer que ela é sua mulher.
−Isso, não... Esquece isso! Fico sem jeito de falar sobre isso, na verdade fico sem vontade de falar sobre isso com quem quer que seja, minha vida é algo que procuro preservar como particular.
Volto para minha cela me surpreendo com a cena que encontro, Alice está sentada, na cama segura uma pistola diante dela Theresa olhava perplexa.
−O que foi isso? Me aproximo tenso.
−Theresa veio me fazer uma visitinha, trouxe sua faca! Alice diz irônica.
−Não foi assim, eu estava com a mão na cintura, ela achou que queria fazer alguma coisa, não sei de onde tirou isso.
−E você achou que eu estava mal demais para não notar sua presença, não me defender.
−Theresa pode ir embora! Eu peço sem qualquer delicadeza, ela adora a ideia e sai correndo da cela.
−Só isso? Alice diz um tanto decepcionada.
−Tem uma coisa mais importante acontecendo aqui! Eu caminho até Alice e pego a arma – Conheço essa pistola.
−Claro que sim, é dá Carol! Seu olhar me desafia.
−E o que faz aqui? Mal consigo controlar minha tensão – Me diz, o que isso faz aqui?
−Eu pedi, não briga com ela, implorei, fiz cena, apelei para o coração mole dela!
−Carol não tem um coração mole, não mais! Aviso irritado.
−Daryl me deixa em paz! Ela foge do conflito o que é bem raro no caso de Alice, sempre pronta para uma briga.
−Deixar você em paz, tinha uma arma escondida aqui, fez isso pelas minhas costas! Acuso Alice que revira os olhos.
−Eu não queria arriscar, você estava o tempo todo aqui, se o vírus se ativasse...
−Ia dar um tiro na própria cabeça? Grito furioso – Na minha frente, é isso?
−É possível! Ela me responde – E não grita, ninguém precisa ouvir seus ataques, você não tem coração, estou aqui doente e fica brigando comigo!
−Odeio isso! Digo irritado – Odeio essa sua mania de resolver tudo sozinha, de não pensar no que eu sinto, não podia ter feito isso, Carol não podia ter concordado.
−Que diferença faria quem daria o tiro, se o vírus se ativasse se a febre me dominasse eu morreria do mesmo jeito!
−Temos um maldito médico aqui, ele decidi isso, não você, muito menos a Carol!
−Daryl quer mesmo brigar comigo agora? Ela pergunta abatida – Estou muito cansada, podemos brigar depois detesto perder uma briga e me sinto esgotada no momento para argumentar.
−O que torna o momento ideal para eu dizer tudo que penso e você ouvir calada! Ando de um lado para outro, me sinto enganado e feito de idiota.
−Você está apelando, eu vou ficar aqui em silencio e você diz tudo que quer, mas quando eu sarar vai ver só, duvido que fizesse diferente se estivesse no meu lugar.
Eu me calo, ela tem razão, jamais deixaria que Alice ficasse perto de mim, e com certeza manteria uma arma sob o travesseiro, isso sem dúvida nenhuma, mas sou diferente, posso aguentar o tranco.
−Chega disso, amanhã quando estiver melhor conversamos, coma e vamos para casa de uma vez!
Ela me faz careta, às vezes parece uma menininha mimada fazendo pirraça.
−Já estou em casa, e para de ser chato a mulher estava aqui com uma faca e só pensa nessa porra de arma!
−Com ou sem febre a boca continua suja! Ela ri de mim, pega a xicara e dá uns goles no leite, faz cara feia, belisca a comida e depois me devolve a sobra, nego com a cabeça – Tudo! Ela suspira e volta a comer, depois seguimos para minha cela, é lá que Alice vive e goste ou não faz toda diferença para mim.
−Pega minha lanterna e minha boneca! Ela pede, onde vai leva isso, me faz rir, e ao mesmo tempo me deixa feliz, por que sei que esse apego está ligado a mim.
Carol vem fazer o curativo, sorri quando entra as duas se abraçam, fecho a cara de mal humor, gosto de Carol ela foi uma das poucas pessoas com quem me dei bem desde o começo, fico feliz que sejam amigas, seria difícil para mim ficar entre elas, mas isso não dá o direito de ela tomar esse tipo de decisão.
−Já voltou para casa? Pergunta quando entra – Está sem febre?
−Acho que sim! Eu respondo.
−Daryl vá chamar o Caleb então, assim ele dá uma olhada antes de eu fechar o curativo.
−Não vou chamar ninguém, aliás não tenho a menor intenção de deixar as duas sozinhas! Sou grosseiro eu sei, mas se tem duas pessoas que não se importam são elas, Carol fica calada, mas revira os olhos e segue ela mesma para fora.
−Imbecil! Alice diz se ajeitando na cama.
−Ridícula! Eu retruco e então Carol volta.
−Ele já vem, vamos abrindo isso.
Ela retira o curativo, o local está muito melhor, mais claro e sem nenhum sinal de infecção, respiro aliviado.
−Acho que isso é seu! Eu entrego a pistola Carol.
−Então é esse seu problema? Carol diz despreocupada – Temos muitas pessoas aqui, crianças, idosos, não podíamos arriscar, devia ficar feliz por Alice ter consciência disso.
−Meu problema é que não pode decidir isso, então por favor não faça de novo, isso me irrita, eu estava o tempo todo com Alice, e temos um médico ele é quem decide.
−Certo, não vamos discutir! Carol responde – Como se sente?
−Ótima, pelo menos perto de como eu estava – As duas sorriem uma para outra, odeio essa cumplicidade.
−Theresa veio me ver, abri os olhos e ela estava com a mão no coldre, segurava firme a faca, peguei a pistola na mão e ela se assustou, não esperava, mas então logo o Daryl chegou e é claro ela desconversou.
−Disse para tomar cuidado, vou sondar qual foi a intenção dela, mas depois do modo como me preocupei com você, acho que não vai mais colar essa história de inimigas.
−Eu sei, vamos continuar de olho, afinal Daryl acha a mulher inofensiva! Ela me critica. Para minha sorte Doutor S entra e me sorri, se aproxima de Alice.
−Sem febre, com a aparência muito melhor e os pontos estão ótimos!
−Tem razão! Carol comenta.
−Fora de risco! Ele decreta e fico tão aliviado que só posso abraçar Alice, ela corresponde, Carol fecha o curativo e nos deixa.
−Me ajuda a tomar banho? Alice me pede, fico um tanto confuso – Para de ser bobo, está com vergonha?
−Não! Eu respondo rápido, quero ela na minha vida então tenho que me acostumar com essas intimidades – Vamos, e depois vai voltar para cama.
−Você me ama? Ela me puxa para ela – Me acha uma delícia?
−Vamos sua maluca!
Depois do banho Alice decide se sentar no pátio, mesmo com o frio estando intenso acho que ela merece uns minutos de paz e ar livre, Carl vem correndo ficar com ela, Rick também vem conversar, ficamos ali um pouco, zumbis se aglomeravam nas grades, a neve se anunciava, estávamos num mundo sem esperança e mesmo assim me sinto feliz e leve, Alice está viva, e nada mais me importa.
−Achou que ia morrer? Carl pergunta.
−Achei! Ela responde.
−E você Daryl, achou que ela iria morrer?
−Não, nem pensei nisso.
Ela se encosta em mim, sorri delicada, os olhos brilham e está tão linda, como nunca esteve.
−Vamos sair amanhã! Rick anuncia – Acho bom, a neve não demora.
−Amanhã não posso ir ainda! Alice diz magoada – Não podem esperar?
−Daryl não vai Alice, prefiro que fique cuidando de você e da prisão, eu vou!
−Perfeito! Ela diz aliviada, no fundo eu também, não gosto nada da ideia de deixar Alice.
Therese se aproxima, Rick sorri para ela, Alice revira os olhos, isso ainda vai ser um grande problema, já posso notar.
−Está bem Alice?
−Para sua infelicidade! Ela responde.
−Posso sair com vocês amanhã, Rick?
−Claro! Ele responde – Mas vamos num grupo pequeno, apenas uma busca por suprimentos, afinal a última saída foi um fracasso.
−Obrigada querido! Ela diz se afastando.
−Querido Rick? Alice não se contém – Cuidado com ela, por favor, Carl dê uns conselhos para seu pai!
Eles riem, decido que é hora de levar Alice para dentro, ela vem obediente e então estamos na cama, Alice se recosta em meu peito.
−Que dia chato, deve estar odiando essa porcaria de ficar preso aqui cuidando de mim.
−Completamente! Respondo fazendo Alice rir.
−Faz cafuné?
−De jeito nenhum! Ela brinca me beliscando, beijo Alice e me lembro do banho, do carinho, do desejo que sinto por ela, mas agora que ela se recuperou vamos ter mais tempo, não sei quanto, não importa, não agora, agora o que importa é ficarmos juntos.
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