Caminhando entre os mortos
36 Capítulo 36 - Psicopata?
Notas iniciais
Pov – Alice
Acordar completamente sem dor ou febre é perfeito, a perna não dói mais, fico imóvel para não acordar Daryl, fiquei pouco mais de dois dias com febre e sei que ele não dormiu, nunca amei tanto alguém como amo Daryl, o modo como me olha, me beija, as coisas que me diz, sua preocupação, tudo é perfeito.
Ele tem um ar cansado, queria fazer um carinho nele, mas apenas fico ali, olhando sua respiração compassada num sono tranquilo e profundo, me lembro do medo que senti de nunca mais poder dividir um momento assim com ele, engulo em seco, abraço ele, que se mexe me envolvendo mesmo dormindo, saber que ele tem consciência da minha presença é emocionante também, nunca achei que viveria com alguém a esse ponto.
As escolhas de Emma fazem tanto sentido agora, o modo como lutava para manter seu casamento, amor, era isso que eu não entendia e que agora é claro e obvio para mim.
Minha mente viaja um pouco para o passado, para os primeiros dias da doença, tudo é tão certo agora, entendo Emma, não Cooper, ainda acho que ela escolheu o cara errado, mas posso aceitar ter se entregado do modo como se entregou.
Sinto falta dela, agradeço ter Daryl, não suportaria as perdas não fosse ele, olho para Daryl mais uma vez, sei que ainda não brigamos como ele gostaria por conta da arma, talvez se me comportar ele esquece isso, nem quero ver o caminhão que ainda terei que ouvir.
Além disso ainda tem a vadia, não sei porque ele ignora o comportamento dela, nem porque aceita como natural o fato de ela me odiar, aliás não sei o que deu nesses homens, Rick parece bem encantado.
Preciso descobrir o que afinal ela quer, acho que é só uma psicopata como tantos outros que essa merda de apocalipse criou, seu objetivo é só destruir tudo que a cerca.
Acontece que Theresa se esconde sob a aparência de uma mulher inocente, não dá pistas claras aos outros do quanto é falsa e dissimulada.
−Oi! Daryl me desperta – Melhor?
−Eu me sinto muito bem, acho que já posso sair da cama.
−Vamos com calma!
−Não vou ficar na cama, o dia todo, chega disso.
−Para de ser teimosa! Daryl me adverte.
Ele me ajuda a ficar de pé, estou louca para sair do quarto, caminhar e retomar minha vida, quando chego no refeitório meio mancando ainda as pessoas vem correndo me cumprimentar.
−Que bom que está bem, fico feliz com isso! Hershel me abraça carinhoso, depois Carl vem junto com Rick, Maggie e Glenn, todos felizes em me ver, é emocionante.
−Vai comer, depois temos que conversar! Daryl me diz e reviro os olhos, que droga, ele não se esqueceu da porcaria da arma.
−Eu não sei porque você faz isso, fica brigando comigo, já passou essa droga! Eu reclamo, depois dou as costas a ele e sigo para as panelas, depois de comer fico conversando com Maggie me junto ao grupo, Daryl faz sinal me chamando.
−Acho que vou fingir que não vi! Digo rindo e Carol olha para ele parado na porta do refeitório, a besta nas costas e a cara de bravo de sempre.
−Seja corajosa! Carol me diz animada, concordo com ela, aceno para as pessoas e caminho para ele, olho para ele sorrindo, devia ser aquele tipo de mulher que faz charme, quem sabe eu convenceria ele a esquecer isso.
−Vamos dar uma volta lá fora? Ele me puxa pela mão e vamos os dois até o pátio, eu me sento num banco, ficamos quietos um pouco, olhando mudos para as grades.
−E então, vai começar a brigar ou não?
−Não quero brigar Alice, quero conversar, saber o que passa pela sua cabeça, porque fez isso comigo.
−O que eu fiz foi proteger você.
−Mentiu! Ele me acusa, respiro fundo.
−Porque quer tanto discutir isso, faria o mesmo.
−Não pelas suas costas, como não pensou em mim?
−Que inferno Daryl, eu só pensei em você!
−O que importa é... Teria atirado?
Fico pensando um tempo, se chegaria a ter coragem de decidir que chega, e por fim em tudo, se me acovardaria, mas então olho para ele, os olhos azuis severos e cheios de amor, sim, por ele eu faria, para que não precisasse fazer, para proteger sua vida.
−Teria, se achasse que você estava em risco, se tivesse entrado naquele processo que conhecemos, assistimos tantas vezes, alucinações, dores insuportáveis, febre descomunal, sim Daryl desculpe se isso te magoa, mas eu teria atirado.
−Mesmo sabendo que eu podia fazer?
−Já fez isso alguma vez? Eu questiono – Me viu fazer com Cassie, assistiu meu desespero quando tive que acabar com tudo.
−E quis me poupar? Ele pergunta – Ou apenas não se importou?
−Isso dói sabia? Eu fico magoada, amo Daryl, mas acho triste que ele duvide dos meus sentimentos – Muito e me dá vontade de chorar só de pensar que acredita mesmo nisso! Me levanto me afastando dele, chega dessa conversa sem sentido, definitivamente não sei onde ele quer chegar.
−Vai me deixar falando sozinho? Ele grita irritado quando já estava longe dele.
−Já deixei! Grito sem olhar para ele.
−Garota infernal! Ele resmunga.
−Imbecil! Respondo sumindo para dentro da prisão, encontro Maggie e seguimos para sua cela, não quero ser encontrada por ele, não quero chorar e muito menos que alguém me veja assim.
Sentamos em sua cela, ela aperta minha mão, sorri daquele jeito largo que Maggie tem de sorrir e encher o ambiente.
−O que aconteceu?
−Daryl é um grande idiota! Respondo – Ele está furioso comigo por que pedi a arma da Carol, achei que podia morrer, me diga o que teria feito?
−O mesmo provavelmente e o Glenn ficaria igualmente furioso.
−Acha mesmo?
Ela passa os cabelos por trás da orelha como de costume, se ajeita na cama como que querendo se concentrar no que vai dizer.
−Daryl ama você, acredita nisso não é? Faço que sim com a cabeça – Então, ele é um homem que não sabe lidar muito com os próprios sentimentos, mas por você se esforçou muito e a ideia de que não confia nele, que prefere passar por isso sozinha, pense um pouco, seja honesta, se Daryl estivesse na sua situação, aposto que iria querer passar por tudo com ele não é, mesmo se isso significasse atirar nele.
−Está certa, eu faria mesmo isso, detestaria não fazer parte, seria como se interrompesse um ciclo, acho que nunca me recuperaria.
Não tinha analisado as coisas assim, ela tem razão, mas isso tudo não precisava ter toda essa repercussão, ele podia ao menos esquecer, já passou, já estou recuperada, nada aconteceu.
−Tem mais nisso? Maggie questiona.
−Ele podia esquecer isso, mas parece que ainda não desistiu, como se estivesse buscando um motivo para brigar comigo.
−Ele é bem fechado, tem coisas que não se tira fácil dele, então talvez você devesse deixar de ser esquentada e ter uma conversa honesta com ele, descobrir o que o está irritando.
−Pode ser, não sei, e se a briga só piorar?
−Você faz uma graça, e ele te perdoa.
Eu concordo, vamos brigar com certeza, mas está mais que na hora de resolver isso, eu me levanto, respiro fundo, dou um beijo em Maggie e ela aperta minha mão, depois deixo a cela.
Ando apressada e dou de cara com Daryl que caminhava em minha direção, paramos diante um do outro, ficamos calados.
−Quer fazer o favor de falar comigo?
Ele cruza os braços no peito, fecha a cara e me olha irritado.
−Fui eu que sai correndo? Daryl me acusa, certo, ele tem razão, fui eu que o deixei falando sozinho.
−Vai ficar me criticando?
−Fala logo Alice, está arrependida do que fez? Pergunta impaciente.
−Não! Ele revira os olhos – Mas...
−Mas? Me pergunta preocupado.
−Aceito que tenha ficado irritado, talvez tivesse feito o mesmo.
Ele ergue uma sobrancelha e me encara depois me sorri, fico corada, e abraço Daryl, ele beija meus cabelos e depois meus lábios, ali, no meio do refeitório, na frente de todos que passavam de um lado para outro.
−Me beijou! Eu o lembro – Aqui, na frente de todos.
Eu me encosto nele de novo, ele me puxa de volta para cela, vamos de mãos dadas.
−Sim, mas foi um lapso! Ele ri da minha cara de triste.
−Agora falta me fazer um cafuné!
−Nem sonhando, desista!
Faço uma careta e então ele me obriga a me deitar mais uma vez.
−O que tenho que fazer para ganhar um cafuné?
−Um dia te conto, agora descansa um pouco, depois venho te ver.
−Sério que tem uma maneira de eu te convencer? Fico pensativa enquanto ele me beija de leve mais uma vez, agora está de novo todo cuidadoso.
−Vou te dizer um dia! Ele me deixa todo misterioso.
Acho uma chatice ficar deitada e sozinha, mas acontece que realmente minha perna está doendo um pouco e não posso me arriscar a sentir febre de novo, fico sozinha, o pior disso tudo é que a solidão do quarto me faz pensar em tudo, nas coisas da vida, do mundo que vivemos, nas pessoas que perdi, nos mortos que agora caminham, e no tempo que me resta.
O perigo que nos cerca é tão grande e visível, a cada segundo sinto que tudo pode acabar e dá medo, um medo que sempre tive, adoro viver, agora mais do que nunca e posso morrer a qualquer momento, afasto aquelas ideias da mente, não é hora para isso, acabo pegando no sono.
Uma semana depois estou completamente recuperada, a vida volta ao normal, ou quase isso já que tenho que cruzar com Theresa e seu sorriso falso todos os dias, a neve começa a cair, adoro neve e é bem difícil convencer Carl a sair comigo para brincar no pátio, mas ele aceita e ficamos juntos um bom tempo.
−Admita que adorou! Eu brinco quando entremos, Lizzie e Mika correm na nossa frente.
−Foi bom! Ele sorri – Mas agora tenho muito trabalho, fico para trás sozinha, Theresa se aproxima.
−Infelizmente está completamente curada pelo que posso ver.
−Para sua tristeza sim! Respondo encarando Alice.
−Que loucura, eu tive certeza que dessa vez você não resistiria! Ela me desafia.
−Agora sim estamos sendo honestas, o que deu em você?
−Cansei, essa história de me fingir de boazinha não está me levando a nada, vim aqui dizer que somos inimigas e que nem adianta tentar avisar ao seu homem, ou aos outros, sou útil ao grupo e ninguém vai me afastar daqui.
Fico perplexa, a mulher é louca, completamente, me deixa por um segundo muda, eu engulo em seco e depois olho para ela.
−O que afinal você quer?
−Porque acha que as pessoas estão morrendo, o que acha que significa essas coisas de zumbis nos perseguindo?
−Onde quer chegar?
−Não podemos fugir do que Deus quer, eles nos quer mortos e se esconder é renegar seu desejo.
−E porque está do lado de cá da cerca?
−Vai saber! Theresa usa um tom de deboche.
Ela me dá as costas e fico completamente apavorada, a mulher é louca, só pode, uma dessas fanáticas religiosas, ou algo do gênero, mas ela tem razão ninguém vai acreditar em mim, preciso ficar de olho e tomar cuidado.
Esses fanáticos religiosos são assustadores, e ela me parece maluca, mas não esse tipo, nunca vi nada, nenhum sinal, talvez uma esquizofrenia.
−Merda, o que essa maluca vai fazer? Eu suspiro, decido procurar Hershel, ou quem sabe o doutor S, talvez um dos dois possa diagnosticar um problema essa é minha última esperança.
Se isso não der certo então vou dar um jeito de provoca-la e vamos ver do que Theresa é capaz, esse é meu atual objetivo, descobrir qual a razão dessa maluca estar aqui, além de descobrir como convenço Daryl a me fazer cafuné.
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