Caminhando entre os mortos
34 Capítulo 34 - Febre
Notas iniciais
Pov – Alice
A perna dói a noite toda, lateja e me deixa sem posição, pela manhã estou cansada como se não tivesse dormido.
−Péssima noite! Eu digo abrindo os olhos pela manhã.
−Eu sei, ficou inquieta a noite toda, quer um remédio?
−Não, já estou melhor! Fico emocionada com o cuidado dele, mas nunca fui muito manhosa e prefiro ficar de pé e seguir em frente, esse mundo não tem espaço para isso.
−Vou buscar algo para você comer e depois tenho que trabalhar um pouco, tem muita coisa para fazer aqui.
Daryl me deixa na cama, suspiro entediada, fico deitada olhando para o teto então Carol entra.
−Até que enfim um ser humano! Resmungo me sentando.
−Vim trocar seu curativo e trazer café para você.
−Daryl saiu não é? Pergunto preocupada, ele tinha que sair, só porque não posso ir junto.
−Sim Alice, não era para eu te dizer, mas você saberia de qualquer modo, ele foi só verificar as armadilhas.
−Podia ter esperado por mim! Ela sorri me entregando uma caneca com café e leite.
−Você realmente ama o Daryl não é?
Carol me pergunta começando a abrir o curativo.
−Muito, acho que ele me ama também, ele me disse e acredito.
−Pode acreditar, ele não diria se não fosse verdade e se não fosse muito forte, fez coisas inacreditáveis.
−Acha? Pergunto orgulhosa.
−Sim, nunca nem por um instante achei que ouviria Daryl gritar que ama alguém assim como fez com você, e além disso ele é atencioso, preocupado.
−Eu sei, me sinto assim também, acho que ele é a única razão de eu ter superado a morte da minha irmã, dos meus sobrinhos.
Eu sorrio emocionada, é tão bom ter Daryl comigo, pertencer a ele, viver essa relação.
−Tem feito o mesmo por ele, Daryl mudou, ou está mudando, não sei muito sobre ele, mas acredito que teve uma vida difícil.
−Já conversamos um pouco sobre isso, mas não vamos falar disso, como está isso? Pergunto olhando o machucado enquanto ela limpava.
−Eu não sei, acho que vou pedir para o Douto Caleb dar uma olhada Alice, parece meio vermelho.
−Que merda, será que isso vai infeccionar?
−Vamos esperar, descansa. Não fica andando por ai.
−Carol eu não quero ficar assim, é horrível não ter nada para fazer.
Carol revira os olhos, começa a fechar o ferimento eu me sento, me arrumo na cama.
−Alice, fique calma, o Daryl já chega logo e vem ficar com você, agradeça que temos esse lugar, que é seguro imagina passar por isso sozinha, na rua, com o mundo assim, acabando.
−Faria qualquer coisa por esse lugar, não é?
−Acho que sim, eu faria qualquer coisa por esse lugar, foi difícil encontra-lo, perdemos muito nas ruas, pessoas importantes, não quero falar muito, mas o fato é que achamos esse lugar, é seguro e vou fazer de tudo para manter assim.
−Entendo, admiro você, eu não penso muito nisso, nas coisas que me cercam, mas acho que só consigo pensar nas pessoas, sei lá, estando com as pessoas qualquer lugar serve.
−As pessoas não, Daryl? Ela brinca – Isso porque está apaixonada.
−Você está certa, mas me diga, como vai nossa investigação?
−Conversei com Lizzie e a irmã, Mika, elas me disseram que Theresa só estava no grupo a três dias, ela me disse que não sabe nada, mas o que já notei é que Tess te odeia profundamente.
−Isso eu já percebi.
−Mas acho que é mais pessoal, não tem muito a ver com Daryl, acho que tem muito de inveja, não sei dizer.
−Acha que ela pode ficar perigosa?
−Acho que ela quer seu lugar no grupo, quer poder, tem ficado próxima do Rick também, me pediu para deixa-la entrar para o conselho.
−Idiota! Eu reclamo – Disse não.
−Com certeza, mas Alice fique de olho, se proteja.
A ideia me assusta um pouco ergo uma sobrancelha demonstrando minha preocupação, ela aperta minha mão, gosto de Carol, me sinto feliz por poder contar com ela e mais do que tudo respeito o sentimento que ela tem por Daryl.
−Obrigada! Eu digo – Eu vou tomar cuidado.
Depois ela se levanta, sorri e caminha para fora, fico sozinha mais uma vez, volto a me deitar, antes pego minha pistola e minha faca, coloco a pistola embaixo da cama e a faca sob o travesseiro.
Se aquela vaca acha que pode me pegar está completamente enganada, se vier vou estar pronta.
Depois de me certificar que estou segura me acalmo, fico com os olhos fixos no estrado acima da cama, o tempo vai passando lento, começo a me preocupar com a demora, é horrível não saber.
−Merda! Digo em voz alta.
Então quando já estava decidida a me levantar e sair atrás dele, Daryl entra e meu coração se acalma no mesmo instante.
Corro para seus braços, ele me envolve em seus braços, me aperto a ele com vontade de chorar.
−Não pode fazer esse esforço, vem deitar.
Ele me leva de volta para cama, me deito obediente, estou feliz demais para brigar.
−Demorou!
−Fomos dar umas voltas e ver as coisas, mas estava preocupado.
−Estou bem, apenas entediada, Carol esteve aqui.
−Eu sei, ela me disse e também me disse que o doutor S vem te ver, tem que tomar cuidado.
−Estou bem, e as coisas na rua.
−Iguais! Ele diz me abraçando, me aconchego em seus braços.
−Carol me pediu para tomar cuidado com a tal Theresa.
−Então faça isso, está com dor?
−Não, arde um pouco para ser honesta, nada demais, ao menos no momento! Ele me olha cheio de dúvida – Me faz cafuné?
−Nem pensar!
−Se eu morrer de infecção vai passar o resto da vida com remorso.
−Você perde cada chance de ficar calada.
Nem me dou ao trabalho de responder, mas ele bem podia me fazer um cafuné, acho que não faz só para me irritar.
−Está muito frio?
−Muito, deve nevar em breve, acho que não vamos ter mais muitas chances de sair por um tempo.
−Que pena, eu gosto da aventura.
−De ficar de refém, quase ser devorada, uma lista de aventuras!
−Deixa de ser chato! Eu reclamo.
−Estive pensando sobre o que falou... essa coisa de casa... casamento.
Ele muda de assunto do nada, desvia o olhar, fica tão bonito, sorrio sem entender bem porque voltamos nesse assunto.
−Nem consegue dizer a palavra! Eu rio – Estava brincando, não precisa ficar com medo!
−Glenn e Maggie são casados.
−Eu sei.
−Isso torna tudo mais sério, definitivo.
−Daryl não fique preocupado, não estou nem pensando nisso, estou feliz com o que temos.
−Já entendi! Ele parece bravo, não entendo porque – Não quer nada definitivo! Ele se levanta e caminha para porta – Vou buscar o doutor S.
−Daryl! Eu o chamo – Está bravo! Ele me deixa e some pelo corredor – O que diabos foi isso? Me pergunto quando fico sozinha, achei que estava deixando ele confortável e despreocupado e ele me sai assim furioso.
O doutor volta junto com Daryl, me examina, abre o curativo, mede minha temperatura e depois se senta, dá um suspiro.
−Alice fique aqui na cama, está um pouco febril e pode ser só uma tolice, mas prefiro tomar cuidado, vou dar um antibiótico.
−Infecção?
−Não sei, mas não vai sair da cama hoje e amanhã eu te vejo de novo.
O doutor sai me deixando sozinha com Daryl, ele fica parado de pé me olhando, me critica com o olhar, que culpe eu tenho de só me meter em encrenca.
−Já está bravo comigo?
−Não, preocupado é a palavra, comeu?
−Não muito, estou sem fome! Ele me dá as costas, me deixa sozinha de novo, não sei o que foi que eu fiz para deixar ele bravo, justo agora que nem posso ir atrás dele e brigar ele me deixa aqui – Merda!
Um tempo depois ele volta com comida para mim, então foi isso, como de má vontade, apenas para não ter que ouvir um monte de reclamações.
−Que vai fazer agora? Eu pergunto para o mudo Daryl sentado na beira da cama.
−Nada demais, o que tenho que fazer pode esperar, preciso ficar de olho em você.
−Estou bem! Respondo entregando o prato a ele.
−Quer mais alguma coisa?
−Um beijo! Peço e ele vem até mim, me abraça e me beija, me sinto aliviada – Pensei que estava bravo comigo.
−E estou!
−Nossa você é um velho chato! Ele suspira – Quem sabe a Beth e o Zack não querem jogar um pouco comigo, e o Carl também!
−Eu chamo eles se prometer que não vai fazer aposta.
−Sabe que a aposta é metade da graça! Eu aviso – Mas prometo!
−Certo, vou aproveitar e fazer meu trabalho enquanto isso.
Beth e Zack entram rindo, Carl chega logo depois, ficamos jogando poker por um tempo, conversando e brincando, mas começo a me sentir cansada, com sono, e frio.
−Beth pega uma blusa para mim? Ela pega e toca minha testa.
−Vou chamar alguém Alice, está com febre.
−Ai não, o Daryl vai ficar muito bravo comigo!
A febre realmente aumenta, doutor S me dá mais remédios, depois me exige ficar na cama refaz o curativo e demonstra claramente preocupação.
−Vamos doutor! Daryl sai com ele, me deixam sozinha e sei que vão falar de mim, meu corpo dói um pouco, não sei se por ficar deita ou por conta da febre.
Quando Daryl retorna está preocupado, é noite e ele se deita comigo, me beija e me abraça.
−Está muito preocupado comigo? Ele fica mudo – O doutor S falou alguma coisa?
−Não pense nisso.
−Já vi que sim! Me abraço a ele e acabo adormecendo.
Acordo no meio da noite, sei que estou com febre, com dor no corpo, não acredito que estou nessa situação, que vou morrer de uma porcaria de infecção, se a febre subir muito, se algo acontecer, posso por Daryl em risco, meu coração bate forte, meus olhos se enchem de lágrimas, olho para ele que dorme abraçado a mim.
−Daryl! Eu o chamo, ele acorda imediatamente, me olha preocupado ao perceber que ainda é noite – Me ajuda a ir para minha casa?
−O que?
−Não quero mais ficar aqui, estou com febre, quero ficar lá.
−Cala a boca Alice!
−Vai me levar ou vou sozinha?
−Alice...
−Estou com febre – Eu o corto, se algo acontecer e estiver dormindo, quero ficar na minha cela, por favor!
Eu não gosto de chorar, ele sabe disso e estou realmente chorando, Daryl passa a mão pelo cabelo se senta e me olha sério.
−Não vou te deixar sozinha!
Eu sei que não, mas mesmo assim quero ficar na minha cela, e de preferência longe dele.
−Vamos, pega minha lanterna e minha boneca! Eu me obrigo a sair da cama, sem alternativa ele me leva, lá se deita comigo de novo.
−Qual a diferença? Me pergunta.
−Se ficar aqui nenhuma! Reclamo, os olhos ainda marejados – Me deixa Daryl, por favor! Ele se afasta, fica irritado com meu pedido, um pouco ofendido posso notar – Fecha a cela quando sair!
−Não vou a porcaria de lugar nenhum! Ele grita – Vou buscar o doutor S!
Eu fico sozinha, os olhos cheios de lagrimas que procuro conter, o médico vem logo em seguida, constata a febre e a preocupação está estampada em seu rosto, me dá mais remédios, depois se senta diante de mim.
−Seja honesto doutor!
−Eu acho que pode ser apenas uma inflamação leve, que os antibióticos podem fazer efeito, mas de qualquer modo quero que fique de repouso, o homem pelo que entendi era um andarilho, não sabemos como estava essa faca.
−Acha que o vírus pode ser ativado? Eu pergunto com medo da resposta.
−Acho que não temos como saber e não vamos pensar nisso, agora durma.
O médico me deixa e Daryl me olha preocupado, segura minha mão seus olhos demonstram toda sua preocupação.
−Não fique assim, não se preocupe!
Eu volto a chorar, a febre ainda alta, ele me abraça, mas não quero que fique por perto, tenho medo de morrer diante dele, de ser ele a ter que fazer o que é preciso, procuro controlar o choro, abraço a lanterna, respiro fundo.
−Daryl, pode me chamar a Carol, e me deixar sozinha com ela?
−Alice, para de fazer isso, eu quero ficar aqui com você.
−É só uma conversa, eu sei que nem amanheceu ainda, mas acho que se pedir...
Ele se levanta e me deixa sozinha, está muito tenso, eu me ajeito na cama, o coração apertado e as lágrimas constantes.
−Alice! Carol entra no quarto, está sozinha, se senta ao meu lado e sorri um tanto triste.
−Vai cuidar dele não é? Pergunto chorando.
−Alice... Você vai passar por isso.
−Se não passar, vai cuidar dele, prometa, mesmo a distância, vai cuidar dele, não deixar que se entregue.
−Prometo! Ela diz com os olhos marejados, é estranho como podemos amar o mesmo homem e ainda assim sermos cumplices, amigas – Mas preciso que prometa que não se entregue, fique firme, Daryl não vai suportar e precisamoster esperanças.
−Eu tenho, apenas... – Respiro tentando controlar o choro – Apenas preciso que me ajude que cuide dele e não o deixe desistir!
−Farei isso!
−Tem mais uma coisa, sua arma! Ela me olha pensativa – Quero fazer isso eu mesma se for preciso.
−Não sei, talvez mais tarde.
−Carol minhas armas ficaram lá na casa dele, me ajuda, me dá a sua.
−Está bem, mas me jure que não vai fazer nada até ter certeza! Eu concordo, ela me dá a arma, apertamos as mãos em volta da pistola, nos olhamos com os olhos marejados.
−Obrigada! Eu digo, é sobre tudo, pelo carinho, pela cumplicidade, pela promessa e principalmente pelo respeito que sempre demonstrou por mim, algumas lágrimas escorrem e ela as seca rapidamente, depois me deixa e fico tentando controlar o medo e a dor.
Não quero ir embora, não quero deixar ele justo agora que estamos bem, aperto a lanterna na mão, escondo a pistola sob o travesseiro e me encolho na cama, se morrer agora pelo menos vivemos dias especiais e incríveis, e isso é o que me deixa mais triste, as coisas que ainda poderíamos fazer, os momentos que ainda não tivemos.
Eu amo Daryl Dixon, esse foi o presente que o apocalipse me deu e vou lutar para ficar e viver isso, mas se tiver que ir, então só posso agradecer pelos momentos que vivemos.
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