Caminhando entre os mortos

32 Capítulo 32 - Planos


Notas iniciais
Olá pessoas! Aqui mais um capítulo, espero que gostem!

Pov –Alice

A noite cai quando ainda estávamos na estrada, me aperto mais a Daryl, foi um dia difícil, mas de uma vez achei que poderia morrer, mas nem uma vez tive medo, estava com ele e se for para terminar quero apenas estar com ele.

Theresa tentou me matar, ou pelo menos me ferir, tenho certeza disso, o modo como as mãos dela se espalmaram nas minhas costas não tinha como ser um tropeço, mas não posso provar, só me resta ficar de olho, e se de algum modo ela tentar me ferir ou a alguém que amo então vai conhecer minha fúria.

−Está bem? Daryl me pergunta por sobre o ombro.

−Sim! Eu respondo voltando a me encostar nele, não a como ter uma longa conversa numa moto no meio da noite, num apocalipse.

A noite está fria, o céu estrelado me lembra um pouco minha infância na Virginia, as noites em que ficava deitada no jardim olhando as estrelas e sonhando com o mundo de aventuras que me aguardavam, nem nas noites mais fantasiosas eu poderia ter sonhado com algo assim, os mortos de pé, nunca nem por um segundo me imaginei um dia caminhando entre eles, lutando por comida e segurança, desejando apenas mais um dia.

Mas também nunca sequer pensei em encontrar alguém como Daryl, alguém que me ama e me aceita, não sou fácil, Emma sempre dizia, sou teimosa, auto suficiente e que nunca penso antes de fazer, que deixo todo mundo maluco e que as pessoas não conseguem me acompanhar, mas ele consegue, me dobra sempre que quer, me deixa tonta e completamente entregue, é preciso muita força de vontade para não sucumbir e ser apenas a garota dele, fazer o que ele quer.

Eu luto contra isso, quero ficar a seu lado, não em sua sombra e ele respeita e entende isso, me deixar vir de moto foi a maior prova disso, valeu mais do que todas as palavras bonitas que me disse.

A estrada fica cada vez menor, me dá um pouco de tensão, logo vamos estar passando por uma pequena estrada de terra, pelo meio da floresta, me aperto mais a ele, deixo meus pensamentos de lado e me concentro na estrada, parece que a prisão fica cada vez mais distante.

Finalmente chegamos no momento mais perigoso, estou alerta, um zumbi se aproxima, saindo da estrada bem a nossa frente, Daryl desvia, outros surgem, ele acelera e então estamos livres, volto a respirar e quando avistamos a prisão meu coração já estava no ritmo novamente.

Rick corre para nos abrir o portão, logo todos estavam a nossa volta, vejo Rick e Daryl apertarem as mãos, me emociona o modo como são amigos, como todos gostam e respeitam ele.

−Como foi? Rick pergunta enquanto caminhávamos para nosso bloco de celas.

−Ficamos presos, foi difícil, mas chegamos, e aqui? Olho em volta, todos estão de volta, Maggie, Glenn, Sasha e a vadia.

−Alice! Maggie me abraça – Que medo, ainda bem que estão aqui.

−Tiveram problemas? Eu pergunto preocupada com ela e estranhando a presença de Theresa entre nós.

−Um monte deles! Maggie me conta – Pensei que nunca chegaríamos, mas estamos aqui, todos finalmente! Ela me abraça mais uma vez, então Beth se aproxima com Judy, eu pego o bebê no colo, sinto um imenso alivio de poder fazer isso de novo.

−Que linda! Beijo sua cabecinha, ela se meche em meus braços – Que saudade!

−Estava só esperando vocês chegarem, agora vou coloca-la para dormir.

Daryl que conversava com Rick ouve e se aproxima, beija a cabeça do bebê, ela sorri para ele e então entrego o bebê para Beth que se retira com ela.

−Alice, Daryl devem estar com fome.

Carol nos traz um pouco de espaguete, me sento faminta, olho mais uma vez para Theresa, ela estava sentada ao lado de Carl, detesto vê-la ali, no meio das pessoas que mais amo, mas não tem nada que possa fazer.

Comemos e continuamos ali, dividindo nossas histórias, Maggie e Glenn contando como foi chegar aqui, Daryl também explica o que passamos, Theresa ainda ali, silenciosa, me olhando vez por outra, então se levanta e caminha para mim.

−Alice! Ela diz com a voz doce e forçando uma simpatia que jamais sentiu por mim – Eu realmente sinto muito, nunca vou me perdoar pelo que aconteceu!

−Então somos duas! Aviso – se acha que me engana está errada, mas não posso provar, então apenas mantenha distância.

−Dá próxima vez que sairmos vou ficar mais atenta, eu prometo!

−Não tem próxima vez para você! A voz de Daryl ecoa decidida – Está fora do grupo de buscas, segurança é nossa prioridade.

Ela o encara vejo a raiva passar por seu olhar, mas então a máscara da simpatia volta a cobrir sua verdadeira personalidade.

−Entendo! Ela abre um largo sorriso para ele – Vou conquistar sua confiança, Daryl! Ela pronuncia seu nome de um modo que me irrita, meu sangue ferve, respiro fundo e me levanto.

−Boa noite! Digo puxando Daryl – Vamos! É quase uma ordem, ele sorri de lado, vai me irritar a noite toda, rir de mim e me chamar de ciumenta, odeio quando faz isso.

Subimos em silencio, vou na frente batendo o pé, ele me segue silencioso, tiro a lanterna da mochila assim que entramos e acendo, me sento na cama.

−Ciumenta! Ele diz rindo.

−Não sou ciumenta coisa nenhuma, aquela mulher é que é uma vaca toda sedutora, se der espaço para ela...

−É ciumenta sim! Ele diz me puxando para seus braços – Muito!

−Me deixa! Peço sem muita convicção, nem ao menos me movo para me afastar – Aquela mulher está armando contra nós, só não vê quem não quer.

−O que podemos fazer, não podemos jogá-la no meio da rua, num mundo como esse seria como uma sentença de morte.

−Eu sei, mas e se por conta de proteger essa mulher ela ferir alguém?

Daryl me olha atento, respira fundo, acho que fica pensativo, depois se ajeita me puxando para mais perto.

−Tem tanto que pode nos fazer mal, se pensarmos sobre isso nos resta muito pouco, trazer pessoas nos deixa em alerta, não trazer é tolice, sem pessoas não podemos seguir em frente.

−Eu sei disso, mas vamos ficar atentos.

−O que você acha dela?

−Alice, não vamos falar disso, não acho nada, ela acabou de chegar, fiz o que pude, proibi que venha conosco.

−Já é um começo!

−E aquela história de saudade? Ele me pergunta, abro um sorriso.

−Saudade? Eu brinco – Quem falou sobre isso?

−Não se lembra, eu não sabia que tinha memória curta.

−Refresque minha memória então! Eu brinco e ele me deita na cama, colo meu corpo ao dele e então estamos num longo beijo, e nada mais importa.

Sou dele, sempre fui e sempre vou ser, quando Daryl toca minha pele tenho certeza disso, do quanto nos pertencemos, me entrego sem medo, deixo meu corpo comandar me sinto livre e feliz, completa.

Pela manhã acordo com um beijo no pescoço, suspiro longamente, me viro e lá está ele com os olhos brilhantes.

−Amo você! Ele me diz me espantando, nunca pensei em acordar ouvindo algo assim.

−Logo cedo? Brinco – Ninguém nunca me amou logo pela manhã.

−Ah! Quer dizer que em outros horários sim?

−Você me ama muito! Brinco – Morre de ciúme, só quer que eu seja sua, me acha uma delícia e fica me paquerando!

−Você é muito maluquinha!

−E me ama assim mesmo! Eu o beijo e depois decido que chega de ficar na cama, tenho muito o que fazer, vou conversar com Maggie e sei que ela vai concordar comigo que aquela bruxa vadia está armando.

Passo por cima de Daryl, ele geme quando sem querer esmago sua coxa.

−Ai Alice! Ele resmunga, me desequilibro, acabo caindo no chão.

−Que merda! Reclamo com dor no joelho, olho para Daryl que ria de mim – Palhaço!

−Eu! Ele resmunga se levantando – Tem mania de passar por cima de mim, era só me avisar que quer levantar e eu saia!

−Que chato! Reclamo – Me obriga a dormir no cantinho, me esmaga e ainda choraminga todo dia quando me levanto, parece um velho!

−E você parece que tem cinco anos, é toda atrapalhada, me machuca todo dia! Ele está bravo, me faz rir.

−Me ajuda a levantar idiota!

−Se vira! Ele diz caminhando em minha direção estica a mão e me ajuda a ficar de pé, decido me vingar e gemo como se estivesse com dor – Que foi? Seu olhar mudo, sinto pena e sorrio.

−Só tendo certeza que me ama! Ele me morde o pescoço.

−Ridícula! Eu me afasto.

Depois descemos os dois, lá em baixo me reúno ao grupo, comemos um pouco, Daryl sai para o pátio e ficamos conversando, assim que fico sozinha com Maggie ela me aperta a mão ansiosa.

−Você acha que ela te empurrou não acha?

−Acho! Respondo com pressa.

−Eu também, precisamos armar algum jeito de pegar essa mulher, ela está aprontando, não entendo, encontra um lugar seguro, é acolhida e faz uma coisa assim?

−Ela é ardilosa, o que vamos fazer?

−Vamos pegar ela em ação, é só ficar de olho, depois conversamos, o Glenn está dizendo que fiquei maluca, que ela é muito gentil.

Maggie faz uma careta e rimos as duas, Carol se aproxima.

−Estão certas, ela está aqui para criar intriga, fiquem atentas.

−Acha isso também Carol?

Fico aliviada, mais alguém que como nós não está contente com a vadia da estrada.

−E vou ajudar vocês! Ela diz — Vou ganhar a confiança dela e nem vai ser difícil, de hoje em diante não nos gostamos mais, vamos ficar distantes e implicantes.

−Adorei! Aviso animada – Sou ótima atriz!

−Quem sabe até uma briguinha ou outra, depois de um tempo ela vai confiar em mim.

−Ótimo, vamos fazer isso então, eu e você nos odiamos de agora em diante.

Carol nos deixa e fico bem animada com a ideia, Daryl vai dizer que isso é tolice de mulher, que estou com ciúme e que a Carol está caindo na minha conversa que vamos arrumar encrenca, nem vou ligar.

Só volto a vê-lo no jantar, Theresa mais uma vez se infiltra no grupo, na verdade acho que dessa vez foi convidada eu a vejo sentada com Carol elas comiam e tinham uma conversa animada.

−Dupla perfeita! Falo alto ao passar, Daryl me olha assustado.

−Com inveja? Carol pergunta e dou as costas as duas.

−O que foi isso? Ele pergunta preocupado – Você brigou com a Carol?

−Carol é uma idiota! Falo bem séria, ele me olha tenso, passa a mão pelo cabelo, sorrio.

−Deixa de ser bobo, esse é nosso plano, vamos fingir que nos odiamos e a Theresa vai confiar nela.

−E.... – Ele faz um gesto para que eu continue.

−Como é lento! Eu reclamo – Vamos descobrir se o problema é comigo, se ela tem algo em mente.

−Mulheres! Ele resmunga – Cuidado está bem, não se mete em confusão, por favor.

−Sim senhor, eu te amo!

−Sei! Ele sorri.

−Ás vezes me pergunto o que faria se eu te beijasse aqui.

−Ahm? Ele faz aquela cara que sempre faz quando não acompanha meu raciocínio.

−Já disse, vá falar com o Hershel, é muito lentinho, forte, bonitão e lentinho, beijar você na frente de todos.

−Eu não sou lento, você é completamente maluca, entra nuns assuntos do nada, eu não acho que a gente precisa ficar se expondo na frente dos outros.

−Não entro nos assuntos do nada estamos falando de sentimentos, e não ligo de expor o que sinto.

−Claro que faz isso, do nada começa uma conversa e demoro a entender o que está acontecendo, sobre o que sinto também exponho, todos sabem que estamos juntos.

−Demora a entender porque é lento e a Maggie e o Glenn às vezes se beijam na frente das pessoas, trocam carinhos.

−Como fazem isso? Carl me pergunta e nem notei que está tão perto.

−O que?

−Ficarem conversando coisas diferentes o tempo todo eu os vejo fazendo isso, é engraçado.

Adoro Carl, ele é um menino muito forte, corajoso eu o admiro, sorrio para ele.

−Acho que fazemos mesmo isso! Acaricio seu cabelo, ele se afasta – Então é assim, vou roubar um abraço! Ele corre e o persigo até conseguir abraçar Carl quase saindo para o pátio.

−Doida! Ele diz quando o solto, rimos os dois e voltamos juntos.

−Que tal uma volta no pátio? Daryl me convida – Quero terminar essa conversa.

−Que conversa?

−Precisa falar com o Hershel, é muito lentinha! Ele me provoca – Sobre demonstrar sentimentos!

−Então é melhor conversar em casa! Eu pisco e ele ri – Ou podemos procurar bateria.

−Na verdade acho que ficar de guarda é muito melhor! Meus olhos brilham, tenho certeza que ele nota só pelo sorriso que se abre em seu rosto.

−Você sabe ser perfeito quando quer.

Saimos para o pátio, vejo Carol sentada com Theresa, ela me olha feio, chego a ficar com medo, passo por elas sem olhar muito para nenhuma das duas.

−Amanhã vamos juntas arrumar uma cela nova para você Tess! Ouço Carol dizer.

Chegamos em nosso destino, a torre de vigia, adoro esse lugar, tem um clima romântico e tivemos uma noite perfeita aqui.

−Ela está caindo, reparou como a Carol nos olhou, fiquei até com medo.

−Boba! Ele me beija e então ficamos olhando a noite, vejo zumbis caminhando em direção as grades da prisão, me lembrando que o mundo é assim agora, me recosto em seu peito – Não está feliz?

−Como? Fico preocupada.

−Feliz com o que temos, acha que não gosto de você suficiente só porque não fico te beijando na frente dos outros, acha isso importante?

−Eu sei que me ama, não estou falando disso, quero que seja feliz, mais solto, e ás vezes sinto vontade de beijar você, te abraçar, fazer um carinho, mas não sei se vai se esquivar.

−Não vou! Ele me diz, eu me emociono – Acho que não consigo fazer isso eu, mas consigo entender o que está querendo e nunca vou me esquivar de você.

Pela primeira vez em muito tempo sinto meus olhos marejados de emoção, ele me sorri e então me beija, e estamos naquele lugar magico e vamos juntos para aquele lugar especial que temos e que mais ninguém pode entrar, onde somos felizes e o mundo é perfeito.

Notas finais
Gostaram, vamos ver como vai funcionar esse plano das mulheres. beijo