Caminhando entre os mortos

33 Capitulo 33 - Andarilho


Notas iniciais
Olá pessoas, primeiro me desculpem pela demora, pensei que tinha melhorado, mas tive uma pequena recaída, acho que agora realmente sarei, eu sei que demorei mas de qualquer modo aqui estou, vou voltar a postar todos os dias, e também voltar a postar em Fim dos Tempos 2, agora quero agradecer, os comentários, o carinho e a preocupação de todos e as recomendações que recebi. Little Monsen, obrigada de verdade pela recomendação, fiquei muito feliz, encantada, nem sei como agradecer, é muito especial que alguém separe uns minutinhos do seu tempo para fazer isso, realmente obrigada! Ticy, também quero agradecer, você foi uma querida muito especial recomendando minhas duas fics, nossa nem acreditei quando vi, estou muito emocionada, é por esse carinho que recebo de todos que nunca abandono minhas fics. Obrigada!

Pov – Daryl

Amanhecemos na torre, gosto de assistir o dia clarear, faz parecer que ainda temos uma chance, que um dia as coisas podem voltar ao normal, Alice descansa em meus braços, eu observo seu rosto delicado, é tão linda, cheia de vida.

Alice tem um jeito leve de levar a vida, me deu um pouco disso, mas não o bastante, ainda sou um Dixon, ainda tenho o peso da minha história, das coisas que passei, isso me afeta de uma maneira quase definitiva, não sei dar o tipo de carinho que talvez Alice sinta falta, tenho me esforçado, não pretendia me envolver com alguém justo no momento em que o mundo está esse caos, na verdade não achei que alguém me despertaria um sentimento como esse nunca, mas aconteceu e quero manter isso, por tanto me esforço.

Ela me deixa completamente maluco algumas vezes, me tira do sério, me irrita ao mesmo tempo que me deixa tonto, tolo, e rendido, faz parecer que o mundo é melhor do que realmente é, que vale a pena lutar por mais um dia, só para passar esse tempo com ela.

O vento sopra frio, arrumo as cobertas sobre Alice, ela se aconchega mais, volto minha atenção para o céu um tanto cinza e nublado.

−Pensando em mim? Ela diz beijando meu peito.

−De jeito nenhum! Alice se senta, olha para baixo e se enrola nas cobertas.

−A neve está chegando, sinto falta dela, dos dias de nevasca na Virginia – Seu olhar fica distante, pensativo − Amava fazer bonecos de neve, correr e brincar no jardim, Emma sempre reclamava de ter que cuidar de mim, ser minha irmã mais velha não deve ter sido fácil, depois cresci, me mudei e a vida seguiu, então há uns três anos passei uns dias na casa dela com meus sobrinhos, brincamos tanto.

−Não duvido! Respondo sentindo a tristeza em suas palavras.

−Fico pensando o quanto perdi me afastando deles, se soubesse...

−Ninguém podia saber!

Ela me sorri, faz aquele coque que acho sexy, depois começa a se calçar.

−Tem razão, não sou o tipo que se arrepende, não vou começar agora! Ela se levanta – Vamos, esse vento frio está me irritando.

−Pensei em sair para ver as armadilhas e caçar um pouco, passar umas horas na floresta.

−Vou junto! Ela me diz e nem passou pela minha cabeça deixar Alice aqui, principalmente agora que resolveu ser detetive junto com as outras loucas da prisão.

−Eu sei, melhor comigo do que aqui, aprontando das suas junto com a Maggie.

−Não apronto nada, estamos cuidando da segurança da prisão, não seja ingrato, vamos, quero implicar um pouco com a Carol.

Ela não tem limites penso enquanto descemos as escadas, eu aperto seu nariz antes de me afastar dela, Alice segue para dentro e eu vou ao encontro de Rick.

−Fico pensando se esse inverno não vai destruir a plantação.

Rick pergunta enquanto remexia a terra, Carl fazia seu trabalho de cara fechada.

−Talvez o Hershel saiba o que fazer para proteger a plantação.

−Sim, com certeza, ele tem me ajudado muito, e você, como vão as coisas?

−Estamos bem! Eu sei que quer saber sobre Alice, afinal do jeito que brigamos.

−E essa rusga com a Tess?

Esse é um assunto difícil, dou de ombros.

−Sabe que elas estão armando um plano, nem sei o que pensar, quando se juntam...

−Daryl, não precisa me dizer nada, eu sei, mas vamos ficar de olho, apenas isso.

−Acho bom! Digo remexendo na terra com a bota, minha cabeça em Alice e esse plano idiota.

−Vou terminar aqui e ver nossas armadilhas, antes que os zumbis cheguem primeiro.

Olhamos os dois para as grades, o número mais uma vez aumentando, cada dia mais zumbis se aproximavam da prisão.

−Eu vou – Aviso – Quero caçar um pouco, Alice vai comigo.

−Certo, e esses zumbis, por que cada dia mais?

−Talvez por que somos muitos agora, o barulho, o cheiro!

−Você está certo, vou chamar o pessoal para diminuir um pouco esse número nas grades, tenho medo que um dia uma delas ceda.

Afirmo e depois de um aceno deixo Rick, vou em busca de Alice, ela brincava com a bravinha, Beth e Maggie estavam com ela.

−Vamos? Eu convido, ela me sorri entregando o bebê a Beth, arrumamos nossas coisas e deixamos a prisão rumo a floresta, desviamos dos zumbis nas grades.

Entramos na mata, gosto do cheiro da floresta, gostava dos sons também, pássaros e pequenos animais, mas isso mudou, a floresta parece morrer junto com a humanidade, e agora o que ouvimos são pés se arrastando e gemidos distantes.

Um zumbi se aproxima, caminha com seus passos lentos, não tem um braço, manca e parece ter saído de uma poça de barro, surge por detrás de uma árvore, acerto uma flecha, ele cai e vou buscar a flecha.

−Não consigo não pensar sobre isso! Alice me diz caminhando ao meu lado.

−Isso o que?

−Os mortos, no quanto estão realmente mortos, tenho medo de pensar que talvez tenha algo preso ali dentro, um resto de humanidade.

−Se formos pensar nisso, eu não sei se conseguimos fazer o que é preciso.

−Acho que sim, mas mesmo assim fico pensando se é só um corpo, um processador de alimentos sem vida, ou se resta algo ali, um fio de vida qualquer.

Escuto passos na floresta, faço sinal para Alice que se cala, um homem surge na floresta ergo a besta porque no primeiro momento ele me parece um zumbi, está sujo, a barba crescida, carrega um saco nas costas, ele ergue a faca quando nos vê.

−Calma! Eu digo baixando a besta – Está sozinho?

−O que querem? Ele pergunta muito tenso – Estou vivo, estou vivo! Avisa ainda com a faca na mão, parece fora de órbita.

−Sabemos disso! Alice comunica – Fique calmo.

−Temos comida! Ofereço e ele parece se acalmar.

Baixa a arma e estica o braço, ofereço a comida que trazia na mochila, ele pega muito rápido, abre o pacote, devora a comida desesperado, ficamos assistindo enquanto olhamos em volta, em busca de zumbis.

−Tem um grupo? Alice pergunta se aproximando.

−Alice! Eu a advirto.

−Como se chama? Ele comia sem nem ao menos dar sinal de nos ouvir, decidimos esperar, Alice mais próxima dele do que deveria, eu atento a qualquer ruído a nossa volta.

O homem termina de comer, passa as mãos sujas na roupa ainda mais suja e depois nos encara.

−Como se chama? Alice pergunta.

−Que diferença faz? Ele tem os olhos esbugalhados.

−Meu nome é Alice, tem para onde ir?

−O mundo todo, posso ir onde quiser!

−Está sozinho? Questiono embora duvide que alguém na condição dele esteja em um grupo.

−Não, tem os mortos, eles sempre vem comigo, é preciso mata-los!

−Sabemos disso! Alice se aproxima, fico mais uma vez em alerta – Pode seguir conosco, é mais seguro.

−Não! Ele se assusta, o homem parece ter enlouquecido, quem afinal está completamente são? Ergue mais uma vez a faca.

−Temos muitas pessoas, somos amigos e podemos ajudar.

Eu sei que Alice tem um bom coração, que quer ajudar, mas acho que aquele homem está perdido, sem qualquer chance de recuperação.

−Eu não preciso de ajuda, ninguém mais ajuda, querem me entregar para os mortos, todos querem. Eu sei como é, pegam você e te usam de isca, já vi muitas vezes!

−Não vamos fazer isso, pode nos acompanhar e se não gostar...

−Não vão me levar! Ele grita nos assustando – Me deixem! Seus gritos ecoam pela floresta – Os mortos querem me devorar, os vivos também, eu já vi, comem outros, o tempo todo, eu sei, comida, somos só comida, não vão me devorar! Ele apontava a faca hora em minha direção, hora em direção de Alice.

−Calma! Eu peço já erguendo minha besta – Não precisa ir se não quiser!

Então os primeiros zumbis surgem, aponto minha besta e me viro, acerto o zumbi e quando me volto o homem tem a faca no pescoço de Alice.

−Merda! Eu grito – Solte ela e pode ir! Os zumbis se aproximam.

−Não quero virar um mordedor! Ele diz tremulo, Alice está tensa, segura o braço do homem com as mãos, mas ele é mais alto e mais forte, mesmo debilitado – Minha isca, ela é minha isca!

−Só quero que solte ela! Eu uso o tom mais calmo que consigo, minha besta apontada para sua testa, zumbis surgindo, não temos muito tempo par decidir.

−Pode me soltar, vamos embora agora mesmo, não se preocupe, os zumbis estão chegando.

−Larga ela seu maldito! Perco a paciência.

−Por favor!

Alice pede, seu olha indo de mim para a floresta a nossa volta.

Mais zumbis surgindo, Alice me olha, tem alguma coisa naquele olhar ela vai fazer alguma tolice, faço um sinal com a cabeça pedindo para não fazer nada.

−Ela vai virar um zumbi, você também, todos vamos, não quero ser devorado! Ele grita faz um movimento com o braço afastando a faca do pescoço de Alice, ela aproveita aquele segundo de distração e empurra o homem.

O movimento inesperado o desequilibra, mas ele a puxa junto, os dois caem, tudo é rápido e quando me aproximo Alice se levantava, preciso derrubar alguns zumbis, ela também.

O homem se arrasta para longe, um zumbi cai por cima dele, ouço o grito, mas não posso fazer nada, tem zumbis vindo por todos os lados, vamos derrubando alguns e nos afastando.

−Fica perto Alice! Eu ainda ouço o homem gritar – Vamos!

O caminho vai ficando mais limpo, chegamos a uma clareira, os zumbis finalmente sumiram, paramos para respirar.

−Cassete! Alice diz e me viro, ela segurava a mão na coxa, a calça suja de sangue, me aproximo – Merda, merda! Ela reclama e quando retira a mão vejo o corte profundo.

−Meu Deus Alice!

A perna sangrava muito, me apavoro, retiro com pressa meu cinto, prendo em sua perna fazendo um torniquete.

−Porra, isso dói, que merda, cassete! Alice resmungava – Cassete, merda, merda!

−Alice, para de falar palavrão! Eu digo urgente, estou tenso, com medo –Está me deixando nervoso.

−Isso é hora para ter ouvidos sensíveis?

Ela diz gemendo de dor, o sangue estanca, eu fico mais calmo, Alice se apoia em mim.

−Essa sua mania de virar refém já está me irritando! Eu digo passando meu braço por sua cintura, indeciso entre apoiar Alice e cuidar da nossa segurança.

−Que merda, está ardendo, não sei como fui deixar isso acontecer!

−Eu estou aqui, vou te levar para casa.

−Se eu morrer por causa dessa porra de corte...

−Cala a boca imbecil, não diz isso! Ela firma a perna no chão – Vamos, pode andar?

Alice afirma com um movimento de cabeça, manca um pouco, mas não tem mais sangue descendo e vamos caminhando devagar, seguro a besta, enquanto apoio Alice.

Alice segura firme o machado, mas está a cada passo mais pálida, meu coração batia fora do compasso, não posso perder Alice.

−Estamos chegando não é? Ela diz eu olho para seu rosto e ela está completamente pálida, coloco a besta nas costas e pego Alice no colo.

−Vem, está doendo muito?

Ela se encosta em mim, fecha os olhos me assustando, sinto a pele de Alice gelada.

−Alice, não dorme! Me desespero.

−Eu me sinto fraca, acho que perdi muito sangue enquanto corríamos.

Ela volta a fechar os olhos, o corpo amolece felizmente estamos nas grades e vejo Glenn correr em minha direção, me ajuda com as grades.

−O que aconteceu?

−Uma confusão, encontramos um andarilho, o cara estava louco! Alice abre os olhos mais uma vez.

−Que bom que chegamos! Diz com a voz enrolada.

Corro com ela para dentro assim que Hershel nos vê vem em meu socorro, eu a coloco numa cama.

−Que tipo de ferimento é esse?

−Faca, ela levou uma facada.

Rasgo a calça de Alice, ela está zonza, abatida, mas continua a mesma idiota de sempre.

−Uma merda de uma facada Hershel, e agora esse idiota ainda rasga minha calça! Ela me empurra.

−Fica quieta sua idiota!

−Preciso fazer um curativo, talvez dar alguns pontos, vamos limpar primeiro.

Carol entra trazendo a caixa de primeiros socorros, Alice e ela trocam um olhar, eu percebo.

−Saia daqui Carol, não confio em você! Alice diz irritada.

−Também acho horrível estar aqui! Ela diz deixando a cela com Theresa em seus calcanhares.

−Nem quero saber o que foi isso! Hershel comenta.

−Somos agentes secretos no meio de uma missão!

Alice não tem mesmo nada na cabeça oca dela, estou aqui completamente assustado e me sai com algo assim, Hershel dá alguns pontos, depois fecha o local com um curativo, o tempo todo Alice aperta minha mão.

−Pronto, agora fique deitada, amanhã vai estar melhor, uns três dias de repouso e vamos ver como isso segue, vou te dar um comprimido, precisamos tomar cuidado para não infeccionar.

Ela abraça Hershel que corresponde com um largo sorriso, depois se afasta, a cor volta a seu rosto e acalma minha tensão.

−Obrigada Hershel, você é perfeito! Ele faz um carinho em Alice eu a pego no colo.

−Vou te colocar na cama e vai ficar lá até segunda ordem.

−Não começa a mandar em mim! Ela resmunga – Se eu quiser saio!

−Deixa de ser teimosa, não me tira do sério, já fez merda ficando perto do cara! Alice faz careta, mas fica calada, acho que está cansada.

Subo com Alice no colo, quando a coloco na cama ela se senta.

−Pode pegar roupas limpas para mim, estão na minha mala lá na minha casa.

−Já disse que lá é seu guarda roupa! Aviso irritado.

−Você está é querendo casar comigo! Suas palavras me assustam, nunca pensei muito nisso, mas agora que ela falou faz algum sentido, mas Alice só fala brincando, tudo nela é brincadeira – Que foi? Ela me pergunta me tirando do transe.

−Nada! Respondo piscando confuso – O que me pediu?

−Roupas, na minha casa!

Dou meia volta e sumo para sua cela, quando entro está uma bagunça, faz tempo que não entro lá.

−Que bagunça! Eu grito, ouço um palavrão de volta, sorrio.

Recolho todas as coisas de Alice e volto para minha cela, ela revira os olhos e com dificuldade se senta, separa um short e uma blusa.

−Me ajuda! Ela pede, não sei como posso fazer isso sem me sentir constrangido, nunca tive tanta intimidade assim com alguém, mas de fato ajudar Alice parece natural.

−Vai colocar esse shortinho? Pergunto um tanto irritado, com ela de cama toda hora alguém vem para ver Alice, não sei se gosto disso.

−Já disse que não trouxe minha burca! Alice responde irritada, eu ajudo Alice a se vestir, depois ela se deita e logo Maggie vem trazer um comprimido e um prato de sopa.

−Carol vem trocar seu curativo amanhã e vamos aproveitar para conversar, ela disse que tem novidades interessantes.

Maggie avisa antes de sair, depois acena e nos deixa.

−Que merda, tomei um susto dos infernos com aquele andarilho, senti pena também, ele estava tão assustado!

Me sento a seu lado, envolvo Alice que se recosta em mim.

−Não se vive mais sozinho, esse mundo já é o fim e como se não bastasse, ele estava sozinho, como se pode manter a sanidade num momento como esse?

−Eu sei, Daryl acha que foi só confusão da cabeça dele, aquela coisa de vivos comendo vivos?

−Não sei Alice, e não pense nisso!

−Vou tentar, mas foi assustador, sempre fico de refém, que merda!

−Descanse Alice, temos que nos preocupar apenas com o perigo de uma infecção, nada mais.

−Não vai sair esses dias vai? Ela me pergunta tensa.

−Vou evitar, prometo!

Alice adormece e relaxo, depois de ter certeza que estava bem e sem febre, eu a deixo e sigo ao encontro de Hershel, preciso ter certeza de que tudo está bem, me sento com ele.

−Temos remédio suficiente e Alice está bem, não se preocupe.

−Que bom, se precisar de algo é só me dizer, vou onde for preciso, não se preocupe!

−Sei que sim! Hershel me responde – O homem, ele morreu?

−Sim, não podia fazer nada, ele estava transtornado tinha uma faca e como se não bastasse ainda existia a questão de Alice, eu tinha que tirar ela de lá.

−Fez o certo!

−Não sei, fiz o que tinha que fazer, não pensei em nada.

−Alice é muito especial!

−Muito, é linda e teimosa tem a boca mais suja que já vi na vida, mas sim ela é especial e vou lá ficar com ela.

Notas finais
Então gente, juro que estou de volta, não me deixem!!!!! Beijos