Caminhando entre os mortos
27 Capítulo 27 - Pequenas coisas
Notas iniciais
Pov – Daryl
Encantadora de Daryl com certeza, eu penso enquanto assisto Alice dormir em meus braços, não sei o que somos, o que temos, ela dorme comigo todas as noites, e agora não só dormimos juntos, temos uma relação, mas nenhum dos dois fala sobre isso, apenas vamos levando a vida, vivendo um dia de cada vez e não sei até quando isso vai ser o bastante.
Alice é cheia de vida, mexe com as pessoas, me dá um pouco de medo dessa liberdade que procuramos manter, ela pode achar que tudo bem se envolver com outra pessoa, não, isso é tolice minha, não posso sequer pensar nisso, eu a fiz chorar por conta de um comentário infeliz se ela pudesse ouvir meus pensamentos agora estaria muito triste.
Não me importo com Alice brava, até gosto disso, mas Alice triste é problema na certa.
Hoje não tem horta, nem senhora Adams, decido deixar que durma, ela está precisando, fico ali assistindo seu sono tranquilo, podia sair da cama e descer para o trabalho, mas ela é tão linda e é tão raro ver Alice assim, quieta.
−Precisa colocar uma cortina aqui Daryl! Ela diz do nada nem mesmo abriu os olhos – Ou temos que fazer essas coisas lá na minha casa! Diz se enrolando em mim ainda de olhos fechados – Já pensou se alguém entra aqui, ou passa na frente?
−Nem acordou ainda e já está com a mente a mil!
−Já disse minha mente é brilhante, é hora de acordar?
Ela diz manhosa, acho que nunca dormiu tanto, na verdade nem posso garantir que está mesmo acordada já que ainda não abriu os olhos.
−Quer acordar?
−Não, mas tenho uns compromissos! Ela me faz rir.
−O que andou aprontando, perdeu no jogo de novo?
−Eu jogo muito bem! Ela me olha brava – Aquilo foi culpa sua, mas não é nada disso, prometi a Beth ficar um pouco com a Judith para ela poder procurar umas baterias por ai!
−Alice! Eu a recrimino.
−Deixa de ser chato, o mundo está acabando acha que só você pode se dar bem?
−Eu me dei bem? Ela me olha feio.
−Muito bem, sou um presente para você, agradeça a Deus! Ela ri e me beija – Fala a verdade, eu sou perfeita para você não é?
−Então acha que é isso que mereço, uma hecatombe?
−Olha que me faço de difícil!
Eu a puxo para mim, detesto essa brincadeira de difícil, beijo Alice longamente, ela corresponde, depois quando nos afastamos se espreguiça, quase me derruba da cama, nem reclamo por que se não vai dizer que sou um resmungão, conheço bem Alice.
−Vai, vamos logo levantar, está melhor?
−Muito!
−Deixa eu fazer o curativo hoje?
Ela me olha fazendo um ar sério, sei que está fingindo, é a rainha do drama, escondo um sorriso, garota infernal.
−Para que quer fazer isso?
−Deve ser... Divertido?
−Maluca, não. Arruma outra coisa para se divertir, vai me machucar, é toda estabanada.
−Cara chato! Ela suspira, depois sem aviso decide se levantar e quando passa por cima de mim é claro que me esmaga, só provando que é mesmo uma estabanada.
Depois está sentada no chão, caçando os sapatos, fico olhando aquilo sem acreditar em como ela pode ser assim tão perfeita.
−Vai Daryl se mexe, estou com uma fome, podíamos caçar né?
−Caçar? Pergunto passando as mãos pelos cabelos – Não sei Alice, vamos ver como corre o dia.
−Certo, vai colocar uma cortina?
−Vou! Respondo, ela tem razão, não é uma ideia muito agradável ter minha cela invadida no meio da noite e sermos pegos em flagrante e não quero ter que rouba-la para torre todas as noites.
−Adoro quando fica assim, todo bonzinho comigo, eu sei que é louco por mim! Ela abre um largo sorriso caminhando para porta – Está com a camisa no avesso, esse negócio de se vestir no meio da noite da nisso, precisamos de uma cortina.
Então some da minha visão, vai para cela dela se arrumar eu penso, devia trazer as coisas logo para cá, mas talvez isso soe como um compromisso, não sei ainda o que pensar, melhor deixar tudo como está.
Depois de organizar as ideias e arrumar a blusa começo finalmente meu dia, vamos ter uma reunião depois do café, não sei porque tantas reuniões, mas enfim o grupo quer assim e por mim tudo bem.
Alice está no refeitório quando desço, conversa com Maggie baixinho, as duas riem com vontade, me dá medo pensar sobre o que falam, Glenn para do meu lado olhando para as duas, elas ainda não tinham nos visto.
−Não sei você, mas eu fico apavorado só de pensar do que estão falando! Ele me diz e fico feliz por não ser o único assustado com aquela conversa.
−Sei o que quer dizer! Eu respondo – Vai mesmo ter reunião?
−Sim, vou comer alguma coisa e separar aquelas duas antes que seja tarde demais, então podemos ir.
Glenn me diz caminhando com uma caneca e um pedaço de massa na mão, me sento na escada com um copo de café solúvel, não consigo parar de olhar para ela, então como que sentindo meu olhar Alice me olha, sorri com o rosto iluminado, pisca para mim, dou um meio sorriso de volta, é o melhor que posso fazer sem me sentir um idiota completo.
Rick se aproxima, se senta do meu lado com Judith no colo, faço um carinho nela, que me sorri, é tão encantadora, ela abre e fecha a boca, os olhos atentos, tão pequenina e doce.
−Como vão as coisas? Rick me pergunta.
−Bem, e você como está?
−Estranho pensar sobre isso, sobre tudo que nos aconteceu, mas acho que agora vamos ter uma chance, Daryl eu queria falar com você.
−Manda! Eu tomo o bebê de seus braços, fico com ela no colo, escuto Rick sem olhar para ele, quando a Bravinha está por perto fico meio distraído, todo mundo sabe disso.
−É sobre eu estar dando um tempo...
−Você merece esse tempo, sabe disso, e eu sei que se um dia for preciso vamos tê-lo de volta! Respondo fazendo cocegas no bebê, que ri e se dobra, depois beijo sua testa, ela tem um cheiro bom eu penso.
−Não adianta falar com você com a Judith por perto! Ele diz e então ergo meu olhar, Rick está rindo.
−Já disse Rick está tudo bem, merece um tempo, não se preocupa, damos conta!
−Você mudou, para melhor quero dizer! Ele me dá um tapinha no ombro – Já vinha mudando, mas depois de Alice isso ficou bem evidente.
−Eu sei, ela me suga toda energia, vivo tão bravo com ela que sobra pouco tempo para ficar bravo com o resto do grupo! Respondo e Rick ri de mim.
−Ela realmente não é o tipo que passa despercebido.
−Jamais.
−Daryl! Glenn me chama – Vamos?
−Tenho reunião do conselho! Entrego Judith a Rick – Algum pedido?
−Não, vou levar Judith para Beth, o que acha desse Zack?
−Um bom menino, ao menos por enquanto, mas não custa ficarmos de olho.
−Está certo!
Rick sai com o bebê e me aproximo de Alice, ela tinha um largo sorrio, acho estranho o modo como me olha.
−Que foi?
−Ela te ama, achei bonitinho os dois.
−Quem me ama? Ela me olha entediada.
−Judith Daryl, acorda, acho que está me paquerando! Ela sorri – Fica assim meio fora do ar.
Vamos para reunião, o grupo se reúne em volta da mesa, Alice brincava com um objeto fazendo um barulhinho irritante enquanto esperávamos Carol chegar, arranco o brinquedo de suas mãos.
−Mais uns dias e vai ter sua boneca.
−Certo, mas quero uma Barbie! Ela ri do meu ar espantado – Barbie apocalipse, vem com uma besta e um facão!
−Cala a boca sua...
−Cheguei! Carol entra e se senta – Desculpe a demora.
−Estávamos nos divertindo aqui, não tem problema! Hershel diz nos olhando, só posso concluir que eu era a causa de sua diversão junto com Alice, essa garota está me transformando numa piada.
−Vamos começar então! Sasha diz pragmática como de costume – Os portões estão pronto e gostei do resultado, o que acharam?
Todos deixam suas impressões positivas e acho aquilo tão cansativo, Alice também deve achar porque apenas concorda com a cabeça.
−Ainda vamos comer os porquinhos? Alice pergunta, todos olham para ela – Tá já entendi, vamos! Ela diz desanimada.
−Sobre comida, eu acho que temos que nos organizar de novo, quem sabe ir a um lugar grande, tentar uma nova cidade.
Sasha diz preocupada, o estoque de comida não é mesmo dos melhores, e temos muitas pessoas agora, além disso o inverno está chegando e como formigas temos que encher o estoque.
−Tem um Walmart a uns quilômetros daqui, na beira de uma estrada, sentido norte, eu estive lá com um antigo grupo, não entramos, estávamos cheios de coisas de uma cidade que passamos, ficamos de voltar depois mas nunca aconteceu.
Alice avisa e todos estão atentos a ela.
−É só isso gente, podem parar de me olhar assim, é um lugar grande deve ter bastante zumbi também, não sei, mas acho que se der para entrar vamos nos dar bem.
−Sabe achar o lugar num mapa?
−Sim Glenn, eu sei, sou muito boa em geografia sabia, tirava as melhores notas, agora números sempre foi um problema, espero que minha professora de matemática esteja viva e tenha se dado conta que todas aquelas detenções só por que não fazia o dever e ficava conversando não serviram para nada! Ela diz distraída – Um dia vai me agradecer Alice, a bruxa dizia, ai está a merda do mundo acabou e para que quero saber a droga da teoria de Báscaras, ou sei lá, Pitágoras?
Hershel tem um sorriso suave no rosto, ele adora as maluquices de Alice, Glenn também, acabo rindo com os outros.
−Certo, então podemos pensar em ir até esse lugar, quem sabe nos damos bem! Sasha diz animada.
−Estive pensando, podemos arrumar aquele espaço no pátio para transformar numa cozinha comunitária! Carol diz tranquila.
−Podemos pensar nisso, principalmente se dermos sorte nesse walmart! Glenn comenta.
−Queria que arrumassem um lugar para as crianças, quem sabe deixar a biblioteca arrumada, vai ser bem chato no inverno! Alice nos lembra.
−Gosto muito dessa ideia, já vinha pensando nisso.
Hershel aperta a mão de Alice, ela sorri orgulhosa.
−Hershel como estamos de remédios?
−Daryl nunca temos o suficiente, mas acho que já fomos a todas as farmácias próximas, de qualquer modo se achar um lugar será muito bom, estou organizando tudo.
−Ótimo! Acho que é só! Eu digo – Mais algum assunto?
−Sim! Alice diz levantando a mão – Posso ter uma moto? Ela pergunta e todos me olham.
−Eu já disse que não! Respondo impaciente, que bela trairagem a dela.
−Fica quieto, você não é o presidente do conselho! Ela responde séria – Vamos votar? Diz sorrindo como se aquele lindo sorriso fosse mudar alguma coisa – Quem quer que eu fique com aquela moto linda que me trouxe de volta levanta a mão! Só ela ergue o braço, o restante do grupo me encara e permanece de mãos abaixadas, sabia que ainda tinha a fidelidade deles, ou o medo, não estou bem certo.
−Contente? Eu pergunto – Votação encerrada, moto fora!
−Traidores! Ela reclama – Só porque ele fica com essa cara de mal humor.
Nos levantamos e todos começam a deixar a reunião, ela começa a caminhar para saída.
−Onde pensa que vai? Esbravejo.
−Fugir de você! Ela responde sem pestanejar.
−Você é uma idiota sabia, achou mesmo que alguém aqui ficaria contra mim?
−Não, mas eu tinha que tentar! Ela diz rindo – Não fica bravo, estou triste ainda, e aquela moto me trouxe de volta para casa não é grato a ela?
−Muito! Respondo sério – Mas não vai sair por ai com ela de jeito nenhum!
−Eu ouvi! Ela diz de braços cruzados – Já sei que não posso fazer nada sem que você fique todo bravo, agora tenho que ir cuidar da Judith, depois falamos.
−Alice! Eu a chamo mas ela já fugiu a grande covarde.
Vou trabalhar com o grupo, um grupo de zumbis surge na cerca, uma quantidade razoável, somos obrigados a derruba-los pela cerca, depois temos que sair para recolher corpos e queimar na floresta isso me ocupa toda manhã, quando finalmente estou livre o grupo já estava reunido dividindo a comida, Alice está com Judith.
Ela canta para ela, uma daquelas músicas ruins que inventa e diverte não só o bebê como todos a sua volta, Carl ri animado sentado a seu lado, então Beth entra com Zack e segue direto para o bebê, Alice entrega para ela, e então caminha para mim depois de falar com Carl.
−Está de mal de mim?
−Quantas vezes tenho que dizer que isso é coisa de criança?
−Eu sei, ela se senta comigo – Eu não estou brava sabe, por conta da moto, não é como se pretendesse sair por ai sozinha, apenas queria que ela fosse minha para quem sabe umas voltas ou uma emergência, mas já entendi que a segurança é fundamental, não quero mais falar sobre isso.
−Muito maduro! Digo feliz.
−ótimo, mas posso dirigir quando sairmos?
−Pode! Respondo resignado, ela não vai me dar sossego se não deixar então como vou estar com ela tudo bem.
−Obrigada! Me sorri e tenho vontade de beijar Alice ali na frente de todo mundo, mas não acho uma boa ideia fazer isso então apenas aperto seu nariz.
−Você e a Maggie pareciam bem animadas pela manhã! Tento parecer desinteressado.
−Estávamos falando de você e do Glenn, na verdade estávamos falando sobre a noite que tivemos.
−Falam sobre isso? Fico completamente chocado, nem sei o que pensar.
−Sim, mas não se preocupe, só te elogiei, não muito para não despertar interesse de ninguém!
−Hum! Eu brinco – Com medo de me perder?
−Nunca se sabe não é! Ela sorri – Me ajuda a arrumar a biblioteca?
−Com certeza, afinal se ficou um zumbi para trás lá dentro ele com certeza vai pular no seu pescoço.
Passamos os três dias seguintes envolvidos com a arrumação da biblioteca e de novos quartos e armamos o plano para nossa viagem até o walmart.
As noites eu passava com Alice em meus braços e era sempre perfeito e quente, Alice me faz sentir coisas que nem sabia que existiam, mexe com todas as minhas emoções. No dia de sairmos eu e ela nos levantamos cedo, ela fica envolvida com sua caça por sapatos e roupas agora que finalmente me obrigou a pregar uma cortina, depois me deixa sozinho e segue para sua cela.
Fico uns minutos sentado, pensando nessas pequenas coisas que a cada dia nos torna mais e mais unidos, como um casal, eu penso feliz com a ideia.
−Acho que era um guia turístico! Zack diz sentado ao meu lado no refeitório enquanto esperava as pessoas para nossa saída, há dois dias vinha tentando descobrir o que eu fazia antes do apocalipse e estava adorando suas teorias – Não? Ele desanima – Eu tinha certeza que estava perto, vou descobrir.
−Vai tentando!
−Sua garota é bem bonita! Ele o olho torto – Calma, tenho a minha, foi só um comentário, ela é divertida e joga bem pôquer, ontem à tarde limpou todos nós!
−Ela me disse! Respondo ainda meio irritado com a história do bem bonita – bem feito!
−Foi uma revanche, mas foi a última, decidimos parar com a jogatina!
−Sei!
−Ela que disse, por mim continuava, tem um cara no meu bloco que quer jogar, falei com Alice mas ela disse que não, que não joga com estranhos, acho que o cara, Ray conhece?
−Não! Digo agora bem atento.
– Acho que vivia disso, mas não sei, de todo modo ela disse não, então nada feito.
−Acho que é muito bom, não insista nisso!
É um alerta ele concorda meio assustado e sigo ao encontro do grupo que já se reunia para sair, Alice me olha preocupada quando me aproximo.
−Que foi que eu fiz, está bravo comigo já?
−Não, centro do universo, não fico bravo só com você!
−Fico aliviada! Ela diz sorrindo – Quero exclusividade só nos beijos e naquelas coisinhas que fazemos na sua casa que alias já estou ficando bem boa né?
−Cala boca maluca! Acabo rindo, me aproximo dela, as pessoas se reuniam em volta do carro prontos para nossa partida, tiro uma mexa de seus cabelos do rosto, ela segura minha mão quando me afastava dela.
−Gosto quando faz isso! Me conta com os olhos brilhantes e aquela boca perfeita que sempre parece me pedir um beijo.
−Eu também gosto! Ela abre aquele sorriso lindo que me lembra um sol de verão — Vamos Alice, já sabe, todo cuidado é pouco, agora vá logo dirigir de uma vez! Ela me abraça muito feliz, sorri e corre para o volante.
−Prometo que nenhum guarda de transito vai nos parar! Ela diz quando dá a partida, Glenn e Maggie estão comigo no carro, suspiro resignado, vai ser uma longa viagem.
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