Caminhando entre os mortos

26 Capítulo 26 - Encantadora de cavalos


Notas iniciais
Olá pessoas, primeiro queria agradecer o carinho que estão tendo com a Fic, obrigada estou adorando dividir com vocês! Esse é o capitulo que deveria postar mais tarde, ando postando sempre de madrugada, mas como tive um dia tranquilo aqui está, mais cedo hoje. beijos

Pov – Alice

Daryl fica comigo por toda manhã, não falamos muito, em compensação é uma overdose de carinho, ele acaricia meu gosto, me beija algumas vezes, me envolve em seus braços, fico ali aproveitando aquele momento, nem sei se um dia ele vai ser capaz de repetir isso, aos poucos vou me acalmando, aceitando a mais nova perda, me lembro dela me dizendo para seguir em frente e ser feliz, é isso que vou fazer, acho que no fim ela está feliz agora e eu tenho que fazer o mesmo buscar a minha felicidade, não estamos falando de alguém que foi atacado, essa foi a decisão dela e assim sendo não tem porque me sentir assim.

Mais uma vez acabei quase na boca de um zumbi, isso está virando um habito e não gosto muito disso.

−Sabe, pode até ser impressão minha, mas estou começando a achar que esses zumbis eles querem me devorar! Eu comento do nada.

−Começando a achar? Daryl ri.

−E acho que só querem mesmo meu corpo, é uma relação puramente física!

−Um problema! Ele diz se arrumando mais na cama.

−Nem um convite para jantar, nada, vão logo pulando sobre mim, cheios de fome!

−Parece mesmo que só querem te devorar!

−Tenho talento para acabar engalfinhada com um zumbi!

Ele se remexe irritado, sei que se preocupa comigo, mas eu não tenho culpa sobre isso, quando vejo já aconteceu.

−Não vamos lembrar disso, me dá pânico pensar nesse seu talento para encrenca.

−Eu tenho outros talentos também.

Ele me beija, como que querendo provar minha teoria, suspiro passando meu braço por seu ombro, mesmo assim abatida estar nos braços dele é bom, me faz feliz de um jeito que só aqui com ele posso ser, depois me afasto um pouco as memorias da manhã me invadem mais uma vez.

Eu me encolho, vou sentir falta dos abraços da senhora Adams, do cafuné, do carinho que tinha comigo, sempre perco as pessoas, não que seja a única, pelo contrário, não conheço ninguém inteiro desde que o apocalipse começou, todos perdemos e alguns estão sozinhos, completamente sozinhos.

−Está com fome? Daryl me pergunta me tirando de meus pensamentos sombrios, ele tem esse dom de me trazer de volta da tristeza nem que seja apenas me deixando brava.

−Não, mas acho que é melhor descermos, assim você come um pouco e eu aproveito e depois vou conhecer o cavalo da Mich, acho muito injusto isso.

−O que? Daryl se senta e me ajuda a fazer o mesmo.

−Não posso ter cavalo, não posso ter porcos, não posso ter moto!

−Só inventa confusão Alice, pare de ser teimosa, se quiser te dou uma boneca!

−Ainda estou triste, pode ficar bonzinho de novo! Ele bufa, já está todo mal humorado – Tem que me agradar, dizer de novo que sou toda linda, que meu beijo é ótimo, essas coisas e que sou uma delícia! Ele me olha indignado – Os zumbis acham!

−Os zumbis não são muito seletivos, então não se ache muito!

−É grosso mesmo! Eu me ponho de pé – Vem vamos dar uma volta, será que ele já tem nome?

−Quem Alice?

−Meu Deus Daryl! Eu resmungo – A gente não estava falando do cavalo?

−Não, estávamos falando que você é uma delícia! Ele revira os olhos assim que diz, acabo rindo.

−Quer dizer que me acha uma delícia? Eu finjo um ar sexy, não tem muito efeito porque ele apenas ri de mim – Admita me acha delicia sim!

−Isso foi você que disse! Ele me puxa pela mão e seguimos pelo corredor.

−Estávamos falando que você é uma delícia! Imito a voz dele – Você acaba de dizer isso!

−Cala a boca Alice!

Chegamos ao refeitório, ele se serve, apenas Carol e Beth estavam lá, eu estou sem fome e só me sento do lado dele.

−Devia comer um pouco!

−Estou sem apetite!

Ele dá de ombros, Carol traz a caixa de primeiros socorros assim que ele termina de comer.

−Vamos trocar esse curativo e ver se não abriu de novo os pontos depois da sua corrida ao bloco D.

−Carol deixa eu fazer para aprender? Peço animada enquanto ela ia retirando as bandagens.

−Nem pensar, arruma um idiota para te servir de cobaia, nem vem!

−Você é o único idiota que conheço! Respondo brava, Carol ri – Ela está rindo de você!

−Está rindo das suas idiotices!

−Estou rindo dos dois! Carol resolve o problema, suspiro e encosto a testa no aço gelado da mesa, é bem divertido fazer isso.

−O que está fazendo? Daryl me pergunta me levanto e olho para ele, quer saber de tudo.

−É geladinho, experimenta!

−Ridícula, chama a bravinha para fazer isso é a única criança do bloco, além de você é claro! Olho para Beth.

−Nem pensar, ela está dormindo!

Desanimo, e então fico observando Carol terminar o curativo, depois ela junta suas coisa e se afasta.

−Vamos ver o cavalo! Ele diz se levantando, está decidido a me fazer companhia.

Saímos os dois para o pátio, o dia está nublado e um pouco frio, como será que vai ser esse inverno eu penso, o último foi deprimente, acho que nunca passei tanto frio e medo em toda minha vida.

−Espero que dessa vez esteja disposto a me esquentar!

−O que disse? Ele me pergunta.

−Ah! Eu rio – Falei em voz alta, nem notei, essa minha mania de falar sozinha, estava pensando em como vai ser esse inverno e pensei que talvez dessa vez você esteja disposto a me esquentar.

−Pode contar com meu apoio, serão noites bem quentes!

−Uau! Ele o empurro de leve – Vamos neve caia de uma vez! Rimos os dois.

Vejo Hershel sentado num banco, ele olhava as grades distraído, me afasto de Daryl e sigo até ele, Daryl vem junto.

Abraço Hershel, ele me envolve rindo, é um bom abraço, carinhoso e cheio de esperança.

−Que foi querida? Ele me pergunta.

−Agora que não tenho mais a senhora Adams você vai ser o novo abraçador oficial!

−Acho bom, já estava um pouco enciumado!

−Você não precisa, é o melhor abraço do momento, Daryl é bom de beijos, mas ainda está aprendendo a abraçar!

Daryl revira os olhos quando ouve a risada de Hershel, dou de ombros, essa é a verdade ele tem que aceitar.

−Não se deixe abater está bem, nos acostumamos com seu riso fácil, sem ele essa prisão vai ficar bem triste! Hershel me diz gentil como de costume.

−Eu sei que sim, ela fez uma escolha e tenho que aceitar, mas isso é triste assim mesmo, que alguém tenha que fazer esse tipo de escolha!

−Sim Alice é muito triste! Ele me diz.

−Você supera tudo, fica forte o tempo todo, faz isso por essas pessoas, por que ela não pôde fazer o mesmo?

−Essas pessoas são minha família, e tenho aqui minhas filhas ainda, mas já fiquei bem arrasado, pergunte ao Daryl, houve um momento que quase desisti.

−Ainda bem que não fez isso, seria uma grande perda.

Me afasto dele e sigo até Daryl, ele tinha um olhar diferente, terno e carinhoso, sorrio para ele que devolve o sorriso, faz meu coração disparar e me dá mais certeza do quanto o amo.

−Vou ver o cavalo da MIch, tchau Hershel!

−Tchau!

Continuamos andando eu e Daryl, Maggie me acena de longe, parece feliz em me ver, Glenn está com ela, depois preciso agradecer a ele por ter me ajudado e ter aberto a cova da senhora Adams.

Achamos o cavalo, está num cercado improvisado, Michonne está com ele, o cavalo parece um tanto arisco, acho que ainda não se acostumou muito, vai saber o quanto perdeu e teve medo nesse tempo que ficou sozinho fugindo de zumbis assim como nós.

−Oi Mich! Ela sorri ou quase isso – Ele é mesmo lindo!

−Sim, mas não chegue muito perto, está bem arisco!

−Já tem um nome? Pergunto me aproximando mais, os animais costumam gostar de mim, não sinto medo.

−Não! Ela responde e eu já estou diante dele.

−Calma garoto! Digo ao cavalo, nem vou olhar para Daryl ele vai estar furioso porque cheguei perto do bicho – Que tal Flame? Eu pergunto toco o focinho do animal – Gosta do nome? Em Flame, o que acha? O cavalo se acalma eu o acaricio, vou ficando perto e ele vai relaxando – Gostou não é, era apenas isso que queria um nome!

Só então olho para Daryl agora que o bicho está manso ele vai se acalmar, ele me sorria, um sorriso de verdade, é raro vê-lo assim, simplesmente sorrindo.

−Acho que ele gosta de você! Daryl me diz e concordo.

−Acho que sim! Eu volto minha atenção a Flame, acaricio seu dorso, a crina tem alguns nós, e ele está um tanto sujo, mas é um lindo animal e agora está completamente relaxado, pego a escova que Michonne segurava e começo a escova-lo, ele fica quieto, aceita o cuidado enquanto vou conversando com ele.

−Eu sei, está tudo confuso agora, com essa coisa de zumbi, mas a Mich vai cuidar de você, vão se dar muito bem! Ele respira tranquilo – Você é bem bonito, forte!

−Você leva jeito com animais! Mich me diz.

−Os animais é que levam jeito comigo! Brinco com ela, estendo a escova convidando Mich ela se aproxima e Flame continua calmo, então me afasto um pouco, sigo até onde Daryl está, paro a seu lado, queria que me beijasse, mas ele nunca faz nenhuma demonstração em público, ficamos ali um pouco, Michonne dá banho no cavalo, escova seu pelo e penteia sua crina, eu me divirto assistindo.

−Ele ficou lindo! Digo me aproximando mais uma vez, faço carinho nele que se deixa acariciar, é imponente orgulhoso, um dos animais mais bonitos que já vi.

−Vou sair amanhã Daryl! Ouço Mich dizer – Seguir aquela pista, pelo menos uns dias quem sabe.

−Sozinha? Ele não gosta da ideia eu percebo.

−Ele está por ai, sei que está e isso é inaceitável, vou seguir aquele rastro, sabemos que agora é mais provável que esteja sozinho, mas nunca fraco, duvido que se dobrou.

−Por mim, não iria, mas você sabe o que faz, vai levar o cavalo, acha seguro?

−Sim, percebi que ele sente o perigo e se desvia dele, acho até mais seguro.

−Ok, mas não demora muito a voltar, nos deixe tranquilos ao menos sobre isso!

Ela sorri, eles tem uma boa amizade, ele sorri de volta depois olha para mim.

−Vamos encantadora de cavalos! Me chama fico derretida com o jeito que me olha, eu estou ficando muito mole, preciso parar com isso, me despeço de flame com um beijo e caminho com Daryl de volta para dentro.

Estava no fim da tarde, o dia mais estranho que passei, uma manhã assustadora, um ataque, uma morte e um enterro, depois horas tranquilas e doces nos braços de Daryl e essa tarde longa e fácil sem pressa ou medo, tudo num único dia que nem mesmo chegou ao fim, isso pode definitivamente descrever o apocalipse, um mundo de sentimentos em espaços pequenos de tempo.

−Estou com fome! Aviso quando entramos pelo refeitório.

−Claro que está, não comeu o dia todo! Ele reclama.

−Comecei o dia bem triste, tente entender! Faço um ar bem triste, ele franze o cenho.

−Como gosta de apelar!

Reviro as panelas acho comida e me sento com um prato na mão ele fica ali comigo, parece minha sombra, estou adorando isso, mastigo a comida sem pressa, depois lavo meu prato, não quero ninguém dizendo que deixo bagunça.

−Vamos subir, daqui a pouco vou tomar um banho!

−Vamos! Ele pega minha mão, nem se dá conta e eu que não vou avisar de novo, passamos pela sala de armas, sorrimos os dois com a ideia – Vamos temos casa, não preciso te roubar para essa salinha! Ele diz brincando.

Entramos na cela e me lembro da minha lanterna.

−Cuidou da minha lanterna? Pergunto olhando em volta sem encontrá-la.

−Alice, estava ocupado te mantendo viva, não dá para fazer os dois, te manter viva e tomar conta de uma lanterna!

−Que chato! Eu reclamo, já sei onde está me enfio de baixo da cama e pego a pobre lá caída – Deve ter algum vão aqui, ela sempre foge para baixo da cama.

−Foge? Ele ri – Como seus sapatos?

−Daryl essa é a única verdade da minha vida, os objetos ganham vida durante a noite e se escondem apenas para te deixar maluco, pensei que pudessem ser duendes, mas acho que isso seria difícil ao menos agora com os mortos por ai caçando vivos.

−Sim cinderela, duendes e objetos que ganham vida, estamos oficialmente no mundo encantado de Alice!

−Vou tomar banho, acho melhor levar ela, né a lanterna? Eu mostro a ele que me dá de ombros – Quando voltar vai estar escuro!

−Faça isso, mas te vejo lá em baixo, quero falar com Rick e tomar banho também.

−Sobre a Michonne sair atrás do cara que ferrou vocês?

−Isso, quem sabe o Rick a convence.

Depois de tomar banho e conversar um pouco com Beth e Zack que estão mesmo namorando e ficam pela prisão de mãos dadas eu sigo para minha cela, deixo minhas roupas lá e levo só minha lanterna, encontro Daryl sentado na cama ele mexia na besta.

−Demorei?

−Um pouco.

−Estava com o Zack – Ele me olha atento – E a Beth! Sorrio ele disfarça – São namorados agora!

−Sei! Daryl responde – Hershel me disse que em quatro dias vou estar em perfeito estado e vamos sair, quem sabe você...

−Por favor, não me pede para ficar.

−Ok Alice, mas nada de se engalfinhar com zumbis, nada de ficar de refém, nada de se perder do grupo!

−Ou seja nenhuma emoção! Ele faz cara feia, tiro a besta de suas mãos e me sento no seu colo.

−É sério! Ele diz definitivo – Prometa!

−Prometo! Respondo solene, não tenho a mínima ideia se posso cumprir essa promessa, mas se o deixa mais tranquilo posso ao menos me esforçar.

−Boa menina, vai ganhar uma boneca!

−Eu tinha outro prêmio em mente! Ele me olha e vejo meu desejo refletido em seu olhar.

−Posso providenciar! Ele diz se aproximando mais de mim, está a centímetros dos meus lábios quando para me deixando ansiosa – Quem sabe adiantamos o prêmio!

−Isso sim é o que chamo de uma boa ideia.

Daryl toma meus lábios e nos beijamos, não do jeito carinhoso e protetor que me beijou durante todo o dia, agora é um longo beijo, sensual e cheio de desejo que faz meu sangue pulsar e minha alma se expandir, nem me dou conta que estamos deitados, que minhas roupas estão caídas pelo chão junto com as dele, aquilo é tão envolvente, emocionante, quando percebo estamos nos entregando sem pensar em nada, esquecidos de tudo a nossa volta e isso é perfeito, agora sei o que fazer e gosto de como me sinto livre e inteira, de causar sensações nele, de deixar Daryl tão perdido quanto eu.

Acho que sempre vou fica impressionada de como é maravilhoso ser atirada para aquele lugar estranho e perfeito repleto de sensações novas, me enrolo toda nele, sempre ouvi que os homens querem espaço depois de momentos como esse, mas acho que Daryl é diferente, ele sempre me puxa para ele, se esquece que não sabe abraçar e fica comigo em seus braços, faz carinho nas minhas costas, me beija de leve, quase sinto vontade de chorar de tanta emoção que isso me causa.

Mas eu sou Alice, não vim ao mundo para levar nada muito a sério, rir é meu remédio e sempre acabo com a doçura do momento dizendo algo que o faz rir ou ficar bravo, tanto faz ele sempre reage do mesmo jeito, me chama de idiota e me manda calar a boca.

−Admita eu sou uma delícia! Ele ri com gosto, me puxa mais para seus braços, verifica as cobertas, agora as noites começam a ficar mais frias.

−Cala a boca Alice! Me beija mais uma vez.

−Estou triste Daryl me agrada!

−E te chamar de delicia é te agradar?

−Melhor que docinho de coco!

−Quem te chamava assim? Daryl se vira para me olhar, nem consegue esconder que está bravo.

−Mas que homem ciumento! Eu provoco – Ninguém nunca me chamou assim, foi só uma brincadeira, deixa de ser ridículo!

−Ótimo, e eu não sou ridículo, nem ciumento, não melei ninguém por conta de um lencinho.

−Péssimo comentário, se voltarmos nesse assunto vai me deixar brava.

−Então admite que é ciumenta! Ele me morde o pescoço, me causa arrepios.

−Você fala demais Daryl Dixon, melhor me beijar!

−Sempre implorando meus beijos! Ele diz antes de tomar meus lábios, adoro quando faz isso, me beija assim apaixonadamente, como se eu fosse tudo que existe, me esqueço de todo resto mais uma vez e sou dele – Encantadora de cavalos!

−E de Daryl! Ele não nega apenas me beija de novo me arrastando para aquele lugar perfeito que só nós dois conhecemos.

Notas finais
Gostaram? Espero que comentem beijos