Caminhando entre os mortos

19 Capítulo 19 - Meu minuto perfeito


Notas iniciais
Olá pessoas! desculpe não postar mais cedo, não deu, queria muito dedicar esse capítulo a Gleek, essa linda que me deixou uma linda recomendação, já disse mil vezes como isso me deixa emocionada, acho tão especial quando alguém faz isso, Obrigada de coração. Espero que você em especial goste do capítulo.

Pov – Daryl

“Nada vai mudar só por abrir os olhos e dar de cara com você!” Foi isso que ela me disse, mas acontece que mudou. Mudou absolutamente tudo!

Me sento no refeitório na hora do almoço ainda com isso me martelando a cabeça, nada foi mais íntimo e significativo na minha vida do que aquele momento, foi como se eu tivesse compreendido tudo, se ela não tivesse tido aquele ataque de sei lá o que nem sei o que teria acontecido.

Que ela estava na minha vida para ficar eu já tinha entendido, mas era só... eu não sei o que era antes, mas sei o que é agora, e não quero acreditar que me deixei cair nessa, como isso foi acontecer comigo, sempre achei que era imune e então justo agora quando o mundo acabou, quando nada mais faz sentido, ela domina minha vida e me deixa... Agora isso, essa certeza, eu amo aquela idiota, maluca e completamente bipolar e perfeita.

Ela caminha para mim com aquele ar de feliz que nem o apocalipse consegue tirar dela, acabo por sorrir também, e ela é tão linda que adoraria simplesmente rouba-la para longe e acabar com esse desejo que me queima dia e noite.

Alice não tem medo de viver, não se esconde e sem qualquer medo me convida para procurar baterias, é tudo que quero nesse momento, ficar um minuto a sós com ela e tirar a prova o que sinto, mas claro que ela tem que dizer alguma idiotice ou não seria ela, ainda assim quero ter essa maluca nos braços e me levanto, ela fica parada tenho que chama-la, ainda me provoca quando passa na minha frente e seguimos para sala de armas.

Gosto do jeito que anda, do corpo perfeito e na medida certa para mim, gosto de tudo, devia ter corrido dela no minuto que a vi saindo do bloco de celas e vindo nos agradecer por a termos trazido conosco, mas não fiz e agora não posso mais fugir.

Quando entro na cela ela está sorrindo, não basta ser linda ainda tem que sorrir para mim e ficar corada e me deixar ver aqueles olhos azuis brilhando cheios de vida.

Às vezes Alice me deixa louco de raiva e só posso gritar e brigar, outras me deixa como agora, mudo, então eu apenas a tomo em meus braços, ela está sempre a espera disso se entrega sem medo, eu a beijo, não vou dizer o que sinto, essa maluca vai tripudiar para sempre, mas vou demonstrar.

Encosto Alice na parede, ela mergulha as mãos delicadas em meus cabelos, aprofundo o beijo, que se dane tudo, nem me importo se vamos ser pegos assim, aos beijos no meio do dia, minha mão desce pela lateral do seu corpo, aperto sua coxa e a puxo para mim, nos encaixamos tão bem, é sempre assim, ela deixa as mãos passearem por minhas costas, se cola a mim, minha respiração acelera, assim como a dela, Alice geme, deixo seus lábios para sentir o gosto de sua pele, ela faz o mesmo, volto para os lábios, mais um longo beijo, mas sei que tenho que me controlar, é isso que um homem faz, esse não é o lugar e nem a hora, não quando se trata da garota certa.

Me afasto um pouco e meus olhos se perdem nos dela, ela pisca, me beija de leve, ainda estamos colados, as respirações alteradas.

Queria dizer o quanto é linda e delicada, mas ela vai me provocar e me calo, Alice toca meu rosto, minha barba, não sei retribuir a isso, então eu a beijo de novo, dessa vez com mais cuidado e carinho, tentando me controlar.

−Acha que alguém pode ter uma ataque cardíaco num momento como esse? Ela me pergunta, eu sabia que viria algo assim, afinal é Alice – Sei lá, às vezes parece que vou ter um!

−É jovem demais para isso, seu coração é forte, não se preocupe! Eu respondo e beijo Alice de novo.

−Adoro procurar bateria, não que já tenhamos achado alguma, mas definitivamente procurar é a melhor parte!

−Sem dúvida! Eu respondo sorrindo.

Me afasto um pouco, não muito apenas o suficiente para poder olhar para ela, ainda a envolvo.

−Esse foi o melhor beijo até agora, está no topo da lista!

−Vai começar com essa história de lista?

−Só tem seu nome na lista! Ela se defende, ganha um beijo e uma leve mordida no lóbulo da orelha, aproveito para sentir aquele cheiro de Alice que me deixa inebriado quase sempre.

−Nesse caso lista aprovada!

−Daryl, ficariam muito tristes se a Beth namorasse alguém?

−Ficariam, plural, de quem está falando?

−Vocês homens possessivos da prisão, Hershel, Rick, você ou o Glenn.

−Eu sei lá, do que estamos falando?

−O Zack ficou encantado por ela, me pediu ajuda.

−Ele mal tinha chegado e até isso conversaram?

Ela ficou meia hora conversando com o cara ontem e ele teve a cara de pau de pedir ajuda com a Beth, começo a me preocupar.

−Não foi ontem, foi agora a pouco, acha que vão ficar bravos comigo se ajuda-los?

Agora a pouco? Ela estava com aquele idiota e onde foi isso que não vi, já nem escuto muito o que está falando, Alice fala com todos, eu sei, mas o garoto mal chegou é preciso cautela.

−Estava com ele agora? Pergunto me afastando mais.

−Sim, ele me chamou quando passei na frente da cela dele, está caidinho pela Beth, ficamos conversando...

−Na cela dele? Nem escuto mais o resto.

−Sim! Ela faz cara de quem não está entendendo, não sou e nunca fui ciumento, nunca tive nem quis ter nada para sentir ciúme, mas ela não pode ficar aqui aos beijos comigo e dar espaço para o imbecil do Zack que ela nem conhece.

−Quer dizer que fica de papo na cela do babaca, e depois quer beijos?

Alice me empurra, está brava, pois bem eu também estou.

−O que está insinuando?

−Que devia ser mais cuidadosa, nem conhece o cara, e não pode ter tudo, precisa escolher! Ela me olha e não tem nada além de muita raiva ali.

−Além de um completo imbecil é surdo também? Ela diz em alto e bom som – Ouviu que ele me pediu ajuda para conhecer melhor a Beth, que é nela que está interessado?

Eu queria muito me controlar, mas não consigo, estou bravo, não devia, ela não me pertence, mas fico assim mesmo, porque quero que seja minha.

−E você? Seus olhos se enchem de lágrimas, paraliso, ela dá um passo para longe de mim – Alice! Eu a chamo arrependido.

−Eu disse, pedi muito a você, disse que podia me deixar furiosa, mas nunca me fazer chorar, não podia ter feito isso!

Alice desaparece para longe, escuto seus passos na escada e sei que está indo para sua cela, devia seguir atrás dela e me desculpar, mas apenas fico onde estou, entre irritado e arrependido, fiz Alice chorar, não sei porque, mas fiz e ela realmente me disse para não fazer isso.

Eu me sento pensativo, talvez seja melhor assim, cedo ou tarde eu faria algo estúpido, não quero ficar com ninguém, entrei nisso sozinho e já tem gente demais comigo, ela está melhor sozinha, eu estou melhor sozinho.

Quando consigo recuperar algum auto controle deixo a cela, mais uma vez sem baterias, sigo direto para o pátio, perdi a fome, substituo Glenn que estava de guarda, será bom ficar aqui um pouco e pensar em tudo, me afastar dela é o melhor.

−Mas ainda não está na hora de ser rendido?

Glenn estranha meu pedido.

−Eu sei, mas quero ficar aqui, então vá comer e sei lá, fazer outra coisa!

−Alice é bem legal! Glenn me diz quando me entrega a arma, ignoro o comentário e ele me deixa sozinho.

Depois de uma hora, sou substituído, não posso ficar aqui, não posso e não quero, pego a besta e saio para caçar, com ou sem apocalipse a floresta sempre me faz relaxar.

Ou fazia, volto uns minutos antes de escurecer, tão tenso e angustiado quando estava quando saí.

−Garota infernal que não sai da minha cabeça! Eu resmungo entrando no refeitório onde todos menos Alice comiam, me sento na escada, Carol faz menção de se aproximar, faço que não e ela respeita, mordisco uns restos do cervo que cacei, o cervo que ela me mostrou, será que ainda está chorando?

Passo devagar em frente sua cela, não escuta nada e então vou para cama, não vou atrás de Alice, de jeito nenhum vou fazer isso, posso me acostumar, vivi uma vida toda sem ela, mas se ela vier, nesse caso as coisas são diferentes, principalmente porque adoro escutar seus passos leves, a lanterna me iluminando, me faz sentir que sou importante, ao menos para ela.

Tenho a mais longa e infernal noite da minha vida, estava amanhecendo quando finalmente me convenço que Alice não está se fazendo de difícil, ela não vem, adormeço, mas acordo pouco depois num sobressalto, quase procuro por ela, fico tão furioso que me levanto.

As pessoas estão acordando, uma ou outra caminham pela prisão, Rick cuida da horta com Carl, me acenam de longe e olho para torre, Glenn e Maggie estavam abraçados olhando o dia começar, com certeza passaram a noite ali, Alice me volta a mente, quantas vezes não quis carrega-la para aquele lugar, mas agora acabou, nem tínhamos nada e acabou.

Vai ser um longo dia sem nada de muito importante para fazer, eu a vejo caminhar ao longe, está sozinha e segue para o bloco D, tenho vontade de ir atrás, mas me contenho, quer ficar com o novo amiguinho que fique.

Mas então logo em seguida Zack sai do bloco junto com Paul, ela não está com nenhum dos dois, menos mal.

Fico no pátio limpando minhas flechas, sei muito bem que isso é só uma desculpa para ver quando ela passa, Zack, Beth e Carl se reúnem e conversam um pouco mais a minha frente, não sei do que falam, mas sinto os olhos furiosos de Beth sobre mim.

Eles somem para dentro do bloco D, voltam um tempo depois, Alice está com eles, ela parece triste, claro que está eu me comportei como um perfeito imbecil, devia me desculpar, não quero ficar longe dela, preciso, mas não quero.

Ela não me olha, fico bravo, quero Alice e a lanterna, quero e que se dane.

Só entro na hora do jantar, ela está na mesa com Carl e Beth, Zack se junta a eles e depois Maggie e Glenn, eles brincam falam tolices, mas ela parece alheia, será que sente minha falta?

Vou logo para minha casa como ela gosta de chamar, ainda tenho esperança de que ela venha, escuto quando entra em sua cela, quando pragueja qualquer coisa e diz um palavrão, sorrio involuntariamente, só ela pode fazer isso comigo.

O silencio volta a reinar, eu já compreendi o que sinto, ainda não sei o que fazer com isso, mas só posso ter certeza de uma coisa, é tarde demais para voltar atrás.

Sem resistir e rezando para funcionar caminho até sua cela, a lanterna está acesa e ela está abraçada a ela, Alice me olha, não esboça nenhuma reação.

−De noite, quando caminha leve para minha cela e coloca a luz da lanterna em mim, esse... esse é meu minuto perfeito!

Alice se levanta e caminha para mim, me abraça e encosta a cabeça em meu peito, esse é um bom momento para apertá-la junto a mim, mas apenas a beijo, ela corresponde, e seguro sua mão.

−Vem comigo?

−Nunca deixei ninguém, nenhum homem chegar tão perto de mim quanto deixo você, não pode nunca colocar isso em dúvida.

−Eu sei, talvez você esteja um pouco certa quando me chama de... você sabe.

−Ciumento? Ela abre um lindo sorriso de deboche, lá está Alice de volta.

−Cala boca! Eu sorrio também e vamos juntos os três, eu, Alice e a inseparável lanterna para minha cama.

Ela joga os sapatos para longe, como todas as noites, vai se levantar de manhã e ficar caçando eles e vou adorar assistir a isso, então se deita no cantinho, me deito a seu lado, ela sorri.

−Não estava me fazendo de difícil, estava mesmo triste, devia me encher de beijos.

−Posso fazer isso! Eu respondo.

−E dizer que adora meus beijos.

−Você sabe que sim!

−E me fazer cafuné!

−Nem pensar! Eu reclamo.

−É muito mesquinho! Ela se aproxima de mim, se apoia no cotovelo, nos olhamos – Eu faria se me pedisse.

−Não vou fazer, nem em mil anos!

−E vai me beijar ainda hoje ou está se fazendo de difícil?

Só tem um jeito de Alice não dizer bobagens, eu apoio uma das minhas mãos em sua nuca e a puxo para um beijo e depois outro e mais um e ela corresponde e nem sei como pude achar que conseguiria ficar longe dela.

−Você não sabe! Ela me diz quando nos afastamos um pouco, lá vem, eu penso – Essa prisão está virando um núcleo de jogatina, pesado e traiçoeiro!

−Sei! Digo sério, sabendo que vem confusão – E quem apresentou o jogo a todos?

−Não devia me criticar, eu estou lisa sabe, completamente, me limparam, devo tanto que nem tem ideia.

−Deve o que? Riu de Alice e aquele ar de menina que está aprontando.

−Aqueles falsos amigos se aproveitaram da minha dor com a desculpa de que queriam me consolar e me convidaram para jogar, perdi tudo por sua culpa!

−Minha?

−Claro foi você que me deixou triste, agora tenho que ajudar o Rick no lugar do Carl por dois dias, trocar as fraldas da bravinha por três e... não fica bravo, esse foi por uma boa causa.

−O que? Já estou bravo! Eu digo tenso.

−Ajudar a Beth a arrumar a cela do Zack.

−Não vai pagar essa, pode apostar! Sou firme sobre isso, ela faz bico, se deita de novo.

−Então apronte sua besta, eles podem mandar os capangas deles atrás de mim, sabe como é dívida de jogo!

−Eu só sei duas coisas!

−O que? Ela pergunta interessada.

−A primeira é que meu irmão Merle estaria completamente apaixonado por você, ele possivelmente mandaria erguer uma estátua em sua homenagem.

−O que mostra que ele sabe das coisas! Ela diz orgulhosa – E a segunda?

−Que acaba de confessar que estava sofrendo de saudades de mim!

−Idiota! Ela diz brava, beijo Alice – Vamos dormir, estou cheia de sono!

−Nem dormiu de saudade?

−Vai se danar!

Eu a puxo para meus braços, dou um beijo leve, não preciso dizer que na verdade quem não dormiu fui eu, ela se aconchega.

−Faz cafuné?

−Não! Que coisa insistente.

−É um troglodita mesmo, vai ao menos estar aqui de manhã?

−Dorme Alice, já fez muita merda hoje e não vai arrumar cela de ninguém.

−Está bem, vou dizer que você não deixou, que é louco por mim e morre de medo de me perder, isso sem falar em minutos perfeitos!

Notas finais
Eles estão começando a se entender como já viram, mas não podemos esquecer que estão cercados de mortos vivos, cedo ou tarde os problemas reais surgem. Beijos