Caminhando entre os mortos
18 Capítulo 18 - Aquela coisa mais permanente
Notas iniciais
Pov – Alice
Sinto as mãos de Daryl percorrerem meu corpo enquanto seus lábios deixavam um rastro de fogo em meu pescoço, depois nos beijamos de novo, um longo beijo, me sinto flutuar e fico pensando se sempre vai ser assim, é como se eu nunca fosse me acostumar com seus beijos.
Nos afastamos, sempre que as coisas esquentam demais ele me afasta, não sei se está sendo cuidadoso ou apenas fugindo, mas ainda não vou questionar isso, gosto desses momentos e nem mesmo sei se estou realmente pronta para ir além.
−Você é linda! Ele me diz e ergo uma sobrancelha, toco sua testa sorrindo – Que foi?
−Fui ver se estava com febre, me chamou de linda, é sempre, ridícula, idiota, maluca, linda achei estranho.
−Idiota! Ele diz bravo, me faz rir.
−Esse sim eu conheço!
−Mas sabe que é linda, mesmo que eu não fique dizendo é o que acho.
−Eu sei, e irresistível também, uma hora sem mim e já foi correr atrás de mim!
−Isso vindo de quem fica por ai, implorando por meus beijos! Eu faço uma careta, e depois roubo um beijo dele.
−Beijar você é bem bom! Ele abre um sorriso largo, Daryl nunca sorri, principalmente em público, então quando eu o faço sorrir meu coração dispara feito um louco – Não vai dizer que me beijar é bem bom também?
−Você já disse!
−Você é bem chato sabia! Ele me beija – Quando vamos sair de novo?
−Não sei ainda, logo eu acho, mas promete que vai ficar bem atenta, hoje foi assustador.
−Taylor me salvou com aquele tiro! Eu digo preocupada, um tanto triste por ele não ter conseguido.
−O zumbi estava na minha mira, ele não precisava ter atirado, nunca tiro os olhos de você, eu sabia o que estava acontecendo.
−Não pode fazer isso! Me preocupo – Se preocupar mais comigo que com você, e se um te pegar?
−Me cuido também!
−Não quero ser sua prioridade, primeiro tem que ser você, depois eu, sobrevivi até aqui, sei me cuidar um pouco!
−Eu sei que sim, mas não consigo evitar!
−Porque não consegue viver sem mim, eu entendo isso! Ele revira os olhos – Mas se for mordido, nem sei o que faço... Na verdade eu sei, vou te colocar numa coleira que nem os zumbis que disseram que a Michonne tinha, vai virar meu cachorrinho, é isso que quer?
−Você é bem capaz de uma loucura dessas! Ele diz preocupado.
−Isso é bom, quer dizer que quero que fique perto de mim!
−Por que estava brava comigo? Ele me pergunta subitamente sério.
−Dormi aqui duas noites, acordei sozinha as duas vezes, não precisa fugir da cama todas as manhãs como se eu fosse te pedir em casamento, me chateia sentir que foge de mim, não quero nada, não pedi nada, e nada vai mudar só por abrir os olhos e dar de cara com você.
−Então é isso! Ele diz sério – Não sabia muito o que fazer, essa coisa que está acontecendo nunca aconteceu comigo, não sei muito como lidar.
−Eu sei, depois que o Taylor morreu me dei conta que estava sendo tola em ficar brava com você, ficamos de bem não notou?
−Não, fiquei esperando sua lanterna e nada.
−Mas isso é porque estava me fazendo de difícil!
−Detesto essa brincadeira de difícil!
−Detesta quando sou eu, mas vive se fazendo de difícil, parece uma donzela!
Ele me morde o pescoço, me puxa mais para perto dele, seus olhos tem um brilho diferente, parece que tem fogo ali, meu coração bate alucinado.
−Acha que é fácil me controlar com você aqui todas as noites?
−Espero que não, quero que sinta desejo por mim.
−Eu sinto.
−Vamos só vivendo, se acontecer...
−Aquela coisa que disse sobre resolver o problema e depois voltar, era uma de suas brincadeiras não é? Ele é muito idiota mesmo, como pode achar que falei sério?
−Claro que não, estou até fazendo uma lista.
Ele quase cai da cama, tenho um ataque de riso, Daryl fecha a cara cruza os braços no peito e fica olhando para cima.
−Daryl! Eu o chamo, ele me ignora – Daryl, não está falando comigo?
−Não tenho cinco anos, não fico de mal, isso é coisa sua e boa noite Alice, estou com sono!
−Deixa de ser ridículo, eu nunca faria uma coisa absurda dessas, esperei até agora, uma eternidade para ser honesta, quase um milagre no mundo que tínhamos, acha que faria uma bobagem dessas?
−Então pare de brincar com isso que não tem a menor graça!
−Eu juro, nunca mais brinco com isso, vou rasgar a lista! Ele me olha feio – Desculpe não resisti foi a última vez, agora é sério! Tento ficar séria, não sou boa nisso e ele continua de cara amarrada – Me dá um beijo?
−Vive me implorando beijos! Ele me provoca, nem sei como fez isso, mas agora está sobre mim e adoro sentir o peso do seu corpo, então eu ganho um beijo de tirar o folego, chego a achar que é um castigo, e adoro ser castigada.
Como de costume ele se afasta, me olha fixamente, me dá um beijo leve, e depois se deita do meu lado.
−Melhor dormirmos né? Eu digo me encolhendo a seu lado –Eu vou dormir aqui todos os dias?
−Não sei, vai?
Dou de ombros, o que importa o futuro, me encosto em seu peito fecho os olhos e sinto a mão de Daryl repousar mas minhas costas.
−Faz cafuné?
−Eu não, me deixa dormir Alice!
−Que custa?
−Não!
−Egoísta! Eu faria se ele me pedisse – Boa noite! Eu durmo muito rápido, nos braços dele dormir é fácil, não sinto medo nem solidão, será que estou me apaixonando por esse idiota?
Abro os olhos e a primeira coisa que vejo são os olhos azuis de Daryl me encarando, eu fico tonta com aquele olhar, é muito melhor que imaginei, e estranho também, sorrimos um para o outro.
Sinto uma coisa na boca do estômago, algo passa por mim, um arrepio, uma certeza que não sei de onde vem, me assusta.
−Feliz, posso levantar agora?
−É um príncipe! Reclamo, passo por cima dele, escuto seu gemido quando esmago seu estômago e no segundo seguinte estou de pé – Meu sapato! Olho em volta, perco meus sapatos toda noite, eu encontro e começo a me calçar apressada, ele está ainda na cama me olhando todo agitado – Viu minha lanterna? Me abaixo e lá está ela de novo debaixo da cama, escorrego para lá, apressada e confusa, preciso de uma garota, alguém para conversar, isso é uma emergência, na pressa bato a cabeça na cama – Cassete! Reclamo saindo debaixo da cama, descabelada e com a mão na cabeça – Que merda doeu!
−Mas o que foi isso? Ele ria ainda deitado, o idiota se diverte as minhas custas.
−Achei! Balanço a lanterna, as botas meio saindo do pé porque calcei às pressas, quase caio quando fico de pé – Tchau! Digo caminhando aos tropeços para porta.
−Onde vai? Ele ria alto, o infeliz.
−Cuida da sua vida! Eu respondo saindo.
−Hecatombe! Ainda o ouço dizer quando já descia as escadas.
Caminho pelo corredor e então acho Beth em sua cela, Maggie está com ela e quase choro de felicidade, entro apressada.
−Eu preciso conversar, entender! Digo confusa, elas se olham e depois me olham.
−Que foi? Beth me pergunta, faz sinal para eu sentar, não consigo, fico andando de um lado para outro.
−Que foi Alice, está drogada! Maggie brinca – Senta e conta o que aconteceu.
−Ele... Eu adoro quando ele me beija, saio do ar, gosto das mãos dele e de quando ele briga e fica de mal humor, o que é sempre, gosto de dormir com ele.
−Daryl! Elas dizem juntas, como se só agora pudessem entender do que estou falando, faço cara de até que enfim me entenderam, elas riem, como as pessoas poder rir de alguém assim em completo desespero?
−Essa coisa de dormir é bom, e principalmente antes de dormir, os momentos, vocês sabem... É perfeito, e quando estamos dormindo, bom ele me abraça, se enrola todo em mim, não quero nunca mais sair de lá.
−Está apaixonada, isso é normal! Beth diz com aquele ar de doçura que ela tem, não me engana aquela rainha do blefe que sempre me engana no pôquer, eu suspiro.
−Eu fui dormir ontem, lá com ele... Ele que foi me buscar, estava me fazendo de difícil...
−Daryl Dixon foi te buscar? Maggie me pergunta.
−Sim! Respondo – Ele foi, mas não é isso, então eu fui dormir e pensei, será que estou me apaixonando por esse idiota?
−Será? Beth sorri mais uma vez – Ninguém tem mais dúvidas sobre isso!
−Acontece que hoje, bom eu acordei e dei de cara com os olhos azuis dele, Daryl sorrio, depois disse uma daquelas bobagem de quem está com medo, mas a questão não é essa.
Ando de um lado para outro, torço os dedos.
−Então qual é?
−Eu sei que está difícil de entender, mas o que quero dizer é que fui dormir achando que poderia estar me apaixonando por ele, e isso é um problema, mas tudo bem, paixão não precisa ser grande coisa não é, às vezes simplesmente passa, assim como vem, não é isso?
−Acho que pode sim passar! Maggie me diz meio na dúvida.
−Fui dormir achando que estava apaixonada e acordei achando que... Que pode ser aquela outra coisa, aquela coisa mais permanente entendem?
−Ela nem consegue dizer amor! Maggie ri junto com Beth.
−Alice isso não é o fim do mundo! Beth se aproxima de mim.
−É isso, o fim do mundo, claro que tinha que acontecer justo agora, o mundo está acabando e resolvo encontrar o am... – Não termino.
−Amor! As duas dizem juntas, sorriam feito duas idiotas.
−É isso! Suspiro, e finalmente me sento na cama de Beth, as duas se sentam comigo, uma de cada lado.
−Diga, eu amo Daryl Dixon! Maggie me pede e então Glenn entra na cela.
−Ama? Ele olha para Maggie apavorado, ela arregala os olhos, mas que bela confusão.
−Eu não, a Alice! Ela diz eu a fuzilo com o olhar – O que? Ela reclama – Ele não pode ficar achando que sou eu!
−Certo, mas se abrir a boca está fu.. ferrado, atiro um zumbi na sua garganta! Ameaço e ele pisca depois força um sorriso.
−Se não disse até agora, porque diria?
−Você já sabia? Pergunto aflita.
−Desculpe Alice, mas todo mundo meio que já sabe que estão namorando.
−Não estamos! Me defendo.
−Isso não importa, se estão apaixonados, ou algo assim logo vão namorar.
−Tchau Glenn! Ele deixa a cela e as duas irmãs me olham.
−O que vai fazer?
−No momento continuar como sempre estive, isso pode ser um alarme falso, na verdade vou simplesmente esquecer essa conversa, que se dane, uma hora isso passa!
Eu dou de ombros decidida, elas me olham incrédulas, sei que não vai passar, amo aquele idiota, e acho que sempre vou amar, mas se ele acha que vou dizer está enganado, nunca vai ouvir isso sair da minha boca.
−Certo, mas você mesma disse que é permanente! Beth continua – E acho que é reciproco, mas duvido que ele admita!
−Que se dane! Respondo – Isso é uma merda né?
−Acho lindo!
−Maggie e Beth, são minhas amigas, não vão dizer a ele, vão?
−De modo algum, você vai, é uma boca grande que não filtra o que diz.
−Obrigada Maggie! Eu resmungo – Talvez um dia eu diga, mas por enquanto vou só seguir em frente.
−Vai se afastar dele? Beth parece triste
−Eu não, adoro seus beijos e sorrisos e mãos e todo o resto e nem sei se poderia abrir mão disso.
Então nos olhamos e temos as três uma crise interminável de riso, como se o mundo não tivesse acabado, como se do lado de fora da prisão os mortos ainda estivessem em seus túmulos.
Daryl surge na porta da cela, nos olha um tanto espantado.
−É a reunião das malucas?
−Já está com saudade de mim? Eu digo me refazendo da crise de riso e seguindo até ele.
−Vim saber se estava bem, depois daquele ataque que deu.
−Ótima, vem vamos achar algo para comermos!
Acabo me afastando de Daryl depois de comermos, encontro a senhora Adams no meio da manhã, ela me acena e faz sinal para me aproximar, corro até ela e antes que diga qualquer coisa eu a abraço.
−Oi! Ela sorri – Pensei que estava triste comigo.
−Não querida, só um pouco decepcionada, mas não com você com os planos que fiz, de qualquer modo, são um lindo casal e estou torcendo para que dê certo!
−AH.. Eu... Nós... Obrigada! Digo por fim, não vou me explicar, no fundo sendo ou não um casal como ela parece achar, eu nunca daria uma chance a Paul então deixe que pense o que quiser.
Fico um pouco com ela, converso e depois a acompanho para sua casa, ela anda com dificuldade e decido ajudar, estava de saída do bloco quando encontro Zack.
−Alice! Ele me chama, olho para dentro da cela – Estou aqui, essa agora é minha cela, nem sei como agradecer a todos, esse lugar é ótimo!
−Não é mesmo? Me sento com ele – Que bom que está gostando.
−Muito! Ele fica sem graça – Posso te perguntar uma coisa?
−Claro! Eu respondo sem me preocupar.
−A garota loira, que acho que mora no seu bloco, Beth...
−Mas já? Rimos os dois – O que tem ela?
−Tem namorado?
−Não, mas é filha do Hershel e para Rick, Daryl e Glenn é como uma irmã mais nova, então pense bem antes de brincar com fogo.
−Entendo, mas ela vale o risco, me ajuda a me aproximar?
−Com certeza, mas só até onde ela quiser.
−Feito! Ele aperta minha mão.
−No almoço conversamos.
Eu deixo a cela e o bloco, encontro Daryl caminhando ao lado de Carol, conversavam despreocupados, ela me sorri, acena para mim, e devolvo a gentileza sem muito animo, a história do lencinho me vem à mente, que merda de ciúme é esse, não sou assim, não era na verdade.
Me controlo, Carol foi bastante honesta comigo, não estamos numa disputa e ela deixou claro isso, gosto dela e não quero problemas então vamos ser amigas, ou o que mais perto pudermos chegar disso.
Ela me disse uma vez que se eu o quisesse teria de ir atrás, agora tudo fica tão mais claro, Daryl nunca me faria uma declaração, eu teria que cuidar de tudo, mas acontece que primeiro preciso decidir se é isso que quero.
No almoço me sento ao seu lado, ele tem um sorriso meio de lado, sinto vontade de beijar ele, mas nunca faria isso ali, acho que ele morreria.
−Podemos procurar baterias?
−Fazer o que? Ele estranha o convite.
−Baterias para a lanterna, como naquele dia.
−Quer procurar baterias?
−Não, sai apressada de manhã e pensei que podia você sabe... Não quero dizer para depois não ouvir você me atirar na cara certas coisas.
−Que fica me implorando beijos dia e noite? Ele ri da minha careta – Posso fazer um esforço, sou um bom homem.
−Se é um esforço posso pensar em outra pessoa! Eu ameaço, sei que isso o deixa fora de si e ele me fuzila.
−Você é simplesmente ridícula! Ele se levanta muito irritado, começa a caminhar, fico parada sem entender bem o que está acontecendo.
−Vai ficar ai parada? Ele diz alto no meio do refeitório, todos me olham – Quer baterias ou não?
Preciso me controlar para não rir da cara de pau de Daryl Dixon, me levanto e passo por ele.
−Morre de ciúme! Eu digo quando caminho para sala de armas, munição e beijos secretos.
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