Caminhando entre os mortos

17 Capítulo 17 - Tentando ser difícil


Notas iniciais
Olá pessoas, mais um capítulo, espero que gostem. Quero aproveitar e agradecer a Girls pela recomendação, você foi incrível, adorei, muito obrigada, fico muito feliz quando alguém faz uma recomendação, obrigada mais uma vez!

Pov – Daryl

Esse assunto de homem perfeito me perturba um pouco, não o assunto, mas o quanto a resposta de Alice me importa, e gosto do que ouço, ela não quer um cara cheio de delicadezas e não espera aquela coisa melosa que toda garota parece querer.

Depois de ter passado a noite com ela nos braços essas coisas ficaram martelando na minha cabeça, acordar e assistir Alice dormindo também foi algo diferente, nem sei o que pensar sobre isso, só passei a me preocupar um pouco mais com ela, parece que fiquei com ainda mais medo de algo acontecer com Alice, tive que engolir o orgulho e ir pedir a Michonne que as acompanhasse nas tumbas.

E como se não bastasse ela ainda vem com aquele papo de resolver o problema, como se nunca ter dormido com alguém fosse um problema, ela seria mesmo capaz de fazer a tolice de simplesmente... Não, ela não faria isso, não que metade dos homens dessa prisão não estivessem dispostos e mesmo muito interessados, mas Alice nunca faria uma coisa assim, estou agindo feito um idiota.

No jantar ela se senta do meu lado na escada, parece o tipo que cumpre suas promessas.

−Beth está com uma cela toda de menina! Ela me diz enquanto comia.

−Quer uma assim também? Eu poderia fazer algo especial para ela, mesmo achando bobagem.

−Não, depois vou ter que arrumar, sabe minha casa até que era arrumada, mas depois que o mundo acabou percebi que isso é tudo bobagem!

−Concordo! Eu respondo – Michonne ajudou vocês? Finjo desinteresse.

−Sim! Ela me sorri – Aposto que foi pedir a ela!

Como ela sabe disso? Eu a olho espantado, mas ela sorri, Alice tem um jeito diferente de encarar a vida. Um jeito que admiro, deixa as coisas simples, não faz drama, podia gritar e choramingar dizer que não confio nela que fiz isso pelas suas costas, mas ela parece que não perde tempo com tolices.

−Vamos sair amanhã! Eu aviso, sei que ela vai de qualquer modo – Vamos num grupo grande, vai se comportar?

−Vou tentar terminar o dia sem me torar refém, mas você sabe, tudo pode acontecer!

−Pode, por isso, cuidado!

−Sim senhor! Ela responde entediada.

−Preciso conversar com o Glenn e a Sasha, vamos terminar de checar umas coisas.

−Vou brincar um pouco com a Judy, agora que superei isso estou louca por ela!

Ela me deixa, segue para perto de Beth, depois vou me reunir com o grupo, nos sentamos numa das mesas e começamos a nos organizar, Alice fica um pouco com a bravinha, escuto sua voz doce, suas risadas que preenchem o ambiente e aquelas músicas ruins que ela adora cantar, mal consigo me concentrar, a porcaria do mundo está acabando, não tenho tempo para isso, temos muitos para alimentar e proteger e minhas prioridades parecem mudar a cada dia. Alice está no topo delas, o que pensa, fala e faz, tudo me interessa mais que o restante, não sei como resolver isso, nem se quero resolver, a verdade é que só sei esperar a luz de sua lanterna invadir minha cela, ou casa, como ela gosta de chamar.

Alice some para dentro do bloco, terminamos a reunião me levanto e caminho para cama, amanhã vamos sair cedo e sei que Alice vai reclamar que demorei demais, que está sem sono, que... Todo tipo de bobagem que adoro ouvir.

Me deito e o tempo passa, nada de Alice, será que ela não gostou de dormir aqui? Ou talvez esteja apenas cansada e tenha pegado no sono, decido fazer o mesmo, me reviro de um lado para outro, uma hora deve ter se passado e nada de Alice, e se estiver doente, triste, quem sabe o que pode estar acontecendo com aquela maluca, já estava me decidindo a ir até sua casa para saber quando finalmente a lanterna ilumina meu rosto e ela para de pé ao lado da minha cama.

−Achei que tinha pegado no sono! Eu digo apenas olhando para ela, é tão bonita que às vezes chego a sentir um nó na boca do estômago.

−Não. Estava me fazendo de difícil! Ela diz simplesmente – Mas você é ainda mais difícil, parece uma donzela recatada! Só mesmo Alice para dizer algo assim e não me irritar – Vai mais para lá! Ela pede.

−Vai você para o canto, não vou ficar esmagado na parede! Eu dou espaço a ela que passa por cima de mim, apoia o joelho na minha coxa, me arranca um gemido de dor – Ai Alice! Reclamo.

−Mas é muito chato, só resmunga! Ela se deita, se apoia em mim e passo meu braço por suas costas, gosto disso, de ter ela assim pertinho – Tudo do jeito dele, sempre do jeito Daryl, nunca do jeito Alice!

−Quer dizer que estava se fazendo de difícil?

−É, mas fiquei uma hora lá deitada e nada de você, não gosto das horas.

−Não?

−De jeito nenhum, horas podem ser longas e entediantes, gosto dos minutos, minutos podem ser perfeitos!

−Me conta um minuto perfeito.

−Quando você encarou aquele cervo, seu olhar de respeito e admiração, foi um minuto perfeito, quando me deu a lanterna, foi outro minuto perfeito.

−No fim acho que é disso que vivemos.

Ela concorda com um leve sorriso dançando nos lábios.

−Um dia me conta um minuto perfeito seu? Ela me pede e apenas concordo, um dia eu talvez me sinta pronto para fazer isso.

Alice sorri para mim e então eu a beijo, senti falta disso, muita falta, nem sei como pode ser ficar aqui de novo sem Alice, ela me corresponde e quando nos afastamos me faz um carinho no rosto, toca minha barba, sorri.

−Gosto dela assim por fazer, causa arrepios! Me diz e fica tão delicada, eu a beijo de novo.

−Porque acha que precisa se fazer de difícil?

−Eu não acho, Emma é que acha! Ela me responde e se não estou enganado ou ela está louca ou fantasmas existem, afinal Emma morreu.

−Emma?

−Emma tinha muitas teorias sobre mim e meu comportamento e sobre... sei lá tudo, ela sempre me disse que eu me mostro demais e que devia... Achei que ficar lá e esperar que fosse atrás de mim seria o que Emma acharia certo, mas detesto ficar lá sozinha e pensei que se morrer amanhã então seria bom não levar nenhum arrependimento.

−Acha que não quero que esteja aqui?

−Acho que se realmente não me quisesse aqui já teria se livrado de mim, afinal é um grosseirão, troglodita!

−Quantos elogios, uma dama com certeza! Ela ri, me puxa para perto dela e volto a beijar Alice e simplesmente não quero que vá embora, nem acho que ela quer ir.

−Eu pensei que amanhã quando sairmos vou precisar achar um casaco, logo o inverno chega e não tenho mais nada adequado, ficou tudo no acampamento.

−Voltou lá, porque não pegou?

−Estava meio atordoada de estar lá, não pensei muito!

Ela se encosta em mim, deita a cabeça no meu peito, parece subitamente triste, sei como é, às vezes Merle me vem à mente e me sinto péssimo.

−Vamos dormir! Digo sem saber muito como trazer de vota o sorriso de Alice, mas acho que ela só quer mesmo ficar quieta e dormir, e gosto que seja em meus braços.

Alice adormece e logo depois eu também adormeço, mas acordo muito cedo, fico olhando para ela, o rosto é delicado e suave, ainda me lembra uma fada, um anjo.

O que dizer a ela quando acordar, nunca na vida acordei assim com uma garota, nunca foi assim para mim, e não sei como lidar com isso, virgem, Alice é uma garota virgem, é claro que é estamos no meio de um apocalipse, só o que faltava era isso, cruzar com uma garota linda, especial e virgem!

Deixo Alice dormindo e saio da cama, não quero lidar com isso ainda, não estou pronto para isso, ainda me viro para olhar para ela antes de deixar a cela, hoje preciso me concentrar no que vamos fazer nas ruas, depois se tudo correr bem eu penso onde estamos indo.

Quando Alice desce já estamos todos reunidos, ela se junta ao grupo, me olha de um modo diferente, será que está brava comigo porque a deixei dormindo?

Ela disse que quer viver e não conversar sobre as coisas que nos acontecem, eu não sei o que pensar, mas agora preciso me concentrar nas ruas, volto minha atenção a reunião.

Decidimos ir de carro, dois carros, com um bom número de pessoas, Rick, Michonne, Alice, eu Maggie e Glenn, Sasha e Paul.

Paul se aproxima de Alice quando caminhávamos para os carros, não posso evitar ouvir a conversa.

−Como está sua mãe?

−Contente por estar aqui, não gosta muito que eu saia, mas sabe que é preciso, antes quando sobramos só nós dois eu nunca saia, ela achou que poderíamos passar por isso assim.

−Ela está triste comigo, eu acho, mas gosto dela.

−Minha mãe adora fazer planos para mim, sempre foi assim, desculpe Alice, se ela... Bom, logo passa.

−Vamos Alice! Eu acabo com aquela conversa tola abrindo a porta do carro, quero que venha comigo, assim posso cuidar realmente dela.

Alice obedece, mas acho que não está falando comigo, de novo aliás, ela se senta do meu lado, Michonne, Glenn e Maggie vem conosco, Rick dirige o outro carro com o restante.

Pegamos a estrada, Maggie começa a contar a Alice os primeiros dias nossos na fazenda, como começou a namorar Glenn, a queda da fazenda, Alice ouvia atenta, perguntando uma coisa ou outra, uma hora depois paramos diante de meia dúzia de carros, combustível nunca é demais.

Alice não desce do carro, mas escuto sua conversa animada com Maggie, depois seguimos nosso caminho.

−Não está falando comigo? Eu pergunto assim que descemos.

−Pareço não estar falando com você?

−Se não parecesse não estava perguntando! Respondo impaciente assim que chegamos na frente do hipermercado.

−Se está perguntando é porque está preocupado, fez algo que mereça meu silencio?

−Não sei, fiz?

−Que eu saiba nada, estamos como sempre estivemos, apenas seguindo em frente!

−O que isso quer dizer?

−Que vamos entrar num lugar grande que pode estar cheio de zumbis e que eu não quero me desconcentrar disso.

−Nem eu! Digo fingindo desinteresse.

−Ótimo! Ela dá de ombros

−Ótimo! Respondo de má vontade e ela caminha para o lado de Maggie e Glenn e eu reviro os olhos irritado.

O hipermercado era uma dessas lojas gigantes que ficavam na beira da estrada, nos bons tempos quando o mundo era mundo vivia cheia de viajantes e sempre tem de tudo.

As vidraças estão arrebentadas, as portas destruídas, alguns corpos pelo chão, com tiros na testa, ou mutilados, devorados por zumbis, alguns carros estão parados no estacionamento, entramos em formação, mesmo que esteja brava comigo me decido por ficar ao lado de Alice.

Passamos pelos caixas, vejo Alice recolher balas e chicletes, quem pensaria em algo assim.

−Carl vai gostar! Ela me diz de má vontade.

−Não falei nada!

−Nunca fala! Ela responde, eu sabia que estava brava comigo.

−Que merda quer me dizer o que fiz?

−Nada! Ela responde – Absolutamente nada!

Alice se afasta e seguimos para dentro da loja, vamos vasculhando tudo, um zumbi surge com uma mochila nas costas e metade do rosto devorado, Rick o acerta e Alice faz cara de nojo.

−Que coisinha mais feia!

Alice brinca com Maggie, então nos fundos da loja ela vê a cessão de roupas.

−Vou ver nas roupas se acho um casaco! Avisa a Rick.

Acompanho enquanto se afasta com o olhar, as pessoas vão enchendo suas mochilas, eu faço o mesmo, mas o tempo todo prestando atenção nela e em seus movimentos, Alice começa a caminhar por entre as araras e a perco de vista, bufo enquanto caminho em sua direção, não acho seguro ela ficar sozinha naquele lugar.

Alice caminhava entre as roupas com o machado na mão, encontra o que procura, uma blusa de frio grossa que retira apressada, eu a observo de longe, ela enfia a blusa na mochila e se vira dá de cara comigo, se assusta.

−Achou o que precisava?

−Sim! Ela pretendia sorrir e eu esperava pelo sorriso, mas ele se desfaz antes mesmo de se anunciar.

−Que foi? Pergunto e ela.

−Não vou ficar de refém de novo! Ela me diz e me viro, dois rapazes nos olhavam atentos, à primeira vista não pareciam ser um problema.

−Oi! Um deles diz erguendo os braços em sinal de rendição enquanto eu apontava a besta – estamos só procurando comida!

−Ótimo, acharam? Eu pergunto.

−Tanto quanto vocês! O outro responde – Sou Zack, esse é o Taylor, estamos sozinhos e já estamos de saída!

Ele diz quando o restante do grupo se posiciona apontando as armas.

−Para onde vão? Alice pergunta, o que ela tem com isso, me irrito.

−Só tentar ficar vivo! Zack sorri – E vocês?

−O mesmo! Rick responde – São só os dois?

−Sim!

−Já mataram?

−Sim, zumbis, nunca atiramos em ninguém vivo, estamos apenas dirigindo por ai, tentando achar um lugar seguro.

−Vocês tem um lugar seguro? Zack pergunta.

Nos olhamos, Alice faz aquela cara de quem quer ajudar.

−Temos regras, somos um grupo grande, acostumados a lidar com sobreviventes e zumbis, todo mundo faz alguma coisa, querem ir junto? Rick oferece.

−Sim! Zack responde sem pensar duas vezes.

−Zack! Taylor não parece muito contente – Não sabemos quem são eles.

−Estão vivos, é uma vantagem! Zack responde e perco a paciência, estamos oferecendo abrigo, e estamos com pressa, se não querem aceitar problema deles!

−Vamos, eles preferem seguir sozinhos! Eu digo cansado.

−Não! Eu vou junto! Zack responde – Taylor, a gente se conhece a pouco tempo, mas podemos ir juntos, não pode ser pior do que o que temos passado por ai.

−Estava sozinho antes, posso continuar assim! Taylor avisa – Pode ir se quiser.

Os dois estavam decidindo o que fazer quando ouvimos barulho, me viro, zumbis começavam a surgir.

−Merda! Alice reclama — Acho que vem muitos!

−Vamos! Rick chama e começamos a sair.

Os zumbis entravam vindos de todos os lados, só penso em proteger Alice, ela está atenta, Zack e Taylor as aproximam, se vão conosco ou não é outra história, agora precisamos sair juntos daqui.

Começamos a acertar os zumbis, enquanto seguíamos para fora, Alice derruba um o machado fica preso, outro se aproximava, corro para ajudar, mas Taylor assustado dispara sua arma, derruba o zumbi.

−Não atira! Glenn grita, o jovem dispara mais uma vez, nos apressamos ainda mais, ainda vejo Alice sorrir para ele em agradecimento.

Passamos pela porta e mais zumbis surgiam, minha preocupação maior é tirar Alice daqui, estamos correndo para o carro quando ouço um grito, me viro e um zumbi mordia Taylor, Alice corre em sua direção, mas o garoto já estava cercado.

−Alice não! Eu a seguro, ela se debate um pouco.

−Ele me ajudou! Ela grita quando ele cai depois de o segundo zumbi o atacar.

−Não podemos fazer mais nada! Eu grito, zumbis surgindo agora mais próximos, ela se conforma, corremos para o carro e partimos, o carro de Zack nos seguia, no fim ele viria conosco, Alice passa a viagem toda calada.

−Sinto muito! Eu digo para tentar acalma-la.

−Sempre sentimos, e do que adianta, o menino está morto, estamos todos!

Não sei o que dizer, não posso dizer nada, ela está certa.

Chegamos a prisão, o dia ainda estava claro, devia ser meio da tarde, ela some da minha visão, acho que vai se esconder um pouco, trouxemos muitas coisas, ajudo a descarregar o carro, Zack fica feliz com o que vê, arruma suas coisas no bloco D e depois se junta ao grupo, vejo Alice surgir, ela segue até ele.

−Eu sinto muito pelo seu amigo!

−Tudo bem, acho que já me acostumei! Ela diz sério, depois sorri para ela – Aqui é um lugar incrível, mora aqui faz tempo?

−Não muito, mas são todos muito bons aqui, logo vai se sentir em casa!

−Legal! Ele sorri e ela sorri de volta.

Que lindo, já está toda de sorrisos para o babaca, minha vontade é devolve-lo para as ruas.

Dou as costas aos dois, ela pode falar com quem quiser afinal, não me importo, que se dane, melhor assim, muito melhor, eu tenho mesmo é que me concentrar no que me importa, manter todo mundo vivo.

No jantar Alice se senta do meu lado, nem sei porque, não está toda brava comigo? Devia ir ficar com seu amiguinho novo.

−Obrigada por me impedir, eu iria acabar mordida e não teria salvo o rapaz!

−Tudo bem! Respondo apenas – Está melhor?

−Sim, falei com o Zack, achei que ele ficaria muito triste sabe, mas ele está bem, não eram realmente amigos.

−Conversou bastante com ele.

−Achei que devia fazer ele se sentir em casa, só isso.

Depois ela me olha, suspira, e se levanta.

−Vou colocar a Judy para dormir! Diz animada, seus olhos brilham – Acha errado?

−O que?

−Ficar próxima dela.

−Não, quem resiste a Bravinha.

Ela dá de ombros e some, faço um pouco de hora no refeitório subo a espera de Alice, o tempo passa mais uma vez, mas ela não vem, será que decidiu continuar com aquela história de se fazer de difícil?

Eu fico olhando para lugar nenhum, pensando nela, nas coisas que faz, nos beijos que trocamos, nos momentos em que me faz sorrir e em como essa cama fica vazia sem ela.

Devia deixar ela lá, acabar logo com isso, mas então me lembro dos minutos perfeitos, suspiro longamente, garota infernal, não sai da minha cabeça, se pensa que pode bagunçar toda minha vida e depois simplesmente ir embora.

−Não mesmo! Digo me levantando e seguindo para cela de Alice.

Abro a maldita cortina, ela está deitada olhando para o estrado, a lanterna acesa, me vê e sorri, não estou com a menor vontade de sorrir de volta.

−Está sendo difícil? Pergunto.

−Depende, está funcionando?

−Sim! Sou obrigado a admitir – Vem! Eu convido.

−Meu Deus Daryl, você simplesmente não consegue viver sem mim, esses meus beijos... – Ela é impossível, está rindo despreocupada enquanto se levanta e caminha em minha direção – Esse negócio de ser difícil é muito interessante! Ela passa direto por mim e entra na minha cela retira os sapatos e se deita na minha cama, se encolhe no cantinho.

−Alice...

−Já sei que a parede é minha!

−Não é isso... eu... Vai se fazer de difícil todos os dias?

−Eu não, é muito chato isso, já estava pensando em ir acordar o Carl para jogar pôquer, não fui porque tenho medo do Rick.

−Tem medo do Rick?

−Sei lá! Ela se enrola em mim – Vai que ele briga comigo, mas tudo bem, agora você foi me buscar e isso é muito bom, mas não devia me beijar?

−Se conseguir calar essa sua boca.

−Troglodita! Ela me diz e então eu decido acabar logo com a briga e beijo Alice, um longo beijo, que diz muito do que está acontecendo, essa garota infernal tomou minha vida e agora não tem mais volta.

Notas finais
Espero que tenham gostado