Caminhando entre os mortos

12 Capítulo 12 - Insônia, cortina e outras coisas


Notas iniciais
Mais um, estou sem fazer nada desde ontem por isso tantos capítulos!

Pov – Alice

Foi muito triste assistir Sam morrer, eu tentei, estou sempre tentando, mas manter pessoas vivas não é meu talento, eu vi que ele estava com medo, o medo mata, mais até que zumbis.

Respiro fundo olhando para cima, vejo o estrado, acho que nunca mais vou conseguir dormir, me sento, queria deixar Daryl dormir, ele passou a noite acordado, depois teve toda aquela tensão e como sempre ele é o que mais trabalha, mas se ficar aqui vou ficar maluca.

Pego a lanterna e me levanto a prisão está silenciosa, decido não brigar com ele, não vou acordar ninguém hoje, está todo mundo triste com as mortes.

Paro na porta e ilumino seu rosto, ele está de olhos fechados, não se meche, suspiro, acho que ele vai ficar bravo, mas ele sempre fica então não vai ser nenhuma novidade, eu caminho devagar e toco seu ombro, acho que ele não esperava, dá um pulo e nem sei como, mas no segundo seguinte está com a besta na mão, eu devia me desculpar, mas acabo rindo.

−Garota você é infernal, quer me matar?

−Parece maluco! Eu digo ainda rindo – Só toquei seu ombro.

−Droga Alice! Ele passa a mão pelo cabelo – Pensei que era um ataque, um zumbi, eu não sei.

−Entendi! Respondo começando a me irritar – Desculpe!

Já que ele está de pé aproveito para me encolher na cama dele, ilumino seu rosto com a lanterna, ele parecia mais calmo, assisto enquanto ele encosta a besta na parede mais uma vez e se senta do meu lado.

−Achei que estava dormindo.

−Não consigo! Eu respondo, abraço seu travesseiro, as coisas dele são melhores que as minhas, meu travesseiro é fininho e duro, o dele é melhor – Quer trocar de travesseiro?

−Não! Ele responde, faço uma careta – Está com medo?

−Do travesseiro? Eu pergunto curiosa.

−Não idiota! Ele me toma a lanterna que eu apontava para ele – De dormir.

−A gente estava falando de travesseiro e não de dormir.

−Você estava falando de travesseiro, eu só registrei até onde me disse que que não conseguia dormir.

−Quer dizer que nem me escuta direito, caramba!

−Vamos recomeçar? Ele pede – Boa noite Alice, o que faz por aqui?

−Não consigo dormir, e não estamos falando de travesseiro, mas acho que devia me doar o seu.

−Foi tenso lá em baixo!

−Ele teve muito medo, o medo mata!

−Está certa, achei que você não iria descer quando visse a escuridão.

−Nunca deixo o meu medo me dominar, mas desci porque você estava lá.

Acho que ele se surpreende e me olha silencioso, pisca um tanto confuso, dou de ombros, não tenho nenhuma razão para negar o fato que me sinto bem com ele e segura, ou estaria em outro lugar.

−Matou os quatro zumbis que atacavam ele, não acho que precise de mim!

−Não preciso mesmo, mas gosto que esteja aqui!

−Assim tem alguém para enlouquecer! Ele brinca, eu sei que faço isso com ele, mas é muito mais por conta dele que se estressa com tudo.

−Não tenho culpa de você ser tão irritável! Eu pego minha lanterna de volta, ilumino o meu próprio rosto – Um dia me leva para caçar com você?

−Levo, mas duvido que goste, não sei se sabe mas o silencio é fundamental quando se está caçando.

−Acha que é por isso que ficou tão caladão, quer dizer, ou está calado ou está gritando comigo.

−Vai começar? Ele reclama – Nunca grito sem motivo, você provoca todas as vezes e o que foi aquela história de estouro seus miolos?

−Foi incrível né? Eu me sento direito, estou animada, adorei aquilo – Pareceu filme não foi? Abre meu melhor sorriso, para ver se ele desfaz aquela cara de mal – Meu sonho era dizer algo assim!

−Pensa em ir embora? Ele me pergunta não me olha, mas parece interessado na resposta – No começo achei que estava sendo sincera com eles.

−Gosto daqui e das pessoas, não esperava encontrar um lugar como esse, nem pessoas como essas, não quero ir a lugar nenhum, mas ainda hoje tenho um pouco de medo de fazer alguma bobagem e ser expulsa!

−Isso não vai acontecer! Ele me garante – Não imagino o que poderia fazer que te levasse a uma expulsão.

−Eu espero que esteja certo, está muito cansado?

−Um pouco, foi um dia difícil, acho que não contava que algo assim fosse acontecer.

−Eu não consegui impedir o Sam, acha que eu...

−Por que sempre se culpa pelas mortes a sua volta?

Ele me pergunta e apenas suspiro, não sei como responder isso, ele tem razão, eu me culpo um pouco, mas não sei porque faço isso.

−Não sei responder isso, me sinto responsável pelas pessoas a minha volta e não gosto que morram, ninguém gosta eu acho.

−Mas a culpa não é sua, o menino não tinha que ter decido, ele estava assustado e eu devia ter dito não, então talvez eu tenha mais culpa que você!

Eu detesto a ideia de que tenho que deixar sua cela, mas ele precisa dormir, olho para a besta encostada na parede.

−Tem a besta porque caça ou caça porque tem a besta?

Ele sorri, ergue uma sobrancelha.

−É uma pergunta boa, que ninguém nunca fez, mas na verdade caço porque tenho a besta, ela veio primeiro.

−Não gosta de contar não é? Eu acho que a vida dele foi uma droga, ele nunca conta nada – Sua vida antes da porra do apocalipse.

−Pais desajustados, irmão rebelde, nada de muito importante.

Era uma grande mentira, aquilo tinha sim importância, era por conta daquela história e daquelas pessoas que ele era como era, mas se não quer contar não posso obrigar.

−Gostou do meu machado?

−Sim! Ele é tão econômico, suspiro.

– Acho que estou te cansando né?

−Me cansar não está na lista das coisas que me provoca!

−Eu provoco coisas em você? Dou risada – Acho que está me paquerando!

−Você é maluca sabia disso? Ele ri um tanto tímido, mas gostei disso, de provocar coisas nele.

−Eu vou deixar você dormir e vou lá fora um pouco, me sentar no pátio, sozinha e abandonada, quem sabe os zumbis ficam solidários e me fazem companhia.

−Para de fazer drama não te mandei embora, mandei?

−Não! Eu olho para ele, aquele par de olhos azuis me provocam também, me fazem desejar estar de novo em seus braços, queria que Daryl me beijasse, e queria que só uma vez fosse assim, num momento bom e não no meio de uma briga, mas não vai acontecer, principalmente aqui, na cela dele na calada da noite depois do dia confuso que tivemos. Aqueles beijos nunca saem da minha cabeça e não sei como resolver isso.

−No que está pensando?

−Em quando me beija! Eu respondo, ele fica completamente confuso, não esperava que eu fosse honesta, mas não sou o tipo que esconde as coisas, que empurra para debaixo do tapete e não tenho vergonha de admitir que penso nisso, afinal eu penso.

−Nisso! Ele consegue dizer.

−Acha que um dia vai me beijar de novo?

−Acho.

Ele diz simplesmente, faço que sim com a cabeça.

−Também acho! Eu respondo, depois atiro o travesseiro nele que não esperava e fica bravo – Melhor eu ir, mas se não conseguir dormir eu volto!

−Eu sei disso!

−Preciso descansar de algum jeito, a mãe do Paul a senhora Adams ela vai fazer minha cortina, mas quer que eu aprenda, exigiu que eu esteja na cela dela logo de manhã.

−E você simplesmente vai obedecer a mãe do Paul? Ele faz uma careta.

−Eu vou, quero a cortina, e saiba que é você quem vai ter que dar um jeito de pregar!

−Vai esperando!

−Pode apostar nisso! Eu respondo já de pé, pego meus sapatos.

−Sabe que essa mulher tem planos para você e o filhinho dela?

−Eu já percebi.

Caminho para porta, ele agora está de pé me acompanhando.

−E vai dar corda a ela?

−O que quer que eu faça? Paro diante dele – Ela nunca disse namore meu filho, não posso dizer olha senhora Adams, não crie expectativas, não vou ser sua nora.

−Acho que devia fazer exatamente isso!

−Cuida da sua vida Daryl, era o que faltava, agora até isso acha que pode decidir por mim?

−Está iludindo a mulher isso é muito feio!

−Pobrezinha, ela é que está tentando me enredar, isso sim é que é feio.

Deixo a cela dele e entro na minha ele vem atrás, não sei de onde vem esses ataques de fúria que ele tem às vezes.

−Não seria mais fácil apenas ficar longe dela?

−Claro, quem sabe posso me mudar para um condomínio de luxo com vista para o mar, bem longe dela, ou talvez não responder as suas ligações.

−Muito engraçado, estou rolando de rir!

−Já notei que é bem humorado!

Ele me dá as costas e segue de volta, eu fico na minha cela sem entender porque toda aquela irritação por conta de uma cortina.

Carol está louca se acha que esse grande idiota quer alguma coisa comigo e Maggie também, e eu também não quero nada com ele!

Me atiro na cama muito brava, na verdade se tem alguém com quem quero alguma coisa é com ele, mas ele nunca vai ficar comigo, Daryl nunca vai ficar com ninguém, ele adora ser solitário e chego a triste conclusão que só me beija porque não pode me bater.

Chego na cela da senhora Adams e Paul está com ela, sorrio para os dois, ela lança um olhar enigmático e um tanto assustador.

−Que bom que veio! Me sorri, faz um movimento me apontando um lugar a seu lado – Venha Paul sente-se conosco! Ela pega pesado, eu penso.

−Não posso, Daryl me pediu para ajudar a retirar os corpos lá de baixo! Ele comunica.

−Pensei que isso seria feito mais tarde, como combinamos! Eu digo confusa.

−Também pensei, mas acho que ele mudou de ideia, eu vou indo! Paul deixa a cela, eu me levanto.

−Isso é trabalho para os homens, sente e venha me fazer companhia, sua cortina já vai ficar pronta, depois o Paul vai lá colocar para você.

−Eu... Eu – Que merda, detesto admitir que Daryl tem razão – Senhora Adams, o Daryl vai colocar para mim.

−Aquele Dixon parece ser um bom homem, são apenas amigos não é? Ela é bem direta.

−Na verdade... – Ele quer que eu resolva isso então vai ter que me ajudar – Eu e ele nós estamos...

−Namorando?

−Não, bem, um pouco! Que resposta ridícula, ela franze a testa achando o mesmo.

−Paul ficou muito feliz em rever você, me contou sua história, eram vizinhos não é? Acho que ela prefere ignorar minhas palavras.

−Sim! Respondo, ela vai então costurando, cortando e enumerando as qualidades de Paul, são uma infinidade delas, nenhuma que pudesse me agradar, ele é organizado, romântico, cuida da mãe mais que tudo, gosta de ler, foi casado, mas se divorciou a cinco anos logo na primeira briga por que a mulher era muito possessiva.

−Meu Paul fala três idiomas! Ela me diz quando finalmente termina a tal cortina.

−Ele entende a língua dos zumbis? Ela me olha séria, acho que não é do tipo bem humorada – É que pensei que esse é o único idioma que teria algum valor hoje em dia, tipo, ele acaba de dizer que quer comer seu fígado, mas se contenta com os intestinos se você for alcoólatra.

−Você tem muito humor, Paul gosta disso! Ela me entrega a cortina – Aqui está querida, eu vou pedir ao...

−Não precisa, é como eu disse o Daryl... Bom ele vai fazer questão! Sorrio sem ânimo e ela dá de ombros – Obrigada! Saio quase correndo, só pode ser praga daquele imbecil do Daryl Dixon, mais meia hora lá e estava casada com Paul Adams.

Muita gente está ajudando a retirar os corpos das tumbas, um grupo vai colocando num carro para ser queimado depois fora da prisão, eu sigo para nosso bloco deixo a cortina na minha cela e desço, passo por Maggie que ajudava Glenn com um zumbi bem destruído.

Quando vejo Daryl ele arrastava um pelos pés, eu sorrio, ele não corresponde continua puxando o corpo e então o pé fica na sua mão e a perna cai nojenta no chã ele olha para o corpo.

−Maldição!

−Quer ajuda?

−Não está feito uma mocinha costurando cortinas?

−Já fiz isso, agora vou carregar corpos, sou cheia de surpresas! Eu pego os braços do zumbi no chão – Você segura nas pernas nojentas.

Levamos o corpo, mas ele não está muito afim de conversa e volto caminhando na frente, se está de mal azar o dele.

−Os corredores estão limpos, vamos agora ver as celas e salas! Rick diz quando eu caminhava de novo para dentro, faço que sim e continuo meu caminho, sei que ele vem logo atrás, mas eu que não vou ficar correndo atrás dele.

Entro numa sala, é um lugar escuro, tem alguns materiais esportivos, bolas, redes e colchões, alguns pesos num canto, uma estante, com troféus, paro para olhar as datas, ilumino cada um deles com minha lanterna, é estranho pensar sobre isso, em como o mundo era antes, nas coisas como são agora, e principalmente que nada nunca mais vai ser igual.

−Campeão estadual de 2004! Digo em voz alta, penso em como aqueles homens eram temidos e que hoje são apenas corpos famintos desejando nossa carne, ou eram, estão realmente todos mortos agora.

Uma mão agarra minha perna e me puxa, solto um grito de susto quando caio me debatendo, a lanterna voa para longe, só penso que não posso ser mordida, fico lutando com o desconhecido, a escuridão me impede de saber a que distancia aquela boca está de mim, chuto o ar freneticamente.

−Me larga! Tento me arrastar para longe, a coisa parece se arrastar comigo, desprendo o machado, mas está tudo tão escuro que vou acabar acertando minha perna antes de pegar o infeliz – Cassete, me solta seu monte de estrume! Esbravejo mesmo sabendo que não vai funcionar, agora posso até ouvir seus gemidos.

Atiro tudo que está próximo de mim, me acerto algumas vezes e então Daryl invade a sala a lanterna presa a besta e no mesmo instante atira uma de suas flechas e sinto o aperto na perna afrouxar enquanto me levanto correndo e cambaleando.

−Está bem? Ele me abraça, eu me encosto nele o coração aos pulos e um pouco tremula – Ele te mordeu, arranhou? Sua voz é urgente, faço que não com a cabeça porque não encontro minha voz e então, do nada, sem que me dê conta ele me beija, e eu correspondo por inteiro, apenas isso poderia me acalmar, passo meus braços por seu ombro e me deixo ficar ali, entregue as sensações que o beijo dele me causa, ele me puxa mais para ele, sua mão segura meu cabelo, tudo parece urgente e só quero que nunca mais acabe.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Estou revisando o segundo capítulo de Fim dos tempos 2, para quem acompanha assim que estiver pronto eu posto.