Caminhando entre os mortos

13 Capítulo 13 - É ótimo


Notas iniciais
Mais um capitulo pessoas queridas. Esse é especial para minha amiga especial Fernanda Dixon, que me fez uma linda e delicada recomendação, te adoro sua linda muito obrigada!

Pov – Daryl

Eu beijo Alice, simplesmente beijo, num misto de sentimentos que me assustam, estou aliviado por ela estar viva, assustado com o medo que tive quando ouvi a confusão e senti que ela estava em perigo, e quando ela está assim em meus braços não tem nada que possa fazer, simplesmente é algo que não posso controlar, preciso beijar aqueles lábios.

Alice nunca se esquiva ou foge, ela pelo contrário, sempre reage de imediato se entrega de corpo e alma e dessa vez de algum modo tudo é diferente, não estou bravo com ela, apenas quero sentir Alice, ter certeza que está aqui e viva.

Ela se cola a mim, mergulha as mãos nos meus cabelos e posso sentir sua respiração tão alterada quanto a minha, acho que não posso mais ficar longe dela.

Me afasto um pouco, está escuro, mas sinto seu olhar e então eu volto a beijar Alice, desço meus lábios por seu pescoço, roçando sua pele e aspirando aquele perfume que vem me enlouquecendo a dias, ela se deixa beijar, geme, e volto para seus lábios, beijo longamente Alice, mais uma vez e juntando todo meu autocontrole me afasto com dificuldade, nunca me vi assim, sem controle sobre minhas emoções.

−Admita, está me paquerando! Ela diz e mal posso vê-la, mas sei que está sorrindo e simplesmente gosto de como as coisas ficam fáceis com ela, de como não precisamos discutir aquilo, eu a solto com cuidado, ela está meio mole, acho que por conta do susto ainda, mas então ela firma as pernas no chão.

−Está bem, pode andar?

−Posso, esses seus beijos são bem bons mesmo!

−Cala a boca! Digo rindo – É tão ridícula!

−Você beija bem devia ficar feliz com isso, e podia ser gentil e retribuir o elogio!

−Um zumbi quase te mordeu se lembra?

−Eu sei, e só por isso não pode dizer se beijo bem? Ela me deixa maluco – Em Daryl, é tímido?

Estamos fora da sala e caminhamos pelo corredor.

−Alice acho que precisa de tratamento! Eu digo parando diante dela agora está um pouco mais claro e podemos nos ver melhor e ainda quero beija-la.

−Minha lanterna! Ela diz e simplesmente volta correndo para sala, bufo indo atrás dela, ilumino um pouco o lugar com minha lanterna e a encontro ajoelhada no chão tateando tudo.

−Deixa isso para depois eu te dou outra lanterna!

−Não quero outra, quero a minha! Ela me diz ainda tateando tudo – É um símbolo!

−De que pelo amor de Deus?

−Não posso dizer, mas eu a quero de volta, para de ser babaca e ilumina ai o chão de uma vez!

Ela finalmente encontra a lanterna, se levanta muito feliz e por fim seguimos para fora, eu ainda não estou muito certo sobre como ela está, quero olhar no claro e ter certeza que não foi arranhada, assim que chegamos no nosso bloco faço ela se sentar no refeitório, ela está toda suja de poeira e sangue da cabeça de zumbi que eu acertei muito perto dela.

−O que foi? Rick se aproxima, Carl e Maggie também, estou abaixado investigando suas pernas a procura de um rasgo no jeans uma marca qualquer.

−Não fizemos nosso trabalho direito! Eu respondo me condenando — Tinha um zumbi lá em baixo, ele atacou Alice, pegou ela pela perna.

−Eu estou ótima, ele é meio maluco! Ela diz enquanto dou uma boa olhada, está felizmente tudo bem e me levanto – Viu, não fui mordida nem arranhada, estou perfeitamente bem e não devolveu o elogio! Está todo mundo me olhando, ela só pode querer me matar, não tem outra explicação.

−É ótimo! Eu digo e logo lhe dou as costas e sumo para o pátio, felizmente ela não retruca, a última coisa que quero é ser o novo assunto da prisão.

Me envolvo no trabalho, e não encontro mais Alice, já anoitecia quando subo para pegar roupas limpas e tomar um banho, encontro Alice de pé na porta da cela olhando para cima muito compenetrada, ela estava muito bonita, os cabelos presos numa longa trança que escorria pelas costas um short jeans e camiseta preta e lisa, estava descalça me sorri.

−Oi Daryl! Ela diz muito simpática – Sabe essa é minha cortina, é bonita não acha?

−Sei lá!

−Mas não consigo pregar ela, a senhora Adams me disse que o Paul poderia vir aqui colocar para mim, na verdade ela insistiu muito nisso, mas eu disse a ela que você fazia questão de fazer.

−Eu? Ela só pode estar brincando.

−Está certo, vou lá dizer a ela que me enganei e chamar o Paul para fazer isso! Ela começa a caminhar e a ideia me irrita, eu a seguro pelo braço, não devia me render assim.

−Me dá essa merda de cortina infernal!

−Garota infernal, cortina infernal, eu devo ser o próprio diabo! Ela reclama magoada.

−Não duvido nada! Respondo sem olhar para ela, preciso pensar num jeito de prendar a merda da cortina, felizmente tenho uma ideia, faço tudo em silencio e uns minutos depois ela tem a maldita cortina pregada.

−Pronto, feliz agora?

−Muito! Ela diz quando olho para ela – Está com inveja da minha privacidade?

−Não, vou tomar banho!

−Está bem, vou descer, eu e a Maggie temos umas coisas para conversar.

Nem me atrevo a perguntar o que seria, acho mesmo que não quero saber.

Sigo para o banho. Nos beijamos de novo eu me lembro, e foi de novo perfeito, ela se encaixa, me deixa maluco e rendido, não sei como lidar com isso, felizmente Alice não exige nada, não quer discutir relação, pelo contrário, torna tudo leve, prefiro assim, sem pressão já é difícil, se ela me pressionar então não sei se posso lidar com a confusão que me encontro.

Uma coisa é certa, isso está longe de acabar, eu queimo por ela, e não é só isso, gostaria que fosse, seria simples de resolver, mas tem mais coisa, tem um carinho diferente, gosto de ficar perto dela, de como ela simplesmente me faz sorrir e isso sim é um problema.

Dizer que o beijo dela é ótimo foi quase uma injustiça, não acho que tenha uma categoria para ele. Para o que me provoca. Saio do banho, caminho para o refeitório, estão todos comendo, passamos muito tempo juntos, mas estranhamente ela nunca se aproxima de mim nas refeições, ao contrário fica longe, sempre sozinha ou com outras pessoas.

Nesse momento está sozinha e já estava me decidindo por seguir até ela quando Paul é mais rápido. Me sento no meu lugar de sempre na escada, mas é difícil não acompanhar seus movimentos, ela come com a mão e lambe os dedos o tempo todo, não tem ideia de como isso é sexy, e nem quero imaginar o que aquele idiota do Paul está pensando agora.

−Estive pensando sobre o que aconteceu... – Hershel diz se sentando do meu lado, pisco algumas vezes para voltar a realidade – O rapaz, Sam, eu acho que ele ficou muito assustado, não acha que devíamos treinar um pouco essas pessoas?

−Acho que sim, mas Rick não está muito interessado nisso, eu ando até um pouco preocupado com isso.

−Eu sei, acha que deveria falar com ele?

−Alguém precisa, tudo parece seguro agora, mas não sei até quando.

−Amanhã vamos reunir o conselho, o que acha?

−Pode ser, de preferência cedo, quero caçar um pouco! Eu respondo meus olhos se voltam para Alice.

−Ela é surpreendente, tenho idade, mas vi poucas pessoas assim.

Que droga, o que será que toda essa gente anda pensando sobre eu e Alice?

−Ela é completamente maluca.

−Pois acho justamente o oposto é a pessoa mais sã aqui, e duvido que um dia seja diferente, Alice me parece o tipo de pessoa que está disposta a enfrentar a vida que não tem medo de sentir dor, não foge como temos feito desde que tudo começou.

−Pode ser Hershel, mas de todo modo não tenho nada com isso! Dou de ombros e o velho ri de mim.

−Quem será que quer enganar com isso? Ele me diz já caminhando para longe.

Decido não pensar sobre o que Hershel disse, decido não pensar sobre coisa alguma, apenas deixo meu prato e subo para minha cela, passo por Alice e Paul, faço questão de não olhar em sua direção, eu sou Daryl Dixon, não um adolescente apaixonado e não vou me comportar como um, se ela não se importa de me beijar e ficar de conversinha com o cara então que fique com ele.

Me jogo na cama sem paciência e muito menos sono, o cheiro dela ainda misturado as minhas coisas, e como poderia ser diferente se ela passa mais tempo aqui que em qualquer outro lugar?

Um tempo depois escuto risadas vindas pelo corredor.

−Nossa Alice você tinha razão, ficou muito bom, acho que podemos colocar em todas as celas, temos quilos de lençóis sabia? Maggie comenta – Uma das primeiras coisas que achamos aqui foi a lavanderia, estava repleta de roupas de cama dos presos.

−Eu sabia que a ideia faria sucesso!

−Vou indo, eu e o Glenn estamos de vigia na torre hoje!

−Queria ir lá um dia, nunca subi na torre.

−Sozinha acho que não tem graça, mas quem sabe acha companhia! Ela diz e depois as duas se despedem, uns minutos depois Alice entra na minha cela com sua lanterna.

−Minha lanterna vai ficar sem bateria, me prometeu baterias se lembra? Ela me diz sentando na beira da cama, me sento também.

−Não se importa de entrar e sair daqui como se essa cela fosse sua, mas na hora das refeições sempre faz questão de ficar bem longe, de preferência na companhia do amiguinho novo e a mamãe.

Nem sei porque disse isso, mas estou mesmo bravo e se ela pode dizer tudo que pensa eu também posso.

−É o que acha? Ela diz e estranhamente não está brava e sim triste.

−Acho!

−Eu... Eu sempre achei que preferia ficar sozinho, desde que cheguei aqui te vejo comendo sozinho, fiquei com medo de ultrapassar algum limite, quem sabe deixar você bravo de verdade comigo.

−Você nunca se importa de ultrapassar meus limites! Quero mesmo me acalmar, mas acontece que não consigo.

−Eu sei, Emma sempre me dizia isso, que ultrapasso os limites, acho que vou indo, eu... Eu estou começando a querer chorar e chorar não e bom para mim, de jeito nenhum, eu... desculpe, se começar a chorar eu realmente não se um dia posso parar então é melhor...

Ela se levanta e caminha de volta para própria cela.

Conseguiu seu grande imbecil, ela foi embora e ainda a fez chorar, comemore, não é isso que gosta, de ficar sozinho como sempre?

Me levanto e vou atrás dela, tentar consertar as coisa, ela está sentada na cama o rosto escondido entre os joelhos, silenciosa, não sei se está chorando ou apenas triste.

−Alice!

−Pode me deixar brava, furiosa mesmo se quiser, a ponte de te atirar coisas e gritar, mas nunca pode me fazer chorar! Ela não me olha, sem muita alternativa me sento a seu lado.

−Porque?

−Não gosto de chorar, chorar não é boa ideia, esse não é um tempo para lágrimas!

−Certo, vou me lembrar disso.

−Você tem ciúme de mim? Ela me olha, seus olhos já sorriem.

−Não! Respondo rápido e indignado – Que ideia!

−Devia dizer que tem, me fez chorar precisa me agradar um pouco! Ela sorri, os olhos azuis brilham – E preciso dizer que nunca mais vai comer sozinho na vida!

−Pareceu uma ameaça! Brinco com ela, que agora se ajeita melhor para poder me olhar.

−Foi mesmo, quer dizer que meu beijo é ótimo? Fico completamente sem ação, não sei para onde essa conversa pode nos levar, mas Alice nunca mede muito as consequências, ignoro a pergunta, não quero mentir sobre isso.

−Quer dizer que a notícia das cortinas se espalhou?

−É agora todo mundo vai me imitar, vou dizer que é o melhor pregador de cortinas do mundo e vai passar um mês só pregando cortinas por ai.

−Você tem cara de que faria mesmo isso! Ela sorri – Vamos ter reunião do conselho amanhã logo de manhã, depois vou sair para caçar.

−Acho tão chato essas reuniões!

−Ideia sua! Eu a lembro.

−Nossa esqueci de te mostrar! Ela estica a perna direita e ilumina com a lanterna – Olha o que eu fiz na minha luta com aquele monte de estrume comedor de tripas!

As pernas tem meia dúzia de marcas futuras manchas roxas, mas ela não parece se importar.

−Não está frio para ficar assim de shorts? Que comentário estúpido, eu estou cada dia pior!

−Está frio mesmo, mas eu queria te mostrar as manchas, assim você fica com pena de mim, ficou?

−Não! Eu respondo – E qual a vantagem de eu sentir pena de você?

−Não pensei muito nisso, mas deve haver alguma.

−Acho que devia era por uma calça e parar de ser idiota!

−E você precisa admitir que está todo cheio de ciúme de mim! Ela ri muito despreocupada, não leva nada a sério, acho que nem se dá conta do que está acontecendo conosco, ou talvez esteja só acontecendo comigo, não sei decifrar essa tresloucada.

−Eu vou é te deixar por uma roupa e ir dormir, amanhã temos reunião cedo.

−É e depois vamos caçar! Ela sorri docemente.

−Vamos? Eu pergunto já de pé.

−Quer que eu coma com você, que vista calças compridas, que fuja do Paul, e eu não posso ser possessiva também? Ela brinca comigo, Alice brinca com tudo, mas mesmo assim me faz pensar, eu estou mesmo fazendo isso, tomando posse dela como se ela me pertencesse a ideia me deixa completamente sem ação, fico paralisado diante dela, tentando um jeito de desmentir suas palavras, mas não tem como fazer isso.

−Se atrapalhar minha caçada te faço comer um esquilo vivo! Eu sigo para minha cela, mas mal entro e lá está ela atrás de mim, garota infernal, nem consigo fugir dela.

−Não vamos caçar esquilos, eles são... Nossa estou aqui lutando pela vida de Violet e sua família e você quer matar esquilos?

−Sim, protetora dos animais, e comer também, mas você pode se sentar na floresta cantar uma daquelas músicas irritantes e ver se eles aparecem para te ajudar a fazer um vestido.

−É eu sei, me esqueço que o mundo acabou e que não tem mais supermercado, isso não é um conto de fadas, embora eu seja uma princesa! Ela faz uma mesura, ri e se senta na minha cama – Vou me comportar, deixo você matar os animaizinhos da floresta para alimentar as criancinhas!

−Muito obrigado cinderela!

−De nada lobo mal! Ela atira os sapatos longe, vai perde-los e logo vai começar a tatear o chão com a lanterna – Eu devia dormir aqui, é você podia por o seu colchão no chão e me dar a cama e podíamos ficar conversando até pegar no sono!

−Ou você podia ir para sua cela cheia de privacidade com cortina e calar essa sua boca enorme que só fala bobagem!

−Ou isso! Ela da de ombros, suspira e mais uma vez abraça meu travesseiro – Era muito sozinho antes de mim? Ela está séria.

−Você se acha! Eu não consigo não rir dela, das sandices de Alice – Acho que sim! Decido ser honesto – Não se engane, essas pessoas são minha família, mas eu sempre fui o irmão rebelde.

−como eu e Emma, ela era a filha perfeita eu estava sempre metida em confusão e um dia eu simplesmente deixei de estar lá, peguei minhas coisas e fui embora, ninguém se importou, achei que viriam atrás de mim, mas não foi o que aconteceu, só quando meu pai morreu é que minha mãe me pediu para ficar.

−Ficou? Eu pergunto, ela está meio triste, os olhos vidrados na parede onde a lanterna ilumina, a mente a quilômetros de nós.

−Só até ela morreu, um mês depois, nem sabia que esse tipo de amor existia, mas existe, ela morreu, e o Cooper que eu sempre detestei que nunca achei que era capaz de amar, quando estávamos na floresta, quando ele viu Emma sendo devorada, Cassie mordida, e Andy morto, ele se entregou, não podia viver sem eles e eu nunca desconfiei disso.

−Eu também não tinha ideia de que esse tipo de amor existia e principalmente tão perto de mim até meu irmão morrer para me salvar.

−Você convida esse tipo de sentimento! Ela me diz e fico espantado.

−Eu?

−Sim, é protetor, preocupado, e bom é meio imbecil e babaca, mas de modo geral é o tipo de pessoa que vale a pena ter por perto.

−Imbecil e babaca? Ela confirma com um movimento de cabeça – E você é idiota e ridícula!

−Mas meu beijo é ótimo! Ela sorri, e dessa vez é impossível resistir a sua beleza.

−É ótimo! Eu a puxo para mim e tomo seus lábios, Alice corresponde e nem quero pensar onde isso está nos levando.

Notas finais
E então, capítulo leve, como disse zumbis são sempre pano de fundo para o que realmente interessa os sentimentos dos protagonistas em meio ao apocalipse, então nem sempre vamos ter ação e mortes, só de vez em quando! espero que tenham gostado.