Caminhando entre os mortos

46 Capitulo bônus - Parte Um


Notas iniciais
Olá pessoas, atendendo a pedidos aqui está a primeira parte do bônus, não sei em quantos capitulos vai ficar! Espero que gostem.

Pov – Alice

Abro a porta do apartamento apressada, carrego três sacolas de compras, detesto ir ao mercado aos domingos, mas tive uma semana infernal, cheia de trabalho e mal tive tempo de cuidar de mim, felizmente tudo está de novo tranquilo.

A primeira coisa que faço é atirar os sapatos para longe, depois levo as compras para minha pequena cozinha.

O apartamento é deliciosamente pequeno, um quarto, sala e cozinha, apenas isso e para mim é perfeito, como se não bastasse ainda tinha o suave perfume de flores que dominava o ambiente, adorava morar sobre uma pequena floricultura, essa foi a principal razão para escolhido esse apartamento há cinco anos.

Havia apenas mais um apartamento no prédio, mas no momento estava vazio, fico pensando se os futuros moradores seriam pessoas agradáveis, seria bom que sim, às vezes me sentia solitária.

Ligo a tv e me atiro no sofá depois de guardar as compras, bebo meu refrigerante e belisco um pacote de salgadinho, se Emma estivesse aqui diria que como feito uma criança, talvez ela esteja certa, mas que se dane, fiz minhas escolhas, gosto de como levo minha vida, foi por essa liberdade que abandonei minha família na Virginia aos dezessete anos com uma mochila nas costas e coloquei o pé na estrada.

Fugindo, é o que me diriam, pode ser que sim, mas não me importo, fugi de um mundo de regras que meu pai Jorge Carlson desenhou para suas duas filhas, fugi de me tornar a líder de torcida que se casa com o capitão do time, que se transforma na dona de casa perfeita, obediente e submissa, isso jamais me serviria.

Um mundo de clichês ridículos, Emma os seguiu à risca, casou com o cara mais insuportável da face da terra e vive uma vida medíocre e tediosa com os dois filhos, Andy de doze anos e Cassie de dez.

Eles são as coisas mais lindas e deliciosas da minha vida, mesmo os vendo muito pouco são junto com Emma tudo que me restou, meus pais morreram a pouco mais de um ano, primeiro meu pai do coração e depois minha mãe, acho mesmo que de saudade e tristeza, não sei como é esse tipo de amor.

Acho mesmo que nunca vou descobrir, mas adoraria viver algo assim, intenso verdadeiro e eterno, acontece que nem por um amor como esse me dobraria como minha mãe sempre fez, abrindo mão de tudo com um único e eterno objetivo de fazer meu pai feliz.

O telefone toca, sorrio sabendo exatamente quem era, Emma, todos os domingos eu recebia o telefonema dela, ficávamos um tempo contando as novidades, falando da vida, a mais de um ano não nos víamos, ela ainda vivia na Virginia enquanto eu na Geórgia, a distância e minha péssima relação com Cooper eram as razões para nos vermos tão pouco, mas isso não diminuía nosso amor e amizade.

−Alô! Digo sorrindo assim que tiro o telefone do gancho, me ajeito no sofá me recostando na almofada, a conversa com Emma era sempre longa.

−Oi! Emma diz tranquila – Espera Cassie! Ouço ela ralhar com a filha – Alice, conversa um pouco com os pequenos, depois nos falamos!

Cassie pega o telefone, passa bons minutos me contando sobre sua semana, rimos uma vez ou outra, depois é a vez de Andy, falamos de esporte e garotas, Emma resmunga qualquer coisa, ela acha muito cedo para Andy conversar sobre garotas.

Depois de uns minutos de conversa alegre Emma pega de volta o telefone, escuto mandar as crianças para o jardim, e então ficamos sozinhas mais uma vez.

−E então como vão as coisa ai? Emma me pergunta.

−O de sempre, e você?

−Tudo ótimo, Andy e Cassie estão indo bem na escola, Cooper está envolvido no escritório como de costume, sabe que desde que o papai morreu ele assumiu tudo, dobrou o trabalho.

−Perguntei de você Emma! Não quero saber como vai a vida do advogado Cooper nem das crianças, acabo de falar com eles, sei como se sentem, mas essa é a vida da Emma, vive em função da família.

−Estou falando de mim! Ela resmunga – Essa sou eu, minha família, e isso inclui a senhorita!

−Eu sei disso, como pode ser assim, nunca entendi.

−Estou feliz, amo meu marido!

−Espero que sim, aguentar aquele idiota e ainda não sentir nada por ele seria um grande inferno.

−Sabe o que precisa Alice? Já sei o que vai dizer, chega a me dar vontade de desligar o telefone – Precisa de um namorado, mas não pode ser qualquer um.

−Vai começar com isso, como se tivesse muitas opções.

−Nem pode ser qualquer um, ele tem que ter personalidade forte, para conter seus ímpetos, um homem decidido e corajoso, que não tenha medo da vida assim como você! Tenho que concordar com ela, não sou o tipo que senta e espera, gosto de ser dona das minhas escolhas – Mas mesmo assim ele tem que ser um cara bondoso, conheço você e esse seu coração mole.

−Esse mundo é tão injusto, não se pode ser diferente!

−Não mesmo, e além disso ele mesmo sendo durão precisa ser sensível para saber que às vezes, ou melhor quase sempre você é delicada e quer carinho e cuidado, que como toda garota, quer ser protegida e amada!

−E então o que vou dar de cara com ele e vou saber que estou diante do homem da minha vida e vamos ser felizes para sempre? Como Emma pode ser tão sonhadora? Eu sempre me pergunto.

−Você? Escuto a risada de Emma e faço uma careta – Cega como é nunca vai se dar conta nem que ele esfregue na sua cara o quanto é perfeito para você, mas não se preocupe, vou estar por perto para mostrar isso a você.

−Esse homem não existe Emma, está apenas nos seus devaneios, se algum dia existiu é gay ou está casado.

Ela ri com gosto, acabo por rir também, me viro para pegar o controle da tv e no movimento esbarro no pequeno abajur que cai com um estrondo espalhando vidro por toda pequena sala.

−Cassete! Reclamo – Essa porra de abajur estava prestes a cair, sabia disso!

−Mais que boca Alice! Emma me critica.

−De novo isso? Eu me defendo – O que tem demais um palavrão ou outro?

−É assim em todo lugar, ou só em família?

−Essa sou eu Emma, não mudo de acordo com a companhia!

−Se machucou?

−Não, eu só fiz a maior meleca, depois limpo! Então ouço a voz de Cooper chamando Emma naquele tom imperativo que tanto odeio.

−Me desculpe Alice, mas tenho que desligar, nos falamos depois!

−Certo, tenha uma boa semana eu te amo!

−Também te amo.

Desligo e fico olhando para o teto um instante, nada para fazer a não ser achar algo interessante na tv.

Me levanto para recolher a sujeira, acabo a arrumação e sigo para a cama com uma taça de sorvete de chocolate, fico mudando de canal até o sono chegar e então adormeço.

Acordo com o despertador estridente no meu ouvido, é assim ou não consigo me levantar, tomo banho, visto uma roupa simples, jeans e camiseta, coloco meu tênis e desço com minha bicicleta em direção ao trabalho.

Meu trabalho era simples, ficava num escritório atrás de uma mesa, diante de um computador lançando notas fiscais no computador, no escritório trabalho com um grupo agradável, no começo só queria juntar algum dinheiro e seguir com meu sonho de viajar pelo mundo, mas acabei me acostumando com o lugar, gosto do apartamento, da cidade pequena cercada por uma grande floresta que travessa todo estado da Geórgia, das ruas tranquilas que ainda conservavam velhos costumes, como crianças nas ruas e senhoras conversando nas praças.

No fim do dia volto para casa recusando os convites de uma partida de pôquer no bar de Chase no fim da rua, normalmente eu poderia ficar ali um pouco, mas hoje não estou com ânimo.

Encontro Maggie no caminho, ela para a caminhonete ao meu lado, desce sorridente.

−Oi Maggie! Trocamos um abraço – Perdida por ai?

−Vim fazer umas compras para o meu pai, já estou voltando para fazenda, quando vai passar umas horas lá comigo?

−Um dia desses prometo! Ela sorri – E você, tudo bem?

−Sim, o de sempre, dessa vez vim para passar mais tempo, meu pai não é mais tão jovem e mesmo com Otis e Patrícia sinto que Beth precisa um pouco de mim.

−Claro que sim! Adoro a família Grenne, conheci primeiro Beth, ela vinha sempre a cidade com o namorado Jimmy e acabamos nos aproximando, depois conheci Maggie e o resto da família, são agora meus melhores amigos.

−Tenho que ir, apareço em breve.

Seguimos em direções opostos, eu com minha velha bicicleta e ela com a velha caminhonete, quando chego em casa vejo uma caminhonete na porta, todo mundo tem caminhonetes nessa cidade, caixas dentro e fora dela, possivelmente os novos vizinhos, tenho muita dificuldade para subir o único lance de escadas com a bicicleta já que três caixas obstruem a passagem.

−Merda! Resmungo quando finalmente chego ao andar de cima, a porta do único apartamento além do meu está entreaberta, controlo a curiosidade de seguir até lá e descobrir de quem se trata afinal, já posso notar que no mínimo alguém bem espaçoso, me descuido um segundo e a bicicleta escorrega da minha mão, quando vejo está rolando escada abaixo, derrubando a caixa no meio do caminho fazendo um barulho infernal que ecoa pelo corredor produzindo um eco que faz parecer que o acidente é ainda mais grave.

−Que diabos está acontecendo aqui! A voz rouca e sexy de um homem chega a minhas costas.

−Que diabos esse monte de caixas estão fazendo na merda da escada isso sim! Me viro irritada e dou de cara com um homem simplesmente lindo, os cabelos quase loiros os olhos azuis e uma cara de mal que faria qualquer mulher estremecer.

−Quem afinal de contas é você? O homem me diz.

−E porque acha que tenho que me apresentar, você é o intruso aqui!

Eu começo a descer as escadas em busca da minha bicicleta, a pobrezinha devia estar toda arrebentada, a caixa está quase na porta, aberta e vejo roupas espalhadas pelo chão, que se dane o babaca, pior é minha bicicleta, devo admitir que o fato de terem caixas no chão não fizeram a menor diferença no acidente, na verdade eu estava distraída, mas ele não precisa saber disso.

−Eu levo isso! Ele resmunga erguendo a bicicleta com facilidade e subindo com ela −Não sou intruso coisa nenhuma, só para constar acabo de me mudar! Eu mereço um idiota grosseirão no apartamento ao lado.

−E acha que está sozinho no prédio, deixa sempre suas coisas assim sem se preocupar com ninguém?

−Mas que garota infernal! Ele esbraveja – Foi um minuto, estou trazendo minhas coisas!

−Ótimo, espero que seja rápido! Aviso – Boa noite!

Dou meia volta e caminho para minha porta, ele fica parado no corredor.

−E essa porcaria de bicicleta?

−Deixa ai no corredor onde ela sempre fica!

−O que? Ele diz sem esconder o mal humor – Faz um escândalo por conta de caixas que não ficariam nada além de uns minutos no caminho e quer deixar esse trambolho no meio do corredor?

−Que idiota, como pode chamar minha bicicleta de trambolho? Reclamo indo até ela e encostando na parede vazia do corredor – Ela não está no meio do caminho sempre ficou aqui e ninguém nunca reclamou!

−Claro estava sozinha até eu chegar!

−Vê, é o que digo, ninguém nunca reclamou! Entro batendo aporta com força, que homem mais idiota e intolerante!

Demoro uns minutos para me recuperar do estresse, normalmente algo assim não me irritaria, mas o cara se acha o dono do mundo, e nem sei porque me tira do sério, não tenho ideia de como vai ser conviver com alguém como ele.

−Você não precisa conviver com ele Alice, nem precisa dar bom dia se por um acaso do destino se cruzarem no corredor! Falo sozinha como de costume.

Depois do banho e um sanduiche me sento na sala, ligo minha tv e fico como de costume mudando os canais, sou sempre impaciente demais para assistir um programa inteiro, a menos que seja um filme, e de preferência de terror, claro que assim que acaba fico tremendo de medo e custo a dormir, mas mesmo assim é divertido.

Depois de um tempo volto para cozinha, detesto ter que arrumar aquela bagunça, não se pode dizer que sou a pessoa mais organizada do mundo, definitivamente não se pode dizer nada sequer parecido com isso.

Cantarolo uma música qualquer enquanto lavo a louça e recolho o lixo, depois desço as escadas para colocar o saco na rua preto na calçada no latão em frente a pequena floricultura.

Volto para dentro, não havia mais nenhuma caixa no corredor ou nas escadas, apenas minha bicicleta estava ali no corredor, será que atrapalharia deixa-la ali?

Paro um instante para decidir isso, ela está toda torta, vou ter que mandar arrumar, a moto estava no concerto e a bicicleta agora também, suspiro e então a porta se abre e dou um salto de susto.

−Cassete, que susto! Reclamo.

−O que faz ai parada?

−Não é da sua conta! Respondo num ímpeto me sentindo uma tola infantil.

−Que se dane então! Ele diz passando por mim e descendo as escadas logo em seguida, dou de ombros e volto para meu apartamento.

Só saio de novo na manhã seguinte, preciso passar na mecânica de Ethan para saber quando minha moto fica pronta e depois ir para o trabalho, passo pela bicicleta apressada, ela vai ter que esperar para a manhã seguinte.

Na porta o novo vizinho entrava na picape azul ainda estacionada ali, ele acena de longe, faço o mesmo sem muito ânimo.

−Daryl Dixon! Ele diz do nada quando já me afastava – Meu nome é Daryl, se vamos ser vizinhos é o mínimo que precisa saber.

−Alice Carlson! Eu respondo, dando as costas a ele mais uma vez.

−Quer uma carona? Ele me pergunta e fico sem reação, até que não seria má ideia, não que algo nessa cidade fosse longe, mas como tinha de ir até a mecânica seria bom não me atrasar para o trabalho mais uma vez – Decide logo que não tenho o dia todo!

−Você é bem estúpido sabia? Eu digo decidindo aceitar a carona e caminhando para a porta do carona, em represália eu bato a porta com força. Ele revira os olhos sem esconder a irritação – Pode me deixar na mecânica do Ethan, sabe onde fica?

−Sei, não tem mais nenhuma outra na cidade! Ele diz dando partida – Seu carro está lá?

−Minha moto!

Ele ergue uma sobrancelha, não diz nada, seguimos em silêncio por uns minutos, então ele entra na rua da oficina.

−Não queria ser tão grosseiro ontem, desculpe!

−Desculpado Daryl! Respondo com uma sensação estranha na boca do estomago, estranho minha reação, engulo em seco, um sinal de alerta dispara dentro de mim.

−Obrigado Alice! Ele diz sério – Agora pode parar de se comportar como uma menininha teimosa e desfazer esse bico.

−E você pode parar de se comportar como um velho resmungão e me deixar fazer bico o quanto quiser! Ele ri de mim estacionando diante da mecânica, faço uma careta quando desço, dou um lindo sorriso e bato a porta com força.

−Idiota! Ele grita pelo vidro aberto, depois acena para Ethan e acelera se afastando.

Ethan está rindo de mim, finjo não notar, sigo direto para minha moto, o mecânico estava trabalhando nela, conversamos um pouco e ele me promete o serviço até o fim da semana, depois vou para o trabalho, Daryl não sai da minha cabeça um segundo, fico extremamente confusa com isso, o tempo todo luto com a imagem dele que surgia na minha mente.

−Que inferno! Reclamo e todos me olham, não que me ver praguejando fosse novidade, mas como foi do nada todos me olham – Desculpem! Fico sem graça, não muito, mas fico.

Depois do trabalho sigo para casa, Chase me convida para uma partida de pôquer, mais uma vez me recuso, dessa vez não tem nada com o cansaço, se conseguir ser um pouco honesta vou admitir que quero mesmo é ver o tal Dixon.

Minha bicicleta não está no corredor.

−Mas que merda! Digo em voz alta batendo na porta de Daryl, se não fui eu só pode ser ele.

A porta se abre, eu o vejo e meu coração idiota dispara, ele me olha um tanto confuso.

−O que fez com minha bicicleta?

−Mandei consertar! Fico muda um segundo, apenas olhando para ele, o que afinal ele está dizendo – Não disse que fui o culpado, então voltei aqui, coloquei na caminhonete e levei.

−Quem te pediu isso? Não sei mesmo porque estou sendo tão agressiva com ele, mas não consigo evitar.

−Garota você é ridícula, que coisa chata, amanhã mando desfazer o conserto e te devolvo! Ele me diz e me sinto ainda mais idiota, ele está sendo gentil e não estou merecendo.

−Desculpe! Digo por fim – Como está se virando, já arrumou tudo?

−Já! Ele me diz ainda parado na porta.

−Como você é mal educado, não vai me convidar para entrar?

−Ahm? Ele me olha confuso.

−Entrar, me mostrar o apartamento, posso? Passo por ele e entro, o apartamento é igual ao meu, mas está mais arrumado, vejo uma besta encostada na parede da sala, me aproximo – Uma besta? Pergunto pegando a arma na mão, é pesada, está sem flechas, mas vejo as flechas sobre o sofá junto com uma flanela.

−Sim, gosto de caçar.

−Sério, sabe mesmo usar isso?

−Aprendi ainda na infância, cuidado! Ele demonstra sua preocupação, deixo a arma de novo no mesmo lugar e sigo para cozinha.

−Sabe cozinhar?

−Me viro! Ele me diz andando atrás de mim – E você? Ele me pergunta.

−Detesto, fica tudo horrível, mas nunca cozinho.

Voltamos para sala e me sento em seu sofá, é parecido com o meu, tiro os sapatos e coloco os pés para cima, a tv está desligada, na minha casa nunca estaria, detesto silêncio, por isso falo sozinha.

−Dá para me ouvir daqui? Sempre tive curiosidade de saber disso.

−Não! Ele me responde sentando ao meu lado.

−Eu falo sozinha! Aviso – Nossa nem perguntei, você mora sozinho? E se ele tem uma garota ela chega e estou aqui?

−Moro sozinho, tenho só um irmão, mas ele tem a vida dele, não nos vemos muito.

−Minha irmã mora na Virginia, odeio o marido dela.

−Sei, e você?

−Eu o que? Pergunto sem entender.

−Mora sozinha? Ele pergunta – Não foi isso que acabou de me perguntar?

−Nem me lembro, foi, achei que estávamos falando de irmãos, não era isso?

−Também! Ele me avisa −Vai me responder?

−Moro sozinha, desde os dezessete, o que vai fazer agora?

−Dormir? Ele diz num tom de pergunta, faço uma careta.

−Já? Estava bem bom ter com quem conversar – É cedo, vamos conversar mais?

Ele fica mudo, mas sorri meio de lado, me arrumo mais no sofá, ele parece bem fechado, mas tudo bem posso falar por nós dois.

−Vai buscar minha bicicleta mesmo?

−Não Alice! Ele me avisa agora rindo – Mas merecia, afinal foi bem grossa comigo!

−E você é um príncipe encantado! Eu resmungo – Mas preciso dizer uma coisa, não foi culpa sua.

−Não?

−Na verdade suas caixas não me atrapalharam, mas queria brigar com você!

−No primeiro segundo, que idiota!

−Sim, que babaca, no primeiro segundo, que diferença faz? Olho para tv desligada – Nunca vê tv?

−Você muda muito de assunto!

−Aquele assunto estava chato e já tinha chegado ao fim chegamos a conclusão que sou uma idiota e você um babaca.

−Parece que sim! Ele sorri e mais uma vez sinto algo estranho na boca do estomago – Ao menos sobre você ser uma idiota!

Acho que ele é alguém diferente, essas coisas que sinto nunca senti antes, fico confusa, não sei o que fazer mas no momento acho que tenho que ir embora, amanhã acordo cedo para o trabalho.

−Vou dormir! Me levanto – Se precisar de algo pode ir lá em casa.

Sigo para porta, remexo os bolsos, nada de chave, nem mesmo me lembro qual foi a última vez que a vi.

−Acho que nem trouxe a chave!

−Deixou a porta aberta?

−Daryl moramos só nós dois, não tranco nunca, lá em baixo é fechado.

Ele faz uma careta, acho que não gosto muito da ideia, problema dele a casa é minha fecho quando quero.

Abro a porta sem esperar por ele e sumo para minha casa mais confusa que nunca, esse homem mexe comigo de um jeito bem estranho preciso resolver melhor isso na minha cabeça.

Em casa me atiro na cama olhando para o teto, merda de vida, só me meto em encrenca, agora isso de ficar pensando nele me incomoda, mas é bom, adoro as borboletas no estômago.

Notas finais
E então, gostaram? Espero que sim, foi só uma introdução, no próximo a história se desenrola mais, amanhã posto em Fim dos tempos 2 e até o fim de semana atualizo todas as fics. Beijos