Caminhando entre os mortos

59 Capitulo 59 - Sozinha


Notas iniciais
Olá pessoas queridas, desculpe a demora, muita coisa e fim de semana é complicado. Acreditam que recebi duas recomendações? Nossa fiquei muito feliz, não esperava, deviam ler as duas, lindas!!! Então quero agradecer a Secrets, obrigada pelo carinho, fiquei feliz e emocionada, de verdade, nem sei como posso agradecer, mas OBRIGADA! E também a minha amiga e talentosa que fez lindas capas para mim IMMUTABLE, sua linda, te amo, obrigada!!! Espero que gostem.

Pov – Alice

─Nossa se lembra da minha luta épica sob a água? Eu me lembro enquanto estamos na cozinha, comendo pasta de amendoim e tomando refrigerante sem gelo, essa merda de apocalipse, que saudade de coca gelada e pipoca na frente da tv.

─Que raiva que me deu de você naquele dia, garota infernal! Daryl pisca para mim, sei que está brincando que nunca teve realmente raiva de mim, nem nos momentos mais difíceis que vivemos.

─Mas admita, sou a maior matadora de zumbis do planeta! Faço um movimento amplo, ele revira os olhos.

─Claro e a maior idiota do universo! Ganho um beijo leve, estou adorando esses momentos, tanto que dá até medo.

─E uma delícia! Ele ri, bebe uns goles da bebida e apoia o copo na mesa – Que direção vamos seguir?

─Vamos só sair por ai, uma hora achamos um lugar, ou podemos ficar, se por um acaso mudou de ideia sobre esse lugar.

─Prefiro sair por ai, não vou morar numa funerária, sem contar que as pessoas podem voltar.

─Sim senhora, a senhora que manda!

─Acho que está querendo se dar bem senhor Dixon!

─Acho que estou mesmo! Ele me puxa para seu colo, eu o beijo, lambuzo seus lábios com pasta de amendoim e o beijo de novo – Mas que garota sedutora! Ele diz me puxando para mais um beijo.

─Apaixonada! Respondo – E casada, sou uma mulher de família! Mostro meu anel, ele beija meus dedos, nos olhamos um instante.

─Me salvou, de todas as maneiras que alguém pode ser salvo, tirou algo de mim que me envenenava a cada dia.

─Não amor, não fui eu, foi você, seu amor que fez as coisas mudarem.

─Meu amor por você, a garota com a boca mais suja e o rosto mais lindo do planeta!

─E a maior idiota do universo! Rimos e nos beijamos de novo.

─Pode apostar! Ele me diz me lembro do baralho, dos jogos de pôquer, é das coisas que mais sinto falta, os momentos sem preocupação.

─Sempre perco minhas apostas, fiquei devendo... – Me calo, não quero me lembrar, estávamos indo tão bem, não quero ficar triste, não posso – Não me deixa lembrar, quero esquecer tudo isso.

─Posso faze-la esquecer! Daryl me beija, passa as mãos por dentro de minha blusa, faz meu coração disparar e está certo, me esqueço de tudo.

Me carrega no colo para a sala, os raios de sol escapam para dentro pelas frestas da cortina, dão uma iluminação romântica ao lugar, me esqueço onde estamos, só quero ser dele, vamos nos despindo, nos enroscando um no outro, sabemos sempre como agradar um ao outro, treinamos muito.

─Gosto quando me toca assim! Sussurro.

─É minha, minha garota infernal e uma delícia! Ele diz antes de tomar meus lábios, tudo fica voraz, de algum jeito as coisas esquentam cada vez mais entre nós, acho que no fundo é apenas medo que acabe, essa incerteza, a falta de um amanhã nos deixa intensos de um jeito que nunca fomos, ávidos um pelo outro.

Nos movimentamos juntos, entregues, sentindo as reações que um provoca no outro, saboreando o momento como se nunca mais fossemos ter outro.

Então é aquela sensação de paraíso, de viajar para longe, de abandono e nos separamos um pouco, deitados um ao lado do outro, nos olhando fixamente.

─Sexo no meio do dia senhor Dixon, que novidade é essa?

─Eu tenho uma garota quente! Ele brinca me arrancando risadas – E doce também, quando quer, o que é raro, ela gosta mais das brigas.

─Conhece bem sua garota! Eu digo ficando sobre ele – Mas lembre-se, ela é sua mulher, com ou sem apocalipse deu um anel a ela e não pode esquecer, não pode parar de procurar se...

─Cassete Alice, de novo isso?

─Perdemos todos, não entendo como foi acontecer, apenas perdemos e isso fica martelando meu coração, às vezes acho que é só medo, outras acho que é um pressentimento, uma premonição.

─Vamos supor que acontecesse, por que fica achando que não vou te procurar?

─Daryl Dixon não nasceu para ficar sozinho, tenho medo que isso te afete!

─Me conhece! Ele me diz, me encosto nele, ficamos ali quietos, abraçados, eu sobre ele e então ele me faz cafuné, fico sentindo seu peito subir e descer tranquilo, me dá paz, tranquilidade, a noite vai chegando, a luz sumindo e só nos resta nos levantar, vestir e acender velas.

Escutamos barulho na porta, eu sorrio feliz, deve ser o cachorro.

─Vou lá! Ele me diz tranquilo – Fica aqui.

─É tão mandão?

─Como se obedecesse! Ele diz e dou de ombros, ele está certo.

Daryl grita, sinto sua voz tensa, pego a besta que deixou e corro, ele está segurando aporta, zumbis tentam entrar e me aproximo.

─Vai, não dá para segurar, são muitos! Ele pede tenso, jogo a besta, meu pé não está cem por cento, mas corro por um corredor, pego minhas armas – Sai daqui Alice! Ele grita de longe.

─Não sem você! Grito de volta.

─Te encontro na estrada, estou saindo! Ele diz e então faço o mesmo, corro para uma janela, abro e passo para fora, caio no chão e um zumbi se precipita sobre mim, rolo para o lado e ele cai no chão a centímetros de mim, me levanto, não esperava tantos do lado de fora.

O maldito segura meu pé, não esperava e caio mais uma vez, chuto o maldito, um belo chute que parece me fazer ver estrelas com o pé machucado, consigo me libertar, me levanto e corro, me afastando.

─Daryl! Eu grito, tem zumbis vindo de todos os lados, caminhando atordoados e indecisos. Desvio de mais um começo a correr para longe, outro vem e apenas empurro, se parar não posso vence-los, só me resta correr para longe.

Meu coração dói, minha respiração acelera, sinto medo, medo de mim e medo de perder Daryl, então era isso, eu sabia, ele não quis acreditar mas eu sempre soube.

Paro de gritar por ele, agora tenho que me manter viva para poder encontra-lo, está escuro demais, estou com minha mochila nas costas, nem posso me dar ao luxo de parar, tropeço num galho de arvore, caio, meu pé dói, mordo o lábio para não gritar e sem alternativa me levanto, continuo a correr, a casa fica cada vez mais distante, a floresta cada vez mais densa, mas o número de zumbis diminui, paro de correr, começo a andar, atenta a tudo, encosto numa arvore, com cuidado tiro minha lanterna da mochila, é como estar com ele, seco minhas lágrimas.

Volto a andar apontando a lanterna para o chão, tentando sentir onde estou, não sei fazer isso, não sei, ele tentou me ensinar, se esforçou, mas eu apenas... Eu me comportei como sempre me comporto, brinquei o tempo todo, não me lembro de uma maldita lição, não sei em que direção estou, se me afasto ou aproximo da estrada, ele vai para os trilhos, quando não me vir na estrada, vai para os trilhos.

Daryl vai enlouquecer um pouco antes, mas depois vai seguir para os trilhos, preciso fazer o mesmo, preciso, mas para que lado?

Caminho por toda noite, um desespero me invade. Quando o dia amanhece, me sento no chão no meio da floresta e tenho uma crise de choro, não sei ficar sem ele, desaprendi a viver, só consigo se ele estiver comigo, eu preciso ser forte, mas não quero, quero só ficar aqui e rezar para que um milagre faça com que me encontre.

Escuto passos arrastados, me ponho de pé e recomeço a andar, o dia está nublado, nem a porra do sol aparece para me dizer onde estou, ttento ouvir algo, rastrear pegadas, mas não consigo, minha mente está confusa, meu pé dói tanto que agora a perna está toda dolorida, sinto câimbras, quanto ele pode me esperar antes de achar que estou morta e seguir sem mim, ou fazer alguma tolice?

Continuo a andar, mas a dor é tão intensa que me sento mais uma vez, não vou conseguir lutar muito se mais de um zumbi aparecer, fico ali cansada, sozinha, sem poder dormir, correr, fugir.

Não posso deixar que acabe assim, não posso me render, tenho que encontrar uma direção e seguir por ela, não sou burra, claro que a floresta sempre parece igual, mas não é a primeira vez que me vejo assim.

Já acampei na floresta, já me virei muitas vezes, minha vida não começou quando Daryl entrou nela, preciso me lembrar de como era antes, antes eu caminha sem direção, o grupo apenas segui e vez por outra achávamos uma boa clareira, uma casa velha, então posso fazer isso, achar coisas úteis, minha primeira decisão é voltar na direção que vim, a funerária não ficava tão longe da estrada e muito menos dos trilhos.

Retomo a caminhada agora mais calma, decidida, eu posso encontra-lo, oi deixar que me encontre, caminho por toda a manhã, finalmente a vegetação volta a mudar, vejo a estrada, respiro aliviada, paro, uma noite e um dia, Daryl não esperaria tanto já foi para os trilhos, sei que sim, vai procurar por mim.

Um zumbi surge, saindo da mata, mal me aguento de pé, então me arrasto para longe, caminho um pouco, tem uma casa, uma cidade se anunciando mais adiante, olho pela janela, dou umas batidas no vidro e um zumbi quase arrebenta a vidraça.

─Merda! Esbravejo – Porque quando estou sozinha vocês sempre estão ai dentro? Lei de Murphy.

Não entro pela cidade, não posso me arriscar então pego a estrada o zumbi já sumiu, sigo caminhando por um tempo, no caminho um posto policial, os vidros estão quebrados, mas está vazio e posso tentar descansar um pouco, a dor é muito forte.

Entro, me escondo debaixo de um balcão, é só uma sala, nada além disso, com tudo revirado, manchas de sangue e um telefone arrebentado no chão, mas arrasto uma mesa para frente do balcão e me encolho ali, só por umas horas, pego a pistola e ponho no colo, abro a mochila para pegar minha lanterna e então vejo uma camisa de Daryl.

A coragem me deixa por completo, volto a chorar, detesto me sentir assim, frágil e inútil.

─Troglodita imbecil! Eu digo entre soluços – Não pode me deixar.

Adormeço, não era para dormir, mas a dor e o cansaço me dominam e pego no sono, abro os olhos e é noite mais uma vez, meu coração acelera, eu decido sair e seguir em direção aos trilhos, agora sei que caminho tenho que seguir.

Toco a mesa para afasta-la quando escuto os gemidos e os passos arrastados, meus pés formigam de medo, agonia, fico imóvel, prendo a respiração, eles vão passando ao lado do posto policial, me perceberem estou morta, sei que são muitos.

O tempo fica tão lento, coloca as coisas sob uma outra perspectiva, dá a vida um sentido mais especifico, então o som começa a sumir, mas não me mexo, simplesmente não posso, não até ver de novo a luz do dia, aperto minha lanterna contra o peito, nem mesmo posso acende-la.

Amanhece, duas noites sem ele, afasto o móvel e fico de pé, me estico, sinto pontadas pelo corpo, os músculos tensos, mexo os ombros e me ponho a caminhar, pelas marcas no chão foram muitos a passar.

─Eu vou te achar Daryl Dixon, se pensa que pode me deixar está muito enganado!

Finalmente a linha do trem, depois de horas de caminhada.

─Esquerda! Digo em voz alta – Vamos lá caçador, está na hora de me caçar.

Pego sua camiseta, aspiro seu perfume, e depois vasculho na mochila, encontro uma minha, não posso me livrar da dele, não ainda, jogo minha blusa no chão e começo a caminhar.

─É melhor me devolver essa camiseta quando encontra-la, era minha preferida!

Meu problema é a solidão, tento cantarolar qualquer coisa, mas sou péssima com isso, minha memória não funciona, sempre esqueço a letra.

─Ok, nada de música! Digo ficando de novo calada, descansar a noite toda foi bom para meu pé, está quase curado eu acho o que é bom, não pretendo me arriscar lutando com zumbis, se surgirem vou correr.

Escuto gritos, alguém pede socorro, meu coração para de bater, devia correr para ajudar, mas fico ali, indecisa, assustada, um homem, mas não é Daryl, então quando me decidia zumbis surgem, dos dois lados.

─Merda! Puxo minha faca, e quando me preparava para lutar eles surgem correndo, pisco, confusa, sem acreditar no que vejo, Michonne, Rick e Carl, todos correm para mim, Michonne passa a espada em duas cabeças, Rick derruba mais um e eu continuo imóvel.

─Vamos! Só então percebo que estão sendo seguidos por um grupo de zumbis.

Corremos juntos, quando paramos envolvo Carl num abraço e desabo em lágrimas, eles me olham sem entender.

─Está vivo! Eu digo soluçando, ele está feliz também se aperta a mim – Vivo!

─Que bom Alice! Rick toca meu ombro.

─O Daryl também está, nos perdemos, mas ele está, vai me achar aqui, combinamos.

─Quando o viu pela última vez? MIchonne pergunta.

─Dois dias, mas não se preocupem, ele me acha, eu sei que sim, então é só descansarmos um pouco e esperar por ele.

─Alice! Rick começa cauteloso.

─Não vou ouvir, eu vou achar Daryl, ele está vivo, está vivo, não me diga o contrário...

─Ele não vai dizer! Carl enfrenta o pai, dando um passo à frente.

─Se tem alguém que pode estar vivo, é Daryl, então vamos continuar em direção a Terminus, é para lá que estavam indo? Rick pergunta.

─Onde?

─Tem placas por todos os lugares, chamando pessoas, com recados, todos os trilhos levam a Terminus.

─Acha que ele me procuraria lá?

─Acho! Michonne responde — Ele vai te achar em qualquer lugar, é o Daryl.

Notas finais
Prometo junta-los muito rápido, juro!!! Não me matem. Beijos