Caminhando entre os mortos

58 Capitulo 58 - Funerária


Notas iniciais
Olá pessoas, espero que gostem, está mais leve, logo virão momentos tensos e esse capitulo é como uma preparação.

Pov – Alice

─Acho que são pegadas, em ziguezague, um zumbi! Digo orgulhosa do meu feito, estou ficando muito boa nisso.

─Também pode ser um bêbado, tipo a senhorita encrenca aqui! Ele me sorri, desde que queimamos a casa as coisas simplesmente se acalmaram entre a gente, estamos leves, apenas vivendo, nos mantendo de pé.

─Essa porra pesa Daryl, me diz acertei?

─Vá em frente, vamos ver o que tem por aí! Ele diz enigmático, arrumo a besta no ombro, pronta para o que tiver a minha frente, continuamos caminhando.

─Não acha que fico uma delícia de caçadora? Ele ri – Não sei porque não pensei nisso antes!

─Acho que não vai caçar nem formiga se não aprender a calar a boca!

─Troglodita, sabe como acabar com a minha felicidade e acho que com a fome que estou me sentiria muito feliz com uma sopa de formiga.

─Não estou acabando com sua felicidade, apenas te ensinando a caçar você que pediu, e uma sopa de formigas seria perfeito, embora prefira um esquilo.

─Está acabando sim com aminha felicidade, fica me criticando o tempo todo, tem medo de me tornar uma caçadora melhor que você e sim um esquilo seria bem-vindo, já te sirvo de um amor, deixa só ele dar de cara comigo!

Vamos caminhando pela floresta em busca de comida o que não vemos a dois dias, infelizmente não se vive só de amor e precisamos comer.

─Não tenho medo merda nenhuma de ser melhor que eu, nunca vai conseguir porque tem uma boca grande que não fecha nunca e afasta os animais e se continuar assim a sopa de formigas vai ser o prato do dia, do jeito que é idiota e desatenta se der de cara com um esquilo ele vai rir de você!

─É o pior professor do mundo! Eu anuncio – Chato e irritante, e deixa um esquilo aparecer, você me paga, vou comer ele sozinha e ainda lamber os dedos, que aliás nunca entendi por que fica tão bravo quando faço isso.

─Pode lamber os dedos à vontade agora, só estamos nós dois! Ele me diz e baixo a besta para olhar para ele – Tem ideia do quanto fica sexy quando faz isso? Ele diz meio de má vontade, sabe que deu munição ao inimigo.

─Sexy é? Sorrio largamente – Quer dizer que me acha uma delícia?

─Vamos logo Alice, ainda temos que achar um lugar para passar a noite!

─Então diga, Obrigado Alice por ser assim deliciosa e sexy e ser minha!

─Obrigado Alice, por ser a pessoa mais modesta que conheço e me matar de fome enquanto brinca com meu instrumento de trabalho e única fonte de alimentação que temos!

─Velho! Eu resmungo.

─Bebezão! Ele rebate e caio na risada.

─Essa é nova! Ele revira os olhos – Gostei.

─Se concentra Alice, vamos, logo perdemos a luz, tem zumbis não muito longe, já viu os sinais.

Eu não respondo, fixo meus olhos no chão e continuo a caminhar com a besta em punho, depois de uns minutos vemos um zumbi, ele está de costas, ajoelhado comendo pelo visto o meu jantar.

─ladrãozinho de merda! Eu resmungo baixo.

─Caça melhor que você! Daryl me provoca, o idiota.

─Ele tem uma arma! Aviso, Daryl faz um sinal me permitindo tentar, caminho em direção a ele, quero chegar mais perto para acertar a flecha, então prendo meu pé em uma armadilha, caio com o pé preso num fio grosso de ferro, o zumbi ouve o barulho, mesmo com dor eu não desisto e quando ele caminha em minha direção eu disparo a besta que acerta seu queixo sem fazer qualquer diferença ele continua em minha direção, Daryl toma a arma da minha mão acerta o zumbi e corre para me socorrer.

─Calma, está doendo?

─Muito! Reclamo com meu exagero habitual, ele me olha sorrindo, desprende meu pé e me ajuda a levantar, o pé dói quando tento firma-lo no chão – Nossa quase perdi o pé agora, está doendo para cacete!

─Vem vamos achar um lugar para passar a noite! Ele me apoia e seguimos devagar, depois de pegar a arma do morto e meio cartuxo de munição no bolso.

─A que ponto chegamos, roubando zumbis! Alice ri de nossa desgraça, esse acho é seu melhor talento, rir de si mesma.

─Como está o pé?

─Ruim, devia me carregar no colo, é meu marido se lembra, e por falar em marido nem me lembro quando foi a última vez que ganhei cafuné.

─Eu te amo Alice, mas você é dureza sabia?

─Eu sei, mas não ache que é assim muito dócil!

─Ainda bem!

Chegamos a trilhos de uma velha ferrovia, paro para descansar um pouco, olho para os dois lado do trilho.

─Com medo de ser atropelada por um trem? Ele brinca.

─Escolhe um lado, direita ou esquerda?

─Ahn?

─É sério? Eu peço – Mas use seus instintos, direita ou esquerda?

Ele pensa um minuto, observa os dois lados, analisa, depois me sorri.

─Esquerda! Diz por fim.

─Certo! Eu o faço me olhar, me arrumo firmando o pé, dói um pouco, mas me posiciono diante dele – Se por qualquer motivo, uma horda, bandidos, ou qualquer porra dessas que essa merda de apocalipse provoca nos separarmos...

─De novo isso Alice? Ele me corta.

─Sim, se nos separarmos vamos seguir os trilhos, sempre na direção que escolheu e vamos nos encontrar em algum momento.

─Eu não pretendo me afastar de você!

─Amo você, e ficar longe está longe dos meus planos, mas a queda da prisão também, é apenas uma coisa que sinto, tenho medo de nos separarmos, tenho medo de desistir de mim, então fico pensando em planos para o caso de algo assim acontecer, é tudo que tenho Daryl, promete!

Fico emocionada, ele me abraça, aspiro seu cheiro, meu coração se aperta, não suportaria ficar sozinha, perder Daryl seria pior que morrer.

─Eu prometo que se algo assim acontecer vou correr para esses trilhos e achar você e que nunca vou desistir de te encontrar, agora pare de pensar tolices e vamos tentar não nos separar.

Concordo com um movimento de cabeça e continuamos a caminhar, um zumbi surge no caminho, apenas desviamos, e depois de outro e então um cemitério surge em nossa frente.

Atrás dele uma casa, grande e bem cuidada, nos olhamos e seguimos em direção a ela, Daryl me leva de cavalinho depois de muito implorar.

─Parece boa demais para ser verdade, queria um banho e comida!

─Você é uma sonhadora, me contento com a sopa de formigas.

É como de costume, batemos esperamos e entramos, está tudo limpo, arrumado, eu me aproximo dele.

─Acho que tem gente por aqui?

─Que porra, é bom demais para ser verdade!

Andamos pela casa, é na verdade uma funerária, quem viveria numa funerária?

─isso é sinistro! Digo quando chegamos ao local onde os mortos eram preparados para o enterro, tem um corpo lá, estava sendo preparado, a pessoa parou o processo no meio, resta saber se porque morreu eu fugiu.

É o segundo corpo, o outro lá no caixão é bem assustador, continuamos nosso tour e chegamos a cozinha, saímos abrindo portas e gavetas e então lá está um pequeno pedaço do paraíso, comida, muita comida, arrumada e sem uma gota de poeira.

─Acho que o dono pode voltar, não faz muito tempo que deixaram isso, vamos pegar um pouco e deixar o resto.

─Daryl eu casei com um homem bom, quem diria, fui enganada!

─Idiota!

Meu pé dói, Daryl passa uma faixa e depois coloco a bota mais uma vez, reunimos a comida na mesa, comemos despreocupados, adoro que estamos sentados em cadeiras, em volta de uma mesa.

─Agora só falta o cigarro!

─Mas que fixação! Ele reclama.

─É para te irritar bobo.

─Fica descansando um pouco, vou proteger um pouco o local e depois vamos descansar.

Ele me deixa e caminho pela casa, me sinto um pouco angustiada, acho que não gosto do lugar, as cortinas estão fechadas, são pesadas e escuras acendo velas, tem um lindo piano de caldas numa sala onde acredito muitos mortos foram velados, no tempo que a morte tinha seu peso e valor, antes do mundo acabar, é um lugar simbólico.

─Oi! Daryl diz me assustando.

─É estranho não é? Ele me olha caminha para perto de mim – Que justo aqui, no meio desse lugar a vida fique tão evidente, me lembra o mundo de antes mais do que qualquer outro lugar.

─Sei o que quer dizer, partimos cedo amanhã se te faz tão mal.

─Me deixa triste, apenas isso.

─E não gosta de ficar triste não é?

Nego com a cabeça, me encosto nele e olho para o piano, memórias da minha infância me vem à mente, sorrio me afastando dele, me sento ao piano.

─Sabia que sei tocar essa coisa? Ele ri se sentando no caixão.

─Você?

─Sim, afinal como é que me chamou, a filhinha de papai, mimada!

─Nunca vai me deixar esquecer isso, não é?

─Claro que não. Gosto que se sinta culpado!

─É uma...

─Cala a boca Daryl, deixa eu contar! Ele revira os olhos, faz sinal para eu falar – Ótimo, meu pai era aquele babaca que já contei, queria as filhas cheias de talentos inúteis para caçar marido rico, me dei mal! Aponto para ele que faz careta.

─Ingrata! Rimos os dois.

─Enfim, era uma chatice, aquelas músicas clássicas e intermináveis, eu odiava, mas era uma exigência e então tive uma ideia, peguei umas partituras de Jerry Lee Lewis, Rock in roll! Ele me olha, seus olhos brilham – Quando meu pai reunião os amigos e a família num jantar para exibir as filhas eu já sabia o que fazer, minha irmã tocou primeiro, Emma fazia tudo que eles queriam, então foi minha vez, eu toquei feito uma louca, no fim ficou aquele silencio deliciosamente constrangedor.

─E foi o fim da sua carreira musical!

─Bingo, no dia seguinte minha mãe me disse” Alice, chega de aulas de piano para você!”

─Sempre foi assim não é, só faz o que quer e não tem limites.

─E me ama justamente por isso, então sai desse caixão e vem aqui que nem sempre temos um teto e acho que não podemos desperdiçar a chance.

Daryl caminha para mim, me puxa para seus braços e nada mais importa, são tão raros agora esses momentos, só quero aproveitar.

Fazemos amor no chão, sem pressa, as velas a noite chagando cria um ambiente romântico e dessa vez é tudo lento, gentil e especial, estamos sempre com os olhos fixos um no outro, gosto de vê-lo me amar, de perceber as sensações que provoco nele, é sempre tão diferente, às vezes é voraz, quente e arrebatador, outras é divertido, nos faz vir, brincar, e então tem esses momentos, quando não é um desejo físico, quando é amor, puro e simples, e esses são os que ficam gravadas na minha memória, os que me dão vontade de chorar e ficar como agora, apenas deitada em seus braços, sentindo a respiração dele se compassar com a minha, e em dias assim não tem apocalipse.

─Ás vezes parece que estamos sozinhos e isso é ruim, mas outras vezes, como agora, eu sinto que ter você é ter tudo, e então parece que não falta ninguém.

Meus olhos ficam marejados com as palavras dele, eu o olho.

─Te fiz chorar? Ele sabe que não gosto de chorar.

─Não, quer dizer não daquele jeito que me faz sofrer, eu amo você e de vez em quando isso me emociona!

─Sabe o que eu acho? Ele me puxa e fico sobre ele.

─Acha que sou uma delícia!

─Sim! Ele diz me fazendo rir.

─AH! Eu reclamo – Não pode se render assim! Brinco com ele — Seja mais difícil homem!

─Maluca! Nos beijamos e então é uma daquelas vezes que fica tudo divertido.

Durmo nos braços de Daryl, quando abro os olhos ele está me olhando, sorrimos um para o outro.

─Quer ir? Ele me pergunta.

─Adoraria amor, de verdade, mas acho que me esforcei muito e meu pé está doendo, vamos descansar mais hoje.

Daryl concorda, vasculha pela casa e encontra uma merda de um vidro de analgésicos.

─Aqui! Ele chacoalha o vidro.

─Essa merda a gente sempre encontra, porque comprimidos, porque não gotas?

─Você parece mesmo uma criança!

Eu faço careta quando ele me oferece um comprimido e um copo de água, odeio engolir aquilo.

─Eu já te disse que uma pessoa pode morrer engasgada com um comprimido desses e que no mundo de hoje isso é um perigo porque ela pode voltar como zumbi e fazer um estrago muito maior?

─Já toda vez que precisa engolir um desses vem com esse discurso, vamos engole de uma vez!

Eu enfio o comprimido no fundo da garganta e tomo quase toda garrafa de água com Daryl idiota Dixon rindo da minha cara.

─Babaca!

─Bebezão! Ele diz para me fazer rir, ouvimos então um barulho na porta – Fica!

Daryl segue para porta, eu fico tensa e então ele grita avisando que é apenas um cachorro, vou o mais rápido que posso, quando chego ele fechava a porta, cheguei tarde.

─Fugiu! Avisa – Quem sabe ele volta, vem, vamos comer alguma coisa, depois se quiser pode tocar um pouco de música erudita, eu sei que ama!

─Vou é tocar o piano na sua cabeça, está tão felizinho!

─Amanhã pegamos a estrada de novo, vamos achar um lugar para nos estabelecer Alice, chega de andar em círculos, precisamos recomeçar.

─Eu sei, vai ser bom, também estou esperançosa.

Notas finais
E então? Comentem. Gente, eu já disse que vou fazer um hiatus aqui até a serie voltar? Estão preparados, vão ficar muito bravos? O que acham, falem comigo!!!!!